Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > SAFIRE APOSENTADO

Elio Gaspari

01/02/2005 na edição 314

‘Aposentou-se na segunda-feira o colunista William Safire, do ‘The New York Times’. Pendurou a faca aos 75 anos, com 32 de malvadezas, convicções, ironias e estilo. Sobretudo estilo. Nas suas palavras, é um ‘direitista vituperativo’. Põe direita e vitupério nisso. Foi o melhor do seu tempo, mestre da escrita e da articulação de fontes. Quando um político radical israelense esteve na baixa, Safire nunca deixou de ouvi-lo. Hoje Ariel Sharon atende suas ligações, esteja onde estiver.

Se Safire tivesse sido um pouco menos malvado com os liberais, teria alcançado o grau de santidade de Walter Lippmann nos anos 50 e de James Reston nos 70. Encerrou sua carreira como um craque, sobretudo lembrando-se que a sucursal do ‘Times’ em Washington submeteu-o a um período de gelo quando foi contratado, por sugestão do dono.

Tudo isso vem ao caso porque Safire presenteou o público com doze conselhos aos leitores de artigos produzidos pela espécie de jornalistas que se denominam colunistas:

Aqui vão oito deles, numa tradução pra lá de livre:

1. Nunca procure o tema de um artigo no primeiro parágrafo. Os colunistas colocam a azeitona lá pela metade do texto. Dá um sabor de exclusividade ao leitor que percebe o valor da informação.

2. Não leia artigos que tratam de dois assuntos. Eles informam apenas que o sábio não conseguiu decidir a respeito do que ia escrever.

3. Não se iluda com falsas associações, os articulistas adoram usar argumentos da esquerda contra a esquerda (Lula contra o PT) ou da direita contra a direita (Delfim Netto contra os juros altos). Em geral não querem dizer nada. (Salvo no caso de Safire: no final de 2001, depois do 11/9, quando George Bush investiu contra as liberdades públicas dos americanos, ele denunciou o pânico num artigo intitulado ‘Assumindo poderes ditatoriais’ . Os liberais estavam amedrontados e calados.)

4. Cherchez la source . Pergunte sempre: quem pode ser a fonte desse artigo? A quem interessa isso que está aí? Sempre que um articulista mencionar uma fonte ‘autorizada’ ou ‘confiável’, procure lembrar se alguma vez um deles mencionou origens ‘desautorizadas’ ou ‘inconfiáveis’. No Brasil, por exemplo, sempre que alguém lhe der um texto com informações atribuídas a um ‘interlocutor’ de Lula, pergunte-se o que isso significa.

5. Cuidado com a erudição circular. O artista começa seu artigo com uma referência histórica ou com um caso interessante. Lá pelo meio do texto retoma o tema, dando ao leitor a impressão de que sua argumentação era sólida. Muitas vezes ele voltou ao ponto de partida sem ter ido a lugar algum.

6. Cuidado com o reconhecimento de pequenos erros. Os sábios gostam de admitir humildemente seus pequenos erros (Lula e FFHH não são paulistas; Oslo não é a capital da Suécia). Fazendo isso conseguem um crédito que soberbamente os desobriga de admitir erros de julgamento muito mais sérios. (O peso argentino e o dólar americano valiam a mesma coisa.)

7. Não perca tempo com polêmicas entre colunistas. Quando os observadores viram participantes, os leitores acabam perdendo a verdadeira controvérsia. Essas discussões são como fotografias de pinturas de uma escultura.

8. Quando um artigo atroz provocar sua fúria, não mande mensagens agressivas ao autor. Sua fúria o leva a achar que acertou o alvo.

Safire se desculpou por só ter ensinado esses truques quando não precisou mais deles.

Serviço: Em inglês (‘How to read a column’) o artigo de Safire está arquivado no endereço www.nyt.com . É necessário cadastrar-se. Vale a pena, até porque é de graça.’



Paulo Sotero

‘Safire se aposenta após 30 anos de coluna polêmica’, copyright O Estado de S. Paulo, 30/01/05

‘Ex-redator de discursos do presidente Richard Nixon e arauto da direita americana, o jornalista, lingüista e escritor William Safire, de 75 anos, que se despediu na semana passada da página de opinião do New York Times, onde escreveu duas vezes por semana durante 30 anos, definiu seu legado à imprensa numa entrevista. ‘Ajudei a promover a idéia da reportagem opiniática’, afirmou ele, chamando a atenção, como costumava fazer em suas colunas, que o que escrevia não era apenas o que pensava com seus botões, mas fruto de informações exclusivas que colhia junto a suas fontes.

Balanços feitos pela imprensa americana sobre a veracidade das informações que Safire publicou e a qualidade das previsões que fez mostraram um resultado misto. Mas as manifestações de apreço ao veterano colunista ultrapassaram em muito as críticas e vieram de todo o espectro político.

A admiração por Safire entre seus colegas da imprensa e políticos que não compartilham seu conservadorismo e sua lealdade a qualquer preço a Israel foi alimentada por duas coisas: em parte, o talento de lexicógrafo do jornalista, que continuará a exibir na coluna On Language, da revista do Times, em parte, pela consistência com que discordou das tentativas de seus aliados da direita para limitar as liberdades civis.

Simpatizante do presidente George W. Bush, apesar das atrocidades que o líder americano comete contra a língua inglesa, Safire criticou leis e medidas de cerceamento das liberdades públicas defendidas pela administração depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro, sob o argumento da segurança nacional.

Ele investiu contra iniciativas de desregulamentação dos meios de comunicação promovidas pelos republicanos, alertando para os riscos que a concentração da propriedade da mídia representa para a democracia. Safire mostrou seu lado libertário também nas ácidas colunas que escreveu contra tentativas de intimidação de jornalistas por promotores e pela Justiça Federal, em casos que envolvem sigilo de fontes. Numa de suas últimas colunas, o jornalista lamentou a estratégia de Bush de ignorar a grande imprensa, mas recomendou aos jornalistas que não se deprimam: ‘A perda é mais dele que nossa.’’



Willian Safire

‘Conselho: nunca se aposente’, copyright O Estado de S. Paulo, 30/01/05

‘O Prêmio Nobel James Watson, que iniciou uma revolução na ciência participando da descoberta da estrutura do DNA, disse-me com franqueza há um par de anos: ‘Nunca se aposente. Seu cérebro precisa de exercício, ou atrofia.’

Por que, então, digo adeus aos leitores da página de opinião depois de mais de 3 mil colunas? Ninguém me forçou. Aos 75 anos, estou em boa forma, não afligido pelo tédio político; e minha recente coluna sobre a injustiça do tsunami e o Livro de Jó motivou a maior resposta pelo correio em 32 anos de opiniões e críticas.

Eis por que estou saindo: numa entrevista há 50 anos, o idoso publicitário Bruce Barton disse-me algo parecido com o aviso de Watson sobre a necessidade de continuar experimentando alguma coisa nova, que resumi assim: ‘Quando você passa por mudanças, passa bem.’ Barton adotou de bom grado o aforismo, que desde então atribuí a ele.

Combinem estes dois pequenos conselhos – nunca se aposente, mas planeje mudar sua carreira para manter suas sinapses funcionando – e vocês verão o caminho que agora sigo. Os leitores também podem querer pensar numa estratégia de longevidade.

Todos estamos vivendo mais. No último século, a expectativa de vida dos americanos aumentou de 47 para 77 anos. Com as curas do câncer, males cardíacos e derrames a caminho, com a certeza da engenharia genética, da regeneração de células e dos transplantes de órgãos, a geração do baby boom evitará a doença, se cuidará e chegará muito além dos limites bíblicos dos 70.

Mas para quê? Se o corpo continua por aí enquanto o cérebro se perde, uma vida mais longa torna-se um peso para a pessoa e a sociedade. A extensão da vida do corpo ganha mais significado quando preservamos a vida da mente.

Esta idéia levou um amigo de uma vida inteira, David Mahoney, que dirigiu a Fundação Dana até sua morte em 2000, a juntar-se a Jim Watson para formar a Aliança Dana para Iniciativas do Cérebro. Eles me convenceram, há uns dez anos, a ajudá-los a animar uma moribunda ‘década do cérebro’. Encorajando vários dos mais prestigiados neurocientistas a sair do isolamento e explicar com palavras simples o potencial da ciência do cérebro, eles atraíram o crescente apoio público e privado à pesquisa.

Isto se transformou no programa que funcionava silenciosamente por trás de minha vida pública como especialista em língua, comentarista televisivo, romancista e, duas vezes por semana, injurioso difamador direitista.

Eu não tinha pretensão de me tornar um cientista (me formei quase como último da classe na Escola de Ciência do Bronx), mas lancei umas poucas publicações em um website – www.Dana.org – que abriram alguns canais entre cientistas, jornalistas e pessoas em busca de informações confiáveis sobre a excitante área.

A experiência como polemista do New York Times tornou mais fácil o mergulho nas controvérsias da ciência. A filantropia da Dana fornece fóruns para o debate da neuroética: é certo ir além do tratamento das doenças mentais para melhorar o cérebro normal? devemos nivelar a altura humana com hormônios de crescimento? a clonagem é moralmente sólida? a sensação de bem-estar induzida por drogas mina a ‘verdadeira’ felicidade? Tal alimento para a reflexão agora está se tornando meu sustento.

E quanto àquilo que a turma do conhecimento chama de ‘transferência executiva’ no aprendizado? Uma compreensão das artes no início da vida – música, dança, teatro, desenho – afeta a habilidade de uma criança de aplicar este processo cognitivo para ter facilidade em matemática, arquitetura, história? Novas técnicas de exame por imagens e estudos longitudinais muito necessários poderão fornecer respostas em vez de anedotas e afetar os orçamentos para a arte nas escolas.

Assim, eu disse ao editor do New York Times há dois anos que a campanha presidencial de 2004 seria minha despedida como analista político e depois eu assumiria a presidência da Dana em tempo integral. Ele expressou a tristeza apropriada por perder o articulista conservador da página de opinião, mas disse que seria uma idéia terrível abandonar a coluna de língua do domingo. Esta é minha recreação de estudioso, por isso aceitei continuar.

A partir desta semana, trabalhando numa fundação ativa e que financia projetos, terei de reeducar partes de meu cérebro. Isto poderá não me tornar um grande homem no hipocampo, mas significará a diminuição da observação do horizonte que me obrigava a assumir posições sobre tudo o que acontecia no mundo; em vez disso, um verticalismo bem-vindo me levará a cavar mais fundo em áreas de interesse específicas. Menos afirmações de lobo solitário; mais assuntos colegiais. Ouço dizer que é difícil.

Mas a reeducação e o novo estímulo são aquilo que todos nós deveríamos exigir ‘no fim da vida, para o qual o começo foi feito’.

Atletas e dançarinos lidam com a necessidade de se reeducar depois dos 30 anos; trabalhadores, depois dos 40; diretores, depois dos 50; políticos, depois dos 60; acadêmicos e personalidades da mídia, depois dos 70.

O segredo é começar cedo em nossas carreiras o passatempo antiestresse do qual precisaremos mais tarde como uma ocupação final que exercitará a mente. Podemos abandonar um emprego, mas o abandono do envolvimento revigorado é um risco para a mente.

Em seu inverno inaugural de 2005, o governo em Washington divide-se com fervor partidário sobre a necessidade ou a maneira de proteger as contas de previdência social dos jovens de hoje em 2040. Mais cedo ou mais tarde, vamos encarar isso; ter segurança econômica pessoal é livrar-se do medo.

Mas quantos de nós estão planejando agora suas contas de atividade social? A renovação intelectual não é um novo e grande programa do governo, e assegurar a continuação da interação social não aumenta nenhum déficit.

Criando a base para atividades futuras durante nossas carreiras atuais, rejeitamos a aposentadoria imbecilizante e agarramos a oportunidade de um jovial recomeço.

As ciências médica e genética certamente aumentarão nosso tempo de vida. Com quase a mesma certeza, a neurociência tornará possível a agilidade mental para os idosos. Ninguém deveria deixar de aproveitar as dádivas físicas e mentais que virão.

Quando você passa por uma mudança, aprendizado, trabalhando para continuar envolvido – só então você passa bem. ‘Nunca se aposente.’’

***

‘O modo certo de se ler uma coluna’, copyright O Estado de S. Paulo, 30/01/05

‘Finalmente, estou livre para ensinar a vocês as 12 regras para a leitura de uma coluna política.

1. Fique atento ao estratagema dos colunistas de usar a citação de uma figura da oposição liberal para justificar um ponto de vista conservador ou vice-versa. Os direitistas adoram citar John F. Kennedy sobre as injustiças da vida; os esquerdistas adoram citar Ronald Reagan. Não se deixe convencer por associações desse tipo.

2. Nunca procure a história no lide. Exige-se dos repórteres que ponham o que ocorreu no começo, mas um colunista escolado põe a pepita da notícia, até mesmo um insight sensacional, no meio da coluna, dirigido aos politiscenti. Quando pressionados pelo tempo, os leitores espertos começam por aí.

3. Não se deixe levar pelo ‘por-dentrismo’. Colunistas inexperientes, ávidos por impressionar leitores com seu conhecimento de jargão jornalístico, são tentados a usar termos arcaicos da profissão. Não vá atrás desse chamariz.

4. Quando ficar enfurecido com uma coluna ultrajante, não caia na tentação de reagir com um e-mail desaforado. Os colunistas percorrem essas missivas constrangedoras com deleite, dizendo: ‘Ah, peguei vocês’.

5. Não se deixe enganar por um estratagema de conclusão. Para dar a um palavrório sem rumo a ilusão de coerência, alguns começam com uma alusão histórica ou anedota reveladora, depois divagam por cerca de 600 palavras antes de concluir voltando a um evento ou citação do parágrafo de abertura. Essa circularidade estilística dá ao leitor a sensação elegante de completude quando o colunista não conseguiu achar a conclusão de seu argumento.

6. Esteja atento a admissões de erros menores. O autor de um vitupério escreveu recentemente que o requisito fixado pela Constituição de que um presidente seja ‘natural do país’ teria barrado Alexander Hamilton. Os cricris ressaltaram que os Fundadores da Pátria se eximiram. E houve 16, e não 20, segundos discursos de posse. Ao fazer penosamente essas correções antes de se despedir, o colunista obtém crédito pela precisão enquanto se safa de julgamentos errôneos que são flagrantes demais para serem admitidos.

(Observação: Você está na metade da coluna. Comece daqui.)

7. Fique alerta para o pagamento de favores. Stewart Alsop jocosamente advertiu um colunista novato: ‘Nunca comprometa sua integridade jornalística – a não ser por uma história reveladora.’ Exemplo: um redator de discursos de Nixon disse aos colunistas que o presidente se tinha vangloriado em Camp David ‘Acabo de acertar 120’, ao que Henry Kissinger respondeu astutamente: ‘Seu golfe está melhorando, senhor presidente’, fazendo Nixon resmungar: ‘Eu estava falando de boliche, Henry’. Depois que os colunistas engoliram isso, o manipulativo autor colheu os louros do mais amigável tratamento.

8. Não perca tempo com uma coluna com dois temas. Isso significa que o autor ficou com medo de tomar a difícil decisão sobre o que escrever naquele dia. Quando um redator de dois tópicos se esforça para juntar alhos com bugalhos, volta-se para um pudim como tema. (Três assuntos, no entanto, podem dar a um ensaio a estabilidade de um tronco. Dois é uma multidão, três é uma gestalt.)

9. Procure pela fonte. Não engula coluna (ou reportagem opinativa rotulada de análise) sem perguntar: Cui bono? E sempre que se deparar com a palavra ‘respeitado’ antes de um nome, acautele-se. Você nunca leu ‘Segundo o desrespeitado… (seja quem for)’.

10. Resista à escrita que oscila intelectualmente. Apenas os pretensiosos caem na armadilha do ‘seja quem for’ e somente os advogados usam o latim para ‘a quem interessa’ (Cui bono)? Colunistas que fazem ‘exibição’ certamente deveriam cair fora. (E evitar todas as aliterações asininas.)

11. Não se deixe deslumbrar pelo inesperado. Os autores às vezes lançam uma bola de efeito numa série de jogadas fajutas. Para variar, eles se voltam contra camaradas ideológicos, induzindo os admiradores da apostasia a entusiasmar-se, ‘Oh, isso é tão imprevisível’. Tal argumentação bifronte é permitida para liberais clintonianos ou conservadores libertários, mas é com muita freqüência a marca do opositor excessivamente agradável.

12. Despreze os diálogos pessoais entre colunistas. Os observadores, presumindo participar do debate, eliminam o leitor da realidade da controvérsia; aquilo é apenas uma foto de uma pintura de uma estátua, ou uma disputa entre dois promotores de luta para saber quem vai jogar a toalha. Insista nas colunas que se encarregam somente dos verdadeiramente poderosos e depois simplesmente os chutam quando estão acabados.

Ao se despedir dos leitores, este progenitor de todas as páginas de opinião (veja regra 10) pergunta: é justo que alguém que desfrutou sua liberdade durante três décadas espalhe seus segredos? É claro que é injusto revelar o Código. Mas o colunismo é tão vibrante quanto a própria vida política; e, como disse JFK, ‘a vida é injusta’ (regras 1 e 5).’

***

‘Travessuras das primeiras-damas’, copyright O Estado de S. Paulo, 30/01/05

‘Meus relacionamentos com as primeiras-damas foram variados. Pat Nixon era uma amiga; nós fomos voluntários durante a primeira recuperação de seu marido nos anos 60, às vezes trabalhando em mesas adjacentes nos escritórios de Richard Nixon.

Ela respondia ao telefone como recepcionista ‘Pat Ryan’, seu nome de solteira, e assegurava àqueles que ligavam que ela conhecia Nixon bem o suficiente para passar a ele a mensagem completa. Sua filha Julie herdou esse sangue-frio bem humorado: ‘Meu pai não fica bravo, ou explode, ou nada daquilo que você lê sobre ele’, insistiria Julie Eisenhower. ‘Claro, teve um dia que mamãe derrubou uma bola de boliche no dedão dele…’

Barbara Bush foi a política mais calorosa entre as primeiras-damas. Seu marido me deu um gelo depois que pediu para a Ucrânia ficar do lado de Moscou e eu rotulei sua gafe de ‘Galinha à Kiev’, mas depois disso, em ocasiões sociais, Barb me fazia um aceno rápido e dava uma piscadinha enquanto olhava assustadoramente para frente.

Minhas dificuldades com primeiras-damas começaram com Nancy Reagan. Ela foi descoberta pegando vestidos de graça durante seis anos dos estilistas mais caros do país em troca da publicidade que dava a eles. Eu bati o pé nessa questão ética, que me colocou no canil do Salão Oval. Mais tarde, quando eu a critiquei por abusar do poder não-eleito ao forçar a demissão do chefe de equipe da Casa Branca, o presidente Reagan corajosamente amaldiçoou qualquer colunista que ousasse punir ‘a esposa de outro homem’.

Depois veio Hillary Clinton. Ao citar três exemplos com que eu pensava mostrar a habitual hipocrisia através dos 15 anos de troca de bens e serviços de primeira necessidade, Travelgate e Whitewater, concluí com tristeza dissimulada que nossa talentosa primeira-dama, um modelo para muitas, também era uma ‘mentirosa congênita’. O galante marido Bill Clinton fez com que seu porta-voz dissesse que ‘o presidente, se não fosse presidente, teria dado uma resposta mais potente a isso – no meio do nariz do sr. Safire’.

Vieram centenas de pedidos para poltronas próximas ao ringue para testemunhar o soco presidencial na minha napa. Tim Russert me presenteou com um par de grandes luvas de boxe vermelhas no programa Encontro com a Imprensa. Pat Oliphant desenhou um cartum mostrando ‘Clinton Esmagador’ no ringue com ‘Safire Punhos-de-Ferro’ e um juiz nos separando: ‘meninos, meninos’, e um espectador gritando ‘Gummint não consegue nada melhor do que isso!’ A reação do presidente Clinton fez de mim a inveja de todo colunista.

A tempestade em copo d’água foi abrandada pelo humorista Mark Russell. Ele explicou que o que eu tinha escrito não era ‘mentirosa congênita’ mas ‘advogada congênita’ e a frase inocente foi distorcida na transmissão. Essa desculpa irreal acalmou os ânimos de todos.’

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