Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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ENTRE ASPAS >

Especialista diz que Kindle não ajudará jornais

27/10/2009 na edição 561


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 27 de outubro de 2009


 


LEITOR ELETRÔNICO


Fernando Rodrigues


Kindle não ajudará jornais, diz especialista


‘O diretor do Laboratório de Jornalismo da Fundação Nieman, na Universidade Harvard, Joshua Benton, não enxerga no Kindle, o leitor de livros eletrônico da Amazon, ou em outros aparelhos similares solução para as finanças dos jornais. Os leitores não vão usar de forma disseminada um equipamento só para ler livros ou jornais, diz.


Para Benton, será necessário que os novos e-readers sejam multifuncionais para terem mais apelo. Sobretudo, oferecendo acesso facilitado à internet. Mas, nesse caso, surge um problema adicional: poucos leitores vão se dispor a pagar para ler um jornal se a web estiver a um clique de distância oferecendo notícias gratuitamente.


O sistema de micropagamentos também estaria ‘condenado’. Uma coisa, diz Benton, é pagar US$ 0,50 por uma música que poderá ser ouvida várias vezes. Outra é comprar uma notícia para ser lida uma vez e da qual não se conhece previamente a qualidade. A internet tem efeitos negativos para o chamado ‘jornalismo de qualidade’, com orçamentos mais reduzidos para longas e custosas investigações. Mas Benton aponta as vantagens oferecidas pela web na produção de reportagens de boa qualidade.


Ele menciona o fato de ter se tornado ‘trivial a transmissão de uma reportagem de qualquer lugar no mundo’. Os repórteres também têm hoje à disposição ferramentas poderosas de pesquisa. A propagação do conteúdo ficou mais fácil. Nichos de leitores podem ser ‘agrupados e servidos por um jornalismo muito específico que não poderia sobreviver no modelo antigo’.


O Nieman Lab, como é conhecido o centro dirigido por Benton, completa hoje um ano. Ancorado na Fundação Nieman para o Jornalismo, entidade com 72 anos de existência, o laboratório tornou-se um dos principais centros de debate sobre mídia nos EUA.


Benton, 33, será o palestrante de abertura hoje, às 19h30, do MediaOn-99, evento que vai até quinta, em São Paulo. Sua palestra será sobre ‘como o jornalismo de qualidade pode sobreviver e prosperar na era da internet’. Leia informações em www.mediaon.com.br. A seguir, trechos da entrevista de Benton à Folha:


FOLHA – O orçamento para produzir jornalismo de qualidade será continuamente reduzido com o aumento da concorrência on-line?


JOSHUA BENTON – Acho que sim, se você usar a definição de ‘jornalismo de qualidade’ da era pré-internet: muitos repórteres bem pagos passando semanas atrás de uma investigação. Mas também não se pode esquecer como a internet contribui para o jornalismo de qualidade. Tornou trivial a transmissão de uma reportagem de qualquer lugar no mundo. Deu aos repórteres as ferramentas de pesquisas mais poderosas disponíveis até hoje. Permite que reportagens se propaguem com facilidade. Nichos de leitores podem agora ser agrupados e servidos por um jornalismo muito específico que não poderia sobreviver no modelo antigo. Há mais jornalismo de qualidade sendo produzido agora do que no passado. Está apenas sendo produzido de forma diferente e por pessoas diferentes.


FOLHA – Qual é o futuro para os leitores eletrônicos de texto, os e-readers, como o Kindle?


BENTON – Sou cético a respeito dos e-readers. Os usuários gravitarão em direção a produtos multifuncionais. Não querem os que só permitem ler livros, mas também o que permitem navegar na web. Acho que é zero a chance de um produto como o Kindle ter impacto significativo nas finanças dos jornais impressos. Os publishers sonham que os usuários do Kindle passariam novamente a querer pagar pelo conteúdo de notícias. Isso se daria porque eles estariam lendo as notícias digitalmente num Kindle, e não na web. Não creio que isso seja provável nem as informações estatísticas disponíveis até agora corroboram esse ponto de vista.


FOLHA – Então jornais tradicionais como o ‘New York Times’ não adotariam os e-readers como uma parte importante dos seus negócios?


BENTON – Jornais como o ‘Times’ vão querer usar o Kindle e outros e-readers simplesmente porque essas publicações precisam que suas notícias estejam acessíveis em todos os lugares possíveis. Também porque eles buscarão alguma receita marginal. Mas será uma pequena parte do negócio.


FOLHA – Já outros aparelhos chegando ao mercado, inclusive um da Apple. Essa competição não ajudaria a difundir a tecnologia, tornando-a financeiramente viável?


BENTON – O aparelho da Apple será melhor que o Kindle. Se propiciar um acesso à internet facilitado, tornará ainda mais tolo o sistema de assinaturas hoje oferecido pelo Kindle.


FOLHA – Qual tendência prevalecerá na web: notícias gratuitas ou conteúdo pago?


BENTON – Jornais como ‘The Wall Street Journal’, ‘Financial Times’ e a revista ‘The Economist’ são exceções. Cobram por parte do que produzem na web. Essas empresas miram em um leitorado no setor financeiro. Os leitores dessas publicações sentem a necessidade de lê-las para ter um bom desempenho em seus empregos. Em resumo, são meios que têm uma margem comparativa muito maior do que jornais de interesse geral. O sistema de micropagamentos está condenado. Os consumidores de notícias não gostam desse sistema, a ferramenta de compra é complicada e uma notícia que você lerá uma vez -e cuja a qualidade você conhecerá ao ler- é muito diferente de uma música que o usuário pode comprar para depois ouvir centenas de vezes.


FOLHA – Além dessas opções já comentadas, quais outras há para as empresas de mídia jornalística na era da internet?


BENTON – A publicidade, que ainda é de longe a maior fonte de receita para os sites de notícias nos EUA.’


 


 


POLÍTICA


Catia Seabra


DEM veta aparição de Serra em horário do partido na TV


‘A aparição do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no programa partidário foi ontem nova causa de desavença na cúpula do DEM. Com a promessa de dois minutos para divulgação de seu trabalho, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, incluiu, na gravação, imagens ao lado de Serra.


O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ), no entanto, resiste à participação de tucanos, sob o argumento de que o programa -que irá ao ar nesta quinta- destina-se à promoção dos democratas.


‘Nunca foi cogitada a participação de tucanos, até porque seria ilegal’, argumentou Rodrigo Maia, negando que a presença de Serra tenha sido objeto de discussão com Kassab.


Segundo ele, as imagens de Serra nem sequer foram enviadas ao partido, pois contrariaria o roteiro apresentado pela produtora GW, encarregada da edição da cota de Kassab.


Mas, segundo democratas, Kassab e Maia discutiram o assunto. Maia pediu que participação de Serra fosse suprimida, alegando que o governador de Minas, Aécio Neves, não teria espaço no programa. Kassab manteve o material intacto.


Outro problema teria sido a decisão de reduzir em 30 segundos a cota reservada a Kassab. Editado na Bahia, o programa é apresentado por Maia.


O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e os líderes no Senado, José Agripino (RN), e na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), gravaram participação no horário político.


Para Onyx Lorenzoni (RS), só democratas devem aparecer na TV. ‘Como colocar candidatos de outros partidos?’


Os democratas divergem ainda sobre a divulgação de uma pesquisa que indicaria que a maioria dos deputados do partido e do PPS prefere a candidatura de Serra à Presidência. ‘Não fui ouvido’, disse Caiado.


Esse é mais um capítulo da turbulência iniciada há duas semanas, quando Maia insinuou preferência por Aécio.’


 


 


LULA


Eliane Cantanhêde


Fiscalização já!


‘BRASÍLIA – Está ficando demais esse negócio de o presidente da República todo dia, dentro do governo ou falando para o mundo, recriminar fiscalização, investigação e rigor com as obras públicas -o que quer dizer com o uso do meu, do seu e do nosso rico dinheirinho.


Num dia, Lula declara que a imprensa não tem de investigar nem fiscalizar nada, só tem de ‘informar’. Mas informar o quê? Para atender o interesse de quem?


No outro, lá estava Lula fazendo dueto com Dilma contra essas fiscalizações que travam o progresso. Tirava o foco da imprensa e voltava aos de sempre: o TCU e o Ministério Público, que têm justamente o dever de fiscalizar e zelar pelo bem, pelas obras e pelas verbas públicas.


Isso tudo remete a outros passos ou vozes do governo Lula contra qualquer tipo de controle, chegando até a Marina Silva, que, quando ministra do Meio Ambiente, era muito prestigiada fora do governo e do país pela diligência na avaliação ambiental, mas muito criticada dentro do governo e especialmente dentro do Planalto -pela colega Dilma. E eis que Marina saiu do cargo e do PT.


Recuando mais um pouco, encontraremos o empenho do governo em aprovar a Lei da Mordaça, para calar o Ministério Público, ou o projeto proibindo funcionário público de passar informações para a imprensa, ou ainda o tal projeto para cassar registro de jornalistas.


E chegamos à triste trajetória das CPIs, que cumpriram fantástico papel quando os petistas estavam dentro delas investigando os outros, mas estão morrendo de inanição quando são os outros que agora estão dentro tentando, e não conseguindo, fiscalizar o governo do PT e dos seus complexos aliados.


Ou seja, fiscalização é como pimenta nos olhos: é ótimo, mas só nos olhos dos outros. E fica pairando uma pergunta no ar: afinal, o que tanto Lula e o seu governo temem?’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Outros consensos


‘John Williamson, que cunhou o Consenso de Washington, colega de Pedro Malan, publicou no ‘Financial Times’ o artigo ‘O Fundo deveria ajudar o Brasil a conter as entradas’ de capital (pág. B6). Em suma, defende que o FMI mude sua ‘abordagem intelectual’ e se adapte ao ‘fim de uma era’, anunciado pela ação ‘substantiva e simbólica’ do Brasil.


Depois dos australianos, também o turco ‘Hurriyet Daily News’ publicou análise sobre a medida com que ‘o Brasil roubou toda a atenção, abrindo debate não só sobre se vai funcionar, mas se outros vão seguir’. Lamenta que a Turquia não pode, por estar de mãos atadas, dependente de capital externo e sob risco de elevar juros, ao contrário do Brasil.


Fim do dia, por Valor Online e Brasil Econômico, Bolsa ‘surpreende’ e se ‘descola da cena externa’ de Wall Street, com ou sem a taxação.


ORA FMI, AMEAÇA ‘WSJ’


O ‘Wall Street Journal’ se voltou em editorial contra conceder mais poder aos ‘políticos de Pequim e Brasília’ no Fundo, como vem negociando o G20.


Questiona não serem ‘credores de longo prazo’ no FMI, como os EUA. Diz que o Fundo ‘não é uma democracia’ e, ‘se for para virar um banco da ONU, os contribuintes americanos devem parar de pagar por ele’. Afinal, ‘com o FMI de antigamente pelo menos se podia contar na hora de apoiar os interesses geopolíticos do Ocidente’.


COMO INVESTIR


O ‘Telegraph’ ouve consultor para avisar que ‘as empresas planejando entrar no Brasil vão se chocar com a força dos fornecedores locais’. Sugere ‘parcerias’ na ‘corrida pela Copa e pelos Jogos’


ARMAS AOS BRICS


UPI e sites de defesa destacam que um novo estudo ‘sugere que Brasil, Rússia, Índia e China vão virar líderes econômicos de grande potencial para empresas de defesa’ em busca de ‘oportunidades’.


A HORA DE SAIR


O ‘Los Angeles Times’, em editorial, diz que os presidentes da América Latina ainda precisam ‘saber quando sair’. Critica Álvaro Uribe e Hugo Chávez e afirma que ‘deveriam seguir os modelos maravilhosos de Lula e Michelle Bachelet, que respeitam seus mandatos apesar da popularidade’.


O FIM DO MUNDO


Ken Auletta, da ‘New Yorker’, lança no dia 3 ‘Googlado: O Fim do Mundo como Nós o Conhecemos’ (Penguin), em que descreve a revolução que atingiu ‘jornais, livros, TV, cinema, telefonia, publicidade e a Microsoft’. Para divulgação, ele adianta na nova ‘Fortune’ as ‘dez coisas que o Google nos ensinou’, por exemplo, ‘A paixão vence’


CNN, A ÚLTIMA OU A MAIOR


No ‘New York Times’, ‘CNN cai para o último lugar entre os canais de notícia’, em audiência nos EUA. A emissora ‘que inventou os canais de notícia’ ficou atrás de Fox News, MSNBC e da HLN, antiga Headline News _que é produzida pela própria CNN.


Em blogs de mídia como Romenesko, a notícia negativa era contrastada ontem com um outro levantamento, que deu a CNN como ‘de longe a maior do Twitter’, com seis milhões de seguidores, capitaneados por sua página de ‘Breaking News’, que só perde para celebridades como Ashton Kutcher e Britney Spears.


A PIOR DA HISTÓRIA


No Radar de Lauro Jardim, o ‘Fantástico’ teve ‘a pior audiência de sua história’. No blog de Daniel Castro no R7, até a audiência consolidada foi ‘a pior de todos os tempos’. Na coluna de Ricardo Feltrin no UOL, ‘a recuperação se tornou obsessão da cúpula da Globo’, que vai ‘reformar’ o programa.


JORNAIS EM QUEDA


Por ‘NYT’ e outros, ‘Circulação de jornais nos EUA cai 10%’. E o ‘USA Today’ perdeu o primeiro lugar para o ‘WSJ’, mas ‘é um dos poucos a vender assinaturas on-line, que contam na circulação total’. A reportagem do próprio ‘WSJ’ sublinha que seu crescimento de 0,6% se deve às assinaturas do site.’


 


 


TELEVISÃO


Folha de S. Paulo


RedeTV! proíbe seus artistas de irem a produções do SBT


‘A participação da apresentadora Luciana Gimenez na Abertura do Teleton 2009, evento beneficente promovido pelo SBT, foi a última aparição de um artista do elenco da RedeTV! na emissora de Silvio Santos, segundo Marcelo de Carvalho, vice-presidente da RedeTV!.


As relações entre as duas emissoras, consideradas amistosas, ficaram estremecidas depois de Leon Abravanel, diretor do SBT, vetar a participação de Roberto Justus no programa ‘Superpop’, de Luciana Gimenez, combinada pelas redes em um acordo que também envolvia a ida de Luciana Gimenez ao programa ‘Um Contra Cem’, apresentado pelo empresário no SBT.


Para Marcelo de Carvalho, ‘a postura de Leon Abravanel é tacanha e retrógrada, como se estivéssemos na década de 70’. A proibição, além de valer para programas de TV, também engloba eventos realizados pelo SBT, como o Troféu Imprensa, em que o ‘Pânico na TV’ já venceu três vezes a categoria de humorístico.


Aliás, o programa é um dos que podem ser prejudicados caso o SBT decida retaliar a atitude da RedeTV!. Wellington Muniz, responsável pela imitação de Silvio Santos desde o início do programa, em 2003, pode ser obrigado a abandonar o seu personagem mais famoso, que depende de autorização do dono do SBT.


Procurada, a emissora de Silvio Santos disse que não tem informações sobre essa medida tomada pela Rede TV!, tampouco sobre o veto à participação de Roberto Justus no programa de Luciana Gimenez.


IBOPE EM BAIXA


Mesmo com a estreia do quadro ‘Cassetástico’, o ‘Fantástico’ desta semana teve média de 18 pontos no Ibope, em sua segunda pior audiência desde 2000. O ‘Programa do Gugu’, exibido pela Record, ficou 25 minutos à frente do ‘Fantástico’, em segundo lugar na média geral, com15 pontos, segundo os dados consolidados.


NO LUGAR DE NORMA


O filme ‘Sr.eSra.Smith’, com Angelina Jolie e Brad Pitt, apresentado no horário logo após o ‘Fantástico’, antes ocupado pela série ‘Norma’, teve média de 17 pontos. O programa de Denise Fraga, suspenso pela Globo por conta dos baixos índices de audiência, tinha média de 12 pontos.


SEM GRAÇA


Silvio Santos, durante o encerramento do Teleton, deixou constrangido o representante dos cartões Hipercard.Fazendo um discurso após anunciar a doação de sua empresa, foi logo cortado por Silvio, que comparou-o a Edir Macedo. ‘Depois dessa, me sobra pouco’, terminou o representante da marca. Apesar disso, o evento atingiu a meta de arrecadação de R$19 milhões.


TUDO É POSSÍVEL?


Apesar do novo horário de exibição, o ‘Tudo É Possível’, apresentado por Ana Hickmann, seguiu em terceiro lugar, atrás do ‘Domingo Legal’, do SBT. No confronto direto, Celso Portiolli marcou nove pontos, contra sete da Record.’


 


 


Gustavo Villas Boas


Série investiga razões para colapso dos maias


‘Os deuses não eram astronautas, os maias não eram apenas crueldade, tampouco viviam em perfeita comunhão com a natureza, desenvolvendo matemática e escrita avançadas para o período. ‘O filme ‘Apocalypto’ (2006) é muito fantasioso, não foi bem recebido aqui no México’, diz Danilo Drakic, criticando a violência do longa de Mel Gibson, uma das imagens recentes relacionadas aos maias.


Há outras mais sérias. Drakic é um arqueólogo mexicano e apresentador de ‘Exploração Maia’. A série, que estreia hoje à noite no canal pago History Channel, elenca e investiga quatro hipóteses para o colapso da civilização maia, em torno do ano 1000.


Não que ela tenha sumido. A presença maia por toda a América Central é fundamental às investigações de Drakic. Ele visita locais onde hábitos persistem, entrevista folcloristas de ascendência indígena e visita casas onde as técnicas antigas são comuns até hoje.


‘A cultura está viva em pequenas vilas. A forma como constroem a casa, a organização, a espiritualidade e o idioma são fundamentais para estudarmos os motivos do colapso’, diz Drakic. A pedra fria colabora: já no primeiro episódio, o arqueólogo percorre o México e nos apresenta o que restou das cidades e pirâmides maias. A arquitetura dos prédios está em sintonia com conhecimentos astronômicos; o urbanismo considera a posição das constelações e o movimento do Sol.


Algumas construções da época que têm dezenas de metros de altura consumiram tantos recursos naturais que podem ter devastado a natureza ao redor, tornando a vida impraticável naqueles lugares. É exatamente essa a hipótese número um (e, sem dúvida, um alerta) para o colapso da civilização: a destruição do ambiente levou os maias à decadência.


Mas não ao fim. ‘Aprendi a fazer isso [uma espécie de cal, um material que é base das construções] com meus avós’, diz um homem que trabalha na preservação de uma pirâmide.


Ele está montando uma fogueira quase de sua altura para queimar as pedras que vão virar material de construção. O cenário não é bonito: os tocos de árvores que cercam a área dão contornos nítidos à primeira teoria.


Cada episódio explora uma hipótese. ‘As recorrentes guerras e os sacrifícios rituais, a incapacidade produtiva da agricultura e da pesca e as epidemias, o fim das rotas comerciais também são investigadas’, diz Drakic.


EXPLORAÇÃO MAIA


Quando: hoje, às 22h, no The History Channel


Classificação indicativa: não informada’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 27 de outubro de 2009


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Moacir Assunção


Censura fere tratado firmado com OEA, alerta especialista


‘A censura ao Estado contraria frontalmente a Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão – mais conhecida como Pacto de San José da Costa Rica -, aprovada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). A opinião é da advogada do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), Helena Rocha. O Brasil é signatário do texto, que integra o ordenamento jurídico nacional.


‘A convenção é muito clara. Cercear a imprensa configura censura prévia e atenta contra a liberdade de expressão e de opinião’, destaca a especialista.


O Cejil, cuja sede fica em Washington, no Estados Unidos, com uma regional no Brasil, tem como objetivo promover a plena implementação das normas internacionais de direitos humanos nos Estados-membros da OEA.


INDENIZAÇÕES


No ano passado, de acordo com advogada, o Brasil já foi questionado por causa das altas indenizações impostas a jornais e jornalistas para os chamados crimes de imprensa, que estariam se convertendo em uma forma indireta de se exercer a censura prévia no País.


‘Há uma forte preocupação da comissão interamericana com essa questão desde o relatório que fizemos, junto com a Artigo 19, outra ONG ligada à liberdade de expressão. O caso do Estado e outros que temos acompanhado no Brasil devem fazer aumentar o risco de o País receber sanções por causa da censura à informação’, ressaltou a advogada.


O Chile, de acordo com a especialista, foi condenado por oferecer obstáculos à liberdade de expressão. Lá, foram censurados o filme A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e um livro. ‘As condenações podem ir de censura ao pagamento de indenizações aos prejudicados’, informou.


‘A interpretação é de que não pode haver censura e qualquer abuso deve ser discutido na Justiça depois da publicação da informação questionada’, declarou Helena.


A única exceção em que se admite a censura prévia, de acordo com a especialista, é quando há a exposição de crianças em espetáculos públicos.


MORDAÇA


O Estado está sob mordaça por determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) desde 31 de julho. Autor da ação contra o jornal, o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de quadrilha e falsidade ideológica.’


 


 


CRIME


O Estado de S. Paulo


SIP pede apuração de morte de jornalista


‘A Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intervenha e a Justiça avance na investigação sobre o assassinato do jornalista Manoel Leal de Oliveira. Ele foi morto no dia 14 de janeiro de 1998, e os culpados ainda não foram punidos.’


 


 


TELEVISÃO


Patrícia Villalba


Beijo entre irmãos?


‘Os telespectadores mais atentos já juntaram lé com cré e aguardam a polêmica que está por vir na novela das 9 da Globo, Viver a Vida. Em primeiro lugar, circula há alguns dias a informação de que o fotógrafo Bruno (Thiago Lacerda) é, na verdade, filho de Marcos (José Mayer). E, em segundo, numa cena que deve ir ao ar hoje, Bruno beijará Luciana (Alinne Moraes), filha de Marcos. Incesto à vista?


Dono do destino dos personagens, o autor Manoel Carlos pede cautela, apesar de admitir que Bruno e Luciana possam ser irmãos. ‘Ainda não resolvi’, diz ele ao Estado, conhecido por tomar as grandes decisões de suas tramas conforme o soprar dos ventos. ‘Não existe pressa, por enquanto.’


Mas ainda que o incesto fique configurado, diz o autor, não deve haver motivo para alarde. ‘Bruno e Luciana vão dar um lindo beijo sobre a areia do deserto’, adianta. ‘Mas se forem mesmo irmãos, não estará configurado incesto, pois eles não sabiam do parentesco. E depois, não sei se você sabe, incesto não é crime pelo Código Penal brasileiro. Só se um deles for menor de idade. Incesto consciente é considerado apenas um desvio moral, não um crime.’’


 


 


O Estado de S. Paulo


Tricô Fashion


‘Em passagem pelo Brasil, Donatella Versace teve um papo exclusivo com Lillian Pacce para o GNT Fashion. Na entrevista, gravada no sábado, Donatella fala sobre seus rituais de beleza, sobre Isabeli Fontana, sua modelo preferida e para quem já fez dois vestidos de noiva, e sobre moda, claro. A conversa vai ao ar em novembro.’


 


 


 


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