Sábado, 23 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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ENTRE ASPAS >

Comunique-se

10/02/2009 na edição 524

CRISE
Sérgio Matsuura

Jornal do Brasil demite 26 na redação

‘O Jornal do Brasil demitiu, na última terça-feira (03/02), 26 profissionais da redação, entre fotógrafos, repórteres, diagramadores e tratadores de imagem. As dispensas também atingiram funcionários de outras áreas, mas o número é impreciso. A justificativa apresentada pela direção é a dificuldade que o jornal atravessa em decorrência da crise financeira.

A demissão em massa diminuiu em quase um terço o número de jornalistas da redação contratados em regime de CLT. Na redação, o clima é de intranqüilidade porque correm boatos sobre novas dispensas.

Segundo a direção da empresa, antes da crise o jornal conseguia captar recursos em instituições financeiras dando como garantia receitas futuras. Com o agravamento da situação, o crédito se tornou escasso e houve a necessidade de cortar despesas para que os compromissos pudessem ser honrados.

Apesar da reestruturação, os salários de dezembro atrasaram. Os funcionários contratados pelo regime de CLT receberam entre os dias 11/01 e 12/01. Os contratados como pessoa jurídica receberam nos últimos dias de janeiro.’

 

 

CABO-DE-GUERRA
Carla Soares Martin

Kfouri e Luxemburgo travam batalha na Folha de S.Paulo

‘Há mais de uma semana, mais precisamente desde 26/01, o colunista da Folha de S.Paulo, Juca Kfouri, e o técnico do Palmeiras, Vanderley Luxemburgo, travam encontros com o público do jornal, quase que diariamente, em colunas, erratas, Painel do Leitor, e até mesmo Kirratas – a errata que Juca Kfouri criou para esclarecer seu erro na coluna. Instalou-se um verdadeiro cabo-de-guerra entre Kfouri e Vanderley Luxemburgo.

Vamos aos fatos: em 26/01, em coluna, Juca insinua que parceria seria feita entre o Corinthians e J.Malucelli, já que Malucelli seria sócio de Vanderley Luxemburgo, e teriam, segundo Juca, negócios escusos como um bar temático e uma empresa de isotônicos. Luxemburgo é acusado de ter contas ilegais no exterior e falou sobre isso na CPI do Futebol. Em 28/01, a Folha dá espaço ao treinador do Palmeiras no Painel do Leitor. Lá, Vanderley Luxemburgo nega que tenha alguma ligação com o J.Malucelli e diz que a acusação do jornalista talvez se baseia na perda do jornalista na Justiça em uma ação de Kfouri contra Luxemburgo. ‘Já tarda a hora de se diluírem no total descrédito as acusações irresponsáveis e sem nenhum fundamento desse jornalista’, diz Vanderlei Luxemburgo da Silva. Em réplica, Juca Kfouri diz que, como a decisão saiu no dia 28, não teria escrito a coluna por conta da perda da Justiça. No dia seguinte, 29/01, Kfouri escreve em uma ‘Kirrata’ que, na verdade, não se referia a J.Malucelli mas sim a Sérgio Malucelli. Em 04/02, mais uma vez, a Folha dá espaço, no Painel do Leitor, a Vanderley Luxemburgo, que desce o pau no erro do jornalista. Ontem, 05/02, Juca Kfouri apresenta informações do Jornal do Senado, de dezembro de 2000, que fala da negação de Vanderley Luxemburgo, à CPI do Futebol, em dizer que tem contas no exterior, mas escreve que, na ocasião, o atual técnico do Palmeiras teria confirmado negócios com Sérgio Malucceli, presidente do clube Iraty, da segunda divisão do futebol paranaense. Nesta sexta (06/02), Luxemburgo se cala. Nenhuma carta do treinador é posta na Folha. No lugar dela, a de um leitor, que diz que Juca Kfouri usa a coluna para guerras particulares.

Sobre a cobertura da Folha no caso Luxa x Kfouri, para Juca, um jornal comprometido com a verdade – no caso se refere ao fato da parceria entre o atual treinador do Palmeiras e Sérgio Malucelli não poderia dar tanto espaço para Luxembugo. ‘Eu, no lugar da Folha, não daria a carta dele (Vanderley Luxemburgo)’, disse Juca Kfouri. ‘Isso (réplicas e tréplicas) pode não ter fim’, afirmou o colunista da Folha. Ao que conclui: ‘Ele está apostando na má memória do brasileiro’.

Vanderley Luxemburgo, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que não está satisfeito com o espaço que a Folha está dando para ele: o Painel do Leitor. Quer uma resposta no Caderno de Esporte do jornal. Caso a Folha não conceda, o advogado dele entrará na Justiça.

Ombudsman diz que Folha deveria ter feito matéria

Segundo o ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, para responder à primeira coluna de Juca Kfouri, a Folha, em vez de ter usado o Painel do Leitor, deveria ter feito uma matéria com Vanderley Luxemburgo. ‘A Folha deveria ter ouvido o Luxemburgo e publicado matéria’.

Carlos Eduardo Lins da Silva lembra de como a Folha deveria agir em caso de polêmicas, assim como recomenda o manual. ‘Dar o mesmo número de linhas para os dois lados – um ao lado do outro’. Lins da Silva diz que é assim que o jornal deve atuar em caso de acusações, nas quais não se dá para provar. ‘O leitor lê e chega às conclusões dele. Em qualquer denúncia, quem dá a palavra final é a Justiça, a polícia, o tempo’, disse o ombudsman.’

 

 

ARGENTINA
Comunique-se

Jornalista argentino é demitido por pressões do governo, diz imprensa local

‘O jornalista argentino Nelson Castro, comentarista político da Radio Del Plata, foi demitido supostamente por pressões da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, segundo se comenta na imprensa daquele país. Castro apresentava o programa ‘Puntos de vista’ há quatro anos. A última edição foi ao ar no dia 05/01.

O contrato de Castro foi cancelado após o jornalista ter entrevistado um deputado de oposição que denunciou a existência de irregularidades que beneficiariam a empresa Electroingeniería na contrução de obras públicas. A empresa comprou a rádio no final de 2008 e teria fortes ligações com o Governo.

SIP manifesta preocupação

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifestou preocupação com a possível interferência do Governo argentino nos veículos de comunicação do país.

‘Nossa organização respeita os critérios editoriais dos meios de comunicação privados. (…) Dadas as denúncias que se tornaram públicas, não podemos deixar de manifestar nossa preocupação sobre as pressões que os governos podem fazer com a intenção de censurar e limitar o exercício do jornalismo crítico, livre e independente’, disse o presidente da SIP, Enrique Santos Calderón.

A demissão de Castro também foi criticada pela Academia Nacional de Jornalismo, que classificou o fato como um ‘gravíssimo e arbitrário ataque contra a liberdade de expressão’.

‘A ação combinada de obscuros interesses políticos e empresariais, e de inconfessáveis grupos de pressão levaram ao fim um dos programas de maior prestígio no cenário cotidiano da vida cultural argentina e ocasionou um inestimável prejuízo aos assuntos de interesse público’, declarou o presidente da entidade, Bartolomé de Vedia, por meio de comunicado.

La Nación critica Kirchner em editorial

Na última quinta-feira, o La Nación publicou editorial criticando o relacionamento da administração Kirchner com a imprensa. De acordo com o jornal, ‘os meios de comunicação complacentes com a política oficial se beneficiam com chamativas verbas de publicidade oficial’.

Líder de oposição oferece emprego

O líder oposicionista Raul Castells, por meio de anúncio divulgado pelo Movimento Independente Justiça e Dignidade, ofereceu espaço para Castro em alguns veículos de comunicação, entre eles o jornal Dignidade, o site www.diariomijd.com.ar, um programa de televisão no Canal 5 de Lanús e 11 programas de rádio em seis províncias.

‘Não pensamos como você porque somos socialistas, nem podemos lhe pagar um salário como merece. Mas sim, oferecemos nossos modestos meios de comunicação para que possa expressar suas opiniões com a liberdade que o governo dos Kirchner lhe nega’, diz o anúncio.’

 

 

CLASSIFICAÇÃO
Carla Soares Martin

Estados fora do horário de verão ficam sem classificação indicativa

‘Até esta sexta-feira (06/02), a nove dias para terminar o horário de verão no País, o Ministério da Justiça não tomou qualquer decisão sobre a classificação indicativa para os estados que estão sem o horário de verão. E, até que o horário termine, não vai tomar.

Nesse período, telespectadores dos Estados do Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, parte do Pará, Acre, Rondônia e Roraima assistem a programas sem classificação obrigatória para o resguardo de crianças e adolescentes. Uma novela, por exemplo, classificada para maiores de 14 anos, passa às 18h no Acre.

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, afirma: ‘Ninguém pode nos acusar de não estar preocupado com os direitos da infância’. Segundo ele, este ano, as partes – Ministério Público, Ministério da Justiça e Abert – devem se reunir antes que comece o horário de verão do ano que vem, para que o direito das crianças de todo o País seja seguido.

O secretário acusa o Ministério Público Federal de bloquear as negociações que vinham acontecendo, com a entrada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o Ministério da Justiça.

O Ministério Público vê com outros olhos essa questão. Primeiro, desde outubro do ano passado, vem recomendando ao Ministério da Justiça que cumpra a classificação indicativa para todos os Estados. O entrave surgiu com a adesão do ministro Tarso Genro a um pedido da Abert para que as emissoras desses estados não tivessem que seguir a determinação. Depois da reunião entre a procuradora Gilda Carvalho e o secretário Romeu Tuma, em novembro, não dar resultados, decidiu, em dezembro, entrar com um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Romeu Tuma Júnior explica que, por causa da ação do MPF, não foi possível uma negociação entre as partes.

A adequação da classificação indicativa para todos os estados brasileiros no horário de verão vai ficar para o ano que vem.’

 

 

CONTEÚDO NA REDE
Bruno Rodrigues

A falha no Google

‘Bem feito – para todos nós. Depositar toda a confiança do mundo em um programa de computador me lembra as visões mais rasas do que seria o mundo no século XXI e me remete imediatamente a HAL, o computador que ‘em tudo mandava’ do conto/filme ‘2001’, aquele que despachava a tripulação da nave Discovery, literalmente, para o espaço.

Um erro em mecanismo de busca incensado como o Google e – pam! – milhões de usuários espalhados por todos os continentes entram em pânico. Foi no sábado, e participei, com minha esposa, deste ‘happening’ infeliz. Ao usuário entrar no Google, seja qual busca que se fizesse, em qualquer idioma, os retornos eram apontados como ‘perigosos’.

O recado era: entre em qualquer um dos sites, e será o fim. Para quem está habituado a navegar na web a partir do Google, foi um literal ‘meu mundo caiu’. O que, a bem da verdade, é uma besteira das grandes. Eu, por exemplo (e não sou o único, óbvio), costumo abrir o Explorer ou o Firefox e digitar o endereço do site que quero acessar. Sendo assim, sem drama: no sábado, se não estivesse ao lado da Ana, que acessa a internet via Google, estaria tudo bem, tranquilo.

Claro que minha esposa não se abalou: havia visivelmente um erro, mas era desagradável navegar por aí com a pulga atrás da orelha. Estaria a web inteira infectada, seria o Armaggedon virtual?

Era um problema que foi resolvido rapidamente, depois o Google avisou. Mas o estrago já estava feito – estrago momentâneo, sejamos sinceros, afinal o grande ‘G’ tem uma imagem que, para ser arranhada, nem que seja um tiquinho, é preciso que o problema seja muito, muito grave. É admirável: qual marca tem este poder?

Lição da história: voltamos ao início, lá por 1995, quando a AOL (America On Line) tinha a pretensão de ser a ‘portal de entrada’ da recém-criada WWW. Era um visão quase ingênua da Rede, e por isso falhou desde o início. Seriam precisos dez anos até que esta realidade, quase utópica, fosse recuperada pelo Google.

O improvável tornado impossível era agora parte do dia-a-dia dos internautas do século XXI: um site mandava na web, e milhões eram seus súditos.

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HAL, o infeliz computador de ‘2001’, era abandonado no espaço junto com uma Discovery vazia e fantasmagórica nos minutos finais do filme. É ruim que o Google deixaria a história terminar assim – Arthur C. Clarke e Stanley Kubrik tinham muito que aprender, ah, se tinham…

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1. Para quem não conhece meu blog, dê uma checada no http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br.

2. Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

 

 

EXTRA! EXTRA!
Milton Coelho da Graça

Uma boa assessoria em ilusionismo

‘Todos nós, jornalistas, estamos acostumados às previsões e explicações otimistas do ministro Guido Mantega, da Fazenda, em entrevistas ou distribuídas pelo seu eficiente pessoal de comunicação. Isso pode até ser bom para um país como o nosso, sempre tão animado em relação ao futuro. Mas o ministro e sua equipe enveredaram agora pelo caminho do ilusionismo, causador mais de dúvida e desencanto do que otimismo – 4% de crescimento este ano, os banqueiros falam em 0,8%!

Com Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento no exterior (norte da África) e percebendo que o saldo do comércio exterior seria negativo pela primeira vez no governo Lula (mais até, desde abril de 2001), a Fazenda buscou um artifício, inadequado para um governo democrático. Através de funcionários subalternos – porque Miguel Jorge até agora está caladinho e não meteu a mão nessa cumbuca -, pediu a criação de um mecanismo burocrático que ‘empurrasse’ as importações dos últimos dias de janeiro para o mês de fevereiro.

Logo apelidado, embora erradamente, de licença de importação, levantou uma onda de protestos de toda a sociedade, resumida com muita precisão por Miriam Leitão, em sua coluna no GLOBO (outros certamente também fizeram isso, mas, dos que li, Miriam foi a mais ‘global’), e a experiente equipe de reportagem do VALOR revelou todo o frustrado truque da suposta licença de importação.

Dêem uma olhada retrospectiva no noticiário distribuído ou ‘buzinado’ por assessores de comunicação da Fazenda, verifiquem como eles se comportaram como produtores de um espetáculo de mágica.

O presidente Lula certamente não apreciou a tentativa de ‘mágica’. Embora abertamente aborrecido com a alta taxa de juros imposta pelo Banco Central, ficou ainda mais aborrecido depois que o presidente do BC, Henrique Meirelles, lhe levou a lista dos spreads (diferença entre a taxa paga pelos bancos e as taxas que cobram dos clientes) praticados por cada banco. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, ambos supervisionados pelo Ministro da Fazenda, estão entre os mais ‘agiotas’ do país. Muita gente no Palácio do Planalto, no PT e outros partidos ligados ao Governo, acha com razão que combater juros altos desse jeito é puro ilusionismo.

E a incrível operação em que o Banco do Brasil comprou 49% das ações do Banco

Votorantim? 1. O grupo controlador do BV usou o dinheiro para acertar o balanço e se fundir com a Aracruz. 2. Esta, por sua vez, usou o dinheiro para se livrar de um incômodo acionista e ainda convencer os bancos credores a aceitar um longo acordo para pagamento das diabruras de seu diretor financeiro com derivativos até do trambiqueiro Madoff.

O presidente Lula também não teria gostado dessa criticadíssima ciranda. Quem autorizou o Banco do Brasil a dar um dinheirão sem direito a controle e sem explicar, em momento nenhum, essa operação toda ligadinha? Não é igual aquela em que o mágico mostra uma cartola e cobre-a com um lenço, aí o coelho e depois o lenço desaparecem, como se nada tivesse acontecido?

Uma boa pauta seria levantar como andam as investigações sobre aquele assalto sofrido pelo ministro, no carnaval passado, quando estava na casa de um empresário amigo. Seria interessante verificar se a assessoria de comunicação já pode nos dar uma história completa – com princípio, meio, fim e personagens corretos.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

 

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Janistraquis informa que a Globo anda mal da cabeça

‘Os dias, na esperança

de um só dia, passava,

contentando-se com vê-la

(Soneto de Luis Vaz de Camões)

Janistraquis informa que a Globo anda mal da cabeça

O site Memória Globo padece do Mal de Alzheimer, garante o assistente da coluna:

‘Considerado, ao procurar informações sobre nosso Mestre Armando Nogueira, lá encontrei o seguinte trecho:

(…) Em 1960, juntou-se a outros nomes ilustres da crônica esportiva brasileira na primeira mesa redonda sobre futebol da televisão brasileira, a Grande resenha Facit, criada por Walter Clark, na época diretor da TV Rio.

No programa ancorado por Luís Mendes, Armando Nogueira, botafoguense, discutia os principais lances da rodada do futebol do final de semana com o tricolor Nelson Rodrigues, o rubro-negro João Saldanha e o vascaíno José Maria Scarsa.

É doloroso, porém essa Memória Globo não merece a menor confiança, a julgar pelo estágio terminal da doença; afinal, nem um daltônico especial e irremissível poderia enxergar as cores rubronegras na camiseta do botafoguense João Saldanha; e esse que o site identifica como ‘o vascaíno José Maria Scarsa’, chamava-se, na verdade, Scassa e era um fanático torcedor do…Flamengo!!!’

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Bolsa-vaselina

O considerado Valdecir Xavier, militar em Várzea Grande (MT), avisa que não conhece o poeta nem o pesquisador; todavia, por achar engraçado, envia à coluna o cordel intitulado Bolsa-vaselina, cujo autor, Miguezim de Princesa, tem sua obra estudada no Trinity College, dos EUA, por iniciativa de Eric Galm, pesquisador de música brasileira e professor de etnomusicologia.

Trata-se, portanto, de coisa pra lá de séria!!! Leia no Blogstraquis a íntegra da versalhada que começa com esta poderosa estrofe:

Sem ter mais o que doar,

O Governo da Nação

Resolveu, virando os olhos,

Gastar mais de R$ 1 milhão,

Doando para os viados

Bolsa-lubrificação.

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Boa companhia

Deu na capa do UOL:

Pasquale diz que usará a velha ortografia até 2012

Declaradamente contrário à nova ortografia, o professor de português e colunista da Folha Pasquale Cipro Neto (…) disse que vai usar a ortografia antiga, em suas comunicações pessoais, até dezembro de 2012, quando somente a nova grafia será considerada como correta.

Janistraquis festejou:

‘Considerado, estamos em boa, ótima, excelente companhia!!!’

A diferença entre a decisão do professor e a nossa é que jamais reconheceremos essa besteira, em textos pessoais ou profissionais; nosso epitáfio será escrito na velha e boa grafia.

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Justiça divina

Percorre a internet aos trancos e barrancos, como viagem no pau-de-arara de antigamente, se me compreendem:

Encontraram em meio a paus e pedras a caixa preta daquele templo da Renascer que veio abaixo; lá estavam gravadas as últimas palavras do pastor/apóstolo/missionário:

‘Quero que o teto desabe se eu estiver mentindo!’

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Imprensa anestesiada

Saiu no Painel do Leitor, da Folha de S. Paulo; Janistraquis considera que o assunto merece pelo menos alguma reflexão:

Emprego público

‘Você conhece algum funcionário público que perdeu o emprego por conta da crise? Só neste governo foram admitidos 200 mil novos, e existe concurso para mais 50 mil neste ano. Aumentos generosos foram concedidos, gerando despesas para sempre. Como isso ocorre nos três Poderes, para quem vamos reclamar?

A parte organizada da sociedade nada faz porque também recebe seus benefícios. Nossa esperança poderia ser a imprensa, mas esta parece anestesiada.

Jamais, em tempo nenhum, se viu um governo tão perdulário, e os custos para esta e as próximas gerações serão impagáveis.’

ALTINO FORTUNA (São Paulo, SP)

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Deteram os caras!

A considerada Juliana Kunc Dantas, de São Paulo, cujo sobrenome revela aquele talento para o jornalismo, envia manchete da seção Mundo, do portal G1:

‘Homem-lixeira’ é detido em manifestação em Moscou

Homem é ativista do grupo Greenpeace.

Dois policiais russos deteram o manifestante.

Janistraquis tem certeza, ó Juliana, que os redatores da France Presse, geradora da notícia, e do G1, que a ‘traduziram’, são, na verdade, viúvas da Guerra Fria ‘e só meteram o deteram pra humilhar os policiais russos’; se estes fossem americanos, o tempo do verbo deter sairia correto: detiveram o manifestante.

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Serrana bela

Leia no Blogstraquis a íntegra do soneto cujo fragmento encima a coluna. Camões é leitura diária e obrigatória para os que desejam descobrir na língua portuguesa aquela musicalidade que faz o grande texto.

E por falar em grande texto, a coluna lamenta profundamente a decisão do Mestre Mino Carta de não mais escrever no seu blog e também em CartaCapital. Conheça aqui os motivos da renúncia.

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O idioma do cearense

A considerada Rebecca Fontes, assessora de imprensa em Fortaleza, que festeja a chegada das chuvas do inverno nordestino, com suas formigas de asas e tanajuras, envia divertido trecho de uma coluna de economia do jornal O Povo:

O Beach Park, um complexo turístico nas cercanias de Fortaleza, está lançando novos brinquedos cujos nomes fazem referência, digamos, à dificuldade do cearense de pronunciar o fonema ‘vê’, talvez porque tenhamos tido muita influência libanesa no estado.

O conjunto de brinquedos chama-se Ramubrinká, com estréia dia 7 de fevereiro. Ele tem uma torre de 24 metros de altura, de onde saem sete toboáguas, e uma piscina de 500 mil litros.

Os nomes dos toboáguas? ‘Ramujunto’, ‘Ramunóis’, ‘Ramumaiseu’ e ‘Ramunessa’ (respectivamente, Vamos Juntos, Vamos Nós, Vamos ‘Mais Eu’/Comigo e Vamos Nessa). Estes são os mais leves.

Os radicais são ‘Ronão’, ‘Ronada’ e ‘Raitu’ (respectivamente, Vou não, Vou nada e Vai tu). O pior é que nós falamos assim mesmo: Além de ‘carregarmos’ nos erres, afirmamos primeiro e depois negamos (Vou não / Quero não). Coisa de cearense.

Confira aqui.

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Exclusivo

O considerado conterrâneo Phelipe Caldas, jornalista em João Pessoa, despacha das areias quentes da praia de Tambaú:

Esta eu encontrei num desconhecido site de notícias daqui de João Pessoa, o Alternativa Nordeste.

O título da matéria esportiva é chocante:

Exclusivo: Imprensa de Campina diz que o Campinense não quer liberar a transmissão ao vivo do clássico.

Afora o exagerado tamanho da manchete, que por si só já torna tudo tão estranho, eu não entendi foi nada; se o assunto é mesmo exclusivo, como é que Alternativa Nordeste está repercutindo o que já foi publicado por toda a imprensa de Campina Grande?!?!?!

Segundo Janistraquis, a chamada ‘imprensa moderna’ transformou em exclusividade tudo aquilo que não tem a menor importância…

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Qual o calibre?

Janistraquis leu, viu e escutou tudo o que foi possível ler, ver e escutar a respeito do menino que passou cinco dias com uma bala na cabeça. Apareceu até um médico, evidentemente decepcionado com sua profissão, que atribuiu a recuperação do paciente a algum ‘milagre’.

Janistraquis, que não é muito chegado em milagres, nem mesmo os do badalado Frei Galvão aqui de Guaratinguetá, acha que faltou aos repórteres perguntar qual o calibre da bala:

‘Considerado, quando alguém escapa de um tiro na cabeça, disparado por revólver ou pistola 38, 9 milímetros ou 45, talvez não seja de todo absurdo falar-se em algo deverasmente milagroso; todavia, se o calibre foi 22, o milagre não é tão espantoso assim.’

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Gurgel era brasileiro?

O considerado Jarbas de Aquino Salvador, arquiteto em São Paulo, aponta o que, na opinião dele, se constituiu em grave erro espalhado pela imprensa:

A morte do empresário João Augusto Amaral Gurgel foi pretexto para inúmeras reportagens sobre os utilitários da marca Gurgel, apontados como ‘os únicos veículos genuinamente brasileiros’. Como pode ser genuinamente brasileiro um carro cujo motor era da Volkswagen?!?!’.

Você está coberto de razão, ó Salvador; no início dos anos 80 Janistraquis e eu dividimos um Gurgel, jipezinho barulhento dos diabos, equipado com motor de fusca. Tratamos de nos livrar dele assim que foi possível e daquela experiência meu assistente colheu esta verdade absoluta: carro genuinamente brasileiro é o carro de boi.

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Unicórnio do Oscar

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo varandão debruçado sobre a ira oficial é possível escutar as imprecações do Mandante, o qual anda mais agoniado do que siri preso em lata de querosene, pois Roldão nos despacha a seguinte pensata:

No romance Frankenstein, de Mary Shelley, o pesquisador cujo nome dá o título ao livro cria um ser humano gigantesco, um monstro que se vira contra seu criador. Essa relação conflituosa cabe como uma luva ao projeto que Niemeyer bolou para a chamada Praça da Soberania, objeto de justa celeuma.

O enorme obelisco inclinado seria um chifre de unicórnio bem no meio da esplanada.

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Nota dez

Até a manhã de hoje, 5/2, a coluna havia recebido 28 mensagens assinadas por homens e mulheres, todas a exigir nota dez para o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, intitulado Terrorismo Sexual, o qual abriga passagens assim:

(…) Não vou discutir o ensino religioso, mas sim outra questão que me chama a atenção: a educação sexual nas escolas. Digo logo: sou contra. E mais: acho que sexo é assunto da vida privada e familiar (usei o mesmo argumento dos ‘contra o ensino religioso’, como havia prometido, lembram?) e nenhuma escola ou pedagoga maníaca por sexo deveria entrar nas cabeças das crianças com suas fantasias travestidas de teorias.

Aliás, quem são os teóricos de confiança? Quem descobriu o sexo correto? Normalmente, o sexo correto é aquele que a pedagoga maníaca por sexo acha que seja correto, e nada mais. Tapinha pode?

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que tem causado mais rebuliço do que a plástica da ministra Dilma ‘Petúnia’ Roussef.

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Errei, sim!

‘FRANGO MALUCO – Receita publicada pelo Jornal da Tarde: ‘(…) O segredo do frango resume-se em cortá-lo em 28 pedaços (…)’. Janistraquis escreveu uma carta ao jornalista-chef-de-cuisine Saul Galvão, solicitando esclarecimentos, e me apresentou sua dúvida cruel:

‘Considerado, se a gente retalhar o frango desse jeito, é melhor passar logo na máquina de moer; se formos dividi-lo em 28 partes nobres, é preciso que seja um frangão excepcional, com oito coxas, oito sobrecoxas, oito asas e quatro peitos’. É. Somando, dá 28…’. (julho de 1990)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

 

 

RECONHECIMENTO
Eduardo Ribeiro

Será que ainda vamos redescobrir o rádio?

‘O rádio, como todos reconhecem, dos mais doutos aos mais humildes cidadãos, foi e continua sendo um dos mais importantes veículos de comunicação criados pelo homem. E por incrível que pareça, como já abordei neste mesmo espaço do Comunique-se, anos atrás, trata-se, além de tudo, de uma invenção de um brasileiro pouco reconhecido em seu próprio País, o padre gaúcho Landell de Moura, que transmitiu a voz humana pelo éter, em experimentos documentados, antes do italiano Guglielmo Marconi.

Se nem no Brasil ele é reconhecido, que dirá no estrangeiro.

Mas essa não é a tônica desta artigo, que, na verdade, foi produzido com a colaboração de Álvaro Buffarah, que é professor e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP, com comentários e reflexões sobre o meio, a partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos Marplan com publicitários e produtores, que dá uma boa idéia da força do veículo e do grande potencial que para ele se abre com a digitalização. Se é rico em aceitação, o rádio continua uma das mídias mais pobres como destino de mensagens publicitárias, possivelmente por preconceito, de um lado, e desinteresse na busca de projetos que contemplem o que o rádio tem de melhor – a imaginação dos ouvintes – de outro. O texto a seguir é de Buffarah.

O rádio e a plataforma multimídia

‘Diante do processo de transformação tecnológica no qual os meios de comunicação estão inseridos, o rádio será potencializado pela digitalização de sua programação em diferentes plataformas. A afirmação tem como base os resultados da pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos Marplan com produtores e publicitários brasileiros por meio de uma parceria com o Grupo de Profissionais de Rádio.

O cenário considera a popularização da internet, a revolução digital dos meios, o processo de convergência das mídias, as diversas plataformas de transmissão (celulares, MP3, tevê, internet móvel, notes, iphone, podcasts e emissoras de rádio na internet). Diante disso, os profissionais criativos pesquisados consideram que o meio rádio deve se pautar por sete mandamentos.

O primeiro é o chamado sentido de audição, em que devemos valorizar a imaginação dos ouvintes diante das situações transmitidas. Ou seja, devemos aproveitar todas as possibilidades de experiências auditivas para transformar as mensagens radiofônicas em produtos mais interessantes e ricos. Em seguida vem a imaginação. Por ser um meio que se relaciona diretamente com a imaginação dos receptores, o rádio cria uma ligação emocional. Este pode ser um recurso importante para atingir o ouvinte com a mensagem veiculada.

Outro item é o aspecto multidimensional. O rádio é um veículo que acompanha o ouvinte em praticamente todos os locais e, por isso, oferece mobilidade e liberdade para a realização de outras tarefas. É ainda um agente social importante para as comunidades e cidades onde atua em prol das causas coletivas potencializando a mensagem diante dos receptores, o que caracteriza o quarto mandamento: valores utilitários e comunitários.

A retenção é outra marca do rádio, que prende a atenção do ouvinte por sua preferência à determinada emissora, ao locutor e aos programas. Isso o torna um companheiro no dia-a-dia dos ouvintes e permite fidelizar cada um dos receptores. É ainda um veículo de grande alcance geográfico, que possibilita até que as comunidades mais longínquas sejam atingidas por sua programação.

Com as novas tecnologias, ficou ainda mais fácil ter para cada perfil uma emissora.

Para cada emissora, um público. Para cada público um horário de preferência. Para cada preferência um programa. Dessa forma, temos para cada radialista uma voz e para cada voz um ouvinte (uma imaginação, uma emoção). É a segmentação, o sétimo e último mandamento.

Por isso, acredito que as perspectivas para o meio rádio são positivas diante do processo de digitalização, pois permitirá explorar suas características com criatividade, seja nas programações seja nas peças publicitárias. Poderá, além disso, assumir um espaço de interação com o ouvinte, exercendo uma participação ativa como agente da comunidade.

O grande desafio está em aprender com os novos formatos da plataforma digital e utilizá-los na valorização do ato de ouvir. O rádio pode segmentar suas campanhas e propiciar um grande diferencial para os anunciantes e ouvintes, valendo-se dos avanços tecnológicos para dar um salto de qualidade em sua programação. É certamente o meio que melhor se adequará à plataforma multimídia possibilitando importantes diferenciais tanto do ponto de vista da emissora quando do ouvinte.

Aproveito para reafirmar que é prematuro e reducionista indicar que o rádio, como meio de expressão humana, será extinto pelo uso de tecnologias mais novas ou pela internet. Ele é um canal de transmissão que passa, como todos os outros, por importantes alterações, mas são alterações que o tornam ainda mais atraente e democrático, sob os auspícios do processo de digitalização.

Não é demais lembrar que o rádio por ondas tem fôlego para muitos anos de vida, especialmente em áreas marcadas pela ausência ou pouco desenvolvimento tecnológico, sendo que entre os veículos de comunicação de massa convencionais, é o que tem a maior tradição na interação entre o receptor (ouvinte) e o emissor (empresa de rádio).

Outro aspecto importante é que se abre uma possibilidade de troca de conteúdos entre emissoras, correspondentes e usuários em diferentes partes do mundo seja em real time ou não.

O mais importante nesse processo é ser criativo na geração desses conteúdos, pois os ouvintes passarão a opinar no que querem ouvir e em que momento. Nesse universo, uma emissora da web feita por jovens de uma escola na periferia de São Paulo terá o mesmo espaço que uma grande empresa de comunicação. O diferencial estará na forma e no conteúdo colocados à disposição. Diante desse cenário surge um importante questionamento: quem está preparado para estas alterações? Essa é outra discussão…

Álvaro Buffarah é professor e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP. Atuou por muitos anos em emissoras como CBN e Radiobrás.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

 

 

TELEVISÃO
Antonio Brasil

Ensinar jornalismo com videogames

‘Por que os cursos de jornalismo ainda utilizam técnicas pedagógicas do século XIX para preparar os profissionais do século XXI? Por que os alunos demonstram tanto desinteresse, insatisfação e decepção com o ensino de jornalismo oferecido por nossas universidades? O que fazer para evitar a evasão de milhares de bons alunos de jornalismo que não se contentam mais com a precariedade do ensino da profissão? Em meio a tantas crises, como melhorar ensino e salvar o próprio futuro do jornalismo?

Nos EUA, um grupo de professores resolveu encarar o problema de forma inovadora. Eles estão propondo a utilização de videogames como ferramentas de ensino para reconquistar a geração Y, a geração que foi criada com computadores, games e internet.

Apesar das enormes dificuldades, os professores Matt Taylor e Nora Paul do Instituto de Estudos de Novas Mídias da Universidade de Minnesota nos EUA convenceram os executivos da instituição de ensino a investir em um videogame que recria situações típicas da rotina jornalística. Não foi tarefa fácil. Mesmo nos EUA, ainda há grande resistência na academia contra os games. Ainda somo reféns das técnicas de ensino do passado. Assim como a televisão ou mesmo o cinema, muitos professores ainda consideram os games, mero entretenimento ou escapismo lúdico.

Mas o principal objetivo dos games de instrução jornalística é desenvolver os princípios éticos da profissão. Afinal, jornalismo é antes de tudo, uma técnica de investigação e narrativa dependente de um código de ética específico. Ao contrário de outros ‘contadores de histórias’, temos que dizer a verdade e temos uma responsabilidade social enquanto prestadores de serviço, enquanto ‘olhos e ouvidos’ da sociedade.

Jogando jornalismo

Após alguns anos de trabalho e alguns milhares de dólares, os professores americanos desenvolveram uma série de jogos educativos que visam ensinar jornalismo de uma forma inovadora. O título da série é ‘Playing the News’ ou ‘Jogando as notícias’. Ver aqui.

Na sua essência, os games promovem um método mais interessante, intuitivo e interativo de ensinar os princípios de integridade e eficiência jornalística.

Trata-se de uma solução ousada e criativa para encarar o problema do ensino de uma profissão tão dinâmica como jornalismo. Grandes jornalistas jamais freqüentaram os bancos escolares. Pena. Creio que teriam sido jornalistas ainda melhores. Por vários motivos, tiveram que aprender a profissão de intuitiva e interativa. Exatamente como os games.

Para uma geração que prefere obter informações nos computadores e na rede, a solução dos professores americanos para os problemas de ensino de jornalismo pode indicar novas soluções. Não adianta simplesmente reclamar da realidade e condenar os alunos. Ensinar utilizando games pode ser uma boa saída para a crise no ensino.

Nem todos os jogos recriam violência ou são ‘perda de tempo’. Os simuladores de vôo, e os simuladores em geral por exemplo, se tornaram ferramentas essenciais para o ensino de profissões dinâmicas como aviação, engenharia e astronáutica.

Outro exemplo de game educativo de jornalismo, mas dessa vez para os mais jovens, os estudantes secundários, é ‘Being Brian Crecente: Using an Off-the-Shelf Role-Playing Game to Teach Journalism’. Veja aqui.

Essa proposta educacional utiliza as técnicas de RPG para transformar o aluno em um jornalista em situações difíceis e delicadas. O segredo é manter o glamour da profissão, incentivar novas carreiras e preparar melhor o futuro jornalista.

Melhor profissão do mundo

Então, por que não ensinar também jornalismo com técnicas digitais como os videogames? O maior problema, no entanto, é a resistência das instituições de ensino, dos professores e dos próprios jornalistas. Pena. Afinal, o jornalismo em sua longa história sempre aproveitou das crises para utilizar de forma criativa, as novas tecnologias como o telefone, os telégrafos, o rádio, a TV e agora a Internet. Jornalismo sempre foi sinônimo de inovação, ousadia e novas tecnologias.

Afinal, a profissão exige tomar decisões importantes e relevantes em curtíssimo espaço de tempo. Isso pode ser aprendido na prática profissional durante muitos anos mas também pode ser aprendido em cenários digitais virtuais nas escolas.

Os games educacionais para jornalismo também estimulam boas práticas de reportagem e entrevistas através de soluções não-lineares e diálogos com o próprio sistema. Aprende-se as técnicas da profissão fazendo um jornalismo virtual.

Trata-se de uma ferramenta fundamental e inovadora, principalmente para avaliar o interesse e capacidade dos alunos dos primeiros períodos dos cursos de jornalismo. O objetivo é desperdiçarmos tempo e recursos preciosos. Preparar bons jornalistas é tarefa longa, cara e difícil.

Ao recriar ou simular as situações típicas da profissão, talvez consigamos evitar que nossos alunos descubram tarde demais que não gostam ou não querem praticar o que Gabriel Garcia Marques descreveria como a ‘melhor profissão do mundo’.

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

 

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