Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > SEGREDO

Elder Ogliari

28/09/2004 na edição 296

‘A RTP 1 começa a exibir amanhã a série Segredo, que está sendo gravada em Porto Alegre e Canela, no Rio Grande do Sul, com equipes de diretores e atores portugueses e brasileiros. ‘Esse projeto da emissora vai mostrar em ficção a presença portuguesa no mundo’, explica a diretora adjunta de programas da RTP, Maria São José Ribeiro. ‘A próxima série, provavelmente, será ambientada em Angola’, adianta. Os 60 episódios, com histórias fechadas, mas sempre ligadas à trajetória dos personagens centrais, vão ao ar em horário nobre, às 21h15 de sábados e domingos.

A série tem ingredientes de história moderna, ao colocar como personagens executivos de uma poderosa empresa de telecomunicações que adquiriu companhias brasileiras no processo de privatização. Dois dos principais personagens são irmãos e rivais que trabalham na fictícia Telcom. Um deles saiu de Lisboa para descobrir o paradeiro do suspeito da morte do pai, ocorrida em 1971. E encontra quem procura na condição de rico proprietário de terras em Canela, na serra gaúcha. Decide, então, entrar numa disputa local, aliando-se a um adversário do fazendeiro. Mas viverá o dilema de escolher entre o amor pela filha do inimigo ou a vingança.

O roteiro é assinado pelos brasileiros Izaías Almada e Pedro Zimmermann e pela portuguesa Patrícia Müller. A lisboeta Patrícia Sequeira e o gaúcho Paulo Nascimento dirigem as gravações, sob a direção-geral do cineasta português Leonel Vieira. Para o Estado do Rio Grande do Sul e para a prefeitura de Canela, que ofereceram ajuda na infra-estrutura, a série servirá como propaganda. Diversas passagens de cenas contam com caprichadas cenas de belezas naturais do pampa e da serra e de atrativos urbanos da capital gaúcha.

Toda a montagem é feita nos estúdios da Accorde, produtora de Nascimento, um diretor que começa a colher resultados de sua insistência em criar um núcleo de teledramaturgia no Rio Grande do Sul.

‘É maravilhoso que produções como essa sejam feitas aqui, abrindo mercado de trabalho também fora do eixo Rio-São Paulo’, afirma, entusiasmado, o ator Clemente Viscaino, que alterna participações em projetos no sudeste e no sul do País e que atua em Segredo como detetive particular.

Entre os outros 29 atores brasileiros estão Sirmar Antunes (Neto Perde Sua Alma), Ingra Liberato (Pantanal e O Clone, entre outras novelas) e Araci Esteves (Anahy de las Misiones). Entre os 13 portugueses estão Helena Laureano (A Casa dos Espíritos), Paulo Pires (Salsa & Merengue) e Maria João Bastos (O Clone). As gravações devem terminar no início de novembro.’



3X4
Renata Gallo

‘Produtora independente grava mesa-redonda gay’, copyright O Estado de S. Paulo, 24/09/04

‘Foi inspirado no Manhattan Connection e no Saia Justa, ambos do GNT, mas o 3×4, programa que está sendo produzido em parceria com as produtoras Mesa 2 e TV 7, passa longe do tom sisudo do primeiro e do deboche do segundo. Ainda sem canal, a atração será comandada por três representantes da diversidade sexual, como gosta de definir seu criador e diretor Fernando Cardoso.

‘Não é um programa gay, mas um programa feito com representantes de uma minoria. A opção sexual não será o fundamental, mas sim as opiniões dos apresentadores’, diz Cardoso, que procurou pessoas que não fossem estereotipadas para o programa – ‘não queria a machona, a bichinha e a drag’, explica.

Os apresentadores serão Milly Lacombe (editora da Revista TPM), André Fisher (diretor do Mix Brasil, portal GLS) e Cláudia Wonder, transexual que, nos anos 80, foi líder da banda de rock Jardim das Delícias e, atualmente, faz palestras sobre a diversidade sexual em escolas públicas.

A atração terá quatro blocos com assuntos distintos. Cada apresentador vai comandar um, sempre com a presença dos outros e de um convidado heterossexual. A última parte será uma conversa com o convidado.

O programa piloto teve Mônica Waldvogel como convidada. Nele, a primeira parte foi dedicada à apresentação dos âncoras, a segunda falou sobre infidelidade e a terceira, sobre homens metrossexuais. Segundo Cardoso, a idéia não é levantar a bandeira às causas GLS, mas diminuir o preconceito.

‘Quando falam que uma pessoa é travesti, parece que ela não é mais nada. Não podemos reduzir uma pessoa à sua opção sexual. Eles estarão lá não porque são homossexuais, mas porque são inteligentes e bem informados’, diz.

O 3×4, mesmo sem ter data de estréia ou emissora, já tem um concorrente. Em novembro, o Canal 21 estréia Um Olhar, uma mesa-redonda gay.’



TV & FUTEBOL
Valéria Zukeran, Fábio Hecico, Marcos Rogério Lopes e Bruno Lousada

‘É a TV que afasta o público?’, copyright O Estado de S. Paulo, 22/09/04

‘Dirigentes acham que colabora, mas divergem nas queixas. A violência é outro obstáculo

Domingo, 18 de setembro. No Estádio do Morumbi, 31.180 pessoas passaram pelas catracas para ver o clássico entre Corinthians e São Paulo. Mas as TVs Globo e Record transmitiram o confronto para a capital e a Grande São Paulo.

Segundo dados das emissoras, a Globo conseguiu 27 pontos de audiência nessa região e a Record 4. Cada ponto corresponde a 49,5 mil domicílios com, em média, três pessoas assistindo à TV. Assim, 4.306.500 viram o clássico ‘na praça’ da partida. Estaria esse fator influenciando as constantes quedas de público em jogos que há poucos anos lotavam estádios, juntamente com os problemas da baixa qualidade técnica dos jogos e da falta de segurança nos estádios?

Para o vice-presidente de Futebol do Corinthians, Antonio Roque Citadini, os torcedores se sentem desestimulados a ir ao estádio. E dá números para exemplificar isso. ‘Quando um jogo não passa na TV, nós vendemos antecipadamente uma vez e meia mais ingressos. Seria o seguinte: se compram 20 mil numa partida televisionada, comprariam 50 mil se não tivesse a televisão.’

Citadini conta que, desde o fim dos ‘mata-matas’, com o advento do campeonato por pontos corridos, ficou muito vago no contrato com as emissoras quais jogos poderiam ser transmitidos. ‘Antes, apenas partidas decisivas como semifinal e final iam para o ar, mas hoje, como todas as rodadas teoricamente têm importância, ficou a cargo das TVs a escolha.’ E o dirigente considera seu clube injustiçado. ‘Não tenha dúvida de que vão preferir passar os jogos do Corinthians, porque dá sempre audiência. E nisso a gente é que sai prejudicado, claro.’

Compensação – Por outro lado, o São Paulo não se incomodou com a transmissão do clássico para a capital. De acordo com o superintendente de Futebol, Marco Aurélio Cunha, o clube não sofreu prejuízos, pois as cotas da televisão sempre superam o valor destinado pela arrecadação nas bilheterias, de 15%. ‘E as TVs têm direito, por contrato, de transmitir jogos para a praça, então temos de respeitar’, disse.

Marco Aurélio comemorou, inclusive, a presença dos 31.180 pagantes ao Morumbi, segundo maior público do Brasileiro. ‘Foi muito bom, ainda mais nas condições dos times, que estão em posições intermediárias, sem lutar pela liderança.’ O dirigente não acreditava em muito mais pessoas no estádio em caso da não transmissão para a capital. ‘Não teríamos 60 mil no Morumbi, com certeza. Talvez uns 30% a mais’, afirmou. Levando em consideração a matemática do são-paulino, o público poderia ultrapassar os 40 mil e ser o melhor do Nacional. Até agora, o líder do ranking é o confronto Palmeiras x Corinthians, dia 29 de agosto, pela 27.ª rodada. A vitória corintiana por 1 a 0, gol de Jô, foi presenciada por 35.229 pagantes.

Flamengo – O presidente do Flamengo, Márcio Braga, acredita que a transmissão no Estado do Rio de jogos da equipe rubro-negra, quando ela atua em casa, contribui para diminuir o número de torcedores nos estádios. O dirigente, porém, lembrou que Palmeiras, Corinthians, Vasco, Flamengo e São Paulo deram à Rede Globo o direito de escolha das partidas transmitidas.

‘Esses clubes recebem um maior porcentual de cota televisiva porque têm maior exposição da mídia. Também acho que tem muito jogo pela televisão’, declarou Braga. Mas é claro que é mais vantajoso para a Globo passar ao vivo o clássico entre São Paulo e Corinthians do que partidas de Figueirense ou Criciúma. O Ibope é maior’.

Violência – A falta de segurança nos estádios é certamente um outro obstáculo para os torcedores. Só neste ano, duas mortes em clássicos paulistanos. Domingo, o são-paulino André Silva Feliciano, de 17 anos, foi baleado após a partida com o Corinthians. Dia 2 de maio, o corintiano Marco Gabriel Soares, de 16 anos, foi espancado pelos rivais palmeirenses depois do confronto das duas equipes. Morreu dois dias depois.’



Daniel Castro

‘Petrobras compra futebol e ganha notícia’, copyright Folha de S. Paulo, 24/09/04

‘A Petrobras fechou um acordo com a Record em que terá até o final do ano uma série de reportagens em jornalísticos da emissora.

A Folha apurou que a ‘parceria’ inclui um ‘Repórter Record’, 22 reportagens no ‘Domingo Espetacular’ e uma série com Ana Hickmann no ‘Tudo a Ver’.

O ‘Repórter Record’ já foi ao ar, no último dia 13. O programa mostrou a plataforma de extração de gás ecologicamente correta Urucu. A produção foi da Record, mas a Petrobras cedeu helicóptero e ‘imagens complementares’. Quase não se falou de Petrobras, mas foram mostrados aspectos positivos dela, como reflorestamento e alfabetização de adultos.

No ‘Domingo Espetacular’, a ação da Petrobras deve ganhar o selo ‘Repórter Radical – BR’ e terá como pano de fundo investimentos da estatal em esportes e ambiente. Uma reportagem, sobre trilhas e cachoeiras, foi gravada em área preservada pela Petrobras. Hickmann fará reportagens que enquadrem investimentos da estatal em cultura.

A Petrobras fechou em junho a compra de uma cota de patrocínio do futebol da Record, por R$ 12 milhões, e levou a ‘parceria’ jornalística como ‘bônus’.

Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da emissora, diz que ‘é uma parceria de produção em que a Record tem plena liberdade editorial’. ‘A Record não comercializa editoriais’, afirma. A Petrobras não se manifestou.

OUTRO CANAL

Fora 1

Há menos de um ano no cargo de superintendente comercial, Antonio Athayde deixou anteontem à tarde o SBT. Seu contrato vence no final do ano. Avisado de que não haveria renovação, ele deixou a função, mas continuará vinculado até dezembro. Deixará também o SBT o diretor de operações, Adalberto Vianna.

Fora 2

O cargo de superintendente comercial foi extinto. O SBT diz que isso faz parte de reestruturação e é para ‘garantir a geração de caixa e de lucro líquido’. O fato é: Athayde prometeu aumentar em 20% o faturamento do SBT, mas até agora só cresceu 11%, enquanto as demais redes, na média, estão vendendo 30% a mais em 2004.

Menu

Os principais apresentadores do SBT (Gugu Liberato, Hebe Camargo e Carlos Massa, o Ratinho) foram convocados para um almoço, quarta que vem, com o mexicano Eugenio Lopez, que exerce formalmente o cargo de consultor de Silvio Santos. Prato do dia: tentar acalmar os apresentadores, insatisfeitos com medidas restritivas na emissora.

Colheita

A série ‘Carga Pesada’ vai ter mais duas temporadas de oito episódios cada uma na programação da Globo em 2005. ‘Sexo Frágil’ e ‘Sob Nova Direção’ no ano que vem ainda são dúvida. Já ‘A Diarista’, com médias acima de 27 pontos, está praticamente confirmada.’

***

‘TVs disputam melhor futebol do mundo’, copyright Folha de S. Paulo, 22/09/04

‘Vai acabar na Justiça a disputa pela transmissão da Copa dos Campeões, considerado o melhor campeonato de futebol do mundo e que reúne 65 brasileiros e os principais clubes da Europa.

A disputa envolve a Rede TV!, que começou a transmitir a temporada 2004/2005 na semana passada, a Band (indiretamente) e a agência Top Sports.

A Top Sports diz que rompeu na semana passada parceria que firmou com a Rede TV!, pela qual a agência entrava com direitos, dava garantia mínima de receita à TV e rachava a publicidade. O pacote inclui a Copa dos Campeões, o Campeonato Inglês e a NBA.

‘A parceria não deu certo e todo o ‘Esporte Interativo’ está indo para a Band’, diz Leonardo Lenz, diretor-executivo da agência.

A Rede TV!, porém, afirma que o contrato pela Copa dos Campeões foi assinado entre ela, e não a Top Sports, e a Uefa (detentora dos direitos). A TV mostrou à Folha extrato do documento. ‘Eu tenho contrato com a Uefa e não há motivos para quebrá-lo’, diz Betina Calenda, diretora jurídica.

A Top Sports afirma que, em outro contrato, a Rede TV! repassa a ela os direitos do torneio. A Rede TV! diz que essa cláusula perdeu validade, porque ‘a Top Sports está inadimplente’ _estaria devendo R$ 400 mil à TV.

A Band ficou no ‘muro’. Diz que ‘está assinando’ com a Top Sports e que ainda não está certo o que o ‘acordo irá contemplar’.

OUTRO CANAL

Bobagem

A Globo diz que não passa de boato a história de que iria reprisar, na sessão ‘Vale a Pena Ver de Novo’, a novela ‘Escrava Isaura’, de 1976, para prejudicar (ou sem querer ajudar) a Record, que estréia em outubro nova versão da obra.

Histórico 1

Edições como a de anteontem do ‘Repórter Record’, sobre a fazenda Nova Canaã, que a Justiça Eleitoral tirou do ar durante 22 minutos no Rio, estão ficando cada vez mais comuns. Na semana passada, o jornalístico da Record era sobre a Amazônia. Em determinados momentos, parecia merchandising indireto da Petrobras e sua unidade ecologicamente correta de Urucu.

Histórico 2

A edição da última segunda-feira foi considerada pela Justiça Eleitoral favorável ao bispo Marcelo Crivella, que é candidato à Prefeitura do Rio. A pedido do PT, a Justiça proibiu sua veiculação no Rio. A fazenda Nova Canaã é um projeto de Crivella, que é da Igreja Universal. E o programa da Record a mostrava como ‘refúgio de progresso’, ‘esperança do sertão’, entre outros elogios.

Máxima

Falem mal, mas falem de mim. O clichê é perfeito para João Kléber (Rede TV!). Seu trash, apelativo e farsesco ‘Eu Vi na TV’ voltou a dar boa audiência anteontem. Atingiu picos de 13 pontos e ficou uma hora na frente da Globo _um recorde para a emissora. Na média, deu oito pontos, o dobro do SBT no horário.’

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PRIMEIRAS EDIçõES >   JORNALISMO & PROPAGANDA

Elder Ogliari

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

FUTURO DOS JORNAIS

“Jornais terão mais reflexão, diz Ruy Mesquita Filho a estudantes”, copyright O Estado de S. Paulo, 9/10/03

“Os jornais vão se tornar mais reflexivos e regionalizados para atender públicos que desejam informação mais aprofundada que as oferecidas pelas mídias surgidas nos últimos anos, como a internet. A avaliação foi feita ontem pelo jornalista Ruy Mesquita Filho, em palestra na Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

Diante de um público interessado em saber o futuro dos meios de comunicação, da reportagem e perspectivas profissionais para estudantes, o jornalista disse que a democratização da informação já chegou, desde que investimentos em veículos como TV a cabo e internet se tornaram viáveis a qualquer empreendedor. Mas como o mercado publicitário não comporta tantas opções, haverá uma depuração, previu.

Outro participante, o jornalista Fernando Portela disse que a profissão pode ser vista como uma missão, ainda que hoje grandes reportagens sejam mais objeto de livros que de publicações diárias. Mas não faltam temas. ?O Brasil está mergulhado em grandes assuntos, como corrupção e negociatas.?

Após o debate, intermediado pelo historiador José Alfredo Vidigal Fontes, Ruy Mesquita Filho autografou exemplares de A Guerra, obra que reúne a cobertura da 1.? Guerra Mundial feita por Júlio Mesquita entre 1914 e 1918. Portella autografou exemplares de seus livros Guerra de Guerrilhas no Brasil: A Saga do Araguaia e Allegro.”

CAPES / PORTAL PERIÓDICOS

“Capes desmente fechamento do Portal Periódicos”, copyright O Estado de S. Paulo, 10/10/03

“A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão que regula os programas de pós-graduação, tenta renegociar contratos com pelo menos sete grandes editoras que divulgam estudos científicos e acadêmicos no seu Portal Periódicos (www.periodicos.capes.gov.br).

O portal é fonte importante de consulta para pesquisadores brasileiros, mas custa US$ 18,7 milhões por ano e a remuneração das editoras aumenta a cada universidade que se cadastra como usuária, segundo o presidente da Capes, o sociólogo Marcel Bursztyn. ?É o único serviço do gênero que conheço com custo crescente à medida que aumenta a base de usuários?, critica Bursztyn, que assumiu o cargo em agosto. Ele afirma que vem procurando negociar com as editoras um contrato mais favorável e observa que, ?por uma coincidência muito grande?, começaram a circular mensagens na internet ?alertando? sobre um suposto plano da Capes de ?fechar o portal?.

Segundo ele, porém, não se cogitou fechá-lo, ?porque tem enorme importância para o progresso do País?. Neste ano, o portal já registrou mais de 7 milhões de consultas.

A Capes mantém contrato com 14 editoras desde novembro de 2000, quando lançou o portal. Elas representam 1.700 editoras científicas do mundo todo e disponibilizam seus textos completos no portal. Sete grandes editoras, porém, concentram a maior parte do material, entre elas a holandesa Elsevier, cuja remuneração passa de US$ 9,5 milhões anuais. Os contratos foram firmados na gestão anterior.”

Leia Também:

Capes e a utilidade de um portal – Christiane de Assis Pacheco

 

MÍDIA EXTERIOR

“Brasília ganha sindicato de empresas de mídia exterior”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 9/10/03

“As empresas de mídia exterior de Brasília criaram um sindicato para regulamentar o setor e criar alternativas que permitam às companhias continuar a gerar empregos e tributos sem prejuízo da paisagem urbanística da cidade.

O Sepex/DF (Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior do Distrito Federal) teve início em maio, com a inscrição de 25 das 43 empresas de Brasília, sob o comando do publicitário Raimundo Liberato. A expectativa é que, já no ano que vem, todas as empresas estejam sindicalizadas, passando depois a integrar a federação da categoria, que está sendo criada em São Paulo.

A idéia é criar uma estrutura representativa da categoria de mídia exterior para que o setor tenha voz ativa e seja ouvido pelos governos municipais, estaduais e pelo governo federal.

O setor de mídia exterior gera hoje 498 empregos diretos, 207 terceirizados e 2.679 indiretos em Brasília, num total de 3.384 empregos. As empresas da área arrecadam anualmente R$ 2,6 milhões de impostos, mais R$ 2,5 milhões de taxas para o GDF e R$ 1.7 milhão de tarifa de energia elétrica. O que representa um total de R$ 6,9 milhões ao ano em arrecadações para o governo local.

No Brasil, existem 15 sindicatos de mídia exterior. Cinco deles – São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraná e Goiás – já fazem parte da federação. Segundo Liberato, até o final de outubro, Brasília também fará parte da federação. ?Estamos esperando a liberação da carta sindical que vai representar esse nascimento oficial?, afirmou.”

 

JORNALISMO & PROPAGANDA

“Dúvida perigosa: notícia ou anúncio?”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 9/10/03

“O XIS DA QUESTÃO – Jornalismo não é melhor nem pior que publicidade. São apenas linguagens diferentes, para interações sociais organizadas por expectativas diferentes. Mas, embora convivendo em espaços comuns, publicidade e jornalismo não devem se misturar. Quando uma linguagem começa a lamber a outra e a ser lambida, ambas se tornam enganadoras e constroem a burla. É o que penso.

1. Truque visual

Comecemos pelo fato. Na manhã de 6 de outubro, ao folhear os jornais do dia, fui sacudido pelo impacto visual da página 6 da Folha de S. Paulo. Havia ali um enigma, que os criadores da peça nos propunham, para decifrar: anúncio ou jornalismo?

A página continha as duas substâncias, mas de tal modo imbricadas que se diluíam numa só unidade visual. Havia um claro e intencional ?diálogo? gráfico-artístico entre o que, na decifração do enigma, depois se percebia ser a parte publicitária (anúncio do Banco Itaú) e a parte jornalística (duas reportagens sobre os descaminhos da reforma tributária, em Brasília). A mensagem publicitária contornava a página, emoldurando as duas reportagens com uma galeria de 24 fotografias de rostos jovens, bonitos, felizes. Visualmente, ao primeiro olhar, para as sensações motivadoras, tudo parecia fazer parte de um só conteúdo. Tratava-se de uma sedutora colagem, da qual as reportagens faziam parte. (o mesmo anúncio, obra da DPZ, foi publicado no mesmo dia em mais três grandes jornais: O Globo, O Estado de S. Paulo e O Dia).

Jornalismo ou anúncio?

À primeira impressão, jornalismo. A exuberância das fotografias ?escondia? as marcas discretas da mensagem publicitária. Nem os impulsos criados pela captação visual conduziam aos pequenos textos inseridos entre as fotos. Na descoberta desses textos, aí, sim, eles funcionavam como uma espécie de ?pista disfarçada?, conduzindo as buscas visuais do leitor ao apelo incitativo colocado no pé da página: ?Seja cliente Itaú?. A essa altura da interlocução, a informação jornalística já se tornara componente secundário.

De volta à questão central, pergunta-se: qual a natureza do conteúdo, visualmente tão homogêneo, oferecido naquela página A5 da Folha de S. Paulo – Jornalismo? Publicidade? Ou algum gênero discursivo novo resultante da fusão entre as duas linguagens?

2. Relações tensas

Desde as origens, o jornalismo e a publicidade vivem entre conflitos e acordos. No caso do Brasil, pelo que se pode deduzir por casos recortáveis de práticas antigas, a discussão simplesmente não existia, porque a convivência era de promiscuidade reciprocamente procurada e acolhida.

As revistas O Cruzeiro e Manchete, por exemplo, são ícones de um tempo de ?jornalismo de penas compradas?: circulavam recheadas de reportagens pagas, sem qualquer aviso identificador de publicidade, quase sempre na exaltação de virtudes e feitos de governos (federal, estaduais e municipais).

O leitor comum nem imaginava que estava sendo enganado. E quem conhecia a tramóia não se escandalizava, tão comuns eram tais práticas.

Depois, com o passar do tempo e a ampliação das exigências de comportamentos éticos na comunicação social, as fronteiras e os pressupostos críticos tornaram-se mais rigorosos. Até pelo Código do Consumidor se exige que as mensagens publicitárias sejam claramente identificadas e identificáveis como tal.

Mas as relações entre publicidade e jornalismo são naturalmente tensas. Um dos pontos de tensão resulta do poder de pressão sobre o jornalismo que os grandes anunciantes detêm. Sendo eles também agentes produtores competentes de conteúdos de interesse jornalístico, freqüentemente cobram benefícios no noticiário. Ou usam a força de barganha garantida pela sua condição de anunciantes para tentar evitar a divulgação de conteúdos que lhes possam afetar a imagem pública ou a venda de produtos. Conheço a história de um desses anunciantes poderosos, que suspendeu por dois anos a programação de anúncios em uma das principais revistas do país, por não ter conseguido derrubar uma reportagem considerada ?inconveniente?.

Claro que também existia, e certamente ainda existe, a chantagem no sentido inverso: ?se não me dás o anúncio, não de dou a notícia? – táticas em que o velho Chateaubriand reinou, fez escola e sucessores.

A verdade, porém, é que tais comportamentos, antigamente considerados coisa comum, hoje são vistos e ajuizados como desvios morais condenáveis.

3. Relações tensas

A arte publicitária, entretanto, inventa formas criativas, novas, de se relacionar estética e manhosamente com o jornalismo. Ainda recentemente, para assinalar o seu 50? aniversário, a Petrobrás ?empacotou? as primeiras páginas de alguns dos grandes jornais diários, revestindo-as com o caderno de quatro páginas do seu anúncio. A grana alta levou, por exemplo, a Folha de S. Paulo a concordar com a ocultação do seu logotipo. Será que um jornal como a Folha, com a importância e a respeitabilidade que a si própria se atribui, tem o direito de fazer isso com os seus assinantes e leitores?

Outro caso recente de ?contaminação publicitária? deu-se com a Veja, que usou o cadastro de assinantes para lhes enviar separadamente, de forma personalizada, um folder publicitário. Não será isso um abuso de confiança e uma agressão ao contrato?

4. Fusão perigosa

Eis aí um assunto que convém discutir, tanto na esfera acadêmica quanto na profissional. Como contribuição, deixo aqui dois pontos de vista:

1) O jornalismo não é melhor nem pior do que a publicidade. A discussão não deve ser colocada, portanto, na perspectiva moralista, como se o jornalismo fosse o bem, recheado de virtudes e virtuosos, e a publicidade fosse o mal, por onde circulam o pecado e os pecadores. Ou vice-versa.

2) Jornalismo e publicidade são apenas linguagens diferentes, para interações sociais organizadas por expectativas e interesses igualmente diferentes. Convivem, complementam-se, mas não devem se misturar, sob risco de perderem eficácia social. Deviam ser como o azeite e a água, que convivem e jamais se misturam. Quando publicidade e jornalismo se imbricam, ambas as linguagens se tornam enganadoras. Constroem a burla.

Nota de Rodapé

*Contundência em fala mansa – Mulher notável, essa senhora paquistanesa, Asma Jahangir, que a ONU nos enviou como relatora especial para casos de Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias. Na visita ao Brasil, e no desempenho de sua missão, a senhora Jahangir foi ao ?X? de questões relacionadas com a violência nas prisões, o crime organizado dentro do organismo policial, ?a surdez e a morosidade da Justiça?, a corrupção e o arbítrio policial. Escandalizou-se de modo especial com o que viu na Febem, em São Paulo. Sempre acompanhada por jornalistas, pôde e soube, nos momentos certos, ampliar o alcance do que tinha a dizer. E disse, sempre em fala mansa, de requintada precisão, marcando a sua passagem pelo Brasil com a contundência das avaliações e emoções reveladas.”

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