Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 6 E 7/10

Comunique-se

09/10/2007 na edição 454


MERCADO EDITORIAL
Milton Coelho da Graça


Jornal mineiro é o mais vendido do Brasil, 2/10/07


‘O IVC de agosto aponta o jornal mineiro ‘Supernotícia’ como o mais vendido
do Brasil no mês de agosto, com um total de 9,331 milhões de exemplares. É a
primeira vez na história (se a memória septuagenária não me falha) que nosso
jornal mais vendido não é de São Paulo nem do Rio.


******


Missionário R.R. teria comprado UHF de O Dia


Corre nos meios neopentecostais que o missionário R.R. Soares – aquele pastor
que mais aparece na TV e em vários canais – já se preparou para a era digital e
terá o controle do canal UHF, cuja concessão pertencia a Paulo César Ferreira e
às irmãs proprietárias do jornal O DIA.


******


Record e Universal sempre mais separadas


Vai se tornando cada vez mais evidente o processo de ‘separação’ entre a
Record e a Igreja Universal. A equipe de gestão da Record vai se tornando sempre
mais ‘laica’, buscando se tornar uma empresa sem implicações religiosas. Os
programas da Igreja Universal seriam inclusive, segundo uma fonte da emissora,
apresentados (sob contratos de locação) por outras emissoras.


E a Record está em plena comemoração de uma pequena – mas muito importante –
vitória: nunca antes registrara uma audiência superior a dois dígitos (11
pontos) contra a novela das 9 da Globo.


******


Teste para ver se você conhece bem o Brasil


Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara Federal, tem três destinos
possíveis nos próximos dois anos: volta à Câmara Federal (ele é o primeiro
suplente de Marcos Antonio, que pode perder o mandato), elege-se prefeito sua
cidade, João Alfredo (PE) ou cumpre 24 anos de cadeia (se a Justiça o condenar
por ter tomado R$ 117,5 mil do dono do restaurante da Câmara). O que v.
considera a hipótese mais provável?


******


Socialistas brigam por ‘retrocesso bárbaro’


A Comissão de Constituição e Justiça aprovou por unanimidade que o projeto do
deputado socialista gaúcho Carlos Mota – propondo o fim da cobrança
previdenciária dos servidores públicos- é perfeitamente constitucional e pode
ser votado pelo Congresso. Mas outro deputado socialista, o paranaense Beto
Albuquerque, vice-líder da bancada governista, considerou o projeto um
‘retrocesso bárbaro’. Mas a verdadeira ‘barbaridade’ é ou na cobrar previdência
de quem já está ‘previdenciado’?


(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O
Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e
Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste
Comunique-se.’


Eduardo Ribeiro


Eles se despedem, 3/10/07


‘Os últimos dias de setembro marcaram uma série de despedidas de pessoas que
ocupavam cargos de destaque nos respectivos veículos em que trabalhavam ou
trabalham. Edson Rossi, por exemplo, está se despedindo da Direção de Redação da
revista Vip, da Abril. Antonio Epifânio Moura Reis, por seu lado, disse adeus ao
Diário de S.Paulo. Fernanda Bittencourt, que curte há cinco meses a chegada da
filha Laura Maria, já não mais faz parte da equipe do Jornal da Tarde. Vicente
Vilardaga, profissional que mais estampou seu nome na primeira página da Gazeta
Mercantil nos dez anos em que lá esteve, também começa a trilhar novos passos
profissionais fora da empresa. João Caminoto, correspondente do Grupo Estado em
Londres, não deixa a empresa, mas negociou seu retorno ao Brasil, devendo aqui
chegar na próxima semana.


O momento felizmente não é de crise. Ao contrário, é de relativa bonança por
aquilo que temos visto e pelo que fala o próprio mercado. Quem sai já foi ou
deverá ser substituído e certamente substituirá alguém lá na frente, ou mesmo
exercerá alguma nova atividade ou ocupará alguma nova vaga a ser criada.


Rossi, que vinha de uma experiência bem sucedida no comando de Contigo, onde
esteve por quase três anos, ficou em Vip menos de um ano e meio. Teve o azar de
ocupar o cargo deixado por aquele que o passaria a chefiar, Felipe Zobaran, com
quem não se entendeu. Ambos tinham uma visão diferente da linha editorial da
revista e prevaleceu obviamente a do chefe. A estada de Rossi na Abril abrangeu
também passagens por Elle e pelo núcleo de infanto-juvenis. Cuidou, por um
período, dos especiais de Caras e registrou passagens pelo Diário do Grande ABC
e DCI. Para o lugar dele, chega interinamente Celso Miranda, redator-chefe dos
sites do núcleo de Masculinas da Abril.


Moura Reis estava havia praticamente sete anos no Diário de S. Paulo e saiu
porque seu cargo, de editor de Suplementos e dos cadernos especiais, já não se
mostrava estratégico para o jornal. Como a linha de cadernos especiais do jornal
fica agora sob a responsabilidade do Marketing, a função ficou esvaziada, razão
pela qual o cargo foi extinto. A vaga, no entanto, será redirecionada para
outros projetos editoriais do Diário. Moura Reis diz ter alguns planos, nenhum
ainda definido, mas uma decisão tomada: ‘adeus pauta, título, olho e legenda.
Acho que é hora de partir para outras ao me aproximar dos 50 anos de trabalho.
Como só sei fazer e só gosto de fazer jornalismo, pretendo continuar na
profissão, sem o peso e as angústias, limitações e insatisfações da edição, do
fechamento, do fazer jornal.’


Moura, que nasceu no Piauí, começou em 1958, ainda estudante, em Fortaleza,
passando depois por Belo Horizonte (Diário de Minas, Diário da Tarde e Correio
de Minas), Rio de Janeiro (Correio da Manhã, Última Hora e O Globo) e São Paulo,
onde vive desde 1972. Na capital paulista, foi chefe da Redação da sucursal de O
Globo, onde ficou quase dez anos, chegou a montar uma empresa de comunicação
especializada em publicações empresariais, foi crítico de cinema do Jornal da
Tarde e depois da revista VIP, e chefe de Reportagem de Política e repórter do
Estadão. Passou pela assessoria do Governo do Estado de SP e depois dirigiu o
Diário do Comércio.


Colega de Moura Reis por alguns anos no Diário de S.Paulo, onde atuou por 10
anos, editando Economia e Trabalho, Fernanda, que estava havia três anos e meio
no Jornal da Tarde, deixou a empresa. Contratada como chefe de Reportagem das
editorias de Cidades e Economia do JT, ela ocupava desde o ano passado o cargo
de editora-assistente, atuando no fechamento de Cidades. Antes, trabalhou por
cinco anos na extinta Folha da Tarde. Passou ainda Folha de S.Paulo, Band e
Eldorado. No último mês estava de férias, curtindo, ao lado do marido, Ângelo
Pavini, a pequena Laura Maria. Desligada do JT, começa a pensar nos novos passos
profissionais que terá de seguir daqui para a frente.


Vilardaga saiu já há algum tempo da Gazeta Mercantil e da Editora JB, onde
atuou por dez anos, ocupando sucessivamente os postos de repórter,
editor-assistente, repórter especial, editor, editor-sênior e coordenador
editorial. Passou por diversas áreas, como meio ambiente e saneamento básico,
agronegócios, transportes, indústria farmacêutica e petroquímica, TI e
comunicação e marketing. Editou o caderno de TI da Gazeta Mercantil. Entre 2005
e 2006 foi diretor de Conteúdo do InvestNews e liderou o processo de integração
das redações do jornal impresso com o online. Foi também co-responsável pela
estruturação do núcleo de economia da sucursal de Brasília da GZM/JB e colaborou
na criação e implantação do portal www.gazetamercantil.com.br. Até agosto de
2007, ocupou o cargo de editor-chefe do BIG (Brasil International Gazeta) e o de
diretor de Novas Mídias da Casa Brasil, braço institucional da Editora JB.
Concebeu, desenvolveu e lançou em junho passado o portal www.jornalbig.com.br
.


Caminoto, correspondente do Grupo Estado em Londres e há mais de dez anos
atuando no Reino Unido, negociou sua volta ao Brasil com a empresa ainda no
primeiro semestre, desejoso de ficar mais próximo da família. Dará expediente na
Agência Estado e até janeiro, quando será sucedido como correspondente na
capital londrina por Daniela Milanese, atual editora de Empresas e Setores,
continuará tocando da redação em SP a cobertura de mercados externos. Esta é a
terceira passagem dele pelo Reino Unido, onde já havia cursado um mestrado em
Jornalismo Internacional em 1990, na universidade de Wales. Após trabalhar
durante quase três anos na BBC Brasil e também colaborar com várias publicações
brasileiras, passou, em 2000, a correspondente da Agência Estado. Além disso,
desde 2001 vinha atuando também como correspondente do serviço brasileiro da
Rádio França Internacional. No Brasil, trabalhou em Veja, onde em 1995 ganhou o
Esso de Informação Econômica, Folha de S.Paulo e Jovem Pan, entre outros. Teve
direito a festa de despedida, realizada na semana passada por iniciativa de
amigos da embaixada brasileira em Londres, a que compareceram, entre outros,
Jáder de Oliveira, Sílio Bocanera, Beth Lima, Sérgio Gilz, Fernando Duarte (O
Globo), Érica Fraga (EIU), Richard Lapper (FT), Michael Reid (Economist), Paulo
Panayotis (Record) e Américo Martins (BBC).


Ele chega


Enquanto uns se despedem outros chegam. É o caso de Maurício Stycer que
aceitou convite de Joyce Pascowitch e está agora ao lado dela como diretor
Editorial da Glamurama, responsável pela revista Joyce Pascowitch, pelos sites
Glamurama e Pop e pelos projetos especiais da editora. Havia um ano longe das
redações, desde que deixou o cargo de redator-chefe de Carta Capital, ele vinha
se dedicando à sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em
Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (o
trabalho, cujo título é História do Lance! – Projeto e prática de jornalismo
esportivo, foi aprovado pela banca com distinção e louvor em agosto). Carioca,
acumula experiência de 21 anos em veículos como JB, Estadão, Folha de S.Paulo,
Lance (do qual foi um dos fundadores), Época, além de CartaCapital. O Glamurama,
que Joyce criou há sete anos, atinge 1,5 milhões de visitantes únicos por mês,
está em expansão e terá um novo editor ainda em outubro, com a saída de Doris
Bicudo (a sub Alessandra Garattoni assumiu interinamente).


A revista, que Joyce lançou quando saiu da Editora Globo (ficou lá seis anos,
como colunista em Época e nos últimos três também como diretora de Redação de
Quem) e que está completando um ano neste mês de outubro, leva a marca
registrada da colunista, de falar sobre celebridades, políticos e socialites
privilegiando o conteúdo jornalístico. Ela é mensal, em formato 16,5 x 23 cm
(próprio para ser carregado numa bolsa) e 30 mil exemplares, sendo 20 mil
distribuídos por mala-direta e 10 mil pela Fernando Chinaglia.


Feliz com a boa fase de seus negócios, Joyce falou rapidamente a J&Cia
sobre seus planos:


Jornalistas&Cia – A circulação e a publicidade da revista estão dentro do
que você previa?


Joyce Pascowitch – Estamos com a mesma circulação do lançamento, 30 mil
exemplares, e vamos continuar com ela por mais um tempo. O máximo a que podemos
chegar, daqui um ano, um ano e pouco, são 50 mil. Somos uma revista realmente de
nicho. O mercado é segmentado. Escolhemos uma brecha e acertamos, pois estamos
indo muito bem. Além dos comentários favoráveis, temos a exata medida da
aceitação pela venda de anúncios.


J&Cia – O que espera com a chegada de Maurício Stycer?


JP – Ele está chegando numa época de crescimento total. A revista está saindo
este mês com 320 páginas, sendo 109 de publicidade. Além de crescer no impresso,
com os filhotes da revista, estamos investindo muito no crescimento do site
Glamurama e de seus filhotes e também desenvolvendo canais de interatividade
(temos planos de fazer tevê na internet e outros sites filhotes). Maurício está
gestando tudo isso junto comigo.


J&Cia – E ele vai mudar um pouco o foco, pois ultimamente só pensava em
futebol, não é?


JP – (risos) Maurício continua pensando em futebol, mas não o dia inteiro.
Mas ele tem muito mais a dar ao mundo e aos leitores do que futebol. Então, acho
ótimo que esteja aqui. Eu o conheci na Folha, quando fazia a coluna lá, depois
cada um foi para um lado e agora nos reencontramos.


J&Cia – Tem outras mudanças em vista no curto prazo?


JP – Sim. Estamos com mudanças no Glamurama, chamando um novo editor, novos
colaboradores. Na nossa área de internet estamos em franca
expansão.’


Comunique-se


Editora Abril lança revista Gloss na sexta-feira (05/10), 5/10/07


‘Em formato pocket (16,9×22,3 cm), – mais utilizado na Europa – e tiragem de
200 mil exemplares, começa a ser vendida a partir de hoje (05/10) uma nova
revista feminina da editora Abril: Gloss.


Voltada para mulheres entre 18 e 28 anos das classes A e B, Gloss tem preço
de capa de R$ 5,00 e sua primeira edição tem 80 páginas de anúncios. A editora
da revista, Angélica Santa Cruz, afirma que, além de inovar no formato, a Gloss
invova também no público, pois escreve para ‘a jovem mulher que não conta com
uma publicação feita especialmente para ela’.


A festa de lançamento da Gloss aconteceu na quarta-feira (03/10) em São
Paulo.’


MÍDIA & POLÍTICA
Carlos Chaparro


Que do estrume possam nascer rebentos sadios, 5/10/07


‘O XIS DA QUESTÃO – Estabelecido o dever constitucional da fidelidade
partidária, o Brasil tem agora pela frente o enorme desafio de construir
partidos políticos dignos do novo preceito. Ou seja: partidos que sirvam
verdadeiramente à democracia. Estamos, assim, diante do desafio e da feliz
oportunidade de dar início a uma discussão de enorme interesse nacional, no
espaço público do jornalismo.


No papel de intérprete final da Carta Magna, o Supremo Tribunal Federal
decidiu atribuir à fidelidade partidária vigor de princípio constitucional
irreversível. Pelo menos, enquanto a atual Constituição subsistir tal como está.


Com essa decisão, e com o riquíssimo conteúdo jurídico-filosófico da
argumentação apresentada pelos ministros na sustentação dos seus votos, o STF
ofereceu às mídias jornalísticas, de bandeja, pauta da maior importância para a
discussão política nacional, neste momento de inevitáveis transformações nos
costumes político-partidários brasileiros.


Pauta cujo ponto de partida pode ser resumido em duas perguntas:


– Que esperança de aperfeiçoamento democrático podemos agora acalentar, com
os partidos que temos?


– Será que os nossos partidos estão à altura do papel que lhes cabe, quanto à
representação política pluralista de que a Constituição os incumbe?


Convém lembrar que, com o resultado do histórico julgamento do STF sobre
fidelidade partidária, o poder representativo dos partidos foi substancialmente
fortalecido. Terão de se assumir, na plenitude da função, instrumentos do
pluralismo político.


Como ensina Nobbio, o pluralismo político é a concepção que propõe, como
modelo, a sociedade composta de vários grupos ou centros de poder, identificados
por faces ideológicas que os respectivos estatutos anunciam. Sem entrar na
extensa e complicada teoria da questão, teremos de preliminarmente admitir que
nessa face ideológica se definem os objetivos e os compromissos em torno dos
quais se constitui a associação partidária, por adesão solidária dos seus
membros à idéia ideológica que a motiva.


Eis aí, a meu ver, o substrato essencial do conceito de partido político, no
modelo representativo de governar, consagrado nos sistemas políticos da história
moderna. E entenda-se que o regime político representativo se opõe tanto aos
regimes autocráticos, que transformam as pessoas em súditos, quanto aos regimes
de democracia direta, caracterizados pela ausência de distinções entre
governantes e governados.


Na teoria – e assim deveria ser também na prática -, a representação política
cria a possibilidade de se atribuir, a quem não pode exercer pessoalmente o
poder político, a capacidade de, por meio de eleições livres e do voto secreto,
controlar o poder de governar e legislar. E assim se divide proporcionalmente,
pelos espaços partidários, o tal ‘poder que emana do povo’.


Temos aí, nessa dualidade combinada (a representação política em modelos
pluralistas de governo), o porquê da ‘verdade constitucional’ da fidelidade
partidária, agora estabelecida.


******


Para efeitos da representação política pluralista, de pouco adianta, porém, a
fidelidade partidária se os partidos que a reclamam como direito não têm, nem
conceitualmente nem nas respectivas práxis, identidades ideológicas a que eles
próprios deveriam ser fiéis. Em alguns casos, as nossas associações partidárias
têm mais jeito de grupelhos oportunistas, voltados para pequenos negócios de
secos e molhados, sempre de olho em lucros imediatos, de preferência fáceis.


E isso terá de mudar.


Estabelecido o dever constitucional da fidelidade partidária, o Brasil tem
agora pela frente o enorme desafio de construir partidos políticos dignos do
novo preceito. Ou seja: partidos que sirvam verdadeiramente à democracia. E
dentro de limites que controlem o risco de cairmos em formas novas daquilo a que
a ciência política chama de partitocracia, ambiente no qual só os grandes
partidos têm direito à ambição política.


Estamos, assim, diante do desafio e da feliz oportunidade de dar início a uma
discussão de enorme interesse nacional, no espaço público do jornalismo.


Acordem, pois, senhores e senhoras pauteiros e pauteiras, senhores editores e
senhoras editoras, para esta chance de ouro, de pensar e fazer jornalismo
verdadeiramente importante. Usem a eficácia combinada das várias espécies do
texto jornalístico, para que, além o desvendamento, da polêmica e do aprendizado
político, aconteça também o surgimento de novos protagonistas – nos planos do
pensar e do agir..


E se me permitem uma sugestão, comecem pela desconstrução dos atuais
partidos, para que se revele, sem retoques, o que verdadeiramente são e fazem. E
para que – quem sabe? – do estrume possam brotar rebentos sadios, promissores.


(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor
livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola
de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar
teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem,
foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso
acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de
pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes.
Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado
em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro
da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’


MÍDIA & POLÍTICA
Carlos Chaparro


Que do estrume possam nascer rebentos sadios, 5/10/07


‘O XIS DA QUESTÃO – Estabelecido o dever constitucional da fidelidade
partidária, o Brasil tem agora pela frente o enorme desafio de construir
partidos políticos dignos do novo preceito. Ou seja: partidos que sirvam
verdadeiramente à democracia. Estamos, assim, diante do desafio e da feliz
oportunidade de dar início a uma discussão de enorme interesse nacional, no
espaço público do jornalismo.


No papel de intérprete final da Carta Magna, o Supremo Tribunal Federal
decidiu atribuir à fidelidade partidária vigor de princípio constitucional
irreversível. Pelo menos, enquanto a atual Constituição subsistir tal como está.


Com essa decisão, e com o riquíssimo conteúdo jurídico-filosófico da
argumentação apresentada pelos ministros na sustentação dos seus votos, o STF
ofereceu às mídias jornalísticas, de bandeja, pauta da maior importância para a
discussão política nacional, neste momento de inevitáveis transformações nos
costumes político-partidários brasileiros.


Pauta cujo ponto de partida pode ser resumido em duas perguntas:


– Que esperança de aperfeiçoamento democrático podemos agora acalentar, com
os partidos que temos?


– Será que os nossos partidos estão à altura do papel que lhes cabe, quanto à
representação política pluralista de que a Constituição os incumbe?


Convém lembrar que, com o resultado do histórico julgamento do STF sobre
fidelidade partidária, o poder representativo dos partidos foi substancialmente
fortalecido. Terão de se assumir, na plenitude da função, instrumentos do
pluralismo político.


Como ensina Nobbio, o pluralismo político é a concepção que propõe, como
modelo, a sociedade composta de vários grupos ou centros de poder, identificados
por faces ideológicas que os respectivos estatutos anunciam. Sem entrar na
extensa e complicada teoria da questão, teremos de preliminarmente admitir que
nessa face ideológica se definem os objetivos e os compromissos em torno dos
quais se constitui a associação partidária, por adesão solidária dos seus
membros à idéia ideológica que a motiva.


Eis aí, a meu ver, o substrato essencial do conceito de partido político, no
modelo representativo de governar, consagrado nos sistemas políticos da história
moderna. E entenda-se que o regime político representativo se opõe tanto aos
regimes autocráticos, que transformam as pessoas em súditos, quanto aos regimes
de democracia direta, caracterizados pela ausência de distinções entre
governantes e governados.


Na teoria – e assim deveria ser também na prática -, a representação política
cria a possibilidade de se atribuir, a quem não pode exercer pessoalmente o
poder político, a capacidade de, por meio de eleições livres e do voto secreto,
controlar o poder de governar e legislar. E assim se divide proporcionalmente,
pelos espaços partidários, o tal ‘poder que emana do povo’.


Temos aí, nessa dualidade combinada (a representação política em modelos
pluralistas de governo), o porquê da ‘verdade constitucional’ da fidelidade
partidária, agora estabelecida.


******


Para efeitos da representação política pluralista, de pouco adianta, porém, a
fidelidade partidária se os partidos que a reclamam como direito não têm, nem
conceitualmente nem nas respectivas práxis, identidades ideológicas a que eles
próprios deveriam ser fiéis. Em alguns casos, as nossas associações partidárias
têm mais jeito de grupelhos oportunistas, voltados para pequenos negócios de
secos e molhados, sempre de olho em lucros imediatos, de preferência fáceis.


E isso terá de mudar.


Estabelecido o dever constitucional da fidelidade partidária, o Brasil tem
agora pela frente o enorme desafio de construir partidos políticos dignos do
novo preceito. Ou seja: partidos que sirvam verdadeiramente à democracia. E
dentro de limites que controlem o risco de cairmos em formas novas daquilo a que
a ciência política chama de partitocracia, ambiente no qual só os grandes
partidos têm direito à ambição política.


Estamos, assim, diante do desafio e da feliz oportunidade de dar início a uma
discussão de enorme interesse nacional, no espaço público do jornalismo.


Acordem, pois, senhores e senhoras pauteiros e pauteiras, senhores editores e
senhoras editoras, para esta chance de ouro, de pensar e fazer jornalismo
verdadeiramente importante. Usem a eficácia combinada das várias espécies do
texto jornalístico, para que, além o desvendamento, da polêmica e do aprendizado
político, aconteça também o surgimento de novos protagonistas – nos planos do
pensar e do agir..


E se me permitem uma sugestão, comecem pela desconstrução dos atuais
partidos, para que se revele, sem retoques, o que verdadeiramente são e fazem. E
para que – quem sabe? – do estrume possam brotar rebentos sadios, promissores.


(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor
livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola
de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar
teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem,
foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso
acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de
pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes.
Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado
em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro
da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’


CASO TIM LOPES
Tiago Cordeiro


DPCA pede transferência de suspeito em assassinato de jornalista Tim Lopes,
5/10/07


‘A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente do Rio (DPCA) pediu a
transferência do suspeito de envolvimento no assassinato do jornalista Tim
Lopes. O criminoso está há três meses em Alagoas e confessou ter participado da
morte do repórter da TV Globo quando foi preso por outros crimes. A explicação
para a transferência é de que o assassinato de Tim ocorreu em uma favela
carioca, o que obrigaria o julgamento do suspeito ser no Rio de Janeiro.


O bandido foi detido na quarta-feira (03/10), mas o anúncio da prisão só
ocorreu hoje. Às 10h, a Polícia Civil de Alagoas concedeu uma coletiva sobre o
caso. O oficial Mario Jorge Barros contou que o relato do criminoso foi feito
‘com riqueza de detalhes’. Ele participou de outros crimes na região desde que
fugiu do aumento da segurança no Rio de Janeiro, durante os Jogos
Pan-Americanos.


‘Não prevalece só o que ele fala. A gente tem que confrontar com os dados da
investigação, já que não é muito comum alguém que é capturado por um crime
assumir outro. Temos que analisar com o caso do Tim Lopes e confrontar com
outros dados’, explicou o delegado Deoclécio Francisco de Assis Filho, da DPCA.
O rapaz informou detalhes que apenas a investigação conhecia.


O suspeito disse cometer crimes desde os nove anos. Ele apresentou uma
certidão de nascimento que indica que teria 17 anos, ou seja, 12 na época do
crime. O membro do tráfico carioca vivia com a avó na região e foi denunciado
por vizinhos. A polícia do Rio ainda tenta confirmar os documentos.’


CONCESSÕES EM DEBATE
Tiago Cordeiro


Presidente da Abert vê processo de renovação como ‘transparente e muito
rígido’, 5/10/07


‘Daniel Slavieiro, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão (Abert), afirmou que os critérios para concessão e renovação de
canais de rádio e TVs são transparentes e não precisam de mudanças. ‘O processo
atual é absolutamente transparente e muito rígido. As que não cumprem ou não
cumpriram os critérios estabelecidos pelo Estado estão tendo problemas na
renovação e na obtenção de serviços auxiliares’, opinou.


A campanha movida por diversas entidades escolheu o dia de hoje para o início
de suas mobilizações porque nesta semana venceram a concessão de 153 emissoras
de rádio e 28 de televisão. Entre elas, Rede Globo, Bandeirantes e Record,
empresas ligadas à Abert.


Apesar da afirmação, Slaviero crê que a legislação da área precisa de
mudanças como sobre as questões tributárias, fiscais e de conteúdo. A
ex-deputada Jandira Feghali criou um Projeto de Lei que determina que emissoras
de TV transmitam entre meia-noite e 5h programas culturais, artísticos e
jornalísticos produzidos nas cidades onde ficam as sedes das emissoras. O PL
também exige 40% da programação destinada à produção independente. As rádios
seriam obrigadas a ter 20% de sua programação voltada para jornalismo e músicas
nacionais.


O presidente da Abert também acredita que o setor pede o que chama de
desburocratização no processo de outorga e renovação. ‘As emissoras de rádio e
TV têm que apresentar duas ou três vezes a mesma documentação [ao Ministério das
Comunicações]. A informatização do sistema facilitaria a vida do
concessionário’.


Tempo


De acordo com estudo da Consultoria Legislativa da Câmara sobre a tramitação
dos processos de outorga e renovação de radiodifusão no âmbito dos Poderes
Executivo e Legislativo, o tempo médio de tramitação de processos de renovação
de outorgas de FMs, por exemplo, no ano passado, no Ministério das Comunicações
foi de 1704 dias, na Casa Civil foi de 675 dias e na Câmara dos Deputados foi de
227 dias.


O estudo foi feito pela Subcomissão Especial da Comissão de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. A subcomissão analisa propostas
de aperfeiçoamento do processo de outorgas para dar mais transparência às
renovações e concessões.


Monopólio


‘Algo importante é que houvesse uma fiscalização maior da grande feira que se
tornou a Rede Globo. É a maior na internet, a maior na TV e na rádio. É esse
posicionamento que queremos ter com a sociedade’, declarou Antonio Carlos Espis,
primeiro tesoureiro da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e um dos membros
da campanha.


Espis afirma ainda que as concessões são públicas e deveriam ter maior
‘controle social’. ‘Há diversas campanhas no Brasil pedindo mais espaço para
MST, CUT e dificilmente temos espaço nas concessões públicas’, criticou.


Constantemente citada nas queixas sobre monopólio, a TV Globo criticou a
acusação de Espis. ‘Chamar de monopólio é na verdade uma agressão ao público,
que de forma democrática, como numa eleição diária e a cada minuto, escolhe a TV
Globo entre as várias opções disponíveis’, divulgou a Central Globo de
Comunicação.


A empresa qualificou ainda o comentário de ‘informação deturpada e falta de
confiança na capacidade de escolha do cidadão’. De acordo com a Globo, o
processo atual de renovação de concessão é transparente. ‘Pode até ser
acompanhado pelo site do Ministério das Comunicações’.


(*) Com informações da Agência Brasil.’


Comunique-se


Deputados com concessões não querem transparência, diz pesquisador,
5/10/07


‘O pesquisador Venício Lima, da Universidade de Brasília (UnB), declarou que
o Congresso Nacional não tem interesse em revisar os critérios de concessão e
renovação de emissoras porque muitos parlamentares são donos ou sócios de
empresas de rádio e TV. Em 2004, Lima publicou um estudo que indicava que 16
integrantes da subcomissão da Câmara dos Deputados, responsável por conceder e
renovar concessões, constavam como sócios ou diretores de 37 emissoras.


‘As concessões de radiodifusão, a partir da primeira concessão, são quase
todas automaticamente transformadas em propriedade’, explicou o pesquisador, que
ressalta não haver meios legais de interromper o processo. ‘A área não tem sido
regulada nas últimas décadas’.


Erundina


As críticas repetiram o discurso da deputada Luiza Erundina (PSB-SP),
presidente da subcomissão da Câmara, que avalia as normas de concessão e
renovação dos canais de rádio e TV. ‘As concessões se renovam às vezes até fora
do prazo. Esses canais continuam operando mesmo com datas de concessões
ultrapassadas. Isso estamos tentando rever na legislação’. Existem casos de
emissoras que já iniciaram o processo de renovação, mas esbarram na lentidão do
Congresso.


Em 2006, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da
Câmara (CCTCI) não renovou a concessão de 83 emissoras de radiodifusão. ‘Apenas
seis grupos detêm o controle dos meios de comunicação social no país. Essas
concessões se transferem entre terceiros sem passar pelo Ministério das
Comunicações, como deveria’, critica a deputada.


Para Lima, há uma falta de critérios claros e transparentes que resulta na
ineficiência das concessões em atenderem o interesse público. ‘A questão das
concessões não é um problema pontual. Se insere no quadro gerador de caos
regulatório na área de radiodifusão’, opina. ‘O que o Ministério das
Comunicações propõe é aceito’, afirmou, criticando o órgão por seus pareceres
que não mudam a situação. ‘Precisam ser obedecidos os princípios da pluralidade
e da diversidade, contemplando, de forma equilibrada, diferentes opiniões’.


Código


O Código de Telecomunicações foi criado no início da década de 60, muito
antes da popularização dos meios digitais. Caso a Lei Geral de Telecomunicações
fosse renovada, os critérios de concessão poderiam ficar mais claros. No início
da semana, uma interpretação gerou dúvidas sobre a legalidade do novo canal de
notícias Record News. Contudo, advogados já garantiram que se trata de uma
interpretação equivocada da legislação do setor.


A Subcomissão já gerou um trabalho com sugestões de critérios e normas, mas o
projeto ainda não foi aprovado pela Câmara. Erundina acredita que haverá
dificuldades para a aprovação, mas conta com a mobilização popular no processo
de aprovação. Hoje, começou a campanha ‘Quem Manda É Você’, exigindo maior
transparência no processo.


(*) Com informações da Agência Brasil.’


MÍDIA & NEGÓCIOS
Comunique-se


BBC compra Lonely Planet, 5/10/07


‘Favorito dos mochileiros pelas dicas exatas e baratas, o guia de viagens
Lonely Planet foi adquirido esta semana pela BBC Worldwide, a divisão comercial
da British Broadcasting Company. A operação visa a aumentar o faturamento da BBC
na Austrália, país de origem do Lonely Planet, e nos EUA, onde é mais vendido. O
valor da compra não foi divulgado.


O Lonely Planet foi fundado em 1972 pelo casal Tony e Maureen Wheller, e tem
um catálogo de 500 títulos. Seu site, também com dicas de viagens, registra 4,3
milhões de acessos mensais. O casal e outro sócio, John Singleton, manterão 25%
das ações. A BBC pretende incorporar ao portal seus documentários de viagem. (*)
Com informações da BBC Brasil’


INTERNET
Bruno Rodrigues


Quem é escritor, afinal?, 4/10/07


‘Alterar paradigmas é uma pedreira; leva tempo e consome paciência. Coloque a
internet – ou até mesmo a televisão – na rota desta missão (quase) impossível e
voilà: está armada a confusão. Mais que uma pedreira, é uma cordilheira inteira
a enfrentar.


Um exemplo? Diga a um grupo de escritores que autores de livros publicados na
web são – errr – escritores. E que tal afirmar que um autor de novelas também é
escritor? Corre-se o risco de perder a vida!


Há gente corajosa, contudo. Heróis que enfrentam o bolor do antigo para, de
forma afável ou até nada sutil, esvaziar a oposição em poucos segundos.


Trago dois exemplos que prometem mudar nossa forma de encarar o escritor:


* A crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda foi curadora da mostra
‘Blooks: Tribos e Redes na Rede’, que aconteceu com sucesso até semana passada
no Rio de Janeiro. Os tais dos ‘blooks’ – books + blogs – são, como diz o nome,
livros com conjuntos de posts (textos) publicados em blogs, ou que deles
surgiram.


Em entrevista ao UOL, Heloisa defende que há talento e genialidade de sobra
na web: ‘ (…) existe uma enorme produção literária na Rede, que usa o recurso
interativo do blog e o ambiente descentralizado da internet para desenvolver a
criação literária’. E completa: ‘qualquer pessoa pode se tornar autor’.


Já ouço os gritos de ‘herege!’. Tem coragem, a Heloisa.


* Aguinaldo Silva, autor de ‘Duas Caras’, nova novela da Globo, agora integra
o cast do ‘BlogLog’, portal de diários online lançado há pouco pelo Boni. No
primeiro post o novelista desabafou que, convidado a participar de um debate na
Bienal do Livro do Rio, cujo tema seria ‘autor de novelas é escritor?’, não
apareceu intencionalmente.


Para o autor – ou seria escritor? – a discussão já perdeu o prazo de
validade; para ele é óbvio que quem escreve folhetins para a tevê é escritor.


Tem coragem, o moço. Ser blogueiro e autor de novelas é como colocar-se na
rota de tiro duas vezes. Já ouço os gritos de ‘herege’, agora com a potência
sonora de um bom home theater.


Para encerrar, cito não um exemplo, mas uma atitude também corajosa e que
promete mudar – e muito – a maneira de avaliarmos uma obra literária. Mais uma
vez, a mudança passa pela internet:


* A Amazon.com acaba de criar o ‘Amazon Breakthrough Novel Award’ em conjunto
com o grupo editorial Penguin e a empresa de tecnologia Hewlett Packard. Em um
processo seletivo para lá de inovador, a livraria virtual irá contar, na etapa
inicial, com a crítica dos próprios usuários do site para avaliar obras
inéditas, em inglês, enviadas por autores de vinte países. O felizardo que
chegar à fase final levará para casa um contrato com a Penguin e US$ 25,000 de
adiantamento.


Têm coragem, Penguin e Amazon. Achar que o leitor tem capacidade de avaliar
manuscritos é colocar em xeque o olhar clínico do editor experiente. Afinal,
quem dá as cartas neste jogo, quem lê ou quem publica?


Fato é que todas estas questões causam estranheza e incômodo. Leitor é
editor? Livro online é livro, mesmo? Escritor de tevê é escritor?


Respire fundo: é preciso que todos nós tenhamos coragem, pois a mudança está
apenas começando…


******


No dia 24 deste mês, quarta-feira, inicio mais uma edição de meu curso
‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ no Rio de Janeiro. Serão cinco aulas
semanais, sempre à noite. Para mais informações, é só ligar para 0xx 21 21023200
e falar com Cursos de Extensão, ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br.
Até lá!


(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo
online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua
continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra
treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior.
Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para
a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é
citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas
uma das principais referências na área de Comunicação Social no
Brasil.’


JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio


Prazer, Brasileirão, 2/10/07


‘Olá, amigos. Na noite da última segunda-feira, o comentarista José Trajano,
da ESPN Brasil, levantou uma bola muito interessante no programa ‘Linha de
passe’: o não entendimento por parte da crônica esportiva brasileira do
Campeonato Brasileiro da forma como é disputado hoje.


Todo ano, desde a adoção do modelo de pontos corridos, algum time começa como
favorito, um autêntico ‘cavalo paraguaio’, e a crônica, em sua grande maioria,
se embevece com o futebol jogado, com a frente que a tal equipe abre em relação
aos demais, e depois busca justificativas para a queda, como se ela não fosse
previsível.


Este ano, os alvos foram o Botafogo e o Criciúma, respectivamente nas Séries
A e B. Ambos começaram o ano muito bem, liderando as competições com boa
vantagem de pontos, e com pinta de campeões. Mas, como o campeonato de pontos
corridos é longo, muita coisa acontece, incluindo outros campeonatos paralelos,
como Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-Americana, além das janelas de
transferência para o exterior. Estas competições paralelas e a saída dos poucos
valores que ainda temos no país fazem com que os times mais estruturados,
invariavelmente, cheguem na frente. Daí o São Paulo estar sempre à frente dos
demais nos últimos tempos.


Me lembro também de uma frase do comentarista Marco Antônio Rodrigues, no
‘Arena SporTV’, que ilustra bem como é difícil fazer prognósticos neste tipo de
campeonato. Perguntado sobre quem seriam os favoritos para o Brasileirão de
2006, Marco Antônio disse: ‘Prefiro esperar o campeonato andar um pouco mais,
para errar com mais convicção’. É por aí mesmo.


O que temos que aprender é a observar com mais paciência, sem o imediatismo
de termos de eleger favoritos. Analisar não é adivinhar. Neste ponto, ainda
temos que ser apresentados ao Brasileirão por pontos corridos.


******


Lamentável, sob todos os aspectos, a reação do vice de futebol do Botafogo,
Carlos Augusto Montenegro, ao conversar com torcedores do clube no primeiro
treino do time após a eliminação da Copa Sul-Americana. Fazer coro com o
festival de xingamentos vindos das arquibancadas, nitidamente tirando o seu
corpo fora do fracasso do time no ano, foi uma atitude triste. Se eu fosse
torcedor do Botafogo, teria vergonha de ter alguém com esta postura dirigindo o
meu time. Ou será que os jogadores chegaram ao


clube por outras assinaturas que não a dele?


Mais digna e equilibrada foi a postura do presidente do clube, Bebeto de
Freitas, que não escondeu a frustração, mas mostrou publicamente o que se espera
de um comandante. Atitudes como a de Montenegro, felizmente documentada por
todos os veículos de comunicação presentes ao clube, pioram substancialmente a
imagem do próprio Botafogo.


(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou
da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a
cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a
editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da
Globo.com.’


JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu


Augusto Nunes de volta, 4/10/07


‘Somos nós o horizonte


onde aportarão os exércitos


sem direção


(Nei Duclós in No Mar, Veremos)


Augusto Nunes de volta


É notícia mais apropriada para o Jornalistas&Cia., do nosso Eduardo
Ribeiro, porém nasceu de uma conversa entre o colunista e esse que é o melhor
entrevistador da TV brasileira: Augusto Nunes comunicou a Nélson Tanure que vai
esperar até o próximo dia 20 pelo novo canal da TVJB; se este não pintar,
aceitará uma das três propostas que recebeu para manter no ar o programa Verso
& Reverso.


******


Formidáveis cães gaúchos


O(a) considerado(a) A.S.G., aparentemente jornalista em Porto Alegre
(trata-se de pessoa misteriosíssima), envia para nossa Caixa Postal recorte do
jornal Zero Hora, no qual se lê, sob o título Jovem achada morta após 26 dias
sumida:


Chegou ao fim, às 12h30min de ontem, um mistério que já durava 26 dias. Foi
encontrado por cães de caça, escondido sob as raízes de uma árvore em um
matagal, o corpo de Carina de Carli, 26 anos(…) Os cães, que caçavam junto dos
donos em um matagal às margens da Rua João Quaresma da Silva – limite entre as
cidades de Portão, Estância Velha, Novo Hamburgo e São Leopoldo – farejaram o
corpo da jovem e acionaram a Brigada Militar no final da manhã.


‘Veja como são os cães gaúchos!’, festejou A.S.G. diante da façanha de dois
animais capazes de achar um corpo e acionar a polícia. Janistraquis, que ainda
lamenta a morte do nosso pointer Vasco, choramingou:


‘Os jovens cães gaúchos, tão inteligentes e úteis, e nosso pobre bichinho,
mais veterano que Dercy Gonçalves, nem distinguia mais um osso de um prato de
leite – e não se interessava por um ou outro…’


******


Esquisita demissão


O considerado Altair Gomes Furtado, professor em Vitória (ES), e mais 17
leitores de todo o país, enviam notícia publicada no Diário Oficial e veiculada
em jornais e emissoras de rádio e TV, notícia segundo a qual o governador de
Brasília, José Roberto Arruda (DEM), ‘demitiu’ o gerúndio de todos os órgãos do
governo.


O professor lembra que o gerúndio é uma das formas nominais do verbo, formada
pelo sufixo ‘ndo’, o qual indica continuidade de uma ação:


O uso abusivo do gerúndio se tornou comum e demonstra imprecisão de uma
atitude como, por exemplo, ‘vou estar tomando providência’, em lugar de ‘vou
tomar providência’, porém o governador Arruda quis, com seu curioso decreto,
‘demitir’ o gerundismo e não o gerúndio.


É verdade; o gerúndio é legítimo filho do idioma e o que se deve combater é o
outro, o gerundismo, produto da mancebia entre a preguiça mental e a
ignorância.


******


Concretizando


O considerado Thomaz Magalhães despacha de seus domínios paulistanos, logo
depois da inevitável e noturna sesta:


Vi na Agência Globo matéria creditada ao Diário de São Paulo. O título:
Aposentado é apedrejado e morto em São Paulo. Fui ler, porque esse costume da
Antiguidade ainda em prática em plagas muçulmanas e islâmicas é incomum aqui
pela tupiniquéia.


Porém, não se tratou de suplício, como sugere o texto, pois o fulano teve a
cabeça esfacelada por um pedaço de concreto encontrado ao lado do corpo. E
embora seja possível apedrejar apenas com palavras, concreto é concreto e pedra
é pedra.


Janistraquis acha, ó Thomaz, que se o pobre coitado foi atacado com um pedaço
de concreto, não houve apedrejamento propriamente dito, mas uma, com perdão da
palavra, concretização…


******


Multidão da pomba!


O considerado Flávio Bredariol, assessor de imprensa da Prefeitura de Garça
(SP), sobrevoou o site Terra e dali extraiu esta exemplar notícia:


Manifestantes queimam fotos do rei da Espanha


Cerca de 50 pessoas queimaram neste sábado fotografias do rei Juan Carlos na
Catalunha, em apoio aos dois jovens separatistas acusados pela Justiça por
ofensas à realeza por terem feito a mesma coisa.


Os manifestantes queimaram as fotos do rei diante da prefeitura de Manresa
(província de Barcelona), na Espanha, e exibiram cartazes com slogans
antimonarquistas.


(…) Na semana passada, outra multidão de separatistas catalãos também
queimou fotos de Juan Carlos em Gerona.


Cinqüenta manifestantes! Bredariol, que é torcedor do Noroeste de Bauru, não
resistiu:


Eu achava que os 100 pagantes dos jogos do meu time eram apenas
testemunhas… agora descobri que eles são uma multidão e tanto.


Janistraquis aproveita para esclarecer que o plural de catalão é catalães,
principalmente quando se trata de massa deverasmente fenomenal.


******


Audálio&Ziraldo


O considerado Audálio Dantas, essa glória do jornalismo e da literatura,
convida para o lançamento de ‘A Infância de Ziraldo’, escrito para homenagear os
75 anos de idade do menino maluquinho, feliz e genial.


Audálio e Ziraldo esperam os admiradores na Saraiva MegaStore do Murumbi
Shopping, em São Paulo, a partir das 18h30 deste sábado, 6/10.


******


Nei Duclós


Leia no Blogstraquis a íntegra de Senha, inspiradíssimo poema desse
guerrilheiro dos versos.


******


Vascaína Marta


Depois de mais uma derrota no Brasileirão, desta vez para o penúltimo
colocado, o Juventude, dentro de São Januário (1 a 0, ontem à noite),
Janistraquis ameaçou embriagar-se de tristeza e suspirou:


‘Ah!!!, considerado, se a Marta voltasse pro Vasco, agora pra equipe
masculina, não iríamos passar tanta vergonha…’.


Pois é, a craque da Seleção Brasileira saiu do sertão alagoano quando era
adolescente e viajou para o Rio, determinada a fazer um teste no Vasco.
Aprovada, até morou em São Januário e de lá foi para a Suécia porque no Brasil
as perspectivas do futebol feminino não eram e ainda não são lá essas coisas.


O considerado leitor acha que é mentira o passado vascaíno de Marta? Pois
confira aqui.


******


Viva Luís Roberto!


Janistraquis achou justíssimo o Prêmio Comunique-se dado a Luís Roberto, da
Rede Globo, e acha que o melhor narrador esportivo merece mais um:


‘Considerado, a memória do rapaz é uma coisa impressionante, ele parece que
engoliu um computador!!! Lembra o Roberto Avallone dos tempos do Jornal da
Tarde!’.


Avallone lembrava-se de todos os detalhes de todas as partidas acompanhadas
desde criança; Luís Roberto tira de letra até as mais remotas peladas suburbanas
e sabe de onde vieram e onde estão todos os jogadores. Para nós torcedores, tais
recordações constituem um irresistível ‘plus a mais’.


******


Corretíssimos


Um não-identificado narrador esportivo da TV disse que o Brasil ‘conquistou o
vice-campeonato mundial de futebol feminino’. Janistraquis, que assistiu ao jogo
e tem certeza de que perdemos o título para as alemãs, reagiu como o ministro
Joaquim Barbosa diante do jeitinho brasileiro:


‘Considerado, pela cartilha politicamente correta não existem mais
perdedores, nem feios, gordos, negros, débeis mentais, lorpas, pascácios e
bichonas. E quando já estamos a cair pelas tabelas, garantem que vivemos a
‘melhor idade’. Quer dizer, nem os velhos existem mais!!!’


É mesmo. Janistraquis e eu estamos numa boa, a viver o lado coca-cola da
vida, e ainda nos situamos a alguns centímetros da burrice absoluta.


******


Ignorância oficial


Saiu na coluna do Claudio Humberto:


Vingança?


Nos 110 anos da Academia, ontem, José Sarney falou diante de Lula sobre
figuras que o presidente nem suspeita que existiram, como Machado de Assis.


******


De nádegas e botões


O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de onde é
possível enxergar a safadeza nua a banhar-se no poluído espelho d’água do
Palácio do Planalto, pois Roldão lia placidamente o exemplar de 28/9 do Correio
Braziliense quando interrompeu de repente a leitura e enviou a seguinte mensagem
a Renato Ferraz, editor dos suplementos e cadernos especiais do jornal:


Prezado Renato, seu artigo de hoje no Correio Braziliense – Políticos e
Motoqueiros – começa dizendo que deputados e senadores usam um bottom na lapela
esquerda do paletó. A informação está certa, mas não o termo empregado. Bottom
quer dizer embaixo e também, figuradamente, traseiro, nádegas!


A palavra correta em inglês é button, conforme já está registrado no Houaiss.
O vocábulo original é francês e significa botão, que poderíamos empregar e
divulgar. Ou então usar o termo emblema, que tal?


Janistraquis adorou e saiu a cantar From the bottom of my heart, dear, I
apologize…, verso da canção imortalizada por Billy Eckstine.


******


Nota dez


O considerado José Nêumanne Pinto escreveu na página 2 do Estadão:


(…) A fidelidade partidária não é uma fórmula mágica que moralizará da
noite para o dia o conspurcado ambiente político nacional. Mas é o purgante que
precisa ser ministrado para deter a decomposição orgânica da vergonha na gestão
dos negócios públicos no Brasil.


Leia no Blogstraquis a íntegra do excelente artigo intitulado O STF contra a
geral falta de compostura — o mandato não é do partido nem do parlamentar, mas
do eleitor.


******


Errei, sim!


‘CHOQUE VIOLENTO – Trágica notícia de O Diário, de Maringá (PR),
aparentemente abalado com o desaparecimento de um de seus filhos: Maringaense
morre em acidente em São Paulo. O ‘aparentemente’, que foi insistência de
Janistraquis, procede; afinal, o texto do chamado infausto acontecimento
começava assim: ‘Baiano de Brumado…’.


Quer dizer, Maringá adotou o falecido Alvino Pereira, cuja morte foi desta
forma relatada por O Diário: ‘(…) Apesar da violência do choque, ele sofreu
apenas fraturas nos pulmões e traumatismo craniano, o suficiente para tirar-lhe
a vida’. Janistraquis considerou este apenas de uma ‘requintada
desconsideração.’ (outubro de 1990)


Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067
– CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.


(*) Paraibano, 65 anos de idade e 45 de profissão, é jornalista, escritor e
torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora,
Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E
foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo.
Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a
seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’


TELEVISÃO
Antonio Brasil


RecordNews no ar jogando notícia no ventilador, 3/10/07


‘Sempre disse que o ‘calcanhar de Aquiles’, o ponto mais fraco da programação
da Globo é o jornalismo. Tem audiência, é ‘competente’, mas ao contrário das
novelas, nunca convenceu o público da sua ‘veracidade’. Assistem ao JN com a
pulga atrás da orelha Acreditam mais nas novelas do que nos telejornais da
emissora. Eles possuem suas razões. A trajetória histórica do jornalismo da
Globo é repleta de dúvidas, mistérios e falcatruas. Assim como tantas acusações
contra os nossos políticos, no final nada fica totalmente provado. Mas fica no
ar o pior: a dúvida. E assim como a ética na política, a credibilidade no
jornalismo é algo que não permite ‘suspeitas’. Ou tem ou não tem.


Por outro lado, muitos ainda assistem ao jornalismo da Globo porque não
encontram opção. Os telejornais das outras emissoras não passam de cópias mal
feitas do original. Seus responsáveis nunca tiveram a coragem ou ousadia de
testar novas idéias, formatos alternativos ou pautas diferenciadas. Na dúvida,
copiam e repetem o modelo original. Daí o fracasso previsível e a garantia de
‘sucesso’do modelo global. Mais culpa dos outros do que qualidades próprias.


Mas a Globo também faz a mesma coisa. Mas ao contrário das suas congêneres
nacionais, busca ‘inspiração’ nos EUA.


O JN é cópia dos telejornais americanos, o Bom dia Brasil do Good Morning
América, os jornais noturnos – que por sinal já acabaram nos EUA, são cópias
piores e mais sonolentas do modelo americano. Nada se cria, tudo se copia na TV
e no telejornalismo brasileiros.


Em 1980, o empresário americano Ted Turner inovou em TV. Transformou o seu
canal por assinatura em uma TV com notícias 24 horas por dia. Como todo
inovador, foi chamado de louco. Na época, eu trabalhava em Londres para uma
grande rede de TV americana, a ABC News e nos referíamos à CNN como Chicken
Noodle News ou Rede de Notícias Canja de Galinha. Nunca iria dar certo. Para que
ou para quem tanta notícia.


Mas além de inspiração e ousadia, a turma do Ted Turner teve sorte. Muita
sorte. A cobertura exclusiva do bombardeio de Bagdá durante a guerra do Golfo
garantiu o sucesso do projeto inovador. A crise econômica e decadência dos
departamentos de jornalismo das demais redes também contribuíram para que a tal
‘canja de galinha’ se tornasse em uma rede mundial de notícias. Ted Turner fez
tática de guerrilha contra as poderosas redes americanas e venceu. Ou seja,
sobreviveu.


O diferencial no gratuito


Hoje, a RecordNews tenta fazer o mesmo percurso. Aqui nos trópicos, tudo
acontece em um outro ritmo. Tudo é mais lento e cauteloso. Mas acaba
acontecendo. A estratégia da RecordNews obviamente não é enfrentar a fraca e
combalida GloboNews. O alvo da Rede Record é o jornalismo da Globo. A RecordNews
está mais interessada na polêmica, no enfrentamento público contra a Globo do
que apresentar uma produto novo ou diferente. A RecordNews é mais produto
clonado para enfrentar a Globo no seu próprio terreno. Parece muito com o
original.


Mas a idéia de oferecer um canal de notícias 24 horas em canal aberto – mesmo
que seja uma cópia da Globo ou Band News (os nomes semelhantes não são meras
coincidências) revelam uma estratégia de ataque ousada e perigosa. No momento,
não vamos notar seus efeitos. Mas quando houver uma grande notícia, um grande
desastre para ser coberto por canal especializado, a Globo terá que mudar sua
própria estratégia. Não poderá mais confiar tanto cobertura meio jovem, ingênua
e irresponsável da Globonews.


No passado, a Globo em vez de investir na Globonews, em vez de tentar
melhorar sua operação tão limitada e precária, simplesmente remanejava ou
escondia seus concorrentes ou ‘ameaças’. A hegemonia preguiçosa e duvidosa da
Globonews era garantida pelo desaparecimento das outras redes como a CNN
Internacional (em espanhol) ou da BBC das grades básicas de TV por assinatura.
Como toda a trajetória de seu jornalismo, de forma muito competente, porém de
forma igualmente duvidosa ou nebulosa. Desde os seus primórdios, os fins sempre
justificaram os meios. Mas os tempos mudaram.


E isso pode ser muito bom tanto para a Globo como para a Globonews.
Precisamos de um choque de competição no jornalismo de TV. Infelizmente, esse
choque vem da Rede Record, a rede do bispo. Pobre Brasil! Mas é melhor do que
nada. O tal ‘câncer’ do monopólio das notícias de TV apregoado pela Record é um
mal ainda maior do que qualquer outra ameaça. Entre a perigo do presente e as
ameaças do futuro, costumamos optar pela… inércia. ‘Ta ruim, mas pode ficar
pior’. Em verdade, não há nada pior do que esse imobilismo tropical.


Rede Vale Tudo


Há algum tempo, a Record percebeu essa falha ou ‘janela’ de oportunidade.
Investe em jornalismo da mesma forma que investe em novelas. Luta pela segunda
posição na audiência com as mesmas táticas de mercado e conteúdos de programação
da grande rival, a Globo.


A Record é uma TV de guerrilha às avessas. Enfrenta o inimigo de peito
aberto. Canaliza e capitaliza o espírito anti-Globo. Quanto mais polêmica,
melhor. Ao contrário do SBT, não se satisfaz com o segundo lugar.


A verdade é que o jornalismo da Globo se confunde com o poder, qualquer
poder. É poderoso e arrogante. Tenta ser maior do que os partidos políticos.
Tenta ser maior do que o seu público.


A Rede Record luta com as mesmas armas e estratégias da Globo para ser a
nova… Globo. Pode ser que consiga. A rede do Bispo tem uma fonte inesgotável
de recursos em suas inúmeras igrejas. Pode ser a nova Globo. Pobre Brasil.


(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da
Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela
London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e
pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Trabalhou no
escritório da TV Globo em Londres e foi correspondente na América Latina para as
agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. Autor de diversos
livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’ e ‘O Poder
das Imagens’. É torcedor do Flamengo e não tem vergonha de dizer que adora
televisão.’


******************


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