Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > AMÉRICA

Daniel Castro

12/10/2005 na edição 350


‘O fenômeno de audiência ‘América’ vai entrar para a história como uma das tramas mais toscas já produzidas pela Globo.


Apesar de ser classificada como ‘realista’, a novela de Glória Perez chegará ao extremo da incoerência nos próximos capítulos.


Na semana passada, a novela revelou que a heroína Sol (Deborah Secco), já de barrigão, está grávida de sete meses. Também na semana passada, foi dito que a adolescente funkeira Rose (Cacau Melo) espera há três meses um bebê de Radar (Duda Nagle).


Mas o bebê de Rose, por incrível que pareça, vai nascer antes do de Sol. O parto está previsto para ir ao ar no capítulo de amanhã. Já o filho de Sol só virá ao mundo no episódio da próxima segunda.


Não há no resumo oficial, feito pela Globo, dos capítulos da novela nenhuma indicação de salto de tempo ficcional nem dicas de que o bebê de Rose nascerá prematuro. Pelo contrário, já no capítulo de sexta-feira haverá cena em que Rose deixará o recém-nascido na casa de Radar.


Segundo a ginecologista e obstetra Claudia Gazzo, da maternidade São Luiz, bebês nascidos com menos de 37 semanas (oito meses) são prematuros e não recebem alta imediatamente, ficam sob observação. Assim, se o bebê de Rose nasce normalmente, pela lógica temporal o de Sol teria quase um ano de gestação ao nascer.


A Globo não comentou o assunto, por se tratar de ‘ficção’.


OUTRO CANAL


Haydée 1 O clima anda ruim nos bastidores de ‘América’ por causa de uma série de furtos de objetos pessoais de parte do elenco. Na semana passada, a vítima foi Christiane Torloni, que interpreta a cleptomaníaca Haydée. Levaram R$ 300 da bolsa da atriz.


Haydée 2 Anteontem, a atriz Solange Couto colocou mais lenha na fogueira. Disse ao site ‘OFuxico’ que os furtos ocorrem desde o início da novela e que ‘todo mundo sabe quem é a safada’, mas que não se faz nada porque seria uma atriz, não uma humilde camareira.


Haydée 3 Por causa dos furtos, a segurança do Projac já estaria estudando a possibilidade de instalar câmeras em camarins coletivos. Há cerca de 200 câmeras de segurança no complexo de estúdios. A emissora não fala sobre o caso oficialmente.


Marca O telejornal ‘SBT Brasil’ marcou dez pontos no Ibope anteontem, audiência que só alcançara na estréia, em agosto, e bateu a Record no horário. O telejornal foi apresentado por Guilherme Menezes. A âncora titular está viajando nesta semana.


Diagnóstico Recuperado de uma intervenção cirúrgica, Mario Lucio Vaz, diretor-geral artístico da Globo, voltou anteontem ao trabalho. Uma das suas prioridades é fazer acertos em ‘Bang Bang’, novela das sete. A audiência está boa, mas a narrativa, avalia Vaz, está muito lenta para o horário.’



Laura Mattos


‘Por crianças, Carreirinha pára de beber’, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/05


‘Aos 36, Matheus Nachtergaele virou ‘rei dos baixinhos’. Carreirinha, o peão destrambelhado que interpreta em ‘América’, caiu no gosto da criançada. Em pesquisa da Globo, está entre os cinco personagens ‘mais queridos’. Em razão disso, a autora Glória Perez teve de mudar características do início da novela. Ele vivia embriagado e parou de beber. Também não apanha mais por qualquer motivo.


Nachtergaele vive cercado por crianças e recebe cartas. ‘Elas dizem para o Carreirinha ser mais obediente e aprender a ler.’ Abaixo, trechos da entrevista à Folha.


Folha – Por que o Carreirinha faz tanto sucesso com as crianças?


Matheus Nachtergaele – Foi uma surpresa. Ele é infantil, uma criança. Foi criado sem pai nem mãe, de casa em casa, não teve uma formação moral, não aprendeu a ler, não foi domado. A amoralidade que resulta disso é pueril e faz com que as crianças gostem dele. O fato de ser corajoso, de enfrentar o Laerte [Humberto Martins] e montar bois, também as atrai.


Folha – Ele apanhava muito, e isso parou. Foi em razão das crianças?


Nachtergaele – O próprio personagem foi impondo respeito. As pessoas foram dizendo: ‘Ai, acho que eu não quero bater não’. O personagem vai tendo vida e algumas coisas vão se modificando.


Folha – Como é o assédio dos pequenos quando você sai às ruas?


Nachtergaele – Forte. Fica um monte de criança acenando no trânsito. É bonito. Elas pedem autógrafo. Acontece de eu ir perto, de comer alguma coisa e, quando me dou conta, tem quatro, cinco crianças que migram das mesas delas para a minha. Falam sobre várias coisas, perguntam da novela. Recebo muita carta. Mandam também para o Carreirinha, dizendo para ele ser obediente, perguntando por que não entra na escola, por que não fica bonzinho.


Folha – Como foi a sua infância?


Nachtergaele – Morava na Chácara Flora [zona sul de São Paulo], numa chácara mesmo. Tínhamos uma casa grande, com árvores, cachorros, gatos, tartarugas, passarinhos, coelho. Uma vida muito atípica para um paulistano. Meus avós sempre moraram em Atibaia, em sítios, onde eu passava as férias. Tive uma infância rural na capital, graças a Deus, porque fico preocupado com essas crianças de apartamento. Pude ver um mundo de um jeito bom. Tive uma infância de brincar. Meu avô me ensinava a plantar, pescar.


Folha – Como deve ser a relação das crianças com a televisão?


Nachtergaele – Controladíssima. Se tivesse criança em casa, colocaria limites bem rígidos. Não retiraria totalmente porque não acho justo que ela não veja esse brinquedo de maluco. Tem de ver um pouco, mas fazer outras coisas.


Folha – E a novela das oito? É um programa para crianças?


Nachtergaele – Nem sempre é. ‘América’ pode ser assistida por crianças. Eu talvez ficasse preocupado com núcleos mais neuróticos, como o da Haydée [Christiane Torloni], e controlasse um pouco. Há horas em que as crianças podem ver e outras em que o adulto deve estar do lado, até para dar explicação. Não é um programa infantil, mas há personagens, como o Carreirinha, bons para crianças. Se fosse pai de uma criança, assistiria junto ou colocaria limite: ‘Você assiste às cenas do Carreirinha e de Boiadeiros e depois vai dormir’. Não sou contra a TV, mas acho que a criança tem de gostar de ler, de correr.’



REALITY SHOWS


Bruno Yutaka Saito


‘Clube das babás’, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/05


‘Foi uma espécie de ‘Psicose Jr.’. Jaqueline estava distraída, brincando com o bebê, quando apareceu um garotinho segurando uma tesoura pontiaguda nas mãos, em posição de ataque. Coisa boa não era. Em vez de grito histérico, ela disse, em tom grave, olhando no olho do menino: ‘Não pode! Isso machuca. Isso é feio!’. E saíram todos sem um arranhão, felizes até o próximo ‘ataque’.


A moça em questão, Jaqueline Souza Gonçalvez, 20, trabalha como babá e volta e meia se vê às voltas com crianças supermal-comportadas. Para lidar com elas, percebeu que seria necessário virar uma superbabá. E é nesse espírito que estréia hoje, no GNT, a série inglesa ‘Supernanny’.


Estrelado por Jo Frost, babá há mais de 15 anos, o programa tenta ensinar aos telespectadores técnicas de reeducação de crianças. Com outras atrações da TV, como ‘Anjinhos’ e ‘S.O.S. Babá’, ambos no Discovery Home & Health, ‘Supernanny’ fala para um público que cresce a cada dia: pais que trabalham fora o dia inteiro, deixando seus filhos aos cuidados de babás especializadas.


A convite da Folha, um grupo de cinco babás mais uma psicóloga assistiram a ‘Supernanny’ e ‘Anjinhos’ para saber se as lições dadas pela TV são eficazes ou não. No episódio de estréia do programa de Jo Frost, um garotinho rebelde domina a família: chora por tudo, se esconde embaixo da cama, dá tapas no pai. Há solução?


‘Sou quase igual à Supernanny’, diz Silvana dos Reis Cassimiro, 31. ‘Quando uma criança é mal-educada, uso as mesmas técnicas. Me abaixo, fico na sua altura, olho no olho e explico com voz bem decidida que ela está fazendo algo errado. Funciona.’


Jaqueline complementa: ‘Se você não ficar na altura da criança, imagina o pensamento dela! Você ali, grandona, gritando… Não vai entender nada’. Uma das principais técnicas de Frost é: estabeleça limites. Silvana concorda, ao relembrar o caso de um menino de quatro anos que tentou bater nela. ‘Peguei sua mão e perguntei, olhando no olho dele e com voz firme: ‘Eu bato em você?’. Ele: ‘Não’. Daí, eu disse: ‘Gostaria que você não batesse mais em mim’. Nunca mais fez isso’, diz Silvana.


No programa, o castigo de Frost consiste em deixar o menino sentado em uma escada. ‘Também faço isso’, empolga-se Lucielma Alves Santos, 43. Mas, em seu caso, a criança fica em um sofá. ‘Digo: ‘Você vai ficar aí sentadinha, pensando no que acabou de fazer. Você não está de castigo. Quando pensar bastante, me chame e peça desculpas’, explica Lucielma.


A psicóloga e diretora da Unire, empresa de formação de babás, Ângela Clara Corrêa, 44, diz que na vida real as coisas são diferentes. ‘A babá nem sempre tem a autonomia de Jo Frost. Como uma babá vai colocar limites em uma criança se a mãe não permite? Ela pode perder o emprego.’


Outra técnica


Já o também inglês ‘Anjinhos’ dividiu opiniões. Neste programa, quem faz as vezes de reeducadora é a psicóloga Tanya Byron.


Um dos pontos mais criticados foi o castigo sugerido por Tanya -deixar a criança birrenta de castigo durante alguns minutos em uma sala fechada. ‘Trabalhei em uma casa onde a mãe fazia isso’, diz Eliane Ferreira Galindo, 31. ‘Em certa altura, a criança até começava a gostar da situação e quebrava tudo no quarto.’


Outro ponto criticado pelas babás foi o fato de que a dra. Tanya sugere que os pais devem elogiar e dar prêmios ao filho que se comporta bem. ‘Comportamento bom não precisa de prêmio. A criança deve ganhar apenas um elogio. Senão vira chantagem’, diz Silvana. Todas concordam. Mas, depois, Lucielma diz, envergonhada: ‘Eu tô aqui quietinha porque acabo dando presentinhos…’. Ao final, todas aprovam, com ressalvas, as intenções das séries. A mais calada do grupo, Maria Auxiliadora Gonçalves, 30, conclui: ‘Foi bom ter visto os programas para aprender. Sou aquele tipo de babá boazinha’.


Supernanny


Quando: hoje, às 21h, no GNT


Anjinhos


Quando: sexta, às 22h, no Discovery Home & Health


S.O.S. Babá


Quando: sexta, às 13h e às 21h, no Discovery Home & Health’



***


‘Versão brasileira terá cores alegres’, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/05


‘O Brasil também terá sua própria ‘Supernanny’. Comprada do canal de TV britânico Channel Four pelo SBT, a versão nacional do programa ainda não tem data de estréia -pode ir ao ar tanto em novembro quanto no começo de 2006, nas noites de sábado.


Como se trata de uma franquia, a atração seguirá o mesmo formato do inglês, ou seja, uma família que tem problemas com filhos rebeldes receberá orientações da ‘nanny’. Mas algumas pequenas alterações serão necessárias, segundo o diretor Ricardo Perez, 27. ‘A nossa versão terá uma edição mais dinâmica, com menos planos-seqüência. Vamos usar cores mais alegres na ambientação, roupas etc.’


Outra diferença apontada por Perez é o tamanho das casas das famílias que participam dos programas. ‘Na Inglaterra, mesmo as classes sociais mais baixas têm casas grandes, espaçosas. Em São Paulo, não é qualquer família que tem uma casa com 100 m2 [espaço mínimo necessário para comportar a equipe de gravação].’


Em relação à garotada, Perez diz que as crianças brasileiras não se diferem muito das inglesas ou americanas. ‘A birra é muito parecida no mundo inteiro. Geralmente os pais são muito relaxados em qualquer parte’, afirma.


O canal ainda não escolheu quem encarnará a Supernanny local. Segundo o diretor, mais de 50 profissionais, entre babás, psicólogas, pedagogas e professoras, foram entrevistadas para a seleção; atualmente, há três finalistas. A escolha final depende de Silvio Santos. ‘Não há famosas participando. Queremos alguém com, no mínimo, dez anos de experiência, entre 35 e 60 anos.’’



TV PAGA


Etienne Jacintho


‘Líderes só retornam em 2006’, copyright O Estado de S. Paulo, 12/10/05


‘Paciência é a palavra de ordem para os fãs das séries Lost (AXN) e Desperate Housewives. Ambas foram líderes de audiência nos Estados Unidos na semana em que estrearam suas segundas temporadas, mas só chegarão ao Brasil no ano que vem. Segundo Sony e AXN, do primeiro semestre não passa. Nos Estados Unidos, Desperate Housewives estreou no dia 25 de setembro com uma audiência de 28 milhões de telespectadores. Já Lost, que teve sua segunda fase iniciada no dia 21 de setembro, teve público de 23 milhões.


A boa notícia vem para os viciados em CSI, que foi o líder no ranking da TV americana no primeiro episódio de sua sexta temporada, exibido em 22 de setembro. Foram 29 milhões de espectadores. O canal Sony exibe esse capítulo já em novembro, mantendo o intervalo de um mês de diferença entre EUA e Brasil, que costumava ser mantido pelos canais para que a defasagem não fosse tão grande.


Outra série que chegou ao Brasil com estrondo foi The L Word (Warner), que encerrou sua primeira temporada e só voltará ao canal também em 2006 com capítulos inéditos. A segunda, das três temporadas produzidas, já está garantida pela Warner.


A lista dos dez programas mais vistos na semana de 19 a 25 de setembro nos EUA inclui cinco seriados que são transmitidos no Brasil. CSI, Desperate Housewives e Lost arremataram as primeira, segunda e terceira posições respectivamente. CSI Miami ficou em quinto lugar e Grey’s Anatomy, em sexto. Without a Trace e Cold Case (Warner) também mantêm um bom ibope. E todas elas, claro, só devem voltar ao Brasil em 2006. Para apaziguar a espera, os canais utilizam as reprises. Uma opção para quem não quer rever episódios é assistir às novas séries que estrearam recentemente nos canais Fox, HBO e Telecine.’



HOJE É DIA DE MARIA


Luiz Carlos Merten


‘Hoje é dia de Rodrigo Santoro’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/10/05


‘No fim de agosto, o repórter estava em Nova York, realizando algumas entrevistas. Uma das entrevistadas foi a atriz Laura Linney, de O Exorcismo de Emily Rose. Conversa vai, conversa vem, o repórter lembrou-se de perguntar por Rodrigo Santoro, que dividiu a cena com Laura em Simplesmente Amor. Ela se desmanchou em elogios. ‘Rodrigo é um amor. Talentoso, bonito, um doce de pessoa. Vou ligar para ele daqui a pouco, porque hoje ele está fazendo aniversário.’ O repórter conta a história ao próprio Rodrigo, que o recebe em seu apartamento novo, no Alto Leblon. ‘Ela me ligou. Laura é muito bacana. Me deu uma força muito grande.’ Laura Linney tomaria um susto, se tivesse visto o Rodrigo que, naquele entardecer carioca, conversa com o repórter do Estado. Ele está tão magro que parece doente. Mas basta conversar dois minutos para perceber que está muito bem. ‘Emagrecer foi uma exigência para o papel da minissérie.’ A mini, na verdade micro, série estréia logo mais à noite, na Globo. Hoje É Dia de Maria – A Nova Jornada terá somente cinco capítulos, até sábado. Adianta bastante dizer que o personagem de Rodrigo chama-se Dom Chico Chicote. É, obviamente, inspirado no Cavaleiro da Triste Figura criado, há 400 anos, por Miguel Cervantes. Mas não há nada óbvio no novo trabalho televisivo de Luiz Fernando Carvalho. Ele elabora ainda mais seu êxito anterior, em Hoje É Dia de Maria.


‘Quando o Luiz Fernando anunciou o 2, fui logo dizendo que queria estar nesta. Foi muito legal. Além do formato musical, existe todo um conceito que liga esse trabalho às grandes fontes da literatura. Meu personagem não é Dom Quixote, mas é inspirado nele. Tem elementos do Idiota, de Dostoievski, e do Cândido, de Voltaire. Meu bordão na série destaca a importância do sonho. E o Luiz Fernando realmente tomou a figura física do Quixote como modelo.’ Ao natural, alto, magro, de cabelo curto, Rodrigo ficou uns dez anos mais jovem. Na microssérie, usa cabeleira, cavanhaque, um figurino que pode causar estranhamento, mas faz parte da magia do personagem.


Todo dia eram duas, quase três horas de maquiagem. E houve esse emagrecimento forçado. Rodrigo Santoro não se queixa. ‘Tive acompanhamento de um nutricionista que me preparou uma dieta muito equilibrada. Não passei fome. Pelo contrário, nunca tive uma alimentação tão saudável. Aproveitei e fiz uma limpeza do aparelho digestivo. Estou me sentindo ótimo.’ E está mesmo, basta ver o brilho no olho, o entusiasmo com que fala de Dom Chico Chicote. Emagrecer foi só uma das necessidades do papel. Ele também exigiu todo um trabalho de preparação física, que Rodrigo fez com um especialista de São Paulo, não um personal trainer, mas um artista que trabalha com pantomima e expressão corporal. Valeu a pena o esforço.


Com aquela estampa e a fama de astro global, Rodrigo poderia levar a típica vida de celebridade. À praia, ele prefere a piscina que tem em casa. É mais reservada. Há três anos namora a modelo Ellen Jabour, uma relação que já se estabilizou. Gosta de ficar quieto, no canto dele. Agora mesmo, deve estar no mato. ‘Vou tirar alguns dias de férias para repor as energias, porque tenho trabalhado sem parar’, disse há cerca de dez dias para o repórter. É como Rodrigo Santoro gosta. Seu nome poderia ser Trabalho. E é disciplinado. Este foi um ano de muitas novidades para o Neto de Bicho de Sete Cabeças, o filme de Laís Bodanzky que provou que o cara bonito era um verdadeiro ator.


Rodrigo começou o ano com o Hoje É Dia de Maria original. Emendou com a filmagem de Os Desafinados, o filme de Walter Lima Jr. sobre os primeiros passos (ou sons) da Bossa Nova. ‘Walter é um grande diretor. É meticuloso com o roteiro e o trabalho no set. Sabe colocar o ator à vontade e tirar da gente o que quer. Não é por acaso que ministra tantos cursos de cinema por esse Brasil afora.’ Os Desafinados conta a história da Bossa Nova pelo ângulo dos que não foram bossa-novistas. Há um boom de Bossa Nova no cinema brasileiro, com os documentários de Paulo Thiago (Bossa Nova) e o de Miguel Faria Jr. (Vinicius de Morais). A próxima etapa é a ficção de Walter Lima Jr., sobre um grupo de jovens que forma uma banda e tenta participar do célebre concerto no Carnegie Hall, em Nova York.


Eles são preteridos, mas não desistem do sonho. Vão a Nova York por conta própria e, na frente do Carnegie Hall, enquanto lá dentro se realiza o recital que projetou a música brasileira para o mundo, mostram a sua bossa. Rodrigo faz um pianista. Nunca havia chegado nem perto de um piano. Decidiu que, para fazer bem o personagem, teria de tocar. Comprou um piano, foi fundo no aprendizado. Não virou um grande pianista, mas no filme é ele quem toca e olhem que se trata de uma composição de Wagner Tiso especial para Os Desafinados. Mal terminou as filmagens – que incluíram uma semana em Nova York, com equipe reduzida, por causa dos custos -, no dia seguinte, ele já estava integrando a trupe de Luiz Fernando Carvalho. Houve todo um trabalho de preparação e interação do elenco de Hoje É Dia de Maria – A Nova Jornada. O grupo ensaiou, treinou, conviveu. ‘É como o Luiz Fernando gosta de trabalhar. E dá muito certo.’


Volta e meia Rodrigo faz seus papéis no cinema internacional, mas não tem intenção de investir nessa carreira. ‘Teria de morar em Los Angeles’, explica. Nem sonhar. ‘Adoro o Brasil, o Rio, a minha casa.’ Ele repõe as energias a toque de caixa e, no mês que vem, está em São Paulo para uma temporada. Vai fazer aqui o próximo filme de Philippe Barcinski, Não por Acaso, sobre pessoas obcecadas por algum tipo de controle. Rodrigo está entusiasmado com o roteiro, o diretor. Para o ano que vem, espera realizar um sonho – uma peça de teatro. Não vai ser um desses textos digestivos que os atores globais, quase sem exceção, fazem para ganhar dinheiro. Rodrigo Santoro quer ousar. Pode vir coisa muito boa daí.’



***


‘Maria vai parar na cidade e agora canta bem mais’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/10/05


‘Rodrigo Santoro emagreceu 12 quilos para fazer o papel de Dom Chico Chicote na microssérie Hoje É Dia de Maria – A Nova Jornada. A primeira temporada de Hoje É Dia de Maria, no começo do ano, foi saudada como um acontecimento pelos críticos e pelo próprio público. Amparado em Portinari, Villa-Lobos e Câmara Cascudo, o diretor Luiz Fernando Carvalho criou, com o dramaturgo Luiz Alberto de Abreu, um trabalho nunca definido como menos do que maravilhoso. Maria está de volta. Sua jornada deve se encerrar nesta segunda temporada, esperam os criadores.


Há novidades. Maria (Carolina Oliveira) e todo o elenco agora cantam mais, porque Carvalho e Abreu escolheram o formato musical para contar a história de Maria na cidade, compondo 50 novas canções que vão aparecer em cerca de 80 intervenções musicais. E foram às fontes da literatura. O personagem de Rodrigo Santoro mistura elementos dos heróis de Dom Quixote, de Miguel Cervantes, Cândido, de Voltaire, e O Idiota, de Dostoievski. Para favorecer a integração da equipe, o diretor trabalhou como na primeira temporada – montou uma lona, uma bolha, como Rodrigo Santoro e todo o elenco a chamam, para abrigar a produção. Essa lona foi montada bem em frente ao complexo de estúdios da Globo, o Projac, em Jacarepaguá.


Com a elevada média de 36 pontos de audiência, Hoje É Dia de Maria estimulou a Globo e o diretor a investirem na seqüência. Mas Luiz Fernando Carvalho não se repete. Maria (Carolina Oliveira) está na cidade. Interage com novos personagens – a Cabeça (Fernanda Montenegro), que se queixa por não ter corpo; Dom Chico Chicote, que sonha em voar. Até os Asmodeus são outros – o Juiz (Stênio Garcia), o Marinheiro (João Sabiá), o Rábula (André Valli). O elemento social é mais forte. Denúncias da pobreza e da guerra caracterizam a nova jornada de Maria. A promessa é de outro grande evento na TV brasileira.’



TV RECORD


Tribuna da Imprensa


‘Record vai às compras’, copyright Tribuna da Imprensa, 11/10/05


‘Na próxima sexta-feira, uma comitiva da Record embarca com destino ao Mipcom (feira internacional para os profissionais do mercado de audiovisual), que vai acontecer entre os dias 17 e 21 deste mês, em Cannes, na França. Estão confirmadas as viagens dos bispos Gonçalves e Delmar, o diretor artístico Hélio Vargas e Elisa Ayub, diretora da área de cinema.


Um dos objetivos é ampliar as vendas da novela ‘A escrava Isaura’, hoje exibida em países como Guatemala, Nicarágua, República Dominicana, Peru, Venezuela, Portugal e Equador. Não será este o objetivo maior dessa viagem.


O interesse é investir forte na compra de novos produtos, principalmente filmes e formatos de novos programas, que possam contribuir de forma efetiva para o aumento quase imediato dos seus índices. Internamente, em conversas reservadas dos seus diretores, existem estimativas de que, no prazo máximo de seis meses, a Record já estará ocupando o segundo lugar de audiência.


Novo alvo


Um ator conhecido, cujo nome é mantido em segredo, iniciou entendimentos com a Record, para integrar o elenco da próxima novela, ‘Prova de amor’, que está sendo gravada no Rio e vai estrear no próximo dia 24. A única pista: é um global.


Uma pena (1)


Não existem informações se a Record pagou ou não R$ 15 mil ao ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho para participar do ‘Terceiro tempo’, ao vivo, na noite de domingo. Se pagou, gastou mal. Uma pena (2)


Jornalisticamente, o ‘Terceiro tempo’ nada acrescentou ao que já se sabia no ‘escândalo do apito’. Mesmo desconsiderando o excesso de merchandising e intervalos comerciais, colocaram sete ou oito pessoas para fazer perguntas. Só o repórter Fernando Fernandes, que é bom, poderia ter esgotado o assunto. Alguns, como o treinador Nelsinho Baptista, que ali caiu de pára-quedas, não tinha maiores informações sobre o caso. Chegou ontem do Japão. Outros, gastavam quase dois minutos para fazer uma pergunta.


Perderam excelente oportunidade de fazer um bom programa. Passando bem Clodovil, operado na semana passada, deve receber alta hoje do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele irá de helicóptero para uma clínica particular. Território No Rio de Janeiro, Globo e Record já estão se esbarrando em locações. Na madrugada da última quinta-feira, na Praia de Grumari, as equipes de ‘Prova de amor’ e ‘Bang bang’ gravaram praticamente lado a lado. Detalhe: o pessoal da equipe técnica da Globo aproveitou para dar uma espiadinha nos equipamentos da concorrente e rasgaram elogios: tudo digital. Cordialidade Pelo menos entre o pessoal da técnica das emissoras, existe uma grande amizade. É que até outro dia, muitos dos que hoje estão na Record Rio já trabalharam para a Globo.


Duro de acreditar


Na Festa Nacional da Música, evento promovido pelas gravadoras em Canela, no Rio Grande do Sul, Gretchen saiu em defesa do mercado pirata de CDs. Chegou a dizer que possui uma equipe que prensa seus discos. Foi aplaudida por Simony. Opositores Essa declaração da Gretchen foi imediatamente criticada por outros artistas, como Alceu Valença, Frank Aguiar e Lecy Brandão, que estavam no mesmo evento. Postura errada Evidentemente, isso tem muito a ver com a eterna briga de artistas contra gravadoras, Ecad e companhia bela. Só que um erro não justifica o outro. Ninguém pode ser a favor da pirataria.


Audiência


Record e SBT foram muito bem no domingo, com os seus longas-metragens inéditos. Exibido das 20h53 às 22h25, o filme ‘Era do gelo’, uma animação infantil, registrou 20 pontos de média e deu à Record o segundo lugar no horário. Chegou a ficar 7 minutos na frente da Globo, e, nesse horário, o SBT caiu para terceiro.’



 

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ENTRE ASPAS > AMÉRICA

Daniel Castro

12/10/2005 na edição 350


‘O fenômeno de audiência ‘América’ vai entrar para a história como uma das tramas mais toscas já produzidas pela Globo.


Apesar de ser classificada como ‘realista’, a novela de Glória Perez chegará ao extremo da incoerência nos próximos capítulos.


Na semana passada, a novela revelou que a heroína Sol (Deborah Secco), já de barrigão, está grávida de sete meses. Também na semana passada, foi dito que a adolescente funkeira Rose (Cacau Melo) espera há três meses um bebê de Radar (Duda Nagle).


Mas o bebê de Rose, por incrível que pareça, vai nascer antes do de Sol. O parto está previsto para ir ao ar no capítulo de amanhã. Já o filho de Sol só virá ao mundo no episódio da próxima segunda.


Não há no resumo oficial, feito pela Globo, dos capítulos da novela nenhuma indicação de salto de tempo ficcional nem dicas de que o bebê de Rose nascerá prematuro. Pelo contrário, já no capítulo de sexta-feira haverá cena em que Rose deixará o recém-nascido na casa de Radar.


Segundo a ginecologista e obstetra Claudia Gazzo, da maternidade São Luiz, bebês nascidos com menos de 37 semanas (oito meses) são prematuros e não recebem alta imediatamente, ficam sob observação. Assim, se o bebê de Rose nasce normalmente, pela lógica temporal o de Sol teria quase um ano de gestação ao nascer.


A Globo não comentou o assunto, por se tratar de ‘ficção’.


OUTRO CANAL


Haydée 1 O clima anda ruim nos bastidores de ‘América’ por causa de uma série de furtos de objetos pessoais de parte do elenco. Na semana passada, a vítima foi Christiane Torloni, que interpreta a cleptomaníaca Haydée. Levaram R$ 300 da bolsa da atriz.


Haydée 2 Anteontem, a atriz Solange Couto colocou mais lenha na fogueira. Disse ao site ‘OFuxico’ que os furtos ocorrem desde o início da novela e que ‘todo mundo sabe quem é a safada’, mas que não se faz nada porque seria uma atriz, não uma humilde camareira.


Haydée 3 Por causa dos furtos, a segurança do Projac já estaria estudando a possibilidade de instalar câmeras em camarins coletivos. Há cerca de 200 câmeras de segurança no complexo de estúdios. A emissora não fala sobre o caso oficialmente.


Marca O telejornal ‘SBT Brasil’ marcou dez pontos no Ibope anteontem, audiência que só alcançara na estréia, em agosto, e bateu a Record no horário. O telejornal foi apresentado por Guilherme Menezes. A âncora titular está viajando nesta semana.


Diagnóstico Recuperado de uma intervenção cirúrgica, Mario Lucio Vaz, diretor-geral artístico da Globo, voltou anteontem ao trabalho. Uma das suas prioridades é fazer acertos em ‘Bang Bang’, novela das sete. A audiência está boa, mas a narrativa, avalia Vaz, está muito lenta para o horário.’



Laura Mattos


‘Por crianças, Carreirinha pára de beber’, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/05


‘Aos 36, Matheus Nachtergaele virou ‘rei dos baixinhos’. Carreirinha, o peão destrambelhado que interpreta em ‘América’, caiu no gosto da criançada. Em pesquisa da Globo, está entre os cinco personagens ‘mais queridos’. Em razão disso, a autora Glória Perez teve de mudar características do início da novela. Ele vivia embriagado e parou de beber. Também não apanha mais por qualquer motivo.


Nachtergaele vive cercado por crianças e recebe cartas. ‘Elas dizem para o Carreirinha ser mais obediente e aprender a ler.’ Abaixo, trechos da entrevista à Folha.


Folha – Por que o Carreirinha faz tanto sucesso com as crianças?


Matheus Nachtergaele – Foi uma surpresa. Ele é infantil, uma criança. Foi criado sem pai nem mãe, de casa em casa, não teve uma formação moral, não aprendeu a ler, não foi domado. A amoralidade que resulta disso é pueril e faz com que as crianças gostem dele. O fato de ser corajoso, de enfrentar o Laerte [Humberto Martins] e montar bois, também as atrai.


Folha – Ele apanhava muito, e isso parou. Foi em razão das crianças?


Nachtergaele – O próprio personagem foi impondo respeito. As pessoas foram dizendo: ‘Ai, acho que eu não quero bater não’. O personagem vai tendo vida e algumas coisas vão se modificando.


Folha – Como é o assédio dos pequenos quando você sai às ruas?


Nachtergaele – Forte. Fica um monte de criança acenando no trânsito. É bonito. Elas pedem autógrafo. Acontece de eu ir perto, de comer alguma coisa e, quando me dou conta, tem quatro, cinco crianças que migram das mesas delas para a minha. Falam sobre várias coisas, perguntam da novela. Recebo muita carta. Mandam também para o Carreirinha, dizendo para ele ser obediente, perguntando por que não entra na escola, por que não fica bonzinho.


Folha – Como foi a sua infância?


Nachtergaele – Morava na Chácara Flora [zona sul de São Paulo], numa chácara mesmo. Tínhamos uma casa grande, com árvores, cachorros, gatos, tartarugas, passarinhos, coelho. Uma vida muito atípica para um paulistano. Meus avós sempre moraram em Atibaia, em sítios, onde eu passava as férias. Tive uma infância rural na capital, graças a Deus, porque fico preocupado com essas crianças de apartamento. Pude ver um mundo de um jeito bom. Tive uma infância de brincar. Meu avô me ensinava a plantar, pescar.


Folha – Como deve ser a relação das crianças com a televisão?


Nachtergaele – Controladíssima. Se tivesse criança em casa, colocaria limites bem rígidos. Não retiraria totalmente porque não acho justo que ela não veja esse brinquedo de maluco. Tem de ver um pouco, mas fazer outras coisas.


Folha – E a novela das oito? É um programa para crianças?


Nachtergaele – Nem sempre é. ‘América’ pode ser assistida por crianças. Eu talvez ficasse preocupado com núcleos mais neuróticos, como o da Haydée [Christiane Torloni], e controlasse um pouco. Há horas em que as crianças podem ver e outras em que o adulto deve estar do lado, até para dar explicação. Não é um programa infantil, mas há personagens, como o Carreirinha, bons para crianças. Se fosse pai de uma criança, assistiria junto ou colocaria limite: ‘Você assiste às cenas do Carreirinha e de Boiadeiros e depois vai dormir’. Não sou contra a TV, mas acho que a criança tem de gostar de ler, de correr.’



REALITY SHOWS


Bruno Yutaka Saito


‘Clube das babás’, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/05


‘Foi uma espécie de ‘Psicose Jr.’. Jaqueline estava distraída, brincando com o bebê, quando apareceu um garotinho segurando uma tesoura pontiaguda nas mãos, em posição de ataque. Coisa boa não era. Em vez de grito histérico, ela disse, em tom grave, olhando no olho do menino: ‘Não pode! Isso machuca. Isso é feio!’. E saíram todos sem um arranhão, felizes até o próximo ‘ataque’.


A moça em questão, Jaqueline Souza Gonçalvez, 20, trabalha como babá e volta e meia se vê às voltas com crianças supermal-comportadas. Para lidar com elas, percebeu que seria necessário virar uma superbabá. E é nesse espírito que estréia hoje, no GNT, a série inglesa ‘Supernanny’.


Estrelado por Jo Frost, babá há mais de 15 anos, o programa tenta ensinar aos telespectadores técnicas de reeducação de crianças. Com outras atrações da TV, como ‘Anjinhos’ e ‘S.O.S. Babá’, ambos no Discovery Home & Health, ‘Supernanny’ fala para um público que cresce a cada dia: pais que trabalham fora o dia inteiro, deixando seus filhos aos cuidados de babás especializadas.


A convite da Folha, um grupo de cinco babás mais uma psicóloga assistiram a ‘Supernanny’ e ‘Anjinhos’ para saber se as lições dadas pela TV são eficazes ou não. No episódio de estréia do programa de Jo Frost, um garotinho rebelde domina a família: chora por tudo, se esconde embaixo da cama, dá tapas no pai. Há solução?


‘Sou quase igual à Supernanny’, diz Silvana dos Reis Cassimiro, 31. ‘Quando uma criança é mal-educada, uso as mesmas técnicas. Me abaixo, fico na sua altura, olho no olho e explico com voz bem decidida que ela está fazendo algo errado. Funciona.’


Jaqueline complementa: ‘Se você não ficar na altura da criança, imagina o pensamento dela! Você ali, grandona, gritando… Não vai entender nada’. Uma das principais técnicas de Frost é: estabeleça limites. Silvana concorda, ao relembrar o caso de um menino de quatro anos que tentou bater nela. ‘Peguei sua mão e perguntei, olhando no olho dele e com voz firme: ‘Eu bato em você?’. Ele: ‘Não’. Daí, eu disse: ‘Gostaria que você não batesse mais em mim’. Nunca mais fez isso’, diz Silvana.


No programa, o castigo de Frost consiste em deixar o menino sentado em uma escada. ‘Também faço isso’, empolga-se Lucielma Alves Santos, 43. Mas, em seu caso, a criança fica em um sofá. ‘Digo: ‘Você vai ficar aí sentadinha, pensando no que acabou de fazer. Você não está de castigo. Quando pensar bastante, me chame e peça desculpas’, explica Lucielma.


A psicóloga e diretora da Unire, empresa de formação de babás, Ângela Clara Corrêa, 44, diz que na vida real as coisas são diferentes. ‘A babá nem sempre tem a autonomia de Jo Frost. Como uma babá vai colocar limites em uma criança se a mãe não permite? Ela pode perder o emprego.’


Outra técnica


Já o também inglês ‘Anjinhos’ dividiu opiniões. Neste programa, quem faz as vezes de reeducadora é a psicóloga Tanya Byron.


Um dos pontos mais criticados foi o castigo sugerido por Tanya -deixar a criança birrenta de castigo durante alguns minutos em uma sala fechada. ‘Trabalhei em uma casa onde a mãe fazia isso’, diz Eliane Ferreira Galindo, 31. ‘Em certa altura, a criança até começava a gostar da situação e quebrava tudo no quarto.’


Outro ponto criticado pelas babás foi o fato de que a dra. Tanya sugere que os pais devem elogiar e dar prêmios ao filho que se comporta bem. ‘Comportamento bom não precisa de prêmio. A criança deve ganhar apenas um elogio. Senão vira chantagem’, diz Silvana. Todas concordam. Mas, depois, Lucielma diz, envergonhada: ‘Eu tô aqui quietinha porque acabo dando presentinhos…’. Ao final, todas aprovam, com ressalvas, as intenções das séries. A mais calada do grupo, Maria Auxiliadora Gonçalves, 30, conclui: ‘Foi bom ter visto os programas para aprender. Sou aquele tipo de babá boazinha’.


Supernanny


Quando: hoje, às 21h, no GNT


Anjinhos


Quando: sexta, às 22h, no Discovery Home & Health


S.O.S. Babá


Quando: sexta, às 13h e às 21h, no Discovery Home & Health’



***


‘Versão brasileira terá cores alegres’, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/05


‘O Brasil também terá sua própria ‘Supernanny’. Comprada do canal de TV britânico Channel Four pelo SBT, a versão nacional do programa ainda não tem data de estréia -pode ir ao ar tanto em novembro quanto no começo de 2006, nas noites de sábado.


Como se trata de uma franquia, a atração seguirá o mesmo formato do inglês, ou seja, uma família que tem problemas com filhos rebeldes receberá orientações da ‘nanny’. Mas algumas pequenas alterações serão necessárias, segundo o diretor Ricardo Perez, 27. ‘A nossa versão terá uma edição mais dinâmica, com menos planos-seqüência. Vamos usar cores mais alegres na ambientação, roupas etc.’


Outra diferença apontada por Perez é o tamanho das casas das famílias que participam dos programas. ‘Na Inglaterra, mesmo as classes sociais mais baixas têm casas grandes, espaçosas. Em São Paulo, não é qualquer família que tem uma casa com 100 m2 [espaço mínimo necessário para comportar a equipe de gravação].’


Em relação à garotada, Perez diz que as crianças brasileiras não se diferem muito das inglesas ou americanas. ‘A birra é muito parecida no mundo inteiro. Geralmente os pais são muito relaxados em qualquer parte’, afirma.


O canal ainda não escolheu quem encarnará a Supernanny local. Segundo o diretor, mais de 50 profissionais, entre babás, psicólogas, pedagogas e professoras, foram entrevistadas para a seleção; atualmente, há três finalistas. A escolha final depende de Silvio Santos. ‘Não há famosas participando. Queremos alguém com, no mínimo, dez anos de experiência, entre 35 e 60 anos.’’



TV PAGA


Etienne Jacintho


‘Líderes só retornam em 2006’, copyright O Estado de S. Paulo, 12/10/05


‘Paciência é a palavra de ordem para os fãs das séries Lost (AXN) e Desperate Housewives. Ambas foram líderes de audiência nos Estados Unidos na semana em que estrearam suas segundas temporadas, mas só chegarão ao Brasil no ano que vem. Segundo Sony e AXN, do primeiro semestre não passa. Nos Estados Unidos, Desperate Housewives estreou no dia 25 de setembro com uma audiência de 28 milhões de telespectadores. Já Lost, que teve sua segunda fase iniciada no dia 21 de setembro, teve público de 23 milhões.


A boa notícia vem para os viciados em CSI, que foi o líder no ranking da TV americana no primeiro episódio de sua sexta temporada, exibido em 22 de setembro. Foram 29 milhões de espectadores. O canal Sony exibe esse capítulo já em novembro, mantendo o intervalo de um mês de diferença entre EUA e Brasil, que costumava ser mantido pelos canais para que a defasagem não fosse tão grande.


Outra série que chegou ao Brasil com estrondo foi The L Word (Warner), que encerrou sua primeira temporada e só voltará ao canal também em 2006 com capítulos inéditos. A segunda, das três temporadas produzidas, já está garantida pela Warner.


A lista dos dez programas mais vistos na semana de 19 a 25 de setembro nos EUA inclui cinco seriados que são transmitidos no Brasil. CSI, Desperate Housewives e Lost arremataram as primeira, segunda e terceira posições respectivamente. CSI Miami ficou em quinto lugar e Grey’s Anatomy, em sexto. Without a Trace e Cold Case (Warner) também mantêm um bom ibope. E todas elas, claro, só devem voltar ao Brasil em 2006. Para apaziguar a espera, os canais utilizam as reprises. Uma opção para quem não quer rever episódios é assistir às novas séries que estrearam recentemente nos canais Fox, HBO e Telecine.’



HOJE É DIA DE MARIA


Luiz Carlos Merten


‘Hoje é dia de Rodrigo Santoro’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/10/05


‘No fim de agosto, o repórter estava em Nova York, realizando algumas entrevistas. Uma das entrevistadas foi a atriz Laura Linney, de O Exorcismo de Emily Rose. Conversa vai, conversa vem, o repórter lembrou-se de perguntar por Rodrigo Santoro, que dividiu a cena com Laura em Simplesmente Amor. Ela se desmanchou em elogios. ‘Rodrigo é um amor. Talentoso, bonito, um doce de pessoa. Vou ligar para ele daqui a pouco, porque hoje ele está fazendo aniversário.’ O repórter conta a história ao próprio Rodrigo, que o recebe em seu apartamento novo, no Alto Leblon. ‘Ela me ligou. Laura é muito bacana. Me deu uma força muito grande.’ Laura Linney tomaria um susto, se tivesse visto o Rodrigo que, naquele entardecer carioca, conversa com o repórter do Estado. Ele está tão magro que parece doente. Mas basta conversar dois minutos para perceber que está muito bem. ‘Emagrecer foi uma exigência para o papel da minissérie.’ A mini, na verdade micro, série estréia logo mais à noite, na Globo. Hoje É Dia de Maria – A Nova Jornada terá somente cinco capítulos, até sábado. Adianta bastante dizer que o personagem de Rodrigo chama-se Dom Chico Chicote. É, obviamente, inspirado no Cavaleiro da Triste Figura criado, há 400 anos, por Miguel Cervantes. Mas não há nada óbvio no novo trabalho televisivo de Luiz Fernando Carvalho. Ele elabora ainda mais seu êxito anterior, em Hoje É Dia de Maria.


‘Quando o Luiz Fernando anunciou o 2, fui logo dizendo que queria estar nesta. Foi muito legal. Além do formato musical, existe todo um conceito que liga esse trabalho às grandes fontes da literatura. Meu personagem não é Dom Quixote, mas é inspirado nele. Tem elementos do Idiota, de Dostoievski, e do Cândido, de Voltaire. Meu bordão na série destaca a importância do sonho. E o Luiz Fernando realmente tomou a figura física do Quixote como modelo.’ Ao natural, alto, magro, de cabelo curto, Rodrigo ficou uns dez anos mais jovem. Na microssérie, usa cabeleira, cavanhaque, um figurino que pode causar estranhamento, mas faz parte da magia do personagem.


Todo dia eram duas, quase três horas de maquiagem. E houve esse emagrecimento forçado. Rodrigo Santoro não se queixa. ‘Tive acompanhamento de um nutricionista que me preparou uma dieta muito equilibrada. Não passei fome. Pelo contrário, nunca tive uma alimentação tão saudável. Aproveitei e fiz uma limpeza do aparelho digestivo. Estou me sentindo ótimo.’ E está mesmo, basta ver o brilho no olho, o entusiasmo com que fala de Dom Chico Chicote. Emagrecer foi só uma das necessidades do papel. Ele também exigiu todo um trabalho de preparação física, que Rodrigo fez com um especialista de São Paulo, não um personal trainer, mas um artista que trabalha com pantomima e expressão corporal. Valeu a pena o esforço.


Com aquela estampa e a fama de astro global, Rodrigo poderia levar a típica vida de celebridade. À praia, ele prefere a piscina que tem em casa. É mais reservada. Há três anos namora a modelo Ellen Jabour, uma relação que já se estabilizou. Gosta de ficar quieto, no canto dele. Agora mesmo, deve estar no mato. ‘Vou tirar alguns dias de férias para repor as energias, porque tenho trabalhado sem parar’, disse há cerca de dez dias para o repórter. É como Rodrigo Santoro gosta. Seu nome poderia ser Trabalho. E é disciplinado. Este foi um ano de muitas novidades para o Neto de Bicho de Sete Cabeças, o filme de Laís Bodanzky que provou que o cara bonito era um verdadeiro ator.


Rodrigo começou o ano com o Hoje É Dia de Maria original. Emendou com a filmagem de Os Desafinados, o filme de Walter Lima Jr. sobre os primeiros passos (ou sons) da Bossa Nova. ‘Walter é um grande diretor. É meticuloso com o roteiro e o trabalho no set. Sabe colocar o ator à vontade e tirar da gente o que quer. Não é por acaso que ministra tantos cursos de cinema por esse Brasil afora.’ Os Desafinados conta a história da Bossa Nova pelo ângulo dos que não foram bossa-novistas. Há um boom de Bossa Nova no cinema brasileiro, com os documentários de Paulo Thiago (Bossa Nova) e o de Miguel Faria Jr. (Vinicius de Morais). A próxima etapa é a ficção de Walter Lima Jr., sobre um grupo de jovens que forma uma banda e tenta participar do célebre concerto no Carnegie Hall, em Nova York.


Eles são preteridos, mas não desistem do sonho. Vão a Nova York por conta própria e, na frente do Carnegie Hall, enquanto lá dentro se realiza o recital que projetou a música brasileira para o mundo, mostram a sua bossa. Rodrigo faz um pianista. Nunca havia chegado nem perto de um piano. Decidiu que, para fazer bem o personagem, teria de tocar. Comprou um piano, foi fundo no aprendizado. Não virou um grande pianista, mas no filme é ele quem toca e olhem que se trata de uma composição de Wagner Tiso especial para Os Desafinados. Mal terminou as filmagens – que incluíram uma semana em Nova York, com equipe reduzida, por causa dos custos -, no dia seguinte, ele já estava integrando a trupe de Luiz Fernando Carvalho. Houve todo um trabalho de preparação e interação do elenco de Hoje É Dia de Maria – A Nova Jornada. O grupo ensaiou, treinou, conviveu. ‘É como o Luiz Fernando gosta de trabalhar. E dá muito certo.’


Volta e meia Rodrigo faz seus papéis no cinema internacional, mas não tem intenção de investir nessa carreira. ‘Teria de morar em Los Angeles’, explica. Nem sonhar. ‘Adoro o Brasil, o Rio, a minha casa.’ Ele repõe as energias a toque de caixa e, no mês que vem, está em São Paulo para uma temporada. Vai fazer aqui o próximo filme de Philippe Barcinski, Não por Acaso, sobre pessoas obcecadas por algum tipo de controle. Rodrigo está entusiasmado com o roteiro, o diretor. Para o ano que vem, espera realizar um sonho – uma peça de teatro. Não vai ser um desses textos digestivos que os atores globais, quase sem exceção, fazem para ganhar dinheiro. Rodrigo Santoro quer ousar. Pode vir coisa muito boa daí.’



***


‘Maria vai parar na cidade e agora canta bem mais’, copyright O Estado de S. Paulo, 11/10/05


‘Rodrigo Santoro emagreceu 12 quilos para fazer o papel de Dom Chico Chicote na microssérie Hoje É Dia de Maria – A Nova Jornada. A primeira temporada de Hoje É Dia de Maria, no começo do ano, foi saudada como um acontecimento pelos críticos e pelo próprio público. Amparado em Portinari, Villa-Lobos e Câmara Cascudo, o diretor Luiz Fernando Carvalho criou, com o dramaturgo Luiz Alberto de Abreu, um trabalho nunca definido como menos do que maravilhoso. Maria está de volta. Sua jornada deve se encerrar nesta segunda temporada, esperam os criadores.


Há novidades. Maria (Carolina Oliveira) e todo o elenco agora cantam mais, porque Carvalho e Abreu escolheram o formato musical para contar a história de Maria na cidade, compondo 50 novas canções que vão aparecer em cerca de 80 intervenções musicais. E foram às fontes da literatura. O personagem de Rodrigo Santoro mistura elementos dos heróis de Dom Quixote, de Miguel Cervantes, Cândido, de Voltaire, e O Idiota, de Dostoievski. Para favorecer a integração da equipe, o diretor trabalhou como na primeira temporada – montou uma lona, uma bolha, como Rodrigo Santoro e todo o elenco a chamam, para abrigar a produção. Essa lona foi montada bem em frente ao complexo de estúdios da Globo, o Projac, em Jacarepaguá.


Com a elevada média de 36 pontos de audiência, Hoje É Dia de Maria estimulou a Globo e o diretor a investirem na seqüência. Mas Luiz Fernando Carvalho não se repete. Maria (Carolina Oliveira) está na cidade. Interage com novos personagens – a Cabeça (Fernanda Montenegro), que se queixa por não ter corpo; Dom Chico Chicote, que sonha em voar. Até os Asmodeus são outros – o Juiz (Stênio Garcia), o Marinheiro (João Sabiá), o Rábula (André Valli). O elemento social é mais forte. Denúncias da pobreza e da guerra caracterizam a nova jornada de Maria. A promessa é de outro grande evento na TV brasileira.’



TV RECORD


Tribuna da Imprensa


‘Record vai às compras’, copyright Tribuna da Imprensa, 11/10/05


‘Na próxima sexta-feira, uma comitiva da Record embarca com destino ao Mipcom (feira internacional para os profissionais do mercado de audiovisual), que vai acontecer entre os dias 17 e 21 deste mês, em Cannes, na França. Estão confirmadas as viagens dos bispos Gonçalves e Delmar, o diretor artístico Hélio Vargas e Elisa Ayub, diretora da área de cinema.


Um dos objetivos é ampliar as vendas da novela ‘A escrava Isaura’, hoje exibida em países como Guatemala, Nicarágua, República Dominicana, Peru, Venezuela, Portugal e Equador. Não será este o objetivo maior dessa viagem.


O interesse é investir forte na compra de novos produtos, principalmente filmes e formatos de novos programas, que possam contribuir de forma efetiva para o aumento quase imediato dos seus índices. Internamente, em conversas reservadas dos seus diretores, existem estimativas de que, no prazo máximo de seis meses, a Record já estará ocupando o segundo lugar de audiência.


Novo alvo


Um ator conhecido, cujo nome é mantido em segredo, iniciou entendimentos com a Record, para integrar o elenco da próxima novela, ‘Prova de amor’, que está sendo gravada no Rio e vai estrear no próximo dia 24. A única pista: é um global.


Uma pena (1)


Não existem informações se a Record pagou ou não R$ 15 mil ao ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho para participar do ‘Terceiro tempo’, ao vivo, na noite de domingo. Se pagou, gastou mal. Uma pena (2)


Jornalisticamente, o ‘Terceiro tempo’ nada acrescentou ao que já se sabia no ‘escândalo do apito’. Mesmo desconsiderando o excesso de merchandising e intervalos comerciais, colocaram sete ou oito pessoas para fazer perguntas. Só o repórter Fernando Fernandes, que é bom, poderia ter esgotado o assunto. Alguns, como o treinador Nelsinho Baptista, que ali caiu de pára-quedas, não tinha maiores informações sobre o caso. Chegou ontem do Japão. Outros, gastavam quase dois minutos para fazer uma pergunta.


Perderam excelente oportunidade de fazer um bom programa. Passando bem Clodovil, operado na semana passada, deve receber alta hoje do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele irá de helicóptero para uma clínica particular. Território No Rio de Janeiro, Globo e Record já estão se esbarrando em locações. Na madrugada da última quinta-feira, na Praia de Grumari, as equipes de ‘Prova de amor’ e ‘Bang bang’ gravaram praticamente lado a lado. Detalhe: o pessoal da equipe técnica da Globo aproveitou para dar uma espiadinha nos equipamentos da concorrente e rasgaram elogios: tudo digital. Cordialidade Pelo menos entre o pessoal da técnica das emissoras, existe uma grande amizade. É que até outro dia, muitos dos que hoje estão na Record Rio já trabalharam para a Globo.


Duro de acreditar


Na Festa Nacional da Música, evento promovido pelas gravadoras em Canela, no Rio Grande do Sul, Gretchen saiu em defesa do mercado pirata de CDs. Chegou a dizer que possui uma equipe que prensa seus discos. Foi aplaudida por Simony. Opositores Essa declaração da Gretchen foi imediatamente criticada por outros artistas, como Alceu Valença, Frank Aguiar e Lecy Brandão, que estavam no mesmo evento. Postura errada Evidentemente, isso tem muito a ver com a eterna briga de artistas contra gravadoras, Ecad e companhia bela. Só que um erro não justifica o outro. Ninguém pode ser a favor da pirataria.


Audiência


Record e SBT foram muito bem no domingo, com os seus longas-metragens inéditos. Exibido das 20h53 às 22h25, o filme ‘Era do gelo’, uma animação infantil, registrou 20 pontos de média e deu à Record o segundo lugar no horário. Chegou a ficar 7 minutos na frente da Globo, e, nesse horário, o SBT caiu para terceiro.’



 

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