Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Comunique-se

25/11/2008 na edição 513

SATIAGRAHA
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Juiz decide que jornalistas não sejam investigados por vazamento na Satiagraha

‘O juiz da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo Ali Mazloum determinou que a Polícia Federal exclua os jornalistas da lista de investigados no inquérito que apura o vazamento na Operação Satiagraha. Ele pediu que o corregedor da PF que investiga o caso, Amaro Vieira Ferreira, não tome medidas que atentem contra o direito do jornalista ao acesso e à divulgação de informação.

Mazloum também afastou a suspeita de que a PF tenha quebrado o sigilo de celulares e rádios de repórteres que cobriram as prisões realizadas no dia em que a Satiagraha foi deflagrada. Segundo o juiz, os jornalistas podem ter sido vítimas de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na busca em endereços de oficiais da agência, teria sido encontrado um CD com informações sobre grampo a um repórter.

Ali Mazloum foi o juiz que determinou a apreensão de documentos no Centro de Operações da Abin no Rio de Janeiro, a pedido de Amaro Ferreira.’

 

FUTEBOL
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Morre o jornalista esportivo Celso Garcia

‘O jornalista Celso Garcia morreu na manhã do último domingo (23/11), no Rio de Janeiro. Ele ficou conhecido por sua atuação na cobertura esportiva para o rádio. O corpo foi sepultado no cemitério de Inhaúma.

Garcia foi o responsável pela revelação de Zico, o maior ídolo da história do Flamengo. Em 1967, ele era vizinho do Galinho de Quintino e o levou para treinar na Gávea.

O presidente do Flamengo, Márcio Braga, decretou luto oficial de três dias no clube. O jornalista também recebeu homenagem póstuma durante a partida do rubro-negro carioca contra o Cruzeiro.’

 

VENEZUELA
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Censores ficam de plantão para punir redes que desobedecerem a Chávez

‘O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, levou a sério as ameaças de punir os veículos de Comunicação que divulgarem resultados eleitorais antes do primeiro boletim da autoridade oficial. Ele determinou que funcionários do Conselho Nacional de Telecomunicações (Conatel) trabalhem em regime de plantão de 24 horas até domingo para monitorar a programação de rádios e TVs do país.

O Conatel já informou que punirá as redes que descumprirem a regra. O órgão terá apoio da Guarda Nacional para fechar as emissoras que desrespeitarem as normas anunciadas por Chávez, que incluem punições também para aqueles que divulgarem propaganda política ilegal.

Na quarta-feira (19/11), Chávez deixou claro que as redes que desobedecerem ao governo ‘nunca mais voltarão ao ar’.’

 

ENTREVISTA
Bruno Rodrigues

Lucia Guimarães: a coragem de se reinventar, 18/11

‘Lucia Guimarães é biscoito fino. Passei uma tarde de sábado de papo solto com a jornalista que, durante vários anos, recheou o ‘Manhattan Connection’ com suas reportagens de alto nível, nos oferecendo Nova Iorque de bandeja.

Minha entrevista, via Skype, tinha um objetivo: descobrir a receita do site – luciaguimaraes.com – que me deixou de queixo caído, a ponto de abrir uma exceção na tradição dos textos do ‘Conteúdo n@ Rede’, e relatar uma ‘simples’ entrevista – de longe, a mais prazerosa, gratificante e esclarecedora entrevista em vários anos.

Lucia conversa como escreve, com o mesmo refinamento que elabora os roteiros de seus segmentos no programa do GNT. Chamo o texto de Lucia de ‘texto de delicatessen’: mais especial, impossível.

Comecei tímido, questionando como o luciaguimaraes.com é chamado: ‘blog, Lucia? Acho que está mais para site.’. Nem precisava: ‘Ah, ainda bem que você tocou no assunto, eu também acho!’. Afinal, o site (permitam-me) vai muito além da proposta de um blog. Ali está, é claro, a visão pessoal que define um blog, mas também está a visão de uma profissional experiente que, ao misturar na mesma panela Brasil e Estados Unidos, política e cultura, vai muito além da impressão, fazendo da formação de opinião seu maior trunfo.

Acredito na figura do superjornalista como o profissional do futuro na área da notícia. Ele não é mais aquele que apura o básico – deixemos isso para os mais novos -, mas aquele que, através de uma opinião única, cria uma definição para um assunto, conclui discussões e ajuda cada leitor a enxergar de maneira ampla e clara os fatos. Não é todo jornalista que é super. Já há muitos na web com seus blogs-referência, e outros virão, mas Lucia e seu site criaram um novo patamar neste cenário.

Chega a ser cômico quando se descobre que, há cinco anos, Lucia chamava os jornalistas-bloqueiros de ‘narcisistas’; chegou até a publicar um texto esculhambando os blogs, que acusava de veículos para ‘auto-indulgência’. Foi criticada por meio mundo. Lucia conta isso rindo, como descrevendo um rito de passagem necessário. Entendo a auto-crítica – afinal, difícil, mesmo, é mudar de opinião.

Hoje, como o site no ar, Lucia lida com o novo público, mas ainda vai devagar. Afinal, é mais um público para aprender a lidar, além dos leitores do impresso – ele escreve uma coluna para o Estadão – e da tevê. Aprender a lidar? Deixe-me corrigir: e lá a Lucia aprende a lidar com público? Ela empacota o produto com o maior esmero e sente muito quem não o recebe com boa-vontade. Presunção? De jeito algum. Lucia sabe que tem qualidade e confia no seu taco, mas entende que nem sempre o público está pronto para degustar o prato preparado com tanto carinho.

Lucia tem jeito de galo de briga, mas são os anos de estrada. É gentilíssima, mas meça as palavras. Elogie, mas seja rápido. Como cabe a um jornalista genuíno – sem aditivos – Lucia guarda o ego para outras ocasiões.

Talvez por isso ela torça, sem muita firmeza, para que a iniciativa do luciaguimarae.com dê certo. Acha o modelo de negócios para a manutenção de blogs ridículo. Pergunto se ela aceitaria propostas de patrocínio/compra ou se seria uma ameaça à liberdade de expressão. Ela ri, quase com deboche: ‘neste caso, estou à venda, sim, por que não?’. E deixa claro: é óbvio que não deixaria de dizer o que acha.

Sobre comentários no site, ela é categórica: cuidado. ‘Há uma diferença entre mérito e direito’, define. ‘Não é todo mundo que pode dizer o que acha e do jeito que quer’. No caso de comentários agressivos ou fora de contexto, Lucia vai e tira. Faço o mesmo, e acho que agora temos mais uma voz de peso na campanha ‘Meu blog não é a Casa da Mãe Joana’.

Não bastasse Lucia, no site ainda há o talento de Roberto Nascimento, webdesigner com estrela (cinco, no mínimo). A começar pela logomarca do site, tudo no site lembra bom-gosto e simplicidade. Quando entrei pela primeira vez, é como se estivesse em um passado paralelo, um tempo em que a web ainda não se pretendia espetáculo e onde a informação era o maior destaque. Realidade que, a bem da verdade, ensaia uma interseção com o futuro próximo.

Conversei com Roberto via e-mail, e caí na besteira de questionar se, em um ambiente tão fragmentado como a web, há espaço para ‘conceito’. Fosse um pouco íntimo, Roberto me mandava andar. Por trás do conceito do luciaguimaraes.com, ele me explica, está a busca pelo leitor inteligente, via simplicidade. Eu não estava enganado, portanto. Roberto acha que, no processo de criação de um site, é preciso se desapegar de tentativas bem-sucedidas, mas que não se adaptam ao conceito. Para ele, fazer um site é um processo de criar e destilar. ‘Você cria o tanto quanto você abandona’, conclui.

A tarde de sábado começava a cair quando pedi, com um certo atrevimento, que Lucia apontasse sua maior qualidade. ‘Curiosidade’, não pestanejou. ‘E respeito, e não seguir moda’. Filha de um dos criadores da FEEMA que costumava viajar de Fusca para a Floresta Amazônica e gostava de recitar Shakespeare, Lucia herdou a coragem do pai, mas é cuidadosa nos caminhos que trilha. Neste momento, além de cuidar da rotina do site – ‘publico um texto por dia, em média, mas sem compromisso rígido’ – ela se prepara para migrar suas videoreportagens para o programa campeão de audiência do GNT, o ‘Saia Justa’.

Sugiro a Lucia, então, que ela crie espaços para que os públicos do Estadão e da TV sejam bem-recebidos no site. Lucia não acredita que seja assim, e deixa claro que é bom deixar que as coisas aconteçam, e que tudo se adapte ao longo do caminho.

Seria essa a receita do talento?

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1. Para quem não conhece meu blog, dê uma checada no http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br.

2. Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.’

 

IMPRENSA NA JUSTIÇA
Comunique-se

IstoÉ é condenada a pagar R$ 50 mil em indenização

‘A Editora Três, responsável pela publicação da revista IstoÉ, foi condenada ao pagamento de indenização no valor de R$ 50 mil a José Antônio de Faria Villaça. Em julho de 2004, Villaça foi apontado, em matéria publicada pela revista, como participante da máfia da venda de insulina, alvo de ação da Polícia Federal batizada de ‘Operação Vampiro’. A decisão, tomada por unanimidade na última quarta-feira (20/11), é do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF).

A matéria dizia: ‘Relatório do Ministério Público sobre os vampiros da saúde coloca um novo nome na roda: José Antônio de Faria Villaça, da Anvisa (…). (Ele) teria atuado junto à equipe do ministro Humberto Costa para beneficiar a máfia na venda de insulina no finalzinho de 2003’.

De acordo com Villaça, ele nunca foi alvo de investigação do Ministério Público e, por causa da reportagem, sofreu prejuízos morais irreparáveis. Villaça pediu pagamento de indenização no valor de R$ 225 mil por dano moral.

A revista alega que a matéria não tinha intenção de acusar Villaça e se limitou a exercer o direito constitucional de informar, já que Villaça teve o nome citado em relatório do Ministério Público.

Em primeira instância, o juiz da 19ª Vara Cível reconheceu o dano moral, mas fixou o valor em R$ 35 mil. Segundo o magistrado, ‘o nome do autor é citado em duas oportunidades no relatório produzido pelo MP, mas em nenhum momento se vislumbra qualquer indício de participação dele no esquema criminoso. (…) a notícia não só aponta a atuação do autor no esquema como coloca de forma expressa os fins pretendidos com a dita participação, que seria beneficiar a máfia da insulina’.

Em segunda instância, o TJ-DF confirmou a condenação e aumentou o valor da indenização para R$ 50 mil. De acordo com o relator, o aumento do valor é justo tanto pela repercussão da matéria, que foi veiculada por um dos semanários de maior tiragem no País, quanto pelo dano causado à imagem e à honra do autor, que já foi diretor-executivo da Fundação Hemocentro de Brasília.

Com informações do TJ-DF.’

 

VEJA
Milton Coelho da Graça

Caso Fábio: informar é politicamente correto, 21/11

‘A coluna anterior já estava aqui quando li a VEJA, sábado pela manhã, e fiquei maravilhado com a matéria dos repórteres Ronaldo França e Sílvia Rogar sobre o sofrimento físico-psicológico-profissional-social do ator Fábio Assunção, afastado da novela ‘Negócio da China’ no auge de sua carreira, porque o vício da cocaína já não lhe permitia trabalhar nem sequer cumprir horários.

E, no habitual editorial ‘Carta ao Leitor’, a revista explica a decisão de publicar a matéria, não como desculpa mas como ‘a verdadeira visão políticamente correta’ de enfrentar o problema das drogas. Argumenta a Carta: ‘Relegar esse fenômeno à fraqueza inerente à condição humana, como se ele não comportasse conseqüências funestas, é um equívoco’. (…) ‘É necessário inculcar nos adolescentes que compõem a massa de potenciais usuários e nos indivíduos já viciados a noção de que, ao acender um cigarro de maconha ou cheirar uma carreira de cocaína, eles se tornam cúmplices dos bandidos que aterrorizam desde a Amazônia até as favelas das cidades brasileiras.’

Informações e opinião perfeitas e essenciais, ainda mais porque se tentou montar na imprensa uma maquilagem de ‘problema de saúde’, sob a aparente desculpa de ‘proteger’ Fábio. Companheiros de VEJA já viveram há algum tempo o dilema de decidir o que era ‘politicamente correto’ quando se encontravam papelotes de cocaína no banheiro da redação. E é fato conhecido que pelo menos um traficante chegou a fazer entregas no prédio da Rede Globo, com credencial falsa mas impecável de funcionário, dando-lhe liberdade de tráfego em todos os corredores e salas.

Silenciávamos todos por concordar com esse critério de ‘correção’ ou pelo menos aceitá-lo. Mas já chegamos a 200 milhões de usuários de drogas no mundo, uma forte percentagem deles com problemas semelhantes aos de Fábio. A imprensa e seus profissionais não podem continuar a achar que personagens famosos desses problemas só devam ser identificados quando morrem por overdose.

A ponta do consumidor é justificada e protegida por lei. Mas por que os dramas decorrentes do vício não devem ser descritos à sociedade, com todos os prejuízos causados a usuários, suas famílias e toda a sociedade?

Maradona foi um caso exemplar. A ampla exposição de seus problemas com drogas ajudou ou prejudicou a superação?

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Afro-americanos a dar com o pau!, 21/11

‘Não confie a ninguém

o seu segredo.

A verdade não pode ser dita.

(Ledo Ivo in A Queimada)

Afro-americanos a dar com o pau!

O considerado José Truda Júnior, ilhado pelas chuvas em seu minarete de Santa Teresa, encontrou no Globo Online um título candidatíssimo a mais hermético do ano e, segundo explica, despachou-o imediatamente, antes que alguém de bom-senso o trocasse por chamada menos misteriosa.

Vejam que beleza:

Alemão é levado pelo mar e morre no Rio

Mais tarde um pouco, porém, tinha outra:

EUA devem ter um negro na Secretaria de Justiça

Aí, Truda, já ilhado pelas chuvas, perdeu de vez a paciência:

Dá a impressão de que a cor da pele é requisito para alguém integrar o governo Obama. Ainda que a matéria remeta ao fato de Eric Holder ser o primeiro negro a ocupar o cargo caso seja de fato escolhido, esse tipo de observação está ficando repetitivo se levarmos em conta que negros no governo americano já não são novidade há tempos!

Janistraquis alerta o amigo:

‘Negros, não, ó Truda; afro-americanos…’

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Profissão: puta.

Há alguns anos um célebre causídico paulistano, o dr. Waldir Troncoso Perez, garantiu que a prostituição era ‘uma profissão respeitável como outra qualquer’. Ocorreu descomunal agito nos puteiros de todo o país, surgiram lideranças no seio da, digamos, categoria, e o movimento deixou salões e alcovas para rebolar assento no Ministério do Trabalho.

O considerado Fábio José de Mello enviou à coluna o link da tal e democrática página, na qual as mulheres com espírito de corpo podem aprender a desempenhar sua profissão numa boa. Ali ensina-se a ciência da libertinagem, da iniciação ao pedido de aposentadoria, como convém a um país de todos, porém aproveitado por poucos e explorado por muitos.

Janistraquis, que já teve a mãe na zona de Caruaru, alertou:

‘É, considerado, tá tudo muito bem, devemos louvar a atividade profissional dessas que já foram apelidadas de decaídas, mas vá alguém chamar o presidente da República ou mesmo um ministro de filho da puta; é cadeia na certa.’

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Ledo Ivo

No final dos anos 60, ele trabalhava na revista Manchete e sempre descíamos no mesmo elevador para o almoço, acompanhados de outro colega mais velho, o acadêmico Raimundo Magalhães Jr. Um dia, perguntei: quando é que o amigo vai envergar o fardão da ABL? Ledo abriu o largo sorriso nordestino: ‘Vou concorrer à vaga do Raimundo!’. Este não gostou, mas o almoço transcorreu em paz.

Conheça um pouco mais de Ledo Ivo na entrevista que concedeu ao considerado Geneton Moraes Neto. Aqui estão abrigados outros poemas além de A Queimada, cujo fragmento encima a coluna, e um pouco da vida deste grande jornalista, poeta, prosador, mestre do idioma e um dos ícones da Geração de 1945.

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Black Power

O considerado Felippe Antinori, estudante de jornalismo em São Paulo, envia chamadinha que leu na capa do UOL:

Canal 1 — Em 2009, ‘Malhação’ terá seu primeiro protagonista negro.

Antinori, que não revela a cor da pele nem dos olhos, comentou:

‘O efeito Obama ainda vai fazer muito rapaz de família quatrocentona lamentar ter nascido loirinho de olhos azuis…’

Janistraquis tem certeza de que brevemente veremos nas telas todos os super-heróis mais negros que a asa da graúna, incluindo-se James Bond e Jesus Cristo, e, na vida real, o papa e Papai Noel tão afrodescendentes como o Pai Thomaz, aquele da cabana.

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Grande Sertão

Sob o título ‘Grande Sertão Veredas’ de leitor tem as páginas embaralhadas, saiu na Folha de S. Paulo:

Carlos Augusto Moreira afirma que comprou recentemente um exemplar do livro ‘Grande Sertão Veredas’, da editora Nova Fronteira. Porém, segundo o leitor, ‘bem quando o bando de Riobaldo se junta para vingar a morte de Joca Ramiro, por volta da página 320, o livro salta para a página 417, indo até a página 448, e volta, posteriormente, para a 353 -quando, então, segue normalmente até a 624’, conta.

A editora garantiu que resolverá o ‘problema’, porém Janistraquis aprovou o embaralhamento, também conhecido como empastelamento:

‘Considerado, o leitor deveria agradecer à Nova Fronteira; afinal, quem depara com o problema é porque leu o livro; e, no caso do Carlos Augusto, a façanha saiu até num jornal importante. No Brasil, uma pessoa ler um livrão daquele tamanho é motivo para registro no Livro dos Records e júbilo na Academia Brasileira de Letras!’

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Puro caçanje

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, é possível surpreender o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, a fazer xixi fora do urinol, pois Roldão lia o Correio Baziliense quando encontrou esta, sob o título Papa recebe Lula:

‘A audiência fechada, realizada na biblioteca do Vaticano, contou com a ajuda de dois tradutores.’

Mestre Roldão reprovou:

O termo ‘tradutor’ está correto, mas, no caso, é mais usual empregar a designação de ‘intérprete’.

Pois o que apalermou Janistraquis foi a informação segundo a qual Sua Santidade precisou de dois intérpretes para entender o que se passava na cabeça de Sua Excelência!

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Vão apagar!

A considerada Maria Eugênia Corrêa Lima, do Rio de Janeiro, envia a frase do momento:

Devido às quebras de bancos, queda nas bolsas, cortes no orçamento, crise nos combustíveis e racionamento mundial de energia, informamos que a famosa luz no fim do túnel será desligada!

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Regrinha simples

Chamada na capa do Meio&Mensagem Online:

Caboré 2008: veja os indicados à Profissional de Planejamento

Janistraquis, que é contrário à reforma ortográfica, reforçou sua posição:

‘Taí, considerado, de que adianta cassar o trema da lingüiça se o pessoal ainda não sabe como funciona a crase??!?!?!’

É mesmo. E a crase, que não foi feita pra humilhar ninguém, continua a ser utilizada antes de palavras masculinas. A exceção é quando, por exemplo, se escreve assim: ‘Cretinice à Lula’, pois está implícito que a tal cretinice é cometida ‘à moda de Lula’. Pelo menos os jornalistas deveriam decorar regrinha tão simples.

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Carnaval arretado

Saiu há algum tempo no sempre bem informado Meio&Mensagem:

Projeto de Lei pretende fixar data de carnaval

PL nº 3418/2008, de autoria do deputado federal Daniel Almeida, do PC do B da Bahia, quer que festas carnavalescas sejam realizadas todos os anos na última terça-feira do mês de fevereiro.

Janistraquis, que já se fantasiou de político corrupto pelo menos umas dez vezes, nos bons tempos da Câmara de Vereadores do Rio dos anos 50, garantiu que essa idéia só poderia ter sido coisa de baiano:

‘Considerado, ainda bem que o projeto foi derrubado; tratava-se, na verdade, de armação do deputado, a mando de Gilberto Gil e Carlinhos Brown; já pensou se fixassem o início obrigatório da folia para a última terça-feira de fevereiro? É certo que iriam prolongar indefinidamente a festa, e o carnaval da Bahia cassaria a quarta-feira de cinzas.’

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Roda Viva

O considerado Irênio Valladares Pinho, empresário paulistano, anda decepcionado com a pauta do programa Roda Viva, velho sucesso da TV Cultura:

Até bem pouco tempo apareciam pessoas que realmente mereciam ser entrevistadas; os assuntos também mexiam com todos nós. De uns tempos para cá, nada do que sai dali interessa ao telespectador, pode perguntar por aí. Dos meus amigos, ninguém mais vê o programa, no máximo dão uma olhada e seguem em frente, porque não vale o tempo que se perde. O que aconteceu?

Janistraquis acha que o amigo está é com má vontade, pois Roda Viva tem entrevistado personalidades internacionais, a apresentadora Lilian Witte Fibe tem classe e inteligência e os entrevistadores são muito bons. Mas bem que poderiam convidar o Roberto Dinamite, né não?

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Líder mundial

Carta publicada no Painel do Leitor, da Folha:

‘Gostaria que a senhora Elyanne Guimarães Brasil me excluísse do rol das pessoas que acham que ‘mesmo não sendo doutor, Lula mostrou-se um grande líder nacional e mundial, de quem muito nos orgulhamos’.’

RUY PIGATTO (Curitiba, PR)

Janistraquis e o colunista também pedem exclusão.

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Outra carta do Painel:

Cavernas

‘É francamente inconstitucional o decreto do Planalto que autoriza a destruição de cavernas (Ciência, ontem). Esse tipo de patrimônio é propriedade dos brasileiros, e não do governo.’

JOSÉ ISAAC PILATI (Florianópolis, SC)

Janistraquis discorda do leitor da Folha:

‘As cavernas não pertencem nem aos brasileiros nem ao governo, mas aos morcegos.’

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Nota dez

O considerado Rolf Kuntz, eleito por 18 leitores da coluna, escreveu no Estadão sob o título O absurdo poder de índios e quilombolas:

Todos são iguais perante a lei, segundo a Constituição, mas índios e quilombolas são mais iguais, de acordo com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1989. Se qualquer outro brasileiro cometer um crime, o correto será julgá-lo com base no Código Penal. Se o crime for cometido por algum daqueles brasileiros de classe especial, a história poderá ser diferente (…)

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo, o qual tem recebido flechadas e bordunadas dos politicamente corretos.

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Errei, sim!

‘CURTO-CIRCUITO – Janistraquis folheava os jornais do dia, separando o que interessava, e, de repente, feriu o silêncio do nosso escritório:

‘Considerado, a gente não pode mesmo confiar na imprensa!!!’.

Preocupado, exigi provas para tão severo julgamento e meu assistente exibiu três grandes jornais que tratavam do mesmo assunto. Assim, em ‘ordem crescente’:

– Estadão: Lançada nova lâmpada que dura 14 anos;

– Folha: Empresa cria lâmpada que dura até 18 anos;

– Gazeta Mercantil: Nova lâmpada dura até 20 anos.

É que houve curto-circuito na imprensa. (julho de 1992)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

 

BOLSO
Eduardo Ribeiro

Crise ronda, mas os sinais vitais parecem preservados, 19/11

‘A crise anda rondando o segmento da Comunicação e aí incluo tanto a mídia quanto a área de Comunicação Corporativa, sobretudo o segmento das agências de comunicação – ou seja, os maiores empregadores de jornalistas do País. Mas até onde se pode perceber, essa proximidade, embora incomodando e trazendo alguns prejuízos periféricos, não provocou (ainda) sensíveis dores nos bolsos das empresas. Poderá acontecer? Sim, poderá. Mas já aconteceu? Não, ao menos de forma visível, explícita.

Duas notícias ruins partiram essa semana da mídia tradicional, com as demissões na Band (oito na Rádio Bandeirantes e quase o mesmo tanto no Esporte da tevê) e na Editora Peixes. Seriam sintomas diretos da crise? Difícil dizer até mesmo porque as próprias empresas não se pronunciaram sobre as causas. A Band sequer se pronunciou. E a Companhia Brasileira de Multímidia, a CBM, que administra a Editora Peixes, informou, em comunicado oficial, tratar-se de uma reestruturação para fortalecer suas operações, gerar sinergia entre os produtos e melhorar os resultados finais. Neste caso, a questão é que o acionista principal, Nelson Tanure, não quer injetar mais dinheiro no negócio e exige que a operação tenha maior lucratividade, tendo em vista o imenso passivo financeiro da empresa, que até os que conhecem não se sentem confortáveis em revelar. Ou seja, é um buraco antigo, que já vem da administração anterior e que não foi sanado com a chegada de Tanure ao negócio – a origem, portanto, não é a crise, mas pode estar sendo agravada por ela.

São dois fatos aparentemente isolados.

Em relação ao mercado, como um todo, tenho ouvido aqui e ali comentários ou insinuações de que os veículos já estariam sentindo na prática os efeitos da crise, com o encolhimento da publicidade. Soube até que um dos grandes jornais de São Paulo chegou a abortar a antecipação do pagamento da segunda parcela do 13º salário para não comprometer o fluxo de caixa. Certamente os empresários e executivos dos veículos devem estar muito atentos a tudo o que está acontecendo e falando entre si, sobre possíveis caminhos. A época é de fato perigosa, pois o final do ano, em função de abonos e do 13º salário, sempre exerce uma pressão maior sobre o caixa das empresas, daí muitas vezes resultando em cortes na equipe.

Num olhar mais geral, percebemos que as empresas estão muito atentas aos cenários, mas não demonstram uma pré-disposição para atitudes radicais, como em outras ocasiões.

Isso, claro, pode mudar, até porque o fluxo de notícias ruins tem sido muito mais constante e efetivo do que o de notícias menos ruins. E com isso, mesmo aqueles que não estão sendo diretamente afetados acabam contagiados por essa negatividade de ambiente.

No segmento das agências, recente sondagem realizada pela Abracom, a Associação Brasileira das Agências de Comunicação, com 73, das quase 300 associadas, revela que 53% delas já sofreram algum tipo de impacto em função da crise. Isso significa que já tiveram de renegociar contratos (para baixo, obviamente), adiar projetos ou mesmo trabalhar mais, sem poder cobrar por isso, até para não descontentar os clientes.

No caso das agências, tenho ouvido pessoalmente vários empresários do setor, por conta do projeto Especial Agências 2008, que estamos preparando pelos informativos Jornalistas&Cia e Jornal da Comunicação Corporativa. Posso assegurar, pelo que ouvi até agora, que todos estão preocupados, sim, mas desanimados, não. Ao contrário. Se houve alguma perda de jobs, de outro lado praticamente não se mexeu nos contratos. E há uma grande esperança de que a crise gere, isso sim, novos e bons negócios para o setor, pela capacidade que hoje ele tem de ajudar as empresas nas suas estratégicas comerciais, de marketing e de negócios. Nenhuma das seis médias e grandes agências que ouvi pensa num 2009 igual ou pior do que 2008, que foi um ano bom ou muito bom. Acham que não vão crescer tanto quanto gostariam, mas nem pensam na hipótese de não crescer ao menos um pouco.

É como diz o ditado: ‘Na crise, muitos choram. E outros aproveitam para vender lenços’. E pelo visto, as agências de comunicação, ao menos uma boa parte delas, está se preparando para vender lenços, de olho na capacidade que hoje ostentam de agregar inteligência aos processos de comunicação e marketing.

Há um outro componente que não pode ser desprezado no campo da assessoria de imprensa, a chegada de contratos do setor público, como a recente licitação da Secom, da Presidência da República, para um contrato anual de R$ 15 milhões, vencida pela CDN. Esse foi o maior contrato da história do setor, de longe, e o que se espera a partir de agora é que essa experiência se multiplique por todos os poderes e pelas esferas federal, estadual e municipal. Difícil até imaginar o que isso pode representar de negócios para o setor. Se as agências estão muito próximas ou quem sabe até já tenha suplantado a barreira do R$ 1 bilhão de faturamento anual, no conjunto, esse valor poderá até dobrar em poucos anos, com a chegada mais efetiva dos contratos das áreas públicas.

Temos, sim, o sinal amarelo aceso, como um alerta da proximidade da crise. Mas nada ainda faz crer que o próximo sinal a acender seja o vermelho. Pode dar verde na cabeça, pois, afinal, os sinais vitais tanto da mídia quanto das agências continuam intactos e o organismo está funcionando normalmente.

É o que todos esperamos para que o mercado continue com uma curva positiva de crescimento. As velhas e as novas gerações agradecem.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

 

TELEVISÃO
Antonio Brasil

Quanto vale a imagem do Brasil no NYT?, 17/11

‘Esta semana duas notícias nos chamaram a atenção: primeiro, a decisão da Secom, Secretaria de Comunicação da Presidência da República, de gastar milhões para construir, melhorar ou manipular, ainda não estou certo, a ‘Imagem do Brasil’ no exterior:

CDN é anunciada vencedora da Secom, que lança novo edital.

‘A CDN – Companhia de Notícias vai cuidar da imagem do Brasil no exterior, com o contrato de um ano, no valor de R$ 15 milhões, podendo ser renovado por mais 60 meses’.

E o lançamento do novo livro do polêmico correspondente estrangeiro, Larry Rohter, Deu no New York Times (ver aqui).

Segundo a revista Veja, Deu no New York Times (Editora Objetiva), ‘é uma compilação sobre cultura, sociedade, política, Amazônia e economia/ciência. Cada uma delas traz as melhores reportagens do autor sobre o tema, introduzidas por um comentário geral, com uma visão mais pessoal e opinativa do que era permitido ao repórter em sua cobertura cotidiana’.

Afinal, qual dessas duas iniciativas é mais efetiva, válida ou econômica para obtermos uma imagem mais fidedigna e real do nosso país no exterior?

Para muitos estrangeiros e, surpreendentemente, até mesmo para grande parte da nossa população não é novidade saber que o Brasil tem uma péssima imagem no exterior.

Mas gastar dinheiro público para ‘cuidar’ da imagem do Brasil no exterior e ao mesmo tempo tentar controlar, influenciar ou expulsar correspondentes internacionais que atuam em nosso país não costumam ser medidas compatíveis e coerentes. Acreditar no poder dos fatos e da verdade talvez seja mais econômico e eficaz. Manipular noticia, palavras e imagens costumam ser uma obsessão dos donos do poder, de qualquer poder.

Brazil com Z

Mas afinal, o que é essa tal ‘imagem’ do Brasil no exterior? Ela seria realmente muito diferente da nossa auto-imagem, da imagem que temos de nós mesmos aqui no Brasil?

Em certo sentido, os brasileiros costumam ser cúmplices dos estrangeiros na criação de uma auto-imagem pouco elogiosa. Ao contrário da grande maioria dos países, adoramos falar mal de nós mesmos. Mas jamais admitimos que os ‘outros’, os tais estrangeiros, nos critiquem. Queremos ter o monopólio, almejamos o controle absoluto do que os outros pensam de nós.

E por que damos tanta importância ao que os outros, os estrangeiros, pensam de nós?

Desde a sua descoberta até o século XIX, ‘predominou uma imagem associada à grandeza de território, abundância de vida selvagem e sensualidade como dotes naturais, graças aos relatos que começaram pela carta de Pero Vaz de Caminha e outros tantos viajantes e colonizadores que por aqui passaram. Já como dotes adquiridos destaca-se o desenvolvimento da vida urbana, patifaria, malandragem, jeito brasileiro, indolência, musicalidade e cordialidade, e isto não é apenas pensamento do estrangeiro, mas uma visão projetada pelos brasileiros’.

Acreditamos mais no poder da nossa imagem no exterior do que na nossa própria realidade. O grande cartunista brasileiro Henfil há muitos anos já divulgava a máxima de que se ‘Deu no New York Times’, talvez seja verdade. Se Deu no New York Times, talvez assim as nossas autoridades, sempre tão inertes e omissas, resolvam agir em relação aos nossos grandes e eternos problemas sociais.

Mas jornalista internacional ou marqueteiro de Secretaria de governo não fazem milagres.

No Brasil, jornalistas estrangeiros são aqueles profissionais da imprensa que contribuem para criar a verdadeira imagem de um Brasil com Z. Certamente, não é para ‘agradar’ os povos e governos dos países onde trabalham.

Infelizmente não precisam de muito esforço para mostrar regularmente tudo aquilo a que nós já nos acostumamos. Convivemos com um noticiário repleto de fatos e situações inexplicáveis. Mas, para o olhar ampliado de um estrangeiro, nossa realidade é um grande manancial de notícias. É só abrir os jornais ou assistir à televisão regularmente e testemunhar mazelas sociais, políticas e econômicas que se repetem regularmente e, dessa forma, tornam-se imagens ou estereótipos no cenário internacional.

Jornalistas em todo lugar do mundo buscam sempre o que há de pior. É da natureza da profissão. De vez em quando exageram, mas quando só elogiam logo se conclui que tem algo errado. O equilíbrio entre as boas e as más notícias seria o ideal, mas o mundo é um lugar injusto.

O livro de Larry Rohter sobre o Brasil é um bom exemplo dessa busca dos correspondentes internacionais por más notícias, pelo exótico e pelo incompreensível junto ao olhar estrangeiro. O problema é quando o jornalista estrangeiro resolve indicar as melhores soluções para os problemas brasileiros. O Larry Rohter é um profissional experiente e ambicioso. Nossa ingenuidade ou incompetência construiu uma verdadeira escada para o seu sucesso. O problema é quando o jornalista estrangeiro resolve se tornar conselheiro político: Larry Rohter para presidente do Brasil?

Mas ao invés de criticar e crucificá-lo deveríamos seguir os seus passos em reverso e enviar o nosso próprio Larry Rohter para cobrir a América! Quem sabe conseguimos mudar a sua péssima imagem no exterior, ou seja, aqui no Brasil.

Imagens incontroláveis

Por outro lado, a idéia de controlar a ‘imagem’, principalmente por parte dos donos do poder, já é por si só, através da história mundial, uma idéia polêmica e controvertida.

Afinal, o próprio conceito de ‘imagem’ ao contrário das palavras, sempre permitiu múltiplas leituras e interpretações. As imagens sempre estiveram associadas ao incontrolável e proibido. Os movimentos iconoclastas através da história procuraram punir aqueles que tentavam representar Deus ou os homens. Muitas religiões ainda proíbem qualquer imagem em suas liturgias. Estão restritos a um mundo de fé sem imagens. As imagens verdadeiras seriam impossíveis, pois são polissêmicas, possuem muitos significados e dessa forma, são incontroláveis. Para os donos do saber, os donos de tudo, as imagens são muito perigosas.

Talvez tentar representar um país através de ‘imagens’ no exterior ou no interior esteja condenado ao mesmo fracasso.

E por outro lado, para complicar ainda mais, talvez não haja uma única imagem do nosso país, mas muitas e por demais variadas, desconhecidas e em constante mutação.

Há muitos anos tento estudar esse conceito tão discutido e tão pouco conhecido: a identidade de um país no exterior ou como preferem os jornalistas e publicitários do planalto, essa tal ‘imagem do Brasil no exterior’.

A imagem do Brasil no exterior é em boa parte produto do trabalho dos correspondentes estrangeiros. Eles trabalham diariamente para enviar notícias sobre o país. Nem todas agradam aos brasileiros e seus governos. Seria ótimo imaginar jornalistas transmitindo somente boas notícias sobre os países para onde foram designados. A realidade, no entanto, é bem diferente. Principalmente a classe política não compreende a própria natureza da cobertura jornalística

Creio que as duas iniciativas, a tentativa do governo de influenciar a opinião pública internacional e as denúncias do jornalista americano,caminham em direções opostas.

Mas são ótimos exemplos de uma longa trajetória de erros e acertos. Por um lado, nossa obsessão com a opinião dos outros e a dificuldade, quase incapacidade de estrangeiros de entenderem o Brasil. Afinal, como dizia o grande Tom Jobim, ‘O Brasil não é para iniciantes’. E é incrível como jornalistas podem viver anos em um país, viajar por todo o território nacional, fazer centenas de reportagens e mesmo assim jamais deixarem e ser ‘estrangeiros’. E este talvez seja o problema dos correspondentes internacionais.

Afinal, viver durante muitos e muitos anos em um país, casar com nativos, imergir em sua cultura é benéfico para a visão e compreensão de um outro país, de uma outra cultura. Ou seria melhor limitar a permanência de jornalistas em países estrangeiros a períodos limitados, alguns poucos anos. O objetivo seria evitar que eles mesmos se tornem nativos, ou o pior, que se achem ‘nativos’ que sabem mais sobre o país onde vivem e trabalham do que os locais. Que passem a comparar tudo com o seu país de origem em uma mistura de nostalgia e idealização de um passado ou de um país de origem que jamais existiu. Produto do longo distanciamento forçado e do afastamento sentimental.

Pobre Brazil!

O livro de Larry Rohter é bom de ler. Mas comprova que não basta para um jornalista viver durante muitos anos em um outro país para conseguir entendê-lo ou aprender a contar suas melhores histórias.

Os pré-conceitos são sempre muito mais profundos e enraizados. E a tentativa de se refugiar na neutralidade e na objetividade jornalísticas muitas vezes se tornam meras desculpas para longas, tediosas e arrogantes ‘lições de moral’, lições de como as coisas nos EUA são diferentes e quase sempre melhores. Afinal, ‘apesar de vocês’ já sou quase brasileiro. Tenho que concordar com a crítica: Lula e Rohter têm muito em comum. Eles se merecem.

Afinal, de boas intenções, exageros e muitos preconceitos, o jornalismo internacional e os governos estão repletos.

Mas com todos os seus defeitos e limitações, creio que a imagem do Brasil mais próxima da realidade está muito melhor na mão do jornalismo produzido por estrangeiros e brasileiros do que nas técnicas duvidosas e caríssimas dos ‘marqueteiros’ de ocasião.

Afinal, no exterior ou no interior, quanto vale a imagem do Brasil?

De um lado, jornalistas estrangeiros bem intencionados e ambiciosos e de outro milhões são gastos para ‘cuidar’ da imagem do país.

Pobre Brazil!

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

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