Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 13/03

Emissoras de TV vão à
Justiça contra Telefônica

Por Luiz Antonio Magalhães em 13/03/2007 na edição 424


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 13 de março de 2007


TELECOMUNICAÇÕES
Elvira Lobato


TVs pagas vão ao Cade e à Justiça contra Telefônica


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acirrou o conflito entre os setores de telefonia e de televisão por assinatura ao aprovar, na semana passada, a licença de TV paga via satélite para a Telefônica.


A ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) informou ontem que recorrerá ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça) ou à Justiça para tentar anular a decisão do órgão regulador.


O diretor-executivo da entidade, Alexandre Annemberg, disse ter estranhado a afirmação do ministro das Comunicações, Hélio Costa, na semana passada, de que a decisão não foi apenas da Anatel, mas também da Casa Civil e do Ministério das Comunicações.


‘Isso indica que houve ingerência do Palácio do Planalto e do ministério em assuntos da esfera da Anatel’, afirmou Annemberg. Reafirmou que a ABTA é contra a entrada da Telefônica no mercado de TV paga em São Paulo, por ela ter concessão do serviço de telefonia local fixa no Estado.


‘Ao conceder a licença para o serviço de TV paga à Telefônica, o governo fortalece o monopólio, em vez de estimular a concorrência no mercado’, disse o executivo. Lembrou que a Telefônica já negociou a compra das operações de MMDS -serviço de TV paga com transmissão pelo ar- e de participação nas empresas de TV a cabo da TVA, do grupo Abril.


A Telcomp (associação das empresas de serviço limitado especializado) também estuda entrar com ação contra a Anatel. O presidente da entidade, Luiz Cuza, disse à Folha que a decisão será tomada pelos advogadosm da Telcomp depois que a Anatel tornar pública a documentação do processo da Telefônica.


Lei permite


Técnicos da Anatel disseram à Folha que não haveria respaldo legal para a agência vetar o pedido da Telefônica, porque o regulamento do serviço de TV paga com transmissão direta do satélite só exige que o operador seja estabelecido no país. A agência diz que, se vetasse o pedido da Telefônica, a empresa poderia anular a decisão na Justiça. Os técnicos da Anatel tampouco acreditam que o projeto possa ser vetado com o argumento de concentração de mercado.’


MEMÓRIA / GERARDO MELLO MOURÃO
Carlos Heitor Cony


Gerardo Mello Mourão


‘Na última sexta-feira, morreu aqui no Rio um dos homens mais inteligentes e cultos que conheci no tumultuado universo das letras. Gerardo Mello Mourão teve biografia acidentada e obra mais que consagrada. Chegou a ser indicado por intelectuais franceses e italianos ao Prêmio Nobel.


Um de seus livros, ‘O Valete de Espadas’, traduzido na França e publicado pela Gallimard, foi escrito numa de suas prisões, durante a ditadura do Estado Novo, e é um livro que alguns críticos apontam como uma de minhas influências. Ele teve a honra de ser preso pelas duas ditaduras de seu tempo, a de Vargas e as do regime militar de 1964.


Foi membro assumido da Ação Integralista e chegou a ser acusado de espionagem a favor dos nazistas -valia tudo para desclassificar os seguidores de Plínio Salgado, liderança absoluta da direita no final dos anos 30.


Homem culto, formado e informado num seminário católico, traduzia latim e grego com espantosa facilidade. Nem por isso deixou de ser influenciado pelos cordelistas que encantaram a sua infância.


Poeta rigoroso, na mocidade fez parte de um grupo que parafraseou aquele ‘Aut Caesar aut nihil’, criando a divisa: ‘Ou Dante ou nada’. Rasgou todos os versos anteriores e partiu para uma obra poética sofisticada, de talho clássico. Mas nunca abandonou de todo a ficção e o ensaio.


Foi colaborador da Folha durante 40 anos e deputado federal cassado pelos militares. Como Guimarães Rosa, usava gravata borboleta, viajou o mundo todo e tinha um humor próprio. Um grande conversador, imitava Plínio Salgado e outros líderes daquele tempo com uma ponta de malícia crítica. Considerava-se frustrado porque não era um santo como a mãe dele queria que fosse. E que ele próprio gostaria de ser.’


ENTREVISTA / JAGUAR
Sylvia Colombo


‘Humoristas estão muito certinhos’


‘Aos 75 anos e ainda freqüentando de modo assíduo os botequins do Rio -e os da cidade onde estiver-, Jaguar encontrou a Folha num tradicional restaurante da rua São José, no centro da cidade, na tarde da última sexta-feira.


O motivo da entrevista é o fato de ele estar agora à frente da coleção de humor da editora carioca Desiderata, publicando novos cartunistas e gente da época do ‘Pasquim’, incluindo ele próprio. Entre os lançamentos vindouros, um livro de cartuns que ele havia publicado apenas na Argentina, há mais de 30 anos, e do qual não lembrava mais. ‘Voltei para o Rio, cai na gandaia, e esqueci dele.’


O título, sugestivo, é ‘Nadie Es Perfecto’ (ninguém é perfeito). Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista.


FOLHA – Como anda o cartum?


JAGUAR – O cartum é uma espécie em extinção. Tem muita gente publicando história em quadrinhos, charges, caricaturas. Não é a mesma coisa. Sou cartunista, mas sobrevivo fingindo que sou chargista. Se não, não pago as minhas contas.


FOLHA – Qual é a diferença essencial entre cartum e charge?


JAGUAR – Simples. Por exemplo. Hoje fiz uma charge sobre a visita do Bush. Desenhei o Lula chamando o Bush, que está indo embora do quadrinho. Só aparecem os pezinhos dele. Lula estica o dedo e chama: ‘Ei, ô companheiro, e a saideira?’. Isso é uma charge. Uma piada que, daqui a cinco anos, ninguém vai entender, porque é em cima de uma circunstância.


FOLHA – E o cartum?


JAGUAR – É um troço que você faz sobre assuntos que daqui a 20 anos qualquer um entenderá. Um exemplo clássico, uma piada qualquer sobre o ‘Ricardão dentro do armário’. Todo mundo sabe do que eu estou falando. Piadas sobre vida conjugal, sexual, todo mundo entende. Em qualquer época. Já piadas em cima de fatos políticos momentâneos vão ficando incompreensíveis.


FOLHA – E por que o cartum está em extinção?


JAGUAR – Porque ninguém mais publica. Eu não tenho onde publicar. De vez em quando emplaco um cartum. Mas tem de ser disfarçado de charge. Se não for assim, não passa.


FOLHA – O mundo está se desinteressando do humor?


JAGUAR – Pelo menos deste formato de humor, sim. Tanto que revistas no mundo todo estão desaparecendo. A única que ainda publica cartum de verdade é a ‘The New Yorker’.


FOLHA – Há uma nostalgia excessiva com relação ao ‘Pasquim’? As pessoas romantizam demais essa época?


JAGUAR – Eu não tenho nostalgia nenhuma. Só quero saber o que vou fazer amanhã. Mas as pessoas ficam com esse papo: ‘Ah, no tempo do ‘Pasquim’. É uma bobagem, coisa de velho gagá. Como se tivesse sentido existir o ‘Pasquim’ até hoje.


FOLHA – Quando lê os jornais, vê a influência do ‘Pasquim’?


JAGUAR – Os jornais mudaram muito. Mas acho que mudariam de qualquer jeito. Se não fosse por um lado, seria pelo outro. As coisas já estavam em transformação.


FOLHA – Mas você escreveu que, com o ‘Pasquim’, a imprensa tirou o paletó e a gravata.


JAGUAR – É verdade, mas a mudança já estava acontecendo. O ‘Pasquim’ deu certo porque as pessoas se identificaram. Por outro lado, posso dizer que quem começou essa transformação toda na imprensa brasileira fui eu, e por acidente.


FOLHA – Como assim?


JAGUAR – A gente tinha feito uma entrevista com o Ibrahim Sued. Fomos eu, o Tarso de Castro e o Sérgio Cabral. Mas depois todo mundo sumiu.


FOLHA – Sumiu?


JAGUAR – Sim, sumiu. Éramos um bando de porra-louca. Os dois foram para a farra e eu tive de tirar a entrevista sozinho. Só que eu não sou jornalista e não sabia fazer isso. E deixei o texto com o jeito coloquial mesmo. Virou nosso ‘estilo’.


FOLHA – E pegou na hora?


JAGUAR – Não. Demorou. Os jornais resistiram a adotar o tom coloquial. Só depois que a publicidade começou a usá-lo é que a imprensa foi atrás. Mas hoje já acho que essa fórmula se esgotou.


FOLHA – Por quê?


JAGUAR – Nossas entrevistas ficavam boas porque éramos um monte de caras de porre que íamos falar com um coitado de um entrevistado que não tinha chance de abrir a boca. Passava um aperto danado. Depois que a coisa pegou, a imprensa começou a usar essa fórmula, só que para levantar a bola do entrevistado. Aí perdeu a graça.


FOLHA – Até quando, então, você acha que o ‘Pasquim’ justificou a sua existência?


JAGUAR – O ‘Pasquim’ foi uma experiência muito divertida, mas eu poderia tê-la diminuído em dez anos. Fiquei fazendo o jornal de teimoso. Me endividei. Foi um horror. Todos pularam fora e eu fiquei. O jornal perdeu a influência, a tiragem era pífia. Podia ter feito como os outros, que foram cuidar de suas vidas. Mas, não, fiquei lá, morando na redação, dormindo num colchonete debaixo da prancheta. Um maluco.


FOLHA – Dá para viver de cartum?


JAGUAR – Não. Eu trabalhei 17 anos no Banco do Brasil. E nunca faltei nem um dia. O banco foi fundamental. Não só pela grana, mas porque me ensinou a ser profissional. Sou um porra-louca, bêbado, alcoólatra, um monte de coisa. Mas nunca faltei no trabalho. Também nunca deixei de entregar um desenho no horário, no dia certo. Isso eu devo ao banco.


FOLHA – Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?


JAGUAR – Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia.


Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: ‘Ah, é o Jaguar, deixa ele’.’


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Segundo volume de antologia sai em maio


‘No próximo dia 15 de maio chega às livrarias o segundo volume da antologia do ‘Pasquim’, inaugurada no ano passado. O jornal foi criado em 1969, por Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral. Fez oposição ao regime militar e reuniu figuras de destaque na imprensa, como Ziraldo, Millôr, Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa, Ruy Castro e Sérgio Augusto. A última edição saiu em 11 de novembro de 1991.’


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Cartunista participa de debate hoje


‘Um debate hoje, na Fnac Paulista (av. Paulista, 901, tel. 0/xx/11/2123-2000), a partir das 19h, lançará a primeira leva de títulos de humor organizada pelo cartunista Jaguar para a Desiderata. A mesa-redonda reunirá o cartunista da Folha Allan Sieber, Jaguar e o coordenador da editora carioca e também autor, Gustal.


‘Ministério de Perguntas Cretinas’ (120 págs., R$ 19,90) é o destaque dessa fornada. Trata-se de uma coletânea de piadas de Millôr, criadas a partir do duplo significado de expressões populares, que já havia sido publicada na revista ‘Cruzeiro’, nos anos 60.


Agora ganham reedição, com ilustrações de Jaguar feitas especialmente para a ocasião. Por incrível que pareça, é a primeira vez que ambos realizam e assinam uma parceria.


‘Assim Rasteja a Humanidade’ (120 págs., R$ 19,90), de Allan Sieber, reúne piadas sobre o cotidiano, escatológicas e sexuais, do criador de ‘Vida de Estagiário’; enquanto ‘Um Riso em Decúbito’ (104 págs., R$ 16,90) reedita as melhores frases do humorista Don Rossé Cavaca, que publicava no jornal ‘Tribuna da Imprensa’, também nos anos 60.


A série tem como símbolo e mascote o ratinho Sigmund, criado por Jaguar para acompanhar o ‘Pasquim’.


Também está sendo lançado pela mesma editora a coletânea ‘Gip! Gip! Nheco! Nheco!’, com as melhores piadas do jornalista Ivan Lessa criadas para a seção homônima que manteve no ‘Pasquim’ entre 1972 e 1981. As frases eram ilustradas pelo time de desenhistas do ‘Pasquim’. Nesta edição, predominam os de Redi. Lessa também criou, para o ‘Pasquim’, roteiros de fotonovelas, além de escrever os ‘Diários de Londres’, depois que se auto-exilou na capital britânica, em 1978.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Quem perde, quem ganha


‘Começam os balanços da turnê de George W. Bush, sempre em contraste com a de Hugo Chávez.


A BBC seguiu reportagem da Telesur e confrontou no mapa as paradas do americano e do venezuelano, este no encalço daquele. O ‘Guardian’, sublinhando os protestos, escreveu que ‘você tem que sentir pena de Bush’. Andrés Oppenheimer, do ‘Miami Herald’, diz que para seus interlocutores Chávez se saiu um pouco melhor -ou seja, no caso, muito melhor.


Não para a ‘Economist’. Em texto que adiantou no site, a revista diz que é ‘uma viagem impopular, mas não sem sentido’. Bush ‘fez poucos novos amigos’, também ‘pouco de substancioso se alcançou’, por exemplo, quanto ao álcool. Mas o presidente dos EUA ‘ao menos mostrou que a esquerdista América Latina também não está unida em torno de Mr. Chávez.’


ESCRAVOS DO ETANOL


O ‘New York Times’ saiu-se ontem com o título ‘Bush pressiona por livre comércio onde as crianças ainda cortam cana’, sobre a Guatemala.


O ‘Guardian’ foi além e, no final da semana, em longa reportagem do correspondente Tom Philips desde Palmares Paulista, no ‘coração da revolução energética brasileira’, noticiou, no título-denúncia:


– Os escravos do etanol do Brasil: os 200 mil cortadores de cana que sustentam o ‘boom’ da energia renovável.


AMÉRICA NEGRA


Antes do ‘Guardian’ e do ‘NYT’, o blog de Luiz Felipe de Alencastro já alertava:


– Quem conhece a história do Brasil e das regiões caribenhas, ou seja, da América Negra, sabe como a grande lavoura açucareira carrega uma tradição de escravismo.


SETE NOVAS IRMÃS


No blog Energy Roundup, do ‘Wall Street Journal’, sobre a lista das novas gigantes do petróleo, do ‘Financial Times’, que incluiu a Petrobras:


– As Novas Irmãs controlam dez vezes mais reservas do que as velhas. E produzem duas vezes mais. Só ficam atrás em faturamento líquido, mas devem controlar a produção mundial por décadas, então devem passar à frente. As Velhas Irmãs talvez nunca recuperem o terreno perdido.


DA CHINA


As agências Reuters e AP noticiam que a China desenvolverá na próxima década um jato de grande porte para concorrer com Boeing e Airbus. Nos despachos, atenção para a fábrica criada pela Embraer na China em 2004, em acordo com a AVIC II, que está no projeto de grande porte.


AGORA OU NUNCA


Figurante na pauta de Bush, o debate sobre comércio mundial, a ‘rodada Doha’, foi ao primeiro plano ontem em jornais financeiros como ‘FT’ e ‘Valor’, este com a manchete ‘EUA querem abertura em eletroeletrônicos e químicos’. Querem mais, ‘que o Brasil pressione a Índia a abrir seu mercado’. Diz o ‘FT’ que ‘os poucos que estão realmente envolvidos nas negociações insistem que Doha está finalmente fazendo algum progresso’. Mas, diante da resistência dos EUA em eliminar subsídios, ‘a frustração cresce’. E também o desespero, a julgar pelo ‘El País’ de ontem, no texto ‘Acordo em Doha: agora ou nunca’.


TORTURA? GUERRA CIVIL?


A Fox News, ao vivo da Marginal Pinheiros, destilou preconceito contra a segurança brasileira de Bush. Nada de novo. Ontem nos sites de edição compartilhada Digg e Reddit, o destaque era o blog No Quarter, que fez uma seleção de absurdos direitistas da emissora. Os dois reproduzidos acima retratam os debates ‘11 de Setembro teria sido evitado se Moussaoui fosse torturado?’ (esq.) e ‘Guerra civil aberta no Iraque é uma coisa boa?’.


NÃO PEDE LICENÇA


Do blog Blue Bus, a partir do site Relatório Reservado:


– O mexicano Carlos Slim vai lançar web TV no Brasil. O investimento deverá chegar à casa dos US$ 30 milhões.


O Blog do Zé Dirceu, de outro lado, avisa que ‘não há como impedir convergência dos meios’, ‘o mercado é dinâmico e não pede licença’ etc.


O ESTADO DA MÍDIA


Saiu ‘O Estado da Mídia’, relatório antes ligado à universidade Colúmbia, hoje independente. Sobre a mídia nos EUA em 2006, diz que ‘o ritmo da mudança se acelerou’ e ‘parece estar perto de um ponto-chave’. Sobre imprensa, pergunta e responde:


– A indústria de jornais está morrendo? Não agora.’


EUA / ABUSO SEXUAL
Folha de S. Paulo


Jornalista conta como sofreu abuso de padre


‘O jornalista americano Thomas Roberts, um dos âncoras da rede CNN, publicou no site da empresa no último dia 9 um relato sobre como ele foi vítima de abuso sexual cometido por um padre.


Roberts conta que foi assediado por três anos, desde quando tinha 14 anos de idade, por um sacerdote católico de Baltimore chamado Jeff Toohey. Segundo o jornalista, que confessou ter tentado se suicidar devido à angústia que sentiu, ele só criou coragem para denunciar o padre cerca de 20 anos depois.


A tentativa de suicídio foi por ingestão de drogas. Roberts não especifica o que tomou; diz apenas que eram comprimidos da sua mãe. O que o salvou, conta, foi o fato de sua irmã mais velha ter descoberto e o obrigado a vomitar.


O padre Toohey foi acusado de abusar de outras nove crianças. Ele foi condenado a cinco anos de prisão, dos quais cumpriu dez meses na cadeia e acabou solto para cumprir oito meses em prisão domiciliar.’


TV & LEITURA
Cecilia Giannetti


Big Book Brasil


‘UM INESPERADO aumento dos índices de leitura no país refletiu sobre a TV aberta nacional na forma de uma queda inédita de ibope -de repente, o povo brasileiro começou a ler insaciavelmente e simplesmente parou de ver televisão. Afogados em números vermelhos, fumando sob sinais de ‘Não Fume’ nas sedes das principais redes de TV, os diretores de programação concluíram que só havia uma saída: a reformulação drástica de suas grades.


No começo, mudanças discretas, reprises de ‘Meu Pé de Laranja Lima’ e ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. Mas o público não se deixava mais impressionar tão facilmente. Os diretores -ainda fumando desbragadamente- precisavam ousar. Aí vieram adaptações do premiado ‘Eles Eram Muitos Cavalos’, de Ruffato, e de toda a obra de Marçal Aquino e Ferréz no ‘Caso Verdade’.


Nossos elevados padrões causaram inveja entre eruditos na Europa -especialmente os franceses, que tornaram a atear fogo em carros, bicicletas e velocípedes, indignadíssimos com seu recém-adquirido complexo de inferioridade em relação ao Brasil.


Foi quando estreou o ‘Big Book Brasil’, maior inovação da televisão intelectualizada. Cada participante deveria produzir um conto ou um romance na frente das câmeras; todos confinados na casa-réplica da Academia Brasileira de Letras (com piscina).


A primeira prova decidiu quem escreveria o quê: houve contista que deu azar de pegar romance e romancista obrigado a aprender a arte do ‘fazer curtinho’. O prêmio para o vencedor seria a publicação de sua obra -em capa dura.


Uma mocinha da internet e um crítico literário entraram no BBB ‘pela janela’. Graças a um sorteio, Márcia Moreira (a M@rSil) chegou humildezinha com seu laptop quando os participantes mais cultos já estavam instalados na casa.


Ela não escondeu o desconforto ao ser chamada de ‘blogueira’ pelo crítico literário, que fora escolhido por ser amigo do diretor do programa. ‘O problema, Bial, é que o crítico fala como se eu fosse analfabeta. Tenho meu sonho desde que fiz meu primeiro ‘post’. Sempre quis escrever um livro. Ele, não! Passou a vida resenhando livro dos outros e agora quer sair do armário na TV. É um frustrado!’


Sonia Sanja (poeta de São João do Meriti) e Pedro Thiago (o que psicografava) viviam juntos sob o edredom. Mas quem chocou mesmo o Brasil foi o crítico literário. Em rede nacional, teve seu primeiro bloqueio de escritor, ao tentar escrever ficção. De roupão, em posição fetal no confessionário, chorou muito e orou a Deus.


Seu psicanalista, que tinha assinado o ‘pay-per-view’, comentou nas revistas de fofoca: ‘Ele não crê em nada, muito menos em Deus. Tá fazendo tipo’.


Na praia, sempre reluzindo com bronzeador de urucum, espeto de queijo coalho numa das mãos, noutra a cerveja, nosso povo ufanava-se de boca cheia do ‘Big Book Brasil’: ‘Librum lego. Littera sacra est; liber sacer, templum sacrum!’. E em latim, pra tirar onda.’


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Colunista quer falar do ‘grotesco do cotidiano’ com bom humor


‘‘Pode falar o diabo’, sugere, bem-humorada, a escritora Cecilia Giannetti, quando a reportagem pede que ela se apresente ao leitor na estréia de sua coluna na Folha. ‘Espero que consiga mostrar na coluna o grotesco do cotidiano com algum senso de humor. Peguei leve na primeira. Na próxima, falarei dos meus mendigos de estimação’, avisa.


Carioca, nascida em 1976, filha de pai médico e mãe assistente social, Cecilia morou boa parte de sua vida na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Fã do argentino Julio Cortázar e do norte-mericano Jonathan Safran Foer, publicou contos em antologias das editoras Record, Ediouro, Casa da Palavra e, na Itália, pela La Nuova Frontiera. Também colaborou com as revistas ‘Trip’, ‘Piauí’ e ‘Vogue’. Neste ano, ela lançará seu primeiro romance, ‘Lugares que Não Conheço, Pessoas que Nunca Vi’, pela Agir.


‘O livro conta a história de uma cidade virada pelo avesso porque a narradora, uma apresentadora de TV, não consegue ver o mundo como ele é, depois que ela testemunha um ato de violência terrível’, adianta.


O segundo romance, que já está a caminho, será menos duro: contará a história de uma menina que vive numa família de judeus e macumbeiros. O bom humor, como se vê, é sua marca registrada: ela conta que, em 2006, deu uma ‘respeitosa bitoca’ no escritor Gay Talese, em Nova York, onde trabalhou num bar. E de onde voltou pela ‘necessidade de pular Carnaval’.


A escritora diz ainda que fez três anos de boxe tailandês, chegando à faixa laranja. E procura o amor por onde vai. Enquanto ele não aparece, contenta-se ‘com um uisquinho’.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Boneca de ‘Páginas da Vida’ sofre rejeição


‘A boneca Clarinha, inspirada na personagem de ‘Páginas da Vida’ interpretada por Joana Mocarzel, está sofrendo resistência de lojas de brinquedos. Clarinha é a primeira boneca com características de portador de síndrome de Down.


O brinquedo até agora só foi vendido para três grandes empresas. As Lojas Americanas adquiriram 2.500 unidades e os Armarinhos Fernando, comércio popular da rua 25 de Março (centro de São Paulo), outras 120. O terceiro comprador foi uma loja do Rio de Janeiro.


Os idealizadores da boneca, mães de crianças com Down, ouviram de uma rede de supermercados que o grupo está sem verba para investir no produto. Uma famosa loja de brinquedos sequer tem atendido aos pedidos de reuniões com as mães.


‘Por ser uma boneca de uma personagem de novela, a gente pensou que fosse mais fácil vender, mas estamos tendo dificuldades. Apesar da divulgação, ninguém nos procurou até agora. Acho forte falar em preconceito. Isso é medo do diferente, tudo o que é novo assusta’, diz Audrey Bosio, 30, líder do projeto que criou Clarinha.


‘Acredito que as lojas não sabem qual será a reação do consumidor e estão esperando para comprar’, avalia Audrey.


A boneca está sendo produzida por uma fábrica do interior de São Paulo, a Walbert. A Globo cedeu os direitos. A renda irá para o Hospital Infantil Darcy Vargas, de São Paulo.


PESADELO TROPICAL 1 ‘Paraíso Tropical’ registrou média de 36 pontos em seus primeiros seis capítulos, dez a menos do que ‘Páginas da Vida’. Foi a pior primeira semana das 21h. Nem ‘Esperança’ (2002), com 40, foi tão mal.


PESADELO TROPICAL 2 Os televisores ligados no horário caíram de 69% para 66%. Isso significa que 3% dos domicílios da Grande SP desligaram suas TVs. A Record fisgou 4,5 pontos antes da Globo e SBT e Rede TV!, 1 ponto cada uma.


PESADELO TROPICAL 3 O desempenho de ‘Paraíso Tropical’ deixou setores da Globo atordoados. Ninguém sabe o que fazer para reverter o quadro da audiência. Culpa-se a escalação de atores em papéis errados e a repetição da zona sul carioca como cenário.


DIAGNÓSTICO Cynthia Benini não é o problema do ‘novo’ ‘SBT Brasil’. Sábado, dia em que a atriz dividiu bancada com César Filho, o telejornal marcou 5,1 pontos, sua melhor audiência _a média dos outros dias, com Carlos Nascimento, foi de 3 pontos.


RODÍZIO O ministro Hélio Costa (Comunicações) autorizou ontem a Band a retransmitir o mesmo sinal que irradia para São Paulo em Maceió. Recentemente, a rede perdeu sua afiliada na cidade para o SBT, que havia perdido a sua para a Record.


BASE FRÁGIL Principal diretor de novelas da Record, Alexandre Avancini deixou ‘Vidas Opostas’ para assumir sua substituta, ‘Caminhos do Coração’. Edgard Miranda ficou em seu lugar.’


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 13 de março de 2007


TV PÚBLICA
Gerusa Marques


Costa entrega ao Planalto projeto de R$ 250 mi para rede de TV do Executivo


‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, apresentou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um anteprojeto de criação da Rede Nacional de Televisão Pública, uma espécie de emissora de TV do Executivo para divulgar as ações do governo federal. Pelo projeto, seriam gastos R$ 250 milhões em quatro anos. A idéia é de que a rede comece a funcionar ainda neste ano, junto com o início da operação comercial da TV digital, previsto para dezembro.


Pelo projeto, R$ 100 milhões seriam gastos no primeiro ano, na compra de equipamentos como transmissores de sinal de televisão, e os outros R$ 150 milhões seriam aplicados ao longo dos três anos seguintes na expansão da rede. A intenção, segundo o ministro, é fazer com que as transmissões desse canal cheguem às cidades pequenas do País.


A proposta apresentada ontem, segundo Costa, ainda é preliminar e será discutida com a Casa Civil antes de ser finalizada. O ministro explicou que ainda não está definido se será aproveitada a estrutura da Radiobrás – que tem a TV Nacional – ou se será criada uma nova estrutura. Segundo ele, a Radiobrás não está presente em todas as cidades, alcançando só 30% dos municípios brasileiros.


Costa disse ainda que o projeto deve envolver as Câmaras municipais de vereadores e as Assembléias Legislativas estaduais para o compartilhamento dos benefícios e dos custos. Os recursos a serem aplicados pelo governo federal viriam do Orçamento Geral da União.


A criação de canais públicos de televisão está prevista no decreto que estabeleceu regras para a implantação da TV digital no País. Além da TV do Executivo, que terá a prioridade do governo, está prevista a criação de canais da cultura, da educação e da comunidade. Para isso, já está planejada para este ano a liberação de dez canais – do número 60 ao 69.


Costa disse que cabe ao Ministério das Comunicações tornar disponíveis os canais, mas que o conteúdo a ser divulgado será da competência de outras áreas do governo, como a Secretaria-Geral da Presidência da República, por exemplo. As regras para a implantação da rede poderão, segundo o ministro, ser definidas em portaria do seu ministério.


‘Estamos, na verdade, preparando o ambiente digital’, disse Costa, que admitiu começar o projeto com equipamentos analógicos, acrescentando que a transição do sistema analógico para o digital vai levar ao todo dez anos. ‘Nós não podemos é ficar esperando dois, três, quatro anos para termos uma rede pública de televisão digital. Nós começamos analogicamente e depois fazemos a conversão.’ Também está em estudo no governo a criação de uma rede pública de rádio. A idéia partiu de um pedido pessoal de Lula, que sonha em estabelecer um ‘canal de comunicação direto com o povo’, numa espécie de Voz do Brasil 24 horas no ar. Essa proposta agrada também aos radiodifusores, que vêm aí oportunidade de acabar com a obrigatoriedade de veicular a Voz do Brasil em cadeia nacional.


A estimativa de técnicos do setor é que com R$ 50 mil seja possível montar uma estação de rádio regional, no interior, que alcance cerca de cinco cidades. Em janeiro deste ano, ao anunciar que o projeto da rede nacional de rádio estava sendo estudado, Costa cogitou a possibilidade de aproveitar nessa emissora o conteúdo já produzido pela Radiobrás e pelas rádios Câmara, Senado e Justiça.


Diferentemente do previsto para a televisão, que deverá ter vários canais públicos, a rede de rádio seria apenas uma estação, com uso compartilhado da grade de programação por diferentes setores.


FRASES


Hélio Costa – Ministro das Comunicações


‘Estamos, na verdade, preparando o ambiente digital’


‘Nós não podemos é ficar esperando dois, três, quatro anos para termos uma rede pública de televisão digital. Nós começamos analogicamente e depois fazemos a conversão’’


João Domingos


Plano de democratizar meios de comunicação volta à tona


‘Junto com o sistema digital de TV e a Rede Nacional de Televisão Pública, o governo estuda o que chama de plano de democratização dos meios de comunicação, que envolve principalmente um pente fino nas concessões das emissoras de rádio e TV e vem sendo estudado por três setores do governo.


A idéia é pegar carona na implantação do sistema digital, embora os técnicos envolvidos com a nova lei saibam que não vão conseguir aprontar o texto até o início das operações. ‘Infelizmente, a TV digital começará a funcionar sem uma legislação específica’, prevê o professor Murilo Cesar Ramos, coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília e técnico requisitado pelo governo quando foi criado o grupo de trabalho da Casa Civil destinado a tratar do tema.


O plano de democratização é uma reivindicação do partido do presidente Lula. Reunido em Salvador no mês passado, o Diretório Nacional do PT oficializou a intenção de promover no segundo mandato uma ampla reforma da comunicação de massa. Um dos pontos fundamentais é atacar o que os petistas consideram ser um ‘monopólio privado’, conservador e prejudicial ao País, introduzindo concorrência no setor. Mas a verdade é que o debate interno ganhou força após a crise do mensalão, na qual o PT se considerou alvo de uma campanha injusta da mídia para desmoralizá-lo e derrotar Lula na eleição.


A criação de uma rede pública de TV é uma prioridade para o partido. Questionados, os petistas dizem que ela deveria ser semelhante à BBC britânica, caracterizada pela gestão pública, mas com independência editorial em relação a governos.


O projeto existe também no âmbito do governo. A diferença é que, ao contrário da resolução do PT aprovada em fevereiro, o governo quer evitar o tom revanchista adotado por defensores da punição da mídia.


Envolvidos com o debate sobre uma nova lei para o setor de comunicação há um grupo de trabalho na Casa Civil, que se reúne sem alarde e sem muito sucesso desde abril de 2005, e duas comissões distintas – uma no Ministério da Cultura e outra na Secretaria-Geral da Presidência. À exceção do grupo da Casa Civil, constituído ainda durante a gestão de José Dirceu e consolidado já sob a administração de Dilma Rousseff, os outros setores que tratam do tema negam estar envolvidos no debate. Mas estão.


O governo vem promovendo também fóruns de comunicação para tratar do tema, com ênfase para a rede pública de comunicação. Especialistas, parlamentares e técnicos envolvidos no debate da futura regulamentação disseram ao Estado que a intenção não é fazer nenhuma intervenção em jornais, revistas e outras publicações – nem ‘democratizá-los’ na marra.


Além de fugir do revanchismo do PT, o governo sabe que suas futuras investidas vão esbarrar num ponto crucial. Outorga, concessões e renovações de emissoras de rádio e TV são regulamentadas pelo artigo 223 da Constituição. O mesmo artigo estabelece até o prazo de concessões, sendo 15 anos para as emissoras de TV e 10 para as de rádio. Diz ainda que a concessão da permissão, antes de vencido o prazo, só pode ocorrer por decisão judicial.


Além da revisão das concessões, o governo quer introduzir maior concorrência no setor de radiodifusão. ‘Não dá é para continuar com o setor controlado por oito ou sete famílias’, afirma o deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara. ‘Isso tem que acabar.’


Para o professor Murilo Ramos, é preciso mudar o tipo de concessão, que, a seu ver, não exige nenhuma contrapartida das emissoras. ‘O contrato de concessão de uma telefônica tem plano de metas e outras exigências. O das emissoras não tem nada. Elas têm apenas bônus e nenhum ônus’, diz Ramos.


Uma forma de democratizar rádio e TV, acreditam especialistas, pode ser facilitar o acesso ao sistema digital para ONGs e grupos sociais.’


***


Tecnologia digital amplia canais


‘A tecnologia digital vai permitir uma ampliação no número de canais de televisão, uma vez que o sinal digital ocupa menos espaço que o analógico.


Assim, onde cabe atualmente um canal, com a TV digital será possível transmitir simultaneamente quatro programações diferentes.


Isso vai ocorrer de fato somente com os canais utilizados pelas TVs públicas, como Radiobrás, TV Cultura e TV Educativa.


As emissoras comerciais – como Globo, SBT, Bandeirantes e Record – já informaram que pretendem operar em alta definição.


Esse sistema permite recepção de imagens cristalinas, com qualidade superior à de um DVD e som estéreo, desde que o televisor também seja digital, mas ocupa todo o espaço do canal.


Para as emissoras, não é interessante dividir sua programação em quatro canais diferentes por uma questão financeira, já que elas estariam pulverizando as verbas publicitárias.


POLÊMICA


A questão da multiprogramação foi um dos pontos mais polêmicos que antecederam a escolha do padrão japonês de TV digital para ser implantado no Brasil.


As emissoras queriam que ficasse explícita no decreto que trouxe as regras para TV digital brasileira a opção pela alta definição.


De outro lado estavam as entidades de defesa pela democratização das comunicações, que defendiam a multiprogramação, para dar espaço maior à produção de conteúdo regional, por exemplo.


O governo, então, optou por deixar a escolha a cargo das emissoras, atendendo aos dois lados.


Para multiplicar os canais, os sinais terão que ser transmitidos em definição padrão, com qualidade inferior à da alta definição, mas ainda bastante superior à do sinal analógico, podendo ser comparada à de um DVD.’


BUSH NO BRASIL
Ruth Costas


Giro ‘bolivariano’ ganha na mídia, mas resultado é limitado


‘Hugo Chávez pode vencer a guerra da publicidade, mas, segundo especialistas, está longe de minar o êxito do giro d o americano George W. Bush pela América Latina. ‘Os protestos anti-Bush de Chávez e seus simpatizantes renderam boas imagens para as TVs e jornais, mas não trouxeram nada de novo, enquanto Bush obteve compromissos políticos e abriu novas frentes de negociação econômica nos países pelos quais passou’, afirma o dominicano Wilfredo Lozano, ex-diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), que hoje está à frente do Centro de Investigações e Estudos Sociais, em Santo Domingo.


Lozano explica que, apesar do empenho de Chávez em atrapalhar os planos americanos, os EUA ainda são um gigante econômico e uma potência política com poder de atração inigualável. ‘É preciso esperar para ver se todas as promessas de Bush serão levadas adiante’, opina Lozano. ‘Mas se os EUA estiverem de fato se voltando para a região, terão muito mais a oferecer que a Venezuela, cujo poder de influência depende de recursos obtidos graças aos altos preços do petróleo.’


Desde quinta-feira, Bush passou pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, países que possuem governos vistos como moderados por Washington. Em seu giro paralelo, Chávez esteve na Bolívia, Nicarágua, H aiti, Jamaica e Argentina – onde participou de um protesto anti-EUA que reuniu cerca de 20 mil pessoas.


‘Essas viagens coroaram o processo de divisão da América Latina entre países com governos pragmáticos – o que não quer dizer incondicionalmente pró-americanos – e aqueles que se dispõem a assumir os riscos de uma aliança com Chávez’, opina o cientista político venezuelano Omar Noria, da Universidade Simón Bolívar. ‘A novidade foi que países como Argentina e Uruguai, que se encontravam em zonas cinzentas em meio a esses dois paradigmas, assumiram posições mais claras.’


Para Noria, os giros paralelos de Bush e Chávez também colocaram em evidência as diferenças das estratégias adotadas pelos dois países para ampliar sua influência na região: o venezuelano prometeu investimentos na Argentina e ajuda para as vítimas de enchentes na Bolívia e do conflito no Haiti, enquanto Bush, basicamente, assinou ‘memorandos de entendimento’ e abriu ‘frentes de diálogo’.


Só para comprar títulos da dívida argentina, Chávez já gastou mais de US$ 3 bilhões – o dobro do montante reservado pela Casa Branca para toda a América Latina. ‘O auxílio americano vem pela ampliação de comércio e investimentos privados e não como ajuda direta do governo’, afirma Noria. ‘A vantagem, no longo prazo, é que tal estratégia não depende dos preços do petróleo.’’


MÍDIA & RELIGIÃO
Carmen Gentile


Caso Renascer será retomado hoje


‘Nos Estados Unidos, promotores e advogados de defesa se reunirão hoje pela última vez com o juiz que preside o caso de Estevam e Sonia Hernandes, o casal fundador da Igreja Renascer em Cristo, para assegurar que os dois lados estão prontos para ir a julgamento, segundo revelou ontem um funcionário do tribunal.


A ‘calendar call’ (sessão para acertar o calendário do julgamento) de hoje, presidida pelo juiz distrital Federico Moreno, determinará se os advogados estão preparados ou se um dos lados precisa de mais tempo para se preparar.


Sonia e Estevam Hernandes foram presos no aeroporto de Miami no dia 9 de janeiro carregando US$ 56,5 mil escondidos na bagagem, inclusive em uma Bíblia, tendo declarado apenas US$ 10 mil na alfândega. Os dois tiveram de entregar seus passaportes ao governo americano. Eles chegaram a passar alguns dias na prisão, mas atualmente estão em liberdade supervisionada na região de Miami.


A data de início do julgamento está marcada para a próxima segunda-feira. Mas essa data ainda pode mudar se qualquer uma das partes apresentar argumentos convincentes para seu adiamento.


Um funcionário do tribunal próximo do juiz Moreno disse ontem que tanto a acusação como a defesa parecem prontas para prosseguir conforme o planejado.


‘Eles estão prontos para ir a julgamento’, disse o funcionário, que pediu anonimato. ‘A audiência desta terça-feira é, na verdade, uma ‘tomada de temperatura’ de último minuto para assegurar que todos estão prontos.’


Segundo o mesmo funcionário, ‘a última coisa que o juiz deseja é que um lado apareça no dia 19 e diga que eles não estão prontos para prosseguir’.


ACUSAÇÕES


Frente à Justiça americana, Sonia e Estevam respondem por quatro infrações, incluindo falsificação de documentos, contrabando de divisas e conspiração para encobrir os crimes. Sonia também responde a uma quinta acusação, a de mentir para autoridades federais.


As acusações contra o casal Hernandes poderão resultar em penas de 20 anos ou mais de prisão para cada um, se eles forem considerados culpados e receberem a pena máxima. Caso sejam condenados, eles irão cumprir pena numa prisão dos Estados Unidos, antes de serem extraditados para o Brasil.


O casal também é acusado pelo Ministério Público no Brasil de estelionato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.


Os fundadores da Renascer têm prisão preventiva decretada pelo Judiciário de São Paulo. O casal tentou anular essa decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o pedido não foi aceito.’


CORREIO DO POVO
Elder Ogliari


Record compra jornal ‘Correio do Povo’, de Porto Alegre


‘O jornal Correio do Povo foi vendido pela Empresa Jornalística Caldas Júnior à Rede Record, controlada pela Igreja Universal, do bispo Edir Macedo. O negócio foi confirmado ontem pelo diretor-administrativo da empresa gaúcha, Carlos Alberto Bastos Ribeiro, aos editores e funcionários do jornal. Com a nova aquisição, a Record fica com todos os veículos da Caldas Júnior. A rede já era proprietária das rádios Guaíba AM e FM e da TV Guaíba desde o mês passado. O valor das operações não foi divulgado.


Jornal mais tradicional do Rio Grande do Sul, o Correio do Povo completa 113 anos em 1º de outubro, depois de ter deixado de circular temporariamente em 1986 e de ter trocado de formato, do standard para o tablóide, em 1987. A circulação é de mais de 150 mil exemplares por dia. A Rádio Guaíba AM está no ar desde 1957 com programação voltada quase integralmente para o jornalismo e os esportes. A Rádio Guaíba FM foi criada em 1980 e transmite música ambiente e clássicos internacionais. A TV Guaíba foi fundada em 1979 e divide sua programação entre filmes antigos, transmissões esportivas e espaços locados a produtores independentes.


TRANSFERÊNCIA


Os veículos, que estavam em mãos da família Caldas desde a fundação do grupo, entraram em crise financeira nos anos 80 e foram vendidos ao empresário e economista Renato Bastos Ribeiro em 1986. A data de transferência das operações para a Record não está definida e fica na dependência das formalidades legais. Os novos proprietários ainda não falaram publicamente sobre as aquisições e o perfil que darão a seus novos veículos.’


MÍDIA & VIOLÊNCIA
Arnaldo Jabor


Uma doença chamada Brasil


‘É tão grande a distonia entre o que pensamos sobre o Brasil e o que está acontecendo, é tão inútil usar as palavras racionalmente, diante da brutalidade deste ‘outro país’ do crime e da miséria, que caio em desânimo: que adianta ficar os últimos 17 anos escrevendo em nome da ‘razão’, se os jornais pingam sangue, se vemos que foi necessário um pobre menino arrastado até a morte e outros queimados vivos, para que a Câmara votasse algumas poucas melhoras nas leis contra crimes hediondos?


Eu andei com uma doença chamada Brasil. Sim, não quero bancar o sensivelzinho não, mas saí em férias para não pirar de vez. Cheguei a Portugal no dia em que o menino foi arrastado pelas ruas. Até hoje não li os detalhes, tal meu horror que já ia alto, depois daquela família queimada viva. Mas, aquilo não me saía da cabeça. Voltei jurando a mim mesmo que seria mais cínico, que ia endurecer a pele.


Mas, chego e vejo a polêmica provocada pelo artigo do Renato Janine Ribeiro, Razão e Sensibilidade, na Folha, em que ele expõe seu horror diante do inominável. Li seu artigo e toda a cascata de réplicas.


Para quem não leu, Janine, professor de ética, desejou publicamente que os assassinos fossem mortos na cadeia com crueldade e lentidão, tomado de nojo e rancor como ele estava. E, hoje, contrafeito, meto minha colher nessa sopa de cabeça de bode.


Sei que o assunto é grave e que não cabe numa pobre coluna, por isso minhas opiniões vêm como um rascunho do que acho que deveria ser estudado.


Acho que Janine prestou um serviço à Academia, perdendo a cabeça. Ele mostrou que vivemos trancados num racionalismo impotente. Finalmente, um intelectual perdeu as estribeiras. Mostrou que está vivo, que intelectual tem corpo, sangue, come, bebe, vomita, chora, para além daquela posturazinha solene, daquele sorriso sutil acima da vida que ele lamenta que seja tão errada.


O que aconteceu na cabeça do menino arrebentado e na cabeça do Janine mostra que estamos aquém de entender que o Brasil de hoje, não só na violência mas na barbárie política, é incompreensível pela antropologia ou sociologia disponíveis. Se Janine errou, provocou uma fecunda reação.


Em geral, lamentamos uma harmonia ainda inexistente e almejamos que ela seja alcançada, um dia. Janine furou o bloqueio da boa consciência acadêmica e isso foi importante. Não podemos continuar ‘lamentando’; temos de projetar. Na mesma hora, vieram inúmeros bombeiros para apagar o fogo, chegaram os panos quentes dos intelectuais para restaurar a dignidade dos capelos, da togas, do sólido amargor humanista. Ele seria um fascista? Ele estaria endossando o irracionalismo, ele seria um defensor da pena de Talião, o quê?


Os textos dos ‘bombeiros’ tentavam restabelecer uma ordem reflexiva perdida diante desse bucho indomável da miséria, do Alien que se forma como um monstro boçal e sangrento nas ruas e periferias. Assim com a burguesia blinda seus carros, os pensadores também protegem suas teses de doutorado. Isaiah Berlin escreveu que o ódio a Maquiavel provém do fato de que ele acabou com a esperança na harmonia platônica. É parecida a reação contra Janine em sua explosão emocional.


Vivemos uma ‘modernidade’ veloz e falamos um discurso antigo, a reboque dos fatos. Os conceitos que eram nosso muro de arrimo foram esvaziados de sentido. A reação de Janine mostra isso.


Como bem escreveu Oswaldo Giacoia Jr., a propósito do horror:


‘O insuportável não é a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido.’


Por isso, todos nós perguntamos horrorizados: ‘Por que eles fizeram aquilo?’


Resposta: ‘Por nada…’


Inconscientemente, os assassinos brasileiros de hoje já têm o prazer perverso de fazer o inominável. Eles sentem difusamente um clima de anomia, de um vale-tudo ético e ‘curtem’.


Como citou Olgária Matos, Adorno disse que ‘a sociedade totalitária é a perda da capacidade de identificação com a dor do outro, o fim da compaixão’.


Acho que nossa situação é mais incompreensível ainda. O nazismo tinha um ‘projeto’, um milênio ariano, o nazismo tinha normas, organização, que dá até para a ‘razão’ analisar a posteriori. Isso que está ocorrendo está além (ou aquém) do horror nazista.


Qual será o nome dessa coisa informe que a miséria está gerando? É uma mistura de lixo e sangue, uma nova língua de grunhidos, mais além da maldade, uma pura explosão de rancor, a crueldade como prazer. O crime aqui é quase um esporte. Não matam por Alá, ou por fins políticos. Para além da cocaína e do dinheiro, são terroristas sem causa.


No entanto, a Justiça e os pensadores continuam a tratar os crimes como ‘desvios da norma’. Elias Maluco, quando matou Tim Lopes a espadadas, tinha sido liberado da cana.


Não se trata mais de uma perversão do ‘humano’, mas de uma perversão do ‘animal’ em nós.


E, diante do horror, vem a pergunta: ‘O que fazer?’


De cara, vêm as sugestões de penas mais duras, de morte, rebaixamento de idade, etc.


Mas creio que o urgente seria um diálogo profundo, permanente, entre o Judiciário e o Legislativo, para irmos além do simplismo que Lula emitiu, falando em ‘causas sociais’, o que paralisa qualquer ação de governo.


Quem sou eu para falar em solução? Mas como reformar algo com juristas caretas e solenes e intelectuais agarrados em meia dúzia de conceitos antigos?


Que visgo brasileiro é esse que gruda no chão os donos do poder, os empatadores do progresso?


Não há respostas imediatas para nosso horror. Mas o ‘erro’ de Janine foi um bem e ele diz com razão:


‘O intelectual é público. Só que, para ele cumprir seu papel público, é preciso acreditar no que diz. Ora, quantas vezes o intelectual afirma aquilo em que não acredita? Quantos não foram os marxistas que se calaram sobre os campos de concentração, que eles sabiam existir?’


E, aí, eu enfio minha última colher na sopa de bode preto: quantos se calaram diante do evidentíssimo e crudelíssimo assassinato de Celso Daniel, por ser politicamente inconveniente naquele momento?’


HUMOR & MÍDIA
Ubiratan Brasil


Debate reúne resistentes do humor


‘O cartum, aquele trabalho que retrata os costumes da época, está condenado à extinção. É o que teme Jaguar, um dos fundadores do Pasquim, além de ser um dos papas do gênero no Brasil. ‘Hoje em dia, as pessoas estão mais interessadas em histórias em quadrinhos e deixando o cartum de lado’, comenta ele que, posicionado na frente da batalha, participa hoje de um debate sobre o mercado de humor no Brasil.


Será na Fnac Paulista, a partir das 19 horas. Além da conversa, que vai tratar também das inovações do gênero (humor comportamental e político)e das diferenças entre charge, cartum e caricatura, Jaguar participa do lançamento de uma série de obras que têm a sua coordenação – desde o ano passado, ele é o editor de humor da editora Desiderata, retomando uma função da qual estava afastado desde a extinção da Codecri.


Assim, ao seu lado, estarão Gustal (que vai lançar Dicionário dos Sexos) e Allan Sieber (Assim Rasteja a Humanidade), companheiros de batalha que também participarão do debate. A fornada se completa com Ministério de Perguntas Cretinas, de Millôr Fernandes, que não poderá vir; com a ironia em dose dupla de Nani (Humor de Bar e Humor 100% Sexual); e, finalmente, com o relançamento de Um Riso em Decúbito, livro de 1961 que reúne as melhores frases de Dom Rossé Cavaca. Um prato cheio de bom humor.


Segundo Jaguar, que assina o prefácio de Assim Rasteja a Humanidade, há dois tipos de cartunistas: os politicamente corretos e os muito pelo contrário. ‘Os politicamente incorretos – se forem eticamente escrachados, melhor ainda – são os meus preferidos. Os outros, os corretos, os certinhos, são uns chatos de galocha, por melhor técnica que ostentem. E tenho vontade de cuspir quando dizem que humor é uma coisa muito séria’, escreve.


A julgar pelos trabalhos que serão autografados hoje, o humor continua escrachado por ser produzido com seriedade. O relançamento da seleção de frases de Dom Rossé Cavaca é um bom exemplo. Humorista do extinto Diário Carioca, ele criou expressões que se tornaram clássicas, como ‘o goleiro é tão desgraçado que onde pisa não nasce nem grama’ ou ‘graças à liberdade de ir e vir assegurada na Constituição, o nordestino tem oito milhões quinhentos e vinte e cinco mil quilômetros quadrados para morrer de inanição’.


O prefácio foi escrito pelo jornalista Hélio Fernandes, irmão de Millôr, e apresenta um carinhoso perfil do humorista que também fez carreira nos áureos tempos do jornal Tribuna da Imprensa. ‘Alto, magro, irreverente, ele criava uma piscina de tranqüilidade naquele imenso mar de luta e de combate, onde muitos que não sabiam nadar jornalisticamente, naufragavam. E não é força de expressão ou jogo de palavras, é impossível reproduzir o que acontecia na Tribuna daquela época’, descreve.


A inteligência marca também Ministério de Perguntas Cretinas, reunião inédita de encartes publicados pela revista Cruzeiro na década de 1960. Millôr Fernandes confirma aqui seu talento para reinventar significados a partir do trivial, alternando momentos filosóficos (‘Se o diabo se portar bem, vai pro céu?’) com frases espirituosas (‘Um terno malfeito dá pano para mangas?’). A edição ganha reforço de ilustrações inéditas assinadas por Jaguar.


Além de elogiar os colegas com quem dividirá a mesa hoje (mas não o copo de cerveja, esse é exclusivo), Jaguar lembra de outros bravos resistentes na luta pela sobrevivência do cartum: Angeli e Laerte. ‘Eles vem trabalhando como nunca e, não bastasse o esplêndido humor de seus desenhos, ainda cuidam do cenário’, elogia. ‘Eu não sei e também tenho preguiça de desenhar cenário.’


Famoso também por um traço pouco refinado, que caracteriza seu estilo, e pelo humor corrosivo, Allan Sieber se insere no grupo de cartunistas festejados por Jaguar. Em Assim Rasteja a Humanidade, ele reúne piadas em quadrinhos sintéticos, feitos ao longo da carreira. ‘Não vejo o humor restrito a um tipo de público e nem posso dizer que os jovens são os que mais se identificam com o meu trabalho, que, aliás, esculhamba a boçalidade dessa juventude MTV de hoje. Mas certamente não indicaria meus livros para o público evangélico e deixaria as crianças crescerem um pouquinho para melhor degustá-los’, brinca Sieber.


Trata-se do mesmo credo defendido por Jaguar que, embora tema pelo fim do cartum, ainda vê uma luz no fim do túnel – e não se trata de uma locomotiva vindo na direção contrária. ‘Outro dia, um guarda de trânsito largou o trabalho quando me viu para dizer que é meu fã e ainda para me contar uma piada. O mundo ainda não está perdido…’


(SERVIÇO)


Série SIGmund. Editora Desiderata. Fnac Paulista. Av. Paulista, 901, 2123-2000. Hoje, 19h’


TELEVISÃO
Cristina Padiglione e Etienne Jacintho


PPV supera 2006


‘Enquanto oferece mais moedas que a Globo por eventos esportivos de grife, a Record obtém êxito em algumas frentes, como foi agora o caso da Olimpíada de 2012, mas ainda enfrenta grandes resistências na fatia mais cobiçada do bolo esportivo: o futebol. Falta à Record, sobretudo, uma operadora de TV paga.


Tome-se o exemplo dos campeonatos regionais, que este ano foram tentados a trocar de canal por gorda oferta de Edir Macedo. Eles acabam de apresentar seu melhor resultado nos negócios do pay-per-view, cujas vendas são exclusividade da Globosat. Os campeonatos carioca, paulista, mineiro e gaúcho venderam, agora em janeiro, 50 mil assinaturas a mais do que o saldo de todo o ano passado. Foram 240 mil pacotes no total. Os clubes ganham exatamente 50% de tudo o que é vendido no ppv, e o ppv, oras bolas, é negociado juntamente com os direitos de transmissão na TV aberta: o pacote é vendido a um só comprador.


Convém observar que esta é a temporada quente de vendas, visto que os estaduais estão em andamento desde janeiro. Mas Rio e São Paulo já fizeram, em cada praça, 100 mil assinaturas, abocanhando um aumento de 36% (RJ) e 25% (SP).


entre-linhas


Joana Mocarzel, a Clarinha de Páginas da Vida, acaba de tirar seu passaporte. A menina foi convidada pela Globo para ir a Portugal, onde a audiência da novela de Manoel Carlos vai bem. Joana fará a divulgação da trama por lá.


A 6.ª temporada de 24 Horas tem pré-estréia marcada no Brasil para domingo, 8 de abril, às 22 horas, na Fox. A partir do dia 10, a série será exibida em seu horário habitual: terças-feiras, 22 horas.


Até o dia 15 de abril, o Disney Channel estará com sinal aberto para toda a base de assinantes da TVA.


Os estilistas Christian Lacroix e Valentino falam ao GNT Fashion sobre suas coleções e suas criações que vestiram atrizes Helen Mirren e Kate Winslet na festa do Oscar. No ar amanhã, às 21 horas.


A sétima edição do Big Brother Brasil está tão previsível que até Pedro Bial já antecede as jogadas. Durante o programa de anteontem, o apresentador mandou Diego para o paredão sem antes consultar o líder Alberto diante do empate entre Diego e Airton nos votos da casa. Bial pediu desculpas, mas deixou os participantes constrangidos.


A cineasta Tata Amaral é a convidada do Combo: Fala + joga, na Play TV, às 21h30. Em foco, o filme Antônia.


Ainda é boato, mas corre por aí que Madonna fará participação no 5.º ano de Nip/Tuck.’


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