Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Eduardo Ribeiro

18/01/2005 na edição 312

‘A Editora Abril anunciou, neste início de semana, uma nova reestruturação em sua Diretoria Geral de Interesses, ou seja, aquela que engloba praticamente todas as publicações da empresa, exceção à Veja e à Exame.

São, em resumo, três grandes mudanças, como disse um dos diretores da Abril a este Jornalistas&Cia – Cenários, mas uma delas é estratégica para os jornalistas: a de atuar como gestores, comandando núcleos de negócios.

Na prática isso significa que a empresa, nessa nova experiência, está concentrando uma parte maior de poder nas mãos dos próprios jornalistas e de outros profissionais de comunicação e não mais de técnicos sem qualquer afinidade com o jornalismo ou com produtos jornalísticos.

A oportunidade é valiosa e certamente contribuirá para abrir novos horizontes profissionais. Mais importante: acordará os jornalistas para que assumam responsabilidades que, por desinteresse deles próprios, têm sido delegadas sem o menor constrangimento para terceiros, com as conseqüências de todos conhecidas (demissões em massa, achatamento salarial, excessiva jornada de trabalho, equipes reduzidas e/ou terceirizadas, expurgo dos profissionais mais experientes, redução de investimentos em conteúdo etc. etc. etc.).

Feito o preâmbulo, vamos à informação. Que mudanças são essas afinal?

1) Consolidação de cinco unidades de negócio da área de publicações em apenas quatro. Alto Consumo, a unidade responsável por Contigo e pelas revistas semanais populares, deixa de existir. Seu antigo diretor superintendente, Andres Bruzzone, vai atuar num novo projeto alocado na Secretaria Editorial, junto a Sidnei Basile. Essa mudança provocou uma dança de cadeiras e levou a um novo arranjo no portfólio de títulos. Todas as quatro novas UNs ganham alguns títulos e perdem outros. Elda Müller, que antes dirigia a UN Casa e Bem Estar, mantém, na nova UN (Consumo/Comportamento), uma parte de seus títulos (os da área Bem Estar) e assume as revistas da UN Estilo, que era de Luiz Felipe DÁvila. DÁvila, por sua vez, assume a UN Jovem, antes dirigida por Laurentino Gomes e agora reforçada com os títulos Bravo, Superinteressante, História e Religiões. A mesma UN Jovem perde o título Playboy, que agora estará na UN Turismo e Tecnologia, dirigida por Paulo Nogueira. Laurentino, por sua vez, assume os títulos da antiga UN Alto Consumo mais Casa Claudia, Arquitetura e Construção e Claudia Cozinha.

2) Criação de um novo nível de gestão na empresa. Cada UN agora é composta por dois ou mais núcleos de negócios, que serão dirigidos por publishers vindos das áreas editorial, de publicidade ou marketing. Esses publishers, que na prática são gestores de negócios de segmentos bem específicos (como casa e decoração), respondem aos diretores superintendentes das UNs que, por sua vez, se reportam ao diretor geral Jairo Leal.

3) A terceira novidade ocorre na área de publicidade. Um núcleo central passa a se responsabilizar pelo relacionamento e pelas negociações com as 30 maiores agências e clientes anunciantes, enquanto que as UNs ficam com a venda mais segmentada. Esse núcleo será ligado diretamente ao diretor geral e composto pelos atuais diretores de publicidade das UNs, Sandra Sampaio, Edu Leite, Sérgio Amaral e Marianne Ortiz.

Todas essas mudanças, como dá para se imaginar, terão reflexos grandes em outras áreas da empresa, mas isso ainda está em andamento.

Quem é quem na nova estrutura

A UN Consumo/Comportamento, dirigida por Elda Müller, conta com três núcleos: Consumo, dirigido por Cláudio Roberto Ferreira, com as revistas Elle, Estilo, Manequim e Boa Forma; Comportamento, sem diretor de núcleo e portanto com as publicações Claudia e Nova respondendo diretamente a ela; e Bem-Estar, dirigido por Alda Palma, com os títulos Saúde, Bons Fluidos e Vida Simples.

A UN Casa/Semanais, sob a responsabilidade de Laurentino Gomes, abrange os núcleos Casa e Construção, que tem como diretor Ângelo Derenze, com Casa Claudia, Arquitetura e Construção e Claudia Cozinha; Semanais, cuja diretora é Cynthia de Almeida, reunindo Tititi, Minha Novela, Anamaria, Viva Mais e Faça e Venda; e Celebridades, sem diretor de núcleo e que, portanto, se reportará diretamente ao Laurentino, com a Contigo.

A UN Cultura/Jovem foi entregue a Luiz Felipe D’Avila. Integram-na os núcleos Jovem, dirigido por Adriano Silva, com os títulos Superinteressante, Mundo Estranho, Super Surf e Capricho; Infantil, sob o comando de René Agostinho, reunindo as revistas Recreio, Disney e Atividades; e Cultura, dirigido por Helena Bagnoli, com Bravo, História, Religiões, Almanaque Abril e Guia do Estudante.

A quarta UN é a de Turismo e Tecnologia, que permanece sob a batuta de Paulo Nogueira. Fazem parte dela os núcleos Turismo, comandado por Caco de Paula, com as revistas Viagem e Turismo, Guia Quatro Rodas e National Geographic; Homem, respondendo diretamente ao Paulo, com os títulos Playboy, Vip, Placar e Quatro Rodas; e Tecnologia, dirigido por Alexandre Caldini, com Info e Info Corporate – Alexandre acumula as funções do novo cargo com a Diretoria Corporativa de Marketing Publicitário, que, em março, terá um novo responsável.’



NOVA GAZETA DE ZURIQUE
Claudinê Gonçalves

‘Nova Gazeta de Zurique comemora 225 anos’, copyright Swissinfo, 12/1/05

‘Um dos jornais mais influentes da Suíça tem todas as razões para festejar.

O primero número da Neue Zürcher Zeitung foi publicado em 12 de janeiro de 1780, nove anos antes da Revolução Francesa. Hoje vende 155 mil exemplares na Suíça, tem mais de cinqüenta correspondentes no estrangeiro e uma edição internacional.

Em 1780, quando foi lançado, o jornal chamava-se Zürcher Zeitung. O ‘Nova’ foi acrescentado somente … em 1821.

No início, a tiragem era de mil exemplares e já afirmava a tendência liberal, quando ‘Zurique ainda era dominada pelas corporações e pela aristocracia, que controlavam a informação’, escreve Conrad Meyer em seu livro ‘A Empresa NZZ 1780-2005’, agora publicado. Ele é o atual presidente do conselho de administração da NZZ.

Edição internacional

A tendência liberal sempre foi mantida e, em 2003, em pesquisa feita em 50 países, a NZZ foi citada como o terceiro melhor jornal do mundo, depois do New York Times e do Financial Times.

O diário zuriquense tornou-se fonte indispensável para os meios políticos, econômicos e culturais na Suíça devido a prioridade absoluta dada à informação, descartando sistematicamente a emoção e a diversão, admitidas moderadamente apenas na edição dominical.

A NZZ procura sempre analisar e contextualizar a informação e tem um cuidado especial com a língua. É o único jornal suíço que tem uma edição internacional, impressa na Alemanha, onde vende 20 mil exemplares. A edição nacional tem tiragem de 155 mil exemplares.

Primazia do conteúdo

Como a primazia é a qualidade do conteúdo, a forma fica em segundo plano. Daí o aspecto sóbrio e quase arcaico do jornal.

Outra particularidade é o grande número de correspondentes – mais de cinqüenta -no estrangeiro. Por exemplo, mantém cinco jornalistas nos Estados Unidos, três em Berlim, três em Londres e três em Paris. O caderno extrangeiro da NZZ é considerado o melhor da Europa por muitos observadores.

Para manter a tradição liberal e a qualidade da informação, a empresa também tem uma administração particular. Desde que a sociedade anônima (SA) foi fundada, em 1868, ela é controlada pelo conselho de administração que nomeia o redator-chefe.

Os estatutos impedem que o jornal seja controlado por interesses particulares. O conselho de administração pode recusar a inscrição de um acionista, que só pode ser uma pessoa física, cidadão suíço, de espírito liberal. O máximo que cada acionista pode deter é 1% do capital.

Primeiras perdas

Em 2002, o jornal foi deficitário pela primeira vez (50 milhões de francos suíços). O presidente do conselho de administração, Conrad Meyer, conta que, na assembléia geral dos acionistas que ele qualifica de ‘legendária’, ninguém criticou o déficite e só houve preocupação em manter a qualidade redacional.

A situação foi sanada com corte de 10% do pessoal e os acionistas renunciaram temporariamente aos dividendos.

A continuidade também é uma constante na NZZ. O redator-chefe, Hugo Bütler, está no cargo há 20 anos e os editores há mais de 10, em média.

Muitos criticam a Neue Zürcher Zeitung por considerá-la muito próxima do Partido Radical (PRD) – de direita e um dos maiores do país – mas todos reconhecem a competência e a seriedade da informação estampada diariamente em suas páginas.’



CRISE NO NY TIMES
O Estado de S. Paulo

‘´NYT´ enfrenta os desafios de olho no futuro’, copyright O Estado de S. Paulo, 18/1/05

‘Uma reportagem na última edição da revista BusinessWeek mostra que o mais importante jornal do mundo, o The New York Times, passa por um momento em que está repensando o seu futuro. Segundo a revista, entre os desafios que o Times está tendo de enfrentar, estão a falta de crescimento no número de assinantes, a polarização política dos Estados Unidos e a internet, além de problemas financeiros.

De acordo com a BusinessWeek, a ação da New York Times Co., controladora do jornal, está sendo negociada a US$ 40, o que representa uma queda de 25% em relação ao seu maior valor – US$ 53,80, alcançado em 2002. Além disso, seu desempenho vem sendo há um ano e meio inferior ao de outras empresas jornalísticas.

A BusinessWeek lembra que o dono do jornal, Arthur Ochs Sulzberger Jr., já salvou o Times pelo menos uma vez. Para isso, ele adotou uma solução radical para evitar a queda de circulação. Ele investiu muito dinheiro para criar novas seções e publicar muitas ilustrações coloridas no jornal.

Depois do escândalo com seu repórter Jayson Blair, que inventou várias reportagens, o Times voltou a fazer mudanças, remodelando várias seções e melhorando sua cobertura sobre cultura no mundo. O problema, segundo a BusinessWeek, é que essas alterações ainda não se refletiram na circulação, que cresceu apenas 0,2% em 2004.

A escassez de anúncios é outro problema do tradicional jornal. Até novembro, sua receita publicitária cresceu apenas 2,3% em relação a 2003. Bem menos do que a média de crescimento do setor jornalístico americano como um todo, que foi 9,7% nos primeiros nove meses de 2004.

A polarização política do país, segundo a reportagem, também tem prejudicado o Times. Grande parte dos americanos não parece interessada num jornalismo isento, como o jornal se propõe a fazer, mas quer coberturas que reafirmem seus crenças partidárias.

A BusinessWeek conclui que o Times, assim como todas as publicações impressas, enfrenta ainda um outro impasse. A maioria dos leitores lê o jornal pela internet, mas 90% de suas receitas vem da edição impressa. Para John Battelle, um dos fundadores da revista Wired, citado pela reportagem, ‘o modelo de negócio que parece justificar as despesas para se produzir um jornalismo de qualidade não está crescendo, e o que está crescendo – a internet – não está produzindo dinheiro suficiente para produzir jornalismo de qualidade’.’



BUSH E A IMPRENSA
Paulo Sotero

‘Bush adota estratégia da ´irrelevância da mídia´’, copyright O Estado de S. Paulo, 16/1/05

‘Dez meses depois da revelação de uma sucessão de fraudes jornalísticas perpetradas por um jovem repórter do New York Times, as demissões punitivas de cinco produtores e executivos da Divisão de Jornalismo da TV CBS, na semana passada, estilhaçaram a reputação de outra instituição da grande imprensa americana. No NYT, o caso resultou na queda dos dois principais executivos do mais influente jornal dos EUA – o diretor de redação, Howard Raines, e o editor-chefe, Gerald Boyd.

Motivado pelo uso de documentos forjados para provar uma denúncia provavelmente verdadeira – a de que o presidente George W. Bush deixou de cumprir suas obrigações de piloto da Guarda Nacional do Texas no início do anos 70, onde prestou serviço militar, e safou-se de ser mandado para o Vietnã – , o episódio expôs os podres da CBS. A emissora foi pioneira no grande telejornalismo americano e pôs um triste ponto final da carreira de Dan Rather, seu o veterano âncora, que se antecipou à divulgação dos resultados da investigação interna feita pela CBS, anunciando a decisão de aposentar-se em março.

As debacles do New York Times e da CBS News em menos de um ano, e outros casos semelhantes que ocorreram nesse intervalo, alimentam a perda de credibilidade da mídia tradicional entre os americanos.

De acordo com um levantamento que o Pew Center for the People and the Press faz periodicamente há vinte anos, a proporção dos americanos que acham que a grande imprensa reporta os fatos corretamente caiu de 55% em 1985 – considerada baixa na época – para 36% hoje. A erosão da credibilidade da mídia obviamente tem facilitado a estratégia de comunicação hostil à imprensa do governo Bush.

‘No pós-guerra, esta Casa Branca é diferente das anteriores no sucesso que vem tendo em ignorar a imprensa tradicional’, disse ao Estado Ronald Elving, editor sênior da National Public Radio e professor visitante da American University, onde dá um curso sobre as relações entre imprensa e governo. ‘Era difícil penetrar na Casa Branca de Reagan, mas sua estratégia de comunicação incluía o uso da mídia. Esta administração, com exceção dos cuidados que toma com os aspectos visuais do poder, não se importa muito com a imprensa: quase não usa os vazamentos de informações, não costuma antecipar anúncios de grandes iniciativas aos jornalistas que cobrem a Casa Branca e não demonstra interesse nos jogos que administrações passadas jogaram com a mídia.’

Segundo Elving, ‘a mentalidade de crise que se instalou no país depois do 11 de Setembro ajudou Bush a alijar a imprensa e apresentar a decisão como algo do interesse nacional e necessário até à segurança nacional’. Com o mesmo argumento, o governo não apenas limitou o acesso da imprensa às suas decisões, como levantou novas barreiras à obtenção de documentos dos arquivos oficiais, garantida pela Lei de Liberdade de Informação (FOIA). Essa legislação foi adotada nos anos 70, em conseqüência do escândalo do Watergate, para tornar o governo mais transparente.

A ordem, hoje, é negar, em princípio, todos os pedidos. E usar as oportunidades que se apresentam para manter jornalistas contra a parede, mesmo quando isso envolve profissionais da imprensa que simpatizam com a administração. É o caso de Judith Miller, uma veterana repórter do New York Times que ajudou a construir o falso argumento sobre a existência das armas de destruição em massa no Iraque, que Bush usou para justificar a invasão do país. Ela poderá passar meses na cadeia por resistir a revelar fontes de uma reportagem que nunca escreveu.

Ken Auletta, o prolífico crítico de mídia da revista New Yorker, foi o primeiro a descrever a estratégia sobre a ‘irrelevância da mídia’ adotada por Bush. Num extenso artigo que publicou em março, Auletta descreve um esclarecedor diálogo de Bush com jornalistas que cobrem a Casa Branca, durante um churrasco em seu rancho no Texas.

O presidente começou a conversa dizendo que só lê as páginas de esportes dos jornais e nunca assiste aos noticiários da televisão. ‘Como, então, o senhor fica sabendo o que o público pensa?’, perguntou-lhe um repórter. Bush respondeu: ‘Você está fazendo uma enorme suposição, a de que você (da imprensa) representa o que o público pensa.’

Tensão sempre existiu entre a Casa Branca e a imprensa. ‘O que parece novo na Casa Branca de Bush é a incomum capacidade que demonstrou de manter a maior parte da imprensa longe, ao mesmo tempo em que controla a pauta do noticiário’, afirmou Auletta. ‘Talvez pela primeira vez a Casa Branca tenha passado a ver os repórteres como um advogado em busca de maior acesso e melhores manchetes, como se a imprensa fosse simplesmente um outro grupo de pressão, e um grupo de pressão que não é nem de perto tão poderoso como já foi.’

Para Elving, o desastre político e militar que se desenha no Iraque poderá forçar Bush a reavaliar sua relação com a imprensa. ‘Mas não há garantia, pois setores importantes da imprensa parecem persuadidos sobre os méritos da política da administração.’ Elving admite, porém, que, às vésperas de inaugurar seu segundo mandato, o ultraconservador presidente americano saboreia o sucesso de uma estratégia de ignorar a imprensa tradicional. Essa estratégia – diz ele – ironicamente muito deve à explosão dos novos meios de comunicação eletrônica, da televisão a cabo à internet e aos novos sistemas de difusão de informação baseados na telefonia celular, que, supostamente, levariam a uma democratização do poder.

Richard Viguerie, o publicitário da ultradireita americana que ajudou a levar Ronald Reagan ao poder, em 1981, transformando a mala direta em arma de divulgação de propaganda política, descreveu o fenômeno num livro intitulado A Virada à Direita da América, no qual explica ‘como os conservadores usaram os meios novos da mídia e a mídia alternativa para tomar o poder’.’

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