Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Edianez Parente

22/02/2005 na edição 317

‘A TV Globo vai ter a festa de entrega do Oscar. A emissora assinou no mês passado um contrato de três anos com a Disney (detentora dos direitos do evento) para aquisição de programação (filmes, desenhos, seriados), mas a negociação para o Oscar foi feita posteriormente. Nos últimos cinco anos, a festa, a principal premiação do cinema mundial, tinha sido do SBT.

Falta ainda fechar junto à ABC/Disney o formato exato da transmissão, que não deverá ser direto e ao vivo na sua íntegra. Isto porque a festa começa às 22h de domingo (dia 27 de fevereiro), dia de ‘Fantástico’ e ‘Big Brother’, e não é da tradição da Globo mexer na sua grade para este tipo de evento.

De acordo com a CGCom (Central Globo de Comunicação), a emissora pode inserir flashes ao longo do ‘Fantástico’, seguido por um compacto do andamento da festa. Depois, na hora em que tradicionalmente entraria a sessão de filmes da noite de domingo, começaria a transmissão das grandes premiações, que acabam normalmente ficando para bem mais tarde.

Publicidade Ainda que a data do Oscar esteja próxima e o formato da transmissão, ainda indefinido, a Globo já levou às mesas do mercado de publicidade sua proposta de plano de mídia para o evento. Vale lembrar que a festa do Oscar neste ano foi adiantada em praticamente um mês em relação a anos anteriores, época mais difícil para as vendas de última hora porque, devido aos feriados, o anunciante requer um planejamento mais antecipado de seus budgets e planos de mídias.’



Eliane Pereira

‘Globo transmitirá o Oscar em TV aberta’, copyright MMOnline, 15/02/05

‘O SBT, que mostrou a premiação nos últimos cinco anos, não renovou contrato com ABC Disney; na TV paga, TNT tem exclusividade A Globo começou a oferecer nesta terça-feira, dia 15, ao mercado publicitário, duas cotas de patrocínio da transmissão de entrega do Oscar – ou Academy Awards, como faz questão a Academia de Artes e Ciências de Hollywood. A entrega será no dia 27, direto do Teatro Kodak, em Los Angeles, e deve entrar no ar, na Globo, após o Fantástico. O pacote inclui inserções no Jornal Hoje (dias 26 e 28) e no Bom Dia Brasil de segunda-feira (dia 28). O preço de tabela da cota é R$ 750 mil.

Vale lembrar que, até o momento, apenas o canal de TV paga TNT tinha garantido a transmissão da premiação (veja nota abaixo), incluindo a chegada dos astros e estrelas ao teatro (conhecida como o ‘tapete vermelho’). O canal a cabo fechou com cinco patrocinadores, sendo três renovações – Renault, Lux e McDonald’s – e dois novos anunciantes: Telefônica, com o serviço Speedy, e Blockbuster. Foram vendidas também duas cotas de apoio, para Nivea e Johnny Walker.

Nos últimos cinco anos, a transmissão do Oscar foi atração do SBT, graças ao contrato que a emissora mantinha com a ABC Disney e que não foi renovado. No início do ano a Globo fechou um contrato com a empresa norte-americana para exibição de conteúdo no Brasil (filmes e desenhos), mas que não incluía a transmissão da premiação.’



TV PAGA
Edianez Parente

‘TNT tem o maior alcance de 2004; Multishow fica em 2º lugar’, copyright Tela Viva News, 15/02/05

‘Fechados os dados do Ibope Mídia sobre os canais da TV paga de maior alcance entre o público adulto nas 24h do dia ao longo de 2004, alguns pontos se destacam: tal como em 2002 e 2003, o líder foi a TNT, agora com um alcance de 13,7%; com 1,6 pontos percentuais a menos, vem o Multishow, na segunda colocação, que supera o SporTV praticamente com a mesma margem. Em seguida figura a GloboNews e, na quinta posição está o Warner Channel.

No levantamento sobre 2003, a segunda colocação tinha ficado com a GloboNews e, em 2002, com o Warner Channel. Verifica-se também que, nos dois últimos anos, houve três canais da Globosat (Multishow, SporTV e GloboNews) entre os cinco primeiros colocados.

Média

No total, o conjunto dos canais pagos apresentou um alcance diário médio de 49,6%, ou 2,1 milhões de pessoas por dia; e um tempo médio diário de audiência de duas horas entre o público acima de 18 anos, segundo o Ibope. No segmento infanto-juvenil (dos 4 os 17 anos), as três primeiras colocações refletem as mesmas posições dos levantamentos mensais de 2004: Cartoon, Nickelodeon e Discovery Kids, respectivamente, seguidos também por TNT e Multishow. Nesta faixa de público, ao longo das 24h do dia, os canais da TV por assinatura apresentaram um alcance diário médio de 56,7%, ou 497 mil pessoas/dia, que gastaram em média 2h20 na frente da TV paga.’



AUDIOVISUAL EM DEBATE
Jaime Biaggio

‘O que é isso, companheiro?’, copyright O Globo, 16/02/05

‘Arrumar encrenca com a classe cinematográfica brasileira, estressada por natureza, pela fragilidade endêmica de sua posição perante governo e mercado, já não é difícil. Ainda mais com uma declaração como esta:

– Acho que o Brasil tem muito diretor de cinema. Deveria ter a metade, ou melhor, a metade dos diretores deveria fazer outra coisa, como dirigir táxi, trabalhar como dentista, virar comerciante.

Autor: Bruno Barreto, em entrevista à revista ‘Um’, que chegou às bancas na terça-feira de carnaval (antes, a frase já fora publicada na coluna Gente Boa, do Segundo Caderno).

A frase é virulenta. Saísse da boca de qualquer um, já daria confusão. Para complicar, não é qualquer um. É o máximo expoente do cinemão à brasileira dos anos Sônia Braga e filho do produtor mais influente do país naquele e noutros períodos. Justa ou injustamente, um nome facílimo de associar à noção de elite privilegiada. A declaração soa como um ataque à safra atual de cineastas, a mais numerosa que o Brasil já teve, devido à recente proliferação de escolas de cinema e à democratização natural da atividade gerada pelo advento de câmeras, edição e cópias digitais.

E, claro, Barreto explica que não era bem isso.

– Tiraram uma frase de contexto. Eu me referia à época da Embrafilme – diz ele, apesar de o tempo verbal da frase estar no presente e de, mais adiante na entrevista da ‘Um’, quando perguntado se se referia a gerações mais antigas, responder ‘Sim, mas tem agora também’. – Se você for pegar a lista de diretores que fizeram um filme então e nunca mais fizeram nada… é enorme. Eu costumo brincar, parafraseando o slogan da Varig da época, ‘Nunca foi tão fácil voar’, que nunca foi tão fácil filmar quanto no tempo da Embrafilme.

Enquanto ele brincava em Nova York, onde mora, alheio à polêmica, aqui seus companheiros de profissão não estavam achando a menor graça.

Ivan Cardoso concorda e aplaude

– Acho espantoso um cineasta como Bruno fazer uma declaração dessas. Talvez haja muitos cineastas nos EUA e por isso ele vem filmar aqui – diz o veterano Luis Carlos ‘Bigode’ Lacerda.

– Talvez ele ache isso porque no tempo dele só havia cinema no Rio e em São Paulo. Hoje é natural ter diretor de cinema em todos os lugares – diz o pernambucano Lírio Ferreira. – E quem repercute permanece na profissão. Não sei se existe da parte dele um temor estético, um temor econômico, não sei o que é.

– Eu discordo e não faz o menor sentido – diz o jovem diretor paulista Philippe Barcinski, admitindo não saber a que geração exatamente Barreto se refere. – Finalmente o país tem um volume de produção significativo, uma boa média tanto de quantidade quanto de qualidade. Não há excesso de filmes. Nunca esteve tão bom, ao menos nos últimos 20 anos, que acompanho com conhecimento de causa. E tem tanto problema real que levantar isso seria inventar um problema…

– Se ele disse que os diretores deveriam ir dirigir táxis, eu completo: talvez ele deva ir dirigir táxi – brinca Fernanda Torres, informada da declaração no Festival de Berlim, onde ‘Redentor’, de seu irmão Claudio, está sendo exibido.

Mas nem tudo são pedras: houve quem gostasse da frase.

– Eu sempre disse isso! Fico satisfeito de não precisar mais falar as coisas sozinho – festeja Ivan Cardoso. – Não é a metade. Uns 80% poderiam se aposentar. Aliás, deveriam ser cassados. Não são nem artistas nem fazedores de dinheiro. Os caras vão de fracasso em fracasso, com orçamentos cada vez maiores, e tiram o espaço dos cineastas de verdade, como eu, Mojica, Roberto Farias (Cardoso, que estava há anos sem filmar, começou esta semana a rodar ‘Amazônia misteriosa’) . Deveriam fazer um provão do cinema. Se fizessem isso, nunca iria ter o problema do Guilherme Fontes, por exemplo. Concordo com o Bruno. Com essa declaração, ele deixa de ser o bebê Barreto e se reabilita.’




PAPA & MÍDIA

Folha de S. Paulo


‘Mídia precisa da redenção de Cristo, diz papa’, copyright Folha de S. Paulo, 22/02/05


‘O papa João Paulo 2º pediu ontem que a mídia de massa ‘promova justiça e solidariedade’ reportando os fatos ‘de modo acurado e verdadeiro’, num contexto de ‘exercício maduro de liberdade e responsabilidade’. Em sua carta apostólica sobre a imprensa, intitulada ‘O Rápido Desenvolvimento’, o papa disse também que a Igreja Católica precisa aprender a usar melhor a mídia para transmitir sua mensagem.


Para o papa, ‘o desafio atual para cristãos e pessoas de boa vontade é manter uma comunicação verdadeira e livre’. Portanto, as populações devem ficar atentas para a qualidade da produção da mídia. ‘Até a mídia precisa da redenção de Cristo’, afirma a carta. A Igreja Católica faz críticas freqüentes à televisão, a filmes e a outros meios de comunicação por conteúdos que considera imorais, como sexo fora do casamento e homossexualismo.


O pontificado de João Paulo 2º teve ampla cobertura da imprensa. Mas a carta aponta que a igreja não consegue fazer uso da mídia. O arcebispo Renato Boccardo, que divulgou a carta, citou as críticas à comunicação do Vaticano no período em que o papa ficou internado, no começo do mês.


‘É necessário admitir que temos dificuldades’, afirmou Boccardo. ‘As relações com os meios de comunicação exigem uma mentalidade que temos de aprofundar.’ Na carta, o papa diz que ‘o fenômeno da comunicação impele a igreja a uma revisão cultural, para que possamos lidar com o nosso tempo’.


A carta também diz, porém, que ‘a igreja deve dar a conhecer suas atividades, como outras instituições. Mas ao mesmo tempo, se necessário, deve manter uma reserva, sem que isso impeça uma comunicação pontual e suficiente sobre as ações eclesiásticas’.


Boccardo advertiu que, na visão do Vaticano, a mídia passa por um ‘processo degenerativo’. Valores cristãos foram abandonados. ‘Basta lembrar como a televisão se tornou em grande parte um instrumento para agressões pessoais, um lugar para denegrir os outros e fórum para conflitos vulgares e de mau gosto.’


Para combater essa mudança de valores, o papa sugeriu a criação de um sistema que proteja ‘a dignidade do indivíduo, a primazia da família como unidade básica da sociedade e o relacionamento adequado entre as pessoas’.


O papa diz na carta que vê a internet como meio para os católicos evangelizarem as pessoas. Lembrando que ‘as verdades da fé católica não estão abertas a interpretações arbitrárias’, o papa diz que os católicos devem trocar opiniões ‘em um diálogo que respeite a justiça e a prudência’. Com agências internacionais’




MEIO AMBIENTE NA GLOBO

Carlos Tautz


‘O Aquífero Guarani no subsolo e o Globo Repórter, na superfície’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 22/02/05


‘Programa jornalístico de mais importante audiência no Brasil, o Globo Repórter em sua edição de sexta-feira passada (18 de fevereiro) descreveu a enormidade que é o Aquífero Guarani, a maior reserva subterrânea de água potável do planeta, que vai da Argentina a Minas Gerais, passando sob o território do Uruguai, do Paraguai e de nove estados brasileiros. É tanta água que seria capaz de atender ao consumo brasileiro por mais de dois mil anos. Isso mesmo: dois mil anos!


Mas, em vez de aprofundar a investigação sobre assunto de tamanha relevância, o programa ficou na superfície que tem caracterizado a maioria de suas edições dedicadas a temas ambientais e não abordou a principal dimensão do assunto Aquífero Guarani: a sua importância estratégica em uma conjuntura de acentuada disputa internacional por recursos naturais.


Aquele programa que já foi padrão de investigação jornalística não procurou saber as razões que levaram o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a tirar do Brasil, às vésperas da vitória da esquerda nas eleições presidenciais de 2002, a sede do Projeto Guarani, que mapeia o Aquífero, sem que até hoje se saiba como e quem vai utilizar essa informação estratégica em termos econômicos, ambientais e, até, militares. Àquela altura, o então cada vez mais provável governo Lula apontava incertezas em uma escala tal, que justificava a mudança.


Apesar desses componentes políticos determinantes, o Globo Repórter preferiu tratar o Aquífero com a fórmula do jornalismo peso-leve: misturou imagens belas e informações insólitas, como a da cidade paranaense que extrai do Guarani a água mineral com que lava ruas, e não evidenciou a importância dessa massa d´água para o futuro da humanidade e dos habitantes do Cone Sul da América do Sul em especial..


Embalou isso tudo numa descrição tecnicamente correta da amplitude física do manancial e, como de costume, não poupou recursos para garantir o excelente nível de plasticidade que caracteriza as produções da TV Globo. Restringiu a matéria a um tom ufanista que lembrou a ditadura militar e um tempo em que, no Brasil, tudo era ‘o maior do mundo’. Dedicou pouco tempo à uma entrevista em que dois pesquisadores alertavam para a necessidade de se resguardar o Aquífero e esvaziou tal afirmação grave, dado o contexto internacional. Deixou-a solta no meio da edição e desperdiçou a chance de fazer o que os pesquisadores pediam: alertar a opinião pública brasileira sobre um tema complexo.


Aliás, é bom dar as dimensões exatas do assunto. ‘O Aqüífero Guarani é um enorme reservatório de águas subterrâneas de 1 milhão e 200 mil km², que se estende pelos territórios do Brasil (840.000 km²), Uruguai (58.500 km²), Argentina (355.000 km²) e Paraguai (58.500 km²) uma área equivalente a dos países da Inglaterra, França e Espanha juntos. Esse manancial dispõe de um volume aproveitável de água da ordem de 40 km³/ano, 30 vezes superior à demanda por água de toda a população existente em sua área de ocorrência, cerca de 15 milhões de habitantes’, informa o saite da Agência Nacional de Águas (ANA).


Todo ano, são retiradas do Aquífero duas vezes e meia o total de águas que os 180 milhões de brasileiros consomem. Em várias das regiões de ocorrência dessa água, ela tem qualidade tão boa que dispensa caríssimos sistemas de tratamento. Está pronta para ser consumida por seres humanos, na agricultura e na indústria.


Além de 70% das águas do Aquífero ocorrerem em subsolo brasileiro, também se localizam no País as suas principais áreas de recarga, onde o Guarani tanto aflora quanto recebe água da chuva. Está nas universidades brasileiras a maioria dos estudiosos do Aquífero, que identificaram áreas de contaminação intensa e pesquisam formas de superar o problema. Fica no Brasil, portanto, o que os cientistas chamam de ‘massa crítica’ sobre o Aquífero, que vai se tornando de valor cada vez mais inimaginável, à medida que se generaliza a crise da água potável no mundo.


Apesar dessas características, não está mais sediada em qualquer cidade brasileira uma entidade que dispõem de 27,5 milhões para fazer a mais ampla pesquisa do Guarani. Desde março de 2003, a secretaria do Projeto Guarani, coordenada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e financiada por organizações multilaterais e governos europeus, funciona em Montevidéo, depois de deixar Brasília, onde se instalara anteriormente.


Talvez inesperadamente, agora o Projeto Guarani se defronta com a maior novidade da história do Uruguai: o governo do centro-esquerdista Tabaré Vasquez, que recém se elegeu com plataforma não-neoliberal, em oposição à pseudo-alternância sempre direitista entre Blancos e Colorados.


Porém, nada disso chamou a atenção do Globo Repórter. Como de praxe, sua cobertura ambiental prendeu-se ao que rende imagens candentes e um texto com alta carga de dramaticidade. Mas, que não aprofunda um assunto que não pode ficar na superfície.’

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