Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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ENTRE ASPAS >

Em sigilo, Globo testa novos programas jornalísticos

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/07/2009 na edição 548


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 28 de julho de 2009


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Em sigilo, Globo testa novos programas jornalísticos


‘A Globo está produzindo e testando novos formatos jornalísticos. Alguns projetos são tão sigilosos que os profissionais envolvidos só têm acesso aos roteiros e textos na hora da gravação. O objetivo é evitar ser copiada pela concorrência.


Esse é o caso de um novo produto, em gestação em São Paulo, que envolve a jornalista Carla Vilhena, apresentadora do ‘SP TV 1ª Edição’. O formato, que seria uma nova versão do ‘TV Mulher’, já foi testado com repórteres experientes e com novatos, do ‘Profissão Repórter’. Acredita-se que poderá virar um programa independente, matinal e voltado para mulheres, ou quadro do ‘SP TV’.


Também sigilosos são os ‘Projeto Mar’ e ‘Projeto Brasileiros’. O primeiro é uma mistura de ‘Globo Repórter’ com ‘Profissão Repórter’. Mostrará os bastidores de grandes reportagens feitas na costa brasileira. Há três meses, os repórteres Ernesto Paglia e Mariana Ferrão se dedicam exclusivamente a ele. Os profissionais foram escolhidos, entre outras razões, porque sabem mergulhar.


O ‘Projeto Mar’ foi uma encomenda de Carlos Henrique Schroder, diretor-geral de jornalismo e esportes. Já foram gravados seis programas.


Já o ‘Projeto Brasileiros’ conta, por enquanto, com os repórteres Marcelo Canellas e Neide Duarte. Seria uma mistura de ‘Globo Repórter’ com ‘Brasil Legal’ (programa apresentado por Regina Casé nos anos 90). Seu objetivo seria mostrar a ‘cara do brasileiro’.


A Central Globo de Comunicação disse que os formatos ‘não passam de projetos ainda não aprovados’ pela cúpula.


APRENDIZES 1


Além do ‘Um contra Cem’, já em produção para estrear em setembro, o SBT negocia a compra de um segundo formato para ser apresentado por Roberto Justus: ‘Dragons’ Den’.


APRENDIZES 2


O primeiro é um quiz, como ‘Show do Milhão’, em que uma pessoa disputa até R$ 1 milhão com outras cem. ‘Dragons’ Den’ é mais próximo de ‘O Aprendiz’: jovens empreendedores têm de convencer investidores a bancarem seus projetos. É para o início de 2010.


ORGANOGRAMA


Após reorganizar as áreas de jornalismo e esportes, entretenimento e comercialização, a Globo irá criar as diretorias-gerais de tecnologia e de gestão.


CONFINAMENTO 1


Os participantes de ‘No Limite 4’, que estreia nesta quinta, não ficarão tão isolados como nas três primeiras edições. Alguns terão o direito de usar telefones celulares como recompensa por provas vencidas.


CONFINAMENTO 2


A operadora Tim e a Fiat já compraram ações de merchandising no reality. O plano comercial prevê que as ações entrarão em provas, recompensas e festas. E as cinco cotas de patrocínio foram vendidas para Tim, Fiat, Grendene, Monange e Ambev por R$ 5 milhões cada.


GRAMÁTICA


De um pensativo Silvio Santos, no ‘Roda a Roda’: ‘Não é possível! Coxinha? Nunca pensei que coxinha fosse com x’.’


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


‘Hung’ usa o sexo como escape para as crises


‘Não passa um dia sem que o problemático e quarentão Ray (o ator Thomas Jane) se pergunte o que fez com a sua vida.


Protagonista da série ‘Hung’, o gostosão do colégio se casou com a princesa do baile de formatura, com quem teve dois filhos. A vida pacata só lhe fez mal. Anos depois, a mulher o trocou por um dermatologista idiota, ele mal se consegue segurar no emprego de treinador do colégio local e perde a guarda dos filhos após um incêndio detonar a sua casa.


A série exibiu ontem seu quarto episódio nos Estados Unidos e estreia no Brasil no dia 3 de outubro, na HBO.


Desesperado e cheio de contas (daí o título, enforcado), com a casa queimada e hipotecada, vive o pesadelo americano numa Detroit também destruída pela crise imobiliária. ‘Quando eu parei de tentar chegar a algum lugar e passei apenas a tentar não me afogar?’, Ray se pergunta, de repente consciente do fundo do poço em que se encontra.


O professor tenta pedir dinheiro para a ex-mulher, mas o orgulho não permite. Matricula-se, então, em um picareta curso de autoajuda. De lá, sai só uma ideia fixa: explorar seus dotes anatômicos e sexuais.


Quem o ajuda nessa empreitada para sair do buraco é outra fracassada: uma poeta que desperdiça a vida se matando de trabalhar numa empresa e que sempre se dá mal em seus relacionamentos. Vira a cafetina de Ray ou, como ela define, do ‘consultor de felicidade’.


É um seriado de humor, mas de um riso meio forçado quando se percebe que o mundo que comercializa tudo, até a felicidade, é a realidade em que estamos mergulhados todos os dias.’


 


 


SARNEY
Eliane Cantanhêde


É ou não é?


‘BRASÍLIA – Lula até tem razão quando pede cuidado com a biografia de investigados e relativiza os crimes: ‘Uma coisa é você matar, outra coisa é roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influências, outra coisa é o lobby’, disse.


Ok. Realmente, Sarney empregar o namorado da neta no Senado não é igual a roubar e matar. Mas…


É justo uma família tão rica fazer favores com dinheiro público? E os outros quase 40 familiares e apadrinhados (ao que se saiba) que os Sarney empregaram por aí?


É admissível uma associação dita beneficente e com o sugestivo nome de Amigos do Bom Menino das Mercês repassar recursos de patrocínio cultural para a Fundação José Sarney? Especialmente sendo ambas ligadas à família?


É razoável que o primogênito, Fernando Sarney, seja simultaneamente secretário de Energia do Maranhão e dono de uma empresa fornecedora de postes de concreto para a mesma secretaria?


É verdade que Sarney é sócio da neta numa empresa (que tem sede na casa dele em Brasília) para comprar terras onde há indícios de gás e petróleo? O que há de causa e efeito entre a empresa, as terras e as nomeações de Sarney para o Minas e Energia e a Eletrobras?


É a serviço da oposição ou da mídia que a PF e a Receita estão fazendo essas devassas?


E o que dizer do estado de calamidade pública do Maranhão depois de meio século de domínio dos Sarney e de seus paus-mandados?


O promotor de Justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, de Sorocaba (SP), envia e-mail querendo entender a preocupação de Lula com umas biografias e não com outras: ‘Se o acusado é adversário do PT, podemos acusá-lo à vontade, como foi feito com Collor (1992), Ibsen Pinheiro, Eduardo Jorge, Yeda Crusius etc. Se ele for aliado do PT, como Collor (2009), Renan, Sarney e outros, não devemos tratá-los como pessoas comuns. É isso mesmo, senhor presidente?’.


Taí. Boa pergunta.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


À sua medida


‘Na manchete do ‘China Daily’, sem aspas, ‘Relações EUA-China vão dar forma ao século 21’. Era uma declaração do presidente Barack Obama, ao receber a comitiva chinesa para ‘consultas de alto nível’ sobre crise econômica etc.


Nos EUA, não foi manchete on-line e mal recebeu registro nas páginas iniciais de ‘New York Times’ e ‘Washington Post’. O ‘Wall Street Journal’ deu mais atenção, mas noticiando apenas que ‘EUA buscam ampliar relações com a China’.


Na Europa, foi manchete on-line de ‘Financial Times’, com o enunciado ‘Obama expõe sua visão para conversas com a China’, e vários outros. No espanhol ‘El País’, ‘China e EUA discutem a remodelação do mundo à sua medida’.


Hoje na primeira página e ontem no site, o jornal estatal ‘China Daily’ apresenta o século 21 como sino-americano


CRISE BOA


No dia da chegada dos chineses, Jim O’Neill, economista do Goldman Sachs que cunhou a sigla Bric, surgiu ontem em longa entrevista ao ‘WSJ’ e disse, a certa altura: ‘A crise foi uma coisa boa para alguns países. É certamente o caso da China, onde a demanda interna melhorou e houve crescimento menos dependente de exportação’.


Ele já não considera os Brics ‘como mercados emergentes. Eles são grandes demais para isso’.


‘NEW AMIGO’


A rede McClatchy de jornais dos EUA segue publicando longa reportagem sobre a presença da China na América Latina. Ontem, no ‘Seattle Times’, o enunciado falava em ‘new amigo’.


ÁSIA & BRASIL


Agências despacharam ontem os resultados de uma nova pesquisa global Nielsen, divulgada em Hong Kong, concluindo que a confiança do consumidor ‘subiu levemente desde março, notadamente na Ásia e no Brasil’.


O estímulo fiscal teria influenciado nos quatro Brics, segundo o instituto americano. Indonésia e Índia são os mais otimistas. O Brasil ficou em quarto lugar entre os 28 países pesquisados, com um salto de oito pontos, de março para junho. A China é a sexta. Os Estados Unidos não passam do 17º lugar.


EUA TAMBÉM?


No fim do dia, os sites de ‘WSJ’ e ‘FT’ destacaram que as vendas de imóveis novos ‘saltaram’ nos EUA.


O HEMISFÉRIO EM JOGO


O ‘NYT’ deu alto de página ontem para Itaipu, sob o título ‘Acordo de energia com Brasil dá impulso ao Paraguai’ (acima). O jornal ouve e destaca a opinião de Riordan Roett, da universidade Johns Hopkins: ‘O hemisfério todo está em jogo. Os brasileiros estão fazendo tudo o que podem para sustentar a esquerda democrática ou moderada na América Latina. Eles têm esperança de que Fernando Lugo se decida por ficar’ distante de Hugo Chávez. Seria também uma mensagem ao boliviano Evo Morales, sobre a disposição de negociar.


Já o ‘FT’ ouve um ‘consultor de energia do Rio’ e ex-diretor da agência de petróleo sob FHC, para quem ‘a única coisa que o Brasil vai ganhar é impulso para a liderança pessoal de Lula’ na região.


SERRA VS. LULA, NÃO


Ontem no site da ‘Veja’, de um anônimo ‘especialista em eleições e em José Serra’:


‘O Serra quer empurrar a discussão sobre 2010 para 2010 porque acha que neste momento o debate viraria ‘Serra vs. Lula’ e isso não é bom para ele. Só quer a discussão quando a campanha de Dilma Rousseff estiver nas ruas. Aí, será Serra contra Dilma.’


PIADA?


O humorista da Band comparou ‘macaco’ com jogador, depois com ‘negro’, e só faz se justificar desde então, por Twitter, blog’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 28 de julho de 2009


 


CUBA
O Estado de S. Paulo


EUA desativam painel que irritava Havana


‘O Escritório de Interesses dos EUA em Havana desligou a tela eletrônica instalada em 2006 no 5.º andar de seu edifício, de onde transmitia notícias, mensagens políticas e artigos da Declaração dos Direitos Humanos. Segundo o Departamento de Estado americano, o painel luminoso foi desligado porque não ajudava a promover o diálogo bilateral impulsionado pelo governo do presidente Barack Obama. ‘Ele não estava ajudando a promover uma relação mais produtiva’, afirmou o porta-voz da chancelaria americana, Ian Kelly. ‘Também não era eficiente como um modo de levar informação aos cubanos, porque eles não podiam vê-la’, completou, referindo-se às bandeiras hasteadas em frente do letreiro (foto) por ordem do governo cubano para obstruir sua leitura.’


 


 


FELIPE MASSA
Livio Oricchio


Imprensa, fãs, curiosos… É a frente do hospital


‘A quadra da avenida Robert Károly onde se encontra o hospital Állami Egészségüguy Központ, mais conhecido como Hospital Militar de Budapeste, transformou-se num centro de imprensa internacional e de fãs de Felipe Massa nos últimos três dias.


Ontem dois dos seus muitos torcedores apareceram com a bandeira do Brasil nas costas, mas eram húngaros e só falavam sua língua. Tem sido comum as pessoas desejarem sorte para Massa, quando descobrem que conversam com jornalistas com acesso a parentes do piloto. Na Hungria, convidar para jantar parece ser uma deferência das mais importantes. Dois restaurantes já ofereceram jantares para o piloto, assim que sair do hospital. Pode ser formalidade, mas é outra forma de expressar seu respeito e carinho por Massa.


Luis Antonio, seu pai, disse ter recebido cartas manuscritas de vários fãs húngaros, que fazem do simples ato de permanecerem parados em frente ao hospital um gesto de solidariedade. Não dizem nada, não desejam nada. Estar lá já os satisfaz.


A multidão que ocupa diariamente a calçada em frente ao hospital já provocou algumas confusões. As pessoas ficam sobre a faixa de bicicletas existente bem ali, o que obriga os ciclistas a irem para o meio da avenida. Há vários caminhões das emissoras de TV de muitas nações com suas ilhas de edição e enormes antenas para transmitir as imagens para os satélites.


O NÃO DE SCHUMACHER


Enquanto Massa não voltar a competir, é provável que seus fãs apoiem o substituto. E esse foi o assunto mais forte no início da noite, depois de os médicos, sempre tão prudentes, sinalizarem que a recuperação total do piloto da Ferrari não só é possível como está bem a caminho e na velocidade em que ele pilota.


O alemão Michael Schumacher falou ‘não’ à ideia de voltar a correr, ainda que por cerca de quatro etapas, período provável de ausência de Massa.


O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, disse em Budapeste não ter pensado com o diretor geral, Stefano Domenicali, sobre quem vai correr dia 23 no GP da Europa. A escolha mais natural será confirmar o piloto reserva da equipe, o espanhol Marc Gene. ‘Será uma solução caseira’, afirmou um integrante da Ferrari.’


 


 


TELEVISÃO
Cristina Padiglione


Livro une Robertos


‘Quem, entre os espectadores que acompanharam anos e anos de rivalidade entre TVA e Net-GloboSat, diria que os Robertos Civita e Irineu Marinho teriam se encontrado em 1990 para discutir a possibilidade de Abril e Organizações Globo operarem juntas a TV por assinatura, nicho que estava começando no Brasil?


O Roberto que mais prosperou no negócio diz que não se lembra disso. Roberto Irineu, no entanto, não chega a negar o fato.


Já Roberto Civita não só garante que o encontro ocorreu, como lembra que foi no Hotel Caesar Park, em São Paulo. A história se encarrega de confirmar que não houve acordo entre as partes.


E a justificativa, segundo Civita, é que ambos queriam o controle do negócio promissor.


O episódio consta do livro TV por Assinatura: 20 Anos de Evolução, que Samuel Possebon lança este mês durante a feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA).


Diretor editorial das publicações Tela Viva, Teletime e Pay TV News, Possebon ouviu mais de 40 personagens. A edição é da Save Produções, ABTA e Seta.’


 


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


Trailer de Besouro faz história na internet


‘Feijoada no Paraíso. Com um título desses, não admira que o cineasta João Daniel Tikhomiroff tenha se interessado pelo livro de Marco Carvalho, que, literalmente, lhe caiu no colo. O próprio João Daniel conta. Rato de livraria, ele é do tipo que busca o livro mais inacessível na estante. Estava de olho em um e, ao puxá-lo, caiu outro no seu colo e era justamente o de Carvalho, um livro fininho, com uma seleção de contos baseados nas lendas sobre o capoeirista que se tornou conhecido como Besouro. João Daniel pensou primeiro numa série de TV. Foi seu filho quem sentiu o potencial da história de Besouro como tema para o primeiro longa com que João Daniel sonhava havia tanto tempo.


Antes mesmo de estrear – a data apontada é 30 de agosto -, Besouro já está fazendo história no cinema brasileiro. A Globo, parceira da Mixer (de João Daniel) e da Mira Vista, colocou o trailer do filme durante duas horas na internet. Besouro foi parar no YouTube e, em 15 dias, atingiu o recorde de 310 mil acessos. Isso é bem mais do que os 265 mil acessos que Se Eu Fosse Você 2 atingiu ao longo de seis meses. O que isso revela? Que o filme de João Daniel Tikhomiroff tem potencial para atrair o público – jovem, principalmente. Embora baseado no livro de Marco Carvalho, não se prende a ele nem aos personagens reais que fizeram parte da história de Besouro. ‘É uma ficção, uma fantasia baseada nas lendas sobre um homem extraordinário’, define o diretor.


O trailer sustenta o que diz João Daniel Tikhomiroff – mostra imagens detalhadas da vida dos negros no Recôncavo Baiano, após a libertação dos escravos. Filho de ex-escravos, Manuel, que vai virar Besouro, continua no trabalho escravo, pois a vida dos negros até piorou depois da ?libertação?. Antes, eles tinham casa e comida. Depois, nem isso – e continuavam sendo cidadãos de segunda categoria. A capoeira vai lhe dar uma identidade. E mais – o cordão de ouro vai fechar seu corpo e fazer dele uma lenda de resistência à autoridade e repressão dos antigos (?) senhores brancos, que permanecem com o poder. No trailer, Besouro voa. ‘Faz parte da lenda. Muitas das histórias que se contam sobre ele tratam justamente dessa sua capacidade mágica de voar. O próprio besouro, o inseto, é um desafio à gravidade. Por suas características, ele não deveria voar, mas voa. O homem Besouro também voava, é o que diz a lenda.’


No trailer, Besouro atravessa a tela, de uma extremidade a outra, voando. Parece um filme chinês de artes marciais – O Tigre e o Dragão, de Ang Lee. Não é mera coincidência que João Daniel tenha importado o especialista chinês – Dee Dee – que fazia voar o elenco de Ang Lee. Besouro tem a vocação assumida de ser o primeiro filme brasileiro de artes marciais, tratando a capoeira como tal. João Daniel poderá receber críticas por isso, mas está preparado. Ele se preparou a vida inteira para fazer esse filme. Menino, ele via todo tipo de filme nas cabines da Universal, empresa norte-americana da qual seu pai foi um dos dirigentes no Brasil. Nos anos 70, aos 19 anos, começou seu primeiro longa, que ficou inacabado.. César Charlone, o diretor de fotografia que Fernando Meirelles considera seu irmão (seu coautor), começou com ele. Desde então, João Paulo queria voltar ao cinema. Foi fazer publicidade, é um dos sócios fundadores da Mixer. Muitos anos depois, ei-lo que assina Besouro.


A música-tema foi composta por Gilberto Gil, a trilha reúne os contemporâneos Instituto, Nação Zumbi e Naná Vasconcelos. O diretor de arte é Cláudio Amaral Peixoto e o fotógrafo é Enrique Chediak, que a Variety, Bíblia do show biz, listou como um dos dez mais do mundo. Todas essas colaborações foram valiosas para João Daniel, mas o filme é produto de uma parceria. Ele descobriu sua alma gêmea na preparadora de elenco Fátima Toledo. Você sabe quem é. Fátima preparou Fernando Ramos da Silva para ser Pixote, há quase 30 anos – o filme de Hector Babenco é de 1981 – e, desde então, nunca mais parou. Karin Aïnouz não prescinde dela, Sérgio Machado também e o que seria de Cidade de Deus sem Fátima Toledo?


Seu método é polêmico e Fátima sabe que as maiores reservas vêm da classe teatral. A voz corrente – o Estado já fez reportagens sobre isso – é que ela prepara amadores para reagir a estímulos específicos em determinadas cenas, mas isso não forma atores. Ela diz que, ao filmar, qualquer um de seus ?não profissionais? está sendo um ator iniciante e o que gosta é justamente da mescla – a tensão entre atores profissionais e os que não possuíam técnica. ‘A Fátima deixa o ator num estado de emoção à flor da pele que permite ao diretor ir fundo na emoção. As melhores cenas de Besouro valem-se dessa emoção sem terem sido ensaiadas’, diz o diretor.


Fátima Toledo prepara-se para realizar seu primeiro longa, Sobre a Verdade, que trata de um episódio verídico, em que casal é injustamente acusado de abusar de crianças. ‘Quando foram inocentados, o estrago já estava feito e a reputação deles destruída na mídia’, ela diz. Fátima é obcecada pelo que chama de busca da verdade (interior) de seus atores. Seu método sempre se baseou no realismo, basta ver seu currículo. Em Besouro, o primeiro choque foi dela, por ter de trabalhar, pela primeira vez, com a fantasia. Como harmonizar coisas tão aparentemente inconciliáveis. A verdade, a realidade, e a fantasia? Ela começou indo fundo no realismo. O ator Irandhir Santos, que faz Noca de Antônia, o chefe de jagunços do coronel Venâncio, não é um estreante – ao contrário de Ailton Carmo, que faz Besouro. Irandhir é ator de teatro. Fez um papel em A Pedra do Reino, de Luiz Fernando Carvalho.


Irandhir foi incentivado a trabalhar seu ressentimento contra o negro – contra o Besouro. Foi uma violência. Ele tinha de ficar chamando o outro de ?negro?, e com ódio. Mais de uma vez Irandhir vomitou após filmar a cena, cuspindo todo aquele sentimento negativo que a preparação leva ao limite. Ailton é a juventude, a beleza. Quando ele voa, quando faz seus jogos amorosos com Jessica Barbosa, a Dinorá, João Daniel, que é branco, mas isso não importa, está levando a negritude a um outro patamar no cinema brasileiro. Até por isso, Besouro poderá dar o que falar. Se você ainda não é um dos mais de 300 mil internautas que já viajaram no trailer, vá ao YouTube. Depois disso, você ficará contando os dias até a estreia.’


 


 


 


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