Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 17 E 18/02

Comunique-se

19/02/2007 na edição 421


ISTOÉ À VENDA
Eduardo Ribeiro


Editora Três às vésperas de mudar de mãos, 14/02/07


‘Nesta terça-feira (13/2) o empresário Nelson Tanure, dono da CBM – Companhia
Brasileira de Mídia, esteve em São Paulo para participar de uma audiência
judicial, numa ação que move contra o repórter Lourival Sant’Anna, do Estadão,
por ele acusado de divulgar um dossiê ‘falsificado e apócrifo’ quando tentou
comprar a Varig. O assunto, à época, rendeu réplicas e tréplicas, com pesados
ataques recíprocos, de um lado no próprio O Estado de S.Paulo e de outro nos
jornais de Tanure, respectivamente Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil, nesse
caso com ataques pessoais pesados contra Sant’Anna. Sobre a audiência,
propriamente dita, nada relevante a comentar, a não ser o fato de Tanure e
Sant’Anna terem ficado cara a cara pela primeira vez depois do episódio.


Essa vinda de Tanure a São Paulo teve um outro aparente propósito: um
encontro reservado com Domingo Alzugaray, dono da Editora Três, empresa que
sabidamente passa por um difícil momento e que a qualquer momento pode mudar de
mãos.


O encontro de fato ocorreu, segundo fontes ouvidas por este J&Cia, mas o
que nele foi discutido é por enquanto um segredo bem guardado. Alzugaray, que
tem afirmado reiteradamente que não negociou e nem negociará com Tanure (seu
filho Carlo Alzugaray mais de uma vez falou a vários interlocutores que com
Tanure não haveria negociação nem nessa nem em qualquer outra encarnação), pode
ter mudado de idéia.


Se isso acontecer, não será a primeira vez na vida dele. Anos atrás, ele
chegou a vender a Editora para o Banco Patrimônio numa sexta-feira, mas
arrependeu-se no final de semana e cancelou o negócio. Ele próprio revelou esta
passagem em entrevista a este Jornalistas&Cia, para a série Protagonistas da
Imprensa Brasileira, publicada em janeiro de 2006. O diálogo foi o seguinte:


‘Protagonistas – Quando a Época foi lançada, ouvia-se muita gente dizendo que
a Globo vinha para acabar com a IstoÉ…


Domingo Alzugaray – A Globo tentou comprar a marca IstoÉ antes de lançar
Época. Passei seis meses negociando com eles sem nenhuma intenção de vender, só
para ganhar tempo. (risos) Num determinado momento, um diretor da Globopar
disse: ‘Ou você vende ou vamos passar por cima de você como um rolo compressor’.
Eu respondi: ‘Agora é que eu não vendo mesmo! Quero que você prove, em termos de
negócio, como é que se passa como um rolo compressor por cima da gente’. Quer
dizer, eles também achavam isso.


Protagonistas – Mas o senhor quase vendeu para a Camelot, não é?


Domingo Alzugaray – Falhou por um fim-de-semana. Quem estava comprando não
era a Camelot ainda, era o Banco Patrimônio, que depois montou a Camelot.
Fechamos na sexta-feira, fui passar o fim-de-semana na fazenda, fiquei pensando,
pensando, voltei na segunda e falei pra pessoa: ‘Desculpe qualquer coisa, mas
estou fora’. ‘Mas, como? O senhor deu a sua palavra!’ ‘Eu sou assim mesmo, meio
fraco de palavra.’ (risos)’


Especulou-se muito também que outro possível candidato à compra da Editora
Três seria o Banco Opportunity, de Daniel Dantas. Hoje, no entanto, de cada 10
funcionários da empresa, nove apostam que Tanure é o nome. Para decepção de
muitos (inclusive graduados funcionários da Editora), ninguém mais acredita que
a palavra de Alzugaray seja mantida. O consolo é que ela ainda não foi quebrada,
ao menos oficialmente. No final da tarde desta terça-feira (13/2), por exemplo,
ele transmitiu à Comissão de Funcionários a informação de que havia interrompido
as negociações. E deu uma meia boa notícia: a empresa, que está com os salários
atrasados desde o último dia 20 de janeiro, informou que pagará o vale ainda
esta semana, ficando apenas a complementação (salário do dia 5) para ser
acertada.


Em greve desde a última segunda-feira (12/3), os funcionários de revistas
como IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, crêem que o movimento pode ter assustado
parcialmente Tanure e que esta seria uma das razões de ter aparecido o dinheiro
para pagar parte dos atrasados. Com esse acerto parcial a greve poderia chegar
ao fim, facilitando o acerto com Tanure. Tudo especulação.


Caso dê Tanure na cabeça, o que é muito provável diante de tudo o que se sabe
e que se tem comentado, ele, em pouco mais de uma semana, terá incorporado ao
portfólio da sua CBM duas editoras de prestígio: Peixes e Três. Ressabiados com
essa perspectiva e tendo em vista a má fama de Tanure em alguns círculos
jornalísticos, os funcionários da Três aprovaram, durante assembléia realizada
na tarde desta terça-feira, uma moção de repúdio a ele e aos seus métodos de
fazer negócios, além de exigirem a liquidação dos passivos trabalhistas seja
quem for o comprador que venha a fechar negócio com Alzugaray.


Compraram, desse modo, caso se confirme a negociação, uma dura briga com o
futuro patrão. Querem salvaguardas para evitar que com eles aconteça o mesmo que
aconteceu com o pessoal do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil e até cogitam
a hipótese de criar uma associação semelhante à dos funcionários e credores da
Mercantil, para defender os interesses do grupo.


Tanure garantiu em várias oportunidades, inclusive a este J&Cia, que a
CBM tem pago com a regularidade possível, em função do fluxo de caixa, as
indenizações trabalhistas e que hoje o passivo do grupo nessa área é muito
pequeno, na comparação com o montante que encontrou quando assumiu as empresas.
Extra-oficialmente, J&Cia apurou que a CBM teria pago em 2006 cerca de R$ 50
milhões em indenizações trabalhistas, informação que profissionais que por lá
passaram, e ainda com dívidas não honradas, não acreditam ser verdadeira.


Também entrevistado pela série Protagonistas da Imprensa Brasileira, deste
Jornalistas&Cia, Tanure disse com todas as letras as razões que o fizeram
entrar no mundo da mídia. Ele se referia às aquisições de Jornal do Brasil e
Gazeta Mercantil, mas o que disse à época serve para a Editora Três, caso as
negociações se concretizem. A entrevista foi publicada também em janeiro de
2006, na seqüência da entrevista com Alzugaray e a íntegra pode ser conferida no
www.jornalistasecia.com.br . O trecho a que me refiro tem o seguinte
diálogo:


Protagonistas – O senhor administra, hoje, na mídia, três importantes
operações editoriais: Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil e revista Forbes. Todas
elas adquiridas em delicada situação de mercado. Nesse sentido, eu começaria a
entrevista com duas questões:


A. O que o levou a entrar nesse mercado?


B. Por que entrar nele, adquirindo empresas/veículos praticamente
insolventes?


Nélson Tanure – O que nos levou a entrar nesse mercado foi, basicamente, o
gosto pelo desafio. Nós sabíamos que eram empresas em gravíssimas situações
financeira e econômica, mas nós estudamos muito essas empresas antes de
entrarmos. Muito. Tínhamos plano de resgate da situação econômica da companhia;
tínhamos recursos financeiros importantes, que eram necessários para colocar
nessas empresas; tínhamos os homens para tocar os projetos. Outra coisa,
tínhamos a total percepção de que, para entrar no mercado de mídia,
precisaríamos de marcas muito fortes. E marca, para se criar, só se consegue com
muito dinheiro. Mas você precisa, no caso de marcas jornalísticas, algo que o
dinheiro não consegue comprar, que é o tempo. O Jornal do Brasil é um jornal com
115 anos de história. Isso recursos financeiros não compram. A Gazeta Mercantil
é um jornal com 80 anos. Estamos cansados de ver inúmeras aventuras no mundo de
mídia com marcas novas que rapidamente morrem. Então, concretamente, a razão que
nos levou a investir e a correr mais risco em empresas de situação difícil é que
as marcas eram importantes para o sucesso na atividade de mídia.


Vale ou não vale para a Três e para revistas como IstoÉ, Dinheiro, Gente?


(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado
e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na
comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o
livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra
o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação
e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo
Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil
Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de
Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’


PCC NA TV
Marcelo Tavela


Produtora que filmou festa do PCC é considerada integrante da organização,
16/02/07


‘As imagens de uma festa promovida pelo Primeiro Comando da Capital (PCC),
exibidas pelo ‘Primeiro Jornal’, da Band, na segunda-feira (12/02), podem levar
à produtora de vídeo as mesmas punições dadas à quadrinha em uma condenação. ‘A
partir do momento que a empresa é contratada para filmar um crime, ela passa a
integrar a organização criminosa’, explica José Reinaldo Guimarães Carneiro,
promotor do Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP).


A fita, encontrada pela polícia em uma operação, registra uma festa em 2005
no Morro do Samba, em Diadema (SP), com farta distribuição de cocaína e maconha,
apresentações musicais e fogos de artifício, tudo patrocinado pelo PCC. Os
criminosos contrataram uma produtora de vídeo, ainda não identificada pelas
autoridades, para gerar as imagens.


O MP-SP, junto à Polícia Militar, está trabalhando para identificar os
indivíduos que aparecem no vídeo, incluindo foragidos da justiça. A PM deve
entregar um relatório sobre a filmagem nos próximos dias. Segundo a assessoria
da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, cerca de 100 pessoas
registradas pela produtora já morreram, e as imagens não refletem mais a
realidade do Morro do Samba.


A reportagem da Band pode ser vista no site da emissora.’


DIA DO REPÓRTER
Tiago Cordeiro


Dia do repórter marca mudanças da profissão, 16/02/07


‘Na sexta-feira (16/02), véspera de carnaval, muitos jornalistas estão em
pescoções ou em plantões sem talvez saber que hoje é o dia do repórter. Ao ligar
para alguns colegas para produzir esta matéria, muitos responderam com um ‘Ah é.
É hoje mesmo!’. Coisa de quem não está acostumado de ser a pauta do dia.


Para Chico Otávio, jornalista de O Globo, o dom de um repórter se baseia em
várias qualidades. ‘Acho que primeiro o conhecimento que é você ter uma base
para poder resolver bem as suas pautas. Isso vem de sua formação, de seu
interesse pela leitura. Outro aspecto fundamental é a curiosidade, aquela
vontade de fazer a informação emergir’, descreve.


Para Otávio, os parâmetros éticos e a sensibilidade de definir o que é ou não
uma notícia também fazem parte da vocação. ‘Acho que é entender o que tem um
teor jornalístico, um grau de importância que os diferencia dos demais’,
completa.


Formação e reportagem


No século XXI, a profissão aparece com polêmicas como a exigência do diploma,
os desafios da internet e outros problemas. De acordo com o jornalista Audálio
Dantas, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), nesse tempo
o jornalismo e a forma de se produzir reportagens mudou. ‘Acho que certamente
melhorou a formação dos jornalistas de hoje, consequentemente a matéria e a
notícia costumam ser melhor formuladas. Os jornais possuem uma apresentação
muito melhor’, explica.


Contudo, apesar desse cenário, Dantas lamenta a falta de espaço para o
principal produto do trabalho de um repórter: a reportagem. ‘Inclusive pelo
problema da redução de custos hoje, fazemos um jornalismo imediato ou de
denúncias, que muitas vezes são equivocadas’, reclama. A questão também é
abordada na coluna de sexta-feira (16/02) de Carlos Chaparro.


Tecnologia


Para Nemércio Nogueira, ex-produtor e apresentador do ‘Repórter Esso’ da TV
Tupi, os novos tempos não são necessariamente piores ou melhores. ‘Para começo
de conversa, era tudo mais artesanal e com menos recursos. Hoje você tem uma
porção de recursos de tecnologia, como o videotape que na época não existia.
Hoje a produção fica muito mais rica’, revela.’


INTERNET
Bruno Rodrigues


Sobre conteúdo para mobile, 15/02/07


‘Todo bom roteirista de cinema sabe: se a idéia de um filme não pode ser
contada em poucas palavras, esqueça. Que o diga Melissa Mathison, responsável
pelo roteiro de ‘E.T.’.


Spielberg havia pedido a alguns escritores que desenvolvessem a história de
um alienígena perdido na Terra. Melissa foi a única capaz de resumir a história
em econômicas trinta palavras.


O que significa isso? Que o que vale é a informação relevante. É exatamente
essa a mensagem que a tecnologia mobile quer nos passar: o espaço é pequeno, o
tempo é curto, a informação é o que interessa.


Para os redatores web, a novidade chega com um impacto nada sutil. É hora,
então, de revermos tudo o que conhecemos sobre webwriting. Os princípios
continuam lá, prontos para serem seguidos à risca, mas o caldeirão da redação
online tomou uma mexida que só os bons sobreviverão.


Seguem, aqui, algumas dicas sobre este admirável conteúdo novo, onde reinam
iPods, handhelds e celulares:


1. O conteúdo é granular


Texto com mais de 10 linhas, fotos grandes, ilustrações com muito
detalhamento: guarde tudo isso para a web via computador. O papo aqui é muito
rápido, sem tempo para floreios. Neste ambiente, abuse de chamadas e
infográficos, detalhes pequenos de fotos ou ilustrações, ícones bem pensados. É
claro que você não precisa aprender a desenhar gráficos e tabelas, mas saber
como ‘inserir’ informações neste ambiente é fundamental.


2. O conteúdo está perto de você


Para a interface direta e objetiva do mobile, o conteúdo é local e ponto
final. O que vale é receber informações por onde passo. Que filmes estão levando
no shopping onde estou agora? Na ‘mobile life’, nem precisa perguntar – está na
tela do celular, do handheld e tudo o mais que puder andar com você.


3. O conteúdo é personalizado


Que tal ser avisado, ao passar em frente ao seu restaurante preferido, que
aquele prato delicioso, que você pede sempre, está sendo oferecido com desconto
no menu executivo? Se a tendência de customizar o conteúdo já era grande em
sites com cérebro, no ambiente mobile é regra. O internauta é um produto
fechado, com características próprias e restritas.


No futuro próximo, será que teremos ‘gerentes de conteúdo pessoais’ em cada
portal? Não é exagero.’


TELEVISÃO
Comunique-se


Record e SBT se declaram vice-líderes, 15/02/07


‘Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada nesta quinta (15/02) pela
Folha de S. Paulo aponta que a Record ultrapassou o SBT como o segundo canal
mais assistido da Grande São Paulo. Por sua vez, a emissora de Silvio Santos
divulga em seu site pesquisa realizada pelo Ibope/Telereport, que atesta sua
manutenção da vice-liderança com 17,4% contra 16,2% da Record. Seja lá qual for
a pesquisa mais apurada, a emissora de Edir Macedo não pára de crescer e pode
ultrapassar definitivamente o SBT em pouco tempo.


Já no segundo semestre de 2005 a Record havia emparelhado com o SBT em termos
de faturamento, mas não de audiência. Ao longo de 2006, a emissora de Macedo
ultrapassou o faturamento da concorrente e cresceu sobre sua audiência. A
pesquisa Datafolha aponta que entre 2005 e 2006 o SBT caiu de 16% para 8% como a
emissora mais vista dos paulistanos e a Record subiu de 6% para 10% no mesmo
período. Segundo o levantamento, a Cultura também alcançou 8%, mesmo patamar da
rede de Silvio Santos.


A alma do negócio


‘Há três anos a Record fez a opção por uma programação à imagem e semelhança
da Globo. Ele tem programas para crianças, algo para mulheres, filmes, esportes
e novelas, área que entrou firme. Quando o vendedor de anúncios da Record sai
para vender ele tem uma vantagem estratégica sobre o do SBT’, avalia Ismael
Pfeifer, professor de telejornalismo da Cásper Líbero e editor-chefe da Gazeta
Mercantil. Além disso, aponta o professor, a rede de Edir Macedo tem a
prevalência sobre o horário nobre, que vai das 18h às 23h30 e que corresponde
por 80% da verba publicitária.


Com mais verba que a concorrente, a emissora investiu em sua programação e
estrutura de forma consistente: ‘Apostamos em teledramaturgia, desde 2004 todas
as novelas tem um processo de continuidade, uma sai e entra outra no lugar quase
que imediatamente. Reformulamos o Jornal da Record, investimos em profissionais
e repórteres para o jornalismo. Construímos novos estúdios e adquirimos seriados
e filmes dos EUA’, relatou o gerente nacional de comunicação da emissora,
Ricardo Frota.


Antônio Brasil, colunista do Comunique-se, fundador da TV UERJ e professor da
instituição, aponta a tenacidade com que a emissora busca seus objetivos:
‘Diferente de Silvio Santos, a Record nunca esteve satisfeita em estar em
segundo lugar. A ousadia da emissora é assumir que vieram aqui para suplantar a
Globo, mesmo que isso leve muito tempo e investimento’, avaliou.


Chaves e Pantera Cor-de-Rosa


Apesar da inegável habilidade comercial e empresarial de Silvio Santos,
Pfeifer aponta a inconstância das decisões do líder do SBT como um dos
principais motivos para o crescimento da Record. ‘Ele faz programas de sucesso,
mas ao menor sinal de que não esta dando certo muda o horário, mata o programa.
Há 10 anos o SBT investiu em novela, Éramos Seis deu uma média de 15 pontos, As
Pupilas do Sr. Reitor caiu para nove. Silvio Santos fez mais algumas e desistiu,
começou a comprar as mexicanas. Naquela época ele estava sozinho em 2º lugar,
mas agora ele tem uma real competidora’, avaliou.


Outro ponto levantado pelo professor onde o SBT sai perdendo em relação à
Record é o uso abusivo de programas infantis ‘tapas-buraco’, como Chaves hoje e
Pantera Cor-de-Rosa no passado: ‘São tapas-buraco de sucesso, não resta duvida,
mas você tem apenas audiência e não receita’, disse. Pfeifer também alerta para
o fato de que boa parte dos programas de sucesso do SBT são pontuais na semana,
como filmes ou as atrações dominicais, e que a ausência de um programa que dê
audiência todos os dias, como uma novela ou um bom telejornal, é prejudicial à
emissora.


Emissora Universal?


As principais críticas à Record residem no fato de que Edir Macedo, seu
controlador, também tenha o mesmo cargo na Igreja Universal, onde é bispo.
Durante a madrugada, a programação da emissora é recheada de programas
evangélicos e o fluxo de dinheiro das igrejas para a rede é sempre considerado
um perigo para a objetividade jornalística da emissora.


‘A Igreja é um cliente e compra horário na faixa noturna, que gira entre 1h e
7h da manhã. O capital que entra hoje na Record vindo da Universal é apenas na
forma de compra de espaço na programação da madrugada, como acontece em muitas
outras emissoras, como a Bandeirantes. Na universal, Edir Macedo é o bispo
Macedo e aqui ele é o acionista Edir Macedo’, defendeu Ricardo Frota.


O professor Pfeifer aponta a cobertura da vinda do papa ao Brasil, que deve
ocorrer em maio ou abril, como um ótimo teste para a objetividade e
imparcialidade do jornalismo da emissora.


Metodologias diversas


O Ibope realiza suas pesquisas por meio de aparelhos colocados nos
televisores de pessoas que aceitem participar, escolhidos na mesma proporção de
diversidade da população geral. Assim, minuto a minuto, o instituto sabe a
proporção de televisores ligados nos diferentes canais. Já o Datafolha realiza
entrevistas nas ruas com cidadãos de diferentes camadas sociais, também
proporcionalmente, perguntando individualmente qual é o canal que a pessoa mais
assiste.


‘Televisão é coisa séria demais para que suas pesquisas sejam feitas por
institutos privados, tanto o Ibope quanto o Datafolha têm o interesse dos seus
clientes. Com todo respeito ético, existe uma grande tendência à distorção’,
avalia Brasil. ‘Ninguém duvida de uma estrutura como o IBGE, se existisse algo
semelhante para avaliar as emissoras teríamos dados muito mais precisos’,
concluiu ele.


Sem resposta


Há poucos meses o SBT extinguiu sua assessoria de imprensa, o que dificultou
todos os contatos entre mídia e a empresa. Ademais, nenhum diretor foi
encontrado para comentar a disputa com a Record.’


DIRETÓRIO ACADÊMICO
Carlos Chaparro


Jornalismo se faz com reportagem, 16/02/07


‘O XIS DA QUESTÃO – A grande reportagem pode até ter desaparecido das páginas
do jornal. A reportagem, não. Nela está o núcleo central da linguagem
jornalística, mesmo no jornalismo de hoje. Mas se o repórter não tiver a
capacidade de enxergar o mundo nos limites e nos fatos da aldeia por onde
transita, convém ao jornalismo que troque de ramo.


1. Alma da linguagem


Saudosismo é mal de que não padeço. Mas, do passado, uma coisa por vezes me
deixa nostálgico: os bons e velhos tempos de repórter, quase cinco décadas
atrás. Ah! Como ainda me faz bem lembrar aquele dia em que foi preciso
interromper os preparativos de retorno a casa, ao fim da jornada, para, de
repente, voltar à rua com a tarefa de descobrir o paradeiro de certa moça. Isso
em Portugal, no início da carreira, fazendo jornalismo vespertino sob censura
salazarista, num dos melhores diários de Lisboa.


O ponto de partida era o recorte do pequeno anúncio de ‘Pessoa Desaparecida’,
com a foto de uma bonita mulher e o apelo dos pais, gente simples do interior.
Na folha amarelada onde o pedaço de jornal estava colado, a frase desafiadora do
chefe de reportagem, em tom de ordem: ‘Vai encontrar esta rapariga, Chaparro!’ –
e na edição do dia seguinte já era preciso publicar a primeira peça de
reportagem, com os episódios iniciais da busca, porque a agilidade era, naqueles
tempos, o trunfo da imprensa vespertina. Foram seis ou sete dias de procura, com
outras tantas matérias, uma a cada dia, sobre temas como migração de jovens em
busca do futuro, exploração do trabalho doméstico, prostituição, doenças
venéreas – e nessa trilha cheguei ao ápice da reportagem, quando encontrei a
moça num hospital público de Lisboa, internada com sífilis.


Trabalhei pelo menos dez anos como repórter. Depois, as funções de chefia me
tiraram das ruas. Mas, desses dez anos (bem organizados no baú das
lembranças…), guardei ensinamentos que muito me serviram para aulas, na tarefa
de ajudar a formar repórteres, assumida aos cinqüenta anos.


É verdade que as conexões com a teoria, impostas pela cultura acadêmica,
deram ao meu entendimento de reportagem complicações que não existiam na cabeça
do antigo repórter. Mas deixemos as complicações de lado, para dar clareza e
precisão a uma idéia em que continuo a acreditar: tanto quanto antigamente, o
sucesso do jornalismo depende da boa reportagem, qualquer que seja o seu formato
e o seu tamanho.


A grande reportagem pode até ter desaparecido das páginas do jornal. A
reportagem, não! E nela está o núcleo central da linguagem jornalística, mesmo
no jornalismo de hoje.


2. Escrever, arte do pensar


No entendimento que tenho, boa reportagem é sempre o resultado da existência
e da relação solidária, bem articulada, de três pré-condições: um bom repórter,
um bom assunto, um bom motivo. A ausência de qualquer dessas condições resultará
no fracasso da reportagem.


Falemos primeiro do repórter, ou melhor, do bom repórter. Que só existe se
for movido pela energia de se sentir ligado ao mundo e à vida. Não pelo sonho ou
pela imaginação, mas pela conexão à realidade circundante – com tudo o que nela
existe e tudo o que nela falta.


Se o repórter não tiver a capacidade de enxergar o mundo nos limites e nos
fatos da aldeia por onde transita, é melhor que troque de ramo.


A relação do repórter com a realidade circundante terá de ser a de um
indagador insaciável, mas metódico. Indagador de olhares, para captar as
manifestações do quotidiano das pessoas, pois nelas estão os sinais aparentes da
complexidade dos grandes temas e dramas. E indagador de perguntas. Sem elas,
jamais irá além das aparências.


Sem a arte e o atrevimento de associar a pergunta ao olhar, não há bom
repórter. Porque lhe será impossível atribuir significados e dimensões ao que
vê.


Mas a arte da pergunta não é truque de mágica nem mero exercício de
esperteza. Pergunta não cai do céu nem nasce da invencionice. Pergunta nasce da
relação inteligente com o conteúdo a produzir e com suas razões. Faz parte de
uma estratégia de pensar, que define e organiza a fronteira entre o que se sabe
e o que é precisa saber.


Filosofia? Talvez. Mas nem tanto. Trata-se, apenas, de entender e pôr em
prática o papel da pauta. Que é aquele mesmo: reunir e organizar o que se sabe,
para definir o que falta saber – com caminhos e escolhas para chegar ao
conhecimento pretendido.


Essa é uma etapa fundamental do ‘bem escrever’. À qual já é indispensável a
luz-guia de pontos de vista claramente assumidos. Por mais competente que seja o
texto no aspecto lexical e sintático, não haverá boa narração sem um ponto de
vista lúcido. No ponto de vista está o fio da meada. Ou seja, o exercício do
pensar, nas artes de narrar.


Sem ponto de vista não há como escolher nem articular relevâncias. E sem
relevâncias bem articuladas simplesmente não há narração, na hora de parir o
discurso.


Se preferirem, a falta de relevâncias é a ausência do pensar.


O bom assunto não é o fato ou o conjunto dos fatos, no relato linear de ‘o
quê e como aconteceu’. Os fatos não têm importância se o repórter for incapaz de
os relacionar entre si, e descobrir ou elaborar nessa relação
sentidos/significados ideológicos, políticos, sociais, econômicos, culturais ou
algum outro que a criatividade crítica do jornalista possa captar ou atribuir.
Exige-se do bom repórter, portanto, a coragem e a lucidez intelectual de decidir
qual deve ser o enfoque preponderante. Ou seja: o a perspectiva geradora de
critérios para olhar, perguntar, entender, depurar e narrar.


3. Razões éticas


Lá atrás, no início do texto, escrevi: ‘A boa reportagem é sempre o resultado
da existência e da relação solidária, bem articulada, de três pré-condições: um
bom repórter, um bom assunto, um bom motivo.’


Do bom repórter e do bom assunto, já falamos. Quanto ao bom motivo, basta uma
frase: sem razões éticas, não haverá bom repórter, nem bom assunto, nem boa
reportagem.


(*) Carlos Chaparro é português naturalizado brasileiro e iniciou sua
carreira de jornalista em Lisboa. Chegou ao Brasil em 1961 e trabalhou como
repórter, editor e articulista em vários jornais e revistas de grande
circulação, entre eles Jornal do Commercio (Recife), Diário de Pernambuco,
Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Diário Popular e revistas Visão e Mundo
Econômico. Ganhou quatro prêmios Esso. Também trabalhou com comunicação
empresarial e institucional. Em 1982, formou-se em Jornalismo pela Escola de
Comunicação de Artes, da USP. Também pela universidade ele concluiu o mestrado
em 1987, o doutorado em 1993 e a livre-docência em 1997. Como professor
associado, aposentou-se em 1991. É autor de três livros: ‘Pragmática do
Jornalismo’ (São Paulo, Summus, 1994), ‘Sotaques d’aquém e d’além-mar –
Percursos e gêneros do jornalismo português e brasileiro’ (Santarém, Portugal,
Jortejo, 1998) e ‘Linguagem dos Conflitos’ (Coimbra, Minerva Coimbra, 2001). O
jornalista participou de dois outros livros sobre jornalismo, além de vários
artigos (alguns deles sobre divulgação científica pelo jornalismo), difundidos
em revistas científicas, brasileiras e internacionais.’


José Paulo Lanyi


Prudência é meio caminho andado, 13/02/07


‘‘Se ninguém, hoje, se atreve a negar o prejuízo que causa na vida de uma
pessoa uma notícia falsa veiculada no jornal, por outro lado, ninguém se atreve
a negar a importância da imprensa num regime democrático, única possibilidade de
os cidadãos terem acesso aos fatos, positivos e negativos, que lhes dizem
respeito porque, como digo sempre, o povo é quem paga todas as contas’.
Desembargador Laerte Nordi, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de
Justiça de São Paulo, conforme reportagem de Fernando Porfírio intitulada
‘Regime democrático- Jornal não precisa tirar nome de Marta da internet’,
publicada no Consultor Jurídico.


Com esse reciocínio o juiz justifica o seu voto pela manutenção de um título
‘negativo’ contra a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. ‘Negativo’,
destaca-se aqui, porque, como se diz no jargão dos analistas da mídia, é
daqueles enunciados que colam o seu visco no acusado, ainda que este possa ser
inocente. Eis o título do Estadão: ‘Auditoria acusa Marta de desvio’.


Esta coluna tem se dedicado, há algumas semanas, a demonstrar o que as boas
intenções jornalísticas são capazes de produzir, quando divorciadas do bom senso
e dos cuidados que se devem ter ao reportar as mazelas alheias- que podem ser de
interesse público, ainda que, não raro, sejam apenas de interesse do público.


Não é assunto pacífico. Por isso, aprecio a riqueza do debate que se tem
instalado neste campo de comentários, dado o preparo de todos aqueles que aqui
opinam, jornalistas que concordam na essência, ainda que divirjam no método.


A complexidade das questões aqui abordadas, intrínsecas ao exercício
cotidiano da nossa profissão, tem a virtude de reiterar o que se tem dito em
quase cinco anos de convivência com os leitores deste espaço: jornalismo sem
formação humanística é revólver na mão de macaco.


Jornalismo não é para qualquer um. Não pense, contudo, que o digo para
incensar a nossa tão propalada superioridade – aquela que só existe na fantasia
dos que precisam de motivação extra para suportar as agruras da nossa profissão.
Faço-o, isso sim, para demarcar uma exigência: sem formação contínua nas mais
variadas áreas do conhecimento, tanto mais difícil será o confronto com os
dilemas que, cedo ou tarde, nos colocarão em xeque e, em conseqüência, dado o
alcance das nossas decisões, determinarão o futuro dos nossos concidadãos.


Jornalismo, repito, não é para qualquer um, e não pense que falo de diplomas
e cartazes na parede, mas do conhecimento que ilumina a cachola e ajuda a
discernir. Isso é mais difícil conquistar.


Fosse esse um terreno meramente teórico, tudo ficaria mais fácil: vale tudo
na abstração. Mas não podemos construir uma casa só com os livros de engenharia.
Assim como não se pode fazer bom jornalismo sem conhecer os homens e a sociedade
em que se vive; e não se pode pensar em bom jornalismo se apenas se enfia nos
bancos acadêmicos, como um aventruz pretensioso. Jornalismo se faz e se pensa
com a experiência das ruas e das Redações.


Assim, alguém haverá de perguntar: como produzir uma boa reportagem sem ferir
os direitos previstos em lei? Como tratar dos casos de polícia sem se tornar
protagonista de algum deles? É correto infringir a lei em determinadas
situações? Devemos barganhar com a legalidade, desde que tenhamos no bolso o
espírito público para dar em troca?


Quem trabalha nas Redações sabe que tudo isso é mais do que um amontoado de
dúvidas de travesseiro. É rotina. Ora, este colunista seria hipócrita se não
reconhecesse ter integrado equipes que feriram a letra fria da lei, nestes
quinze anos de jornalismo, quase sempre em grandes empresas que ‘se bastam’ para
fazer o que bem entendem, ainda que os resultados possam ser desastrosos. Sem
dúvida, também cometeu seus ‘abusos institucionais’, ainda que com critérios que
buscassem reduzir as possibilidades de erro.


Como o passado tem o poder de iluminar o futuro, desde que sejamos honestos
no presente, devemos nos socorrer na nossa própria realidade. E a realidade não
precisa se repetir, tão-somente por teimosia ou arrogância. Daí a premência de
um debate que nos empurre para a consciência.


Tenho para mim que a consciência pode sobrepujar as leis, em dadas situações
– que o dissessem Martin Luther King, Gandhi, Thoreau e muitos outros. Isso não
quer dizer que estejamos acima das leis, como supõem alguns dos nossos colegas,
mas que devemos enriquecê-las pelas denúncias e pelas discussões inerentes à
nossa cidadania. Admite-se o rompimento das cláusulas do nosso contrato social,
desde que se proponha, concomitantemente, o seu aperfeiçoamento.


No Brasil, pode-se tomar como exemplo a necessidade de uma luta urgente
contra a ineficácia de certas leis e contra a lentidão e os abusos cometidos
pela Justiça. Com leis melhores e uma Justiça rápida e eficaz, teremos mais
confiança e não esperaremos tanto pela decisão definitiva, pela sentença
transitada em julgado. Poderemos aguardar o resultado do processo, ou seja, do
método judicial no decorrer de um tempo que não nos parecerá absurdo; não
incitará, pela sensação da impunidade, o cometimento de novos crimes pelos
cidadãos indiferentes às conseqüências dos seus atos. Isso é muito melhor do que
nos arvorarmos de juízes, policiais, advogados e promotores públicos. É melhor
do que nos tornarmos reféns ou joguetes nas mãos de uns e de outros. Outro dia
um juiz me disse, com razão: – Vocês jornalistas são usados e muitas vezes não
se dão conta disso.


Respondi que somos usados mas também usamos, e essa não é, propriamente, uma
relação saudável, mas promíscua.


Eis o pântano em que trabalhamos todos os dias. Nossas decisões nem sempre
serão as melhores em um determinado momento, quase sempre rápido e sofrido. Mas
têm de ser o mais consciente possível. A prudência deve ser o fiel da balança.
Por essa razão, este colunista evitaria redigir o título que pesa diretamente
sobre a honra da ex-prefeita. Poderia optar por algo como ‘Auditoria aponta
irregularidades em licitações’. Ou ‘Auditoria encontra ‘desvio’ em programa de
Marta’. Há que se ressaltar que a auditoria foi feita por técnicos da gestão
municipal posterior, que é comandada por adversários políticos da
administradora, o que reforça a necessidade de manter os dois pés e as duas mãos
atrás, como o faria um quadrúpede cauteloso, ao sentir o cheiro do seu predador.


Assim mesmo, o desembargador mencionado decidiu manter a exibição do título
da reportagem, invocando o nosso ‘regime democrático’. Este colunista discorda:
o jornal acertou na pauta, mas errou na dose, errou no título.


Situações como essa são comuns no dia-a-dia de um jornalista. Muitas vezes
ele terá que andar na corda bamba, entre a lei e a consciência do interesse
público, fatores que nem sempre convergem. A deliberação terá que ser rápida e
certeira. Aconselha-se a prudência. Com ela, se garante metade do percurso. A
metade seguinte dependerá do conhecimento, da análise rigorosa de todas as
informações e da previsão das conseqüências da veiculação sobre os ombros de
todos os envolvidos: denunciado, denunciante, jornalista e veículo.


Jornalismo não é para qualquer um. Porque pensar com responsabilidade,
infelizmente, não é para qualquer um.


Leia também: Marta Suplicy ganha processo contra Editora Abril e perde contra
O Estado de S. Paulo


(*) Jornalista, escritor, crítico, dramaturgo, escreveu quatro livros, um
deles com o texto teatral ‘Quando Dorme o Vilarejo’ (Prêmio Vladimir Herzog). No
jornalismo, tem exercido várias funções ao longo dos anos, na allTV, TV Globo,
TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT, CBN, Radiobrás e Revista Imprensa, entre
outros. Tem no currículo vários prêmios em equipe, entre eles Esso e Ibest, e é
membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).’


JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu


Racismo carnavalesco, 15/02/07


‘Em longínquas eras


eu acendia fogueiras


para esquentar teu corpo


(Do novo livro de Talis Andrade, Os Herdeiros da Rosa.)


Racismo carnavalesco


O jornalista Mário Magalhães escreveu artigo que irritou profundamente alguns
leitores/foliões da Folha de S. Paulo e desta coluna, artigo considerado o mais
obscurantista dos últimos carnavais, por condenar um sucesso de todos os salões
de baile a partir de 1932, a marchinha O Teu Cabelo Não Nega, com o controverso
arrazoado de que se trata de apologia do racismo. Compôs o profissional:


‘(…) Argumentam que era a cultura da época, sem conotação discriminatória.
O racismo, contudo, é inegável. E, fosse para eternizar cabeças do passado,
talvez valesse reintroduzir a escravidão e a chibata.(…)’


Todavia, não é com tal e intolerante sotaque que cantam a marchinha cidadãos
como Hélio Almeida Barros e Altemir Bragança Mendes, de São Paulo; Clóvis
Albergaria, do Rio; Jaime Rodrigues Lessa, de Porto Alegre, mais Helena Mendonça
Chaves, de Salvador, que encima um abaixo-assinado de 32 indignados leitores
desta coluna. O único a discordar de todos foi o sempre surpreendente
Janistraquis:


‘Considerado, é preciso deixar pra lá o conteúdo polêmico e apreciar as
qualidades do autor; quão luminosa é a inteligência de Mário Magalhães! Que
cultura deverasmente es-pe-ta-cu-lar! É um Mestre do pensamento moderno!’,
perorou, a tremelicar uns olhos de Clóvis Bornay fantasiado de Catedral
Submersa.


(Leia no Blogstraquis a íntegra do texto imortal.)


Cinto de segurança


O considerado José Truda Júnior despacha do Largo dos Guimarães, em Santa
Tereza, donde se avista um Rio que não existe mais:


O Globo Online descobriu o sexto cúmplice na ação criminosa que martirizou o
menino João Hélio:


‘Rio – Os acusados da morte do menino João Hélio, de seis anos, que ficou
preso do lado de fora de um carro roubado pelo cinto de segurança e foi
arrastado por sete quilômetros trocaram acusações durante a acareação feita
nesta terça feira (…).’


Jornalismo investigativo é isso, né não?


Cassio Politi


Janistraquis e o colunista cumprimentam o considerado Cassio Politi, nosso
ombudsman, pelas broncas sempre procedentes (e divertidas) às matérias deste
Comunique-se. Politi também deveria estender seu olhar inquisitivo aos textos de
todos os colunistas, porque assim estaríamos devidamente ensanduichados: os
leitores de um lado e o ombudsman do outro.


Sabiá da Crônica


Esclarecedor Erramos da Folha de S. Paulo:


ILUSTRADA (14. FEV, PÁG. E3) Em parte dos exemplares de hoje, diferentemente
do informado na nota ‘Rubem Braga debate livro em São Paulo’, o nome do escritor
e colunista da Folha que participará às 18h30 de bate-papo na Livraria da Vila é
Rubem Alves. O também escritor Rubem Braga morreu em 19/12/1990.


Janistraquis lamentou:


‘Que pena, considerado, que pena… eu já estava preparado psicologicamente
para reencontrar o Sabiá da Crônica e pedir a ele uma dedicatória no excelente e
raro livro Com a FEB na Itália, presente que recebi do Sylvio Pereira Lima.’


Alexandre Garcia


A coluna cumprimenta a direção da Rádio Eldorado, de São Paulo, pela
contratação do comentarista Alexandre Garcia. Quem sintoniza os 700 quilohertz
vai se informar e se divertir com a verve de um dos melhores jornalistas
políticos do Brasil.


Pura verdade


‘(…) A sociedade é que é violenta e a violência é parte intrínseca da
dramaturgia. O público de Shakespeare podia ver violência e o nosso não pode ver
mais? Esse negócio de má influência é vago, acho que a burrice faz mais mal do
que a violência.’


(Marcílio Moraes, autor da novela Vidas Opostas, da Record, em entrevista a
Laura Mattos, da Folha de S. Paulo. Leia a íntegra no Blogstraquis.)


A rosa de Talis


Leia no Blogstraquis a íntegra de Da Acidental Presença, poema cujo excerto
encima esta coluna. Os Herdeiros da Rosa é o mais novo livro de Talis Andrade,
considerado e generoso vate pernambucano.


Para trás


O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, cujo
varandão debruça-se sobre a ignorância e a burrice oficiais, pois Roldão leu os
matutinos e vespertinos, escutou emissoras de rádio, extasiou-se com os
telejornais e desabafou:


Diariamente a imprensa menciona e discute a chamada ‘progressão da pena’, ou
seja, a redução da pena em função de diversos fatores atenuantes. Ora, no meu
fraco entender, progressão é aumento e não redução. Será que estou errado? Ou no
Brasil o progresso é para trás?


Janistraquis garante, ó Mestre Roldão, que já está provado e comprovado:
neste paraíso tropical, anda-se, preferencialmente, para trás. Ou no máximo de
lado, como caranguejo.


Barbaridades


O considerado Hermes de Paula Freitas, de Brasília, envia esta que saiu no
UOL Últimas Notícias:


Lula diz que penalizar menores não resolve ‘barbaridades’


SALVADOR (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta
sexta-feira que a redução da maioridade penal não vai impedir que ocorram crimes
como a morte do menino João Hélio Fernandes Vieites.


Hermes ponderou:


‘O presidente, que é analfabeto de pai e mãe, e inúmeras outras
personalidades de poucas luzes, costumam repetir essa bobagem. É claro que
penalizar menores não evitará ‘barbaridades’. O que se deseja, o que a sociedade
exige, é que os assassinos sejam retirados de circulação; que sejam condenados e
presos pra valer; presos por décadas, por toda a imunda vida, de
preferência.


Não importa a idade; matou, cadeia e pronto. Essa história tipicamente
brasileira segundo a qual prisão serve para ‘recuperar’ bandidos é conversa
fiada. Que ‘recuperação’ podem ter os assassinos do menino João Hélio?!?!?!


Janistraquis e o colunista concordam com você, Hermes; adolescentes precisam
ser tratados com a devida severidade. E quem quiser saber como são inocentes
esses ‘santinhos’, leia A Boca do Inferno, indispensável livro de contos de Otto
Lara Resende.


Gosto pra tudo


Deu na Folha Online:


CBF nega veto de Teixeira a roupas ‘extravagantes’ de Dunga


A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) publicou nesta sexta-feira uma
nota oficial em seu site em que nega que o presidente Ricardo Teixeira tenha
vetado roupas ‘extravagantes’ do técnico Dunga. A camisa que o treinador
brasileiro usou na derrota para Portugal por 2 a 0, na terça-feira, em Londres,
virou motivo de piada em diversos jornais do mundo, incluindo Argentina, Itália,
Portugal, Espanha e Inglaterra.


Janistraquis, que já acompanhou outros acontecimentos bizarros deste país,
acredita que Teixeira tenha vetado, sim, os modelitos de Dunga e lembra que
Oswaldo Brandão perdeu o cargo de técnico da Seleção Brasileira porque pediu
arroz, macarrão e dois ovos num restaurante do Rio. Os cartolas concluíram que
uma pessoa com tal e extravagante propensão não poderia treinar uma equipe de
tanta excelência.


O diabo é que o colunista resolveu experimentar a mistura, incluiu umas
colheradas de maionese e feijão preto e… gostou!


Javali alguma coisa


Espetacular notícia do Consultor Jurídico:


Apelido ofensivo


Empregado apelidado de ‘javali’ deve ser indenizado


‘Javali: aquele que já valeu alguma coisa para a empresa’. Por conta desse
apelido jocoso, atribuído a um ex-funcionário, a empresa Ferroban – Ferrovias
Bandeirantes foi condenada a pagar indenização no valor de R$ 84 mil por danos
morais ao ofendido. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas) foi mantida pela 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.


Janistraquis ficou impressionadíssimo:


‘Considerado, se o apelido de Javali rendeu R$ 84 mil de indenização, quanto
receberia um empregado baixinho, insistentemente chamado de meia-foda?!?!?!’


Nota dez


Mestre Sérgio Augusto, o melhor jornalista de cultura, faz sucesso com seu
novo livro, As Penas do Ofício, que reúne ensaios publicados na revista Bravo!.
É leitura indispensável para quem vive de escrever e a coluna convida o
considerado leitor a conferir tal assertiva no texto intitulado Palavras, words,
mots, paroles, que o Blogstraquis tem a honra de transcrever.


Errei, sim!


‘DENTES INÚTEIS – Apreensivo, depois de algumas malsucedidas operações na
Bolsa, Janistraquis se chegou abraçado a nova dificuldade. ‘Considerado, quanto
será que o dr. Romeu cobrará para me extrair os dentes?’, perguntou. ‘Que
dentes?’. Ele respondeu: ‘Todos!’, E explicou, exibindo-me recorte do caderno de
Economia do Estadão: ‘É que banguela tá na moda, considerado’. Perplexo, li o
título da matéria: Tião deixou os dentes e entrou na moda.


Era, na verdade, a história de um ex-protético, hoje dono de fábrica de
roupas em Goiânia. Janistraquis suspirou, aliviado das ameaças do boticão.’
(setembro de 1989).


Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067
– CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).


(*) Paraibano, 64 anos de idade e 44 de profissão, é jornalista, escritor e
torcedor do Vasco. Trabalhou no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil,
Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe
do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu
oito livros, dos quais três romances.’


COMUNIQUE-SE
Cassio Politi


Lambança do C-se vira manchete no próprio Portal, 12/02/07


‘O erro assumido da reportagem é um marco na história do Comunique-se. Um
marco negativo por ser um erro, e por ser assumido de uma forma incrivelmente
patética. A matéria ‘Veículos trocam acusações e ofensas em Rondônia’ assume que
o Comunique-se cometeu erros de apuração e que, ‘ao perceber, retirou
rapidamente a matéria do ar’. Fazer esse mea-culpa permite a comparação com um
criminoso que pede absolvição porque se diz arrependido.


Eis o que aconteceu: funcionários do site ‘O Observador’, de Porto Velho,
acusaram três pessoas de invadir e depredar a redação. Eles apontaram membros de
um site rival como autores do quebra-quebra.


O Comunique-se acreditou na primeira versão que ouviu e publicou a
reportagem. Tal qual aquele criminoso, ficou arrependido e voltou atrás. Aí,
então, procurou fazer o óbvio: ouvir os dois lados. Mas já era tarde.


Desculpas


Tempos atrás, um editor contou ter uma resposta pronta para os repórteres que
voltam da rua sem ter cumprido a pauta. ‘Numa redação, não há espaço para
desculpas’. Que diria ele se visse um repórter explicar uma lambança diretamente
aos leitores?


Alguns leitores ficaram perplexos. ‘Acho um absurdo o Comunique-se andar
informando em seu site matérias desse porte sem checar as fontes. Não houve
ninguém que checasse se foi registrada queixa em delegacia? Cadê o
profissionalismo?’.


A redação, me parece, pretendeu ocultar os detalhes do crime. Mas não
conseguiu. Uma leitora atenta tratou de esclarecer o título da matéria retirada
do ar: ‘O C-se havia publicado na segunda-feira (05) no turno vespertino uma
reportagem intitulada ‘Repórter depreda redação de concorrente em RO’.


Lide torto


A matéria, desastrosa por natureza, começou com uma pérola: ‘Por volta do fim
da tarde’. Por que não usar ‘aproximadamente algum tempo antes de mais ou menos
anoitecer’?


Sem credenciais


Uma reportagem de quinta-feira (08/02) coloca o Brasil na lista dos piores
países da América Latina para jornalistas. Acontece que os dados vêm da ONG
Cadal, que, como sugerem os comentários postados, ninguém conhece.


‘Sei lá quem são esses caras da ONG, mas não me parece que eles conhecem a
realidade brasileira’, observa um leitor. A matéria do Comunique-se é válida,
mas faltou fazer ressalva semelhante.


Portugal


A reportagem ‘Portugal julga jornalistas por quebra de sigilo’ não traz uma
informação importante: a cidade portuguesa em que se localiza a Casa Pia. E, ao
apresentar o jornalista Carlos Chaparro, deixa de informar que ele é colunista
do próprio Comunique-se.


Hein?


Uma manchete de quarta-feira (07/02) era enigmática. ‘RB e C-se lançam curso
de Radiojornalismo’. Um leitor expressou bem a dúvida geral: ‘Hein, cara
pálida?!?!’. O problema, nesse caso, é o curto espaço reservado para a manchete.
Depois que a matéria saiu da home page, houve a correção para ‘Rádio
Bandeirantes e Comunique-se’.


A redação deve solicitar, em caráter de urgência, uma mudança aos designers
do Comunique-se. O layout da home precisa comportar manchetes maiores, talvez
com duas linhas.


Nada em pauta


A matéria ‘Após aquisição pela CBM, ainda não há mudanças na editora Peixes’,
como o título indica, caracteriza a antinotícia.


Até logo


Um dos leitores mais atuantes anunciou que irá se ausentar por uns tempos.
Famoso na área de comentários, Seu Pedro fará falta.


Cassio Politi é jornalista. Trabalha com Internet desde 1997. Esteve em
projetos pioneiros em jornalismo na Web, como sites da Zip.Net, e no site UOL
News, do Portal UOL. Ministra cursos de extensão sobre Jornalismo On-Line e
Videorreportagem desde 2001. Deu aulas em 25 estados brasileiros para mais de 2
mil jornalistas. Em janeiro de 2007, tornou-se o primeiro ombudsman do
Comunique-se, empresa na qual também ocupa o cargo de diretor de Cursos e
Seminários.’


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