Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > SENHORA DO DESTINO

Daniel Castro

01/02/2005 na edição 314

‘Recordista de audiência, ‘Senhora do Destino’ é a nova líder do ‘ranking da baixaria’, o oitavo em dois anos, que será divulgado hoje em debate sobre a qualidade da televisão no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, pela campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania.

A novela das oito desbancou os programas de João Kléber na Rede TV!, que apareceram na frente nos rankings anteriores. Do total de 269 reclamações recebidas pela campanha entre outubro e janeiro, 54 (20%) foram contra ‘Senhora do Destino’. Os telespectadores acusam a novela de ‘apelo sexual’, ‘incitação à violência’ e de passar em horário impróprio.

Os programas de João Kléber ficaram com o segundo lugar (50 reclamações, por ridicularização da pessoa humana). A reprise de ‘Terra Nostra’, da Globo, ficou em terceiro, por ‘horário impróprio’, seguida de ‘Cidade Alerta’ (Record) e, em empatados em quinto, ‘Casseta & Planeta’ (Globo) e ‘Pânico’ (Rede TV!).

Autor de ‘Senhora’, Aguinaldo Silva’ atribui a liderança à audiência de 45 milhões de pessoas: ‘É natural que qualquer acontecimento mais ‘forte’ na novela (cujo tema é a retomada dos valores familiares) tenha mais repercussão que nos concorrentes inteiramente dedicados à baixaria’.

A Globo também liga o ranking ao ibope e diz que o universo da campanha é ‘inexpressivo’. As demais TVs não se manifestaram.

OUTRO CANAL

Duro na queda 1 Embora se esforce para não transparecer, a Globo não esperava e ficou indignada com a assinatura de contrato, na semana passada, entre a Universal Studios e a Record, em parceria de cinco anos por filmes e séries.

Duro na queda 2 Tanto que a Globo, em comunicado, diz que vai exercer o direito contratual de renovar por três anos a validade das reprises dos filmes da Universal, como ‘Gladiador’ e ‘A Múmia’. Assim, à Record, sobrará apenas o direito sobre filmes inéditos.

Duro na queda 3 Só para não dar à Record o gosto de exibir uma série inédita, a Globo programou anteontem a estréia na próxima madrugada (3h25), na sessão ‘Corujão’, de ‘Monk’, da Universal, que mantinha na gaveta. A Record quer estreá-la em março.

Será? Daniella Cicarelli voltou à Espanha sem ter renovado contrato com a MTV. Segundo a TV, ela enviará o documento pelos Correios.

Erosão A Band anuncia para março o lançamento de um canal pago rural. Mas o canal só deve ser distribuído pela DirecTV.

Leveza O ‘Programa do Ratinho’ vai desaparecer da TV durante pelo menos duas semanas. Na próxima segunda, o ‘Casos de Família’ volta ao horário que vinha sendo ocupado por Ratinho (16h30). E o retorno de Ratinho às 21h30 no dia 14 é incerto.’

***

‘Em ‘Senhora’, mãe troca bebê por carreira’, copyright Folha de S. Paulo, 30/01/05

‘Yara, personagem de Helena Ranaldi em ‘Senhora do Destino’ que investiu na produção independente’ de um filho, sofrerá uma reviravolta nos capítulos finais da novela.

A mulher, que teve de entregar o filho ao pai, Plínio (Dado Dolabella), porque se viu desempregada, e atualmente briga para retomar a guarda do bebê, descobrirá que não tem vocação para ser mãe.

‘Ao ser convidada para trabalhar na matriz de uma multinacional, em Tóquio [Japão], Yara conclui que tudo o que quer na vida é ser uma executiva. E decide que não vai levar Dado consigo. Ela então vai a Plínio, entrega o bebê definitivamente a ele e desaparece’, conta Aguinaldo Silva, autor de ‘Senhora do Destino’.

OUTRO CANAL

Níquel 1 A Vagabanda, grupo que fez sucesso na temporada 2004 de ‘Malhação’, nunca existiu _e já acabou até na ficção. Mas a atriz Marjorie Estiano, única que sabia cantar alguma coisa na banda, vai virar cantora profissional.

Níquel 2 Marjorie (a Natasha da novela) assinou contrato com a gravadora Universal e lança CD ainda neste semestre. As músicas da Vagabanda, que não foram gravadas em CD, lideraram os downloads na internet no final do ano passado.

Pizza O ‘Domingão do Faustão’ de hoje será o primeiro ao vivo deste ano. Mas o próximo, domingo que vem, já volta a ser ‘frio’ (foi gravado ontem). É que no domingo de Carnaval é difícil levar artistas aos estúdios.’



Keila Jimenez

‘Globo antecipa despedida de Barões do Bom Sucesso’, copyright O Estado de S. Paulo, 26/01/05

‘O casal mais encantador da novela das 9, os barões vividos por Raul Cortez e Glória Menezes, já tem data certa para abandonarem a trama de vez: 22 de fevereiro.

Por conta dos problemas de saúde do ator Raul Cortez – que passou por uma cirurgia recentemente e terá de fazer quimioterapia -, o autor de Senhora do Destino, Aguinaldo Silva, antecipou o que, segundo ele, já estava previsto no roteiro original da novela: uma viagem de despedida e sem volta para os Barões do Bom Sucesso.

‘Esse argumento já havia sido apresentado na novela antes mesmo do problema de saúde do Raul. O casal faria uma última viagem à Europa, com tudo a que tem direito, antes que a baronesa comece a decair. A razão disso é que não queria mostrá-la na fase mais difícil do mal de Alzheimer’, conta Aguinaldo. ‘Queria que eles saíssem no auge.’

Todas as cenas com Raul e Glória serão gravadas esta semana, porque, logo em seguida, o ator iniciará seu tratamento. A maioria das cenas será gravada no jardim da casa de Raul mesmo.

‘Com exceção de uma cena, que será a viagem deles de navio, quando acontece o roubo das esmeraldas’, conta Aguinaldo.

O reencontro do barão com a baronesa será no dia 7 e o autor tem certeza de que as cenas serão muito emocionantes, com lágrimas para todos os lados: elenco, produção e telespectadores.

‘Teremos ainda muitas cenas do Raul nessa novela, e na minha próxima, na qual eu espero contar com ele’, diz o autor. ‘As gravações também serão emocionantes…’

Aguinaldo conta que se sentiu muito triste com a saída de Raul e que chegou a ter momentos de desalento.

‘Sou muito bem pago para resolver esse problema da melhor maneira possível, e não para entrar em crise, mas há sempre um momento de pânico’, explica Aguinaldo, que garante que sabia que Raul poderia voltar à novela logo após a cirurgia. ‘Os médicos garantiram ao Wolf Maya (diretor) que, aliás, também é médico (sabiam?), que o Raul estaria apto para voltar ao trabalho no fim de janeiro. Wolf acreditou, eu acreditei. Era verdade!’’



AMÉRICA
Fabiano Maisonnave

‘Atores sofrem na fronteira México-Texas’, copyright Folha de S. Paulo, 30/01/05

‘No cinema americano, a inóspita fronteira México-Texas é o cenário ideal para um bom filme de faroeste: há o deserto infinito, as cidades-fantasmas, o rio Grande, os arbustos rolando, as montanhas alaranjadas, o vento e o pó.

Desta vez, no entanto, o único caubói à vista no set de filmagem local, Chris, estava encarregado de arrumar os cavalos, as galinhas e os porcos para a gravação das cenas. A história a ser contada aqui é sobre imigrantes brasileiros ilegais, chama-se ‘América’ e é a próxima novela das oito da Rede Globo, com estréia prevista para o dia 14 de março.

Na última semana, a reportagem da Folha acompanhou durante dois dias as gravações da novela, que mobilizou o maior elenco já enviado pela emissora ao exterior.

Ao todo, cerca de cem pessoas circulavam diariamente pelo set ‘Contrabando’, uma pequena vila montada à beira do lendário rio Grande (na verdade, um riacho), que divide o deserto texano do mexicano.

‘Gravar aqui é um sonho’, diz o diretor Jayme Monjardim, 48, ao chegarmos por volta das 8h da manhã ao set, que reproduz uma cidade mexicana de fronteira. Além de belíssimo, o local é também apropriado ao tema. Nos últimos cinco anos, o crescimento de brasileiros detidos nas fronteira México-EUA foi de 1.665%, passando de menos de 500, em 1989, para mais de 8.600 pessoas em 2004. O posto local da Patrulha da Fronteira confirmou que ‘alguns brasileiros’ têm sido capturados naquela região.

O tema da imigração brazuca está no centro da trama. Escrita por Glória Perez, a superprodução terá como protagonista Sol (Deborah Secco), jovem pobre que sonha ‘fazer a América’. Ela tenta chegar algumas vezes aos EUA, após ter o visto negado.

Após ser deportada na primeira tentativa, Sol procura Alex (Thiago Lacerda), um trambiqueiro radicado no lado mexicano da fronteira e ajudado por Ramiro (Luis Melo). De novo, ela é presa e mandada de volta ao Brasil.

A travessia pelo rio Grande promete momentos bastante dramáticos. Num deles, a imigrante Fátima, interpretada por Bete Mendes, é picada por uma cobra. Sem poder seguir adiante, ela é morta a tiros pelos atravessadores.

(Na verdade, a principal causa de morte na fronteira tem sido a desidratação, problema que atingiu três membros da equipe, entre eles Thiago Lacerda.)

Completam o núcleo de personagens da fronteira as irmãs mexicanas Rosário (Fernanda Paes Leme) e Inesita (Juliana Knust) e Silvio Guindane, o único ator negro do grupo e também o único com o personagem sem nome.

Como é típico das histórias de Glória Perez, a novela abordará outros temas. Haverá o mundo dos rodeios, habitado pelo par romântico de Sol, Tião (Murilo Benício), o espiritismo e a cegueira, que será tratado de forma educativa, semelhante às drogas na novela ‘O Clone’, também da dupla Perez/Monjardim.

Os personagens cegos, Jatobá e Maria Flor, serão interpretados por Marcos Frota e pela atriz mirim Bruna Marquezine.

As locações também variam bastante. Além do Texas, a novela já teve cenas rodadas em Barretos (SP) e no Pantanal.

Depois do deserto, a equipe grava na Flórida, para onde Sol vai, após finalmente cruzar a fronteira na terceira tentativa, escondida dentro de um caminhão.

Em Miami, onde participam das gravações Christiane Torloni, Edson Celulari e Cléo Pires, entre outros, Sol vai continuar sofrendo: depois de passar fome e sede, ela trabalha como empregada doméstica e baby-sitter até arranjar um emprego de dançarina num bar de Miami Beach.

O alto custo das gravações no Texas, orçado em US$ 420 mil (R$ 1,092 milhão para dez dias de gravação) fez com que o trabalho das filmagens fosse feito em ritmo intenso. O valor inclui o aluguel de um helicóptero para imagens áreas da região.

No resort Lajitas, onde a equipe da Globo estava hospedada, eram ainda 6h30 da manhã quando os atores iam a um centro de apoio se preparar para as filmagens, que começavam e terminavam com o Sol, das 8h30 às 17h. Havia apenas o intervalo para o almoço.

Nos dias em que a Folha acompanhou as gravações, o trabalho estava sendo feito no set ‘Contrabando’, já existente no local e que consiste num conjunto de casas e igreja. A Globo recriou ali o hotel Lopez, o restaurante La Frontera, uma sapataria e algumas barracas. Dava vida ao lugarejo de cerca de 50 figurantes mexicanos contratados na região.

‘A cidade ficou bem parecida’, disse a dona-de-casa mexicano-texana Marta Barrera, 30, uma das figurantes. ‘A única coisa errada é o meu ‘sombrero’. Mulher não usa isso aqui’, disse, segurando o chapéu emprestado por um tio. Pelo trabalho, ela ganha US$ 80 (R$ 213) por dia.

O set foi construído para as gravações de ‘Streets of Laredo’ (95), uma minissérie de faroeste cujo elenco incluía James Garner, Sissy Spacek e Sonia Braga, no papel de uma dona-de-casa mexicana.

Um mês antes, quem ocupava o set era a equipe hollywoodiana de ‘The Three Burials of Melquiades Estrada’ (Os Três Enterros de Melquiades Estrada), dirigido e estrelado por Tommy Lee Jones e com estréia prevista para este ano. Outros filmes rodados na região incluem ‘Pequenos Espiões 2’, ‘Dead Man’s Walk’ e vários faroestes menores.

‘Os brasileiros são muito mais calorosos entre si’, disse o técnico de iluminação Aaron Vyvial, 28, que trabalhou para Jones e em outros filmes, como ‘A Vida de David Gale’.

‘Mas, tecnicamente, eles não prestam muita atenção à iluminação. O ritmo de gravação é muito mais rápido do que em Hollywood. Aqui, eles fazem sete, oito cenas por dia; nos filmes, é geralmente uma cena’, disse.

O ritmo é de fato bastante intenso. Para não perder tempo, Monjardim separou as cenas para todos as situações: céu nublado, chuva, sol. Os cenários e os figurantes são rapidamente preparados enquanto os atores decoram o texto em poucos minutos.

Uma cena em que Sol é puxada no braço por coiotes rua baixo leva cerca de uma hora e cinco repetições para ficar pronta.

Metade desse tempo levou a gravação, dentro do restaurante, de um diálogo tenso entre os personagens de Lacerda e Luís Melo (‘reaja com mais surpresa’, pediu Monjardim ao galã).’

***

’11/9 dividiu dois únicos povoados da região’, copyright Folha de S. Paulo, 30/01/05

‘A região escolhida pela Rede Globo para gravar a novela ‘América’, que aborda o tema da imigração ilegal, é um exemplo dramático da paranóia norte-americana após o 11 de Setembro.

Localizada numa das regiões menos povoadas dos Estados Unidos e a seis horas do aeroporto mais próximo, em El Paso, a vila de Lajitas, Texas, com cerca de 50 habitantes fixos, é separada de Paso Lajitas, México, pelos apenas cinco metros de largura do lendário rio Grande.

Durante várias décadas e até recentemente, as duas vilas isoladas no meio do deserto tinham uma vida comum: as crianças e adultos mexicanos cruzavam a fronteira para estudar nas escolas americanas e trabalhar no resort de luxo, onde o elenco da emissora ficou hospedado.

Em Paso Lajitas, restaurantes serviam os turistas americanos que vinham conhecer os dois parques que preservam os cânions e as montanhas da região. E a principal loja da região, Lajitas Trading Post, servia clientes dos dois lados da ignorada fronteira desde 1899. A milhares de quilômetros de distância, ocorreram os ataques do 11 de Setembro.

Preocupada com a entrada de terroristas, a Patrulha da Fronteira reforçou a vigilância pela fronteira e deixou de fazer vistas grossas ao fluxo entre as duas Lajitas.

Em maio de 2002, uma inspeção surpresa prendeu 24 trabalhadores ilegais e dividiu de vez os dois únicos povoados existentes na região.

Agora, para chegar a Paso Lajitas, é necessário dirigir 80 km até Presidio (Texas), cruzar a fronteira num posto oficial e voltar outros 80 km pelo lado mexicano. Total da viagem, ida e volta: 320 km, ou cerca de cinco horas.

Conseqüências

O efeito da ruptura foi imediato. O resort americano perdeu cerca de 15% dos eus 350 funcionários. Do lado mexicano, todos os restaurantes fecharam.

‘Quem não mora aqui não tem idéia de quanto nós éramos próximos socialmente e economicamente’, afirma o recepcionista do resort, Tom Taylor.

Ele conta que costumava freqüentar os restaurantes do outro lado pelo menos duas vezes por mês. ‘Era apenas chamar o barqueiro e pagar US$ 1 para atravessar.’ Desde 2001, ele não foi mais a Paso Lajitas.

Paradoxalmente, o mesmo 11 de Setembro é o principal motivo pelo aumento recorde da travessia de imigrantes brasileiros pelo México, já que a emissão de vistos ficou muito mais restrita após os ataques terroristas.

As restrições impediram que a equipe da Globo fizesse filmagens no rio Grande, sob o temor de que a movimentação na margem pudesse acionar os supostos sensores de calor ali instalados e mobilizar helicópteros e patrulhas que vigiam a fronteira.’

***

‘Monjardim busca o real sem abalar o sonho’, copyright Folha de S. Paulo, 30/01/05

‘Apenas oito autores. Para o diretor Jayme Monjardim, tendências recentes da novela brasileira, como a aproximação com a realidade, são determinadas pelas poucas mãos que monopolizam a teledramaturgia no país.

‘A novela depende muito da capacidade de poucos autores para produzir histórias. A TV vai no rumo de oito autores, no máximo, e está nas mãos deles o nosso conceito de novela. A característica da Glória [Perez] é buscar um tema novo, então as novelas vão atrás disso; do Manoel Carlos, o dia-a-dia. São muito poucos autores para uma imagem tão poderosa que a televisão tem’, disse, em entrevista durante as gravações da novela ‘América’, no Texas.

De volta à TV após fazer o filme ‘Olga’, Monjardim também vê na busca por ‘histórias reais’ um reflexo do esgotamento de tramas originais.

‘É muito difícil encontrar uma história inédita. São cem anos contando histórias, só dentro do cinema. De seis anos para cá, a televisão pegou essa veia das histórias reais e de ter uma participação social maior, de viver uma realidade dentro daquela história, mas discutindo os problemas e tentando trazer uma mensagem social’, afirma.

A aproximação com a realidade, no entanto, não fará da imigração ilegal para os EUA o tema principal da novela, acredita Monjardim. Para ele, o grande tema da novela são os sonhos.

‘São 80 personagens e 80 sonhos. Um dos sonhos é o da Sol [Deborah Secco] de fazer a América. O outro sonho é o do peão que quer ser campeão de rodeio. Óbvio que, como a Sol é a protagonista, sobressai a idéia da imigração, mas é mais importante valorizar o sonho dela do que a travessia em si.’

Mas, se a protagonista realizar o seu sonho, qual será o impacto de uma história bem-sucedida no explosivo problema da imigração ilegal para os Estados Unidos num público médio diário de 60 milhões de telespectadores?

‘Isso é uma decisão muito da Glória, mas com certeza não há nenhum desejo de estimular as pessoas a partir para a imigração ilegal. A proposta da novela é mostrar que não é assim, não é só chegar lá e atravessar, é preferível você entrar legalmente, brigar pelo visto. Eu tenho certeza que, com a novela no ar, muita gente vai pensar duas vezes em atravessar. Será um benefício para o Brasil e para os Estados Unidos.’

E a vida como imigrante na Flórida não recompensará a travessia? ‘A Glória não vai alimentar o que é ilegal. Ela pode até atravessar, ser feliz por um tempo, mas um preço ela vai pagar.’

Com a ‘realidade’ ocupada pela imigração ilegal, a ‘mensagem social’ da novela terá como tema a deficiência visual.

‘Você sabe qual é o maior desespero do cego nas ruas? É o orelhão. Na bengala, até chegar lá, ele já bateu com a cabeça no orelhão. Estou dando isso como um exemplo porque é uma das grandes campanhas que a gente vai fazer: conscientizar o governo da necessidade de fazer uma cidade para os deficientes em geral.’

Detenção

A pesquisa sobre imigrantes levou Monjardim várias vezes a campo durante os últimos seis meses, período em que visitou abrigos de imigrantes e chegou a ser detido por policiais norte-americanos.

O episódio ocorreu quando, acompanhado da produtora Cláudia Braga e do ator Thiago Lacerda, Monjardim gravava imagens do posto de fronteira entre as cidades de El Paso (Texas) e Juarez (México). Ele foi obrigado a ficar apenas de cueca e teve as gravações apagadas.

‘De repente, um cara me agarrou violentamente pelo cabelo e pela roupa e me fez atravessar uma fila de mais de cem metros como se eu fosse um maluco qualquer. Fiquei seis horas bem desagradáveis numa sala sem me darem um motivo. Enquanto não chegou o FBI [polícia federal], não fomos liberados’, conta. ‘Eu entendo [a ação policial], mas a forma como eles fazem é questionável.’’

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