Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 16 E 17/1

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19/01/2010 na edição 573

TERREMOTO
Izabela Vasconcelos

‘Eu nunca participei de uma cobertura tão chocante’, relata repórter no Haiti

‘Para muitos jornalistas brasileiros, a cobertura do desastre causado pelo terremoto no Haiti é a mais ‘chocante’ de suas vidas. O número de mortos e feridos e o caos de Porto Príncipe impressionam os repórteres, que, mesmo já tendo feito coberturas de guerras e conflitos, admitem que tragédia como a do Haiti é algo que nunca presenciaram.

‘Eu nunca tinha participado de uma cobertura tão chocante. É tanta tristeza que eu estou com os olhos cheios de dor. Já vi tanta gente morta jogada nas ruas e tantos vivos vagando por esta cidade, que não consigo tirar as imagens da cabeça’, afirma Lília Teles, repórter da TV Globo.

O correspondente do jornal O Estado de S.Paulo, Gustavo Chacra, também garante que os jornalistas brasileiros nunca presenciaram tamanho desastre. ‘Estado, Folha, Globo, Bandeirantes dividem as instalações daqui (base militar brasileira em Porto Príncipe), lutando pela internet para tentar passar as notícias para vocês (…). Nenhum de nós passou por uma experiência parecida como essa na vida. E aqui tem gente que cobriu guerra e outros terremotos’, escreveu em seu blog.

Para Chacra, o caos em Porto Príncipe se compara a Gaza vezes dez. ‘Eu vi Beirute, nos anos 1990, ainda destruída, e anos depois, reconstruída. Mas não dá para comparar a escala. Porto Príncipe é pior. Como escrevi ontem, é Gaza vezes dez’, completou.

O repórter de O Globo Gilberto Scofield Jr. também conta que essa foi a cobertura mais chocante que já fez. Sobre a cena que mais o impressionou, Scofield resume a visão que tem nas ruas de Porto Príncipe. ‘A quantidade de cadáveres em avançado estado de decomposição espalhados por toda a capital, nas ruas, nos escombros, nas salas de aula, a céu aberto. E o desespero de um país já tão miserável por coisas básicas, como comida, água e abrigo. Muito triste’, relata.

Chegada ao caos

Para chegar a esse cenário os jornalistas enfrentaram algumas dificuldades por causa do fechamento do aeroporto de Porto Príncipe. A alternativa foi voar até a vizinha República Dominicana e seguir de carro, por seis horas, em estradas precárias e sem segurança, até a cidade destruída.

‘O acesso dos jornalistas foi dos mais difíceis. A estrada dominicana é boa, mas o pequeno trecho de 40 quilômetros da fronteira até a capital haitiana foi das coisas mais sofridas. Outros jornalistas conseguiram fretar pequenos aviões e helicópteros e vieram por ar. Alguns aproveitaram os voos militares de seus países e vieram nestes aviões’, relata Scofield.

Trabalho e estrutura

Os repórteres não sabem precisar quantos jornalistas participam da cobertura em Porto Príncipe, mas falam de milhares. ‘Não sei precisar, mas tem muito mais do que eu vi no terremoto de Sichuan, na China, em 2008. Só de brasileiros aqui na Base General Bacellar tem mais de 25. Amanhã chegam mais no avião da Fab, me disse o porta-voz da base, coronel Alan Santos’, explica o repórter de O Globo.

Apesar do número de jornalistas ser grande, todos lidam com a instabilidade dos serviços de comunicação. ‘As emissoras e agências montaram uma estrutura poderosa para entradas ao vivo e geração de matérias. Mas todo mundo enfrenta dificuldades pra trabalhar, porque a comunicação ainda é precária e os telefones perdem o sinal a todo momento’, diz Lília.

Os militares têm dado todo o suporte para os jornalistas brasileiros. ‘Estamos todos na base do Exército brasileiro. Aqui comemos com os soldados e dormimos numa barraca de lona especialmente montada para visitas. E usamos a internet da base também. O Exército brasileiro está dando um enorme apoio à imprensa brasileira aqui, inclusive permitindo que os repórteres acompanhem as patrulhas de segurança na capital’, explicou Scofield.

A correspondente da TV Globo também enfatiza o trabalho dos militares no auxílio aos jornalistas brasileiros. ‘A Base Militar Brasileira se tornou o nosso QG, com direito a luxos, como banho, comida e cama. O Exército também ajuda no nosso transporte e na segurança. Eles têm sido fundamentais nessa cobertura’.

A vitória em meio ao caos

Apesar de ter que relatar cenas tão difíceis, nunca antes presenciadas, Lília Teles lembra de um momento impar.’(…) graças a Deus, vemos também imagens felizes. Participei do resgate de um enfermeira que estava há quatro dias sob os escombros e fiquei muito emocionada quando vi o rosto dela num buraquinho aberto pelos bombeiros. Ela riu e acenou pra mim. Valeu tudo!’.

Além da enfermeira salva, uma equipe de reportagem do canal australiano Nine Network, conseguiu resgatar um bebê de 18 meses, que ficou soterrado por três dias. O resgate aconteceu na sexta-feira. A criança foi salva pelo repórter cinematográfico Robert Penfold, que ouviu gritos vindos dos escombros, largou seu equipamento e começou a cavar.’

 

Jornalistas criam portal colaborativo sobre o Haiti

‘Os jornalistas Aloisio Milani, Rodrigo Savazoni e André Deak lançaram o Haiti.org, portal colaborativo com informações sobre o país devastado pelo terremoto da última terça-feira (12/01). O site reúne notícias publicadas no Brasil e no mundo sobre o Haiti, além de fotos, análises, reportagens, relatórios, estatísticas e documentos sobre o país. Além dos jornalistas, o portal contou com o apoio do Repórter Brasil, Oboré e Casa da Cultura Digital.

A ideia do grupo já tinha alguns anos, mas a tragédia no país impulsionou a criação do site. Milani, idealizador do projeto, já foi ao Haiti quatro vezes e por isso conseguiu uma rede de informações com ativistas, políticos, diplomatas e militares, o que facilitou a troca de informações.

Os jornalistas também esperam a colaboração dos internautas. ‘Queremos colaborar com a organização de informações, queremos produzir materiais que expliquem como ajudar, e também pretendemos usar a rede e as mídias sociais para mobilizações’, conta Savazoni.

O jornalista enfatiza que o objetivo do portal é fazer com que o Haiti não seja esquecido após a tragédia. ‘(…) Queremos com esse projeto chamar atenção para vários aspectos sobre a crise haitiana que estão submersos’, afirma ele, que faz questão de ressaltar mesmo depois que as pessoas perderem o interesse sobre os problemas do Haiti ‘o país continuará a viver uma tragédia’.

As informações são do caderno Link, do Estadão.’

 

Jornais publicam foto da China como se fosse do Haiti

‘Na semana passada, jornais e sites de todo o mundo publicaram por engano uma foto de um terremoto ocorrido na China, em maio de 2008, como se fosse uma imagem do Haiti. O material fotográfico foi distribuído pelas agências de notícias Agence France-Presse (AFP) e Efe e reproduzido em veículos de comunicação de diversos países.

O jornalista Marcelo Rech, diretor da rede de comunicação gaúcha RBS, foi quem descobriu a fraude. ‘Desconfiei da imagem e lembrei que tinha visto a mesma foto no Dailly Telegraph, em janeiro, numa matéria sobre o terremoto na China. Coloquei ‘Earthquake (terremoto) China’ no google imagens e estava lá’, disse.

Muitos veículos publicaram a foto por engano, como Washington Post e Daily News (Estados Unidos), Ottawa Citizen (Canadá), El Mercurio (Chile), e os brasileiros Diário do Commercio (SP), Hoje em Dia (MG), Diário de Natal (PB), Correio (BA), Extra (RJ) e A Tarde (BA).

Magali Gonzalez, responsável pelo setor comercial da agência de notícias AFP, reconheceu que houve erro no envio da fotografia. Jaime Ortega, delegado da Efe no Brasil, também reconheceu o erro e explicou que o primeiro fotógrafo da agência chegou ao Haiti às 15h de quarta-feira (13/01).

Com informações do jornal A Tarde.’

 

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