Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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Comunique-se

02/06/2009 na edição 540

FIM DA GZM

Milton Coelho da Graça

Um ‘ferro’ maior que o da Manchete

‘Até hoje (terça, 26/5), Luiz Fernando Levy, ex-dono da Gazeta Mercantil, terá de responder oficialmente se aceita ou não receber de volta o jornal, segundo comunicou ontem ao distinto público o sr. Nelson Tanure. Através de uma empresa denominada Companhia Brasileira de Mídia e um contrato de arrendamento das marcas ou coisa parecida, Tanure passou a ser o ‘dono’ do jornal e das revistas por ele editadas. O sr. Levy já declarou que não aceitará a devolução.

Desde o primeiro instante, Tanure demonstrou ter idéias inteiramente equivocadas sobre o papel que se espera dos meios de comunicação, especialmente impressos, numa sociedade moderna e democrática. E muito especialmente a natureza das relações trabalhistas entre os proprietários de meios de comunicação e os jornalistas contratados para produzi-los.

Recordo aqui dois episódios curiosos para ilustrar a profunda transformação ocorrida nessas relações nos últimos 20 anos.

O sr. Tanure autorizou o aluguel de uma casa superbacana em Brasília para ser uma supersucursal Jornal do Brasil (também assumido por ele numa operação semelhante à da GM). O aluguel – segundo boatos correntes na capital – era de 50 mil reais e, obviamente, tinha muito mais a intenção de ser um escritório comercial do que sucursal jornalística. Quase simultaneamente, foram demitidos dezenas de jornalistas, em clara demonstração dos novos objetivos prioritários do JB em Brasília.

Alguns anos antes, havia ocorrido um episódio muito diferente mas também sintomático da transformação das relações trabalhistas nas empresas jornalísticas. Durante toda a vida de Roberto Marinho – mais de meio século – no comando de O Globo, ele mandava pagar uma semana extra de salário a TODOS os funcionários do jornal – jornalistas ou não – como gratificação comemorativa. Ele ainda estava no comando quando uma famosa empresa de consultoria foi contratada para recomendar uma nova estrutura administrativa para as Organizações Globo. Entre outras medidas de ‘organização moderna’, a empresa incluiu o fim dessa gratificação. Mas Roberto Marinho foi inflexível enquanto teve forças para se manter no comando: ‘Foram os meus empregados no jornal que me ajudaram a construir toda a organização’. E a gratificação só acabou quando ele teve de se afastar.

Pequenos mas esclarecedores episódios.

O motivo mais provável da decisão deve ter sido o custo das primeiras indenizações trabalhistas concedidas pela Justiça. Nem a CBM nem a direção anterior da GM fizeram reservas contábeis para essa hipótese. A política adotada (também no Jornal dos Sports e em várias outras empresas de Comunicação) foi sempre a de demitir mas só pagar depois de condenação pela Justiça do Trabalho em última instância.

Com a devolução do jornal, certamente prevista pelo tal contrato de arrendamento, o sr. Tanure também entrega publicamente ao sr. Levy as obrigações trabalhistas, provavelmente cantando baixinho aquela antiga marchinha carnavalesca: ‘toma que o filho é teu’.

A estimativa é de que o total dessas obrigações chega a R$ 200 milhões. Não há prédios bacanas nem parque gráfico para garantir pagamento. Só os títulos, muito desvalorizados por gestão incompetente e que, com a crise da imprensa, valem cada vez menos.

Um grande ‘ferro’, possivelmente maior que o da Manchete, está no horizonte para os companheiros da Gazeta Mercantil. E se o tal arrendamento for igual ao do Jornal do Brasil…

Quem quiser comentar sem se identificar, pode mandar um e-mail para m.graca@comunique-se.com.br.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

 

Comunique-se

CBM cumpre prometido e não é mais dona da Gazeta Mercantil

‘Diante da falta de acordo com a equipe da Gazeta Mercantil S/A e Gazeta Mercantil Participações S/A, a Editora JB, da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), publicou comunicado na capa da Gazeta Mercantil desta sexta-feira reiterando que hoje é o último dia que o jornal circula sob sua responsabilidade. Se não chegarem a um denominador comum, na próxima segunda-feira (01/06) o diário não estará nas bancas.

No documento, a Editora JB destaca que continua disposta a colaborar para dar continuidade ao jornal. Segundo fontes na direção da CBM, tudo está dependendo de um telefonema da equipe de Luiz Fernando Levy, proprietário da marca, para que isso aconteça.

CEO da CBM, Eduardo Jácome esteve em São Paulo nesta quinta-feira (28/05) para dar a notícia pessoalmente aos funcionários. Ao que tudo indica, na próxima segunda todos estarão de férias, por 30 dias. Esse é mais um prazo em que a direção da CBM espera chegar a um acordo com Levy.

Se o impasse continuar, os funcionários terão mais 30 dias de aviso prévio. Alguns serão realocados, outros ficarão sem emprego.

Leia na íntegra o comunicado:

‘Em complemento ao ‘Comunicado’ de 25 de maio do presente, e pelos motivos nele expostos, a EDITORA JB S.A. informa que a edição de hoje do jornal ‘GAZETA MERCANTIL’ é a última publicada sob sua responsabilidade, nos termos do ‘Contrato de Licenciamento de Uso de Marcas e Usufruto Oneroso’ celebrado por escritura pública de 16/12/2003 junto à Gazeta Mercantil S.A., proprietária das marcas nominais objeto dos registros 817.972.242.972.250 e 817.972.269 (Classes 11, 38 e 41) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI.

A EDITORA JB S.A. reitera convicção de haver fortalecido e modernizado o jornal ‘GAZETA MERCANTIL’, bem como agradece ao público em geral e aos seus leitores e anunciantes a confiança nela depositada durante o exercício do direito de uso da marca ‘GAZETA MERCANTIL’.

A partir de 1º de junho próximo, a Gazeta Mercantil S. A., controlada pelo Sr. Luiz Fernando Ferreira Levy, é a única e exclusiva responsável pela edição e comercialização do jornal ‘GAZETA MERCANTIL’ e pela defesa e conservação das marcas, que são de sua propriedade.

A EDITORA JB S.A. continua a manifestar sua disposição em colaborar para a continuidade, sem interrupção, da publicação deste periódico’.’

 

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Funcionários da Gazeta formalizam férias com RH

‘Os funcionários que trabalham na Gazeta Mercantil dedicam esta sexta-feira para conversar com o departamento de Recursos Humanos para formalizar as férias de 30 dias. Segundo o CEO da Companhia Brasileira Multimídia (CBM), Eduardo Jácome, a direção da empresa está analisando caso a caso ‘para dar tratamento individualizado’.

‘O ambiente está calmo. A reunião que tivemos ontem com os funcionários os tranqüilizou’, analisa.

Jácome ainda não sabe quantos funcionários serão realocados nas empresas da CBM. ‘Semana que vem vou me dedicar a isso. Dissemos a eles que poderá haver oportunidade no Rio, em qualquer lugar’, disse.

Para que todos possam saber de oportunidades e novidades sobre a Gazeta Mercantil, a CBM criou um canal de comunicação, segundo Jácome.

Os funcionários do diário econômico ficarão 30 dias de férias, enquanto a CBM tenta encontrar uma solução para o jornal. Se nenhum acordo for fechado com Luiz Fernando Levy, dono da marca Gazeta Mercantil, eles terão mais 30 dias de aviso prévio. Depois, vão tentar realocar uma parte dos funcionários. Outros deverão deixar a empresa.’

 

Eduardo Ribeiro

GZM: crise, impasse na cúpula e luta pela sobrevivência

‘A decisão de Nelson Tanure de devolver a marca, a empresa e as dívidas da Gazeta Mercantil para Luiz Fernando Levy, formalizada em texto de primeira página na edição de 2ª.feira (25/5) da própria Gazeta, caiu como um torpedo na redação, num momento – ironia do destino – em que o jornal vinha vivendo de certo modo um bom momento editorial, em que pese as adversidades enfrentadas. A notícia, dada em primeira mão pelo Estadão, em textos assinados por Cley Scholz e Marili Ribeiro, esparramou-se por toda a mídia e sites, dando conta da chegada de uma nova e grave crise para a empresa. Os rumores de que Tanure iria devolver o jornal a Levy começaram a circular o mercado na última 5ª.feira (21/5), mas a decisão final teria sido tomada no domingo, até possivelmente pelo elemento surpresa.

Após muito falatório, informações desencontradas e boatos, ficou em todos a expectativa de que esta 3ª.feira (26/5) seria decisiva no imbróglio, pois haveria um pronunciamento oficial de Levy sobre o episódio. Não foi. Levy ficou de publicar na Gazeta Mercantil um comunicado rebatendo o texto de Tanure, mas não o fez, embora tivesse escrito o comunicado, como confirmaram pessoas de fora do jornal que o viram. Segundo essas pessoas, Levy diz no comunicado que, perto da comemoração de 90 anos de vida do jornal, não se deixarão de encontrar fórmulas negociadas que preservem a publicação. O texto contraria informações de que ele teria dito aos funcionários que não se iludissem, pois ele não aceitaria retomar o jornal.

Na redação chegou no final da tarde desta 3ª.feira a informação de que Tanure e Levy decidiram ter um encontro nesta 4ª.feira para estudar um possível acordo, fato que teria provocado o adiamento do comunicado de Levy. Uma luz? Difícil saber, pois o temor é de que eles possam chegar a um acordo empresarial, sem que se contemplem necessariamente a situação dos empregados.

Afinal, que razões teriam levado Tanure a desistir do projeto, depois de cinco anos no seu comando? Diz um diretor da casa que foi por ter se cansado de ser obrigado a assumir dívidas do passado, pelas quais contratualmente não eram de sua responsabilidade. E assim aconteceu porque a justiça, à revelia do contrato, decidiu considerar a CBM sucessora da Gazeta Mercantil na quitação dos passivos trabalhistas, o que também teria começado a acontecer com as dívidas tributárias, passando a ameaçar outros patrimônios do empresário.

Sabe-se de casos, segundo apurou este J&Cia com fontes da redação do jornal, de profissionais que estão processando a Gazeta, por dívidas da época do Levy, e que trabalham ao seu lado. ‘Um contra-senso dos dois lados’, dizem, apesar de reconhecerem que legalmente nada há que fazer sobre isso.

Com uma equipe pequena, de 70 profissionais (menos de 10% do que já teve um dia, no auge, com centenas de profissionais espalhados por todo o País, entre os melhores salários do mercado), o jornal tem garimpado alguns furos e feito uma cobertura seletiva dos acontecimentos, buscando tirar o maior proveito possível de sua força-tarefa. O desafio vinha se mostrando ainda maior, conforme afirmou um dos editores a este J&Cia, em função do sistemático boicote enfrentado pelo jornal sobretudo de ex-funcionários, hoje espalhados por áreas de comunicação de várias empresas e órgãos públicos Brasil afora. Credores da empresa e sem a mínima perspectiva de receber, diz esse editor, não facilitam em nada a vida da atual equipe, jogando as solicitações no chamado arquivo cesto (de lixo). Difícil também fazer sobre eles juízo de valor, por tudo o que passaram nas etapas anteriores da crise.

Um dos editores da nova safra diz ver com profunda tristeza e indignação que pessoas que foram da antiga Gazeta critiquem o atual jornal e louvem exatamente a fórmula que levou a empresa à bancarrota, no final dos anos 90. ‘Naquela época a empresa chegou a ter 60 diretores, com os mais elevados salários do mercado’, diz esse profissional, salientando que a atual Gazeta pode não ter o glamour daqueles tempos, mas tem alma de jornal e um esforço incomum de seus 70 profissionais por colocar diariamente nas ruas um bom produto.

Na conversa de J&Cia com um dos diretores da empresa, ele foi claro e taxativo ao afirmar que a Gazeta Mercantil é uma empresa viável e com uma operação lucrativa, mas que está se tornando inviável por conta do passivo de dívidas e dos embargos de receita promovidos pela Justiça.

Sobre o destino profissional dos cerca de 70 profissionais da redação, J&Cia apurou que Tanure assumiu nesta 2ª.feira, com um executivo do grupo, o compromisso de que manterá os empregos nas outras operações editoriais do grupo, caso de Jornal do Brasil (que teria interesse em se fortalecer e se voltar também para o mercado paulista), Editora Peixes e novos projetos na área de plataforma digital, que estão em gestação. Seria essa uma declaração apenas para ganhar tempo? É o que muitos acreditam, já que essa é uma formulação conveniente, que contribuiria para minimizar reações extremadas, inclusive sindicais.

Numa outra ponta, assistindo à distância esse novo episódio da crise, a Associação de Funcionários e ex-Funcionários da Gazeta Mercantil mantém-se firme no propósito de ir às últimas conseqüências para que a empresa quite as dívidas relativas a mais de 300 ações. O grupo já ganhou nas duas instâncias da justiça e agora enfrenta exatamente o desafio de receber o que lhe é de direito. A questão é que as ações encontram-se em diferentes estágios, uma vez que cada pessoa teve de cuidar de todos os pormenores e isso nem sempre se deu de maneira uniforme. Já há ações que passaram por perícia, foram para a execução e agora estão na chamada fase de liquidação.

Há esperança de que Tanure e Levy cheguem a um acordo que preserve o jornal e os vários empregos em jogo. A torcida é que isso se resolva até 6ª.feira, porque se isso não acontecer é possível que a partir da próxima 2ª.feira o jornal deixe de circular. A conferir!

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

 

IMPRESSOS EM CRISE

Sérgio Matsuura

Circulação de jornais cai 6,7% em abril

‘Abril registrou a pior circulação média diária de jornais no ano. Foram vendidos 4.171.249 exemplares, número 6,7% menor que no mesmo mês de 2008. Na média acumulada de 2009, a queda é de 3,8%.

A Associação Nacional de Jornais avalia que os números do primeiro quadrimestre do ano são reflexos da crise que afeta a economia em geral. O diretor-executivo da entidade, Ricardo Pedreira, lembra ainda que o ano de 2008 foi excepcional para o setor, o que afeta a comparação.

‘É muito diferente da situação dos Estados Unidos, onde existe uma crise na indústria. Aqui, é evidente que se trata de um reflexo da situação da economia. É uma situação passageira’, diz Pedreira.

Queda de dois dígitos

Em relação a abril de 2008, algumas publicações apresentaram índice de redução de dois dígitos. A Folha de S. Paulo, por exemplo, teve circulação 10,84% menor. No Extra a situação foi mais dramática: a queda foi de 25,69%.

A situação foi parecida no Estadão (-16,93%), Meia Hora (-15,4%) e Diário Gaúcho (-13,24%). Da lista dos dez jornais mais vendidos do País, em relação ao mês de abril de 2008, apenas o Lance! e o Zero Hora apresentaram crescimento, 4,55% e 3,58% respectivamente.

Apesar do resultado negativo acumulado nos quatro primeiros meses do ano, a ANJ confia na recuperação do setor.

‘De toda forma, eu acho que é possível, nos oito meses que vão se seguir, que a gente possa equilibrar e até ter algum número minimamente positivo’, projeta Pedreira.

Os números são do Instituto Verificador de Circulação (IVC).’

 

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Para Murdoch, jornais serão digitais dentro de 10 ou 15 anos

‘Na última quinta-feira (28/05), o presidente da News Corp., Rupert Murdoch, previu que dentro de 10 ou 15 anos todos os jornais serão digitais. Em entrevista ao canal Fox Business Network, o magnata da mídia afirmou que, por causa da crise nos impressos, os jornais terão que cobrar por suas edições online se quiserem sobreviver.

‘Este novo jornal eletrônico deverá estar pronto dentro de dois ou três anos, mas levará 10 ou 15 anos para que o público se acostume a ele’, disse.

Em sua opinião, ‘o jornal do futuro será lido em uma tela, atualizada a cada uma ou duas horas’.

‘Tudo é possível. Algumas das melhores companhias eletrônicas do mundo estão trabalhando duramente neste projeto’, afirmou.

Com informações da AFP.’

 

CASO BLOCH

Sérgio Matsuura

CredCheque paga, mas recurso pede novo leilão do edifício da Bloch

‘A CredCheque, segunda colocada no leilão do edifício da falida Bloch Editores, depositou no fim da tarde desta quarta-feira (27/05) os R$ 64,5 milhões para efetivar a compra do imóvel. Entretanto, um processo movido pela empresa Prosperitas, dona do quarto maior lance, impede que o dinheiro seja movimentado até que o caso seja julgado.

De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o recurso pede a realização de um novo leilão. A Prosperitas informa que não irá se manifestar sobre o caso.

O presidente da Comissão de Ex-Funcionários da Bloch, José Carlos Jesus, lamenta a ação movida, o que impede que o valor arrecadado seja utilizado imediatamente para o pagamento das dívidas trabalhistas.

‘O negócio está fechado. Porém, enquanto não houver esse julgamento, que espero que seja breve, esse dinheiro não pode ser mexido’, diz Jesus.

Além da ação movida pela Prosperitas, os ex-funcionários lutam contra decisão judicial que dá prioridade à Fazenda no recebimento de R$ 25 milhões. Atualmente existem dois processos no Superior Tribunal de Justiça que tentam reverter o caso. Até que sejam julgados, esse valor ficará retido.

Cerca de dois mil ex-funcionários já conseguiram na Justiça o reconhecimento do direito de receber dívidas trabalhistas. O valor total é de aproximadamente R$ 33 milhões. Entretanto, cerca de 800 processos ainda estão em andamento, com valores ainda não definidos.

A CredCheque ganhou o direito de comprar o edifício após a primeira colocada no leilão, a Victória Vix Serviços e Transporte, não efetuar o pagamento de R$ 65 milhões proposto.

O presidente da comissão reforçou o pedido para que os ex-funcionários da Bloch compareçam à assembleia que será realizada nesta sexta-feira (28/05), às 11h, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.’

 

NYT & NOVAS MÍDIAS

Comunique-se

New York Times contrata editora de Mídias Sociais

‘O site de microblog Twitter mostra a sua força no jornalismo. O New York Times anunciou nesta terça-feira (26/05) a contratação da sua primeira editora de Mídias Sociais, Jennifer Preston. Ela será responsável por ensinar os profissionais da redação a utilizar ferramentas da Internet para encontrar fontes, seguir informações e notícias, entre outras funções, que até o momento não são muito claras.

Pelo seu twitter, Jennifer tem conversado com usuários, recebendo críticas, sugestões e, principalmente, questionamentos sobre qual será exatamente a sua função.

‘Na realidade, estamos pensando em como as pessoas do Times e o Twitter podem se encaixar’, respondeu a um usuário.

A informação da contratação foi divulgada pelo Twitter de Jonathan Landman, diretor-editorial suplente do Times, como não poderia deixar de ser. Nesse mundo sem papel, o e-mail distribuído à redação foi vazado e publicado pelo Nieman Journalism Lab no Google Docs.

No documento, a função de Jennifer é definida como ‘uma pessoa que concentra todo o seu tempo expandindo o uso das redes de mídia social e publicando plataformas para melhorar o jornalismo do New York Times e entregá-lo aos leitores’.

A explicação foi considerada vaga e sites especializados levantam a suspeita de que o novo cargo teria sido criado para controlar o uso das redes sociais pelos jornalistas. O The New York Observer lembra que há duas semanas detalhes sobre uma reunião interna que discutiu estratégias foi vazado pelo Twitter de repórteres.

Na ocasião, o editor-executivo do Times, Bill Keller, defendeu, em reunião com a redação, que precisava de uma ‘zona de confiança, onde as pessoas possam expor livremente suas ideias sem temer que elas sejam zapeadas no ciberespaço’.’

JORNAL DA IMPRENÇA

Moacir Japiassu

O zeloso fiscal do Ibama que mata por amor

‘Adiei o mundo

que no escuro

preparava o bote

(Nei Duclós in Caixa Coral)

O zeloso fiscal do Ibama que mata por amor

Há alguns dias, no interior do Rio Grande do Norte, um rapaz de 19 anos foi assassinado a tiros por um fiscal do Ibama porque caçava ribaçãs. Janistraquis acha que o assassino é um funcionário público típico deste país: honesto, inteligente e cumpridor de seus deveres. Se vivesse no Rio de Janeiro certamente teria sido valet de chambre de Elias Maluco.

Em tempos mais amenos, as aves de arribação inspiraram o título do bom romance do cearense Antonio Sales. São também conhecidas no nordeste como pombas-de-bando ou avoantes. Aos milhões, chegam não se sabe de onde com as primeiras chuvas do inverno. Fazem seus ninhos nos desvãos da caatinga e em meio às touceiras de macambira. Ali são apanhadas pelos sertanejos que, há séculos, fazem da caçada uma indústria contingente capaz de lhes matar a fome.

Não é ave nativa do Brasil, disso sabe até o mais bêbado dos quatis.

Quando menino, o colunista se meteu nalgumas dessas aventuras em noite de lua cheia. Aquelas rolinhas grandes como juritis estufavam os bornais dos caçadores. No dia seguinte, nos fartávamos de ribaçã assada com farofa de bolão. Ninguém procurava expiar uma culpa que simplesmente não existia; afinal, as ribaçãs nunca estiveram em processo de extinção e o Ibama e seus fiscais de hoje nada têm a ver com este assunto.

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Admirável 1984!

O considerado Marco Antônio Zanfra, sempre atento como deve ser um bom funcionário do departamento que fiscaliza o trânsito (em Santa Catarina), despacha de seu QG na Praia da Joaquina:

Acho que a jornalista Mariana Godoy, braço paulista do ‘Bom Dia Brasil’, da Globo, confundiu-se um pouco ao fazer comentário sobre matéria do jornal de terça-feira, 26, que destacava o aumento da vigilância a que todos estamos submetidos, com as câmeras de segurança espalhadas por todas as ruas do País e com as milhares de pessoas com um celular na mão e uma ideia na cabeça.

Ela citou a emblemática figura do ‘Big Brother’ como representativa da vigilância global sobre os seres humanos, mas situou-a na obra ‘Admirável Mundo Novo’, de Aldous Huxley. Concordo que até havia controle total do Estado sobre os habitantes do admirável mundo novo de Huxley, mas o Big Brother, antes de virar execrável programa da Globo, era personagem da história de George Orwell, ‘1984’.

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Explosão de bertoldices

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, enxerga-se nosso presidente a sonhar com o Prêmio Nobel da Paz (leia aqui), pois Roldão folheava o Correio Braziliense quando deparou com mais esta:

AMEAÇA NUCLEAR — Pyongyang testa bomba com poder destrutivo igual ao da ogiva (sic) de Hiroshima e atrai a ira da comunidade internacional. Conselho de Segurança (da Onu) denuncia ‘violação’, e o Brasil adia abertura de embaixada.

COREIA SOB PRESSÃO — Pela segunda vez em três anos, o mundo encara o pesadelo nuclear. Às 9h54 de domingo (21h54 pelo horário de Brasília), a Coreia do Norte detonou uma ogiva de 10 a 20 kilotons, potência equivalente à das bombas que arruinaram (sic) Hiroshima e Nagasáki e precipitaram o fim da Segunda Guerra Mundial , em 1945. A explosão atômica ocorreu sob a superfície (da terra ou do mar?), em Kilju, a 375km a noroeste da capital, Pyongyang.

Mestre Roldão fez os seguintes comentários:

* O Acordo determina, mas Coreia sem acento gráfico leio como CorÊia.

* Ogiva não é sinônimo de bomba atômica. Ogiva é um termo de arquitetura e, por extensão, a parte afilada de um corpo cilíndrico, geralmente destinado a ser lançado, por exemplo, de um projetil, um foguete etc, esclarece o Houaiss.

* As bombas atômicas que arrasaram Hiroshima e Nagasaki foram lançadas de um avião bombardeiro convencional e não por mísseis, que, aliás, não existiam na época. A explosão atômica nortecoreana foi subterrânea; não houve qualquer lançamento.

* Tal como quilômetro, quilograma, quiloton se escreve com QU.

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Franco e Hitler

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, vizinha do Palácio da Liberdade onde Aécio coça o… (vocês sabem o que), pois Camilo, que sempre inclui no desjejum dois ovos das melhores galinhas caipiras de Minas, despacha de seu QG:

Acordar cedo, dia relativamente frio, céu azul, pão quente à mesa e ler os jornais, que maravilha!

Melhor ainda quando se encontra no Estado de Minas esta notícia de basilar relevância:

FRANCO SÓ TINHA UM TESTÍCULO

Madri – Um livro lançado na Espanha garante que o ex-chefe de Estado espanhol general Francisco Franco tinha apenas um testículo. Segundo declarações feitas pela neta do médico do ditador, autor do livro, o historiador José Maria Zavala, Franco teria perdido um testículo em consequência de ferimentos contraídos em uma batalha. Ele foi ferido no abdômen em El Biutz, perto de Ceuta, em junho de 1916.

(…) Ao que tudo indica, ele parece ter tido mais em comum do que se pensava com outro ditador, o líder nazista – e aliado de Franco durante a Guerra Civil espanhola – Adolf Hitler.

Em 2008, foi revelado um documento com o depoimento de um médico que tratou Hitler durante a batalha de Somme, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. O médico, Johan Jambor, disse a um padre que Hitler tinha sido ferido no abdômen e perdido um dos testículos. Jambor afirmou que a primeira pergunta que Hitler fez foi: ‘Eu poderei ter filhos?’.

Camilo, a esta hora já enfastiado, perguntou a si mesmo: ‘E se aqueles dois roncolhos fossem, como se diz, ‘inteiros’, como estaria hoje a humanidade?’

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Velho endereço

Janistraquis escutou no rádio que está à venda a célebre e desativada prisão de San Quentin, na Califórnia, onde tantos e tantos encontraram seu destino, entre os quais o escritor Caryl Chessman, cuja execução na câmara de gás, em 2 de maio de 1960, abalou profundamente a juventude do colunista.

Chessman, preso como assaltante/estuprador, chamado de O Bandido da Luz Vermelha pela imprensa, foi condenado em 1948 e passou 12 anos no corredor da morte; ali estudou as leis, encontrou meios de adiar a execução por diversas vezes e escreveu livros que comoveram o mundo, com exceção da justiça da Califórnia, convencida de sua culpa.

Janistraquis, que também acompanhou o drama naquele cenário de horrores, espera cair do céu alguma fortuna para com ela comprar a histórica prisão e nela encerrar boa parte da filhadaputice brasileira.

Ainda é possível sonhar.

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Nas entrelinhas

O considerado amigo e Mestre José Sebastião Witter, catedrático aposentado de História do Brasil pela USP e ex-diretor do Museu do Ipiranga, entre outras atividades culturais, repassa o Pequeno Guia de Leitura (de entrelinhas) de Trabalhos Cientificos, recebido de Iris Roitman, professora da UnB. A preciosidade abriga lições como estas:

Onde se lê:

‘Observa-se uma tendência clara…’

Quer dizer:

‘Esses dados praticamente não tem sentido algum…’

Onde se lê:

‘Esses resultados serão abordados em um próximo trabalho…’

Quer dizer:

‘Voltarei um dia a esse assunto se for obrigado (ou se receber uma bolsa).’

Leia no Blogstraquis a íntegra do Pequeno Guia, utilíssimo não apenas ao mundo acadêmico, mas também a jornalistas investigativos e dispostos a decifrar espertezas alheias.

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De artilheiros

Amigo palmeirense escreve a propósito da contratação de Obina:

‘Eu já te disse uma vez que Luxemburgo é doido, não disse? Pois taí a prova…’.

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Sportv sacaneia

Janistraquis concedeu o Troféu Marquês de Sade de 2009 ao Sportv (canal 39 da Sky), sem esperar pelas surpresas que o ano ainda deve aprontar:

‘Considerado, é impossível que façam coisa pior com o telespectador…’.

Meu assistente se referia à exibição do VT de Palmeiras X São Paulo, o qual terminara minutos antes com decepcionante zero a zero; à mesma hora, o resto do Brasil assistia a Santo André X Flamengo, joguinho ridículo que escutamos no rádio, porém se tratava de evento ao vivo, que deveria ser oferecido aos assinantes.

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Nei Duclós

Com olhar mortiço, a musa acolhe o poeta que acorda diante do trem em direção ao corpo preso na ferrugem. Leia no Blogstraquis a íntegra deste cujo fragmento encima a coluna. Insere-se entre os Novíssimos Poemas.

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Nota dez

O considerado Eduardo Almeida Reis, jornalista e escritor, senhor de terras e de um dos melhores textos do Brasil, compôs o seguinte tópico que Janistraquis extraiu de uma de suas colunas nos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense:

Mata Atlântica – ‘Você não tem escrito sobre os ecochatos’ constatou Carlos, agrônomo da melhor supimpitude, marido de querida amiga. ‘E preciso?’, perguntei, persuadido de que ninguém mais aguenta o auê da ecochatura. A última, agora, é a recomendação de fazer xixi no boxe, durante o banho, para salvar a Mata Atlântica…

Homessa! Como pode o xixi, entrando pelo ralo do boxe, salvar as nossas matas?

Leia a íntegra no Blogstraquis e verifique que a inteligência é mesmo tão necessária quanto o pão nosso de cada dia.

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Errei, sim!

‘ESTILOSA INFORMAÇÃO — Em espevitado textinho, nossa Folha homenageou a exposição Design Editorial no Brasil: Revista Senhor. Caminhavam bem os substantivos, abraçados a adjetivos, na estilosa procissão do verbo (permitam-me tais miçangas), quando o redator entalou-se no mata-burro da informação: ‘Senhor publicou textos de grandes escritores, entre eles Clarice Lispector e Jorge Amado. O romance Quincas Berro d’ Água, de Amado, foi publicado em fascículos’.

Janistraquis, que mantém sob guarda a coleção completa de Senhor, garante: A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água (o título é este) não é

romance mas conto, no máximo uma novelinha; não saiu em fascículos; mais tarde foi publicado em volume, juntamente com as aventuras de Vasco

Moscoso de Aragão, capitão de longo curso, sob o título Os Velhos Marinheiros.’ (outubro de 1994)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

 

DIRETÓRIO ACADÊMICO

Antonio Brasil

A crise nos telejornais e no ensino de telejornalismo

‘Tenho publicado diversos artigos sobre a crise nos telejornais. Após mais de meio século de hegemonia e ‘comodismo’, o modelo está desgastado, a audiência despenca e o público envelhece. Hoje, assistir a um telejornal é programa de velho. A TV e os telejornais, na forma como os conhecemos, têm futuro incerto. Se os responsáveis pelo seu presente não fizerem nada, a TV não terá futuro. Pode virar rádio. Não deixa de existir. Mas deixa de ser o principal meio de comunicação.

Em relação ao ensino de jornalismo de TV a situação é ainda pior. No passado, divulguei artigo que visava a analisar, apresentar soluções e provocar os responsáveis pelos nossos cursos de telejornalismo (A crise no ensino de jornalismo). Apesar das críticas do autor, o artigo era otimista.

Fiz questão de lembrar que o ideograma chinês para ‘crise’ é a combinação de dois símbolos que significam ‘perigo’ e ‘oportunidade’. Ou seja, apesar da crise, dos riscos e dos perigos podemos estar diante de uma grande ‘oportunidade’ para melhorarmos os telejornais e o ensino de telejornalismo.

Assim como os telejornais, os cursos de jornalismo precisam mudar para sobreviver. Ao invés de cursos engessados com excesso de disciplinas de ‘generalidades’ disfarçadas como disciplinas ‘humanísticas’, deveríamos permitir que os alunos de jornalismo escolhessem suas próprias ‘generalidades’. No atual modelo tudo é obrigatório e tudo cabe. Da Sociologia à Antropologia, da Filosofia aos cursos de Primeiros Socorros e de Defesa Pessoal, tudo é essencial para o futuro jornalista. Na visão generalista predominante, tudo é fundamental para a formação do jornalista. Tudo, menos o jornalismo.

Química e Matemática

Também creio que a ênfase excessiva em teorias de comunicação, principalmente para alunos nos primeiros períodos, é desperdício de tempo e recursos limitados e preciosos. Pior ainda. É forte motivo para um dos maiores problemas dos cursos de jornalismo: a evasão. A procura pelo glamour da profissão ainda é grande. Mas é proporcional à decepção com a maioria dos cursos. Essa evasão é ainda mais acentuada entre os melhores alunos de jornalismo. Aqueles alunos e alunas que já possuem a veia crítica, o faro jornalístico e o sentido da indignação tão típicos da nossa profissão.

Engessado e pouco criativo, o curso de jornalismo tende a valorizar os ‘bons’ alunos. Ou seja, aqueles que cumprem tarefas teóricas e burocráticas das disciplinas ‘humanísticas, mas que jamais serão jornalistas. Muitos não possuem a paixão pela profissão ou pela reportagem. No formato atual, o curso de Comunicação e Jornalismo se transformou em ponto de encontro dos alunos ‘perdidos’. Aqueles que ainda não sabem quem são no presente ou o que querem fazer no futuro. Em comum, a única certeza: ‘odiamos Física, Química e Matemática’.

A Globo e a crise

Hoje, os professores de jornalismo estão sendo convidados a participar do III Seminário Temático Globo/Intercom que acontece entre 01 e 04/07, no Rio de Janeiro (ver aqui matéria do Comunique-se). ‘A criação e produção dos programas, as estratégias de programação e agendamento, interação editorial, a rede, as afiliadas e a cobertura especial estarão em pauta’, diz a divulgação do seminário.

Mas se a TV e o jornalismo enfrentam uma de suas maiores crises de identidade e credibilidade, imaginem o reflexo nas salas de aula. O cenário da crise na TV, no Telejornalismo e no ensino de jornalismo pode ser analisado pelas seguintes perspectivas:

1. Teoria realista. O telespectador ou/e aluno está satisfeito e não merece nada melhor.

2. Teoria pessimista. Em TV, telejornalismo e em nossas universidades nada muda e nada se cria. Tudo se copia.

3. Teoria derrotista. Não é possível ‘experimentação’ em telejornais e nas universidades. Não iria dar certo mesmo. .

4. Teoria de desajustamento. ‘Trabalho ou ensino telejornalismo. Mas odeio TV, telejornais e ainda mais, alunos e telespectadores’.

5. Teoria da ignorância. ‘Não vi, não conheço e não gosto’.

6. Teorias importadas. É sempre mais fácil e cômodo ensinar teorias criadas em outros países e ignorar a nossa realidade e os desafios da ‘prática’ jornalística em nosso país.

7. Teorias conspiratórias. O jornalismo e principalmente a TV são responsáveis por todos os males do mundo. O telejornalismo manipula e desinforma. A TV e o Telejornalismo não deveriam existir.

8. Teoria do saudosismo. A TV e os telejornais eram muito melhores no passado. Defesa de uma cultura ilusória, de um tempo que jamais existiu. Não há nada a fazer: o presente e o futuro serão sempre piores.

9. Teorias neoluditas. As mudanças, as novas tecnologias e principalmente as novas promessas são perigosas, vão nos decepcionar e nos aprisionar. Devem ser evitadas.

10. Teorias de desconstrução. ‘Sou contra as inovações. Não crio, não faço nada e não deixo ninguém fazer’.

Só se aprende fazendo

Nesse cenário, como convencer os alunos da importância e relevância do jornalismo de TV em meio a tantas notícias de perda de audiência, desinteresse dos jovens e decadência geral?

A situação é difícil. Mas, talvez, também seja uma ótima oportunidade para reavaliarmos os nossos objetivos e repensarmos nosso futuro.

O ensino de jornalismo pode e deve contribuir para a solução dessa crise.

Segundo o Prof. John Pavlik, uma das maiores autoridades no estudo de novas tecnologias, ‘o ensino de jornalismo ainda se baseia em modelos do final do século XIX e a maioria dos currículos das escolas de jornalismo segue as linhas tecnológicas do século XX.’

O problema é que já estamos no século XXI e os alunos de jornalismo, que não são bobos, percebem essa defasagem. A crise se torna inevitável.

Em minha opinião, a principal discussão sobre o ensino de jornalismo costuma estar centrado em premissas equivocadas. Ao invés de insistirmos em velhas armadilhas como a prioridade das disciplinas humanísticas ou teóricas sobre as disciplinas práticas ou parâmetros subjetivos e pouco precisos de qualidade, deveríamos desenvolver conceitos de ‘competência e criatividade.’

Pesquisar e testar novas metodologias de ensino e novos formatos de programas jornalísticos tendo como ‘parceiros’ as emissoras de TV, pode ser uma solução. Em vez de ‘fábrica’ de jornalistas, os nossos cursos poderiam ser ‘laboratórios’ para a experimentação de novos formatos e linguagens audiovisuais. Afinal, os profissionais que estão no mercado possuem tanta responsabilidade quanto os professores na formação dos futuros jornalistas e no desenvolvimento de novas propostas para o jornalismo de TV.

No quadro atual, por motivos muitas vezes ideológicos, profissionais e pessoais, professores e profissionais do mercado estão lutando uma guerra em trincheiras próximas, porém opostas. O clima é de desconfiança, desconhecimento e indiferença.

Como disse um velho editor de TV ao receber um dos meus melhores alunos na redação para o primeiro estágio: ‘esqueça tudo que você aprendeu na faculdade. Telejornalismo só se aprende fazendo’.

Fiquei pasmo. Mas não fiquei surpreso! Essa é a cultura predominante em nossas redações. O ensino da prática jornalística está defasado no tempo e no espaço. E os professores de jornalismo, principalmente aqueles que lidam com o meio televisivo, estão afastados do mercado há muitos anos e desconhecem os problemas e as técnicas de uma nova realidade.

Educadores nas redações

Por outro lado, nesse cenário de guerra, os professores de jornalismo contra-atacam nas universidades com críticas viscerais contra o jornalismo praticado nas redações de hoje. Os ataques costumam ser ainda mais fortes contra o jornalismo do meio hegemônico: a TV.

Em outras oportunidades, sugeri que houvesse parcerias entre os cursos de jornalismo e as TVs para que os professores pudessem voltar às redações. Não como meros visitantes em um Simbah Safári. Mas como profissionais qualificados que podem ser ‘reciclados’ periodicamente e que também podem contribuir para analisar, criticar e melhorar as rotinas profissionais com sua visão mais experiente, distanciada e crítica. Tive oportunidade de participar de programas semelhantes patrocinados pela Radio and TV News Director Foundation nos EUA.

Ao invés de criticar e desprezar o ensino de jornalismo de TV, os responsáveis pelo jornalismo das TVs americanas tentam colaborar na reciclagem dos professores telejornalismo.

Eles oferecem um programa chamado ‘Educators in the Newsroom’ ou ‘Educadores na Redação’. A idéia do programa é bastante simples. Um comitê de profissionais de TV, jornalistas e acadêmicos selecionam professores de telejornalismo das universidades americanas que estejam interessados em ser ‘reciclados’. É um processo de seleção longo, detalhado e muito competitivo.

Esse programa tem o cuidado de preparar os professores para o inevitável choque cultural e tecnológico. Os organizadores também oferecem uma série de palestras e workshops na sede da fundação em Washington para que os professores veteranos aproveitem ao máximo essa oportunidade.

Esse encontro preparativo também é uma chance para que a velha guarda possa interagir com outros professores nas mesmas condições e com jovens profissionais do mercado. Depois, cada um dos professores selecionados será designado para trabalhar em uma TV local americana durante quatro semanas. A idéia é substituir um jornalista da ativa que esteja em período de ferias. A RTNDF e as TVs locais dividem as despesas e pagam um salário condizente com as funções.

Para a empresa, é um ótimo negócio. Eles recebem na redação um jornalista veterano disposto a aprender, trocar experiências e fazer uma consultoria externa. Em troca, os jornalistas na redação têm a oportunidade de conviver com uma visão mais acadêmica, crítica e até mesmo histórica de questões importantes para a profissão.

A idéia do programa é realmente simples e todos saem ganhando com a parceria entre as TVs, os professores e a instituição com apoio da RTNDF.

O programa já existe há 8 anos, tem atualizado inúmeros professores, além de ser responsável pela publicação de diversas pesquisas e bons livros sobre essa experiência de mestiçagem entre os jovens e velhos jornalistas.

É claro que tem muito jornalista que deve chegar na redação procurando o linotipo, o telex, as câmeras de filmagem ou os velhos preconceitos. Mas os resultados são positivos e os alunos de jornalismo que precisam de bons professores, obviamente, agradecem.

Ou seja, precisamos definir a identidade das escolas de jornalismo, seus objetivos e partir para soluções viáveis.

Salvar telejornais

Nada contra discussões intermináveis sobre a crise no jornalismo, no ensino da profissão ou sonhos irrealizáveis de um jornalismo utópico.

Mas é chegada a hora de enfrentarmos nossos problemas e experimentarmos novas idéias. Não temos problemas para ensinar ‘teorias’ ou ‘generalidades’.

A nossa grande dificuldade é ensinar a prática jornalística nas universidades. Nossos laboratórios são precários e os professores não são preparados para ensinar as rotinas profissionais. Há um paradoxo persistente no ensino de jornalismo: afinal, como ensinar a prática? Por outro lado, as empresas de comunicação brasileiras não contribuem para o ensino. Ignoram seus problemas, criticam seus professores e desprezam seus projetos pedagógicos. Mas na hora de contratar seus profissionais não hesitam em privilegiar as boas instituições de ensino superior, principalmente as instituições públicas.

Em termos de identidade, deveríamos aprimorar o modelo de ‘escolas de jornalismo’ no Brasil. O jornalismo e o ensino de jornalismo buscam identidade e boas parcerias no mercado.

Ensinar teoria ou generalidades é sempre mais fácil e econômico. Nada contra. Mas em nossas escolas de jornalismo, deveríamos dedicar mais tempo, recursos e pesquisa na busca de novas técnicas de ensino do jornalismo. Não faltam boas ideias. O que falta é apoio para experimentação e para a comprovação de resultados. Ou seja, menos discussão e mais ação e soluções. Não temos tempo a perder.

Se os chineses confirmarem sua milenar sabedoria, apesar da crise, podemos estar diante de uma grande oportunidade para salvar nossos telejornais.

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

WEBJORNALISMO

Bruno Rodrigues

Vinte anos de web

‘Se o aniversário foi em março, por que eu só estou abordando este assunto agora, dois meses depois? Por dois motivos: esta semana participei de um debate na BandRio (TV) sobre o aniversário da Rede, e no próximo domingo, dia 31/05, também é aniversário da web – mas no Brasil. A Rede mundial completa 20 anos em 2009 e o primeiro acesso brasileiro, 14. Motivo duplo para comemorar, portanto.

Quando fui convidado para o programa, fiquei matutando: afinal, em que a web mudou a vidas das pessoas? Quais são os pontos – e há muitos, bem sabemos – que não podem ficar de fora?

Para mim, são quatro:

1. Contato

Na minha pré-adolescência, virada dos anos 70 para os 80, a moda era ter um ‘pen pal’, ou seja, um amigo além-mar. Você pagava uma quantia determinada, preenchia um formulário com o perfil de amigo e depois aguardava dois meses até que uma folhinha colorida chegasse por correio com o nome do ‘pen pal’. É ridículo pensar nisso em tempos em que até o e-mail começa a cair em desuso por conta das redes sociais. Mas beira à magia imaginar o que é o e-mail. Embora ele não seja web, mas sim internet, a mensagem eletrônica só ficou popular quando a Rede estourou, em 1995.

2. Emprego

Era um inferno antes da web. Alguém se lembra de como era enviar currículos por correio ou bater de porta em porta em busca de uma vaga de trabalho? Eu me lembro e procuro esquecer – credo. Hoje, com os sites das empresas cadastrando candidatos, inúmeras empresas de RH na web e múltiplas possibilidades de colocar a cara na Rede, seja em redes profissionais como o LinkedIn ou mantendo blogs, fica tudo tremendamente mais fácil.

3. Informação

Éramos como cérebros em que os neurônios demoravam semanas para trocar informações. Com a web, é num piscar de olhos. O tempo real que tanto teve destaque no início do jornalismo online foi a primeira consequência, os grupos de discussão do Yahoo e as salas de bate-papo o capítulo seguinte. Hoje, a informação voa e tornou-se essencial.

4. Comércio & serviços

Entregar a declaração do Imposto de Renda era um pesadelo, lembra? E comprar a distância? Era coisa para os americanos e seus catálogos. Na virada do milênio, o que antes era restrito aos que tinham superado a desconfiança em dar o número do cartão de crédito virou rotina e ganhou nome: e-commerce. Hoje é corriqueiro comprar livros, computadores e eletrodomésticos pela web, assim como fazer o supermercado, graças aos preços claramente em conta. Ah: por falar em facilidades, você se lembra das filas dos bancos? É de dar arrepios.

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Como 1989 foi, pessoalmente, um ano decisivo para mim, comemorar duas décadas de uma mídia e um mercado de trabalho que não simplesmente não existiam antes e mudariam minha vida, faz tudo fazer sentido e valer a pena.

De coração: parabéns, web.

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A próxima edição de meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ começa semana que vem, no Rio.

Para quem deseja ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é uma boa dica!

As inscrições podem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br e outras informações podem ser obtidas pelo telefone 21 21023200 (ramal 4).

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Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

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