Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 26/7

Equipe de 270 pessoas atua na comunicação de Serra

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 27/07/2010 na edição 600


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 26 de julho de 2010


 


ELEIÇÕES 2010


Julia Duailibi


Equipe de 270 pessoas atua na comunicação de Serra


Com três minutos a menos tempo de TV que a campanha de Dilma Rousseff (PT), a equipe de comunicação do tucano José Serra começou na semana passada a discutir os programas e a estruturar os estúdios onde será gravado o horário eleitoral gratuito.


Um imóvel na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, com três estúdios, foi alugado. Lá funcionam os Estúdios Quanta, que se intitulam o ‘maior complexo brasileiro de locações para o setor audiovisual’.


A comunicação está dividida em 14 áreas principais: da criação de impressos à coordenação, tocada pelos jornalistas Luiz Gonzalez e Woile Guimarães. Numa campanha presidencial, em que grande parte do desempenho do candidato é creditado à estratégia de comunicação, a estrutura montada para atender a demandas é enorme. Mais de 270 profissionais, entre contratados diretos e prestadores de serviços, se dividirão em equipes de criação, pesquisa, mídia e conteúdo, entre outras.


Na semana passada, houve a primeira reunião de criação da equipe de comunicação para começar a esboçar a produção dos comerciais de rádio e TV, que estreiam no dia 17 de agosto. Ainda está em discussão o formato do programa, como se haverá apresentadores. Os filmes devem apresentar Serra, destacar a biografia do tucano, explorando temas sociais como a criação do FAT e dos genéricos. Parte das imagens externas do candidato já foi colhida em 10 Estados.


A produção dos programas de TV concentra 140 pessoas. Há no grupo roteiristas, cinegrafistas, repórteres, editores e produtores. Fora maquiadores, cenógrafos e editores de pós-produção nos estúdios. Só na direção de arte dos filmes são 12 pessoas. Na produção dos programas de rádio, que segue paralela à estrutura da TV, são mais 30.


Veteranos em campanhas eleitorais dizem que a produção dos filmes e a contratação de pesquisas estão entre os itens mais caros no orçamento eleitoral. A estimativa dos tucanos é que os gastos gerais com comunicação consumam 1/3 do custo declarado da campanha – o PSDB informou ao Tribunal Superior Eleitoral que gastará R$ 180 milhões na corrida presidencial.


Sobe som. O jingle da campanha é criado e produzido por PC Bernardes, que trabalhou nas campanhas passadas de Serra.


Para definir a estratégia e calibrar o discurso do candidato, o núcleo de pesquisas tem uma equipe de cerca de 15 pessoas, coordenadas por Antonio Prado Júnior, o Paeco, especialista no assunto e figura conhecida nas campanhas tucanas.


O grupo contrata pesquisas quantitativas (por telefone e face a face) e qualitativas (focus groups tradicionais e com estímulo usando o perception analyzer, espécie de joystick que o eleitor move de acordo com sua opinião sobre um tema).


A equipe tem ainda 6 fotógrafos e 30 profissionais que atendem a imprensa, acompanham o candidato em viagens e divulgam informações da campanha.


 


 


Lula fará na TV papel de apresentador de Dilma


Criador e padrinho da candidatura da petista Dilma Rousseff ao Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser o personagem principal do primeiro programa de TV da ex-ministra. Num papel até agora pouco comum para ele – o de apresentador de TV -, Lula pretende mostrar Dilma ao eleitorado não só como a responsável pelas grandes obras de seu governo, previstas nos Programas de Aceleração do Crescimento (PACs) 1 e 2, mas também como a garantia de que nenhum programa social, como o Bolsa-Família e o Minha Casa, Minha Vida, será mudado caso ela seja eleita. E, se houver mudança, será para incluir mais gente nos programas.


A ideia, segundo os coordenadores da campanha de Dilma, é fazer um programa leve, com muita informação a respeito do governo de Lula e do que a candidata poderá fazer a mais do que o seu padrinho fez nos quase oito anos de governo. Sempre que Dilma aparecer, haverá ao lado uma bola com o Cruzeiro do Sul, num azul que, aos poucos, vai mudando de cor, até se tornar branco e, em seguida, verde-amarelo.


A exemplo do que fez nos programas da candidatura de Lula à reeleição, em 2006, João Santana pretende usar muitos efeitos especiais, com bastante didatismo. Sempre que fizer menção ao petróleo existente na camada do pré-sal, por exemplo, mostrará gráficos com a profundidade do óleo e a engenharia e a logística para retirá-lo. A intenção é atrair a curiosidade do telespectador. A propaganda eleitoral no rádio e na TV começa oficialmente no dia 17 de agosto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 


 


LIVROS


Claire Cain Miller, New York Times


E.Books ganham do papel


A semana que passou foi histórica para o universo dos livros – se é que eles existirão no futuro. A Amazon.com, uma das maiores vendedoras de livros dos EUA, anunciou que, nos últimos três meses, as vendas de livros para o seu leitor eletrônico Kindle, ultrapassaram as de livros de capa dura.


Neste período, a Amazon afirma ter vendido 143 livros Kindle para cada 100 de capa dura, inclusive aqueles que não foram editados para o Kindle. O ritmo da mudança também está acelerando, segundo a Amazon. Nas últimas quatro semanas, as vendas subiram: 180 livros de formato digital para cada 100 de capa dura. A Amazon tem 630 mil livros Kindle, uma pequena fração dos milhões vendidos no site.


Os amantes dos livros, que lamentam o fim dos de capa dura com seu peso e seu cheiro de antigo, precisam encarar a realidade, observou Mike Shatzkin, fundador e diretor executivo da Idea Logical Company, que assessoras as editoras de livros na mudança para a versão digital.


‘Este dia era esperado, um dia que tinha de vir’, acrescentou. Ele prevê que numa década, menos de 25% de todos os livros vendidos serão em versões impressas. A mudança na Amazon é ‘espantosa, considerando que vendíamos livros comuns há 15 anos, e os livros Kindle há 33 meses’, afirmou o diretor executivo, Jeffrey P. Bezos


No entanto, o livro impresso não está absolutamente em extinção. As vendas de todo o setor subiram 22% este ano, segundo a Associação Americana de Editoras.


Os números não incluem os livros Kindle gratuitos, 1,8 milhão dos quais foi publicado originalmente antes de 1923 (de domínio público, porque os direitos expiraram). A Amazon não apresenta uma comparação entre as vendas de livros de papel e eletrônicos, mas acredita-se que as vendas dos livros de papel ainda superam as dos eletrônicos.


A grande surpresa, segundo Shatzkin, foi que o dia chegou durante o primeiro período em que o Kindle enfrentava uma grave ameaça competitiva. O iPad da Apple, que começou a ser comercializado em abril, é vendido como um aparelho para leitura, e tem sua própria loja de livros digitais. Entretanto, as vendas do Kindle também cresceram em todos os meses do trimestre, segundo a Amazon.


A Amazon recebeu a ajuda de uma explosão de vendas de livros digitais em geral. Segundo a Associação Americana de Editoras, as vendas de livros eletrônicos quadruplicaram este ano até o final de maio.


A Amazon informou que suas vendas superaram esta taxa de crescimento. Um dos motivos pelos quais as vendas do Kindle se sustentaram é que os proprietários de iPads e de outros aparelhos móveis de leitura compram livros Kindle, que podem ler no computador, em iFones, iPads, e telefones BlackBerry e Android. Mas, com exceção dos livros gratuitos isentos de direitos autorais, os proprietários do Kindle precisam comprar ou baixar conteúdo via Amazon. ‘Toda vez que eles vendem um Kindle, ganham um cliente’, disse Shatzkin.


Alguns analistas do setor afirmam que muitas pessoas não consideram o iPad um dispositivo para leitura como o Kindle, e acham imprescindível ter os dois. Os últimos números relativos às vendas da Amazon são ‘uma clara indicação de que o iPad é um complemento do Kindle, e não um substituto’, disse Youssef H. Squali, diretor-gerente da Jefferies & Company do setor de pesquisa da Internet e de novas mídias.


A taxa de crescimento das vendas do Kindle triplicou depois que a Amazon baixou o preço do aparelho no final de junho, de US$ 259 para US$ 189, informou a Amazon. Isto aconteceu pouco antes de a Barnes & Noble baixar o preço de seu leitor eletrônico Nook de US$ 259 para US$ 199. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


 


 


INTERNET


Alexandre Matias


Orkut só segue soberano no Brasil – mas até quando?


Agora somos só nós. O Orkut era a principal rede social de Brasil e Índia. Agora em julho, foi ultrapassado por lá. A maior rede social indiana é o Facebook. Com o Orkut, agora só o Brasil.


O crescimento do sistema de Mark Zuckerberg impressiona. Ultrapassou seu então arquirrival MySpace em abril de 2008. Encarou uma fila de meses na qual dobrou de tamanho a cada trimestre. Faz uma semana que passou a marca dos 500 milhões de usuários. Se fosse um país, seria o terceiro do mundo atrás de China e Índia. Tem uma população maior do que a dos EUA, Indonésia e Brasil. O Twitter tem 105 milhões e o LinkedIn, 70 milhões. A diferença não é pequena.


O Orkut cresceu 35% na Índia em 2009. O Facebook, 177%. Em maio, havia 19,7 milhões de indianos no Orkut contra 18 milhões no Facebook. Aí o jogo virou. Com a virada veio investimento. A empresa de Palo Alto, Califórnia, expandiu seu escritório em Hyderabad (Índia) e contratou uma equipe de 500 pessoas no mês de junho.


É um escritório grande por dois motivos. Primeiro porque na Índia as línguas são muitas e a intenção é dar suporte em quaisquer idiomas. Mas também porque é a sede do Facebook na Ásia, um continente populoso, diverso e principalmente rico.


Solitários, pois. Agora, a rede social do Google faz sucesso aqui e apenas aqui. No Brasil, em maio, havia 29 milhões de pessoas no Orkut e 8 milhões no Facebook, segundo o site TechCrunch, especializado na cobertura do Vale do Silício. Nessa mesma época, em 2009, o Facebook mal havia passado o primeiro milhão. Há dois anos, estava na casa dos 100 mil. Cresce acelerado.


No Google eles não dizem, mas o Orkut sempre foi uma frustração. Criado com o objetivo de pegar fogo nos EUA, lançado em janeiro de 2004, em menos de um ano foi controlado por brasileiros. Formamos metade de sua população.


Quando o Orkut se disseminou rapidamente pelo Brasil, sites de relacionamento ainda não eram comuns. Serviços como Friendster e Six Degrees eram para iniciados, mas já parecia claro que estourariam um dia.


Ao constatar o rápido crescimento do Orkut por estas bandas, um dos principais pensadores da internet, John Perry Barlow, sugeriu que a socialização talvez fosse mais natural para brasileiros. ‘Aqui, todo mundo parece se conhecer’, ele dizia. ‘Você entra num restaurante, passeia na rua, todos estão se cumprimentando a toda hora.’


Barlow estava errado. O comportamento do brasileiro não fazia do País mais propício às redes sociais e o MySpace logo comprovou isto. O Facebook apenas consolida a ideia: somos todos, humanos, bichos sociais. E a internet foi feita justamente para esse tipo de contato.


Essa é uma corrida muito importante para o Google. Onde é que vamos nos informar mais? Será fazendo buscas ou perguntando para nossas redes de contatos? Se o segundo caminho sair vencedor, o Google perde. Sua rede social só vale (por enquanto) no Brasil. Se houver um equilíbrio, o Google terá de dividir sua hegemonia na internet com outras redes – no caso, principalmente com o Facebook.


Em termos de imagem, talvez seja bom. Mark Zuckerberg é a ovelha negra do Vale do Silício. Não esconde sua ambição, aparentemente passou a perna nos sócios iniciais, não parece lá muito preocupado com a informação que pertence a seus usuários. Quer fazer dinheiro, como todos no Vale. A diferença é que o capitalismo por ali tem de vir acompanhado de um sonho, de um ideal. Uma tentativa de melhorar o mundo, nem que seja no discurso. É o que a Apple tem, assim como o Google ou mesmo o Twitter. Zuckerberg não parece se esforçar muito. No contraste, o Google ganha.


Seria uma vitória de Pirro. Hoje, o sistema de busca domina a rede e ninguém quer perder isto. É onde entra o Google Me, sua nova tentativa de entrar nas mídias sociais. Foram muitos os esforços: Orkut, Wave, Buzz, perfis de usuários. Com maior ou menor ambição, o Google luta para reunir as pessoas em seu sistema. Que suas conversas sejam por lá. Ainda não aconteceu. (A não ser que o Brasil conte e, sozinho, neste jogo ele não conta.)


Os rumores são vários, mas em algum momento entre o fim deste ano e o início do ano que vem Google Me virá para brigar com o Facebook. Lá fora, será uma briga difícil. Convencer meio bilhão de pessoas a mudar de comunidade não é trivial.


No Brasil, o caso é diferente. O Facebook está crescendo num ritmo maior do que o Orkut. Se o Google Me entra com algum tipo de sistema de importação com o Orkut, pode estourar. A questão é se o Google quer. O Orkut é o paraíso do spam. É um site considerado difícil de entender por quem nunca entrou nele. Um site fechado e sem jogos, um dos grandes atrativos do Facebook.


Mas alto lá. Há duas semanas, o Google pôs US$ 100 milhões na Zynga, dona do Farmville, principal fornecedora de games do Facebook. A briga começou.


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 26 de julho de 2010


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘The War Logs’


Há meses, desde que foi divulgado o vídeo de um ataque de helicóptero a civis iraquianos, se noticia que o site Wikileaks obteve dezenas de milhares de documentos da guerra no Afeganistão.


Ontem, por volta das 18h30 no Brasil, o londrino ‘Guardian’ postou ‘Os registros da guerra’ sob a manchete ‘Vazamento maciço de arquivos secretos expõe a verdadeira guerra no Afeganistão’. Abaixo, ‘Centenas de civis mortos por soldados da coalizão’. O jornal já postou editorial dizendo que ‘a imagem não retocada revela cenário muito diferente’.


A alemã ‘Der Spiegel’, também em acordo com o Wikileaks, postou a manchete ‘Vazamento explosivo dá imagem da guerra por aqueles que a lutam – Um quadro sombrio’. Destaca ‘Os caçadores secretos’, sobre unidades de assassinato cujos erros mataram crianças, e ‘Ingenuidade alemã’, sobre ‘o crescente problema’ para as tropas do país.


Por fim, meia hora depois do ‘Guardian’, entrou o ‘New York Times’ com a manchete ‘Espionagem do Paquistão ajuda os insurgentes, afirmam relatórios’. Em chamada abaixo, ‘Cenário é mais desanimador do que na representação oficial’.


O ‘Guardian’ relatou o esforço do Pentágono em conter a publicação e ouviu o fundador do Wikileaks, Julian Assange, que diz ter recebido ‘nova pilha de ‘material de alta qualidade’.


MAIS UMA? Um ex-diretor da CIA falou à CNN que o ataque ao Irã está mais próximo. E o presidente Obama, em entrevista a canal israelense postada no ‘Los Angeles Times’, garante que não tirou ‘alternativa da mesa’


NOVA ORDEM


O chanceler Celso Amorim e seu colega turco ‘conclamam Irã a ser flexível nas negociações’, no enunciado de agências como France Presse e do canal Al Jazeera, que descreveu que ‘até aqui o acordo tem sido cumprido à letra’.


Ecoou em destaque no ‘Wall Street Journal’, afirmando que o Irã aceita negociar ‘imediatamente’, e no ‘Financial Times’, acrescentando a informação de que a Turquia resolveu não respeitar as sanções de EUA e Europa ao Irã, só as da ONU.


A cobertura sublinha, de Amorim: ‘As pessoas falam em uma nova ordem. Nós estamos tentando de algum jeito construir essa nova ordem, mas alguns ainda estão um pouco abalados por essa possibilidade’.


Por aqui, ecoou na home da estatal Agência Brasil, com a chamada ‘Irã deve garantir ao mundo que programa nuclear tem fins pacíficos, diz Amorim’, e por portais como G1.


URIBE VS. SANTOS


Manchete na BBC Brasil e submanchete do UOL, ‘Chávez suspende viagem por ameaça de ataque da Colômbia’. A mesma BBC Brasil postou reportagem com analistas de Venezuela e Colômbia, dizendo que ‘Álvaro Uribe dificulta a reaproximação de seu sucessor, Juan Manuel Santos, com o vizinho’.


Na ‘Economist’ desta semana, ‘Uribe tenta minar o esforço de reconciliação do sucessor com o governo da Venezuela’. Diz que o futuro presidente avisou, em reunião com o atual: ‘Você governa até dia 7’. Ou seja, ‘nem um dia mais’.


No editorial ‘Deixe Santos ser Santos’, a ‘Economist’ elogia Uribe , mas acrescenta que ‘a consolidação requer mudança’ e que ele ‘ameaça ser o pior inimigo de Santos’.


 


 


WIKILEAKS


Cristina Fibe


Mídia expõe segredos de guerra dos EUA


Mais de 91 mil documentos secretos obtidos pelo site Wikileaks revelam detalhes de uma guerra do Afeganistão mais difícil e mais sanguinária do que os Estados Unidos querem fazer crer.


Entre as informações que vieram a público ontem está a existência de um destacamento militar especial para capturar ou matar insurgentes sem direito a julgamento.


Em um dos maiores vazamentos da história militar americana, os arquivos, que vão de janeiro 2004 a dezembro de 2009, mostram ainda que o Taleban está mais forte do que no início do conflito, em 2001, e que centenas de mortes de civis deixaram de ser relatadas oficialmente.


As informações provêm de relatórios de inteligência, registros internos de incidentes, descrições de ataques inimigos e de reuniões com políticos locais, entre outros.


Os documentos revelam planos secretos para eliminar líderes da Al Qaeda e do Taleban, a expansão das atividades de inteligência na região e dúvidas sobre o envolvimento do Irã e do Paquistão com os insurgentes.


Os arquivos mostram que há a suspeita de que o serviço secreto paquistanês tem servido de guia para insurgentes afegãos, apesar de o país receber mais de US$ 1 bilhão ao ano do governo americano para ajudar a combater grupos extremistas.


Aliado dos EUA, o Paquistão teria permitido que representantes de seu serviço de inteligência se encontrassem com o Taleban em sessões secretas para orquestrar grupos militantes que lutam contra soldados americanos.


Os documentos sugerem que os paquistaneses se envolveram também com a Al Qaeda e em planos para matar líderes afegãos.


O embaixador paquistanês nos EUA, Husain Haqqani, criticou as acusações e classificou o vazamento de ‘irresponsável’. Segundo Haqqani, o Paquistão está plenamente comprometido com a luta aos insurgentes.


O conselheiro de Segurança Nacional, Jim Jones, também divulgou comunicado em que condena a divulgação dos documentos e ressalta que eles refletem o período de 2004 a 2009. O democrata Barack Obama substituiu o republicano George W. Bush em janeiro de 2009.


‘Em dezembro de 2009, o presidente Obama anunciou uma nova estratégia, com aumento substancial de recursos para o Afeganistão e maior foco nos refúgios da Al Qaeda e do Taleban no Paquistão’, diz o comunicado. Segundo Jones, ‘essa mudança de estratégia respondeu aos desafios’ da guerra.


Para a Casa Branca, o vazamento ‘coloca em risco americanos e aliados e ameaça a segurança nacional’.


O governo dos EUA, no entanto, não negou o conteúdo dos textos vazados.


 


 


O que revelam os arquivos secretos


PERSEGUIÇÃO


Existência de destacamento militar especial cuja função é capturar ou matar insurgentes, sem direito a julgamento


PAQUISTÃO


Fortes suspeitas de que o serviço secreto paquistanês mantém encontros com insurgentes afegãos para ajudá-los na luta anti-EUA


AVIÕES


Uso cada vez mais frequente dos chamados drones (aviões não tripuladas), embora os resultados sejam piores que o divulgado. Há casos de drones que caíram e que se chocaram


CIA


Expansão das atividades da inteligência, líder em planos de emboscadas, ataques aéreos e incursões noturnas


 


 


Site polêmico recebeu itens sigilosos


O WikiLeaks, que ganhou notoriedade após vazar um vídeo no qual militares dos EUA fuzilam iraquianos de um helicóptero, foi que recebeu e distribuiu à mídia os relatórios. O líder do site, Julian Assange, diz que eles revelam ‘a real essência da guerra’. Nos textos, não há alguns fatos marcantes nem nada de 2010.


 


 


TELEVISÃO


Audrey Furlaneto


Justiça condena Band a indenizar empresa Alitalia


A Justiça condenou a Band a pagar indenização de R$ 51 mil por danos morais para a companhia aérea Alitalia. O apresentador José Luiz Datena, do ‘Brasil Urgente’, expôs a empresa a ‘demasiado ridículo’, segundo o juiz Régis Bonvicino. A Band recorreu. Se perder, além da indenização, Datena também terá de ler no ar a decisão.


No início de julho de 2009, de férias, o apresentador telefonou para o programa (então apresentado por Márcio Campos) e entrou ao vivo do aeroporto na Grécia, para reclamar que havia sido vítima de overbooking (venda do número de passagens além dos lugares disponíveis).


‘O Brasil recebe todos os imigrantes de braços abertos, então esse episódio da Alitalia é um estelionato’, disse no ar. Ele também comparou a empresa a uma ‘lavanderia de dinheiro sujo’ e ‘desejou sua falência’, segundo o processo.


Datena, que havia recebido indenização pelo problema, reclamou do valor e acusou a companhia de ser racista, dizendo-se preterido por ser brasileiro.


Na última semana, ele teve outros problemas: foi denunciado por ‘prática discriminatória contra travestis’ e pode ser multado em até R$ 48 mil. Exibindo uma briga envolvendo um transexual, usou termos como ‘isso é um travecão safado’.


Lado de fora A Record deve ficar fora da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Radiodifusão) mais uma vez. Na única chapa inscrita para a eleição do conselho superior e fiscal da entidade, marcada para dia 25 de agosto, não há sequer um representante da emissora.


Lado de lá Tendo como sócio majoritário o bispo Edir Macedo, a tendência é que a Record fortaleça a Abratel, associação que representa principalmente emissoras ligadas a igrejas evangélicas.


Geleia Roteirista do Geleia Geral, do Multishow, Marcelo Vindicatto vai para a TV Brasil. Assinará os roteiros ‘jovens’ do diário ‘Estúdio Móvel’. O programa também terá novo diretor, Jodele Larcher, que já passou pela Globo.


Ora pois A Globo começa a gravar hoje, em Lisboa, a co produção ‘Laços de Sangue’, novela supervisionada por Aguinaldo Silva e assinada por Pedro Lopez. O trabalho começa pelas externas, no Mercado da Ribeira.


O laço Para o projeto, a emissora do Brasil levou para a portuguesa SIC seu ‘potencial criativo’, ou seja, cenografia e consultorias. Cenógrafos do Projac trabalharam em 15 cenários, que devem ‘traduzir’ a cultura portuguesa.


Tropa de elite Atores globais como Wagner Moura, Caio Blat, André Mattos e Maria Ribeiro vão fazer campanha pelo deputado Marcelo Freixo (PSOL – RJ). Foram motivados por José Padilha, diretor de ‘Tropa de Elite’, que se inspirou em Freixo para histórias de seu filme.


 


 


INTERNET


Miguel Helft, New York Times


Facebook faz ‘amizade’ com o mundo, um país por vez


O Facebook, serviço de rede social que começou em um dormitório da Universidade Harvard apenas seis anos atrás, está crescendo em um ritmo estonteante ao redor do globo, alcançando a marca de 500 milhões de usuários, contra 200 milhões 15 meses atrás.


Ele está empatando com o Orkut da Índia, propriedade do Google, que há apenas um ano tinha o dobro do tamanho do Facebook. No último ano, o Facebook cresceu oito vezes no Brasil, atingindo 8 milhões de usuários, onde o Orkut tem 28 milhões.


Em um país após o outro, o Facebook está deslocando outras redes sociais. No Reino Unido, ele tornou irrelevante o antes popular Bebo, obrigando a AOL a vender o site com um enorme prejuízo dois anos depois de tê-lo comprado por US$ 850 milhões.


Na Alemanha, o Facebook ultrapassou o StudiVZ, que até fevereiro era a rede social dominante no país. Apenas dois anos atrás, o Facebook só era encontrado em inglês. Mas quase a metade de seus usuários estava fora dos EUA, e sua presença era forte em Reino Unido, Austrália e outros países de língua inglesa.


Com cerca de dois terços de todos os usuários da internet nos Estados Unidos inscritos no Facebook, a empresa se concentrou na expansão internacional.


A tarefa de expandir o site no exterior coube a Javier Olivan, um espanhol de 33 anos. Olivan liderou um esforço inovador para fazer que os usuários do Facebook traduzissem o site para mais de 80 línguas. Outros sites da web e empresas de tecnologia já tinham usado voluntários.


A tarefa foi imensa. O Facebook não apenas encorajou os usuários a traduzir partes do site, mas também deixou que outros usuários refinassem essas traduções ou escolhessem entre diversas opções. Quase 300 mil usuários participaram.


‘Ninguém havia feito isso na escala em que nós fizemos’, disse Olivan.


O esforço recompensou. Atualmente, cerca de 70% dos usuários do Facebook estão fora dos Estados Unidos. O número de usuários mais que triplicou no México, para 11 milhões, e mais que quadruplicou na Alemanha, chegando a 19 milhões.


A cada nova tradução, o Facebook entrou em um novo país ou região, e sua disseminação com frequência refletiu os laços entre nações ou o movimento das pessoas através das fronteiras.


Depois de se tornar popular na Itália, por exemplo, o Facebook se espalhou para as regiões de língua italiana na Suíça.


Quando o Facebook começou a ganhar força no Brasil, a atividade foi mais intensa no sul do país, na fronteira com a Argentina, onde a plataforma já era mais popular.


‘É um mapeamento do mundo real’, disse Olivan.


Com sua típica autoconfiança, Mark Zuckerberg, 26, o executivo-chefe do Facebook, disse recentemente que é ‘quase garantido’ que a empresa atingirá 1 bilhão de usuários.


‘Eles foram mais inovadores do que qualquer outra rede social e vão continuar crescendo’, disse Jeremiah Owyang, analista do Altimeter Group, uma empresa de consultoria. ‘O Facebook quer ser onipresente e está tendo sucesso por enquanto.’


Mas o site não é popular em todos os lugares: por exemplo, é amplamente bloqueado na China. E, com menos de 1 milhão de usuários no Japão, na Coreia do Sul ou na Rússia, fica atrás das redes sociais locais nesses grandes mercados.


O Facebook recentemente enviou alguns de seus melhores engenheiros para um novo escritório em Tóquio, onde estão refinando pesquisas para trabalhar com os três scripts japoneses.


Na Coreia do Sul, o site trabalha com operadoras de rede para garantir a distribuição do serviço.


‘Eu acho que o Facebook é vencedor por dois motivos’, disse Bling Gordon, sócio da firma de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers e membro do conselho da Zynga, fabricante de jogos populares no Facebook. Gordon disse que o Facebook contratou alguns dos melhores engenheiros do Vale do Silício. ‘Eles abriram uma nova plataforma e têm os melhores aplicativos nela’, disse Gordon.


A rápida ascensão do Facebook não preocupa nenhuma companhia mais que o Google. Os bilhões de links publicados por usuários do Facebook transformaram a rede social em um importante condutor de usuários para sites de toda a web. Essa era a função do Google.


O Google tentou entrar nas redes sociais, mas nenhuma de suas iniciativas prejudicou o Facebook.


O Google ganha dinheiro com publicidade, e até nisso o Facebook representa um desafio.


‘Não há nada mais ameaçador para o Google do que uma empresa que tem 500 milhões de assinantes, sabe muito sobre eles e coloca anúncios dirigidos na sua frente’, disse Todd Dagres, sócio da empresa de investimentos Spark Capital, que investiu no Twitter e em outras firmas de redes sociais.


‘Cada segundo que as pessoas estão no Facebook e para cada anúncio que o Facebook coloca na frente delas, é um segundo a menos que elas estão no Google e um anúncio a menos que o Google coloca na frente delas.’


 


 


 


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