Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1062
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ENTRE ASPAS >

Edson Sardinha

05/10/2004 na edição 297

‘A Câmara vai dar explicações ao Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal sobre a demora na convocação dos jornalistas aprovados no último concurso público. O secretário– geral da Casa, Sérgio Sampaio, foi convidado a prestar esclarecimentos ao procurador Valdir Pereira da Silva na próxima quarta– feira (06/10), a partir das 14h30.

Depois de receber denúncia anônima, o Ministério Público do Trabalho instaurou um processo investigatório (440/04) para apurar se houve ou não irregularidade na contratação de jornalistas terceirizados após a homologação do concurso.

O resultado foi homologado no dia 27/04, o edital previa o aproveitamento de 31 profissionais aprovados para as áreas de rádio, TV e impresso, mas até agora ninguém foi chamado.

Há três possibilidades de desdobramento do encontro. O procedimento poderá ser arquivado, caso as explicações do diretor– geral geral sejam consideradas satisfatórias pelo Ministério Público do Trabalho. Se for constatado algum tipo de irregularidade, o procurador deve propor um ajustamento de conduta e fixar prazos para a convocação dos aprovados. E, ainda nesse cenário, na falta de um acordo entre as partes, o Ministério Público do Trabalho pode propor uma ação civil pública contra a Câmara.

Convocação ainda este ano

Na semana passada, o secretário de Comunicação da Casa, Márcio Araújo, afirmou ao Comunique– se que 69 aprovados serão convocados ainda este ano. A chamada depende da aprovação de um projeto de resolução que cria outras 38 vagas para preencher, na totalidade, os lugares que serão deixados por terceirizados e aposentados.

Segundo ele, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a substituição de todos os profissionais não concursados. O problema é que, desde a elaboração do edital, em 2002, o número de terceirizados saltou de 31 para 50.

‘Se não chamarmos todos de uma vez só vez para as 38 vagas restantes, além de não resolvermos o problema como um todo, corremos o risco de criar outro, com a possibilidade de quem está na seqüência da lista entrar com ação judicial para ocupar a vaga’, disse.

A demora na convocação tem provocado transtorno, revolta e preocupação entre os aprovados. Alguns perderam o emprego e outros se mudaram para Brasília na perspectiva de que seriam chamados logo. Eles alegam que a contratação de terceirizados depois de realizado o concurso, que tem validade de um ano, viola a Constituição.’



DIA DO COLUNISTA
Artur Xexéo

‘Um dia pra chamar de seu’, copyright O Globo, 03/10/04

‘Talvez vocês nem tenham se dado conta, mas sexta– feira foi o dia do… Colunista! Pensando bem, leitor desta coluna se dá conta de cada coisa que não duvido nada que tenha percebido isso também. De qualquer forma, saibam os leitores ou não, agora, assim como as mães, as crianças, as secretárias, o trabalho, o índio, o geógrafo, o químico e o soldado polonês, nós também temos a nossa data. Não temos mais uma atividade qualquer. Fazemos colunas, somos colunistas e nossa atividade – ou nosso ofício, como dizem os que exercem profissões sagradas – já tem dia para ser homenageada. E não é uma invenção da categoria, não. A data foi decretada em lei (número 4.406) da Assembléia Legislativa devidamente sancionada pela… governadora Rosângela Matheus! Uma eterna admiradora dos colunistas cariocas, dona Rosângela está tão entusiasmada com a idéia que estipulou que sejam ‘revogadas as disposições em contrário’. Por enquanto, o Dia do Colunista só existe ‘no âmbito do Estado do Rio de Janeiro’. Mas, como todo mundo sabe, a governadora está sempre na vanguarda da política nacional. Tenho certeza de que, a partir de agora, a homenagem se espalhará até o mais recôndito rincão nacional. Só falta combinar o seguinte: a governadora não poderá processar nenhum colunista por qualquer texto de colunas publicadas no dia 1 de outubro.

PARA QUEM FICOU CURIOSO, o Dia do Soldado Polonês é 18 de agosto.

SÓ FALTA AGORA A GOVERNADORA criar um dia para o grande parceiro do colunista, o divulgador. Sem o divulgador, como escrever colunas? De onde viriam notas como a que recebi na semana passada e que reproduzo aqui como incentivo para que dona Rosângela crie o Dia do Divulgador: ‘Amanda Françozo embarca logo mais à noitinha para Goiânia. A morena foi convidada para participar do Carna– Goiânia que acontece neste final de semana. Juntamente com a amiga e produtora Erika Orfei curtirão ( sic ) o som eletrizante de grupos como Chiclete Com Banana, Asa de Águia, Babado Novo, entre outros. Amanda Françozo nunca escondeu que carnaval fora de época é sua grande paixão. Não é a toa que está sempre presente nas principais micaretas que acontecem durante o ano.’ Quanta informação em tão poucas linhas! Foi revelado que carnaval fora de época é a grande paixão de Amanda Françozo. Que o Babado Novo é um grupo eletrizante. Que Erika Orfei é produtora e amiga de Amanda Françozo. que Amanda Françoso é morena. Só falta uma informação para a nota do divulgador ficar completa: quem é Amanda Françozo?

LEITOR MARCOS LEVI TENTA corrigir informação sobre o cine SuperBruni 70 lembrado em coluna recente: ‘O Bruni 70 nunca foi no Cinema Astória. Depois do Astória, veio a TV Excelsior e, depois, a galeria. O Bruni 70 foi e está desativado até hoje em frente à Praça Nossa Senhora da Paz’. Tréplica: este é o Bruni Ipanema. O Bruni 70 era no mesmo lugar do Astória, sim.

JÁ ESTÁ ANUNCIADO o próximo concerto de Nelson Freire no Rio: 9 de outubro no Municipal. Não sei não, mas, mais cedo ou mais tarde, Nelson Freire vai acabar no Circo Voador.’



HUMOR NA IMPRENSA
Álvaro Costa e Silva

‘Memória do humor nacional’, copyright Jornal do Brasil, 02/10/04

‘No recém– lançado Entre sem bater: o humor na imprensa: do Barão de Itararé ao Pasquim21, Luís Pimentel sugere a criação de um monumento ao humorista desconhecido. Não deixa de ser uma boa idéia, principalmente se adotada no Brasil, onde surge uma nova piada (em todos os sentidos da palavra) a cada minuto. Já dos humoristas conhecidos, o livro de Pimentel dá conta, prestando– lhes uma merecida homenagem, na qual ninguém foi esquecido: de J. Carlos e Belmonte a Angeli e Santiago; de Jaguar e Ziraldo a Glauco e Aroeira; de Ivan Lessa a Luis Fernando Veríssimo, sem esquecer de Chico Anysio e Jô Soares que, além de grandes comediantes, também são excelentes escritores de humor.

O ponto de partida e fonte de inspiração, como sugere o título da obra, é Aparício Torrely (1895– 1971), que se auto– agraciou com o título de Barão de Itararé e, cansado de apanhar da polícia política do Estado Novo, afixou essas três palavras – ‘Entre Sem Bater’ – na porta do seu jornal satírico A Manha (uma brincadeira com o nome do matutino A Manhã).

Luís Pimentel aponta Torelly como o ídolo dos maiores humoristas do Brasil, e os Almanaques, editados por ele, como precursores de toda a imprensa de humor e alternativa que surgiu no País a partir da década de 60, do Pif– Paf de Millôr Fernandes aos rapazes do Casseta e Planeta.

‘Não se trata de uma pesquisa histórica, não sou historiador. É, antes, uma reportagem, uma imensa crônica, uma declaração de amor e humor feita por um jornalista e escritor, que há muitos anos tem ganhado ou empatado a vida em meio a escritores, redatores e roteiristas de humor, cartunistas, chargistas, caricaturistas e autores de histórias em quadrinhos’, explica o autor na apresentação. Pimentel é modesto. Ele fez, sim, uma excelente reportagem, mas poderia ter ampliado o tema, dando– nos um livro mais alentado (são apenas 109 páginas, com inúmeras ilustrações indispensáveis ao assunto). Talento para isso não lhe falta: foi editor de Bundas e Pasquim21, escreveu para programas humorísticos da televisão como Zorra Total e colaborou com as revistas Mad e Papa– Figo, entre outras.

Nossa bibliografia a respeito é infelizmente curta, e uma obra como História da Caricatura no Brasil, de Herman Lima, em seis volumes, é uma raridade negociada a preço de ouro e mesmo a tapas, quando encontrada num sebo. Em compensação, a História do Brasil pelo método confuso, de Mendes Fradique, acaba de ganhar nova edição.

O tal ‘método confuso’ era uma versão sarcástica dos livros de história do país, que começou a ser publicado em 1917, sempre acompanhado por desenhos e caricaturas.

Publicada em livro, a estapafúrdia, mistura de épocas, fatos e personagens históricos, com alusões explícitas ao noticiário do dia, foi um dos maiores sucessos editoriais da década de 1920.

É um exemplo de que, se a memória é curta, nosso traço satírico é longo, e dos melhores que se pode encontrar no mercado, desde o marco que foi a publicação em 1837, no Jornal do Commercio, do Rio, da primeira caricatura. Entre as publicações pioneiras que se dedicavam ao humor, tanto gráfico como de texto, encontram– se A Cigarra, que iniciou sua primeira fase em 1910, e chegou a vender 25 mil exemplares por edição quinzenal, e Careta, que conquistou grande público e prestígio durante os anos 30.

Um fenômeno de vendas como O Cruzeiro, por exemplo, jamais abdicou do humor. Em suas páginas, pontificaram Millôr Fernandes (dando à luz o pseudônimo Vão Gôgo), Péricles e Carlos Estevão (o primeiro criador e o segundo continuador do impagável personagem Amigo da Onça). Ao deixar O Cruzeiro, Millôr lançou em 1964 – exatamente um mês depois do golpe militar de 1º de março – a revista quinzenal Pif– Paf, que teria apenas quatro meses de existência, com colaboradores de peso como Stanislaw Ponte Preta, Fortuna, Antonio Maria, Rubem Braga, Don Rossé Cavaca e, em seu formato de jornal tablóide, anunciou o surgimento do Pasquim.

Fundado em junho de 1969, já em plena vigência do AI– 5, o Pasquim é uma das mais revolucionárias experiências do jornalismo brasileiro e, por si só, mereceria um livro inteiro que o destrinchasse. Luís Pimentel, embora em poucas páginas, resume bem sua história e sua influência no surgimento, nas décadas de 70 e 80, de inúmeras publicações de humor e de idéias. Um dos destaques dessa safra é o Papa– Figo, debochado jornal recifense nascido em 1984, e que já publicou perto de 300 edições. A revista semanal Bundas, lançada em 1999 (30 anos depois do Pasquim) como uma tentativa de não deixar morrer o humor na imprensa, alcançou a marca de 77 números, mas foi obrigada a fechar suas portas por falta de compradores em bancas e ausência de publicidade. Ziraldo, o patrão, não desistiu e fez o Pasquim21. Este também não resistiu.

No último capítulo, Pimentel faz um ‘quem– é– quem’ do humor no Brasil. Quem vale a pena, ou risca a pena, está lá premiado com pequenos verbetes: Adão Iturrusgarai, Agamenon Mendes Pedreira (o colunista predileto de Sérgio Augusto, que assina a orelha do livro), Aldir Blanc, Aliedo, Alvarus, Borjalo, Carlos Eduardo Novaes, Claudius, Edgar Vasques, Henfil, irmãos Caruso, Lan, Laerte, Luís Peixoto, Loredano, Nani, Nássara, Ota, Redi, Reinaldo e muitos outros. Mesmo livrando a cara do autor, que pediu perdão antecipadamente por qualquer eventual esquecimento, ficam de fora nomes que fizeram ou ainda fazem humor de primeira, mas que são mais identificados na categoria de escritores, ou seja, uma coisa danada de séria: Manuel Antonio de Almeida, Lima Barreto, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Nelson Rodrigues, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, João Ubaldo, Dalton Trevisan. Aí, talvez fosse outro livro, que poderia se chamar O humor na literatura brasileira e que o Luís Pimentel poderia escrever.’



TEMPOS DIFÍCEIS
Carlos Heitor Cony

‘Memória dos tempos difíceis’, copyright Folha de S. Paulo, 01/10/04

‘Fiquei deprimido quando fui contratado, como jornalista fora do mercado, pelo Departamento de Águas e Esgotos com o dobro de salário e com menos horas de expediente. A primeira reportagem que me mandaram fazer era um comunicado a todos os jornais e emissoras de rádio e TV avisando que, devido a um acidente numa elevatória em Paracambi, faltaria água nos bairros da zona leste, na zona oeste, em algumas ruas da zona norte e em torno da praça Mauá.

Admiti que reportagem desse porte era melhor do que entrevistar defunto numa gaveta da geladeira do Instituto Médico Legal. E, ainda por cima, mais bem remunerada.

Por conta da melhor remuneração, adquiri novos hábitos e condições de me virar no caso de atrair namoradas, fixas ou circunstanciais, para o que mais me interessava.

No tempo das vacas magras, havia sempre aquele nó, aquele momento da verdade que botava tudo a perder. Não tendo dinheiro para apartamento próprio, a solução eram os quartos alugados em casa de ex– cafetinas, de homossexuais aposentados ou em via disso, que mantinham pequenos conjugados no centro da cidade, no Catete ou no Flamengo. Eram quartos sórdidos, em ruas manjadas que cheiravam a esperma e a cremes miraculosos que se vendiam em determinadas farmácias para evitar a gravidez. Naqueles dias, ainda não existia pílula anticoncepcional, e o uso da camisinha era considerado broxante por ambas as partes.

Bem verdade que, lá para as bandas de São Conrado e da Barra da Tijuca, se iniciava o florescente ramo dos hotéis de alta rotatividade, explorados inicialmente por um lendário Lima dos Hotéis, que, para os jornais, era tido ora como espanhol ora como búlgaro, mas seguramente não era nem uma coisa nem outra. Como o prefeito na época era o dr. Negrão de Lima e tendo sido Sua Excelência quem liberou a construção dos ditos estabelecimentos para encontros provisórios, sem necessidade de certidão de casamento ou de qualquer outro documento, rosnou– se pela cidade que o falso espanhol ou o falso búlgaro era o próprio Negrão de Lima.

Isso não vem ao caso. Vem ao caso é que os ditos hotéis ficavam distantes do centro da cidade, requisitando táxi na ida e na volta, aumentando o custo e nem sempre o benefício da viagem. Não havia linhas de ônibus para lugares tão remotos, e eu estava longe de ter o Honda Civic prateado que agora me transporta e com o qual deslumbro ex– colegas de Redação do jornal em que trabalhara naqueles inditosos tempos de Médico Legal e enchentes do rio Maracanã.

O jeito era afogar o ganso (a expressão era usual na época) nos quartos alugados por hora ou fração de hora, em conjugados, quarto e sala se– pa– ra– dos, às vezes nem tanto, o casal entrava, a ex– cafetina fazia sumário mas experiente exame da acompanhante para ver se se tratava de uma puta escrachada, capaz de dar alteração. Quando notava que era moça de família ou mulher casada e respeitável, abria um sorriso ao mesmo tempo cordial e sacana, desejando bom desempenho e pagamento adiantado.

No caso de um quarto e sala juntos, sem qualquer divisão, a regra era a dona ou o dono do imóvel perguntar quantas horas ou minutos o casal pretendia ficar, indicar o banheiro, garantir que os lençóis estavam limpos e sair, levando a chave, ficando de voltar na hora combinada.

Tantas e tais condições eram infamantes, diminuíam em parte o tesão, que só se manifestava nos minutos finais, por azar, justo quando expirava o prazo fatal e a cafetina fazia barulho com o molho das chaves, avisando que havia chegado. Qualquer prorrogação equivalia a um aumento proporcional no preço do aluguel.

E, ainda por cima, desgraça das desgraças, havia os porteiros. Ah! Os porteiros! Bastariam eles para estragar o prazer, a urgência do prazer. Faziam um exame descarado das acompanhantes, como se registrassem, na caverna mais funda da memória, as características físicas e as possibilidades de cada uma.

As mulheres, em geral, aceitavam as condições ultrajantes, menos o exame dos porteiros, o que me obrigava a um custo suplementar. Ia na frente, me entendia com eles, pedia que deixassem a portaria livre por meio minuto, pagava– lhes uma cerveja e, embora soubesse que de algum canto eles não se recusariam a fazer o exame de praxe, convencia a mulher de que a barra estava limpa.

Ora, tudo isso junto ou mesmo se– pa– ra– do, como os apartamentos mais dignos, dificultava a ação e não raras vezes a reação de tais rendez– vous, que, como a expressão ‘afogar o ganso’, caíram em desuso.

O recurso mais banal para convencer a parceira a relevar tantos infortúnios era apelar para a solução cabotina: a esqualidez da paisagem, o desolador cenário seriam compensados pela radiante presença do desejo, dos gritos, murmúrios e sussurros que estavam a caminho. E, umas pelas outras, a coisa funcionava, porque, se havia receio por parte da parceira, além do desejo, havia a curiosidade para ver como é que era. E era geralmente bom.’



NOTÍCIA PRIVADA
Ancelmo Gois

‘News no WC’, copyright O Globo, 04/10/04

‘O banheiro é um lugar de fazer muita coisa… além de sólidos e líquidos.

O restaurante carioca Barra Brasa, por exemplo, acha que mictório também é notícia. Mandou instalar nos seus TV ligada na Globonews.’

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