Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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13/05/2008 na edição 485

JORNALISMO INVESTIGATIVO
Marcelo Tavela

Quatro visões internacionais sobre o jornalismo investigativo, 10/5

‘Todos os participantes do III Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo puderam testemunhar, em encontro especial na noite de sexta-feira (09/05), quatro panoramas internacionais sobre o jornalismo investigativo. Rosental Calmon Alves, do Knight Center para Jornalismo nas Américas no Texas; Américo Martins, da BBC de Londres; José María Irujo, do El País; e Lise Olsen, do Houston Chronicle participaram do debate.

EUA I

Rosental fez uma breve explanação, enfocando sua área de estudo: o jornalismo digital. Mostrou um aspecto negativo, a crise sem precedentes no mercado americano, com grande queda de vendagens devido à internet, e outro positivo, o computador como instrumento de reportagem.

‘O jornalismo americano não pode perder sua característica de buscar aquilo que os poderosos querem que ninguém saiba’, afirmou. Como exemplo, citou a Pro Publica – agência de jornalismo investigativo que oferece, gratuitamente, conteúdo a publicações –, e a reação de grandes jornais. ‘Há quatro anos, o New York Times, que é o jornal menos afetado pela crise, abriria mão. Hoje, na própria matéria sobre a Pro Publica, eles disseram que considerariam o material’.

Reino Unido

Américo iniciou sua palestra com uma máxima: a Inglaterra tem a melhor – ‘Financial Times, Economist e The Guardian’ – e a pior imprensa do mundo – ‘o sensacionalista; não dá nem mais pra chamar de tablóide porque o Guardian e o Independent são tablóides, mas pagam por informação e achincalham pessoas em nome da investigação’.

Sobre jornalismo investigativo, Américo disse que os ingleses têm a característica de fazer investigação em todas as mídias. ‘O Today Program, na BBC rádio, pauta toda a mídia. Eles são mestres em investigação na TV. O Panorama, da BBC, colocou um repórter para investigar racismo na polícia britânica por seis meses. Ele fez o curso de policial, e chegou a servir. Essa reportagem teve um ano e meio de preparação’, contou.

Fora da BBC, Américo citou o Channel 4, que levou o último Bafta de current affairs, e muitas produtoras que realizam jornalismo investigativo, um mercado atuante no Reino Unidos. ‘A questão agora é a cobertura de terrorismo. É uma obsessão da mídia mundial, e há poucas fontes. E terrorismo não é um ‘crime normal’, não há interesse da polícia que isso seja difundido’, comentou.

Espanha

Irujo fez o painel mais pessimista. ‘São poucos os jornalistas especializados em investigação, não mais que uma dúzia, e todos na mídia impressa. As empresas não investem porque não há rentabilidade. Vivemos uma avalanche de jornalismo declaratório. A investigação é um pássaro raro’, lamentou.

O governo espanhol tem feito coletivas sem perguntas, o que demonstra um cenário político desfavorável à investigação. Os repórteres pouco se dedicam devido à falta de estrutura e incentivo, procedimentos de rotina e acomodação. ‘E não há nada mais patético do que jornalista acomodado’.

O espanhol fez questão de ressaltar a ética em investigação jornalística: ‘Não podemos grampear telefones. Não podemos invadir propriedades. Não podemos aceitar dossiês preparados por outras pessoas. Sou contra o uso de câmeras ocultas. Não podemos cometer nenhum delito que torne o jornalismo ilegítimo e perverso’.

Américo Martins comentou depois concordando com a fala de Irujo, mas não sendo totalmente contra câmeras ocultas. ‘O que a BBC faz é se perguntar se aquilo tem como ser feito de outra forma. No caso do repórter que investigava os policiais, não havia. E ele conseguiu imagens sensacionais. Acabou preso, mas a justiça o liberou porque considerou que o interesse público estava acima’, observou.

Irujo se mostrou meio desencantado com a internet. ‘Ela pode acabar com o jornalismo investigativo. Mas eu ainda acho que vai sobreviver, e encontrar seu espaço’, apostou.

EUA II

Lise Olsen, que também integra o Investigative Reporters and Editors (IRE), foi na direção contrária. Ela mostrou exemplos de sites que fazem e contribuem para o jornalismo investigativo. Um especial do Arizona Daily Star registra todas as pessoas que morrem tentando atravessar a fronteira entre Estados Unidos e México, com foto e perfil, criando um banco de dados sobre a região.

Citando uma experiência colaborativa, mostrou um especial feito no Houston Chronicle sobre a qualidade do ar na cidade, em que aparelhos de medição foram distribuídos aos leitores que completavam as informações em um site. ‘A internet foi uma sócia da investigação. Há bancos de dados, mapas de análises sociais e o trabalho com blogs’.

Felicitando a Abraji pelo congresso, e ressaltando que o Brasil tem que ter um trabalho de liderança no jornalismo investigativo na América Latina, ela ressaltou que, há 15 anos, somente três países tinham uma lei de acesso às informações públicas. Hoje são 60.’

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Presidente do STF sugere auto-regulamentação da imprensa em evento em BH, 9/5

‘O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, participou de uma mesa do Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), realizado em Belo Horizonte, para tratar da questão do dano moral e das recentes ações contra a imprensa. O ministro definiu a questão como uma ‘colisão de direitos’. Entre outras colocações sobre o caso, sugeriu alguma forma de auto-regulamentação da imprensa.

‘O Supremo recebia, até a Constituição de 1988, cerca de 20 mil processos por ano. Desta década, a média subiu para 105 mil. Por que esse excesso de ações? Há mais gente recorrendo à Justiça. Uma demanda de anos. É um avanço social, mas talvez falte um outro mecanismo, que pode ser uma definição dos limites pelos próprios veículos’, explicou.

‘Não penso em uma agência estatal, para não entrar em um debate político, mas algo que defina o que é ético, e pré-conceba o que não é correto, criado e gerido pelos próprios órgãos de comunicação. Talvez não seria preciso nenhuma lei de imprensa se houvesse a auto-regulamentação’, completou Mendes, adicionando outro tema discutido recentemente ao debate.

O ministro foi acompanhado por Márcio Chaer, diretor do Consultor Jurídico, que comparou a proposta ao Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária). Chaer cobrou mais intimidade entre imprensa e Judiciário tanto dos magistrados – ‘Há juízes que não sabem que não é o repórter que faz título, legenda e chamada’ – como dos jornalistas: ‘Não é só porque um delegado falou que você vai publicar’. Ele citou a Operação Navalha – da Polícia Federal cujo objetivo era desmontar uma quadrilha que fraudava licitações de obras públicas – e contou que uma fonte oficial disse que foi usado um prostíbulo para usar dinheiro sujo, atividade que não é legal no País.

Gilmar Mendes acompanhou a crítica, dizendo que falta conhecimento específico na imprensa. ‘Repórteres de Economia não publicam algumas versões simplesmente porque não fazem sentido. No caso de quem cobre o judiciário, sinto às vezes uma radar desligado’.’

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Dicas para investigação de lavagem de dinheiro, 10/5

‘A investigação de lavagem de dinheiro foi tema de um dos encontros mais concorridos do segundo dia do congresso da Abraji, em Belo Horizonte. Dando o ponto de vista da Polícia Federal, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes. Pela imprensa, Amauri Ribeiro Jr., repórter-especial do Estado de Minas e Correio Braziliense. Os dois mostraram como o trabalho de ambos pode andar juntos (ou não).

Carneiro Gomes iniciou com o conceito de lavagem – dissimulação para transformar produto de crime em bem lícito. A lei brasileira, nº 9813/98, apresenta alguma defasagem em relação à legislação internacional, excluindo alguns crimes antecedentes. O produto de sonegação fiscal e furto, por exemplo, não podem ser enquadrados nela, mas já há um projeto de atualização tramitando no Congresso. A nova lei, inclusive, exclui o crime antecedente.

As investigações policiais têm como principal indício de lavagem a discrepância entre patrimônio declarado e o real. Para apontá-la, conta com auxílio de órgãos públicos – Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) principalmente, mas também registro de veículos, imóveis e empresas – e outras fontes, como denúncias e a própria imprensa.

‘No caso da máfia dos sanguessugas, o repórter que apurou nos passou as informações simultaneamente com a publicação. Se não fosse por isso, teria prejudicado a investigação’, exemplificou.

A movimentação bancária também ajuda. Foi criado um programa junto aos gerentes de bancos, o Conheça seu Cliente, para alertar em caso de retirada ou depósito diferente da normalidade da conta – a CPMF contribuía nesta seara, com relatórios trimestrais. No caso de transações transnacionais, há uma rede de cooperação entre polícias do mundo estimulada pela ONU.

As investigações de lavagem são coordenadas me Brasília, mas a Polícia Federal já conta com três delegacias especializadas em crimes financeiros e 24 núcleos estaduais.

Amauri deixou claro que entender de movimentação financeira pelo mundo é um caminho para furos. Como os policiais não podem dar informações durante investigações, cabe ao repórter achar meios alternativos.

‘Coaf, Banco Central e Receita Federal são a espinha dorsal de qualquer investigação. A Receita é a CIA brasileira’, disse.

Identificada a empresa suspeita de lavagem, um dos passos iniciais é fazer uma varredura em cartórios atrás de ações nas quais ela esteja envolvida. ‘Há sempre muitas ações trabalhistas. Se o camarada trabalhava por uma empresa e recebia por outra, aí tem’, alerta Amauri.

A movimentação de dinheiro através de fronteiras também deixa rastro. ‘Todo dinheiro que entra e que sai do País tem que ter operação de câmbio. Grandes quantidades são notadas. E, no caso de dólares, sempre tem que passar pelos Estados Unidos antes. Não dá pra mandar direto pra Suíça. Foi assim que investigamos o caso do Banestado’, contou.

‘O essencial em qualquer caso de investigação de lavagem é ter o CPF e o CNPJ dos envolvidos’, comentou Fernando Molica, que mediava a palestra. ‘Dá pra investigar dinheiro sem depender das autoridades’, completou Amaury.’

Escola de Comunicação

Até onde o jornalista pode ir para conseguir uma reportagem?, 9/5

‘Escutas telefônicas não autorizadas, compra de armas e drogas. Até onde pode chegar um jornalista para cumprir uma pauta? Essa pergunta se faz presente, principalmente, no jornalismo investigativo. Quais são os limites de uma reportagem?

Alguns casos podem trazer a reflexão sobre o assunto. Como o ocorrido mês passado com Roberto Cabrini. O jornalista foi encontrado na periferia da zona sul de São Paulo, no dia 15/04, com 10 papelotes de cocaína. A polícia o deteve por tráfico de drogas e porte de entorpecentes.

Cabrini afirmou que a droga foi ‘plantada’ em seu carro, fazendo parte de uma armação, e que fazia uma reportagem investigativa sobre tráfico de drogas. A mesma versão foi dada pela rede Record, emissora em que trabalha. No dia 17/04, a Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus ao jornalista.

Outro caso, que aconteceu há nove anos, envolveu o repórter Silvio Carvalho, do jornal A Gazeta, do Mato Grosso. Carvalho comprou um revólver no comércio clandestino de armas em Cuiabá. O repórter se passou por um ‘cliente’ comum. Disse ao vendedor que tinha sido assaltado e por isso buscava uma arma para se defender. A chefia de reportagem o orientou a encaminhar o revólver ao Fórum Criminal. Menos de uma hora após a compra, Carvalho entregou a arma ao juiz Rondon Bassil.

O recurso não foi favorável. O jornalista foi punido com medidas como não poder sair de casa após 23h, não passar mais de 30 dias fora de Cuiabá, doar cestas básicas a uma instituição de caridade pelo período de seis meses, e, além disso, comparecer uma vez por mês ao Fórum Criminal para comprovar o cumprimento da sentença. Carvalho foi acusado de porte ilegal de arma. Segundo ele, a intenção era denunciar a venda fácil de armamentos ilegais.

Para Fernando Molica, diretor da Associação Brasileira de jornalismo investigativo (Abraji), é difícil estabelecer regras diante de situações delicadas. Para ele, o jornalista tem que respeitar os limites, mas a regra é o bom senso. ‘O jornalista deve avaliar o custo-benefício e nunca tomar decisões individuais, mas sempre junto com a chefia de reportagem’, afirma.’

IRAQUE
Comunique-se

Foguete atinge escritório da BBC em Bagdá, 10/5

‘Um foguete atingiu na sexta-feira (09/05) o telhado do escritório da BBC em Bagdá, provocando danos estruturais. Ninguém ficou ferido. Segundo o chefe do escritório da emissora na capital iraquiana, Patrick Howse, o foguete deixou um buraco de cerca de 1 metro por 1, 5 metro.

Os militantes têm soltado foguetes e morteiros em Bagdá como forma de protestar contra a repressão do governo às milícias xiitas. Muitos deles têm como alvo a Zona Verde, complexo administrativo e diplomático, mas às vezes erram a mira.

As informações são da Reuters.’

TV PÚBLICA
Carla Soares Martin

BBC é exemplo para o Brasil, diz Laurindo Leal em livro, 9/5

‘O ano era 1941. As tropas alemãs avançavam em direção ao território inglês. A BBC até poderia contar vantagem. Mas não o fez, segundo o professor Laurindo Lalo Leal Filho. Transmitia as derrotas dos aliados britânicos contra Hitler. Histórias como essa fizeram o professor da USP e da Cásper Libero chegar a uma conclusão: a emissora britânica, por ser pública porém não subordinada ao governo, é um modelo de postura editorial para o Brasil. Leal Filho narra os 70 anos da BBC em ‘Vozes de Londres: Memórias Brasileiras na BBC’, que será lançado na próxima segunda (12/05), 19h, na Livraria Cultura, em São Paulo.

O professor argumenta: ‘Não acredito que são normas britânicas. São normas universais’.

Leal Filho escreveu ‘Vozes’ com a esperança de que o debate das Idéias – última parte do livro – sirva de modelo para a responsabilidade social da rádio, TV e internet no Brasil. Fala de como a BBC trata de temas polêmicos como a violência, na qual a exigência da precisão da notícia não justifica levar o público à aflição, e como tratar de matérias sobre acusações, por exemplo.

A alguns passos…

Para o professor, é uma caminhada, contudo, aplicar os padrões da BBC ao Brasil. ‘A busca pela audiência atropela qualquer princípio ético.’

Leal Filho afirma que o modelo de TV no Brasil nasceu comercial e que as emissoras vão resistir muito ainda ao que classifica de ‘cinismo brutal’: incitar a violência e depois dizer que não se deve, por exemplo, fazer nada contra o casal Nardoni na morte da menina Isabella.

O sonho da TV Pública

No caso das emissoras públicas, com o lançamento da TV Brasil – a primeira a buscar uma atuação em todo o território nacional –, Leal Filho acredita que é possível melhorar a qualidade da TV brasileira. Contudo, lembra que um dos desafios é o acesso universal. ‘Meu sonho é que a TV Brasil entrasse em seguida do canal 5, da Globo’, disse.

Atualmente, a TV Brasil não chega a todo o País. A programação pode ser conferida em São Paulo, pelo Canal UHF 69 e pelo Canal 116 da Sky. No Rio de Janeiro, pelo Canal 2 e UHF 32 na TV aberta, Canal 18, pela NET, e Sky, Canal 116. Em Brasília, pelo Canal 2, e em Maranhão, pelo Canal 2.

Sobre emissoras estatais, o professor fala da dificuldade que existe por dependerem do financiamento do governo. ‘A verba geralmente varia conforme o agrado da administração e, a cada mudança de governo, inventa-se a roda novamente’.

Na Inglaterra, no entanto, como o financiamento é público, a situação é diferente: ‘Os governos britânicos mudam, mas o compromisso com o Estado e o povo permanece’.

Personagens

‘Vozes de Londres’ também conta a história de quem passou pela BBC. A trabalho ou apenas para garantir a permanência numa das cidades mais caras da Europa, atuaram na BBC nomes como o jornalista Samuel Wainer, que cobriu o Tribunal de Nuremberg, julgamento da atuação de militares alemães na Segunda Guerra, Vladimir Herzog, que participava da arte-dramaturgia da Rádio BBC, e Vinicius de Moraes.

Vinicius, por exemplo, reagiu negativamente ao apelo do Conselho Britânico em deixar Londres, em meio ao bombardeio alemão. ‘(Foi) uma grande aventura que, misteriosamente, me aproximava da Inglaterra e do seu povo. Achei dentro de mim que seria covardia eu desertar, abandonar Londres às bombas alemãs’, relata o professor Leal Filho.

‘Vozes de Londres: Memórias Brasileiras da BBC’, por Laurindo Lalo Leal Filho

Editora Edusp

Preço: R$ 48,00

256 páginas’

INTERNET
Bruno Rodrigues

Indiana Jones em Busca da Sutileza Perdida, 6/5

‘Imerso no mercado de mídia digital há anos, esbarro aqui e ali, de vez em quando, com o pior da Rede. Algumas ‘vergonhas’ são passageiras, outras vêm para ficar e criam raízes.

Não é sobre isso que quero falar – longe disso, aliás. Mas são as versões light de situações ora constrangedoras, ora decepcionantes, que me fazem pensar que o que mais falta na web – apenas refletindo o que ocorre em outras mídias – é a sutileza, a mudança de rumo sem aviso.

Vou dar um exemplo aparentemente bobo – cujos personagens são um filme, seus fãs, um site de cinema e dois trailers -, mas que foi fonte de grande decepção para muitos cinéfilos como eu. O que, em dias de marketing viral e redes sociais, é um problema e tanto, não se engane!

Um dos sites que eu acesso diariamente é o Omelete, especializado em cultura pop – cinema, games, tecnologia, comics e por aí vai. Quem não conhece precisa conhecer. Muito além de um nome esdrúxulo, o ‘Omelete’ é um dos melhores sites da web Brasil. Mesmo. Seu modelo de negócios é redondo; sua atualização, constante e na medida certa; seu texto, impecável, com estilo adequado e pitadas de humor quando necessário. Amo o ‘Omelete’ – mas esta semana eles deixaram a frigideira queimar.

Para quem não é fã, é preciso esclarecer: os cineastas George Lucas e Steven Spielberg convenceram o ator Harrison Ford a filmar mais uma aventura da série ‘Indiana Jones’ quase vinte anos após o último filme. Os fãs receberam com surpresa a notícia, há dois anos, e agora faltam apenas três semanas para a estréia mundial. Para mim e meus amigos, obcecados pela série, foi o ‘Omelete’ a quem recorremos ao longo destes anos, e não a sites estrangeiros, quando queríamos alguma novidade sobre as filmagens. Se alguém divulgava algo lá fora – como o título, ‘Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull’ – o ‘Omelete’ liberava a informação com poucos minutos de delay, apenas. Biscoito fino!

Os trailers foram peça-chave neste processo de acompanhamento. E aí chegamos à questão, que maculou a imagem do ‘Omelete’ junto à comunidade de fãs – o que, falando em mídia online, passa longe de ser ‘besteira’: há um mês, na época que a Paramount preparava-se para liberar o primeiro trailer, estavam todos à espera do usual, ou seja, que algum ‘hardcore fan’ dos EUA filmasse no melhor – ou pior? – estilo ‘pirata’ o trailer no escurinho do cinema e o jogasse na Rede.

Como bons cavadores, a equipe do ‘Omelete’ correu atrás e, ainda que com a ressalva que naquele mesmo dia o estúdio estaria liberando o trailer no site oficial do filme, disponibilizou o link para o material. Estranho? Errado? Não, eles fizeram o certo – atenderam as expectativas dos fãs famintos por novidades, mas deixaram claro que o trailer era pirata, de péssima qualidade e que dentre em pouco o verdadeiro estaria no site oficial do filme. Acertaram em cheio.

E então…

Neste final de semana, os fãs da série ‘Indiana Jones’ estavam com a respiração suspensa. Havia rumores de que, ao contrário do que haviam afirmado, um segundo trailer estava prestes a ser liberado. Na sexta-feira, cata-se por todo o lado e – claro – a comunidade de fãs encontra o trailer estilo ‘uma câmera na mão, pirataria na cabeça’. Mas… e o ‘Omelete’, nada? Nada.

Horas depois – ou minutos? – sai uma notinha no site: ‘Tem uma versão gravada no cinema rodando por aí’, dizia o texto, com um link tímido para o trailer. E mudou-se de assunto.

Como assim? Eu e meus amigos trocamos e-mails, tontos. Por que tanto desânimo? O que estava acontecendo? Nada era à toa, saberíamos.

No mesmo dia, final da noite, vem a notícia: o ‘Omelete’, com ‘exclusividade em território brasileiro’, disponibilizaria de madrugada o ‘novíssimo trailer’ de ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’ enviado pela própria Paramount.

A comunidade de fâs se calou. O material todos já haviam visto horas antes, ainda que sem o aviso nota dez que o mesmo ‘Omelete’ havia dado semanas atrás sobre o primeiro trailer. Vendidos? Corretos? Nenhuma das opções acima?

Faltou um pouco de sutileza, esta mudança súbita de estratégia? Antes, com os fãs acima de tudo; depois, amigos do peito da Paramount.

Deixo você aqui, leitor, com a respiração suspensa, como nos filmes de aventura das matinês de sábado dos anos 40, e que deram origem a filmes como os de ‘Indiana Jones’. O ‘Omelete’ é vilão ou mocinho? Um site, ao divulgar um trailer pirata, merece desabar de um barranco ou ganhar o amor da comunidade de fãs? Um ‘herói de estirpe’ jamais faria isso? Como tantos gostam, um herói é alguém ‘limpinho’ antes de tudo?

Vamos lá! O episódio final quem escreve é você.

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A próxima edição de meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ terá início em 03/06, no Rio de Janeiro. Para quem deseja ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é uma boa dica. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br e outras informações podem ser obtidas pelo telefone 0xx 21 2102-3200 (ramal 4). Até lá!

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

PROPAGANDA
Milton Coelho da Graça

Pentágono treina analistas para mídia, 9/5

‘150 mil militares americanos continuam atolados no Iraque e no Afeganistão, mas o Pentágono também luta num outro front – o da mídia, especialmente rádio e tevê -, no esforço cada vez mais penoso de explicar ao povo americano e ao mundo suas razões, meios e objetivos nessa ‘guerra ao terrorismo’.

O New York Times, em sua edição de 20 de abril, publicou longa matéria do repórter David Barstow, contando toda a história, desde que o Pentágono, preocupado com as denúncias da Anistia Internacional e outras organizações de defesa dos direitos humanos sobre as violências cometidas contra prisioneiros, juntou um grupo de militares já reformados ‘para um tour a Guantánamo cuidadosamente orquestrado’.

‘Para o público, esses homens são membros de uma fraternidade familiar’ – disse Barstow logo no início de sua matéria – ‘apresentada dezenas de milhares de vezes no rádio e na televisão como ´analistas militares´, cujo longo tempo de serviço os preparou para apresentar julgamentos respeitáveis sobre as questões mais candentes do mundo pós-setembro de 2001. Escondido, entretanto, atrás da aparência de objetividade, está um aparato de informação que usa esses analistas numa campanha para gerar cobertura noticiosa favorável à performance do governo em tempo de guerra, conforme The New York Times desvendou.’

A CNN informou a Barstow que, durante quase três anos, não sabia que um de seus principais analistas militares, general Marks, estava, segundo o repórter, ‘profundamente envolvido no negócio de procurar contratos com o governo, incluindo contratos relacionados com o Iraque’. Ele se esforçava para obter um contrato no valor de US$ 4,7 bilhões (que pagariam milhares de tradutores no Iraque)!

A CNN encerrou a relação com o general Marks depois disso.

Mas outras redes de televisão – Fox e CBS – recusaram-se a comentar o assunto.

É muito possível que essa reportagem de Barstow venha a ganhar o Pulitzer ou outro dos vários importantes prêmios conferidos nos Estados Unidos a trabalhos jornalísticos. Mas nenhum jornal brasileiro se interessou pela publicação, embora alguns tenham contratos com o NYT. Os interessados podem acessar o sítio do jornal (www.nytimes.com.br) e fazer o necessário cadastro.

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Conselho da TV Brasil julga ‘caso Lobo’ dia 13

Embora ainda não tenha sido anunciada a pauta da reunião, o Conselho Curador da TV Brasil deverá decidir nesta terça-feira, 13/05, sobre o caso Luiz Lobo, editor-apresentador do ‘Repórter Brasil’, que, em entrevista à Folha de S. Paulo, afirmou haver um ‘cuidado além do jornalístico’ na cobertura política da emissora. A comissão corregedora é formada por três membros do Conselho e presidida pelo advogado José Paulo Cavalcanti Filho.

Seja qual for a decisão, o fato mais importante é que ela poderá se tornar um bom exemplo para as emissoras privadas, com um Conselho Curador semelhante, encarregado de examinar queixas de pessoas que se considerem atingidas por eventuais abusos nos noticiários ou outros programas.

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Um livro básico para ser (bom) jornalista

‘Anatomia da Reportagem – Como investigar empresas, governos e tribunais’ é um livro para ensinar exatamente o anunciado na capa. Frederico Vasconcelos tem mais de 40 anos de profissão e é veteraníssimo repórter especial da Folha, onde trabalha desde 1985. Eu o conheço – e leio – desde que chegou de Pernambuco, logo depois de se formar na Universidade Católica de Pernambuco. A combinação de fala mansa, base intelectual sólida e implacável perseguição da verdade o tornou um dos melhores jornalistas que conheci.

E sua experiência está muito bem condensada em apenas 150 páginas. Basta apenas lê-las e segui-las (o que já estou fazendo) para aprender os fundamentos (e requintes) da reportagem investigativa. Recomendo-o a todos os estudantes de jornalismo e aos que, como eu, acreditam que sempre podemos melhorar.

(*) Milton Coelho da Graça, 77, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se’

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Matar ou Morrer, 8/5

‘Os poetas esqueceram

a nobilitante jura

de amor cortês

(Talis Andrade in Os Herdeiros da Rosa)

Matar ou Morrer

O canal TCM, da Sky, que nos oferece um razoável cardápio de filmes antigos, entre clássicos de verdade e boas excrescências, exibiu no domingo, 4/5, o inesquecível faroeste Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann, com Gary Cooper e Grace Kelly. Pois acredite, há duas passagens em que a moça se confessa ‘bagunceira’, segundo a ‘interpretação’ do tradutor/legendário para a palavra quaker.

O intelectual concluiu, sabedeus, que ‘protestante’ tem apenas uma acepção; trata-se daquele militante que sai às ruas para protestar, ou seja, é tão ‘bagunceiro’ como um mal-educado torcedor de futebol, embora o filme seja um faroeste com ação no século 19.

Vê-se que em Matar ou Morrer versão TCM, enquanto o já envelhecido mocinho enfrenta quatro bandidos, o tradutor/legendário atraca-se com dois idiomas que desconhece; considerar ‘bagunceira’, aquela sílfide que seria princesa de Mônaco alguns anos depois (o filme é de 1952) não é apenas ignorância e burrice sesquipedais; é, sobretudo, um desrespeito.

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Prazeres do futebol

Janistraquis acordou lépido e fagueiro, apesar das dores da idade e do frio de zero grau aqui nos contrafortes da Serra do Mar, e explicou o motivo da inusitada alegria de viver:

‘Considerado, é sempre estimulante assistir ao Vascão dar de 5 a 1 no Corinthians, não importa que seja o de Alagoas, e logo depois ver a empáfia do Flamengo ser devidamente despachada para a casa do c. aralho, ao tomar de 3 a 0 do América do México, e ainda por cima no Maracanã lotado!!!’.

Foi uma noite realmente linda.

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Talis Andrade

O considerado mestre de uma Recife com história e literatura abre o peito e mais uma vez revela por que é o vate de tantas e incontidas paixões. Leia no Blogstraquis a íntegra do poema Os Quatro Estágios, cujo excerto encima esta coluna.

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Elle, 20 anos.

A sempre atenta Meio&Mensagem online lembra que Elle, versão brasileira, completa 20 anos de idade neste friorento mês de maio, o qual pede casacos e cachecóis, preferencialmente de muito bom gosto.

Hoje, a revista é dirigida pela competente Lenita Assef, que nos primeiros tempos editava moda e beleza; em 1988 e pelos quatro anos seguintes, teve à frente dos trabalhos esse gênio das artes gráficas que é Leonal Kaz, diretor-geral; Maria da Penha Delia, diretora de Redação; e este veterano e sertanejo colunista como redator-chefe.

Leia aqui a matéria de Meio&Mensagem que festeja a revista Elle, campeã de páginas publicitárias da Editora Abril.

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Falta humor

Janistraquis não toca nenhum instrumento, muito menos berimbau, e se confessa de saco cheiíssimo de tanto ler e escutar críticas ao professor baiano que falou do baixo QI dos estudantes:

‘Ora, considerado, o Brasil abriga uma das populações mais ignorantes e burras do mundo e a gente nota a deficiência pela absoluta ausência de humor; muitos nem riem de uma piada porque não a entendem; e se você fizer uma ironia qualquer, esta também passa despercebida. Ainda bem que existe Millôr Fernandes!’.

(Só de perversidade, Janistraquis aproveita para lembrar que o médico José Gomes Temporão, hoje ministro da Saúde, também conhecido como ‘ministro da dengue’, não é baiano nem toca berimbau, mas foi demitido do secretariado de César Maia por ‘preguiça e incompetência’, segundo informou o prefeito do Rio no seu ‘ex-blog’.)

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Coisa caseira

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de cujo varandão debruçado sobre as vicissitudes do mundo foi possível ver dona Dilma ainda com o tal dossiê debaixo do braço, à saída do Congresso onde ganhou uma queda de braço com o lamentável senador Agripino Maia, pois Roldão teve a concentração desviada por uma notícia de jornal:

O suplemento Direito & Justiça do Correio Braziliense desta segunda-feira, dia 5/5, tem, na página 2, um título com um empastelamento brabo:

‘A FAMÍLIA E OS HOMESSESUAIS’

Janistraquis acha, ó Roldão, que se a manchete saiu com a palavra inglesa home, a notícia se refere, é óbvio, às veadagens caseiras.

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Mais veadagem

Sob o título Qual é seu objetivo na Parada Gay de São Paulo?, o considerado Robert Taylor (tá na cara que é pseudônimo), o qual se apresenta como estudante de Direito em Pouso Alegre (MG), leu no Mix Brasil do UOL:

5/5/2008

Responda enquete do Mix e diga qual motivo o levará à Paulista no próximo dia 25 de maio

No próximo dia 25 de maio, a partir do meio-dia, tem início a 12º Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. Do ponto inicial, o Masp, até o fim da Rua da Consolação, milhares de centenas de pessoas vão participar da manifestação, que cresce em números a cada ano.

Mas essas pessoas estarão lá por qual motivo? Você leitor do Mix, estará lá com qual objetivo? Responda a nossa enquete.

Taylor adorou os ‘milhares de centenas’ de pessoas e pergunta se Janistraquis e o colunista vão comparecer à parada. Meu assistente respondeu:

‘O motivo principal para tanta gente acompanhar a veadagem na Avenida Paulista é que aquilo lembra os desfiles dos circos de antigamente, com a bicharada assanhadíssima; quanto aos ‘milhares de centenas’, explica-se, pois tudo nesse pessoal é invertido, né não?’.

(Janistraquis e o colunista não vão comparecer à parada gay por motivo de força maior.)

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Serafina da Folha

Janistraquis estava pronto para fazer uma avaliação da Serafina, nova revista dominical da Folha de S. Paulo, porém Carlos Chaparro disse tudo na coluna dele. Se ainda não leu o artigo do mestre, o que consideramos imperdoável falha, leia aqui as considerações do nosso professor.

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Revista Mit

Homem atencioso e educado é o considerado Fernando Paiva, também um dos mais talentosos jornalistas brasileiros, diretor da Mit, aquela luxuosa, bem escrita e melhor editada revista que faz para a Mitsubishi Motors, em cujo mailing inscreveu esta coluna. Agora, mesmo aqui, embuçados no meio do mato, poderemos acompanhar mais de perto o trabalho dele.

A mais recente edição da revista contém textos de raros jornalistas e escritores, desses capazes de iluminar os caminhos da imprensa, como Humberto Werneck, autor de um perfil do inventivo Siron Franco, e Nirlando Beirão, compositor da matéria de capa, na qual estua a inesquecível Bea Feitler, artista plástica que fez carreira em Nova York e criou algumas capas da revista Senhor dos anos 50/60.

Longa vida à Mit!

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Velhos rancores

Chamada de capa da Folha de S. Paulo:

Palmeiras faz 5 a 0 e vence Paulista pela 1ª vez desde 1996.

Sentindo-se mais desiludido do que torcedores do Flamengo, Ponte Preta, Juventus de Caxias do Sul e Botafogo, Janistraquis leu, releu e concluiu:

‘Considerado, o redator só pode ser um corinthiano cheio de rancorosas recordações; um time ser ‘campeão pela primeira vez desde 1996’ é frase que não dá nem pra gente entender…’.

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Carta-bomba

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, cujo prédio é vizinho do Palácio da Liberdade, onde Aécio Neves não pára de aprontar, pois Camilo enviou a mais recente carta-pública-bomba de Otacílio M. Guimarães, presidente do CREA-Ceará, carta que começa assim:

Senhor Senador Cristóvão Buarque,

O senhor afirmou, da tribuna do Senado Federal, o seguinte:

‘Não podemos simplesmente negar ao Paraguai o direito de pedir o reajuste. Nós não podemos esnobar o Paraguai. Até porque temos uma dívida com esse nosso país vizinho, já que há 138 anos matamos 300 mil de seus cidadãos [na Guerra do Paraguai]. Em proporção, seria como se matassem nove milhões de brasileiros – ponderou Cristóvão’.

É muito estranho, senador, e causa preocupação ouvir de um senador da república tal afirmativa. E é estranho por dois motivos:

a) O senhor não tem conhecimento da história e está equivocado ao afirmar que o Brasil matou 300 mil paraguaios;

b) O senhor tem conhecimento da história e, por conseguinte, está mentindo.

Leia no Blogstraquis a íntegra desse epistolar pontapé-na-bunda.

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Nota dez

Foram 27 os votos dos leitores desta coluna que elegeram o artigo do considerado Janio de Freitas na Folha de S. Paulo. Intitulado As várias indenizações, inicia-se assim o texto que é deverasmente polêmico:

ESTOU VIVO, para desgosto do Ziraldo. Ainda não pude atender ao desejo exposto por esse velho colega na solenidade que lhe deu uns trocados vitalícios, sob o nome de indenização: ‘Quero que morram os que criticam. São todos uns X’. Não reproduzo a palavra final, por fidelidade ao conceito de que a linguagem do jornalismo não inclui as vulgaridades dos que a usamos.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que se discute nos mais conceituados círculos do país.

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Errei, sim!

‘ENORME ÓRGÃO — Título do Diário do Sul que mexeu com a imaginação de Janistraquis foi este: O polêmico fim de um polêmico órgão. Referia-se ao Incra, mas meu secretário implicou: ‘Polêmico órgão … polêmico órgão … considerado, isso não parece coisa feia?’.

Esclareço ao leitor que Janistraquis ficou traumatizado com a palavra ‘órgão’ desde a leitura de um artigo na Folha de S. Paulo, assinado pela professora Caiuby Novaes, da USP. Ao desancar o Estadão, que fizera reportagem pouco simpática ao Conselho Indigenista Missionário, dona Caiuby chamou o vetusto matutino de ‘órgão de grande penetração’.

Meu assistente ficou perplexo. Na ocasião, procurou-me, pálido. ‘Considerado, órgão de grande penetração não é…?’, perguntou. Respondi que era. ‘E uma coisa dessas sai na Folha, e ainda por cima escrita por uma mulher, uma professora!’, declarou, alarmado.

Desde aquele dia, falou em órgão, principalmente polêmico, Janistraquis se alvoroça todo. (dezembro de 1987)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

CRONISTAS
Eduardo Ribeiro

Baixaria na Acerj, 7/5

‘A eleição para a nova diretoria da Associação dos Cronistas Esportivos do Rio (Acerj) transformou-se em grande confusão. E bota confusão nisso, conforme apurou a editora regional deste Jornalistas&Cia, Cristina Carvalho, com vários profissionais da área esportiva carioca. Como mau perdedor, e com pesadas acusações de uso da instituição para finalidades excusas, Pedro Costa, candidato da situação, simplesmente não entregou o cargo, mudou o cadeado de acesso à sede da instituição e demonstra, pelo que se pôde apurar, não ter o mínimo interesse em que o caso se resolva.

Impressionante que em pleno século XXI, no meio da mais fantástica revolução tecnológica já produzida pelo homem, um simples cadeado impeça que uma diretoria legitimamente eleita tome posse daquilo que lhe é de direito.

Acompanhe, abaixo, o relato de Cris Carvalho sobre os acontecimentos, tristes acontecimentos, na Acerj.

No último dia 29/03, no Maracanã, concorriam duas chapas, depois de três mandatos eleitos a partir de chapa única. Pedro Costa (ex-assessor da Federação de Futebol do Estado), da situação, concorria com Eraldo Leite (Rádio Globo), de oposição. Uma eleição que não costumava atrair muita gente, desta vez teve fila para votar, e nela, alguns nomes consagrados. Com muito tumulto e baixaria em volta, quem persistiu no intento esperou cerca de duas horas na fila. Ali estavam editores como Antônio Nascimento, de O Globo, e Hélio Cícero, de O Dia, os colunistas Fernando Calazans, Jorge Rodrigues e Antônio Maria, o pessoal de televisão, como João Pedro Paes Leme (Globo), Renato Ribeiro e Ronaldo Castro (Band), Marcelo Barreto (SporTV).

A chapa encabeçada por Eraldo, que tem Marcos Penido (O Globo) como vice, se propunha a pôr fim aos desmandos da Acerj, entre eles, dívidas elevadas e tribuna de imprensa do Maracanã invadida por não-jornalistas. J&Cia ouviu profissionais do setor, que contaram sobre o escândalo na distribuição de credenciais de imprensa para quem não era jornalista: empresários e parentes de jogadores, crianças que interferiam nas transmissões gritando ‘Mengooo’, até as amantes dos dirigentes de clubes. Ao final de muita dificuldade na apuração das urnas, Eraldo Leite foi o vencedor. Dizem que a vitória seria mais folgada se não tivessem sumido todas as urnas do interior, inclusive a de Campos, de onde Eraldo é natural.

Ele ganhou, mas ainda não levou. Seu antecessor, Pedro Costa, não lhe passou a chave da sede. Nesta 2ª.feira (5/5), uma semana depois de eleito, sem conseguir entrar nas salas, Eraldo foi até lá, chamou os empregados da entidade para abrirem a porta, mas tudo o que conseguiu foi constatar que o ex-presidente colocara um novo cadeado, do qual somente ele tem a chave. Diz Eraldo: ‘Estamos nos resguardando com medidas legais para tomar posse, como o registro da ata da eleição em cartório e, se necessário, convocando a força policial. Com nosso advogado Marcus Donnici, queremos estar amparados pela legalidade. Precisamos entrar para tocar a vida da Associação, depois que todas as entidades do Esporte já reconheceram nossa eleição e nos enviaram cumprimentos. Em função dessas atitudes arbitrárias, não conseguimos entrar na sede e não queremos arrombar a porta. Estamos agindo amparados e com autoridade legal’.

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Podem estar pintando mudanças importantes na Abril e no DCI

Todas as atenções na Editora Abril se voltam para as possíveis mudanças na área editorial. Fonte com acesso à cúpula da empresa informa a este J&Cia que a empresa estuda, sim, mudanças na sua política editorial. Um dos executivos da editora revela: ‘Por enquanto, aqui, novidade nenhuma. Apenas a ansiedade natural em razão das mudanças que devem estar a caminho, mas sobre as quais nada se sabe ainda.’ A conferir.

Sobre as possíveis negociações de Orestes Quércia com grupos editoriais para a venda do DCI, o assunto esteve meio murcho nos últimos dias. Talvez, segundo fonte ouvida por este J&Cia, por ter o ex-governador elevado o preço final de venda em função de haver mais de um interessado na compra do jornal. Também a conferir.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

REVISTA
Carlos Chaparro

Em Serafina, jornalismo é apenas maquiagem, 5/5

‘O XIS DA QUESTÃO – Na edição desta semana há apenas um bom texto, de Paulo Sampaio. O resto é mediocridade mais ou menos bem tratada, não tanto por causa de quem escreve, mas devido ao viés da pauta editorial, toda ela orientada para a simples e simplificada exploração da notoriedade dos protagonistas, a serviço de um projeto com razões de ser somente comerciais.

1. Coisa fina será isso?

Será realmente fina a revista Serafina (assim mesmo, com as duas últimas sílabas em negrito, para várias leituras possíveis), que há dois domingos enfeita as edições dominicais da Folha de S. Paulo?

Para responder a essa questão, teremos de passar por outra, que a antecede: – E o que é ser fino?

Não sei responder. Mas alguns dos colaboradores que escrevem (n)a própria Serafina já o fizeram. A mais inteligente e profunda das respostas foi dada pelo repórter Paulo Sampaio: ‘Ser fino é sair com fotinha nesta galeria de colaboradores’.

Juro por todos os deuses que não faço ironia ao considerar inteligente e profunda a sentença de Paulo Sampaio. Em suas subjetividades, a frase faz a melhor definição da revista – que, por coincidência, na edição desta semana, tem o seu melhor pedaço na matéria assinada pelo mesmo Paulo Sampaio: em texto, um bom retrato da atriz Camila Morgado.

Bom texto, sob ponto de vista de quem o escreveu e de quem o lê. Mas que, na verdade do projeto, cumpre o esperto papel de adorno enganador – e Paulo Sampaio nada tem a ver com a enganação em que assenta a essência do projeto ‘Serafina’: sob o encanto de truques de maquiagem jornalística, vive e vibra um ambicioso projeto comercial. Não por acaso, no expediente da revista (página 12), as únicas referências explícitas a conteúdos jornalísticos aparecem no espaço da ‘Publicidade’: entre os cargos citados estão os de ‘Diretor de Noticiário’ e ‘Gerentes de Noticiário’.

2. Forma boa, conteúdo ruim

A revista circulou esta semana com 60 páginas. Vinte e nove delas ocupadas por publicidade de alto custo, garantindo, calculo eu, receita mais do que suficiente para pagar as despesas de um orçamento enxugado por táticas de economia de escala e de uma redação que apenas faz o gerenciamento de serviços terceirizados.

O resultado financeiro, acredito, deve roçar a avaliação de ‘ótimo’. Mas, se olharmos a Serafina como produto jornalístico, a avaliação será outra, bem diferente.

Na edição desta semana há apenas um bom texto, aquele já citado, de Paulo Sampaio. O resto é mediocridade mais ou menos bem tratada, não tanto por causa de quem escreve, mas devido ao viés da pauta editorial, toda ela orientada para a simples e simplificada exploração da notoriedade dos protagonistas. Que acabam sendo revelados como heróis e heroínas sem idéias – porque a busca jornalística se limita ao brilho falso das aparências, da ostentação e das vaidades. A exceção, como já se disse, fica por conta do perfil da bela e talentosa Camila Morgado, bem captado e bem exposto por Paulo Sampaio.

Serafina tem coisas boas, claro. Mas como projeto comercial. Tem, por exemplo, um caprichoso revestimento gráfico, construído pela qualidade de três empresas prestadoras de serviços, que devem ser citadas: a Bizu_Design com Conteúdo, que criou o projeto gráfico; a Buono disegno, responsável pelo estudo tipográfico; e a Plural Editora e Gráfica, a quem cabe o tratamento de imagem. E no grupo do tratamento visual deve ser incluído o nome de Ana Starling, responsável pela Direção de Arte.

Complementando-se entre si, os profissionais desse grupo conseguiram impor ao projeto ‘Serafina’ a característica que define a revista, tanto na sua materialidade quanto na sua filosofia: um produto mais para ser olhado do que para ser lido. E em tais águas, a natureza comercial do projeto navega gloriosamente.

3. Exemplar de ‘plublijornalismo’

Quem deve estar feliz da vida com o projeto é o jornalista Alcino Leite Neto, que faz parte da equipe de redação da revista, não sei se como colaborador ou membro efetivo. No dia 2 de agosto de 1998, Alcino publicou na Folha de S. Paulo, jornal onde já trabalhava, um artigo em que proclamava a morte do jornalismo tradicional, substituído, segundo ele, por um ente híbrido a que dava o nome de ‘publijornalismo’ – solução resultante da mistura de jornalismo e publicidade.

Serafina constitui-se exemplar demonstração desse tal ‘publijornalismo’, ao qual o então empolgado Alcino Leite Neto dedicou a qualificação de ‘admirável meio novo’. No caso de Serafina, com um detalhe a que Alcino talvez não dê grande importância: as razões de ser são todas comerciais.

Jornalismo é apenas maquiagem esperta.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’

TELEVISÃO
Antonio Brasil

TV no feriadão é um horror!, 7/5

‘Jamais consegui entender. Por que as nossas TVs ignoram os fins de semana prolongados? Por que não transmitem eventos, produzem programas especiais ou lançam filmes durante estes longos períodos de ócio forçado? Ou será que é o contrário? Talvez, o pior da programação seja reservado exatamente para esses dias. Fica a impressão de que os responsáveis pela programação de nossas TVs fazem questão de colocar o que há de pior exatamente nestes períodos. A audiência cativa não merece nada melhor. Mas o problema talvez esteja na própria idéia de ‘grade’ de programação. Ela aprisiona a programação e o público e se torna indiferente às situações excepcionais como os longos feriados.

Não temos acesso a pesquisas específicas. Mas nesses dias por falta de opções, milhões de brasileiros se tornam reféns da telinha. Deve haver um grande aumento de público. Nem todos podem viajar ou sair de casa. Para esse enorme público adicional, a televisão é a única fonte de lazer e entretenimento. A situação é particularmente ruim para o público infantil. Se os adultos são reféns da TV, as crianças são suas prisioneiras. Ainda mais durante as manhãs e tardes dos longos feriados.

Esse acréscimo de público certamente aumenta a audiência e o faturamento das emissoras. Mas seria importante saber se esses telespectadores estão ‘satisfeitos’ com os programas a que assistem. Ainda mais durante os dias de folga. Afinal, a audiência não pode ser a única referência para medirmos o interesse e a satisfação do público de TV.

Por outro lado, muitas pessoas se tornam indiferentes ao que vêem. Elas utilizam a TV para ‘matar o tempo’. Não conseguem mais desligar o aparelho e podem ser consideradas audiência cativa ou viciada. Para esses telespectadores, tanto faz. Qualquer coisa é melhor do que a realidade.

Time out

Mas há certamente muitas pessoas que são forçadas a assistir TV durante os longos feriados e que não gostam dos programas exibidos.

Este último feriadão foi um horror. Resolvi conferir a programação matinal e vespertina e mais uma vez fiquei chocado. É um festival de programas ruins e total descaso com o público. Talvez os programadores pensem que o telespectador brasileiro não mereça nada melhor nestes dias de ócio.

Mas nem todas as TVs do mundo são indiferentes ou reservam o pior da programação para os feriados prolongados. Muito pelo contrário. Em países como a Inglaterra, o público de TV é contemplado com programas especialmente produzidos para essa época. A programação das TVs britânicas não é indiferente aos feriados. São tantas opções que fica difícil escolher. A solução é recorrer ao guia de TV do velho Time Out, uma das melhores e mais populares revistas do Reino Unido (ver aqui). O título da publicação já diz tudo. Além de excelente guia da cidade de Londres, Time Out anuncia os lançamentos de TV. Os programas são previamente vistos e criticados por jornalistas competentes, exigentes e talentosos. Mas suas críticas também podem ser ‘ferozes’. Time Out é referência de qualidade para milhões de leitores e telespectadores.

Horror

Há uma enorme variedade de programas de TV durante os feriados britânicos. Tem de tudo para todos. Lançamento de filmes de longa metragem, séries, dramas, documentários, musicais e excelentes programas humorísticos. Os britânicos levam o humor muito a sério. Ainda mais no rádio e na TV. Importante destacar os programas especiais de feriados com o nosso conhecido Mr. Bean (ver aqui) e impossível não lembrar os melhores momentos do grupo Monty Python (ver exemplos de vídeos aqui) . Quem não conhece não sabe o que está perdendo!

Ou seja, tem muita coisa boa, mas também tem muita coisa ruim. Mas certamente não há descaso com o público ou indiferença às peculiaridades desses dias de folga por parte dos programadores de TV britânicos.

Mas essa qualidade de programação talvez se explique pela falta de uma ‘grade’ rígida na TV britânica. É claro que há muitos programas com horários fixos como os telejornais, por exemplo. Mas não uma rigidez na programação. Nunca se sabe com certeza o que vai ser exibido. Há muito espaço para boas e más surpresas na programação diária dos principais canais de TV britânicos. No Reino Unido, todas as TVs, públicas e privadas, são monitoradas pela sociedade e por agências reguladoras como o OFCOM (ver aqui). A qualidade da programação de TV é considerada questão estratégica. Mas ser você quiser saber mais a respeito da TV britânica, recomendo o livro sobre a BBC do Prof. Laurindo Lalo Leal Filho, ‘A Melhor TV do Mundo – O Modelo Britânico de Televisãodo’ pela Editora Summus (aqui). Tudo a ver.

Finais

O pior dos longos feriados na frente da telinha é ter que assistir a programação nossa vespertina. Difícil dizer qual é o pior. Os tais programas para ‘mulheres’ ou desempregados e programas sobre violência abusam das baixarias e ainda mais da ‘chatura’. São, sem dúvida, os piores programas da nossa TV. E o que mais me surpreende é como os próprios apresentadores ignoram a situação particular de um longo feriadão. Insisto. Merece uma pesquisa mais específica, mas tenho certeza de que a audiência de TV cresce muito nos longos feriados. Nem todos podem ou conseguem se afastar de casa ou da telinha nesses longos períodos de ócio.

A situação deve ser ainda pior para as crianças. Com pais cada vez mais ocupados e endividados e com tanta violência nas ruas, deve ser difícil fazer um programa alternativo de lazer. TV no feriadão, apesar de um horror, ainda deve ser a solução.

Assistir TV aberta, principalmente a programação vespertina, é uma tortura. Todos os canais públicos e privados ignoram os feriadões.

Ainda bem que a transmissão ao vivo das finais dos campeonatos estaduais de futebol salvaram o que teria sido um completo desastre. Show de bola e de televisão. Mais uma vez, o futebol salva a TV e o feriadão.

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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