Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 28/03

Costa defende TV
Pública e critica teles

Por Luiz Antonio Magalhães em 29/03/2007 na edição 426

 

Leia abaixo os textos de quinta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de março de 2007


SEGUNDO MANDATO
Kennedy Alencar


Franklin indica ex-preso político para publicidade


‘O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, indicará o também jornalista Ottoni Fernandes Jr. para cuidar da área de publicidade do governo.


Segundo Franklin, Fernandes Jr. ‘conhece bem a área de publicidade’. Ele trabalhou nas revistas ‘IstoÉ’ e ‘Exame’ e no jornal ‘Gazeta Mercantil’. Atualmente, era publisher da revista ‘Desafios’, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento. Foi preso político durante seis anos no regime militar.


Fernandes Jr. dirigirá a Secretaria de Comunicação Integrada, subordinada à estrutura de comunicação sob responsabilidade de Franklin que volta a ter status de ministério, perdido em 2005. Franklin acumulará a função de Secretário de Imprensa de Lula, hoje a cargo do jornalista André Singer.


O novo ministro não acompanhará o presidente na viagem aos EUA neste fim-de-semana. Integrante do grupo que seqüestrou o embaixador americano Charles Burke Elbrick em 1969, provavelmente teria o visto negado por Washington.


Hoje, às 10h, tomam posse no Palácio do Planalto Franklin, Miguel Jorge no Desenvolvimento, Luiz Marinho na Previdência, Alfredo Nascimento (PR) nos Transportes e Carlos Lupi no Trabalho, na cota do PDT.’



Clóvis Rossi


A pergunta que falta a Lula


‘Pergunta de uma cidadã espanhola ao presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, em programa de TV na noite de anteontem: ‘Não entendo como um presidente de governo é capaz de sentar-se com assassinos para dialogar’. É referência ao diálogo entre o governo Zapatero e o grupo terrorista basco ETA.


Quando é que, no Brasil, a cultura política de governantes e governados permitirá pergunta do gênero, em horário nobre, em um dos principais canais de TV, a grande fonte de informação do público?


Pergunta que cabe neste exato momento, ressalvadas as diferenças entre terror e corrupção.


Afinal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só dialoga como acaricia freqüentemente um grupo que seu procurador-geral acusou de formar ‘quadrilha’.


Acusação reforçada, se necessário fosse, agora que a Polícia Federal emite laudo em que fica comprovado que o dinheiro do ‘valerioduto’ saiu dos cofres públicos, ou, mais exatamente, de um banco público (Banco do Brasil).


Todo mundo já sabia que só poderia ter sido essa a origem, posto que é inimaginável que Marcos Valério fosse um mecenas a bancar os trambiques de deputados do PT e da base aliada. Mas agora, ao elementar bom senso, soma-se uma perícia técnica.


Não adianta fingir que Marcos Valério é o único ‘quadrilheiro’ nessa história. Toda a cúpula do PT de então (o presidente José Genoino, o secretário-geral Sílvio Pereira, o tesoureiro Delúbio Soares, para não mencionar José Dirceu, punido precisamente por essa história) participou do esquema.


Caberia, portanto, repetir a Lula a pergunta da espanhola a Zapatero, trocando poucas palavras: ‘Não entendo como um presidente de governo é capaz de sentar-se com trambiqueiros para dialogar (e, pior, governar)’.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


PIBinho ou PIB


‘Na Folha Online, o título registrou ‘Com nova base, economia cresce 3,7% em 2006’. Em portais como UOL e iG e sites de ‘O Globo’ e ‘O Estado de S.Paulo’, as manchetes anunciavam, além do percentual, dados como o PIB superior a US$ 1 trilhão. No UOL, também a enquete ‘Para você, a economia cresceu mais mesmo?’. A maioria respondeu que não.


Em seu blog, Míriam Leitão avaliou que ‘o número é muito melhor’, no post intitulado ‘De PIBinho a PIB’. Em seu blog, Josias de Souza, que cunhou a expressão, não acha que mudou, não. ‘O PIBinho ainda é pequenininho e fraquinho’, postou.


No exterior, despachos de Dow Jones e Associated Press registraram, sem destaque nos sites de jornais, que o PIB foi ‘revisado para cima’.


A SOLIDÃO DE BUSH


George W. Bush discursou ontem e, segundo a BBC Brasil, disse que, no encontro com ‘o líder do Brasil’, depois de amanhã em Camp David, vai ‘tratar das preocupações deles sobre temas agrícolas’. A saber, da pressão brasileira para diminuir o subsídio aos fazendeiros. O discurso foi diante da associação dos produtores de gado dos EUA.


Sintomaticamente, o encontro com Lula se dá num momento de ‘isolamento’ de Bush, tanto em seu partido como no exterior, segundo colunas do ‘Washington Post’, dia após dia. Ontem, Jim Hoagland sublinhou que o rei da Arábia Saudita avisou sem maiores explicações, de última hora, que não vai ao jantar em sua própria homenagem agendado pela Casa Branca. E o rei da Jordânia quer adiar uma visita para 2008.


A COLHEITA


Quem também está em campanha contra o protecionismo dos EUA é o ‘Wall Street Journal’, em seus célebres editoriais direitistas. Sob o título ‘A colheita de Washington’, questionou os subsídios e, dizendo que ‘as leis só beneficiam os poderosos’, atacou os republicanos e cobrou ‘onde estão os democratas’. Dias antes, defendeu o fim da tarifa sobre o álcool e atacou um senador republicano, que reagiu em carta.


VAI EXPLODIR


O ‘Financial Times’, em especial sobre ‘transporte e logística’ no mundo, levantou detalhadamente os problemas no ‘mais ocupado e mais congestionado porto da América Latina’, o de Santos. Um assessor do Banco Mundial descreveu-o como uma ‘bomba logística’.


SUJEIRA


O britânico ‘Guardian’ está em campo para questionar as alternativas brasileiras de energia. Depois do álcool e do biodiesel, ontem foi a vez de uma reportagem contra as usinas hidrelétricas, especificamente as brasileiras, que ‘parecem ser uma opção limpa, mas suas plantas liberam milhões de toneladas de gases poluentes’.


‘PARAGATE’


Enquanto governadores brasileiros vão à Colômbia aprender com Uribe e posar para a Globo, o ‘FT’ e outros, dia após dia, noticiam o escândalo do envolvimento com as milícias paramilitares, sob títulos como ‘Uribe distante enquanto ‘paragate’ adentra o palácio’. A última é que um relatório da CIA aponta a ligação do comandante do exército com as milícias.


A capa dupla, com atriz da série ‘The Office’


O TEATRO DE BLOGAR


A nova ‘Wired’, que cobre web e tecnologia, lança a campanha ‘Transparência radical’, que trata como constatação que ‘empresas inteligentes estão trocando segredos com rivais, blogando sobre produtos, até admitindo falhas’. Na manchete, ‘Fique nu e domine o mundo’. O modelo seria a Microsoft, antes fechada e hoje com um sistema de ‘conversação corporativa’ e milhares de blogs. O editor Chris Anderson, autor do livro ‘The Long Tail’, quer ‘transparência radical’ até na revista, mas não o fez ainda.


E desta vez o questionamento é generalizado, do brasileiro Chá Quente à concorrente americana CNET -que postou via blog que ‘Anderson, Wired, Web 2.0… é tudo um teatro de se cobrir’, ninguém se revela num blog corporativo ou em ‘qualquer outro’, todos ‘vestem a própria linguagem cuidadosamente calibrada’.’


FRIAS HOMENAGEADO
Folha de S. Paulo


Publisher da Folha é homenageado no Prêmio Senai de Reportagem


‘O publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, foi homenageado ontem à noite na cerimônia de entrega do Prêmio Senai de Reportagem de 2006.


O prêmio Senai existe há cinco anos e incentiva reportagens sobre educação profissional e tecnológica em favor do desenvolvimento de todas as áreas produtivas, em especial da indústria. Ontem, pela primeira vez, foi escolhida uma personalidade da mídia para ser homenageada.


O Prêmio Especial Senai de Reportagem para Octavio Frias de Oliveira foi entregue pelo presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o deputado federal (PTB-PE) Armando Monteiro Neto. O troféu foi recebido pelo diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho.


Antes de entregar a premiação, Monteiro Neto descreveu a homenagem a Octavio Frias de Oliveira como um reconhecimento a ‘grandes nomes da imprensa brasileira, que se notabilizaram pelas suas trajetórias de vida dedicadas à defesa da liberdade de imprensa e da democracia’.


Durante a solenidade, foi exibido um vídeo de sete minutos abordando a carreira do publisher. Personalidades e jornalistas deram depoimentos. Falaram, entre outros, Antônio Ermírio de Moraes, Abílio Diniz, João Roberto Marinho e Janio de Freitas.


O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) integra um sistema da CNI e das Federações das Indústrias dos Estados. Ontem à noite seriam conhecidos todos os vencedores do Prêmio Senai de Reportagem. Estavam selecionados 113 finalistas. A comissão julgadora era formada por Orivaldo Perin (‘O Globo’), Sidney Rezende (CBN), Juca Varella (‘O Estado de S. Paulo’), Ricardo Feltrin (Folha Online) e Cláudia Bomtempo (TV Globo).


Até a conclusão desta edição os vencedores ainda não eram todos conhecidos. Os resultados completos podem ser consultados na internet, no endereço do Prêmio Senai: www.senai.br/reportagem2006.’


MÍDIA & VIOLÊNCIA
Roel Landingin


Seqüestro de crianças revela síndrome filipina de chamar atenção pela TV


‘DO ‘FINANCIAL TIMES’, EM MANILA – Um homem armado com granadas de mão capturou um ônibus escolar lotado de crianças na creche que ele criou, em Manila, capital das Filipinas, na manhã de ontem, e libertou seus reféns 10 horas mais tarde. O seqüestro dramático demonstra de que maneira as pessoas pobres do país estão recorrendo a atos desesperados para obter cobertura na TV e forçar as autoridades a considerar suas queixas.


Armando Ducat Jr., um empreiteiro que opera uma escola gratuita para crianças em uma favela de Manila, se entregou à polícia, e libertou 31 crianças e três professores, depois que um senador prometeu apoio financeiro à escola. ‘Obter um refém é a versão dos pobres para convocar uma entrevista coletiva’, disse Randy David, sociólogo para o qual o padrão vem sendo ditado pela escalada nas tensões sociais, bem como pelas tendências na mídia local, entre as quais o surgimento de um canal de notícias 24 horas e reportagens ao vivo nas demais emissoras.


Duas semanas atrás, um ex-soldado tomou funcionários de um tribunal de Manila como reféns, para forçar o juiz a resolver uma disputa imobiliária pendente. O seqüestrador foi morto quando policiais de elite invadiram o edifício. Moises Radan, zelador, obteve mais sucesso, em 2004, ao tomar como reféns 14 alunos de uma escola em Manila, depois de ser demitido pelo colégio devido a um suposto furto. Os pais simpatizaram com a causa e optaram por não apresentar queixas contra ele. Ducat foi detido pela polícia e será acusado de seqüestro.


Não foi a primeira ocasião em que ele recorreu a reféns. Em 1989, seqüestrou um padre católico depois que este deixou de pagar pelo trabalho de ampliação de uma igreja. O padre foi libertado depois que o prefeito de Manila assegurou que estudaria a disputa.


Ontem, o governo prometeu mais verbas para a educação, e o dono de uma escola de computação anunciou que ofereceria bolsas de estudo aos alunos da escola de Ducat. A economia das Filipinas está em alta, mas a expansão não ampla o bastante para resolver a pobreza. Cerca de um milhão de filipinos saem do país a cada ano em busca de trabalho.


Tradução de PAULO MIGLIACCI’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo exibe atropelamento real em novela


‘A Globo exibiu na semana passada na novela ‘Pé na Jaca’ um atropelamento real.


Na ficção, a personagem de Deborah Secco, Elizabeth, atropelava o capanga Bernardo (Rogério Bandeira), seu cúmplice e executante de um assassinato, para evitar ser desmascarada por Gui (Juliana Paes) e Maria (Fernanda Lima).


Na gravação, o ator foi substituído pelo dublê Rafael Henrique. A própria Deborah Secco teria sido a motorista do carro. Mas o dublê errou (foi para direção oposta à combinada) e acabou atingido. Um relatório interno da Globo informa que o dublê caiu de uma altura de três metros e bateu a cabeça no retrovisor do veículo e, depois, no chão, sofrendo três cortes.


Como as gravações foram canceladas pela segurança do trabalho da emissora imediatamente após o acidente, a direção da novela acabou levando ao ar parte do atropelamento real sofrido pelo dublê.


A Central Globo de Comunicação nega ter havido atropelamento. Afirma que não era Deborah Secco quem dirigia o carro e que o dublê apenas caiu de mal jeito, batendo a cabeça, tanto que foi liberado pelos médicos no mesmo dia.


A versão de que houve atropelamento foi confirmada à Folha por cinco profissionais da Globo, alguns deles diretamente ligados à novela.


As cenas do atropelamento foram editadas. Só apareceu o dublê ‘voando pelos ares’.


MARIA PESADELO Caiu para apenas 2,5 pontos a audiência do segundo capítulo de ‘Maria Esperança’, a versão do SBT para a mundialmente bem-sucedida ‘Maria Mercedes’. A Band, terceira colocada no horário, marcou o dobro. E faltou pouco para a Rede TV! ultrapassar o SBT.


RATOEIRA ‘Você É o Jurado’, de Ratinho, estréia do SBT na terça-feira, registrou cinco pontos no Ibope. Para a atual fase do SBT, até que foi uma boa audiência.


SOLUÇÃO Frase ouvida anteontem no Projac, a central de estúdios da Globo: ‘A solução para ‘Paraíso Tropical’ é trocar o Fábio Assunção pelo Alemão [de ‘Big Brother’]’. Faz sentido. Na terça, ‘BBB’ deu 45 pontos, sete a mais do que a novela das oito.


MALVADEZA Claudia Raia voltará às novelas da Globo em ‘Os Sete Pecados’, substituta de ‘Pé na Jaca’, que marcará a estréia de Walcyr Carrasco, atual campeão de audiência às 18h, na faixa das 19h da emissora. Ela interpretará Agatha, a grande vilã da história, líder de uma sociedade secreta. Ailton Graça será um guru ligado à personagem.


TRANSFORMAÇÕES O ‘Vídeo Show’ poderá voltar a ter edições aos sábados. A Globo estuda essa possibilidade para o segundo semestre, quando Xuxa Meneghel deve estrear um novo programa. Com a mudança, o ‘Estrelas’, de Angélica, passaria a ser obrigatório para todas as afiliadas, o ‘Caldeirão do Huck’ entraria mais tarde e entregaria para Xuxa (três vezes por mês) e ‘Central da Periferia’ (uma).’


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de março de 2007


TELECOMUNICAÇÕES
Gerusa Marques


Ao defender TV pública, Costa ataca privatização da telefonia


‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, criticou ontem o processo de privatização do Sistema Telebrás para justificar a criação da Rede Nacional de TV Pública. Em debate sobre o assunto na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, ele disse que o Brasil não dispõe de estrutura pública nacional para prestar serviços de comunicações. ‘Quando vendemos a preço de banana as nossas companhias na privatização, vendemos nossa rede pública’, afirmou. ‘Chego a dizer que hoje, em uma emergência que espero que não aconteça, se o presidente quiser fazer rede nacional, temos que pedir licença no México.’ Ele se referia à Embratel, controlada pela Telmex, do mexicano Carlos Slim. A Embratel, além de deter infra-estrutura terrestre que cobre o território nacional, é dona da Star One, que controla a maioria dos satélites de comunicação do País, por onde trafegam sinais de TV. ‘Quem tem a rede não é o governo brasileiro, não é nem sequer uma empresa nacional.’ O Sistema Telebrás foi privatizado em 1998, pelo governo Fernando Henrique Cardoso.


Costa aproveitou o debate também para dizer que o setor de comunicações no País fatura anualmente R$ 100 bilhões e que, desse total, R$ 90 bilhões ficam com as teles e o restante é dividido entre as emissoras de rádio e de TV. ‘Então, acho que compraram muito barato.’


Segundo ele, na discussão da criação da Rede Nacional de TV Pública, cabe a seu ministério apenas dizer se há viabilidade técnica para a implantação dessa estrutura. ‘Minha função é exclusivamente dizer: nós temos condições de fazer e, tecnicamente é assim que se faz.’


Os deputados queriam saber se a TV seria exclusivamente para dar publicidade ao governo ou se seria TV pública, aberta à sociedade. Costa respondeu que o assunto será tratado por outras áreas, como a Secretaria-Geral da Presidência. Segundo ele, o presidente não tomou decisão sobre a programação, o que será feito por vários ministérios e que levará em conta as sugestões do Congresso.


O ministro disse ainda que é ‘impossível’ prever o custo real para a implantação da rede. Quando propôs a sua criação, ele estimou que seriam necessários R$ 250 milhões para os primeiros quatro anos.’


TV PÚBLICA
Sônia Filgueiras


Ministério da Cultura quer rede pública, não estatal


‘A proposta do ministro das Comunicações, Hélio Costa, de criar uma rede de TV do Executivo, já apelidada pela oposição de TV Lula, tem mais críticos dentro do próprio governo do que se imaginava. Para técnicos do Ministério da Cultura, ao lançar a idéia, Costa acabou atropelando uma discussão ampla, que a Cultura desenvolve desde o ano passado, sobre a criação de uma rede pública de televisão. O presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, já havia reagido com surpresa ao projeto do ministro das Comunicações.


Embora não admita publicamente, o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, está disposto a se distanciar da idéia de criação de uma TV estatal destinada a divulgar políticas do governo federal. ‘Reconhecemos o direito de o governo ter uma estrutura para se comunicar com a população diretamente. Mas o que nós discutimos no ministério é um projeto de TV pública’, afirmou.


Ferreira informou que ainda não conversou com o colega das Comunicações e espera que, em reunião prometida por Lula para debater o assunto, a proposta seja esclarecida. ‘Uma reunião é a busca de entendimento, de compreensão, de esclarecimento’, alegou. ‘O que está nos jornais é confuso. Mistura as duas coisas. Por isso, não tenho condições de me posicionar tão claramente.’


O Ministério da Cultura vem trabalhando com diversos setores da sociedade na construção de uma proposta de criação de uma rede de TV pública em tecnologia digital, destinada exclusivamente à difusão de conteúdo educativo e cultural de interesse da sociedade, com autonomia de gestão.


FÓRUM


A discussão já cumpriu três etapas, com encontros de todos os setores envolvidos em grupos de trabalho. Em maio, está prevista a realização do 1º Fórum Nacional de TVs Públicas no País.


Com a tecnologia digital, será possível ampliar o número de canais disponíveis. Onde opera um canal analógico atualmente, poderá haver até quatro programações em sinal digital.


A questão é que, para migrarem para o novo sistema, as emissoras públicas, educativas e culturais precisarão de apoio federal. O que se teme é que o governo abrace a idéia de criar a TV Lula e não mova esforços pela criação da rede pública.


Ferreira afirmou que está disposto a discutir uma alternativa intermediária entre as duas propostas. ‘Uma coisa não implica necessariamente a atrofia da outra. Nós achamos até que pode se pensar em uma infra-estrutura comum’, frisou.


O ministro interino da Cultura ressalva, porém, que ‘seriam canais diferentes com finalidades diferentes, com conteúdos e modelos de gestão diferentes’.’


VIOLÊNCIA & MÍDIA
Gilberto de Mello Kujawski


Razão e sentimento


‘A explosão de sinceridade do professor Renato Janine Ribeiro, da USP, no artigo que publicou na Folha de S.Paulo quando do trucidamento do menino João Hélio, no Rio de Janeiro, tem dado pano para mangas. Sua indignação foi visceral, chegando a dizer que a pena de morte seria pouco, que os indiciados deveriam passar por torturas medievais, dando vazão por escrito a tudo o que se passa na cabeça do homem comum em face de um crime aberrante, que clama aos céus. Reagiram os bem-pensantes: ‘Mas como um professor da USP, de esquerda, formado nas categorias humanistas do Iluminismo, poderia escrever tamanhas ‘barbaridades’?’ A explicação que ocorre a esses carolas do preservacionismo humanista é que o pobre intelectual uspiano ficou dividido entre sua razão iluminista e o sentimento do homem comum. O sentimento teria falado mais alto do que a voz da razão, julgam os patrulheiros. Não se conseguem livrar de certas categorias obsoletas, totalmente ultrapassadas, como a oposição entre sentimento e razão.


O racionalismo e o intelectualismo concebem a razão como uma esfera separada da vida e suas pulsões, uma esfera autônoma, regida exclusivamente pelas leis da lógica e da matemática. O sentimento, emanação espúria da vida, não pode interferir na marcha da razão. Ora, hoje em dia predomina outro critério. O filósofo Husserl introduziu a noção do Lebenswelt, o mundo vital, entendido como o horizonte no qual a razão e a ciência trabalham. Muito antes de Husserl, o tremendo filósofo espanhol Ortega y Gasset, por sinal de formação alemã, descobriu a razão vital, ou seja, a razão ligada indissoluvelmente com a vida. Em seu primeiro livro, Meditaciones del Quijote, datado de 1914, argumenta assim contra os inimigos declarados da razão, os irracionalistas: ‘Como se a razão não fosse uma função vital e espontânea, da mesma linhagem que o ver ou o apalpar!’ Eis aí: a razão é forma e função da vida, e existe para se colocar a seu serviço. Razão e vida não se excluem, compenetram-se.


Na juventude, tive o privilégio de conviver com alguns homens e mulheres de superior inteligência. Um deles se destacava pelo brilho e profundidade do pensamento. Estudioso do idealismo alemão, familiarizado com a obra de Hegel e Schelling, conhecedor pioneiro de Heidegger no Brasil, fazia da meditação continuada, intensa e febril, sua profissão de fé. Sua conversa era fascinante pela facilidade com que passava dos assuntos mais triviais para a dimensão metafísica do Ser, do divino, do sagrado, sem pedantismo, sem doutoralismo – e sem cansar os amigos, que o ouviam com o maior respeito.


Pois bem, de certa feita, no curso de uma tertúlia informal, esse homem de alta cerebração estendeu a palma da mão a outro participante da conversa, improvisado em quiromante, para que a lesse. Tudo meio de brincadeira, é claro. Pois qual não foi a surpresa geral quando se verificou que o homem mais inteligente (Vicente Ferreira da Silva) não tinha inscrita na palma da mão direita a linha da cabeça. Pasmo e desconcerto no ambiente. Quando todos os circunstantes se dispunham a rir para disfarçar a decepção, eis que o quiromante (Heraldo Barbuy) matou de um só golpe a charada, enunciando, solenemente: ‘Sua linha do coração funciona como a linha da cabeça.’


Foi mais do que uma saída engenhosa. Em toda pessoa verdadeiramente inteligente, a fonte da vitalidade intelectual está sempre no coração. Não falo do falso inteligente, do superintelectual pedante e pontificante. Falo do homem e da mulher superiormente dotados de intuição e clarividência, sem truques nem exibicionismo. A cabeça bem dotada funciona lado a lado com o coração. O que ocorre é que, se a cabeça é fraca, tudo fracassa. Se a cabeça é forte e sabe ouvir as sutilezas do coração, tudo dá certo. Coração e cabeça são inseparáveis, mas o coração vai sempre na frente. É o coração que responde pelas nossas opções vitais, qual a minha verdadeira vocação, quais serão os meus amigos, qual é a mulher de minha vida, em suma, é o coração que decide minhas afinidades eletivas, que livro vou ler, que música vou ouvir, qual meu pintor preferido, que roupa vou vestir, que viagem vou fazer, etc. Consiste a inteligência numa palpitação divinatória do coração, que é o centro da personalidade, com antenas para o mundo inteiro; palpitação a ser decodificada, organizada e verbalizada pelo cérebro, mas que em si nada tem de cerebral; que utiliza a medida e o cálculo, mas não é nem cálculo nem medida.


Em suma, a inteligência tem sua fonte no coração, ela se alimenta de raízes pré-intelectuais. Só o coração é clarividente, só ele vê, prevê e provê. O cérebro não passa de seu humilde servo. É isso o que significa o famoso dito de Pascal: ‘O coração tem razões que a razão desconhece.’ Posso tentar organizar minha vida como um frio teorema de geometria, mas na hora da execução a intuição fala mais alto do que o cálculo racionalista.


Os patrulheiros de Janine não levam em conta seu drama de consciência, seu dilaceramento interior ao pôr em questão todos os valores humanistas de sua formação, a ponto de duvidar (com razão) de que a humanidade do homem seja uma conquista definitiva. Aferram-se à exigência acadêmica de separar as idéias das convicções e dos sentimentos pessoais, como se isso fosse viável e recomendável. Ai do intelectual incapaz de apaixonar-se ou indignar-se. Será logo subornado por uma ideologia que exalta, pateticamente, os ‘direitos humanos’ em abstrato, enquanto permanece frio e impassível diante do massacre de uma criatura de carne e osso.


A paixão de remar contra a corrente é o supremo título de honra do intelectual que se preza.


Gilberto de Mello Kujawski, escritor e jornalista, é membro do Instituto Brasileiro de Filosofia’


CÓDIGO DA VINCI
O Estado de S. Paulo


Código Da Vinci não é plágio, decide tribunal


‘O Tribunal de Apelação de Londres decidiu ontem que o escritor Dan Brown não cometeu plágio ao escrever o best-seller O Código Da Vinci. Com isso, derrubou o recurso de dois dos três autores da obra O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, Michael Baigent e Richard Leigh, que acusavam Brown de ter-se baseado em seu livro para escrever O Código. Ao perder o recurso, a dupla (o terceiro autor, Henry Lincoln, se esquivou do processo) terá de arcar com os custos do processo, estimados em 900 mil, que se somam ao valor do processo anterior, totalizando cerca de 4 milhões. Em comunicado conjunto, eles lamentaram a decisão.’


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


BBB tem nova regra


‘Com o paredão de anteontem, o Big Brother chegou a 45 pontos de média, na Grande São Paulo. Dos televisores ligados, 67% deles estavam sintonizados na disputa entre Carolini e Analy – que foi eliminada. Esse porcentual vem se repetindo a cada paredão desta sétima edição.


Na reta final, quem aposta em uma vitória de Diego com Bruna em segundo lugar e Carolini em terceiro pode se surpreender. Este ano, os participantes – pelo menos Bruna e Carol, já que Diego tem vitória praticamente certa – terão de contar com a sorte até a reta final.


Hoje, Pedro Bial vai anunciar a última prova do líder, que terá três etapas e se estenderá até o sábado. Quem for o líder está na final. Os outros dois participantes se enfrentam em um paredão no domingo.


Logo após a saída de um dos concorrentes no domingo, será aberta a votação para que o público escolha o vencedor. A final será na terça-feira, uma semana mais tarde do que a Globo havia planejado inicialmente – nas edições anteriores, três pessoas participavam da final. O vencedor ganha R$ 1 milhão. O segundo colocado sai do jogo com R$ 50 mil e o terceiro, com R$ 30 mil.’


Cristina Padiglione


O2 dá início à 2.ª safra de Antônia


‘A O2 Filmes começa a produzir em maio a segunda temporada da série Antônia para a Globo. E já escolheu as diretoras encarregadas pelos episódios a seguir: Danaira Toffoli, Gisele Barroco, Fabrizia Pinto e Tata Amaral, a idealizadora do projeto. Um quinto nome ainda está para ser definido, de acordo com a agenda dos diretores da produtora.


Mais uma vez, são cinco episódios focados nas quatro personagens de Leilah Moreno, Negra Li, Cindy e Quelynah – elas começam a gravar em junho – na Vila Brasilândia.


entre- linhas


Os textos de Monteiro Lobato voltam a servir de referencial para a nova temporada do Sítio do Picapau-Amarelo na Globo.


As mudanças no SBT têm confundido Ratinho. Anteontem, ao fim de um bloco, ele anunciou: ‘Voltamos daqui a pouco com o Jornal da Massa ou amanhã. Mas continue no SBT.’


A nova novela do SBT, Maria Esperança, também enfrenta problemas. A protagonista Bárbara Paz está afônica desde o início da semana e não consegue gravar. Anteontem, o Ibope registrou apenas 2 pontos de audiência para o folhetim.’


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