Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 8 E 9/12

Comunique-se

11/12/2007 na edição 463

CENSURA
Marianna Senderowicz

Liminar obriga jornalista a retirar conteúdo sigiloso de site no RS, 6/12

‘O jornalista Vitor Vieira, editor do site Vide Versus, foi obrigado a retirar do ar 17 matérias que continham conteúdo sigiloso referente ao deputado gaúcho Alceu Moreira (PMDB). A decisão foi do juiz Akihito Obara, da 18ª Vara Cível de Porto Alegre, que emitiu liminar executada nesta quarta-feira (05/11) na capital gaúcha.

Os textos-alvo do processo 001/1.07.0288333-0 continham material obtido de escutas telefônicas de conversas realizadas em 2005 entre Moreira e seu ex-assessor, Humberto Della Pasqua. As discussões seriam sobre uma suposta tentativa de beneficiar uma empresa transportadora na abertura de uma distribuidora de combustíveis no Rio Grande do Sul. As gravações, que estariam em uma caixa lacrada na Assembléia Legislativa, foram analisadas pela CPI dos Combustíveis, promovida em 2005 e 2006 no estado, e permaneceriam sob tutela do órgão até a conclusão de investigações do Ministério Público (MP).

De acordo com o jornalista, o conteúdo lhe foi entregue em mãos por um motoboy sem identificação. Depois de analisar as conversas, ele teria encaminhado as gravações à polícia.

Conforme Guilherme Pacífico, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Fazenda Pública Estadual que recebeu o CD de Vieira, o vazamento das informações está sendo investigado em inquérito que corre paralelamente às análises do MP. ´Primeiramente vamos estudar como provas sigilosas foram tornadas públicas antes de indiciamento ou de denúncia oficial´, afirma o delegado.

Reação

Para acelerar a retirada das matérias do site e do blog de Vieira, oficiais de Justiça foram à Companhia de Processamento de Dados do Estado (Procergs), que hospeda os veículos. Como o servidor não se responsabiliza pela administração da página, o endereço de internet acabou sendo retirado do ar entre aproximadamente 9h e 16h desta quarta-feira, horário que, conforme Vieira, seria o de maior audiência.

Procurado pelo Comunique-se, o editor explicou que foi proibido pela Justiça de conceder entrevistas sobre o caso e de distribuir o material sigiloso a qualquer veículo de comunicação. Ele também foi advertido que teria de pagar dez salários mínimos por dia no caso de a decisão ser desobedecida. De volta à internet, o site substituiu cada texto retirado por poemas do escritor português Luís de Camões.

Alceu Moreira, que foi escolhido pelo partido para assumir a presidência da Assembléia gaúcha a partir de fevereiro de 2008, alega que não é contra a liberdade de expressão, e sim contra a violação de documentos sigilosos. ´Durante a realização da CPI fui atacado por diversos veículos de imprensa e nunca cogitei entrar na Justiça. Agora, entretanto, considero que a agressão está sendo estendida à Assembléia como um todo em virtude da aproximação da posse´, declara. Enquanto Vieira afirma que tentará derrubar a liminar, a assessoria jurídica de Moreira não descarta a hipótese de processar o jornalista: ´Estamos avaliando a possibilidade de alegar ação criminosa´.’

 

TELEVISÃO
Milton Coelho da Graça

Mellão ajuda a saborear a democracia, 7/12

Deixem de lado suas opiniões sobre João Mellão Neto bem como as dele. Também não concordo com muita coisa do que ele habitualmente diz sobre política e economia. Mas leiam o artigo ´Os alicerces da democracia´, publicado nesta sexta, 07/12, na segunda página do Estadão, é imperdível. É uma primorosa aula de História, Política e Cidadania, sobre os fundamentos e o pleno significado da democracia, conforme imaginados pelos principais autores da Constituição americana de 1776 e suas 27 emendas. Corram atrás, é imperdível.

Ou a televisão muda ou mudamos a televisão

É essa a conclusão óbvia a quem ler as opiniões de pessoas tão diferentes como o presidente Lula e o professor Carlos Alberto di Franco. Lula, em discurso na Conferência Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes (03/12), fez a pergunta que certamente está na cabeça da maioria dos brasileiros: ´Em que momento a gente vai poder assistir, vai poder aprender alguma coisa educativa na televisão brasileira?´

Di Franco, doutor em Comunicação e professor da Universidade de Navarra, católico e persona supergrata na Rede Globo e nos jornais mais importantes do país, foi ainda mais direto ao ponto, em artigo no Estadão:

´A irresponsabilidade pragmática de alguns setores do negócio do entretenimento fecha o triângulo da delinqüência bem-nascida. A exaltação do sucesso sem limites éticos, o vale-tudo e a consagração da impunidade, marca registrada de algumas novelas e programas de TV, têm colaborado para o crescimento dos desvios de caráter. Apoiados numa leitura equivocada do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de TV exploram as paixões humanas. Ao subestimar a influência da violência ficcional, levam adolescentes ao delírio em shows e programas que promovem uma sucessão de quadros desumanizadores e humilhantes.´

De um lado, a justa defesa da liberdade de expressão política, artística e cultural. De outro lado, a crescente convicção – em pelo menos uma parte da sociedade – de que a televisão é cada vez mais importante (talvez até tão decisiva como a influência da família e da escola) no processo de educação da criança e do adolescente.

Se a bebida alcoólica é louvada por lindas frases e imagens como ingrediente indispensável da alegria e da confraternização, como esperar que jovens – ainda sem o mecanismo cerebral da auto-censura inteiramente desenvolvido – aceitem limites éticos para o consumo de álcool? Se as novelas das 6, 7, 8 e 9 horas, na desenfreada batalha por audiência, procuram cada vez mais deliciar a libido dos telespectadores – inclusive e especialmente dos recentemente iniciados nos mistérios da ereção e do cio – como esperar que esses jovens acatem com máxima atenção as recomendações para evitar gravidez precoce e/ou doenças sexualmente transmissíveis?

Em todos os países democráticos, existem ´códigos de conduta` para os meios de comunicação e ninguém os considera ´censura´, porque têm amplo suporte da sociedade. Eles resultam exatamente da conciliação entre interesses comerciais das emissoras e interesses sociais. Se todas as emissoras obedecem a um mesmo ´código´, nenhuma delas precisa temer que a concorrente comece a ´apelar` para sexo, violência etc. em busca de melhorar a audiência. O grande erro nosso foi permitir que as próprias emissoras fizessem uma auto-regulamentação sem qualquer consulta à sociedade – diretamente ou através do Estado.

Lula e o professor Di Franco estão ambos absolutamente certos em suas críticas à programação de nossa televisão. Elas têm de aceitar limites ético-educativos estabelecidos através de um diálogo franco e público com a sociedade, com ou sem intervenção do Estado. Há um gritante e indecoroso cinismo quando donos de emissoras freqüentam ou até dirijam serviços religiosos enquanto, ao mesmo tempo, ganham dinheiro ´vendendo` audiências de adolescentes e crianças a programas cada vez mais recheados de sacanagem, violência e incitação a vícios.’

 

RESTROSPECTIVA
Bruno Rodrigues

Passa(n)do a limpo

Final do ano, hora de olhar para trás – ou talvez para frente? Assuntos que abordei ao longo do ano, ou até mesmo em textos ancestrais, merecem uma rápida recapitulada. Selecionei três tópicos que merecem uma nova visita porque serão, com toda a certeza, foco da comunicação digital em 2008:

– Kindle, o leitor de e-books da Amazon

Há pouco mais de um ano, fiz apologia aos livros digitais, com todo orgulho, em um dos textos da coluna, mas quase morri soterrado em opiniões que iam do clichê – ´gosto de sentir o cheiro do papel` – ao mais realista – ´quem consegue ler um livro em um palm, com aquela letrinha?´.

No passado, tentativas como a do o SoftBook e a do o RocketBook (ao qual tive o prazer de ser apresentado por Adriana Siciliano em 2000) deram com os burros n´água. O motivo? Sinto decepcioná-los, mas nada teve a ver com hábito arraigado da leitura em papel. Faltava, sim, oferta de livros digitalizados, lojas como as que surgiram depois, como a ´ereader.com´, que há anos tem feito a festa de fãs de e-books no mundo inteiro.

Ainda assim, faltava um ´player` de peso na área de conteúdo, e chegou a vez da Amazon. Quase uma lenda do comércio eletrônico e uma das marcas online mais lembradas em pesquisas, a livraria virtual chegou com tudo, trazendo mais de 90.000 títulos em formato digital.

E, para arrasar de vez com os concorrentes, a empresa lançou o que muitos sonhavam e esperavam – um leitor de e-books de novíssima geração, que aproveita o melhor de seus
antepassados e vai muito, muito além: backlight perfeito para leitura à luz do dia; corpo de fontes adaptáveis; ´sensação` de estar lendo uma página em papel; acesso wireless à internet via rede privada para adquirir e baixar novos livros de qualquer lugar, seja metrô, ônibus, ou mesmo de casa…

Nem precisava dizer que, atrelado a uma marca como a da Amazon, o Kindle já foi capa de revistas como ´Newsweek` quando lançado, há duas semanas. E agora, será que cairá a última resistência? Estaremos nós, daqui a dez anos, lendo muito mais e-books que livros em papel? Será?

– O blog do Aguinaldo

A crise do novelista, que abordei na coluna da semana passada, já rendeu até análise sociológica em listas de discussão; Aguinaldo Silva não teria suportado o retorno imediato dos espectadores, agora transformados em comentaristas de seu blog. Desfeito o ´nó` mental, ele seria o primeiro de uma longa lista, a de celebridades expostas – desta vez não a paparazzi sem limite algum ou a fãs tresloucados, mas aos internautas, mesmo. E com autorização.

Mas parece que os ventos começam a soprar em outras direções. Segundo as pesquisas – sempre elas – a tendência é que todos nós (e aí estão inclusas as celebridades) tenhamos na chamadas ´redes sociais´, como o Orkut e o Facebook, nossa morada. Isso significa que os blogs não seriam mais a maneira usual de ´expressão de idéias` na web – tudo, de fotos a vídeos, de textos a teses, estariam em nossos ´perfis´, agora turbinados, nas redes. Estariam os blogs em extinção?

– Perguntas que não querem calar (nunca)

Bob Wollheim, empreendedor da comunicação digital e um dos pioneiros da web Brasil, enumera na edição deste mês da (ótima) revista ´iMasters` as perguntas que nunca têm resposta, em especial as relacionadas à publicidade online. Sabe que o moço tem toda a razão no que pergunta? Três das questões me chamaram a atenção:

1- ´Quase tudo o que é pago na internet gera um certo ´urgh` nos usuários, (…) menos quando os links patrocinados do Google sustentam os blogs de todo mundo que odeia propaganda e coisas assim, né?´

2- ´Uma parcela pequeníssima dos usuários clica em publicidade online, mas como o Google, só recebendo sobre cliques em palavras-chaves, faturou no ano passado mais de 10 bi de doletas?´

3- ´Pop-Up [aquela janelinha que abre sem você pedir] é umas das maiores pestes da internet (…), mas por que as empresas continuam fazendo tantos pop-ups se todo mundo fecha? Ou não fecha?´

Diante da sabedoria do Bob, resta-me o silêncio.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ´Webwriting – Pensando o texto para mídia digital´, e de sua continuação, ´Webwriting – Redação e Informação para a web´. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ´Webwriting` do ´Dicionário de Comunicação´, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’


FUTEBOL
Marcelo Russio

A importância de um gol, 4/12

‘Olá, amigos. A queda de um grande clube como o Corinthians, além de mexer com a torcida e fazer com que toda a estruturação do futebol brasileiro se movimente, faz com que os veículos de comunicação passem a repensar a sua estrutura para o ano de 2008. Por estrutura entenda-se distribuição de repórteres, orçamento de viagens e linha editorial de cobertura. Quase tudo, portanto.

Quando o planejamento de um ano é feito, leva-se em conta a quantidade de viagens que os setoristas terão de fazer, os jogos-chave e as possibilidades de reviravoltas dentro da temporada. A ausência do Corinthians da Série A faz com que, lógico, planeje-se uma cobertura diferenciada da Série B. Muitas vezes, essa cobertura é muito mais difícil e problemática.

Os jogos da Série B acontecem em estádios mais velhos, há menos atenção da mídia, a pressão dos torcedores e de funcionários de alguns times é maior… enfim, acontecem coisas diferentes, que devem ser previstas na estruturação da cobertura. Além disso, as cidades que sediam estes jogos têm menos estrutura na maioria das vezes, e a informação é menos difundida. Hoje o panorama é até melhor que há 15 anos, quando a Série B era quase uma extensão da Série C, que é a divisão onde absolutamente TUDO acontece.

Portanto, não tenham dúvidas: a queda do Corinthians teve uma torcida muito grande de um grupo específico: os gerentes dos veículos de comunicação. Caso ficasse na Série A, a cobertura e o orçamento já estariam fechados para o próximo ano, e haveria menos possibilidades de surpresas.

Imaginem, portanto, a diferença que um gol, ou um ponto, fazem para a imprensa.

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Não sou daqueles que gosta das perguntas óbvias que a imprensa faz a atletas, dirigentes e treinadores. Muitas vezes perguntamos aquilo que já sabemos, apenas para ter a palavra do entrevistado sobre um determinado assunto. Mas, no último fim de semana, quando o Corinthians foi rebaixado, o festival de perguntas óbvias foi ainda maior do que se poderia prever. Não sei quantas vezes ouvi as perguntas ´Fulano, por que o Corinthians caiu?` ou ´Sicrano, de quem é a culpa?´. Tudo bem, às vezes vem uma resposta bombástica, mas acho que essa fase, honestamente, já passou.

Antigamente vinha uma resposta furiosa, ou alguém era acusado no ar. Hoje, no entanto, todos medem o que dizem, e o repórter sempre sai com a fama de vilão da história, ou de despreparado.

Acho que perdeu-se a chance de se pensar de antemão em perguntas importantes, e que transmitissem uma linha de raciocínio clara ao público.

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Um bom exemplo de trabalho bem feito foi mostrado pelo repórter Carlos Cereto, do SporTV, abordando o técnico Nelsinho Batista, do Corinthians, e perguntando se houve algum problema que justificasse o atraso de mais de 20 minutos do time para entrar em campo. Diante da resposta cínica do treinador, Cereto foi incisivo e irônico, perguntando que problemas haviam acontecido. A evasiva dada por Nelsinho foi tema de todos os programas do domingo à noite, e mostrou como se pode fazer jornalismo não-óbvio, e sério.

Parabéns ao colega.’

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

O grande coração do Kotscho, 6/12

‘Pois se vier o mar, veremos
o barco a remo do pampa
puxando um cordão guerreiro
Nei Duclós in No Mar, Veremos

O grande coração do Kotscho

No último Papo na Redação de 2007, o considerado Ricardo Kotscho, velho amigo e companheiro dalgumas lutas pela vida afora, deixou cair esta dica para quem se inicia na profissão:

´O básico do jornalista é ter caráter. Não adianta saber escrever, ser doutor. O importante é saber ajudar as pessoas. É um serviço para o público. Fazer uma denúncia que leve o poder público a agir´, respondeu.

Janistraquis leu, semicerrou os olhos na lembrança do passado e comentou, a mastigar um pão de queijo:

´O Kotscho é mesmo um incorrigível romântico, né mesmo? Infelizmente, ele e todos nós sabemos que nem sempre uma grande alma se transforma num ícone da profissão. E muitas vezes, quando o jornalista faz a opção pelos pobres e aparece por aí como se lhe dessem alguma importância no jornal onde trabalha, vem o dono e aponta-lhe o olho da rua da amargura…´.

É a mais cristalina verdade. Afinal, em tantos anos de profissão Kotscho e este outro veterano conhecemos muitos jornalistas tecnicamente excelentes, todavia desprovidos da mais mínima noção de caráter; eméritos filhos da puta que eram mestres na arte do bem escrever e se vender; torcer e distorcer; abraçar e apunhalar pelas costas.

O colunista, que atualmente escreve algumas memórias de Redação, faz referência àqueles tempos e a tais criaturas. Sem rancor ou saudade.

Finasterida

O colunista, que não está com essa bola toda, também toma Finasterida, como Romário, e se a reposição hormonal faz crescer os cabelos do craque, serve somente para que este perna-de-pau tente driblar alguns problemas da velhice.

O remédio não melhora o desempenho de ninguém; talvez impeça a queda do cabelo de alguns e reduza a circunferência da próstata, esse arremedo de bola que não é de cristal mas tem como única função lembrar a você que está na hora de pendurar as chuteiras.

Ninguém é de ninguém

Ao comentar a derrota de Chávez, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, César Britto, declarou com ênfase cívica: ´O povo não tem dono!´.

Então Janistraquis, que anda a confundir Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão, meteu o bedelho sujo:

´Taí, considerado; pela frase do presidente Britto, é possível concluir-se que o povo é que nem c… de bêbado, que também não tem dono, como estamos carecas de saber.`

Fátima Bernardes

A considerada leitora Avany Guedes de Abreu, empresária no Rio, jura que na última terça, 4/11, em matéria do Jornal Nacional sobre os problemas da companhia aérea BRA, ouviu Fátima Bernardes pronunciar arrêsto em vez de arrésto.

´Doeu nos ouvidos´, escreveu Avany, e Janistraquis, que é fã da vascaína Bernardes, garante que não se tratou de erro propriamente dito:

´É impossível que profissional tão competente, tão zelosa, desconheça a pronúncia exata da palavra arresto, que também significa embargo; a apresentadora deve ter sofrido uma breve privação de sentidos, algo comuníssimo em jornalistas.`

Dentro da bicicleta

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de onde é impossível avistar Renan Calheiros a passar a perna em seus pares, pois Roldão encontrou esta frase numa página do Correio Braziliense:

´Pedalar é preciso, viver… Aos 46 anos, o vigilante Gonçalves dos Reis percorre o Brasil a bordo de sua bicicleta Roda Mundo, faça vento, chuva ou sol.´

Roldão, que na juventude não largava o livro Questões Vernáculas, de Napoleão Mendes de Almeida, condenou às profundas o lead da matéria de seu jornal preferido:

A bordo quer dizer dentro das bordas. Se não é possível entrar numa bicicleta, não se pode dizer a bordo de uma bicicleta. Pode-se estar a bordo de um avião ou de um automóvel, mas nunca a bordo de uma motocicleta. Da mesma forma, não se pode estar a bordo de um cavalo, mas sim montado num cavalo, numa motocicleta ou numa bicicleta.

C…agando & andando

Este Maravalha está sem telefone desde 28/11. Janistraquis começou pedindo e terminou implorando para que a Telefônica mandasse consertar e… nada! Meu assistente resolveu apelar para a Anatel, em lacrimoso e-mail à competente empresa e… não conseguiu sequer se queixar, pois ao preencher o formulário de autoatendimento, o endereço foi recusado. A Anatel não reconhece a existência de Cunha. Nem a minha.

Então Janistraquis iniciou coleta de assinaturas na cidade, com o objetivo de pedir ao governo a privatização da Anatel e da Telefônica.

Experiência em campo

Aos corinthianos que sonham com um craque experiente para comandar o time dentro de campo Janistraquis recomenda a imediata contratação do marechal Waldemar Cardoso:

´Considerado, neste momento não existe no Brasil ninguém com experiência maior; nem Dercy Gonçalves nem Oscar Niemeyer. O marechal, que comandou a vitória da FEB sobre os nazistas na batalha de Monte Castelo, nos estertores da Segunda Guerra, acaba de completar 107 anos e está mais em forma do que Dunga na Copa de 94!´

Nei Duclós

O verbo do considerado Nei tem sempre uma bala na agulha. Leia no Blogstraquis a íntegra de No Mar, Veremos, também título do livro lançado em 2001 pela Editora Globo e cujo excerto encima esta coluna.

Tornar a fugir

Seria de todo espantoso há algum tempo, porém o considerado Giulio Sanmartini, nosso correspondente na Europa, o qual vive em Belluno, nordeste da Itália, leu o jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba (SP), e de uma daquelas tão bem editadas páginas recolheu o seguinte texto:

Turbulências levam investidor a se refugir em ouro
Cruzeiro On Line

As turbulências no mercado financeiro internacional foram decisivas para a configuração do ranking brasileiro de investimentos de novembro. A liderança no mês ficou com o ouro, com ganhos de 5,89%, prova de que o investidor priorizou a segurança, em detrimento da liquidez. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que ainda lidera com folga o ranking anual, perdeu 3,54% em novembro e ficou na rabeira do levantamento. Foi o pior desempenho mensal do mercado acionário em 2007.

Sanmartini, que durante muitos anos ajudou Antonio Houaiss a preparar seu hoje indispensável dicionário, garante que suspirou fundo:

Ora, existe o verbo com o significado de tornar a fugir (ex: Renan Calheiros tenta refugir da cassação). Mas me parece que a palavra que deveria ser empregada é ´refugiar´, retirar-se para um lugar onde haja segurança, proteção.

De menor

A coluna recebeu de um considerado leitor o seguinte despacho:

Estavamos nós, eu e minha esposa, ambos jornalistas, assistindo ao Jornal Matutino Bom dia Brasil da Rede Globo, quando se falava sobre a pobre menina que ficou encarceirada junto aos homens, no Pará.

E finalizando a matéria escutamos algo que doeu no fundo da alma. A jornalista Flávia Bomtempo, que não é nenhuma novata, explica em sua última frase que foi comprovada que a menina era mesmo DE MENOR.

Acho que mesmo ensaindo não conseguiria um coro tão sincronizado entre eu e minha esposa. Um grito apenas nos uniu, e tenho certeza de que ressoou no Brasil todo: DE MENOR!?!?!?!?!

Cômico se não fosse triste…rs

Janistraquis ficou perplexo com a perplexidade do remetente:

´Considerado, será que nosso colaborador jamais escutou a expressão ´de menor´?!?!?! Ora, é a forma coloquial e comuníssima de se referir a alguém ´de menor idade´. Está certo que situa-se a quartéis da chamada ´norma culta´, mas também está longe de ser vista como erro crasso.`

Terceiro mandato

O considerado Gilson Caroni Filho, titular de Sociologia da Facha e flamenguista empedernido, escreveu na Agência Carta Maior sob o título O strip-tease da Folha de S. Paulo:

Que não existem manchetes inocentes todos sabemos. A da primeira página da Folha de S.Paulo de domingo, 2/12/2007(´65% rejeitam 3º mandato para Lula´), além de não ser exceção, tem dois méritos: revela a pretensão do jornal paulista em distorcer fatos e números de acordo com seus sagrados desígnios, além de evidenciar o papel da grande imprensa como elemento central das articulações das forças conservadoras.

Leia no Blogstraquis a íntegra do desafiador artigo.

Nota dez

O considerado Janio de Freitas escreveu na Folha de S. Paulo sob o título Cenas conhecidas:

JÁ OUVI, ouvimos, esse gênero de discursos que Lula adota com freqüência cada vez maior. Discursos mais vociferados do que pronunciados, com uma carga de agressividade insultuosa que até lhe transtorna o rosto, recendendo a ressentimentos que se confundem com ódios, se conscientes, inconfessáveis.

Já ouvimos discursos assim de acusação e ofensa aos que divergem, de fato ou não, já ouvimos essa voz de uma prepotência que parece usar a fala porque não pode usar as mãos, o físico ou algo mais sólido, para extravasar. Já ouvimos discursos assim, mas não eram de Lula. Eram de coronéis e generais.

Leia no Blogstraquis a íntegra do acurado texto.

Errei, sim!

´DÍVIDA HUMILHANTE – Chamada de primeira página do Jornal do Brasil: Criança deixa de crescer com dívida externa. Curioso pelos detalhes de semelhante disparate econômico-social, Janistraquis mergulhou na leitura da matéria. Lá estava: ´O pagamento de US$ 178 bilhões por ano (os juros da dívida externa pagos aos ricos pelos países pobres) está comprometendo a assistência médica educacional de milhões de crianças cujo crescimento físico e mental sofre prejuízos (…)´.

Comentário de Janistraquis: ´Considerado, é vivendo e aprendendo. Jamais poderia imaginar que o crescimento da dívida fosse inversamente proporcional à nossa estatura´. E completou, sinceramente compungido: ´Coitado dos pigmeus lá da África; a dívida deles não deve ser normal…´. (janeiro de 1990)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 45 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ´Carta a Uma Paixão Definitiva´.’

 

HISTÓRIA
Eduardo Ribeiro

Correspondentes lançam livro com histórias da redemocratização, 5/12

‘A Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo, a ACE-SP, promoveu na noite desta 3ª.feira (04/12), na Casa de Portugal, em São Paulo, um jantar para comemorar o transcurso dos seus 30 anos de fundação, ocasião em que apresentou o projeto O Brasil dos Correspondentes, livro de 320 páginas contando a história da redemocratização do Brasil e do trabalho da imprensa estrangeira no País por meio de artigos de 34 correspondentes que dela participaram nesse período. ´Quando a imprensa nacional era impedida de narrar esses acontecimentos, por causa da censura, coube aos correspondentes da ACE divulgar os acontecimentos sociais, políticos e econômicos brasileiros nos veículos dos países para que trabalhavam´, disse Verónica Goyzueta, presidente da entidade, ao editor-executivo deste J&Cia, Wilson Baroncelli.

Mais de 300 pessoas compareceram à festa, entre elas o rabino Henry Sobel, o presidente da Regional São Paulo da ABI, Audálio Dantas, o presidente do Memorial da América Latina, Fernando Lessa, e dois ex-presidentes do Sindicato dos Jornalistas de SP, Lu Fernandes e Fred Ghedini.

O livro, que está pronto para impressão, deve ser lançado em fevereiro. A ACE, na realidade, nasceu no dia 15 de julho de 1977, quando Jan Rocha, então correspondente da BBC de Londres, reuniu treze jornalistas em sua casa para criar a Sociedade da Imprensa Estrangeira em São Paulo (SIESP). Com ela estavam Guy Arditi (France Presse), Stanley Lehman (UPI), Patrick Knight (The Times), Steven Yolen (Fairchild), Bill Hieronymus, Ernie McCrary (Business Week), Carry Frasier (Associated Press), Susan Branford (Financial Times), Nick Terdre (Latin American News), Denise Fon (Euromoney) e Bernardo Kucinski. Além de Jan, outros três (Lehman, Knight e Hieronymus) são membros da Associação até hoje.

Nos primeiros anos, um comitê executivo, formado por Rocha, Lehman e Fon, dirigiu suas atividades. No final da década de 1980, o grupo passou a ser conhecido como Clube dos Correspondentes de São Paulo, até adotar a atual denominação, no início da década de 1990. No final de 1993, Jan Rocha assumiu mais uma vez a liderança, desta vez como presidente, e adotou a mensalidade. A ela se sucederam Mario Krasnob (Télam) e Candace Piette (BBC), que terceirizaram o trabalho administrativo, e Bill Hinchberger (Brazilmax.com), que criou o primeiro site da entidade, depois Verónica Goyzueta (AmericaEconomia, ABC) e Thierry Ogier (Les Echos).

A atual diretoria, integrada por Verónica, Kieran Gartlan (DTN, Gringoes.com), Tom Milz (ARD, Caiman.de), Carlos Turdera (CafeCrift.com) e Elizabeth Johnson (Dow Jones, Venture Equity Latin América, Latin.com), vem promovendo o trabalho dos correspondentes por meio de eventos e outras atividades, com sócios e entidades parceiras, entre eles encontros anuais, coletivas, debates e seminários. Com estatutos e personalidade jurídica oficialmente registrados desde o final de 2006, a ACE tem sede provisória no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (rua Rego Freitas, 530 – sobreloja – 11-3217-6299), mas em breve terá endereço próprio (contatos podem ser feitos com Inês Jaén, pelo e-mail ines@atuald.com.br ou correspondentes@gmail.com).

Jan Rocha, que está há quase 40 anos no Brasil e hoje se dedica mais ao ofício de escritora do que ao de correspondente, diz que as condições de trabalho atuais são muito diferentes das que experimentou no início da carreira, principalmente porque naquele período o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Mas, em contrapartida, reclama que hoje não se tem tempo de viajar como antes. Ela falou rapidamente a J&Cia sobre esse trabalho:

Jornalistas&Cia – Quais as principais diferenças entre o trabalho do correspondente hoje e o da época em que você começou?

Jan Rocha – Vim para São Paulo em 1969, como esposa de imigrante. Era assistente social. Só comecei o trabalho de correspondente em 1974. Era tudo muito difícil, porque o Brasil vivia uma ditadura e eu não tinha nenhuma experiência. Como havia censura, comecei a freqüentar a redação do Estadão pois lá podia ter acesso a tudo o que eles apuravam e que não ia sair no dia seguinte. Com o tempo, fui formando minha rede de relacionamentos e depois as pessoas passaram a me ligar. Mas tanto naquela época como hoje, a maior dificuldade é saber onde buscar a notícia que interessa para os nossos leitores. Não basta apenas ler o jornal, tem que ver o que está por trás.

J&Cia – E as condições de trabalho?

Jan – Ah, eram difíceis. Às vezes demorava horas para conseguir fazer uma ligação telefônica. Quando veio o telex melhorou um pouco. Em compensação, não havia essa pressão de prazo que existe agora. A gente levava semanas fazendo uma reportagem, podia viajar pelo País. Hoje, não, você fica plugado 24 horas na internet, não tem mais horário de fechamento, não sai mais do computador. As verbas também diminuíram muito.

J&Cia – Depois desses anos todos, você ainda atua como correspondente?

Jan – Faço algumas colaborações para o Guardian, de Londres. Mas dedico a maior parte do tempo a escrever livros. Já fiz dois, um sobre o massacre dos Yanomâmi e outro sobre o MST, e agora estou escrevendo um sobre uma criança desaparecida na Argentina no período da ditadura

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Festas da Comunicação Corporativa – Dois eventos marcam esta semana momentos marcantes do segmento da Comunicação Corporativa: a festa de confraternização da Abracom, na noite desta quarta-feira, 5/12, a partir das 19h, no Centro Brasileiro Britânico (rua Ferreira de Araújo, 741 – reservas com Ana Maria Pereira, no 11-3079-6839 ou contato@abracom.org.br); e a entrega do Prêmio Aberje Nacional 2007 na quinta-feira, 6/12, às 12h, no Hotel Unique (av. Brigadeiro Luiz Antonio – informações com Bruno, pelo e-mail bruno@aberje.com.br ou 11-3662-3990). São setores que vêm passando por uma expansão excepcional e, mais do que isso, que amadureceram de forma vigorosa nesta última década, como mostrarão os números e pronunciamentos. A conferir!

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ´Fontes de Informação` e o livro ´Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia´. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

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