Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 15 E 16/12

Comunique-se

18/12/2007 na edição 464

WEBJORNALISMO
Bruno Rodrigues

Procura-se redator online, 14/12

‘Já ajudei muita gente. Mesmo. O juramento que fiz ao adentrar a área de mídia digital foi a de que eu iria ajudar ao máximo quem pudesse, de recém-formados aos que precisassem se recolocar no mercado. Nunca cheguei a ser uma filial da Madre Teresa de Calcutá, mas – ah, sim! – como tem me dado prazer, desde então, dar uma forcinha a quem precisa.

Você sabe que isso não é comum. Quem dera fosse. Eu teria dezenas de exemplos para dar se fosse contar histórias sobre profissionais que conheço, competentíssimos, boníssimos e simpaticíssimos, que escorregam na casca de banana quando é hora de ´dar as mãos´. Não movem um dedo para enviar um e-mail sequer a algum contato que poderia ajudar um amigo – quanto mais um conhecido. São ´pau pra toda obra` quando são eles que precisam se recolocar no mercado, mas são de uma frieza e exigência terríveis quando alguém pede que se exponham – ohhhhh! – para ajudá-lo. É ruim, hein, colocar a própria imagem em perigo? E, por favor, eles têm mais o que fazer…

Eu também sempre tive muito o que fazer. Às vezes em excesso. Mas, como dizia um amigo mais atarefado que qualquer um que esteja lendo esta coluna – sem exagero -, ´quem quer, arruma tempo para tudo´. E ele arruma. Para ajudar os outros, então, uma vez ele chegou a marcar um jantar com um diretor de uma multinacional, chato de doer, apenas para ajudar o sobrinho de um amigo a arranjar emprego. Não sei se o rapaz conseguiu algo, mas não importa. O que deve ser levado em consideração é a admirável boa-vontade.

Um dia eu chego lá, mas, enquanto isso, uso meus vinte anos de Comunicação, doze de internet inclusos, para mostrar o caminho das pedras a quem precisa, evitando que amigos e conhecidos tropecem aqui e ali.

Entre os perigos, há os perfis de profissionais que algumas empresas solicitam e que são quase ultrajantes. Ao jovem redator online, principalmente, pedem que saiba de tudo um pouco. Além do básico, que é escrever bem, exigem experiência com softwares de gestão de conteúdo (leiam-se, aqui, publicadores), ´noções profundas` de html, de ferramentas de arquitetura da informação, de photoshop, de editores de áudio e vídeo e por aí vai. Só falta pedirem experiência com máquinas de café expresso e massoterapia.

Eu, que conheço o mercado de mídia digital do avesso, sei que um perfil assim é senha para ´vais trabalhar muito e ganhar pouco´. Como todos sabem que os novatos se esgoelam para conseguir uma vaga qualquer, vale tudo. E os pobres que nem sonhem em ´subir na empresa` que, de tão limitada (em todos os sentidos), só tem a oferecer é o elevador. E, vale observar, aprender a lidar com ferramentas como as necessárias para produção de conteúdo, até um dálmata bem treinado consegue em uma semana. Quem irá usá-las é que faz a diferença.

Sim, claro, nem todas as empresas são assim! Fosse essa a realidade, minha missão de ajudar os outros não teria saído da intenção. Deus é bom, e tem muita gente decente que cria e/ou administra empresas cuidando bem dos novatos, e até dos mais experientes. Não prometem mundos e fundos, até porque ainda não os têm, mas também não pedem loucuras na hora de contratar. Contam com os que já estão na empresa para ´treinar` os recém-chegados, mas têm como meta investir em treinamento. Podem até pagar pouco, mas a troca é justa. Curiosamente, são essas que crescem e aparecem. Seria algo como ´dá e recebereis` – uma adaptação da velha máxima.

Talvez seja a proximidade do Natal, mas foi bom eu notar que ajudei tanta gente ao longo do ano, a mais recente esta semana. Ser o Papai Noel dos outros não é nada mal. Experimente: ´adote` um profissional, novo em folha ou já tarimbado, e abra espaço na sua agenda para ajudá-lo. Nem

precisa se levantar da cadeira; por e-mail, quase tudo se resolve.

Lembre-se: amanhã pode ser seu irmão, sua namorada, seu filho, seu melhor amigo – ou até mesmo você.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ´Webwriting – Pensando o texto para mídia digital´, e de sua continuação, ´Webwriting – Redação e Informação para a web´. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ´Webwriting` do ´Dicionário de Comunicação´, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

FUTURO DO JORNAL
Milton Coelho da Graça

A mágica do jornal é o papel ou o lucro?, 14/12

‘James Leung, jornalista chinês, escreveu um belo artigo, afirmando a certeza de que o jornal impresso jamais será substituído pelo jornal online. E defende a razão principal: ´Porque existe mágica em papel e tinta.`

João Ribeiro, meu companheiro na Última Hora, incluía até o prazer gastronômico nessa mágica e, todas as noites, nos velhos tempos pré-computador, saboreava quase umas cem laudas enquanto ia criando títulos e editando o jornal.

Para Leung, nada pode substituir o prazer de abrir um jornal, durante o café da manhã (ou no banheiro talvez), e ler um de seus colunistas preferidos – Diogo Mainardi, Ricardo Noblat, Reinaldo Gonçalves, Juca Kfouri? – sacaneando alguém ou alguma instituição que você também gostaria de sacanear.

Um bom gole de café e você vai rápido para a coluna da Mônica Bergamo ou a do Joaquim, para saber se é verdade que a boazuda da novela das 9 está apaixonadíssima por aquele ricaço com jeito de babaca, embora tenha sido vista na semana passada com o Ronaldinho Gaúcho numa farra em Barcelona.

Mas tem de ser rápido porque você não pode deixar de ler seu analista financeiro favorito, para ser se está bem protegido o dinheirinho guardado para a sonhada viagem, o casamento, o novo carro. Olha para o relógio, o tempo é curto para chegar no escritório. Sem problema: dobra o jornal, enfia na maleta ou no bolso, corre para o ônibus ou metrô e voa para o escritório, onde sempre achará um tempinho para continuar a leitura, nem que seja no banheiro (só os ultradisciplinados têm hora certa para tudo).

Qualquer cidadão, argumenta Leung, pode obter notícias por TV, rádio, internet e até celular. Sempre são apenas fatos, nus, no caso da TV às vezes ilustrados com imagens e gráficos. Mas sem detalhes, conteúdo, ou seja, o que realmente interessa. Adianta realmente saber quase instantaneamente que um terremoto abalou as Filipinas, matou 123 pessoas e ponto final? Ou que acabou a conferência da Comunidade Européia há poucos minutos e foi anunciado um grande pacote de ajuda aos países pobres? Ou que o Milan derrotou o Estrela Vermelha, de Zagreb, por 2 a 0 e passou para o segundo lugar na chave B do campeonato europeu?

Ou em cada um desses casos (ou mesmo todos) cada um de nós quer saber um pouco mais – há perigo de novos tremores, que países vão ser ajudados, Dida jogou bem, o Dunga deveria convocá-lo? E, principalmente, saber tudo isso em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer nível de conforto.

Rupert Murdoch assumiu finalmente nesta quinta-feira o controle do Wall Street Journal e promete permitir a leitura gratuita do jornal na internet, convencido de que isso aumentará exponencialmente a receita publicitária e os lucros. Ele confia que milhões lerão cada vez mais o WSJ online em todo o mundo, isso atrairá zilhões de anúncios e os acionistas ficarão superfelizes. Mesmo que isso reduza progressivamente o número de leitores da versão impressa.

E a mágica do papel e da tinta? Sobreviverá? Só no café da manhã, no metrô e no banheiro?

Leung está confiante, eu nem tanto.

(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

ESPORTES
Marcelo Russio

Para contar para os netos, 12/12

‘Olá, amigos. Estive em Cabo Frio na última terça-feira para cobrir os treinos da equipe brasileira que competirá no Rali Dakar 2008. Além das tradicionais entrevistas e coletivas, os pilotos deram aos jornalistas a chance de sentir como é estar dentro de um caminhão ou de um carro de rali. Eles levaram alguns repórteres para um test drive pelas dunas, com direito à famosa pergunta: ´Com ou sem emoção?´

Devo confessar que nunca fui fã de esportes radicais. Passo longe de montanhas-russas e brinquedos com quedas e velocidade extrema. Sou um tradicional apreciador de carrosséis e rodas-gigantes. Adrenalina e aventura nunca foram a minha praia. Mas, diante do convite de ter uma experiência única em um veículo como este, e sendo dirigido por um dos melhores pilotos do mundo, como André Azevedo, decidi arriscar.

De cara, a sensação é de tensão, pois os pilotos fazem questão de mostrar que o limite é muito mais longe do que nós imaginamos. Descer uma duna de 15 metros a mais de 100km por hora com um caminhão, convenhamos, não é a minha idéia de segurança. Descer de ré, muito menos, E percorrer uma duna de lado, vendo o piloto segurar o volante com uma das mãos, rindo e reparando na minha cara de medo, muito menos ainda.

O que mais me chamou a atenção, na equipe brasileira, além, claro, da habilidade, foi a simpatia e a total prestabilidade em dar entrevistas, gravar diversas passagens, explicar detalhes e curiosidades sobre carros e edições anteriores do Dakar. Isso, sem dúvida, foi extremamente gratificante, pois todos puderam fazer as matérias que queriam, com total liberdade, inclusive entrevistando pilotos durante o conserto dos carros, ou da manutenção.

A iniciativa dá a chance a milhares de pessoas conhecerem melhor o que está por trás da preparação dos pilotos para o Dakar, e também aproxima o evento dos brasileiros, que nunca tiveram a chance de ver tão de perto, e ouviram relatos contados por quem, como eles, nunca entrou em um veículo como esses.

Sem dúvida alguma, ficou na memória uma experiência fantástica, e uma imagem muito positiva dos pilotos que arriscam suas vidas em uma competição no deserto do Saara.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Chuva de besteiras, 13/12

‘Eu, durante o teu corpo, aprendo luzes

que apenas os cegos desenvolvem.

É impossível sair do Louvre impune

(Astier Basílio, jornalista e poeta paraibano.)

Chuva de besteiras

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Minas Gerais, despacha da sede em Belo Horizonte, ameaçada nos últimos dias por uma nuvem que não chove nem sai de cima:

Como há dias a Nestlé fez circular um envelope com o logotipo da empresa, com destaque para o slogan ´Good life. Good food´, hoje a Itambé, uma das maiores cooperativas de leite do país, publica anúncio com este título: ´Itambé, food service´. Imagino que seja necessário, diante de tantos outros exemplos, a criação de um MINISTÉRIO PARA AS MUDANÇAS NA LÍNGUA E AFINS.

Os ´outros exemplos` a que Camilo se refere são, na verdade, apenas um, porém este vale por uma pocilga inteira. Está no Diário Oficial da União:

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

DECRETOS DE 19 DE OUTUBRO DE 2007

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição

que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea ´a´, da Constituição,

e tendo em vista o disposto no art. 39, § 3º, da Lei 11.440, de 29

de dezembro de 2006, resolve

D E S I G N A R

SÉRGIO BARBOSA SERRA, Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata

do Quadro Permanente do Ministério das Relações Exteriores, para exercer

a função de Embaixador Extraordinário para Mudança do Clima .

Brasília, 19 de outubro de 2007; 186º da Independência e 119º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Samuel Pinheiro Guimarães Neto

Janistraquis comentou, razoavelmente conformado:

´Considerado, daqui a pouco vai chover bosta e não poderemos reclamar…´

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Astier Basílio

Leia no Blogstraquis a íntegra de Os Emblemas do Dragão, cujo excerto é a epígrafe desta coluna. O jovem Astier, também repentista de escol, mostra em cada verso que carrega paixões nas pontas dos dedos.

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Salve o Corinthians

Impiedoso anônimo enviou a frase que circula na internet:

´NO TEMPO EM QUE O CORINTHIANS JOGAVA NA PRIMEIRA DIVISÃO, A TELEVISÃO AINDA ERA ANALÓGICA .`

O mesmo verdugo do chamado ´Real Madrid da Zona Leste´, que deve ser torcedor do Palmeiras, despacha também um esclarecedor diálogo entre pai e filho, o qual contém coisas assim:

FILHO: Calma, pai; o senhor está bravo só porque o Corinthians não é nada disso que o senhor pensava?

PAI: Pára com isso, filho! Nós já fomos campeões mundiais!!!

FILHO: Sério, pai!? Quando?

PAI: Em 2000.

FILHO: Que legal, então nós também ganhamos a Libertadores em 99?

PAI: Não, na verdade quem ganhou a Libertadores em 99 foi o Palmeiras. Você não sabe que nós NUNCA ganhamos uma Libertadores em mais de 90 anos de história!?

E vai por aí afora. Confira a íntegra no apartidário Blogstraquis.

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Coisa grande

O técnico Geninho na apresentação ao novo clube:

´O Atlético Mineiro chega ao centenário em 2008 e almeja coisa grande.´

´Coisa grande e grossa´, chutou forte Janistraquis, que viveu em Minas e preferia o Cruzeiro de Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Hílton Oliveira.

O técnico era Aírton Moreira, irmão de mais dois treinadores históricos: Zezé, que comandou a Seleção Brasileira na Copa de 54, e Aimoré, que ocupou o mesmo cargo em 1962.

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Caso de chifre

O considerado Álvaro Nunes Larangeira, gaúcho, jornalista e professor de jornalismo, envia a primeira página do Correio do Sul, de Santa Catarina, com esta dolorosíssima manchete:

HOMEM É CHIFRADO E NÃO PODE TRABALHAR.

Na foto em três colunas aparece o prejudicado Sebastião, com boné da Duracell a proteger a cabeça e dois filhos nos braços; ao lado, a mulher segura um bebê. Janistraquis encheu os olhos d´água:

´Considerado, o pobre do Tião deve ter levado mesmo tremenda chifrada, pois longe de mim duvidar do Correio do Sul, mas o que intriga é esse negócio de não poder trabalhar. É a primeira vez que ouço falar em semelhante desgraça.´

Foi então que, ao examinar com lupa a legenda da foto, enevoada porque esse sistema jpg não é lá essas coisas, foi possível ler:

´Após o incidente com um boi Sebastião não pode mais trabalhar e a família passa necessidades.´

Janistraquis compreendeu tudo, mas implicou com a frase:

´Por que ´incidente´? Dá a impressão de que o trabalhador andou a discutir com o bicho e, aqui pra nós, quem bate boca com boi é Renan Calheiros!`

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Tragédia & esporte

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de cujo varandão debruçado para a falta de pudor é possível ver a CPMF debatendo-se no Lago Paranoá, pois desta vez Roldão discordou solenemente de uma decisão editorial do seu jornal preferido:

A notícia do acidente ocorrido no estádio Fonte Nova no último domingo, quando morreram oito torcedores, foi paginada no caderno Esportes do Correio Braziliense desta segunda-feira, 26 de novembro. Achei o critério da paginação inadequado, pois, no meu entender, a notícia deveria ter saído na seção Brasil, uma vez que não se tratava do resultado da peleja de futebol .

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Amigo secreto

O considerado Fábio José de Mello recebeu e enviou à coluna um lote de mensagens via internet, pelo qual pode-se acompanhar o percurso de fracassada festa pré-natalina de uma grande empresa de São Paulo, com amigo secreto e tudo.

Veja por que a anunciada confraternização cristã acabou num pau que Janistraquis classificou de ´mais-que-arretado´. Boas fontes garantem a veracidade do material que está publicado, na íntegra, no íntegro Blogstraquis.

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Inteligência & cultura

O prezado leitor sabe que existe uma prova de inteligência e cultura a que são submetidos os candidatos a assessor de deputado federal? Pois visite o Blogstraquis e conheça a difícil prova, enviada pelo considerado Symphronio Veiga.

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Senhor por quê?

Mônica Bergamo entrevista o ex-craque Roberto Rivelino:

´O que o senhor achou do rebaixamento do Corinthians?´

Janistraquis estranhou:

´Considerado, além do despótico juiz Armando Marques, acho que ninguém chamou Rivelino ou outro qualquer jogador de futebol de ´senhor´, excetuando-se, é claro, os empregados domésticos.´

É verdade; seu Rivelino soa esquisito, assim como seu Pelé, seu Serginho Chulapa, seu Edmundo, seu Romário e os demais.

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Outros tempos

O considerado Marco Antonio Zanfra, assessor de imprensa em Santa Catarina, despacha de seu QG no Detran de Florianópolis:

Quatro das cinco chamadas das matérias mais lidas na editoria Mundo da Folha Online de hoje, 5/12, às 13h30:

– EUA detém novamente ex-professora que fez sexo com aluno

– Professora foge com aluno de 13 anos nos EUA

– Professora é acusada de dar cocaína e fazer sexo com aluno de 16 anos

– Polícia detém professora acusada de fazer sexo com aluno de 4 anos

No meu tempo não tinha desses atrativos. E eu ainda era obrigado a cantar o Hino Nacional todas as manhãs…

As manhãs de Janistraquis no colégio Pio X de João Pessoa eram bem piores, ó Zanfra; o dia começava com os ´irmãos maristas` a puxar o terço, in-tei-ri-nho. Grandes vocações ateístas começaram ali.

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Autoritarismo real

De repente, a linha voltou. Um funcionário da Telefônica ligou e disse que o problema estava num fio desgarrado, escondido no meio da mata. Janistraquis achou que se tratava de uma, digamos, licença poética, porque não existe mata alguma nas cercanias da linha, e então desenvolveu o seguinte raciocínio para explicar o silêncio imposto a este tão desrespeitado sítio:

´Considerado, como a Telefônica é uma empresa espanhola, a direção segue o estilo autoritário do rei e adotou a famosa reprimenda para sacanear os assinantes mais pobres: POR QUÉ NO TE CALLAS?!?!?!?!`

Faz sentido, mas o diabo é que não fizemos nada que possa ter desagradado Sua Majestade.

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Nota dez

Eis o último parágrafo do artigo do considerado Fernando de Barros e Silva na Folha de S. Paulo:

E consideramos alfabetizado um aluno de 4ª série e 12 anos que escreve, num ditado, o seguinte: ´No dina vit do de Abinu d doni come kicna do no ba Basinu terã mlazsa´. Tradução: ´No dia 22 de abril, comemoramos os 500 anos do Brasil, que é uma terra maravilhosa´.

Arrasado até agora, Janistraquis recomenda a leitura do texto que confirma ser este um país de m…

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Errei, sim!

´ESTRANHO INIMIGO – Uma Correção, que é o Erramos do Jornal do Brasil, assim se desculpava à página 2 do Caderno B: ´O título do novo filme estrelado por Julia Roberts é Dançando com o Inimigo e não Dançando com um Estranho, como foi publicado no subtítulo da entrevista com a atriz, na edição de ontem´.

Pois bem; por um desses azares de que é pródiga nossa Imprensa, à página 3 do mesmíssimo Caderno B, coluna do Zózimo, lia-se esta legenda: ´Carmem Mayrink Veiga, Harry Stone, o anfitrião, e Silvia Amélia de Waldner no cineminha – Dormindo com o Inimigo, com Julia Roberts – de domingo…´.

Janistraquis vociferou: ´Considerado, afinal o filme é dançando ou dormindo? E se trata de estranho ou inimigo?!??!´. Diante de minha óbvia hesitação, ele completou: ´É, considerado,… sempre que o redator cochila, a gente dança…` (junho de 1991)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 45 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ´Carta a Uma Paixão Definitiva´.’

COBERTURA ESTRANGEIRA
Eduardo Ribeiro

A mídia internacional descobre o Etanol brasileiro, 12/12

‘O interesse da imprensa estrangeira pelo Brasil mudou consideravelmente este ano. E isto o que mostra uma das matérias desta semana da versão impressa deste Jornalistas&Cia, que circula nesta quarta-feira, em texto preparado pelo editor-executivo Wilson Baroncelli, a partir de uma conversa de quase uma hora com Adhemar Altieri, profissional de larga experiência que recentemente deixou o conforto da Diretoria de Comunicação da Câmara Brasileira de Comércio Brasil – Estados Unidos, a conhecida Amcham, para assumir a condução da Comunicação da Única, a Associação Brasileira dos Produtores de Cana de Açúcar, que, nem é preciso ser muito bem informado para saber, é um dos elos de maior relevância na chamada energia verde. De seus canaviais saem mais de 60% da produção nacional.

No texto preparado, Baroncelli lembra que ´se antes o foco da mídia internacional passeava da Amazônia ao carnaval e ao futebol, da violência ao turismo sexual, desde janeiro o nosso velho álcool combustível, hoje mais conhecido como etanol, vem ocupando cada vez mais espaço em diversos tipos de veículos de comunicação´.

É obviamente muito bom para o País emplacar na mídia estrangeira temas relevantes como esse, dando conta de outras facetas do País, pouco conhecidas lá fora. Mas também não há como se iludir de que esse seja um assunto de pauta única, para fazer um trocadilho com a agora poderosa entidade que hoje é a coqueluche no que diz respeito ao etanol. Muito pau deverá vir pela frente, alguns justificáveis e outros nenhum pouco, mas o importante é que o Brasil consiga ser visto de forma mais ampla do que tem sido até aqui.

Voltando ao texto do Baroncelli, ele lembra que ´embora o País, institucionalmente, e os produtores já estejam há tempos fazendo esforços para tentar ampliar o conceito do álcool como alternativa energética ao petróleo em diversos países, o principal responsável por sua atual visibilidade internacional foi o presidente norte-americano George Bush, que desde o início do ano passou a defender o combustível para reduzir a dependência externa dos EUA ao petróleo importado´.

E é sempre assim. Como santo de casa não faz milagre, é preciso que alguém de fora, de preferência da Casa Branca, fale, para o mundo descobrir o que já sabíamos há décadas. Foi o Bush falar para o álcool embriagar a imprensa de vários outros países.

Que o diga Altieri, nesse seu novo papel institucional. Afora as demandas da imprensa brasileira, desde que assumiu a Comunicação da Unica recebeu cerca de 30 visitas de jornalistas estrangeiros, sem contar outras 15 solicitações por telefone ou e-mail, de veículos de Japão, Coréia, Holanda, Suécia, Índia, China, EUA, Inglaterra e Portugal, entre outros. ´Da China, vieram seis de uma só vez´, conta. ´Atendi Japão e Coréia no mesmo dia. Quase deu um nó na minha cabeça, pois, embora com tradutor, passei metade do dia ouvindo japonês e a outra metade, coreano. Os pedidos vêm desde sites a gigantes como o Asahi Shinbum´.

Segundo ele, muitos chegam sem saber de nada ou, o que é pior, carregados dos mitos disseminados pelos que, por questões econômicas ou políticas, são contra o álcool – afirmações como as de que a cana ocupa terras demais (diz que são só 3% das áreas agricultáveis), que compete com as culturas alimentares (´na Europa e EUA, sim, aqui, não´), que vai empurrando a pecuária para o Norte e isso ajuda a desmatar a Amazônia (´o gado ocupa áreas anteriormente devastadas´) e outras no gênero. ´E nem sempre adianta termos transparência, pois o camarada vem aqui, recebe todas as informações, vê o que quer e depois escreve que produzimos álcool com mão-de-obra escrava. Pode? Mas para nós importa mesmo é que saiam matérias como uma recente da Economist, que praticamente disse que o Bush precisa parar de fazer álcool de milho e comprar do Brasil, que produz energia limpa. Esta vale por dez de qualquer outra´.

Altieri diz que são mais de 60 os países com condições de clima e solo para produzir cana-de-açúcar e, por conseqüência, etanol, mas que isso só acontecerá quando ele se tornar uma commodity internacional, tarefa em que a Unica está firmemente empenhada: ´Vamos dar início a um plano de RP global, que prevê a instalação de mais duas representações da entidade, além da que já temos em Washington: uma em Bruxelas e outra em Tóquio ou Beijing´.

A área de comunicação, que ele dirige, também se estrutura para esse processo, promovendo, entre outras iniciativas, maior entrosamento com as assessorias de comunicação das usinas associadas e o lançamento de um novo site no início do ano. Adhemar conta também com o reforço de uma profissional experiente em atendimento internacional, Kátia Gianone, que veio da Bunge e antes foi da Nike.

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Design – Quero finalizar a coluna desta semana aproveitando para informar que já estão abertas as inscrições para a maior competição internacional de design de jornal, o concurso The Best of Newspaper Design 29, organizado pela SND – Society for News Design, que, no Brasil, é representada por Luiz Adolfo Lino de Souza (luiz.adolfo@zerohora.com.br), diretor de Arte da Zero Hora. Concorrem jornais de todo o mundo e as inscrições podem ser feitas até o dia 23 de janeiro de 2008. Competem páginas de jornal, sejam diários ou não, em mais de 20 categorias (capas, páginas internas, cadernos, ilustrações, infográficos e fotografia), em qualquer formato, publicadas em 2007.

Um júri internacional escolhe o melhor design e os vencedores serão conhecidos em fevereiro de 2008. Um anuário publica o melhor do concurso no fim de 2008. Não é preciso ser sócio da SND para participar.

A entidade mundial de jornalistas visuais reúne mais de 2.500 sócios em todo o mundo, mas abre o concurso a todas as publicações. As especificações técnicas para envio do material para os Estados Unidos estão à disposição no www.sndlatina.blogspot.com , o novo espaço de divulgação da entidade internacional no Brasil e na América do Sul. No mesmo endereço se pode encomendar o anuário The Best of Newspaper Design 28, com os vencedores de 2007.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ´Fontes de Informação` e o livro ´Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia´. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

FORMANDOS
Carlos Chaparro

O salto para os vôos da profissão, 10/12

‘O XIS DA QUESTÃO – Esta é época de realizar sonhos, na defesa de TCCs, em momentos de emoção nas faculdades de Jornalismo do País. Na semana passada, participei de dois desses momentos. Dei o meu aval acadêmico à aprovação de Nádia Maekawa Bellagama, da UNIP, e Soraya Ventura, do Mackenzie. Por mérito dos trabalhos apresentados e das defesas realizadas, as duas alcançaram a nota máxima. Entraram estudantes naquelas salas solenes e de lá saíram jornalistas, aptas para a realização dos ideais que as levaram à escolha da profissão. Ganharam asas. E vão voar.

1. De estudantes a jornalistas

Na vida acadêmica, nada me dá maior prazer do que a participação em bancas, quaisquer que sejam, de TCCs a doutorados. Desde que, naturalmente, haja conteúdos de boa qualidade nos trabalhos apresentados e defendidos.

E não é só prazer, não, mas também proveito. Porque boas bancas são momentos privilegiados de reflexão e aprendizado. Com o precioso detalhe de que quem mais proveito tira do processo somos nós, os membros das bancas, beneficiários que somos dos esforços de estudo e investigação desenvolvidos pelos candidatos – às vezes ao longo de anos, com surpreendente dedicação e rigor.

Na semana passada, vivi dois desses momentos, ao participar de bancas convocadas para avaliar trabalhos de conclusão de curso de duas jovens concluintes de cursos de jornalismo. Uma delas, Nádia Maekawa Bellagama, da UNIP; a outra, Soraya Ventura, do Mackenzie. Ambas estavam bastante nervosas, não só ante as incertezas da avaliação que teriam pela frente, mas também porque viviam a intensa emoção de finalmente estarem às portas do ingresso na carreira com que tanto haviam sonhado.

Ao final, a ansiedade explodiu em alegria. Por mérito dos trabalhos apresentados e das defesas realizadas, as duas alcançaram a nota máxima. Entraram estudantes naquelas salas solenes e de lá saíram jornalistas, aptas para a realização dos ideais que as levaram à escolha da profissão.

2. Jornalismo sem fontes

Nádia fez uma avaliação crítica do trabalho realizado pelas versões jornalísticas da Folha de S. Paulo e do Estadão, na cobertura em tempo real da recente queda do Airbus da TAM, em Congonhas. Como pesquisador, Nádia colocou uma lupa rigorosa em cima das precariedades de um noticiário que tem de ser feito de imediato em cima dos fatos, sem fontes organizadas, sem condições de aferição e sob pressões terríveis não só das demandas sociais por informações imediatas e verdadeiras, mas também pressões da concorrência feroz em torno da variável do ´quem informa em primeiro lugar´.

Com seu trabalho, Nádia revelou o quanto a cobertura jornalística depende da qualidade das fontes. Em acidentes com o grau de dramaticidade e surpresa como esse da Tam, no auge dos fatos, as fontes simplesmente não existem, nem por perto nem ao longe. Quando alguém aceita as pressões jornalísticas e se atreve a dizer alguma coisa, corre-se um enorme risco de colher e socializar tolices.

No próprio jornalismo, do qual tanto se exige em coberturas ao vivo de acidentes desse tipo (e foi isso o que Nádia de alguma forma também fez), ninguém está preparado para fazer a cobertura que o público espera. Assim, a crítica que se faz ao jornalismo do ´tempo real` não pode adotar nem as ferramentas nem os critérios da crítica que habitualmente se faz ao jornalismo produzido em condições normais de controle, com pauta, informações pré-existentes, fontes conhecidas e organizadas, tempo para escrever e reescrever.

Só que as condições desfavoráveis não podem servir de desculpa a quem faz jornalismo no espaço do online. Há que criar mecanismos ágeis e específicos de planejamento e controle de qualidade, a partir das próprias experiências vividas no dia-a-dia.

E aí está um assunto que prometo investigar, para trazer de novo a este espaço.

3. A ´verdade` dos preconceitos

Além da monografia, Soraya Ventura produziu um ousado livro-reportagem, para o qual investigou a história e a alma de seis adolescentes recolhidos à Fundação CASA, o novo o nome e a nova proposta da antiga e amaldiçoada Febem.

Foi um trabalho heróico, dadas as dificuldades de investigação a encarar e superar. Em dado momento, Soraya chegou a ficar sitiada pelos perigos de uma rebelião, com tropa de choque perfilada de um lado, de armas engatilhadas, adolescentes rebelados do outro, armados de paus e pedras.

Em seu belo trabalho, Soraya anuncia que, além, de jornalista do batente, será também escritora de livros. Tanto como jornalista quanto como escritora, está apenas no começo da caminhada. Tem pela frente uma desafiadora perspectiva de aperfeiçoamentos possíveis e desejáveis. E ela sabe disso.

A edição preliminar do seu primeiro livro-reportagem (Antes das Grades, editado e custeado pela própria autora, já que teria de apresentar o trabalho pronto), constitui-se um ótimo ponto de partida. É matéria-prima de ótima qualidade, já com um tratamento literário elogiável, mas que pode e deve ganhar lapidação, para garantir ao livro espaço próprio no mercado editorial. Tem potencial para isso.

Soraya fez também uma boa monografia, para a explicação e fundamentação do seu projeto. Na minha avaliação, a qualidade principal da monografia está em suas deficiências conceituais. Porque nessas deficiências se manifestam preconceitos – alguns quase seculares, ou já seculares, outros nem tanto – que sustentam uma cultura jornalística de muitas receitas , um apreciável acervo de verdades convenientes a certas correntes, e porções históricas de arrogância. Do caldeamento desses ingredientes resultam os tais preconceitos sedimentados em redações e salas de aula, que precisam ser, se não destruídos, pelo menos discutidos.

E aí temos um ótimo tema para o próximo texto.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’

 

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