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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ENTRE ASPAS > TV DIGITAL

Erica Ribeiro, Raquel Almeida e Agnes Dantas

03/08/2004 na edição 288

‘O ministro das Comunicações, Eunicio Oliveira, garantiu ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai assistir à Copa do Mundo de 2006 no Brasil em uma TV digital. O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Pedro Ziller, que trabalha com a mesma hipótese, estimou um valor médio de R$ 200 para o aparelho conversor, que transforma a recepção da TV analógica em digital.

Os fabricantes de equipamentos digitais, no entanto, argumentam que um conversor simples, sem acesso à internet, custaria, no mínimo, US$ 100 (cerca de R$ 310).

— Há como oferecer à população um conversor de valor bastante acessível — garantiu o presidente da Anatel, que, com o ministro, participou ontem do seminário ‘TV Digital: O Brasil na revolução do século XXI’, promovido pelo GLOBO, pelo Globo Online e pela Câmara de Comércio Americana do Rio.

De acordo com o ministro, o Brasil tem condições de desenvolver um modelo próprio de TV digital pela qualidade apresentada em outros setores que usam tecnologia. Segundo ele, um pool de universidades brasileiras trabalha desde março no desenvolvimento de um modelo brasileiro de TV digital, com recursos do Fundo de Telecomunicações.

Estudos brasileiros devem estar prontos em 2005

– Eu sou um otimista nesse sentido. Quem voou primeiro no mundo foi um brasileiro, quem tem o melhor sistema corporativo bancário do mundo é o Brasil. Nosso sistema de apuração de votos com urna eletrônica é o mais veloz e seguro. Por que não somos capazes de desenvolver um padrão de TV digital se três países conseguiram fazer isso nas suas universidades? Na pior das hipóteses vamos colocar algo de nossa inteligência em um projeto que existe no mundo – disse o ministro.

Segundo o presidente da Anatel, os estudos desenvolvidos por 79 instituições de pesquisa e que levarão à decisão sobre o modelo brasileiro de TV digital deverão ser concluídos em março de 2005.

Ziller disse ainda que o governo analisa as tecnologias em uso na Europa (DVB), nos EUA (ATSC) e no Japão (ISDB), além da possibilidade de desenvolver um sistema híbrido, adaptado ao mercado nacional. A fase de implantação levará aproximadamente um ano, e em 2006 as TVs analógicas já poderão estar com os conversores recebendo as imagens digitais, previu Ziller.

– Estamos dentro do prazo. São decisões que não podem ser tomadas sem avaliações profundas – disse.

Mais do que investir na tecnologia, o ministro também destacou a necessidade de garantir que a programação da televisão aberta seja igualmente oferecida em formato digital para o maior número possível de brasileiros.

Ministro quer preservar conteúdo nacional

Oliveira citou a preocupação com a preservação do conteúdo nacional na programação e a possibilidade de exportação da produção brasileira para outros países.

– Todos os países têm preocupação com seu conteúdo e no Brasil isso não pode ser diferente. Sem nenhum nacionalismo exacerbado, devemos preservar nosso conteúdo na programação e se possível exportá-lo para várias partes.’



Carmen Lúcia Nery

‘Finep deverá escolher centros de pesquisa para projeto de TV digital em dois meses’, copyright Telecom Online, 28/07/04

‘O CPqD acredita que deverá ser cumprido o prazo de um ano para a elaboração do modelo de referência que vai nortear a escolha do padrão de TV digital. Segundo Ricardo Beneton, gerente de inovação do CPqD, as universidades e institutos de pesquisa deverão responder às RFPs (Request for Proposal), lançadas pela Finep na segunda, num prazo máximo de um mês. A expectativa do CPqD é que a Finep leve duas semanas para analisar as propostas e escolher os centros que vão desenvolver as pesquisas a tempo de concluir o projeto no próximo ano. O prazo para desenvolvimento de uma proposta de padrão de TV digital continua sendo a maior crítica dos radiodifusores reunidos na Abert e dos fabricantes de aparelhos reunidos na SET- Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações. Hoje, no Rio, em seminário promovido pelo Jornal O Globo, os representantes dos três padrões apresentaram as evoluções de suas tecnologias desde o final dos testes conduzidos pelas duas entidades. Segundo Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da Rede Globo, o conteúdo de alta definição é fundamental para a empresa penetrar no mercado internacional e a demora brasileira deverá atrapalhar também os planos de se ter um padrão latinoamericano alinhado com a escolha brasileira. ‘Enquanto o mundo estuda como desligar o sistema analógico, o Brasil ainda discute que padrão adotar’, disparou. Enquanto em países como os EUA a alta definição foi o foco principal o Brasil não deverá abrir mão também da portabilidade e da mobilidade. Em sua apresentação o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, disse que esses dois itens devem ampliar as possibilidades de uso e têm que ser objeto de análise cuidadosa. Já Olímpio José Franco, presidente da SET, diz que a transmissão para aparelhos móveis é inevitável e não faz sentido pensar em um sistema pelo ar que não seja móvel. ‘Não podemos perder esta oportunidade’, observou. A SET defende que se o Brasil for desenvolver algo novo que seja na parte de aplicações e no midleware criando extensões dos padrões atuais no sentido de ganhar conhecimento para influir nos padrões globais.’



Heloísa Magalhães

‘Lula diz que quer assistir aos jogos da Copa em uma tela de TV digital’, copyright Valor Econômico, 28/07/04

‘O presidente Lula quer ver a Copa do Mundo de 2006 na telinha de uma TV digital e para o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, o desejo do chefe da nação será cumprido. Mas o cronograma está apertado. Está prevista para março de 2005 a entrega das análises das 79 universidades e centros de pesquisa, que tem R$ 65 milhões, para desenvolver estudos para o sistema brasileiro. Mas o ministro ontem disse que pode estender o prazo.

Eunício de Oliveira quer, inclusive, ampliar o debate. Ele respondeu ontem às críticas de representantes da indústria eletro-eletrônica de que alguns segmentos não estariam participando das discussões afirmando que o ministério está aberto a quem quiser participar do processo.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Pedro Jaime Ziller também aposta que em 2006 as primeiras imagens de TV Digital estarão chegando aos brasileiros. ‘Estamos dentro do prazo. As decisões é que não podem ser tomadas sem avaliação profunda’, frisou Ziller.

Ele disse também que um conversor simples, sem acesso à internet, o chamado ‘set up box’ deverá custar no mínimo US$ 100 mesmo no início do processo. Explicou que a Fundação CPqD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento das Telecomunicações ) já desenvolveu um modelo do conversor com possibilidade de acesso a internet pelo mesmo preço.

Segundo o representante do padrão japonês de TV Digital no Brasil, Murilo Pederneiras, ‘um conversor que faça a TV analógica atingir o padrão digital pode até custar US$ 100 mas para ter acesso a internet e outras aplicações o valor quadruplica. Para ele, as novas tecnologias são caras no início, mas depois se tornam mais acessíveis.

Eles participaram ontem do seminário TV Digital a Revolução do Século 21, promovido pela Câmara de Comércio Americana e O Globo onde um dos centros da discussão foi até que ponto o país deve buscar capacitação própria. A aposta de especialistas é de que o Brasil precisa tomar cuidado para não investir e reinventar a roda: ‘Pensar um modelo que não existe no mundo pode sair caro. Temos que aproveitar a globalização para ganhar escala’, reagiu o diretor da Central de Engenharia da Rede Globo, Fernando Bittencourt. ‘Se não tivéssemos adotado um padrão já existente e escolhido desenvolver um celular GSM do B será que o terminal estaria custando R$ 150,00 ou R$ 200,00 ? Não acredito que conseguiríamos’, disse.

Ele e outros especialistas apostam que o Brasil deveria buscar o padrão já existente mais adequado às suas necessidades. Uma das apostas é no que se chama no jargão do setor de ‘middleware’, camada intermediária entre o hardware e o software da TV digital. ‘É ai que o Brasil tem chances de criar sua própria solução’, disse o diretor de estratégia de banda larga da Microsoft, James Beveridge, que abriu o encontro.

A discussão é que se esse middleware será totalmente ‘made in Brazil’ ou irá agregar características próprias a partir do padrão americano, japonês ou europeu.

A Samsung, de acordo com o vice-presidente Benjamin Scisú, está montando centro de pesquisas voltado para a TV digital com objetivo de tornar a empresa coreana líder no segmento e vai priorizar parcerias.



Tela Viva News

‘Padrão brasileiro deve se concentrar no middleware’, copyright Tela Viva News, 28/07/04

‘Na opinião de especialistas presentes em seminário sobre TV digital realizado nesta quarta-feira, 28, no Rio de Janeiro, sob a organização do Jornal O Globo, o esforço dos cientistas brasileiros na busca por um padrão nacional deve se concentrar no middleware, camada intermediária entre o hardware e o software da TV digital. ‘É no middleware que o Brasil tem chance de criar o seu padrão’, aposta James Beveridge, diretor da Microsoft presente no evento.

A grande dúvida é se o país conseguirá criar um middleware 100% brasileiro ou desenvolverá uma extensão de algum dos três já existentes: Dase (EUA), Arib (Japão) e MHP (Europa). ‘Ainda é cedo para essa resposta’, limitou-se a responder Ricardo Benetton, gerente de inovação do CPqD, órgão que coordena o projeto de desenvolvimento de um sistema brasileiro de TV digital. Carlos Capellão, diretor da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações) é mais incisivo: ele considera impossível criar um middleware 100% brasileiro.

Vale lembrar que os mddlewares já existentes vêm convergindo e permitindo interoperabilidade para os softwares que, na maiorira dos casos, mesmo desenvolvido sobre um plataforma específica, pode trabalhar nas outras duas. Para que não fique isolado, e sem a capacidade de exportar softwares e conteúdos interativos, o Brasil terá de usar um middleware que também permita essa interoperabilidade.

No seminário, representantes dos três principais padrões no país defenderam suas respectivas tecnologias. Salomão Wajnberg, representante do padrão europeu, assegurou que o DVB é o que cobra o menor royalty (US$ 0,75 por receptor). ‘Criar um padrão próprio para não pagar royalties pode sair mais caro do que pagá-los’, criticou. Murilo Pederneiras, que representa o padrão japonês (ISDB), disse que o Brasil não tem escala para criar um padrão próprio, ignorando o argumento de que parte da América Latina deve seguir a decisão brasileira sobre TV digital. Por fim, Sávio Pinheiro, que representa o padrão americano, explicou que o ATSC só não é forte na mobilidade porque não houve demanda por parte das emissoras americanas. ‘O que não significa que isso não possa ser feito’, acrescentou.

Com mobilidade

Em palestra durante o evento, o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, destacou a importância da mobilidade como uma característica fundamental para o padrão brasileiro que está sendo criado. Questionado depois se isso significaria que o padrão americano está descartado, ele contemporizou: ‘queremos criar um padrão brasileiro. Não sabemos ainda onde vamos chegar’.

Benetton, do CPqD, demonstrou preocupação em relação aos prazos. A Finep informou que precisaria de três meses para escolher as entidades que serão contratadas para participar do desenvolvimento do padrão brasileiro, mas o CPqD gostaria que o processo de seleção levasse apenas duas semanas. ‘A parte de inteligência precisa estar pronta em março de 2005’, justificou Benetton.

TV X Celular

Mais uma vez, a convergência entre TV e telefonia celular entrou em debate. Wajnberg, que também é presidente da Telecom (Associação Brasileira de Telecomunicações), encerrou sua palestra afirmando categoricamente: ‘a função da operadora de telefonia é transportar, não produzir conteúdo’.

Paulo Henrique Castro, gerente de projetos de transmissão digital da Rede Globo, destacou que a recepção gratuita dos canais de TV aberta nos celulares estimulará a compra de conteúdo exclusivo via rede celular, gerando receita para as operadoras de telefonia móvel. ‘Pesquisas da NTT DoCoMo comprovaram isso’, afirmou.

A briga é mais séria, contudo: no seminário Tela Viva Móvel realizado em março, ficaram claras as duas posições existentes. De um lado, a Globo deseja que os handsets venham com um chipset capaz de captar o sinal de TV digital transmitido pelos broadcasters em UHF. A Vivo, por sua vez, afirmou que quem define os features do handset é o operador de telefonia móvel, pois é ele quem subsidia o equipamento e desenvolve os produtos. Para as operadoras de serviços móveis, o mais interessante é que o sinal de TV venha ao celular pela rede da operadora de telefonia móvel.’



Tela Viva News

‘NAB procura NCTA para acertar arestas da TV digital’, copyright Tela Viva News, 28/07/04

‘Por sugestão do congressista republicano Billy Tauzin (Louisianna), a NAB, associação norte-americana de radiodifusores, propôs um encontro com a NCTA, associação das operadoras de cabo dos EUA, para resolver as diferenças das duas indústrias quanto à TV digital, informa a publicação internacional Broadcasting & Cable. O principal embate se refere ao pedido feita pela NAB à FCC para que obrigue o cabo a carregar todos os canais digitais das emissoras locais, ou seja, todos os demais serviços e canais adicionais além da simples replicação do canal analógico original. O setor de cabo acredita que esta obrigação sobrecarregaria as redes e deixaria pouco espaço para os canais pagos. Na carta ao presidente da NCTA, o presidente da NAB, Eddie Fritts, afirma que ‘o objetivo é deixar de lado diferenças passadas e fazer o que é o melhor para o público’. Resta saber se a NAB abrirá mão do pleito de ter o must-carry dos canais multicast.’



Agência Brasil

‘Ministro das comunicações quer acesso grátis à TV digital’, copyright Agência Brasil in Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br) , 29/07/04

‘O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, entende que a TV Digital deve permitir o acesso gratuito como já ocorre com o sistema de TV aberta.

O ministro lembra que a televisão está em cerca de 90% dos lares brasileiros. Portanto, o projeto envolve outros aspectos estratégicos.

Na sua avaliação, quesitos como a redução da dependência tecnológica do país, a inclusão de cidadãos de baixa renda na sociedade de informação e a renovação do parque de televisores do Brasil, devem ser avaliados. Além de garantir imagem de alta definição, som limpo, sinal estável e a possibilidade de interatividade.

‘Queremos um modelo que permita a atualização e utilização do sistema de TV Digital por todos os televisores instalados no Brasil. Essa diretriz faz parte de uma política maior de inclusão social e digital através da interatividade. Com regras bem claras, o modelo deverá contemplar os aspectos da transição entre os sistemas analógico e digital’, afirma.

Segundo Eunício, cerca de 79 universidades participam atualmente das discussões do projeto brasileiro de TV Digital. Ele acredita que mesmo nas fases de estudo será possível ter a transmissão da Copa do Mundo de 2006 pelo sistema, conforme pretende o presidente Lula.’

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