Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Comunique-se

17/03/2009 na edição 529


CONTEÚDO NA REDE


Bruno Rodrigues


Confiança em tempos de crise


‘Existem poucas profissões no mundo capazes de sobreviver a intempéries de toda a espécie, e a de comunicólogo é uma delas. Antes de duvidar, lembre-se de que o trabalho freelancer, aquele que é produzido em paralelo à atividade principal, foi popularizado justamente pela área de Comunicação. Mesmo sem emprego, o profissional da área não fica sem sustento: nesta hora, é justamente nos trabalhos avulsos que está o porto seguro.


Entendeu o recado? Em suma, não desanime. Ainda que em tempos de crise, sempre haverá uma luz no fim do túnel para o comunicólogo, seja de que área ele for. Se o chão ceder, lembre-se de que a mobilidade que o mercado nos traz será sempre uma vantagem frente às outras atividades menos maleáveis.


Dito isso, e contando com os populares ‘freelas’ como paliativo em momentos de desemprego, o rumo certo a tomar, de imediato ou em algum momento em um futuro próximo, é a recolocação – nome bonitinho para arrumar outro emprego. Justo nesta hora é a confiança que cisma em nos escapar. Assim, de nada custa lembrar, de fato, em que podemos nos agarrar:


. Confie na Rede


Sim, há anos levas de pessoas conseguem emprego via internet. É bem diferente do tempo em que se enviava currículo pelo correio e – tenho certeza – a caixa postal que o recebia era a mesma que de Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. Agora, os CVs cadastrados em sites de empresas caem diretamente em bancos de dados que são constantemente acessados pela área de Recursos Humanos. Este fenômeno – currículos que são enviados e realmente lidos – é concomitante à aurora da web e à conclusão de que as áreas de RH tinham que cuidar melhor da própria imagem.


. Confie em seus contatos


Por favor, ninguém mais aguenta o papo de ‘estou em busca de novos desafios’ – até porque nem herói de história em quadrinhos tem mais este discurso. Diga aos amigos que foi desligado da empresa onde trabalhava e está procurando outro emprego. Chega de gênero, pessoal, estamos nos século XXI e a sinceridade é que abre as melhores portas. Simplesmente diga que precisa de ajuda, e ela virá.


. Confie em você


E então, sobram apenas você e você quando o dia termina e a noite chega. Neste momento, lembre-se do seu currículo, seja ele qual for. Se você chegou onde está – e digo na carreira, e não no estado atual – está lá tudo registrado. É hora de reescrever seu currículo, sem exagerar um centímetro, mas ressaltar o que você tem mais orgulho; o que, definitivamente, o trouxe até aqui. Costumo dizer que meu currículo é meu maior bem, e não estou brincando.


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A próxima edição de meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ acontece em abril no Rio. Para quem deseja ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é uma boa dica! As inscrições podem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br e outras informações podem ser obtidas pelo telefone 21 21023200 (ramal 4).


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Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.


(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’


 


 


MERCADO


Eduardo Ribeiro


Entre erros e acertos (e apesar da crise) a mídia busca caminhos de superação


‘Obviamente uma crise, qualquer que seja ela, atormenta demais a vida de quem por ela é atingido. E nesta, financeira, não tem sido diferente.


No caso da indústria jornalística o que vimos até agora, felizmente, foi um pequeno ajuste em alguns veículos, como Gazeta Mercantil, Correio Braziliense, Fundação Padre Anchieta e DCI, daqueles que me recordo de memória, e um esforço geral para superar as dificuldades com cortes nos borderôs, mas sem um sacrifício exagerado nas equipes ou nos investimentos.


Temos empresas investindo em novos projetos e conteúdos editoriais (O Dia), em um novo modelo de jornalismo diário (Folha de S.Paulo), em experiências diferenciadas (Editora Abril).


Vamos a eles. Essa semana, por exemplo, teremos muitas novidades no jornal carioca O Dia, conforme informou a editora regional deste Jornalistas&Cia, no Rio, Cristina Vaz de Carvalho. Segundo apurou, a partir deste domingo, 15 de março, o jornal chega às bancas de cara nova: mudam o formato, a cor da marca e os cadernos. O standard dá lugar a um formato 35 cm x 24,5 cm (maior que o Meia Hora, tablóide clássico com a metade do standard, e menor que o berliner do JB).


A justificativa para a mudança, segundo o Meio&Mensagem, seria a sintonia com publicações internacionais como o argentino Clarín, o francês Le Monde, os ingleses The Guardian e The Independent, que fizeram opções semelhantes. Para o colunista deste Comunique-se, Milton Coelho da Graça, trata-se de economia no custo do papel. E é uma consideração mais do que razoável, visto que quem tem a responsabilidade sobre um produto precisa tomar decisões (de preferência corretas) para garantir a sua sobrevivência. Mas também não se pode desconsiderar que O Dia, que já foi líder de circulação por vários anos no Rio de Janeiro, quer retomar essa posição hegemônica, mesmo sabendo melhor do que ninguém as dificuldades de enfrentar o poderio da Globo, numa arena como o Rio de Janeiro.


Também está decidido que a marca voltará a ter a cor amarela, a mesma que por muito tempo caracterizou o jornal.


André Hippert redesenhou as páginas e, na parte editorial, novas seções foram criadas. Especial do Dia, que trata de temas da atualidade, é editada pelo responsável da área em foco, seja Economia, Cidade etc. Conexão Leitor, com edição de Fabiana Sobral, traz conteúdo colaborativo, como fotos, vídeos, opiniões, reclamações, elogios. No online, Marcela Canavarro vai gerenciar o material que chega pela internet, os comentários, as enquetes respondidas, e passar para Fabiana uma pré-edição. No caderno D, mais do que a aparência, muda a maneira de trabalhar. Alguns detalhes são a perda do horóscopo, que passa para a cabeça do jornal, em uma página de miscelânea, e os tijolos de cinema. A coluna de Regina Rito, Telenotícias, que não aparecia aos domingos, pois o D cedia lugar à TDB, vai agora para a revista, que passa a se chamar TV Tudo de Bom.


No mesmo dia 15, informa Cris Carvalho, também o site de O Dia passa por alterações. Henrique Freitas – promovido a Superintende de Negócios Digitais no final do ano passado –, com o gerente de Conteúdo Digital Victor Javoski, procurou identificar os caminhos possíveis para o novo leiaute. A home deixa a verticalização tradicional e passa a ser horizontalizada, como nos principais sites de notícias. Com isso, ganha espaço, ampliado com a eliminação da coluna vertical à esquerda, mantendo porém a coluna da direita com breaking news. O site vai valorizar o conteúdo multimídia, para não ser mero repetidor do papel: imagens vão para o alto, com player atualizado, de modo a pôr os vídeos dentro das matérias. ‘O mais importante, neste momento, é ampliar a integração, o conceito de pessoas flutuando entre as editorias, para se observar que tipo de conteúdo pode ser mais bem explorado em termos de multimídia,’ diz Freitas.


Há pouco mais de duas semanas aqui mesmo neste espaço referi-me ao novo ciclo editorial que a Folha de S.Paulo está iniciando, trazendo o jornal para um novo patamar de mercado – o dos jornais analíticos. Clara indicação de que isso já começou foi o reconhecimento público, na edição do último sábado, 7, de seu diretor de Redação, Otavio Frias Filho, de que o jornal errou ao se referir à ditadura brasileira como ‘ditabranda’. ‘O termo tem uma conotação leviana, que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis’, reconheceu. O teor do editorial provocou muitas críticas, principalmente de vítimas da repressão militar, agravadas pela resposta pouco cortês do jornal a dois de seus críticos, os professores Maria Vitória Benevides e Fábio Konder Comparato. Com relação a estes, Otavio disse que o jornal ‘reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, ‘de joelhos’, a uma autocrítica em praça pública’. E deu mais um cutucão: ‘Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam’.


Ainda como desdobramento da controvérsia, no mesmo sábado, pela manhã, cerca de 300 pessoas participaram de manifestação em frente da sede do jornal, na região central de São Paulo, para protestar contra o editorial e prestar solidariedade a Benevides e Comparato – fato que a própria Folha registrou em sua edição de domingo, junto com a nota de Frias.


A admissão do erro e a notícia do protesto nas páginas do jornal mereceram de Alberto Dines, no programa radiofônico do Observatório da Imprensa, na 2ª.feira (9/3), a qualificação ‘inesperado, inédito’ o desfecho, e o comentário de que, com isso, ‘a Folha encerrou um incidente que começava a tornar-se extremamente desconfortável’. Após advertir que o jornal ‘teria evitado muitos dissabores se a admissão do erro tivesse ocorrido na semana retrasada, antes do seu editor de Política, Fernando de Barros e Silva, contestar abertamente o infeliz editorial do jornal’, Dines afirmou que a imprensa não pode mais considerar-se infalível, acima do bem e do mal, e que a consciência crítica de parte ponderável da sociedade foi a grande vitoriosa do episódio – e também os leitores. E arrematou: ‘O episódio foi péssimo para a Folha, porém poderá ainda trazer dividendos. Foi mais danoso para os concorrentes, que se fingiram de mortos e assumiram uma posição subalterna e ambígua. Como se não fosse com eles. Era, sim, pois uma imprensa que abre mão da disputa e do debate está condenada a calar-se para sempre’.


Outra gigante do ramo, a Editora Abril, tem alguns projetos maturados e a volúpia com que se entregará a eles dependerá essencialmente do comportamento do mercado. Sabe-se, por exemplo, de um projeto no campo de decoração, focado na classe média, que tem tudo para chegar ao mercado, mas se a economia não reagir, ele aguardará pacientemente uma melhor oportunidade. Já o Jornal Placar, experiência bem sucedida nas finais do Campeonato Brasileiro de 2008, será relançado no mesmo formato, agora com vistas às finais do Campeonato Paulista, a partir do dia 22 de abril. Em nova parceria com o gratuito Destak, o jornal circulará de 2ª a 6ª.feira, com 16 páginas, 80 mil exemplares e distribuição gratuita somente em São Paulo. Nessa distribuição, a Abril vai novamente se valer da estrutura montada pelo Destak nos principais pontos de tráfego das classes A e B da cidade (públicos-alvo do empreendimento). A equipe, ainda em montagem, terá cerca de quinze jornalistas, principalmente egressos do Curso Abril de Jornalismo, que trabalharão numa redação nova no prédio da editora. Para tocar o projeto, Celso Miranda deixará a Diretoria de Redação de Vip, onde está desde outubro de 2007, e a partir do próximo dia 16/3 será substituído por Ricardo Lombardi, há dois anos redator-chefe do Guia do Estudante e do Almanaque Abril, depois de uma passagem pela Bravo, na mesma função; sua substituição ainda não está definida. O diretor de Redação de Placar é Sérgio Xavier Filho e o do núcleo Esporte Motor, Marcos Emílio Gomes.


Este mesmo núcleo, pela baixa rentabilidade do projeto, decidiu descontinuar, na virada do ano, a revista Frota, que, segundo Marcos Emílio, era o único produto voltado para um segmento específico (B2B). ‘Como estamos entrando num ano de diversas novas iniciativas direcionadas ao consumidor/leitor comum, acreditamos que teríamos mais foco com essa medida. Frota não tinha uma redação montada. Era toda produzida por frilas, que continuarão colaborando conosco em Quatro Rodas, em Moto e nos especiais relacionados aos dois títulos’.


(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’


 


 


JORNAL DA IMPRENÇA


Moacir Japiassu


O dia em que Janistraquis quase morreu de rir


‘Duzentos cartuchos


contrabandeados sesteiam


ao lado das automáticas


(Novíssimo poema de Nei Duclós)


O dia em que Janistraquis quase morreu de rir


O considerado Fábio José de Mello aproveitou o fim de semana para esvaziar algumas gavetas abarrotadas de papéis amarelecidos e lembranças ainda vivas; entre muitas preciosidades encontrou esta:


Veja só o Erramos da Folha, edição de 14 de março de 2000: ‘O quadro da edição de 9/1 de ‘Ciência’, referente à reportagem ‘Viagra para mulher’, à pág. 25 do caderno Mais!, indica erroneamente a vagina no local do ânus. No mesmo quadro, o testículo está incorretamente indicado no local do escroto.’


No passado, os jornalistas hesitavam mas acabavam por descobrir o ‘endereço’ do ânus e da vagina; hoje, já não ligam mais o nome à pessoa.


Janistraquis leu o Erramos, o qual aniversaria no próximo sábado, deteve-se no comentário do Fábio, foi assaltado por monumental e incontrolável acesso de riso, perdeu a respiração e tivemos que providenciar, com urgência, a internação dele na Santa Casa.


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Nei Duclós


Leia no Blogstraquis a íntegra de Cruz branca na lona, cujo fragmento encima a coluna. Trata-se de um ‘poema de guerra’, inserido entre os novíssimos da generosa lavra do poeta.


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Sair da depressão


O considerado Gilson Caroni Filho, professor de Sociologia da Facha, pensou inicialmente em escrever um ensaio acadêmico, mas, no terceiro parágrafo, mudou de idéia. Aí, aliviou a mão e produziu um excelente artigo dirigido à compreensão de todos nós, artigo que abriga parágrafos assim:


A ‘crise atual’ não começou em setembro último, ou em 2007, ou há uns poucos anos. Vem de muito mais longe, desde os anos 20, quando o dinamismo do capitalismo industrial deu sinais de esgotamento. Essa não é uma exegese teórica, e sim uma constatação factual, evidenciada pela Grande Depressão que se seguiu. E que só teve fim com a Segunda Guerra Mundial.


Para sair de uma depressão, nada como uma economia de guerra, em que se obtém o pleno desenvolvimento das forças produtivas e o pleno emprego da capacidade produtiva. Com a vantagem adicional de que a maior parte do que é produzido é logo destruído, e tem que ser reposto.


Leia aqui a íntegra do texto desse jovem exemplar da inteligência nacional.


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Mentir, mentir


Título no Meio&Mensagem Online:


Tim lança conceito ‘Mente sem Fronteiras’


Janistraquis não pensou duas vezes:


‘Considerado, quem mente sem fronteiras é o Lula, que mente aqui e em todos os países por onde passa.’


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Puxa-saquismo


O cordão dos puxa-sacos produz Lula, o Filho do Brasil, para mostrar a trajetória do presidente no ano eleitoral de 2010, quando o filme chegará às telas. Janistraquis, que não é propriamente fã do bajulado, leu a notícia e fez algumas e pertinentes observações:


‘Considerado, é preciso esclarecer que nós e muita gente mais também somos filhos do Brasil, enquanto Lula é filho de muitas outras coisas; depois, quem vai dublar o elemento? Se ele aparecer com a língua solta e o sotaque de sertanejo, o filme ficará entre a comédia e a chanchada.’


É mesmo. Melhor seria chamar logo Renato Aragão para fazer o papel do homem.


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Ao coração


Frase de um sentimental mais incorrigível do que o ‘ministro’ Tarso Genro:


‘O amor é como capim: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo.’


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Velhos tempos


A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil já foi tão de esquerda, mas tão de esquerda, que o polêmico articulista do Jornal da Tarde, Lenildo Tabosa Pessoa, apelidou-a de CNBB do B…


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O nome do jegue


Janistraquis enviou ao arcebispo de Olinda e Recife a seguinte mensagem:


Informo ao eminentíssimo príncipe da igreja que tomei a liberdade de dar seu ilustre nome ao jegue aqui do sítio onde moro. A homenagem é legítima e justifica-se pelo fato de o animal ser tão inteligente, mas tão inteligente, que até reza a missa dos domingos na capela desta humilde propriedade.


Receba meus respeitosos cumprimentos.


O e-mail da santa criatura é arcebispo@arquidioceseolindarecife.org.br.


A propósito do triste e repugnante episódio, a coluna recomenda a leitura do blog do professor de inglês Hugo Caldas, que mora em Recife e conhece de sobra o celerado. Aproveite e aprecie também no Blogstraquis mais um poema de Miguezim de Princesa, cristão indignado com as patadas do arcebispo.


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Dilma & Miguezim


A considerada Maria Eugenia Correa Lima, do Rio, envia mais um e novíssimo cordel do acima referido Miguezim de Princesa, o qual antecipa em versos o ‘jornalismo interpretativo’ anunciado pela Folha de S. Paulo; implacável trovador do sertão, ele incendeia a caatinga da politicagem:


Quando vi Dilma Roussef


Sair na televisão


Com o rosto renovado


Após uma operação


Senti que o poder transforma:


Avestruz vira pavão.


(…)


Eu já vi um deputado


Dizendo no Cariri


que Dilma é linda e charmosa,


igual não existe aqui,


e é capaz de ser mais bela


que a Angelina Jolie.


Leia no Blogstraquis a íntegra desta obra-prima que percorre a internet com mais velocidade do que habeas corpus pra bandido rico.


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Viajar é bom


O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, dá pra ver quase tudo, pois Roldão, protagonista de incontáveis voltas por este mundo, verificou mais uma vez o que acontece quando um jornalista se mete a escrever sobre o que solenemente ignora:


Revista do Correio – Correio Braziliense, domingo, 8 de março


PARCERIA ALÉM-MAR – O Roteiro


1 – No fim de setembro, os dois saem de Lisboa e seguem rumo às ilhas Madeira, Funchal e Canárias; depois, pela costa da África, Tenerife, Marrocos e Cabo Verde.


(Houve uma confusão danada: Funchal não é uma ilha; é a capital da ilha da Madeira. Tenerife é a maior ilha do arquipélago das Canárias.)


2 – Por fim, chegam ao Rio, na baía de Angra dos Reis, passeiam por Paraty e Ilha Bela (SP), não necessariamente nessa ordem.


(Outra confusão: Angra dos Reis é uma cidade localizada na baía da Ilha Grande.)


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Walter Silva


O considerado José Nêumanne escreveu em sua ‘estação’ da internet:


(…) o convívio com Walter Silva na redação da Folha de S. Paulo, nos camarins do mesmo palco da Record, só que então não mais na Consolação, mas na Augusta, e em sua casa me propiciou o privilégio de reviver com emoção e graça os anos de ouro…


A saudade dos velhos tempos inspirou o jornalista e poeta na homenagem que fez ao nosso Walter Silva Picapau. Leia aqui a íntegra do elogio fúnebre àquele que tanto fez pela música brasileira.


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Craques & craques


Deu no Consultor Jurídico:


CNJ escala time de craques para auxiliar pesquisas


O Conselho Nacional de Justiça escalou um time de craques na área jurídica e acadêmica para aperfeiçoar as pesquisas do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), responsável, entre outros estudos, pelo levantamento Justiça em Números. O ministro Gilmar Mendes, presidente do CNJ e do Supremo, publicou nesta quinta-feira (5/3) a Resolução 69, que institui o Conselho Consultivo do DPJ — clique aqui para ler a resolução.


Janistraquis, saudoso de Ademir Menezes, Heleno de Freitas, Zizinho & cia., garante: não existem mais craques nas áreas jurídica e acadêmica deste vergonhoso país.


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Veja para todos


É um espetáculo, coisa de primeiro mundo, o acervo digital de Veja que a Editora Abril oferece ao público. Desde o número 1, em setembro de 1968, até hoje, está tudo lá. Se o considerado leitor ainda não conhece este serviço deverasmente indispensável, clique em www.veja.com.br/acervodigital.


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Nota dez


O considerado Deonísio da Silva, grande escritor e professor da Universidade Estácio de Sá, do Rio, escreveu nos jornais Gazeta Mercantil e JB:


O Brasil deveria começar as aulas todo mês (…) Terras, fazendas, prédios, empresas, ações, tudo poderá ser dissipado por crise, azar, incompetência ou incúria dos pimpolhos e dos rebentos quando eles, crescidos, operarem o que receberam ou herdaram dos pais. Poderão anoitecer ricos e acordar pobres. Mas jamais haverão de dormir cultos e acordar rudes!


Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo intitulado Volta às aulas e bancos quebrados; o professor nos dá uma indispensável aula de educação.


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Errei, sim!


‘TALO GROSSO — Janistraquis se chegou com certo ar infantil:


‘Considerado, o que é que tem o chapéu grande e o talo grosso?’, perguntou. Ante minha ignorância, completou, cínico: ‘E ainda serve pra gente comer!’


Mandei-o parar de safadezas, posto que nordestino macho não admite intimidade com símbolos fálicos, porém meu assistente esclareceu:


‘Considerado, não é o que você está pensando; trata-se simplesmente do velho, recatado e elegante champignon.’


Pois é. O colunista gastronômico do Jornal da Tarde, de São Paulo, transformou tal delicatesse num bicho perigoso, obsceno, do chapéu grande e o talo grosso. Vôte!!!’ (outubro de 1993)


Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.


(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’


 


 


TELEVISÃO


Antonio Brasil


Frost/Nixon: tribunal na TV ou quem ainda precisa de TV pública?


‘‘Com pouco mais de um ano de existência, a EBC consumiu mais de R$ 500 milhões dos cofres públicos. Fundiu as estruturas da TVE (Rio e Maranhão) e da Radiobrás, mas até agora não justificou com um frame todo esse dinheiro nem sequer apontou para uma conceituação aceitável do papel de uma televisão pública.’


Nelson Hoineff, Descaminhos da Programação, 7/03/2009.


O título da coluna desta semana reflete as dúvidas do crítico. Pretendia escrever sobre mais uma crise na televisão pública brasileira. Não faltam crises, nem más notícias nas TVs do governo, de qualquer governo. O título seria ‘Quem ainda precisa de TV pública’. Uma seqüência do artigo da semana passada sobre a crise nas TVs abertas (ver coluna aqui).


O objetivo era comentar a crise na TV Cultura de São Paulo e a intervenção do conselheiro José Henrique Reis Lobo, secretário de relações institucionais do governo Serra, presidente do diretório municipal do PSDB e membro eletivo do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, no último dia 16/02.


Lobo questiona ‘o valor repassado à emissora (R$ 200 milhões ao ano), sem que ela desse resultados efetivos de audiência’. Também gostaria de comentar o excelente artigo do diretor e crítico de TV Nelson Hoineff sobre mais uma maracutaia na implementação de TV digital no Brasil.


A epígrafe acima é um dos melhores momentos do artigo. Reflete o questionamento dos rumos das TVs públicas brasileiras.


Em relação à cobrança de audiência na TV Cultura de São Paulo, como era de se esperar, houve uma gritaria geral contra a demanda do conselheiro.


Concordo que audiência não deve ser o único critério para avaliarmos o projeto de uma TV pública.


Mas será que a TV Cultura de São Paulo é uma televisão pública de verdade? Não seria, como todas as nossas TV dita públicas, mais uma televisão estatal a serviço do governo?


Afinal, quem financia a emissora paulista? A população de São Paulo? Mas essas pessoas foram consultadas e concordam com essas despesas?


Recordar é viver


Há muitos anos, os paulistas recusaram a proposta do governador Montoro para acrescentar uma pequena contribuição mensal nas contas de luz de todos os paulistas. Era uma forma de garantir o futuro e a independência do melhor projeto de TV do Brasil.


A resposta foi avassaladora. Os paulistas disseram não.


Coube ao governo paulista assumir os encargos da TV Cultura. Fazer cumprir a constituição do estado e destinar verbas para a emissora pública. Mas apesar de veicular milhares de comerciais, a Cultura ainda é financiada com recursos provenientes dos cofres, ou seja, dos impostos dos paulistas. E obviamente o governo que administra esses recursos cobra resultados. Nada mais lógico. Mas quais resultados? Esta é a questão.


Se todos os paulistas pagam pela TV Cultura com seus impostos, por que somente poucos, muito poucos, assistem aos seus programas? Algo pode e deve estar errado no projeto da emissora pública paulista.


Para efeito de comparação, podemos analisar outras instituições públicas. As universidades públicas paulistas são consideradas excelentes e há uma enorme demanda de seus serviços pelos cidadãos. Não faltam alunos querendo estudar na USP, por exemplo.


Os hospitais públicos paulistas podem não ser tão bons. Mas tenho certeza de que não faltam pacientes em busca de tratamento.


Então, qual seria o problema da TV Cultura de São Paulo? Por que os paulistas não querem bancar o projeto e não assistem aos seus programas?


Ao invés de ‘crucificarmos’ os conselheiros simplesmente por motivos políticos, deveríamos pesquisar o problema e buscar ou experimentar novas soluções.


O problema de audiência da TV Cultura de São Paulo existe. É real. Crise pode se tornar uma ótima oportunidade para melhorar. É só querer ousar.


Ou seja, a Cultura, como ‘quase’ todas as nossas televisões ditas públicas, são aquelas emissoras que adoramos falar bem, escrever tratados a respeito, mas que poucos, muito poucos, assistem.


Não consegue convencer os brasileiros de que serve para ser assistida.


O projeto da TV Cultura, a melhor TV do Brasil, em minha opinião, enfrenta hoje mais do que outra crise financeira. Enfrenta crise de identidade.


Tem bons programas, mas quem gosta dos programas da Cultura não assiste mais TV aberta. Essas pessoas hoje têm opções.


Podem acessar a Internet, TVs por assinatura, DVDs, ou podem simplesmente desligar a TV e ir ao cinema.


Melhor filme do ano


E é exatamente sobre isso que gostaria comentar esta semana.


Ao invés de assistir à boa programação da Cultura de São Paulo, desliguei a TV e fui ao cinema.


Assisti a um dos melhores filmes do ano. Como não poderia deixar de ser, fui assistir a um filme sobre… televisão: Frost/Nixon – ver o trailer aqui.


Imperdível!


Trata-se de um filme essencial para os jornalistas que gostam de cinema, respeitam o poder da TV e ainda se interessam pela sua história. Uma bela história!


Frost/Nixon, dirigido por Ron Howard, revela os bastidores da primeira entrevista do Presidente Richard Nixon com o apresentador britânico David Frost em 1977 após sua tumultuada renúncia em 1974. Coube ao jornalismo papel fundamental neste episódio. Após caso Watergate, o mundo jamais seria o mesmo.


Agora imagine o roteiro de um filme que concorreu ao Oscar e que inclui uma das melhores interpretações de grande ator, o veterano Frank Langella, que também foi indicado ao Oscar de 2009 como melhor ator.


No fundo, malucos e apaixonados são a mesma coisa.


Apesar da recusa das grandes redes, uma produção independente oferecia ao público americano, o julgamento do presidente que nunca aconteceu. A TV se tornou o tribunal de Nixon.


Simples e definitivo


O filme não retrata qualquer entrevista de televisão. Este foi um dos melhores momentos da história do meio. David Frost entrou para a história ao enfrentar o mais ‘matreiro’, o mais articulado e temido político norte-americano: o presidente Richard Nixon. O DVD com as entrevistas originais está disponível aqui.


A televisão sempre teve uma relação muito difícil com Richard Nixon. Ele teria perdido a sua primeira eleição para presidente por causa de um debate com John Kennedy transmitido ao vivo pela TV. Era o primeiro debate presidencial transmitido pelo jovem meio que ainda se inventava. Kennedy não disse muito, mas se apresentou muito bem. Sua imagem jovem, bronzeada e vestindo camisa colorida impressionou os telespectadores.


Como o personagem Richard Nixon comenta no filme, ‘quem ouviu o debate pelo rádio achou que eu venci’. Nixon cometeu um grave erro. Menosprezou o poder do novo meio.


A TV chegava para impor uma nova linguagem na política norte-americana e mundial.


A partir desse debate, as eleições jamais seriam as mesmas. Passaram a ser decididas na telinha. Mas aqueles eram os anos dourados da televisão. Ela estava se descobrindo, se inventando. Experimentava novas linguagens, criava programas ousados, testava seu poder e inventava o futuro.


Hoje, a Internet se impõe como novo veículo e nova linguagem. O futuro da política passa pela rede.


Mas em Frost/Nixon, a declaração de um dos personagens sobre o poder da TV ainda é definitiva:


‘A televisão consegue simplificar ou banalizar absolutamente tudo’, afirma um dos produtores da entrevista. ‘Nada complexo resiste à TV. Um único frame, uma única imagem pode valer mais do que muitas horas de entrevista’.


Corte rápido para a imagem, um único frame do velho presidente que concede sua derrota ao jovem entrevistador após longas horas de entrevista na TV.


Uma única imagem mostrava muito mais do que tantas palavras, mentiras ou desculpas.


Em sua tristeza, em seu olhar, o presidente norte-americano reconhecia sua derrota.


A TV e a política nunca mais seriam as mesmas. Com seu poder de concisão, representação e simplificação, uma única imagem na telinha, um único frame diz mais do que muitas horas de ‘enrolação’, muitas horas de desculpas e programação ruim.


Enquanto isso, outros projetos de televisão pública no Brasil como a EBC ‘…até agora não justificou com um frame todo esse dinheiro nem sequer apontou para uma conceituação aceitável do papel de uma televisão pública.’


Assim como a boa televisão, Nelson Hoineff foi simples, conciso e definitivo!


(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’


 


 


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