Domingo, 08 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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17/03/2009 na edição 529

DITABRANDA

Rodrigo Vianna

Otavinho mentiu: Comparato criticou Cuba

‘Por favor, prestem atenção ao texto que reproduzo abaixo. Ele me foi enviado pelo leitor Cássio Schubsky, e eu fui checar lá no site da ‘Folha On Line’.

O texto foi publicado no Painel do Leitor da ‘Folha’, de 1 de junho de 2004. Quem escreve a carta é o professor Fabio Konder Comparato – o mesmo que Otavinho chamou de cínico, mentiroso e democrata de fachada.

Agora, prestem atenção ao conteúdo da carta escrita por Comparato em 2004.

Ruptura

‘O professor François Chesnais (‘Ruptura radical’ é a saída para o Brasil, defende professor francês’, Entrevista da 2ª, 31/5) tem dado uma excelente contribuição à causa do mundo subdesenvolvido ao mostrar, em seus vários livros, de que forma a globalização capitalista, comandada pelos EUA, aprofunda a divisão entre ricos e pobres até dentro dos países mais ricos do planeta. Mas, ao apontar em sua entrevista a experiência política cubana como exemplo a ser seguido pelos países subdesenvolvidos, especialmente o Brasil, o ilustre professor prestou um desserviço àquela nobre causa. A mundialização humanista, pela qual lutamos, funda-se no respeito integral à democracia e aos direitos humanos, caminho que, infelizmente, não tem sido seguido pelo governo cubano.’

Fábio Konder Comparato, professor titular da Faculdade de Direito da USP (São Paulo, SP)

(Fonte: Folha de S. Paulo, Painel do Leitor, ed. 1º/07/2004)

Por que essa carta é importante? Porque mostra o grau de cinismo da ‘Folha’.

Quando Maria Vitória Benevides e Fabio Konder Comparato – dois democratas, dois ilustres professores – escreveram à ‘Folha’, em fevereiro de 2009, para protestar contra o infame editorial (que chamava a ditadura brasileira de ‘ditabranda’), a reação de Otavinho Frias Filho foi grosseira e destemperada:

‘Nota da Redação: A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa’.

Agora, ao reler a carta de 2004, descobrimos que cínica e mentirosa foi a Nota de Redação que atacava os professores.

Nem quero discutir aqui se Cuba, de fato, é uma ditadura.

O que interessa é o factual: Otavinho (o inquisidor, o Carlos Lacerda do século 21) dizia que Comparato não podia discutir ditadura no Brasil porque não havia condenado regimes de esquerda. Ora, mas Comparato havia, sim, em espaço cedido pelo próprio jornal, feito críticas públicas a Cuba!

Portanto, Otavinho mentiu.

E mentiu duas vezes.

Depois da manifestação na porta do jornal (que teve repercussão em todo o país, e até no exterior), no último sábado, contra o uso do term ‘ditabranda’, Otavinho escreveu outra nota. Dessa vez, admitia que o uso do termo ‘ditabranda’ tinha sido um ‘erro’, mas voltava à carga contra os professores:

‘Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.’

Já sabíamos que ele era mal-educado. Porque (com ou sem críticas a Cuba) não se trata leitor nenhum da forma como Otavinho fez..

Já sabíamos que ele tem um passado a esconder, já que a ‘Folha’ foi um jornal que colaborou não apenas com a ditadura, mas com os torturadores, diretamente, emprestando carros à OBAN/Doi-Codi: :http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/por-que-a-folha-nao-publica-cartas-de-ivan-seixas.

Agora, sabemos que, em relação a Comparato ao menos, a ‘Folha’ agiu em desacordo com a verdade factual.

Talvez, ele não contasse com a internet, que permite ao leitor reconstituir os fatos, e desmascarar os arrogantes.

Otávio Frias,o pai, não tinha pretensões intelectuais, não ficava por aí escrevendo notas mal-criadas, nem peças de Teatro. Antes de ter jornal, se dedicava a criar galinhas no nterior de São Paulo. Profissão digna.

Otavinho, o filho, acha que é um pensador. Devia criar galinhas. Mas, por favor, respeitando as regras sanitárias.’

 

 

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