Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 1° E 2/08

Comunique-se

04/09/2007 na edição 449

STF, MENSALÃO & MÍDIA
Carlos Chaparro

No reino assombroso da corrupção, 24/08/07

‘O XIS DA QUESTÃO – As violações do direito ao sigilo dos dados pessoais tornaram-se coisa corriqueira. As listagens de nomes e dados de identificação de pessoas correm, soltas, em redes de computadores e, em certos casos, a serviço de estelionatários. É uma face nova, tenebrosa, do Brasil de hoje. A face da corrupção institucionalizada. E quem duvidar que ouça ou leia o parecer do relator do caso ‘mensalão’.

1. Cidadania desprotegida

A questão dos direitos constitucionais aos sigilos da privacidade e da intimidade está na ordem do dia. Os casos de agressão a direitos constitucionais se sucedem, não apenas no que se refere ao modismo das transcrições de conversas telefônicas, autorizadas ou não pela Justiça. Elas vêm ocorrendo, com freqüência que assusta, no campo criminal do estelionato, com a utilização, por parte dos criminosos, de dados pessoais cujo sigilo deveria ser e estar obrigatoriamente preservado – em última instância, pelo Estado, no seu dever de assegurar aos cidadãos os seus direitos fundamentais.

Os jornais de hoje dão-nos notícia que uma quadrilha conseguiu o cadastro de um número indeterminado de pessoas que haviam entrado na Justiça pleiteando indenizações de um dos antigos fundos de previdência, todos falidos, para o qual haviam contribuído anos a fio, em vão.

A quadrilha conseguiu nome, RG, e até mesmo o valor pretendido na ação, por cada uma das vítimas. E as procurava em nome de um tal Fórum Central Cívico de São Paulo. Cobravam adiantadamente 10% do valor das ações, com a promessa de liberação das indenizações a que tinham direito. E usavam estratagemas sofisticados, para arrancar o dinheiro das vítimas.

E paro por aí, no que se refere à história policial. O crime que interessa aqui comentar não é o estelionato em si, mas a violação do sigilo de dados pessoais, que a Justiça tinha a obrigação constitucional de proteger.

Poderão alguns pensar que esse é um caso isolado. Não é verdade. A violação de sigilos de dados pessoais tornou-se caso corriqueiro. As listagens de nomes e dados de identificação de pessoas correm, soltas, em certas redes de computadores – nas periferias das áreas do Trânsito e da Previdência, por exemplo.

Ainda há dias, pessoa minha amiga precisou encarar os procedimentos que a lei exige, para a renovação da carteira de motorista. Pois em todos os lugares por onde precisou passar – clínica credenciada para o exame médico, empresa credenciada para ministrar os cursos de atualização (em primeiros socorros e direção defensiva) e escola de condução – os seus dados pessoais já estavam nos respectivos computadores. Dados que ela, espantada, viu nas telas máquinas, sem que os tivesse fornecido.

Outro caso que incomoda se refere aos cadastros de pessoas recém aposentadas, ou prestes a se aposentar. Por vias e práticas clandestinas, os cadastro são passados aos bancos que operam com crédito consignado. E essas pessoas são incomodadas com telefonemas e correspondências de sedução, por parte dos bancos beneficiados pela operação criminosa.

2. Face tenebrosa

O Crédito consignado é um negócio tão bom para os bancos que, na briga entre eles, gordas verbas são investidas em publicidade. E não custa acreditar que, das táticas de conquista de clientela nova, faça parte a compra de cadastros com nomes e dados de pessoas prestes a se aposentar.

Quem os fornece? – ou melhor: quem os vende?

Para proteger os cidadãos em seus direitos de privacidade, o Ministério Público e as autoridades policiais deveriam empenhar-se na busca de resposta a essa pergunta. E é surpreendente que não se percebam, sequer, sinais de preocupação por parte de pessoas e mecanismos responsáveis pela preservação de direitos constitucionais que dão base à vida democrática.

Há um lado podre nas instituições do Estado que, qual câncer sem tratamento, cresce debaixo do nariz de quem, por deveres e compromissos assumidos, deveria cuidar, e não cuida, das coisas básicas da cidadania.

E quando assim é, o agente público que se omite no cumprimento dos seus deveres de cargo deveria responder, no mínimo, por crime de ‘condescendência criminosa’, previsto no Código Penal (artigo 320).

Mas, se houvesse a vontade política de investigar e combater os desvios da função pública, e para não falar em crimes mais cabeludos, chegaríamos a um assombroso festival de prevaricações – que vem a ser a omissão no cumprimento dos deveres de ofício, ‘para satisfazer interesse ou sentimento pessoal’ (Código Penal, artigo 319).

Essa é a face tenebrosa do Brasil de hoje.

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Escrevi este texto com o computador conectado à TV Justiça, acompanhando a leitura do impressionante relato que ministro Joaquim Barbosa faz das repugnantes intimidades do ‘mensalão’. É um recorte ampliado dessa face tenebrosa, terrivelmente assustador, se considerarmos que tão gigantesca e complexa engenharia de corrupção envolve o partido pelo qual se elegeu o Presidente da República que nos governa.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’

Ricardo Noblat

A Folha de S. Paulo envelheceu, 31/08/07

‘Jornalistas da Folha de S. Paulo amargam a decisão tomada, anteontem [quarta-feira, 22/08], pela direção do jornal de não publicar reportagem sobre a troca de e-mails entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia no primeiro dia de julgamento do Caso do Mensalão no Supremo Tribunal Federal.

Fotográfos da Folha e de O Globo registraram a troca de e-mails. Repórteres dos dois jornais escreveram extensas reportagens a respeito. O Globo publicou a sua – a Folha, não.

A direção da Folha consultou o Departamento Jurídico da empresa e o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, que estava em Brasília. Foi aconselhada a não publicar a reportagem. Os advogados entenderam que ela violava a privacidade dos ministros e o sigilo de correspondência.

A direção de O Globo entendeu o contrário. A sessão do Supremo era pública. Os ministros trocaram e-mails sabendo que havia fotógrafos por perto. O assunto tratado por eles na correspondência era de interesse público. Então…

Em sua edição de hoje [sexta-feira, 24/08], a Folha mudou de entendimento. Publicou a reportagem que permanecia inédita e repercutiu a reportagem de O Globo.

De meados dos anos 80 até o fim dos anos 90 do século passado, a Folha foi o jornal, digamos assim, mais atrevido e inovador entre os chamados ‘grandes jornais’ do país. Por isso mesmo, foi também o que mais aumentou sua circulação e angariou prestígio e respeito.

É fato que em alguns momentos foi além do limite da irresponsabilidade. Uma vez, por exemplo, publicou entrevista de página inteira com um tal de Mister X onde ele denunciava a compra de votos para a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Foi um erro. Mas um erro de um jornal que tinha como objetivo quebrar paradigmas e se renovar o tempo todo.

Parece esgotada a vitalidade que tanto influenciou os demais jornais.

O episódio do ‘furo’ que a Folha preferiu levar é o mais emblemático da fase de letargia que o jornal atravessa. Ele se acomodou e envelheceu.

(*) Jornalista e blogueiro. Texto publicado originalmente no Blog do Noblat.’

Leonardo Attuch

A cara de pau de Veja e a cronologia do mensalão, 2/09/07

‘Nesta semana, a revista Veja enche o peito cheio de orgulho e, ao publicar uma cronologia do mensalão, coloca-se como protagonista da história. Até aí, tudo bem. Não é elegante, mas muita gente gosta de puxar a sardinha para o seu lado. A coisa só se complica quando Veja busca se apropriar com mão de gato de um trabalho alheio: a história da secretária Fernanda Karina. Ao listar os principais momentos do mensalão, Veja cita uma de suas reportagens, de 22 de junho, com informações da agenda de Karina. Eles só não mencionam que a secretária se tornou a principal testemunha da história uma semana antes, numa entrevista exclusiva concedida à revista Istoé DINHEIRO que eles próprios tentaram desacreditar no primeiro instante. Quanta cara de pau!

A bem da verdade, cumpre colocar as coisas nos seus devidos lugares e estabelecer a verdadeira cronologia midiática do mensalão. A história, ao contrário do que Veja aponta, não se inicia com a reportagem sobre Maurício Maurinho levando uma ‘peteca’ de R$ 2 mil nos Correios. Aquele trabalho, do simpático Policarpo Júnior, teve como principais fontes pessoas ligadas à Agência Brasileira de Investigação, a Abin, numa trama engendrada na Casa Civil, de José Dirceu. O objetivo era apenas implodir um aliado incômodo: Roberto Jefferson, do PTB. Tanto é verdade que, ao publicar a fita dos Correios, Veja não citou trechos referentes aos feudos do PMDB e do próprio PT nos Correios. Dias depois, a fita integral foi entregue a vários veículos. Portanto, Veja foi apenas ‘operada’ numa conspiração palaciana contra Jefferson. Se a revista teve algo a ver com o início das investigações, isso se deu por linhas tortas, ao provocar o medo e a ira do ex-presidente do PTB.

Como todos sabem, a história só começa para valer com as entrevistas de Roberto Jefferson a Renata Lo Prete, na Folha de S. Paulo. Na primeira, em 6 de junho de 2005, ele revela a existência do mensalão. Na segunda, em 13 de junho, aponta o empresário Marcos Valério de Souza como ‘operador’ do esquema. Elegante, Renata jamais se jactou de seus feitos e, ao receber o Prêmio Esso de Jornalismo, foi humilde e fez questão de dedicá-lo à sua fonte. Depois daquelas entrevistas, o passo seguinte foi a publicação da entrevista de Fernanda Karina, numa edição extra da Istoé Dinheiro, em 15 de junho, a mesma data do depoimento de Jefferson à CPI dos Correios. Só que na véspera ocorreu um fato muito estranho. Quando já havia um zumzumzum no mercado de que anteciparíamos nossa edição, Veja colocou em seu website uma nota desqualificando a matéria que sairia no dia seguinte, informando que se tratava de uma ‘secretária acusada de extorquir seu chefe’. Depois que Istoé DINHEIRO chegou às bancas, Veja ainda colocou o editor executivo Márcio Aith em campo e ele procurou várias pessoas do meio empresarial dizendo que ‘desmontaria a maracutaia’ chamada Fernanda Karina. O que movia Veja nesse esforço de desqualificação ainda é um mistério. Mas querer agora se apropriar de uma história alheia, que eles próprios combateram, só pode ser fruto de má fé e desonestidade intelectual. Coisa bem feia!

De qualquer forma, o fato é que, apesar de Veja, novos fatos começaram a surgir numa velocidade estonteante depois daquela entrevista. Primeiro, Istoé trouxe a público as listas de saques no Banco Rural, fornecidas pelo Coaf, um órgão do Ministério da Fazenda. Em seguida, o Globo e a Folha cruzaram os dados do Rural com a agenda de Karina, encontrando uma correlação surpreendente entre os saques e os encontros políticos de Valério. Finalmente, Veja, conseguiu um bom furo de reportagem, quando Alexandre Oltramari publicou os contratos de empréstimo do Rural e do BMG com o PT. E foi só. Surgiram novas revelações aqui e acolá, mas a essência é a que foi relatada acima. Depois, a participação de Veja se limitou a reportagens de baixo alcance como a dos ‘dólares de Cuba’, a ‘da conta de Lula no exterior’ e até a famosa capa de fundo preto com a palavra ‘Lulla’, numa alusão direta ao impeachment de Fernando Collor. Bom, mas aí, é melhor esquecer e a própria Veja decidiu não relacioná-las na sua linha do tempo do escândalo.

O que a cronologia verdadeira revela é que a história do mensalão ocorreu como um autêntico ‘efeito borboleta’, aquele bater de asas num ponto do planeta, que provoca reações imprevistas, indesejadas e incontroláveis. Ao falar à Folha, Jefferson reagiu a uma conspiração palaciana, que teve início em Veja e ecoou em outros veículos. Em seguida, ao apontar Valério como operador do esquema, Jefferson deu à Istoé DINHEIRO a oportunidade de publicar a entrevista de Karina, na condição de testemunha da história. Até então, a secretária não era capaz de comprovar o que dizia. Depois de Jefferson, tornou-se ela própria a prova testemunhal. A partir daí, teve início a grande corrida pelo ‘novo furo da vez’ e, enquanto alguns veículos tentaram fazer jornalismo, outros fizeram política. O resultado dessa competição midiática foi o histórico julgamento do Supremo Tribunal Federal da semana passada, que tornou réus as 40 pessoas denunciadas pela Procuradoria Geral da República.

(*) Leonardo Attuch é editor das revistas Istoé DINHEIRO e Dinheiro Rural’


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Rodolfo Fernandes, do Globo: ‘O jornalismo não é feito de certezas’, 31/08/07

‘O diretor de redação de O Globo, Rodolfo Fernandes, sabe que foi uma decisão polêmica a publicação, na edição de 23/08, dos diálogos entre os ministros Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, registradas durante a sessão de julgamento do mensalão pelo repórter-fotográfico Roberto Stuckert Filho. Mas ele sabe também que o conteúdo era de ‘evidente relevância para a opinião pública’.

‘Encaramos com respeito as diversas críticas que foram feitas à publicação da reportagem, embora tenha ficado clara a importância, até histórica, do conteúdo divulgado, de evidente relevância para a opinião pública. O jornalismo não é feito de certezas, as decisões são tomadas com rapidez – devido à natureza do nosso trabalho – mas num processo de discussão aberta’

Algumas das críticas que partiram de juristas de advogados foram duras. O Globo foi acusado de invadir a privacidade dos ministros. ‘O assunto é mesmo rico em ensinamentos, embora não tenha a mesma impressão quando isso parte de jornalistas que algum dia tenham frequentado uma redação de jornal. Felizmente para a imprensa, a real compreensão sobre o que estava em jogo foi amplamente majoritária entre os que trabalham com informação, com destaque para os balizadores editoriais do Estadão e da Folha, que, ao lado da própria reportagem, marcam uma jurisprudência sobre o tema’.

Na troca de mensagens, Cármen e Lewandowski debateram detalhes sobre seus votos no caso de aceitar ou não a denúncia do mensalão e falavam das disputas de poder dentro do STF.’

ECOS DA DITADURA
Milton Coelho da Graça

Três Poderes enrolados, generais falando. Pôla!, 31/08/07

‘O Executivo está enrolado com os números das pesquisas e da economia: impostos, gastos e inflação subindo; confiança empresarial, aprovação do governo e previsão de PIB caindo; solução da crise aérea, prorrogação da CPMF, caso Renan e PAC empacados. E, no meio disso, generais, brigadeiros e almirantes fazem malcriação e começam a falar. O ministro da Defesa encara e ouve resposta linha dura: ‘ministro da Defesa é só instância administrativa, acima de nós na linha de comando só existe o presidente da República’. Devo pensar OOPS como o gato Garfield, SÍFU como Marco Aurélio Garcia ou PÔLA como japonês assustado?

Talvez aquela coisa no horizonte seja um naviozinho e não um tsunami. Mas José Dirceu, agora apoiando-se naquele poço de mentiras e conspiração que (segundo ele) é a mídia, quer anular uma decisão do Supremo. Ângela Guadagnin bebe várias talagadas de conhaque Presidente, come cinco fatias no rodízio de pizza e nem assim sai dançando. Tasso Jereissati rebola no Senado e insinua que Almeida Lima é bicha, por conta da bagunça que Renan Calheiros fez na Casa, conforme avalia Jarbas Vasconcelos. O deputado Eduardo Cunha analisa com o maior cuidado onde investir a grana do fundo de pensão dos funcionários de Furnas, mas seus companheiros de bancada governista continuam o trabalho de escalpelar o governo na Câmara, cobrando uma boa percentagem para aprovar a CPMF.

O ministro Guido Mantega jura que nunca prometeu dar dois bilhões para a Saúde, cobrados pelo ministro José Temporão por duas empadinhas, mas já prometeu ao presidente que dá um jeito de arranjar mais 1,7 bilhão para ajudar a garotada pobre que vai votar pela primeira vez no ano que vem. O ministro Ricardo Lewandowski explica que estava só brincando quando disse que o Supremo votou ‘com a faca no pescoço’, enquanto o colega Eros Grau afia a seta de Cupido e decide se deve ou não processá-lo.

O PSDB imagina os argumentos para explicar por que as jogadas de Marcos Valério a favor de Eduardo Azeredo eram diferentes daquelas que corromperam Delúbio Soares. O PR, do vice-presidente José Alencar, chama de volta o ‘talento articulador’ do mensaleiro Bispo Rodrigues e todos os médios partidos se juntam para segurar mais um pouquinho – até a próxima eleição – a farra da infidelidade.

Ah, quase me esquecia: a Polícia Federal mobiliza 200 policiais para prender os chefões do ‘jogo do bicho’, mas os encarregados de tomar conta dessa rapaziada nas celas (um delegado e seus auxiliares) levam todo mundo para jantar na churrascaria ou reuniões de negócios. E é claro: esses presos cinco estrelas também passavam os fins-de-semana em casa, porque ninguém é de ferro.

Sabemos de tudo isso pela mídia, que pensa ser dona da verdade, como corretamente dizem o presidente Lula, Blair, Bush, Chavez, Kirshner e todos os políticos do mundo. Mas, se Ricardo Kotscho e nós todos, mais Roberto Civita, os irmãos Marinho, os Sirotsky, os Sulzberger e até Rupert Murdoch – que, incansável ou fingidamente, procuramos a verdade e acreditamos ter a missão de transmiti-la – fôssemos condenados a calar, a verdade não desapareceria. Maria Antonieta, Bukharin, Hitler, Mussolini, Getúlio Vargas (com quem Lula gosta de se comparar) e muita gente mais só descobriram isso tarde demais. Pôla!

(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

RBS, 50 ANOS
Marianna Senderowicz

Paralelamente à exposição, RBS lança livro pelo aniversário de 50 anos, 31/08/07

‘Em comemoração ao aniversário de 50 anos da rede, a RBS lança hoje (31/08) o livro ‘Comunicação é a Nossa Vida’, que reúne vários elementos da história do grupo. O lançamento acontece um dia antes da abertura da exposição No Ar – 50 Anos de Vida, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.

Ambas as iniciativas fazem parte da série da atividades em homenagem ao aniversário da RBS. A publicação, editada por Pedro Haase, coordenador editorial da RBS Publicações, contém a história institucional do Grupo RBS, a história de cada mídia da empresa (rádio, TV, jornal e internet) e um ensaio fotográfico. Crônicas dos colunistas Paulo Sant’ana, Moacyr Scliar, Luis Fernando Verissimo, Martha Medeiros, Lya Luft, Ruy Carlos Ostermann, Flávio José Cardozo e Sérgio da Costa Ramos e um catálogo sobre a exposição também compõem o livro.’

MÍDIA & POLÍTICA
Comunique-se

Estadão e José Nêummane Pinto condenados a indenizar Paulo Maluf, 31/08/07

‘O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou O Estado de S. Paulo e o jornalista José Nêummane Pinto a indenizar o ex-prefeito de São Paulo e deputado federal (PP-SP) Paulo Maluf em cem salários mínimos por dano moral. No artigo ‘Viva o Voto’, publicado no jornal em 2000, Nêummane escreve que ‘o voto direto não tenha livrado o Brasil de pragas como Maluf’ e que ‘hoje a possibilidade mais concreta de Maluf e sua escola virem a ser castigados por malfeitorias em território nacional está nas mãos do FBI’.

O parlamentar considerou o texto ‘um compêndio de enojantes insinuações e aleivosidades’, que motivou o processo. Condenado na primeira instância, Maluf apelou na Oitava Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo, que considerou que o político foi ‘achincalhado’ no artigo e lhe deu ganho de causa. O recurso especial no STJ não foi aceito.’

INTERNET
Bruno Rodrigues

O Globo Online na berlinda, 31/08/07

‘Eu gosto da versão web d’O Globo. Mesmo. Erros de digitação, você encontra aos montes – sejamos sinceros – tanto n’O Globo Online quanto nas versões do The New York Times, do El País e do Le Monde. São noticiosos que fazem bonito na Rede, mas escorregam na casca de banana de vez em quando. E quem não escorrega, afinal?

Erros de apuração? Esta é uma questão que ultrapassa o fato de ser um veículo online. Há erros crassos na mídia eletrônica, na impressa, no jornal mural das empresas, nos house-organs, em minha coluna… É um horror? É terrível! Neste quesito em especial, O Globo Online me causa arrepios às vezes, mas acho pura maldade que nós, leitores/espectadores, fiquemos nos divertindo com os erros dos coleguinhas.

Esta semana, porém, o jornal nos apresentou dois enigmas capazes de fazer uma Esfinge pedir aposentadoria antecipada. Por mais que eu tenha um carinho profundo pela equipe do jornal, fica complicado, assim…

Os enigmas estão logo abaixo, e são complexos, já disse. Decifre-os, portanto – ou devore-se de raiva! 🙂

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O marketing inexistente

Nesta terça-feira, dia 28, o site d’O Globo fechou o acesso livre à versão em pdf (a ‘folheável’) do jornal, lá batizada de ‘O Globo Digital’. Agora, só pagando, e alto.

Qualquer empresa tem o direito de cobrar o que bem entende na web. Chega da visão romântica – e um tanto folgada, a bem da verdade – que nós, usuários, temos de conteúdo na web. Claro que é para cobrar – da mesma forma que eu posso não querer pagar nada, ué.

Estando nós dispostos a pagar, ou não, o imenso erro d’O Globo ao fechar a versão digital não foi esse, mas a profunda falta de senso de marketing. Eles simplesmente fecharam o acesso e pronto. Não houve e-mail avisando o que estava para acontecer; não houve campanha persuadindo o leitor a assinar o produto; não houve nem sequer um aviso, ao longo da semana passada, que uma contagem regressiva estava em curso. Nada.

É claro que há um motivo sério por trás disso. Tem que haver. Não dá para acreditar que eles simplesmente deram um tiro no pé. Mas fato é que O Globo Online acabou criando um dos ‘anti-cases’ de marketing mais atordoantes da internet brasileira.

Eles não querem que nós assinemos a versão digital? Ou acham que vamos comprar o produto deles porque dependemos disso para viver?

Este colunista, que gosta, admira e torce pelo O Globo Online desde sempre, pede um retorno de alguém – por Deus!

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Negócio da China

No dia 24, sábado, O Globo Online publicou a seguinte notícia: ‘CVC já oferece pacotes para a China. Viagem custa US$ 4 mil’. Seria apenas mais uma singela notícia de turismo, se o campo de comentários não tivesse se transformado em um campo de batalha em potencial. De um lado, o leitor; do outro, O Globo Online e a CVC. Mas a guerra nem chegou a acontecer.

Para quem não conhece, a CVC é uma agência de turismo que atua nacional e internacionalmente, e tem pacotes para (literais) centenas de lugares. Já ouvi falar bem, já ouvi falar mal, mas nunca comprei pacote algum com eles.

Mas muita gente já comprou, e pelo jeito odiou. Está lá. Dos 22 comentários, quase metade fala mal – muito mal – da CVC. Nove outros comentários expõem um estranhamento profundo com a publicação da notícia. Acham que foi jabá. Um até brinca que faltou o aviso ‘Informe Publicitário’.

Mais uma vez, o problema não foi a ação, mas a falta de reação do jornal. Vem cá, até quando os sites e blogs vão encarar o campo para comentários dos leitores como algo que é para ‘assistir’, mas não para interagir?

A CVC não achou nada demais do que disseram? Lá acham normal que publiquem opiniões negativas sobre a empresa e que tudo passe em brancas nuvens? E O Globo Online vai deixar assim, mesmo? Então, é para o leitor ficar em dúvida se a matéria era paga?

Lição da história: O Globo Online e a CVC provavelmente não leram os comentários. O que me leva a pensar se os campos de comentários de alguns jornais (e até blogs) são como massinha de modelar – sabe quando as ‘tias’ de Jardim de Infância dão massinha aos petizes e chamam papai e mamãe para ver o que suas crias são capazes de fazer? O que menos importa é o resultado. Ver que eles podem criar algo é o que fascina.

Será que foi isso, mesmo? Decifrei o enigma? Ou você aposta em uma justificativa como ‘acreditamos na liberdade de expressão de nossos leitores e por isso não interferimos’? (Bem, eu também acredito – na liberdade de ação e reação de ambos os lados.)

Ponha a cabeça para funcionar e tente solucionar os enigmas. Talvez mexer com massinha ajude.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

MERCADO EDITORIAL
Eduardo Ribeiro

Muitos novos lançamentos a caminho, 29/08/07

‘Sempre pródigo em lançamentos – e também em fechamentos – o mercado editorial de revistas, ao menos no quesito ‘apostas em dias melhores’, está aquecido. São vários os lançamentos a caminho, alguns já bem conhecidos de todos nós, como a Revista da Semana, que a Editora Abril coloca nas bancas nesta quinta-feira, 30 de agosto, com 34 páginas editoriais, de um total de 52, e mais de 200 mil exemplares de tiragem; e outros nem tanto, como a americana Car and Driver, uma das principais revistas de carro do mundo, que a Escala projeta lançar no Brasil no final de novembro.

A Revista da Semana já está com sua estrutura editorial definida e consolidada, o que não acontece ainda com a Car and Driver, que será assumida nos próximos dias pelo experiente Luiz Guerrero, ex-editor e repórter especial de publicações como Jornal do Carro (Jornal da Tarde) e Quatro Rodas, que abortou uma rica experiência de três meses no Diário do Comércio, em São Paulo, para aceitar o desafio de dirigir a nova revista, a convite de um velho conhecido, André Jalonetsky, que foi anteriormente da Editora Globo e hoje dá expediente na Escala. Guerrero já está de mangas arregaçadas para montar a equipe que o acompanhará no projeto.

Mas não é apenas o mercado paulista que tem novidades. A Total Linhas Aéreas, companhia regional de aviação que atua em 28 cidades e oito estados, com rotas que vão desde o Interior de São Paulo até o Amazonas, vai lançar em outubro sua revista de bordo, a Total Magazine. Editada em Belo Horizonte, a nova publicação será mensal e terá uma tiragem de 30 mil exemplares. O primeiro número estará nas aeronaves na primeira semana de outubro e sairá com 80 páginas. O projeto gráfico é da Agência Randrade e o editorial, da Medialuna Comunicação (www.medialuna.com.br), de Eduardo Ferrari, que será também responsável pela produção de conteúdo. Além da equipe da Medialuna, em Minas, atuarão como colaboradores Ana Weiss e Dio Menon, em São Paulo; Juiara Miranda e Maíra Evo Magro, no Rio; Alceu Luís Castilho, em Brasília; e Taliane Lucena, em Manaus.

No campo das publicações dirigidas, este Jornalistas&Cia registra a chegada da revista Mulher & Mãe, da W3 Editora, escrita com foco nas mães que acabaram de dar à luz. Todas as matérias são depoimentos de mulheres que compartilham com as leitoras suas reflexões sobre a maternidade, experiências, alegrias e angústias. As editoras são Andréa Barros e Patrícia Cerqueira. A primeira edição aborda os primeiros dias do bebê em casa, alimentação, transtornos de humor no pós-parto e planejamento orçamentário do casal, entre outros assuntos. A revista faz parte do projeto de expansão da TV Mulher & Mãe, de que fazem parte Silvia Poppovic e Lorena Calábria, exibida em 153 maternidades do País e assistida, anualmente, por 300 mil mulheres. Trimestral, a tiragem inicial da revista é de 75 mil exemplares, que custa R$ 8,90 nas bancas, mas é distribuída gratuitamente nas maternidades.

Até de cerveja vamos ter agora revista especializada. Vem aí a Beer Magazine, projeto inédito no País que nasce por iniciativa de Xavier Depuydt, ‘cervejólogo’ belga que está no Brasil há dez anos. A publicação será trimestral, com 20 mil exemplares, circulação nacional e vendida em banca ao preço de R$ 14,90. O primeiro lançamento será em São Paulo, dia 03/09; depois será a vez do Rio e de Belo Horizonte. A maioria das matérias é escrita pelo próprio Xavier e por Mariana Marçal Pereira, além de colaboradores de outros países. O belga também planeja dois livros: o ‘Guia para Amantes de Cerveja’ e ‘Pratos Feitos com Cerveja’.

No campo das publicações de bairro, temos também duas novidades, ambas em São Paulo. Uma delas é o modesto jornal de negócios The News, que foi lançado pela agência Atelier de Idéia para distribuição no bairro do Brás, com a proposta de ser um canal de informação para lojistas e comerciantes da região. O jornal nasce mensal, com oito páginas, formato tablóide, 30 mil exemplares, focado em moda, indústria têxtil, mercado, leis, consumo, serviços e tendências. A editora-chefe é Kahtia Elisa Pinto e o subeditor é Alfredo Cesar de Souza. A redação tem ainda Thiago Martins, Érica Rodrigues e André Antunes.

Outro bairro, a Vila Nova Conceição, está para ganhar uma nova revista, a IVY-VNC (www.revistaivy.com), voltada para o público de alto poder aquisitivo. O publisher é Leandro Lourenço, ex-fotógrafo de publicações nacionais do segmento de luxo como Audi Magazine, Vogue, Daslu, Pólo e Golfe. As matérias serão sobre design, turismo, gastronomia, carros, esportes, cultura, saúde e moda. Contará com colunas do chef Emmanuel Bassoleil, do arquiteto Dante Della Manna e da escritora Beth Vidigal. Terá tiragem de 8 mil exemplares, distribuídos gratuitamente em todo o bairro, comércios de luxo, alguns restaurantes da rua Amauri e nos hotéis Emiliano e Fasano. A festa de lançamento da IVY-VNC está marcada para esta quinta-feira (30/08), à partir das 19h30min, no bar Mercearia, no Jockey Clube de SP.

Até instituição de ensino está lançando título. É o caso da Fecap, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, que chega com a quadrimestral 1902, publicação que homenageia, no título, a data de fundação da organização e que tem por objetivo tornar-se um veículo de debates e reflexão sobre educação, negócios, mercado de trabalho, comportamento, atualidades, arte e cultura. A distribuição é gratuita em seus dois campi e em cinemas, teatros e centros culturais da cidade. Com tiragem de 30 mil exemplares e sob responsabilidade de Maísa Sabonaro, a revista tem produção da Ketchum, com Letícia Colombini, Eri Yoshiy, Teresa Bilotta, Betina Piva, Lílian Cunha, Lú Motta, Mariana Sayad, Caroline Marino, Rodrigo Afonso e Viviane Romano.

InfoGPS, especializada em tecnologias de rastreamento e monitoramento de veículos terrestres, aéreos e marítimos, além de mobilidade das pessoas, é a nova revista bimestral da Editora MundoGEO. A publicação trará artigos, entrevistas, reportagens, lançamentos, dicas, comparações de serviços e produtos, com tiragem de 20 mil exemplares, vendidos nas principais capitais do País. O publisher é Emerson Granemann, que é também engenheiro cartógrafo, e os editores são Ágatha Branco, Eduardo Freitas Oliveira e Gustavo Ribeiro de Francisco. A íntegra da primeira edição está no www1.ideavalley.com.br/mundogeo/infogps/flip/ .

Por fim, esta coluna registra o lançamento da Editora Insumos, a revista Funcionais & Nutracêuticos, focada no mercado de ingredientes e nas opções funcionais e orgânicas que oferecem benefícios à saúde. A Insumos já tem publicações como B2B, Aditivos & Ingredientes, Cosméticos & Perfumes e Sorvetes & Casquinhas. Bimestral, a nova revista chega ao mercado ao preço de capa de R$ 25 e com circulação dirigida. Estão na equipe Clovinel Nogueira, Marcia de Jesus Fani e Michel Wankenne.

E já que estamos no campo das boas notícias, acho que vale também mencionar a decisão da Editora Globo de reincorporar à estutura editorial de três de suas publicações o cargo de diretor de redação, que havia sido extinto em 2002. Mais do que isso, de indicar para os cargos os respectivos editores-chefes. São elas: Monet (ex-Revista da Net), que terá como diretor Alexandre Maron; Autoesporte, com Marcus Vinicius Gasques; e Galileu, com Hélio Gomes. Sobre essa decisão, o diretor editorial, Paulo Nogueira, ressaltou a esta coluna que isso tem a ver com a decisão da Globo de investir em qualidade editorial, em conteúdo ‘daí as promoções, assim como outros dois movimentos relevantes na revista Época: a nomeação da Ruth de Aquino como redatora-chefe e a contratação, em Brasília, do Ricardo Amaral’.

A nota triste é o fechamento de Astronomy Brasil, lançada pela Duetto Editorial em abril de 2006. A explicação, dada pelo diretor Alfredo Nastari, é que ela deixa de circular porque o mercado não comporta uma revista mensal nesse segmento. ‘Quer dizer, o mercado tem potencial, tanto é que apenas a Olimpíada Brasileira de Astronomia reúne mais de 300 mil estudantes. Mas falta-nos capilaridade para atingir esse público’, afirma ele. Nastari garante, porém, que vai continuar a cobrir o setor com a Scientific American e a lançar produtos especiais sempre que houver oportunidade, como quatro DVDs que estão para sair e o Anuário Brasileiro de Astronomia, no final do ano.

Vem mais coisa por aí nos próximos meses. As editoras, como se vê, estão assanhadíssimas. Que tenham o retorno desejado, para que o mercado continue crescendo e gerando empregos de qualidade. Assim todos esperamos.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio

Variedade na TV por assinatura, 28/08/07

‘Olá, amigos. Há diversas semanas venho acompanhando atentamente um programa que me fez repensar o formato das atrações esportivas de longa duração: o ‘Pontapé inicial’, da ESPN Brasil. O seu formato, apesar de estar na grade de um canal esportivo, poderia ser de qualquer outro canal de TV por assinatura. O programa trata, claro, de esportes, mas fala, em boa parte do seu tempo, de cinema, música e curiosidades. Quando não tem no seu time de apresentadores e comentaristas os profissionais da casa, leva como convidados músicos, diretores de cinema e profissionais de outras áreas, que acabam contribuindo para a ilustração geral dos fãs de esporte.

Honestamente, eu acho muito importante esse tipo de iniciativa, pois é público e notório que os programas de esportes são vistos por uma imensa legião de jovens, que às vezes se alienam das outras áreas por estarem imersos na sua paixão esportiva por times, jogadores ou o que seja.

Ver, em um programa esportivo, informações sobre Pixinguinha, é muito interessante. Saber sobre filmes clássicos, como ‘Dançando na chuva’, é legal. Entremear análises esportivas com imagens de Tom Jobim, ou da Orquestra Tabajara, também. Só faço uma ressalva: a cultura atual tem sido deixada de lado. Não se ouve falar de grupos de música atuais, filmes recentes ou estilos culturais mais ligados aos jovens do século XXI. Isso, certamente, viria acrescentar muito tanto em audiência, como também forçaria os membros da mesa, como José Trajano, um veterano, e João Carlos Albuquerque, a caminho do famoso ‘varandão da saudade’ a se atualizarem com o que foi feito após 1990 em termos culturais.

Claro que exageros sempre são desagradáveis, mas o programa merece elogios pelo formato inovador e abrangente.

******

Nada como uma bela edição dos Jogos Pan-Americanos para que o esporte amador ocupe boa parte da programação esportiva das TVs. Nesta semana, e nas próximas, teremos pré-olímpicos masculino e feminino de basquete, mundiais de judô, atletismo e ginástica olímpica, além do Grand Prix de vôlei feminino e os já tradicionais Fórmula-1 e US Open.

Nada mal para o país do futebol. A cobertura nos jornais está espetacular, assim como nos sites e nas TVs. Mesmo que os brasileiros não saiam vencedores, mostrar ao público outras modalidades ao vivo, em grandes eventos, faz com que o povão, acostumado a doses cavalares de bola na rede, conheça e se apaixone por outras modalidades, nas quais temos ótimos representantes, como Jadel Gregório, Maurren Maggi, Jade Barbosa e tantos outros.

******

Vale o registro: as reportagens de Renato Ribeiro no Mundial de Atletismo de Osaka, e de Pedro Bassan, no Grand Prix de vôlei feminino, na China são uma aula. Nota 10 para eles e para os repórteres cinematográficos Márcio Reis e Vanderlei Serbonchini, da TV Globo.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Corruptos arrependidos, 30/08/07

‘Olha bem pra mim,

transeunte urbano

de minha agonia!

(José Nêumanne Pinto in Madeiro)

Corruptos arrependidos

O considerado Homero Cintra Magalhães, professor em São Paulo, sugere radical porém interessante idéia capaz de limpar a honra e restaurar a dignidade de qualquer corrupto honestamente arrependido:

‘Basta o sujeito comprar em qualquer boa loja do bairro da Liberdade, em São Paulo, uma faca apropriada para a prática do haraquiri, segundo a melhor técnica samurai. Assim, depois de anos a lavar dinheiro, o ex-corrupto tem a rara oportunidade de lavar a própria alma e ainda libertar mulher e filhos de todo e qualquer opróbrio, mesmo que estes não devolvam sequer um tostão da fortuna roubada pelo, digamos, chefe da família. Os interessados podem encontrar todas as informações na internet.’

Janistraquis aprova e, para suavizar o derradeiro gesto de quem deseja com fervor reencontrar o caminho que conduz à vida e honra eternas, oferece o site desse grande escritor gaúcho que é Walter Galvani, autor de recentíssima crônica a respeito da saga dos samurais de verdade. Confira aqui.

Perigo no ar

O considerado Dorival Meirelles (não é parente daquele homem), de Manhuaçu (MG), exalta-se na crítica às novelas da Globo:

‘Leio no UOL que o casal gay de Paraíso Tropical ‘vai ganhar mais liberdade’; significa, é claro, que a veadagem explícita abocanhará mais alguns centímetros de sacanagem, talvez até beijo na boca. Acredite, considerado, mas não sou homofóbico; o que me deixa puto da vida é essa turma querer enfiar na gente a idéia de que homossexualismo é opcional, normal, é coisa boa, é amor divino e o baralho a quatro. Isso não é verdade, pois homossexualismo existe por causa de um desvio genético e até os cães vadios aqui de Manhuaçu sabem disso!’

Janistraquis acha que o exagero realmente não se justifica:

‘Considerado, há mais de 30 anos, numa festa de reveillon, escutei uma jovem senhora casada dizer que adoraria ter um filho gay; na época, a frase chocou um punhado de pessoas que hoje talvez aplaudissem a barbaridade, pois a propaganda é algo fenomenal. Tenho medo de que, amanhã ou depois, até eu fique com vontade de dar ou, pelo menos, partir prum boquete.’

É mesmo um perigo e não se pode facilitar.

História crua

O considerado Rafael Moreno, de Ponta Grossa (PR), leu no UOL Últimas Notícias:

Homem mata e come sem-teto na Áustria

Um novo caso de canibalismo voltou a chocar a Europa, depois que a polícia de Viena prendeu o alemão Robert A., acusado de ter assassinado o austríaco Josef S. e comido partes de seus órgãos internos.

(…) De acordo com vizinhos, discussões entre os dois sem-teto eram constantes. A perícia diz que Josef morreu com um golpe na cabeça executado com um haltere de dez quilos.

Depois, o assassino abriu o tronco da vítima com uma faca, para comer os órgãos internos. O crânio também teria sido aberto e uma parte do cérebro, extraída.

Moreno abstraiu:

‘Dois sem-teto e um devora o outro; isto é que é radicalizar o ‘fome zero’ lá deles, né verdade?’

Janistraquis acha que essa história de alemão comer austríaco é, antes de qualquer famélica atitude, um procedimento histórico.

Plural & plurais

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo varandão debruçado sobre a impunidade geral vêem-se as tais nuvens negras a pairar sobre o governo Lula, segundo o NYT, pois Roldão resolveu reorganizar seu fantástico arquivo e nos enviou esta beleza publicada no Correio Braziliense de 1o de março de 2004:

‘A SALVO NO BRASIL — (…) A chegada do avião brasileiro ao Haiti são descritas por Regina e Nélson, que vivem no país há quatro anos, quase como uma cena de filme. (…)’

Roldão, que ainda não passou férias em Porto Príncipe, reprovou a redação:

Sujeito no singular e verbo no plural! Se a frase fosse invertida, o verbo poderia ir para o plural: ‘Regina e Nélson, que vivem no país há quatro anos, descrevem a chegada do avião brasileiro ao Haiti quase como uma cena de filme.’

Janistraquis acha que, no Haiti, só a indigência merece plural.

Quem tem, preserva!

O considerado José Alberto Pinheiro Cabral, advogado em Porto Alegre, aplaude a coragem do jornal sueco que publicou novas charges (leia aqui a matéria do C-se), ao mesmo tempo em que critica nosso portal:

Por que o Comunique-se não mata a cobra nem mostra o pau? Está com medo de que os muçulmanos invadam a Redação e metam a cimitarra nos ‘infiéis’?

Janistraquis analisou a situação, ó Cabral, e acha que você só diz isso porque o seu não está na jogada:

‘Considerado, o advogado gaúcho certamente ignora aquele dístico famoso segundo o qual quem tem c… tem pavor.’

Nêumanne

Leia no Blogstraquis mais um poema do inspirado José Nêumanne Pinto, glória do sertão paraibano.

Boa idéia

Na matéria intitulada O Globo provoca polêmica ao divulgar diálogos entre dois ministros do STF há um trechinho no qual o doutor Cezar Britto, presidente do Conselho Federal da OAB, diz:

‘O Brasil não pode virar um ‘Big Brother’. Sem privacidade, não há liberdade (…) Não será surpresa se começarem a colocar grampos nos confessionários para violar o segredo religioso da confissão.

Janistraquis, que fez a Primeira (e única) Comunhão quando era um inocentezinho de 8 anos de idade, leu e comentou:

‘Taí uma boa idéia, considerado; que se metam grampos nos confessionários, pra sociedade acompanhar o desenvolvimento da mentira e da hipocrisia, esses eficientíssimos combustíveis da safadeza nacional.’

Amianto é ruim?

O considerado Hermes Barreto Lima, empresário paulistano que mantém três caixas d’água em sua casa na Vila Mariana, garante que o amianto não ameaça a saúde de ninguém e nem agride o meio ambiente, como tem lido ‘por aí’ há muitos anos:

O problema do amianto é o pó que emana das minas de silicato e fábricas, e este pó faz realmente mal a operários que trabalham sem a devida proteção. A utilização de caixas d’água de silicato básico de magnésio fibroso nada tem a ver com isso, pois o produto industrializado não emite resíduo algum. Isso tudo é invenção da indústria de plásticos, que quer dominar um excelente mercado, nada mais. Acontece que, na caixa de amianto, a água permanece fria; na cisterna plástica, está sempre meio morna.

Janistraquis e eu somos sertanejos da região mais desértica do Nordeste e, é claro, não entendemos nada de água — muito menos de briga entre plástico e amianto ou manteiga e margarina…

Ajumentar-se

Janistraquis está convencido de que se tivermos realmente uma reforma na língua portuguesa, esta deve, pelo menos no Brasil, acabar com os pronomes reflexivos e integrantes do verbo, pois são pouquíssimas, quase inexistentes, as criaturas que já foram apresentadas à palavra SE:

‘Considerado, é um tal de fulano machucou, o time classificou, o ministro suicidou que não mais se agüenta. A nada e ninguém é dado machucar-se, classificar-se, suicidar-se neste agonizante idioma no qual zurramos a cada instante, nas conversas de rua e botequim e, principalmente, nos programas de rádio e tevê, incluindo-se os jornalísticos. E quando o reflexivo não existe, a ignorância trata de inventá-lo, como atestam as comuníssimas expressões ‘se depara’ e ‘se prolifera’, entre tantas preferidas e proferidas pela mídia.’

É mesmo; a ignorância medra e frutifica neste país de m…

Nota dez

O considerado Gilson Caroni Filho escreveu na Agência Carta Maior:

A imersão conservadora da imprensa brasileira produziu subtextos dignos de figurar como peças pobres de realismo mágico. Na Macondo imaginária desse jornalismo o país é personagem de uma ficção travestida de discurso objetivo.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo intitulado OS LATIFÚNDIOS QUE SE ALIMENTAM, mais uma lição de competência do professor de Sociologia da Facha, cujo único defeito é torcer pelo Flamengo.

Errei, sim!

‘SENTARAM GETÚLIO – Materinha bem didática da Folha de S. Paulo, verdadeira aula de História Contemporânea:

‘A Tecelagem Santaconstancia já se acostumou a ver os tecidos que produz nas situações mais inusitadas da história do país. Lá estava um tecido da empresa forrando a cadeira onde Getúlio Vargas se suicidou, em 1954, ou vestindo a primeira-dama Maria Tereza Goulart, no início dos anos 60, nas criações de Denner.’

Janistraquis, que era olheiro do falecido Diário de Notícias, do Rio, e rondava o Palácio do Catete na manhã daquele inesquecível 24 de agosto, aposta sua carteirinha de sócio do Clube do Feijão Amigo como Getúlio Vargas não se suicidou sentado em cadeira alguma, nem mesmo sofá-cama, com todo respeito à Santaconstancia.’ (setembro de 1990)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 45 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

TELEVISÃO
Antonio Brasil

Troféu Brasil 2007 para o pior programa de TV, 28/08/07

‘Neste espaço, Agosto nunca é o mês do desgosto. Agosto é o mês da entrega do já tradicional e ansiosamente aguardado Troféu Brasil, o Oscar alternativo para os piores programas da TV brasileira.

Também costumava selecionar os melhores ou os menos piores programas da nossa TV. Mas desisti. No último ano, com certa dose de otimismo, cheguei a anunciar que finalmente tínhamos chegado no fundo do poço. Acreditava que nada poderia ser pior do que as baixarias dos programas religiosos transmitidos em horário nobre ou as humilhações públicas da Sessão Descarrego. Provas inequívocas da qualidade da programação da TV brasileira. Mas confesso que errei. Assim como a nossa política, o fundo do poço da TV aberta brasileira é bem mais profundo.

Não contava com a entrada no ar da TV JB. Além de também transmitir péssimos programas religiosos caça-níqueis como Igreja Mundial do Poder de Deus, Família de Deus ou Vitória em Cristo, a programação da mais nova rede de TV brasileira é simplesmente inacreditável de tão ruim. Muito pior do que se esperava ou se anunciava (ver coluna). E pensar que a TV JB ostenta o nome do nosso país e do velho Jornal do Brasil, sinônimo de inovação e criatividade na História da nossa imprensa.

Por motivos óbvios, tenho grande respeito pelo nome do Brasil. Ele está presente na família há muitas gerações. Trata-se de um grande privilégio e ainda maior responsabilidade. A televisão do Jornal do Brasil tinha a obrigação de fazer o mesmo. Tinha o dever de ser uma das melhores. Mas é sem dúvida a mais nova e pior rede de TV aberta brasileira. Troféu Brasil 2007 na categoria ‘Decepção Televisiva’.

Pior telejornal

De todos os péssimos programas da TV JB, não consegui selecionar sequer uma simples ‘promessa’. Todos os programas são péssimos. Mas tive o desprazer de assistir ao pior telejornal da TV brasileira, o Telejornal do Brasil com Boris Casoy.

Se o Jornal do Brasil não merecia uma TV tão ruim, o velho Boris Casoy também nem precisava sujeitar o seu nome e o seu passado num projeto tão ruim. Tudo é péssimo no telejornal da TV JB. Nada se salva.

Dá pena ver um telejornal em horário nobre de uma nova rede de TV com péssimas reportagens, quase amadoras, e ainda por cima com aquela imagem desfocada, indefinida e precária. Tudo isso em plena época de promessas de imagem com Alta Definição e novos conteúdos interativos de uma TV digital brasileira. Se o jornal do Boris estivesse na Internet seria muito ruim. Mas em uma TV aberta, uma preciosa e importante concessão pública, esse telejornal é um exemplo de tudo que um telejornal não deveria ser. É uma mancha negra no nome do Jornal do Brasil e no extenso currículo de um grande jornalista. O Boris Casoy não merecia tanta pobreza e incompetência.

Com muita tristeza, o Telejornal do Brasil recebe o Troféu Brasil para o pior telejornal do…Brasil.

A Voz do Brasil na TV

E pelo andar da carruagem, a se confirmar o noticiário desta semana, o mais forte candidato a receber o próximo Prêmio Brasil deverá ser outra promessa televisiva. Segundo matéria divulgada pelo Fórum Nacional em Defesa da Comunicação a Radiobrás, aquela mesma empresa estatal que produz com enorme ‘expertise’ o pior programa jornalístico do rádio brasileiro, a Voz do Brasil, também coordenará o jornalismo da TV Brasil.

O ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Franklin Martins, confirmou ao presidente da Radiobrás, José Roberto Garcez, que Brasília terá a chefia de Jornalismo da nova TV pública do governo federal. Ou seja, as nossas piores expectativas em relação à nova rede pública de TV digital finalmente se confirmam.

Teremos em breve, A Voz do Brasil na TV. Mas aproveito para sugerir o nome do próximo telejornal da rede pública… do governo. Que tal A Imagem do Brasil? Só para disfarçar!

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Trabalhou no escritório da TV Globo em Londres e foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’ e ‘O Poder das Imagens’. É torcedor do Flamengo e não tem vergonha de dizer que adora televisão.’

COMUNIQUE-SE
Cassio Politi

O José Dirceu do C-se é o mesmo do mensalão?, 31/08/07

‘O que proponho é uma análise técnica, fria, sem inclinações políticas. É possível descrever José Dirceu sem pensar no mensalão e em sua cassação? Será que existe alguém minimamente informado que se lembre dele somente por feitos politicamente corretos?

Pois o Comunique-se atribuiu a ele o honroso posto de ‘ex-presidente do PT’. Nada além. E se limitou a publicar o que saiu no blog do ex-deputado sobre uma questão polêmica envolvendo limites para a atuação de jornalistas.

É impossível pensar em Dirceu sem pensar no mensalão – e, insisto, esta análise é apolítica. Porque, na mesma linha de raciocínio, é impossível dissociar personagens de fatos históricos, sejam eles positivos ou negativos. Mal comparando: tente se lembrar de Ayrton Senna sem pensar no acidente fatal de San Marino.

Anormal

Há, essencialmente, duas críticas aqui. A primeira: faltam dados relevantes na descrição do personagem, o que seria a conduta normal em qualquer abordagem jornalística. Ou as manchetes dos portais nesta segunda-feira estão pegando pesado com o ex-presidente do PT ao noticiarem que o STF abriu ação penal contra Dirceu e mais 36 acusados no escândalo do mensalão?

A segunda: o fato de novamente não se fazer reportagem. Cadê a entrevista com o José Dirceu?

A resposta é um tanto quanto óbvia: Dirceu provavelmente não daria entrevista. Mas acontece que, ao Comunique-se, quem dá entrevista é quem está predisposto a falar. O personagem difícil é difícil demais para se tentar.

Na matéria ‘O Globo provoca polêmica ao divulgar diálogos entre dois ministros do STF’, foram ouvidos aqueles que obviamente precisavam expor publicamente seus pontos de vista – representantes dos jornalistas e dos juízes. Cadê a opinião do jornal O Globo, centro da discussão?

Nem isso?

A explicação talvez esteja na reportagem sobre os vencedores do Prêmio Jabuti. Eliane Brum, da revista Época, foi a vencedora da categoria livro-reportagem com ‘A Vida que Ninguém Vê’. Klester Cavalcanti, da Vip, ficou em segundo lugar, com ‘O Nome da Morte’.

No ano passado, o Comunique-se foi convidado para ambos os lançamentos, mas ignorou os convites. Não enviou repórteres, como de praxe. Como afirmo isso com tanta segurança? Simples: porque estive nos lançamentos de ambos os livros. Enquanto Eliane e Klester autografavam exemplares, a redação do Portal estava vazia, de luzes apagadas, porta trancada, computadores desligados, deixando para amanhã o que poderia ter saído ontem.

Não assusta o fato de, agora, a redação ter omitido até que Eliane foi a vencedora do Prêmio Comunique-se (categoria repórter de mídia impressa) no ano passado. Como sei disso? Bem… é desnecessário explicar.

Orkut

Um leitor ressalta que, apesar da proliferação da ‘geração gabinete’ – aquela que prefere o conforto da redação ao agito da rua – o Orkut é uma bela fonte de personagens. E questiona o fato de em muitas redações o acesso à rede de relacionamentos ser bloqueado.

É um paradoxo mesmo, mas vou arriscar uma explicação. Os gabineteiros fazem do Orkut e do MSN Messenger não apenas uma ferramenta de trabalho, mas também de papo furado com os amigos. Isso não acontece apenas em redações, mas em empresas em geral.

Fakes & pauta

Notei a presença de usuários falsos. É um problema recorrente. Mesmo com todas as restrições no cadastramento e recadastramento, ainda há fakes antigos. Repassei o caso para a Área de Pesquisa da empresa, a quem cabe resolver o problema. No que tange o conteúdo – que cabe a este ombudsman – a redação tem a obrigação de excluir comentários de usuários que usem nomes comprovadamente falsos. São poucos, mas eles estão por aí.

O mesmo usuário sugeriu uma pauta que merece atenção da redação. Está na coluna da semana retrasada. Checar não custa nada – ou, pelo menos, não deveria custar.

Cassio Politi é jornalista. Atua na Internet desde 1997, com passagens por projetos pioneiros e grandes portais, como o UOL. Ministra cursos de Jornalismo On-Line e Videorreportagem desde 2001. Deu aulas em 25 estados brasileiros para mais de 2,5 mil jornalistas. Em janeiro de 2007, tornou-se o primeiro ombudsman do Comunique-se, empresa na qual também ocupa o cargo de diretor da Escola de Comunicação.’

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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