Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 26/02

Estadão destaca
jornalismo colaborativo

Por Luiz Antonio Magalhães em 28/02/2007 na edição 422


Leia abaixo os textos de segunda-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007


INTERNET & JORNALISMO
Rodrigo Martins


Agora é você quem faz a notícia


‘Uma mudança está em curso no jornalismo mundial. E você (sim, é você mesmo, caro leitor) encontra-se no centro disso. Com a popularização das formas de colaboração via internet, o cidadão está deixando a sua posição de, na maioria da vezes, mero espectador das notícias para transformar-se, ele próprio, em um narrador dos fatos.


Sites em que os internautas publicam reportagens; páginas em que os usuários, e não jornalistas, determinam quais fatos têm maior relevância; blogs com relatos pessoais dos acontecimentos e até um jornal virtual gerado por milhares de ‘repórteres’ amadores espalhados pela Terra são exemplos de como essa onda está se disseminando.


O fenômeno, inclusive, já chamou a atenção de veículos tradicionais, como The New York Times, BBC, Estadão, O Globo, entre outros, que desenvolveram ou estão desenvolvendo canais virtuais para o leitor contribuir na cobertura dos fatos com textos e fotos.


‘A web permite que as pessoas publiquem tudo o que quiserem facilmente. E muitos optaram pelo jornalismo, como uma forma de suprir temas que a mídia não cobre’, disse ao Link o jornalista norte-americano Dan Gillmor, um dos principais ativistas mundiais do ‘jornalismo cidadão’, como está sendo chamado o fenômeno.


Para ter uma idéia da abrangência do fenômeno no mundo, nos EUA, dos 20 milhões de blogs, 34% são considerados jornalísticos por seus donos, aponta um estudo divulgado no ano passado pela Pew Internet & Family Project. Mais: na Coréia do Sul, por dia, 700 mil acessos são feitos ao jornal virtual OhMyNews, redigido pelos próprios internautas.


No Brasil, a coisa ainda não chegou a tanto. Mas as iniciativas de ‘jornalismo cidadão’ começam a se multiplicar. Portais como IG e Terra já permitem que os usuários relatem os fatos em textos, fotos e vídeos.


Os sites dos jornais Estadão, O Globo e Lance! contam com canais para materiais noticiosos do público. Há ainda blogs noticiosos e páginas como o Overmundo, que publica reportagens sobre cultura.


‘O ‘jornalismo cidadão’ ainda é novo no País’, diz o pesquisador do Ibope Inteligência José Calazans. ‘Os brasileiros não têm o costume de procurar essas fontes alternativas para se manter informados.’


Mas, segundo a jornalista e especialista em mídia cidadã Ana Maria Bambrilla, isso tende a mudar. ‘O País ainda tem limitações, como a pequena penetração da internet. Mas não tenho dúvidas de que o ‘jornalismo cidadão’ ganhará mais adeptos no Brasil. Já é uma realidade hoje. E tende a crescer.’


As personal stylists Cristina Gabrielli, 31 anos, e Fernanda Rezende, 29 anos, por exemplo, já fazem parte desse novo movimento. No blog Oficina de Estilo, elas publicam notícias sobre moda e cultura. Na última São Paulo Fashion Week, as duas foram até cobrir os desfiles pessoalmente.


‘A diferença entre uma notícia de um site tradicional e a publicada pela gente no blog é que conseguimos criar uma relação mais próxima com os leitores’, diz Cristina. ‘As pessoas acessam o blog para ver as nossas impressões sobre tal coleção, por exemplo.’


Essa ‘democratização’ do jornalismo, porém, não é bem vista por alguns setores da imprensa. Órgãos de classe, como sindicatos, defendem que só pode ser considerado jornalismo o que é gerado por profissionais com diploma superior de jornalismo.


‘Um jornalista precisa conhecer técnicas, o que só se aprende na universidade’, diz o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio de Andrade. ‘Um internauta, por exemplo, não tem compromisso de checar bem a notícia antes de publicar.’


Nesta edição, o Link discute, com jornalistas, ‘repórteres’ amadores e especialistas, esse novo modo de produzir e publicar notícias. E damos dicas para quem quiser entrar na onda. Ah, e não esqueça sua câmera digital e seu bloco de anotações. Na web, agora é você quem faz a notícia.’


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Nunca foi tão fácil publicar na web


‘Nunca os cidadãos tiveram tanto acesso à divulgação de notícias como nos dias de hoje. A internet está possibilitando a qualquer um relatar os acontecimentos que julgar mais relevantes. Em sites colaborativos, os internautas, em conjunto, publicam reportagens e, em muitos casos, determinam quais fatos são os mais importantes para ganhar destaque na página.


Um dos exemplos mais intrigantes desse movimento vem lá da Coréia do Sul. O jornal virtual OhMyNews conta com nada menos do que 50 mil ‘repórteres amadores’ espalhados pelo mundo inteiro. Sua audiência chega a 700 mil acessos por dia.


Com seu lema ‘cada repórter é um cidadão’, o jornal conta com editores para analisar, checar e selecionar as reportagens, fotos e vídeos enviados. O veículo também conta com jornalistas que cobrem, de maneira tradicional, as principais notícias do dia. Mas, freqüentemente, o material enviado pelos amadores ganha destaque.


‘O OhMyNews faz sucesso porque permite que as pessoas se vejam representadas no jornal. Elas mesmas podem dar a sua visão das notícias’, explica a jornalista Ana Maria Bambrilla, que fez sua tese de mestrado sobre o site sul-coreano. ‘E é isso o que as pessoas querem: ter voz.’


No Brasil, alguns serviços semelhantes ao OhMyNews – mas não tão populares, ainda – foram lançados pelos portais do IG e Terra. Todo o material enviado pelos internautas passa por um processo de checagem por uma equipe de jornalistas.


‘Os internautas enviam notícias que, de outra forma, dificilmente conseguiríamos descobrir. São fatos como ‘um morto levanta num enterro em Salvador’. Coisas bem regionalizadas’, diz a gerente de Conteúdo e Entretenimento do IG, Alessandra Blanco.


Segundo o diretor de Conteúdo do Terra, Antônio Prada, o canal ‘vc repórter’ costuma receber cerca de 30 participações por dia, entre textos, fotos e vídeos. ‘Mas checamos todas as informações e selecionamos apenas o que é interessante’, diz. ‘Mesmo produzido por internautas, o material precisa ter credibilidade.’


A clínica geral Silvia Dickman, 37 anos, participa do Minha Notícia, do IG, e costuma enviar cerca de quatro reportagens por dia. ‘Quando estou inspirada, mando até seis.’ Para escrever suas notícias de saúde, meio ambiente e educação, ela sai à caça de novidades em sites do mundo inteiro.


‘Tem muitas coisas que não saem no Brasil’, diz. ‘Pego essas notícias e complemento com o que sei sobre o assunto’, conta ela, que julga o jornalismo feito pelos internautas mais claro, direto e próximo dos leitores. ‘Vejo que há reportagens nos jornais que poderiam ser mais curtas e diretas. E é isso o que eu faço.’


Outro modelo de jornalismo cidadão que está surgindo é o que deixa os internautas livres para publicar o que acharem mais relevante. Em sites como o Wikinews e o brasileiro Overmundo, não há a intermediação de um jornalista para determinar quais notícias são as mais importantes e muito menos para apontar erros nas informações. Tudo é feito pela comunidade de usuários.


No caso do Overmundo, dedicado à cultura, os usuários, além de notícias, podem publicar poesias e música, entre outros. Por lá, antes de ir definitivamente ao ar, o conteúdo é avaliado pela comunidade, que aponta as falhas. Para definir o que aparece em destaque, a comunidade vota. Os conteúdos mais bem colocados ganham chamadas no topo do site.


‘O site foi idealizado para andar ‘sozinho’, sem a necessidade de uma intervenção centralizada’, explica um dos criadores da página, o advogado Ronaldo Lemos. ‘A comunidade tem se mostrado um bom filtro para conteúdos problemáticos.’


O webdesigner Fernando Mafra, 25 anos, é um dos usuários que costumam publicar reportagens amadoras no site. Em seus textos, ele já fez coberturas da Mostra de Cinema de São Paulo, no ano passado, e costuma dar dicas e informações de lugares interessantes na cidade de São Paulo, como ‘os locais que são clichês na Avenida Paulista.’


‘Eu sempre checo os dados antes de publicar meus textos’, diz. ‘Mas a forma como funciona o Overmundo, com a possibilidade de a comunidade comentar os conteúdos, por exemplo, ajuda a solucionar os erros e até complementar as informações que estiverem faltando.’


Outro site em que a própria comunidade fica alerta para consertar falhas e determinar quais notícias são as mais importantes é o Wikinews. Embora esteja sob o guarda-chuva da maior enciclopédia virtual do mundo, a Wikipedia, o Wikinews ainda não reúne um público muito grande.


‘Na versão brasileira, temos 10 usuários ativos que publicam notícias’, diz um dos administradores do Wikinews brasuca, o voluntário Lucas da Fonseca. ‘Gostaria muito que o número de usuários crescesse, para termos mais notícias. Assim, teríamos uma nova ‘Wikipedia’ se formando.’


USUÁRIO-EDITOR


Nem só de escrever reportagens e publicar fotos e vídeos vive o atual fenômeno de jornalismo feito pelos internautas. Selecionar e indicar notícias publicadas originalmente em sites de notícia ou blogs está fazendo muito sucesso na internet.


E esse sucesso se traduz em uma palavra: Digg. O site norte-americano foi criado em 2004. Atualmente, possui 140 mil usuários registrados e recebe uma média de 500 mil visitas diariamente.


O Digg reúne notícias publicadas em diversos sites e blogs, que são indicadas pelos próprios internautas. Os usuários do Digg votam naquelas que considerarem mais interessantes, e as mais votadas recebem maior destaque na home page. Em conseqüência, são lidas por um maior número de pessoas.


‘O site foi uma experiência para saber como a massa de usuários poderia controlar e promover conteúdos sem um controle externo’, explicou ao Link o criador do site, Kevin Rose. ‘Em pouco tempo, percebemos estar diante de um fenômeno. O Digg tornou-se um ótimo recurso para saber de notícias de última hora, que às vezes chegam ao site antes de serem publicadas na mídia tradicional.’


Por essa instantaneidade, o programador Jayme Alonso, 26 anos, diz que, quando está na frente do computador, acessa o Digg a cada 30 minutos. ‘É sempre atualizado. A comunidade consegue selecionar as melhores notícias. E o bom é que não só as geradas em sites tradicionais, mas em blogs também. Há variedade.’’


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Mídia tradicional abre espaço para o leitor


‘Em meio ao fenômeno do ‘jornalismo cidadão’ na internet, os veículos tradicionais de mídia em diversas partes do mundo estão descobrindo que os leitores podem ser muito mais que espectadores das notícias.


BBC, CNN, Estadão, O Globo e Lance! são alguns dos veículos que abriram canais virtuais para receber fotos ou textos noticiosos dos cidadãos. As agências de notícia Reuters e Associated Press se associaram a sites de ‘jornalismo cidadão’ para distribuir fotos amadoras à imprensa do mundo todo.


Até o jornal The New York Times, considerado o mais influente do planeta, anunciou no mês passado que passará, a partir de março, a publicar em seu site vídeos enviados por leitores.


Esse movimento mostrou sua força nos atentados ao metrô de Londres, em 2005. Diversas vítimas tiraram fotos com seus celulares e as enviaram para as redações dos jornais.


A BBC, de Londres, recebeu centenas de imagens. ‘Publicamos essas fotos e, com relatos em texto recebidos, agendamos entrevistas com os sobreviventes’, explica a editora de Interatividade da BBC, Vicky Taylor. Desde então, a BBC aprimorou seus canais com o público.


O Estado, desde 2005, também conta com um projeto em que o leitor participa das notícias pela web. Pelo FotoRepórter, qualquer um pode enviar fotos ao jornal. As imagens de interesse jornalístico são publicadas no Portal Estadão e as melhores podem chegar às páginas do jornal.


‘Com o FotoRepórter, conseguimos flagrantes que, de outra forma não teríamos. Os fotógrafos amadores estão onde a notícia está. E não temos como colocar um fotógrafo em todos os locais’, explica o coordenador do FotoRepórter e subeditor de Fotografia da Agência Estado, Juca Varella.


Outro jornal que está apostando na participação do leitor é O Globo. Em seu site, há a seção Eu-Repórter, no ar desde 2006, onde as pessoas podem enviar textos, fotos e vídeos para publicação na internet e na versão impressa. ‘Os leitores querem participar da cobertura’, explica o editor-executivo do Globo Online, Aloy Jupiara. ‘E os jornais precisam mudar sua cultura. Está acabando aquela coisa de mão única, onde o jornalista escreve e o público só lê.’


Segundo o editor adjunto do jornal Lance!, Guilherme Gomes, essa mudança é uma necessidade. ‘O jornal que não se mexer vai ficar para trás’, diz. O diário passou, no mês passado, a receber textos, fotos, vídeos e áudio dos leitores. ‘Essa abertura dos jornais à mídia cidadã é uma resposta à transformação pela qual o jornalismo está passando. Quem não aderir, perde audiência.’’


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Participação do cidadão é jornalismo?


‘Espaço para os internautas publicarem notícias é o que não falta. Mas a quantidade de fatos novos trazidos pelos cidadãos não cresce na mesma proporção. Grande parte dos ‘repórteres’ amadores reproduz os acontecimentos já publicados na mídia tradicional.


‘A maioria ainda não está acostumada a gerar informação. E usa a própria mídia como matéria-prima’, conta o jornalista e co-autor do livro Jornalismo Cidadão – Você Faz a Notícia, Roberto Taddei. Outro ponto, ele diz, é a dificuldade em conseguir entrevistas quando se diz que é ‘repórter’ de blog ou de site colaborativo. ‘Órgãos públicos, por exemplo, só dão entrevistas para veículos tradicionais.’


Para a jornalista e especialista em mídia cidadã Ana Maria Brambilla, há também outra questão: muitos internautas ainda não se deram conta do sentido de ‘jornalismo cidadão.’ ‘Grande parte pensa que tem que ser notícias de abrangência nacional, global… Não. Pode ser um problema na comunidade, um acidente na rua…’


Foi numa situação dessas que o corretor de seguros Rogério dos Santos, 56 anos, tirou a sua foto mais famosa. Participante do FotoRepórter, do Estadão, ele olhou pela janela e viu que sua rua estava alagada. Era uma adutora de água que havia estourado. Ele bateu a foto, e, no dia seguinte, a imagem estava na capa do jornal, como destaque principal.’O papel do cidadão nas notícias é justamente esse: registrar os acontecimentos quando você os vivencia’, diz Santos.


Outra polêmica em torno do ‘jornalismo cidadão’ é a credibilidade. Como confiar em um relato feito por quem não é jornalista? Há mecanismos para evitar erros ou deturpações nas informações?


O Link ouviu jornalistas e especialistas. Não há consenso. Alguns, como o jornalista dos EUA e famoso ativista da mídia cidadã JD Lasica, defendem que os próprios usuários são capazes de fiscalizar falhas. ‘Em conjunto, a comunidade tem muito conhecimento. Quando há erro, ela denuncia.’


Ao contrário disso, especialistas como Ana Maria Bambrilla defendem a presença de um jornalista para ‘chancelar’ o que é relatado por cidadãos. ‘Ele é fundamental para checar os fatos e colocar o texto mais próximo do formato jornalístico.’


Há ainda os que consideram o conteúdo noticioso feito pelo cidadão como um ‘não-produto jornalístico’ e que, portanto, não deve ter credibilidade. Esse grupo inclui órgãos de classe dos jornalistas, como sindicatos.


‘Estamos vivendo a paranóia de que todo mundo quer fazer notícia’, afirma o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Augusto Camargo. ‘É preciso conhecimento técnico, adquirido na faculdade de jornalismo. 99% dos internautas que publicam esse tipo de conteúdo só emitem opiniões. Eles não fazem entrevistas, não ouvem todos os lados dos fatos. Isso não é jornalismo.’’


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‘A mídia não cobre bem temas específicos’


‘Num mundo em que a web está mudando a forma de se relatar notícias, o jornalista dos EUA Dan Gillmor dedica-se a estudar e promover o ‘jornalismo cidadão.’ Fundador do Centro de Mídia Cidadã, ele publicou o livro We Media, uma das bíblias da mídia colaborativa.


Desde que você iniciou o seu envolvimento com o ‘jornalismo cidadão’, em 1999, o que mudou na área?


As tecnologias permitiram às pessoas publicar de tudo na web. E em todas as formas: Flicker, YouTube, Orkut, blogs, etc. E muitos fazem conteúdos jornalísticos.


Por que você acha que as pessoas agora estão publicando notícias? Uma das razões é que as pessoas, muitas vezes, não encontram os assuntos que procuram na mídia tradicional. A mídia não cobre bem temas muito específicos.


Hoje, temos várias formas de jornalismo cidadão: blogs, Digg, OhMyNews, WikiNews… Qual você pensa ser o melhor modelo?


Não há um melhor modelo. Há experimentos. Estamos observando todos para ver quais funcionam. É muito cedo para dizer qual é o melhor. Temos que ver quais técnicas funcionam antes.


Hoje, a mídia tradicional está se abrindo para a colaboração dos leitores. O que você acha disso?


É necessário. A mídia tradicional deve reconhecer que a audiência tem um grande conhecimento, o que pode ajudar a melhorar o jornalismo. A mídia precisa ouvir mais os leitores para aprender o que eles sabem. Um jardineiro sabe mais de plantas do que um jornalista. E a audiência também pode aprender com a mídia. Os jornais podem ensinar as pessoas a fazer jornalismo, a apurar, a ser justo…


Qual a confiabilidade que a mídia cidadã consegue ter?


Isso é uma coisa que a mídia tradicional tem em vantagem: estrutura para deixar as informações corretas. Mas a comunidade é capaz de corrigir erros. Blogueiros conversam entre si e apontam os erros uns dos outros. A coisa mais importante é que o leitor saiba que nem tudo que está online é confiável.


Muitos cidadãos não produzem informação nova, mas reescrevem notícias ou emitem opiniões. O que você acha disso?


Se as pessoas estão analisando o que leram e colocam o que não estava na história original, explicam coisas ou colocam mais fatos, torna-se um comentário. E comentário é parte do jornalismo. Isso é uma coisa boa. É uma das áreas da mídia cidadã, mas não a única.’


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Veja como tornar seu blog mais lido


‘Montar um blog é a forma mais pessoal e comum de entrar na onda do ‘jornalismo cidadão’ e bancar o repórter na internet. Você seleciona os assuntos que considera relevantes, escreve reportagens e pode fazer fotos e incluir vídeos ou áudio.


Só que fazer um blog é apenas o começo. Transformá-lo em uma fonte de informação lida e influente já é bem mais complicado.


Para ter uma idéia da participação dos blogs no mundo dos ‘repórteres cidadãos’, nos EUA há cerca de 6,8 milhões de sites noticiosos do tipo, de acordo com a organização Pew Internet & Family Project. No Brasil, não há números concretos, mas sabe-se que 40% dos pessoas com acesso à web costumam acessar blogs em geral, segundo o Ibope NetRatings.


Para quem pensa em montar um blog noticioso ou quer turbinar o que já possui, há algumas dicas que podem ajudar o seu diário a ficar mais interessante e popular.


A primeira delas é focar em um tema específico, que agrade a você e às pessoas com quem quiser se comunicar. ‘Se você postar sempre notícias que tenham a ver com a sua comunidade – pode ser sobre a sua escola, por exemplo – você ganha credibilidade e vira referência no assunto’, explica o jornalista e co-autor do livro Jornalismo Cidadão – Você Faz a Notícia, Roberto Taddei.


Outra forma de incrementar o seu blog com notícias é adicionar áudio e vídeo nos posts. O trio de aficcionados por tecnologia Guilherme Valério, 24 anos, Felipe Caldas, 23 anos, e Paulo Leite, 24 anos, por exemplo, resolveu montar um podcast – programa de rádio pela web – sobre tecnologia, o Mesa de Centro.


Uma vez por semana, eles se reúnem na mesa de centro da sala para um bate-papo regado à cerveja sobre os últimos fatos tecnológicos. ‘Cada um seleciona cerca de sete notícias que pesquisou na web. Anunciamos e comentamos os fatos informalmente’, explica Valério.


Adicionar áudio e até vídeo ao blog não é nada difícil. Primeiro, você precisa hospedar o arquivo em algum serviço da internet. Para áudio, pode ser o Podomatic, que possui planos gratuitos. Já para vídeos, procure serviços como YouTube ou Google Video, que são gratuitos.


Depois, ainda no site do hospedeiro, você vai à página de visualização do arquivo (onde ele pode ser reproduzido) e copia o código ‘embed’. Esse código deverá ser ‘colado’ no post do seu blog. Pronto. Quem visitar o seu blog poderá curtir seus programas de rádio ou de TV.


Para que as pessoas encontrem o seu blog facilmente, mesmo que não o conheçam anteriormente, uma boa pedida é indicar seus textos em sites de edição colaborativa, como o norte-americano Digg ou os brasileiros Rec6 ou Linkk.


Nesses sites, os usuários votam nas notícias que acham mais interessantes. Se o seu post agradar a comunidade, você poderá aparecer em destaque nesses serviços e, assim, chamar mais gente para o seu blog.


Para garantir mais votos, vale incluir, nos seus posts, botões para as pessoas votarem em você enquanto estiverem acessando o seu blog. É bem fácil. Você acessa o serviço de edição colaborativa desejado e copia o código para inserir o botão. Depois, ‘cola’ esse código no post.


Ainda para atrair mais audiência, é interessante cadastrar o seu blog em diretórios específicos. O maior deles é o Technorati. Mas, se tiver um podcast, vale a pena cadastrar em diretórios como o . E se você publicar programas de vídeo, insira seu diário no site.M’


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Ao escrever uma notícia, é preciso ser responsável


‘Na hora de publicar conteúdos noticiosos, seja texto, foto, vídeo, etc, é bom tomar alguns cuidados para o seu material trazer elementos de um bom jornalismo, como clareza, ética e a maior imparcialidade possível.


É importante checar bem as informações. Aparências ou boatos podem enganar. É melhor contatar os envolvidos no fato para ter certeza. Quando publicar entrevistas, respeite o contexto das opiniões do entrevistado. Frases fora do lugar mudam o sentido da opinião.


Se você acusar alguém, é ético entrevistar o acusado para ele se defender. Assim, os seus leitores poderão tirar conclusões próprias sobre o assunto, e você evita ser processado (o acusado pode exigir direito de resposta ou processá-lo por calúnia, injúria ou difamação.)


Cuidados como esses ajudam a preservar a qualidade da sua informação e a sua audiência. ‘Publicar coisas erradas acabam com a reputação do ‘repórter cidadão’, diz o pesquisador de jornalismo colaborativo da Fundação Mineira de Educação e Cultura Jorge Rocha. ‘A comunidade tende a abandonar conteúdos não confiáveis.’


Uma outra dica é baixar o livro Jornalismo Cidadão – Você Faz a Notícia, dos jornalistas Ana Carmen Foschini e Roberto Taddei. Ele está disponível gratuitamente. Veja outras dicas na página ao lado.


Blogturbinado


SITES PARA INCREMENTAR SEU DIÁRIO DE NOTÍCIAS


SITE – YouTube


DETALHES – Hospeda vídeos e fornece o código para você incluí-los no blog.


SITE – Podomatic


DETALHES – Hospeda podcast e fornece o código para inserir o áudio no blog.


SITE – Technorati


DETALHES – Maior diretório de blogs do mundo.


SITE – Podcast Directory


DETALHES – Diretório bacana para podcasts.’


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Blogueiro pode sofrer processo se copiar textos


‘Um comportamento comum entre os ‘repórteres cidadãos’ é reproduzir conteúdo da imprensa tradicional na web. Porém, dependendo da forma como isso for feito, pode caracterizar crime de violação ao direito autoral.


De acordo com o advogado especialista em propriedade intelectual Cláudio Roberto Barbosa, a notícia em si veiculada em jornais pode ser reproduzida. O que não pode é ‘copiar e colar’ as reportagens.


Trocando em miúdos, se um jornal noticia que houve um incêndio, você pode escrever em seu blog, por exemplo, que ocorreu um incêndio em tal lugar. Mas não pode publicar a reportagem na íntegra – essa sim é protegida por direitos autorais. ‘E é recomendável citar a fonte de onde a notícia veio. A pessoa pode escrever: ‘segundo o jornal tal, aconteceu isso e isso’.’


Outros conteúdos que os internautas reproduzem bastante são fotos, vídeos e músicas. ‘É preciso checar se o conteúdo é protegido. Se estiver liberado para uso, sob uma licença Creative Commons, por exemplo, o uso é livre. Mas, se não houver nenhum aviso explícito, é melhor não publicar’, diz Barbosa.


Segundo o advogado, o crime de violação ao direito autoral pode levar à prisão e a multas, embora diga que, para atividades não-comerciais, como é o caso dos ‘jornalistas cidadãos’, ações são mais raras.


SITES COLABORATIVOS NO BRASIL E NO MUNDO


Repórtercidadão


SITE – BrasilWiki


DETALHES – Página em que usuários enviam textos, fotos e vídeos noticiosos.


SITE – Digg


DETALHES – Dos EUA, permite indicar notícias de outros blogs e sites de notícia; comunidade elege fatos mais relevantes.


SITE – Eu-Repórter


DETALHES – Canal do jornal ‘O Globo’ que recebe e publica textos, fotos, vídeos e áudio e os publica na web e no jornal.


SITE – FotoRepórter


DETALHES – Da Agência Estado, recebe fotos que podem ser publicadas no Portal Estadão, no ‘Estadão’ ou no ‘JT’.


SITE – HaveYourSay – BBC


DETALHES – Página de interatividade da BBC de Londres: aceita textos, fotos e vídeos.


SITE – Minha Notícia


DETALHES – Canal do portal IG em que os internautas podem enviar textos noticiosos.


SITE – OhMyNews


DETALHES – Jornal sul-coreano em que 50 mil colaboradores produzem as notícias.


SITE – Overmundo


DETALHES – Site cultural em que usuários publicam e editam os conteúdos.


SITE – ProLance


DETALHES – Do jornal Lance!, recebe textos, fotos, vídeos e sons noticiosos.


SITE – Rec6


DETALHES – Brasileiro, permite indicar notícias de blogs e sites de notícia; comunidade decide fatos mais relevantes.


SITE – vc repórter


DETALHES – Espaço do portal Terra onde os usuários enviam textos, fotos, vídeos, áudios.


SITE – Wikinews


DETALHES – Página colaborativa em que qualquer um pode publicar e editar notícias.’


INTERNET
Gustavo Miller


O amor nos tempos do YouTube


‘No capítulo de primeiro de fevereiro, a história de amor de Rhoanita Vasquez e Lucas Bogéa quase teve um final digno de dramalhão mexicano. Após descobrir que uma sirigaita deixou um recado todo dengoso no Orkut de Lucas, Rhoanita rodou a baiana e armou um barraco que sacudiu a cidade de Caxias, no interior do Maranhão.


Depois de muita briga, choro e discussão, Lucas bateu o pé firme no chão: ‘Eu nunca mais vou voltar com você e ponto!’. Arrependida pelo ataque de ciúme pra lá de bobinho e vendo que seu namoro tinha ido pro vinagre, Rhoanita prometeu ao amado que lhe daria a maior prova de amor do mundo.


A prova não veio em forma de serenata, carta quilométrica ou em um daqueles temidos carros de telemensagem. A demonstração de amor veio através de um vídeo no YouTube.


E não foi só isso. Ela também criou tópicos em várias comunidades do Orkut, contando a história de amor dos dois e deixando os links do vídeo e do perfil de Lucas. Rhoanita ainda pedia aos internautas: ‘Deixem um recado para ele voltar para mim e falem que eu o amo muito.’


O que se viu daí foi uma verdadeira avalanche em cima do (ex) namorado: scraps, telefonemas e mensagens pelo MSN. ‘Não estava entendendo nada, todo mundo falava para eu voltar para a Nitinha. Era gente da faculdade, da internet, meus amigos…’, ri Lucas, que logo desligou o celular e desplugou-se do mundo virtual para se ver livre do bombardeio alheio.


Até que, poucas horas depois, um vizinho tocou a campainha de sua casa e falou: ‘Cara, você já viu o vídeo que a Rhoanita fez de vocês dois? Está todo mundo comentando!’ Estavam mesmo. Quando Lucas viu a prova de amor no YouTube, 200 pessoas já tinham visto o vídeo.


‘Gostei demais! Enquanto eu o via, um filme de nosso namoro passava pela minha cabeça’, diz o rapaz, todo derretido.


O filme, de 4 minutos e 27 segundos, é bem feitinho e mescla várias fotos do casal com uma música da Mariah Carey – mais meloso impossível. Produzido e editado no Movie Maker, balões de corações e estrelas explodem na tela, e frases carinhosas pipocam por todos os lados.


Ele tem até participação especial. Logo no começo do vídeo, uma voz de criança diz: ‘Você é tudo para mim’. É o priminho de três anos de Rhoanita. ‘Eu o peguei no colo e pedi para ele repetir no microfone tudo o que eu falava’, explica ela, que admite nunca ter usado a ferramenta do Windows antes.


‘Fiquei da meia-noite às cinco da manhã quebrando a cabeça’, ri.


ENTRE TAPAS E BEIJOS


O namoro do casal, adivinhem só, começou na web. Ao visitar o fotolog de Lucas, ela achou o rapaz ‘bem apessoado’ e deixou um comentário no site, com o endereço de seu fotolog e MSN.


A paquera online durou uma semana. Na primeira vez em que se encontraram, só trocaram uns beijinhos. Ficaram um tempão nesse chove não molha, e foi preciso completar um ano após o primeiro beijo para eles, aí sim, namorarem.


Os pombinhos dizem passar oito horas por dia namorando na net. Conversas pelo MSN, declarações em seus respectivos fotologs e juras de amor no Orkut são constantes. ‘A gente não tem muito o que fazer aqui em Caxias’, brinca Rhoanita.


Mas, se eles namoram muito na web, o mesmo se pode dizer em relação às brigas. ‘Muita menininha dá em cima dele no Orkut, e eu fico muito brava’, admite. O sentimento de Lucas é recíproco. Além de brigar com a namorada, ele chama para briga o engraçadinho que deixar algum scrap ‘desrespeitoso’ no perfil de Rhoanita.


Bem, mas voltando ao vídeo, o que era para ser dramalhão mexicano acabou em happy end. Lucas adorou o filme no YouTube e a criatividade da namorada. Ele admite ter jogado duro por alguns dias para reatar o namoro. ‘Mas não deu para resistir. Foi a coisa mais bonita que eu já vi’. Óóó!’


Pedro Doria


Vamos matar menos árvores…


‘Na última semana, uma conferência sobre educação, na Califórnia, reuniu numa mesma mesa um par inusitado: Steve Jobs e Michael Dell. Se bobear, junte os computadores montados pelas empresas presididas por ambos – Apple e Dell – e estão lá metade dos micros vendidos nos EUA. De repente, até metade das máquinas do mundo.


Para o público composto por professores da educação básica, eles pintaram um futuro no qual não existirão livros didáticos. Tudo estará online. O primeiro reflexo é desdenhar dos iconoclastas digitais que acham que o livro vai acabar. Mas atenção: não são os livros, são os livros didáticos.


E faz todo o sentido.


Agora que fevereiro está terminando, cada família por aqui na Terra dos Papagaios já fez as contas de quanto gastou em livros escolares. É um quinhão e tanto. Tem banco que abre linha de crédito nesta época do ano para que os impostos, matrículas e materiais vários possam ser pagos – o décimo terceiro já se foi há muito com o Natal.


É isto que não faz nenhum sentido.


A dinheirama não são apenas as famílias que gastam. Nas escolas públicas norte-americanas, como nas brasileiras, os governos também enterram uns bons contos de réis em livros muitas vezes descartáveis. Em 2006, por exemplo, apenas o governo federal, em Brasília, torrou 543,8 milhões de reais em livros didáticos.


Também em 2006, o ministério decidiu que vai distribuir País afora 75 mil computadores populares, o laptop de 150 dólares.


Livro didático, os autores hão de perdoar o colunista, não é livro de verdade. São descartáveis – e feitos para isso mesmo, para que não durem, pela qualidade precária do encadernamento. Um filho raramente usa o livro que foi do irmão. Têm pouco texto. Não existe qualquer motivo para não pôr o que está ali online.


Uma coisa ou outra pode ser impressa, escolas já distribuem tantas xerox mesmo. Isso, no entanto, apenas se for realmente necessário. Crianças já lêem praticamente tudo na tela, é bom incentivar o hábito. A matança de árvores não vale a pena.


Matança de árvores, pois é: o mundo é outro. Agora que está claro que o homem é o principal responsável pelas violentas mudanças climáticas em curso, a responsabilidade governamental e individual se amplia. Qualquer forma de desperdício deve ser evitada ao máximo, questão de sobrevivência nossa e das espécies de viventes à volta. E desperdício se contém, em primeiro lugar, nos gastos financeiros desnecessários.


Livros didáticos no computador, pois. Com a dinheirama que se gasta na compra de livros, uma quantia investida numas poucas editoras que reciclam um material didático de qualidade discutível, seria possível inundar as escolas brasileiras de computadores. Esses computadores seriam a porta para os alunos ao conteúdo dos livros didáticos e todo o mais que possa haver.


Pode-se imaginar além: um material didático dinâmico no qual os capítulos são modificados conforme novas descobertas vêm à tona. No qual professores possam criticar ou comentar – onde alunos com interesses particulares por certas disciplinas podem encontrar outros, em cantos distintos do País, com curiosidades similares.


Um portal educativo deste porte não é apenas uma ferramenta que poupa dinheiro do contribuinte. Ele vai além, levando informação a professores que estão no interior, muitas vezes sem dinheiro para a contínua reciclagem. Não há onde perder, e país pobre tem de ir atrás.’


EUA / LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Geoffrey R. Stone


Liberdade de imprensa, uma questão política


‘A medida que o novo Congresso democrata avança decisivamente numa série de questões, deverá se defrontar com uma particularmente urgente: a liberdade da imprensa. O Congresso deveria rapidamente promulgar lei federal sobre o direito do jornalista de manter sigilo sobre uma fonte, protegendo-os quando se virem obrigados a revelar informações sigilosas, do mesmo modo que psiquiatras e advogados.


Um direito eficaz do jornalista de manter sigilo quanto às suas fontes é essencial para uma imprensa robusta e independente e para uma sociedade democrática que funcione adequadamente. É do interesse da sociedade encorajar aqueles que possuem informações de grande valor público a transmiti-las para a sociedade. Porém, sem o direito de resguardar a identidade da fonte, essa comunicação muitas vezes será arrefecida, porque as fontes temem represálias ou constrangimentos.


Como observamos nos últimos anos, particularmente no caso da investigação federal sobre o vazamento da identidade de uma antiga colaboradora da CIA, Valerie Plame, a ausência de um direito de sigilo sobre a fonte pelo jornalista tem provocado confusão, incertezas e injustiças. Nas mãos de promotores federais sem parâmetros, os jornalistas têm levado graves surras.


Não é novidade evocar tal direito. No momento, 49 Estados e o Distrito de Columbia reconhecem uma versão dele. O governo federal está muito atrasado na promulgação de uma lei nesse sentido. A questão já foi debatida muitas vezes no Congresso, que não agiu de modo consistente, em parte porque a imprensa insiste obstinadamente que algo menos do que um direito total de resguardar a identidade da fonte é inaceitável. Nós precisamos levar o assunto adiante. A imprensa não pode mais se permitir deixar que o perfeito se torne o inimigo do bom.


Das jurisdições que protegem o direito do jornalista resguardar a identidade das suas fontes, apenas em 13 Estados e no Distrito de Columbia esse direito é absoluto, significando que, em nenhuma circunstância o Estado pode ignorar o direito do jornalista de reter informação privilegiada. A vantagem do direito de resguardo absoluto da fonte e da informação é que ele oferece clareza e segurança para fontes, jornalistas, advogados e tribunais. A desvantagem está em que, em algumas situações, ele pode privar as instituições responsáveis pela aplicação da lei de informações cruciais.


Em outros 36 Estados, o direito do jornalista de manter sigilo sobre suas fontes é limitado – o governo pode exigir que um jornalista revele informações confidenciais se provar que todos os meios alternativos para obter tal informação foram esgotados e que ela é necessária para atender a um interesse do Estado.


Como esse direito limitado funcionaria no plano federal? Suponhamos que um jornalista relate ter sido informado por uma fonte confiável que um importante prédio não identificado na cidade de Nova York será explodido por terroristas no dia seguinte. Seria irresponsável permitir que o repórter se recuse a revelar a identidade da fonte. Certamente será de interesse do governo que o repórter revele o nome da fonte, para se tentar chegar a ela e possivelmente evitar o ataque.


O problema é que, mesmo nessa situação, existem dúvidas. Se não houver um direito absoluto de sigilo sobre a identidade da fonte, esta poderá não se dispor a dar a informação para o jornalista. Com certeza, é melhor que as autoridades públicas saibam da ameaça, mesmo sem ter a identidade da fonte, do que desconhecerem totalmente a situação.


* é professor de direito na Universidade de Chicago e autor do livro ‘Perilous Times: Free Speech in Wartime’.’


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Marili Ribeiro


Da televisão para o computador


‘Os bancos estão cada vez mais empenhados em levar os clientes e potenciais clientes para a internet. E vêm conseguindo resultados expressivos com isso. A campanha do HSBC que convida ao preenchimento de um teste para se descobrir em que perfil de investidor alguém pode se encaixar, entre os cinco modelos sugeridos, resultou em mais de 1 milhão de visitantes em apenas um mês.


A idéia, desenvolvida pela agência JWT Curitiba, deve ser reproduzida globalmente nos 76 países onde o banco está presente. ‘Experiências de estímulo à visitação online introduzidas no exterior levaram oito meses para chegar ao mesmo resultado que atingimos em um’, diz o diretor de marketing do HSBC, Glen Valente, que se identifica com o perfil de quem adora promoção, como um dos personagens da campanha, que até carrega um trombone para casa.


A investida dos bancos em aumentar o interesse pelas operações via internet já deixou de ser uma tendência. ‘É a realidade’, diz o diretor de marketing do Bradesco, Luca Cavalcanti. E é fácil entender o porquê. Em um site, há fartura de espaço para abrigar todo tipo de informação, o que seria inviável em qualquer outra peça publicitária.


Mas, para incentivar a visitação, as mídias tradicionais têm papel fundamental. Para atrair participantes ao teste no site, o HSBC gastou R$ 20 milhões em campanha distribuída por mídias impressa, tevê, rádio e mídia exterior.


O Bradesco, em ação sugerida pela agência MatosGrey, convidou os ouvintes, nos intervalos da rádio CBN, a acessarem o site do banco em busca de um brinde: baixar gratuitamente a música Completo, da cantora Ivete Sangalo, que foi inspirada no slogan do banco. ‘Em apenas uma semana, foram 20 mil downloads’, diz Cavalcanti. ‘Foi tão surpreendente que a gravadora dela pediu para suspendermos a ação, já que a música entrará no próximo CD.’


No ABN Real, o assédio ao consumidor/internauta teve início há mais de um ano com uma iniciativa que cresce em importância e já ganha filhotes. O superintendente de investimentos do banco, Eduardo Jurcevic, apostou em um vídeo chat no site do Real. São basicamente palestras sobre temas financeiros e correlatos, com abertura para perguntas. ‘Tivemos picos com participação de 2,4 mil pessoas em uma hora de vídeo chat’, conta Jurcevic.


As palestras, que são divulgadas por meio de anúncios em jornais e revistas, nunca têm menos de mil participantes. E a ação já resultou em um programa, o Rádio Chat: todas as quintas-feiras, pela manhã, profissionais do Real respondem a dúvidas enviadas pelos ouvintes ao site do banco. ‘ Incentivar o uso da internet é tão relevante que também estamos fazendo ações em mais de 140 campi universitários, convidando estudantes a conhecer o nosso site’, diz José Nardine, superintendente-executivo do Real.


O setor financeiro, mais do que qualquer outro segmento da economia, investe pesado em tecnologia desde os primórdios da virtualidade. No Bradesco, por exemplo, as transações efetuadas pela internet já somam


R$ 970 bilhões ao ano. ‘É um número admirável’, admite Cavalcanti. O banco tem hoje cerca de 4 milhões de operações pela online por dia. Um volume que quase se equipara ao número de pessoas, cerca de 5 milhões, que freqüentam diariamente os 34 mil pontos de atendimento do banco.


No HSBC, segundo Valente, a movimentação online não deve ser muito diferente da média do mercado no segmento, que, acredita, deve estar em torno de 20% do total. ‘Este porcentual anda estagnado há algum tempo’, diz Valente. ‘Mas acredito que pule para 30% em breve.’ Haja trombone.


Mídia digital ganha destaque em debate


Nigel Morris, presidente da Isobar, empresa do grupo inglês Aegis para serviços de marketing digital, estará no País em 6 e 7 de março para falar sobre tecnologia e ferramentas de comunicação que transformam o cenário da propaganda. A Aegis entrou recentemente no Brasil com a compra da AgênciaClick. O evento acontece no WTC, em São Paulo.’


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Lost recomeça com flashback


‘O canal AXN estréia, finalmente, o 3º ano de Lost na semana que vem, dia 5, às 21 horas. E traz Rodrigo Santoro, que vive Paulo. Mas ele só entra em ação no 3º episódio, Further Instructions. Na cena, Locke (Terry O’Quinn) chega ao acampamento com Charlie (Dominic Monaghan) e Hurley (Jorge Garcia). Paulo (Santoro) pergunta a Locke se seus companheiros estão vivos.


Paulo é um dos 48 sobreviventes do vôo 815 da Oceanic Air. A explicação para sua aparição a esta altura da série é o distanciamento do personagem com os problemas da ilha. Paulo é um bon vivant que só quer saber de jogar golfe enquanto Jack (Matthew Fox) e sua turma tentam ‘domar’ a ilha. Mas isso vai mudar e Rodrigo terá mais destaque. Como o brasileiro assinou contrato de apenas um ano, seu personagem deve morrer antes do final desta terceira fase.


Este 3º ano de Lost não teve a audiência das temporadas anteriores nos EUA. Mesmo assim, os fãs continuam fiéis na missão de desvendar cada citação, cada filosofia inserida, capítulo a capítulo. E o primeiro episódio é um prato cheio para quem quer detalhes sobre os ‘outros’.


O capítulo A Tale of Two Cities tem início com um flashback do acidente. A ilha estremece, o avião se parte em dois. No solo, um dos ‘outros’ ordena que dois homens se misturem aos possíveis sobreviventes. E o restante dessa história, o público já viu. O que o telespectador não conhece é a organização desta comunidade.


Quando o episódio volta ao tempo real, Jack está preso no abrigo inimigo e longe de Kate (Evangeline Lilly) e Sawyer (Jack Holloway), que estão enjaulados do lado de fora. Uma integrante dos ‘outros’ chega ao abrigo com um ferimento à bala.


Voltando ao final da 2ª temporada, a platéia poderá deduzir algumas situações no início do novo ano. E coletar mais partes deste enigma.’


Júlia Contier


Tempo Real no Rio depende da telefonia


‘O Ibope informa que o início do serviço de medição de audiência em tempo real no Rio de Janeiro só depende das companhias telefônicas que operam na cidade.


Segundo a diretora comercial do Ibope, Dora Câmara, o instituto acompanha as operações de testes há vários meses. ‘O grande problema é que a gente depende das companhias telefônicas. A transmissão vem ótima e depois pára. A gente não coloca em prática até ter uma garantia das companhias de que não haverá mais oscilações’, diz Dora. Os dados instantâneos, disponíveis apenas em São Paulo, são transmitidos via linha telefônica.’


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007


MÍDIA & POLÍTICA
Igor Gielow


A ética virtual


‘O Brasil dos políticos parece, às vezes, uma versão mal-ajambrada do site Second Life, a febre virtual na qual os usuários podem criar um mundo à imagem e semelhança de suas vontades -uma celebração, ainda bem moderada, da máxima lacaniana do ‘não ceda em seu desejo’.


Nesse Brasil virtual, o segundo mandato de Lula já começou, o PAC coalhou o país de obras, há um ‘governo de coalizão’ com oposição séria. Descendo mais alguns degraus, passando de ilusões épicas para o grau paroquial, chegamos a gente como o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).


Ele é o que em Brasília os jornalistas, nós próprios encantados com nossas virtualidades peculiares, chamamos de ‘boa fonte’: líder de bancada, acessível, informado.


Em entrevista ontem a esta Folha, Alves confessa candidamente que usou o dinheiro de sua verba indenizatória (R$ 15 mil mensais para cada nobre deputado) durante o recesso da Câmara de janeiro para comprar reportagens favoráveis a si próprio no jornal que controla.


Alves orgulha-se da aplicação que fez do dinheiro público. ‘Fizemos uma página de jornal muito bonita’, diz, sobre ele mesmo. A falta de noção talvez até seja explicável pela quantidade de tempo, ‘dez mandatos’ em suas palavras, em que vive imerso no mundo virtual. Mas essa anestesia, ainda que verdadeira, não o inocenta.


E Alves não é o único. Sobram exemplos análogos na imprensa regional, não por acaso alvo da estratégia de comunicação do governo Lula, com a distribuição de noticiário governista ‘customizado’ e simpáticas verbas oficiais.


Se o mundo deles fosse mais real, Alves e semelhantes seriam cassados por quebra de decoro e submetidos aos ritos da lei. Mas isso não deve ocorrer. Afinal de contas, seus pares têm a prerrogativa de julgá-lo. E todos estão lá, vivendo sob as mesmas regras éticas virtuais.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


24 horas


‘Seymour Hersh, da ‘New Yorker’, não deu as fontes, mas cravou: o Pentágono criou grupo para, se George W. Bush ordenar, atacar o Irã em 24 horas. No título, ‘O redirecionamento’, expressão que ‘alguns na Casa Branca’ usam para a ‘nova estratégia’ (ilustração acima.). Prevê o realinhamento do país aos sunitas sauditas, contra os xiitas iranianos. No meio, Iraque e o Líbano. De passagem, Hersh lembra que ‘a Al Qaeda é sunita’.


Ato contínuo, em destaque nos portais de edição compartilhada Digg e Reddit, a notícia do ‘Sunday Times’ de que alguns dos mais graduados generais do país renunciam, se Bush determinar o ataque ao Irã.


SEM PRECEDENTES


Bush chega na semana que vem e o ‘Miami Herald’ trouxe no domingo o artigo ‘EUA e Brasil devem liderar plano para biocombustível’, escrito curiosamente por um senador do Partido Republicano e pelo secretário-geral da OEA, do Partido Socialista chileno (leia nesta página). No ‘Washington Post’, por outro lado, a coluna de Marcela Sanchez destacou ‘a grande excitação de funcionários dos EUA e da América Latina, de ‘think tanks’ e instituições multilaterais com a tese de que a busca de alternativas ao petróleo, pelos Estados Unidos, poderá levar a níveis sem precedentes de cooperação no hemisfério ocidental’.


A OFENSIVA


Hugo Chávez, enquanto EUA, Brasil, Chile, Uruguai e outros se aproximam pouco a pouco, chamou uma coletiva no sábado, com destaque na agência AP, para dizer que a viagem de Bush visa dividir a região, ‘mas é tarde demais’ -e ‘a sua ofensiva se destina ao abismo do fracasso’.


A CONTRA-OFENSIVA


Não por acaso, um título da agência Dow Jones avisou no final da semana que ‘Chávez vai visitar a Argentina quando Bush estiver no Uruguai’.


Registre-se também que há dias ‘WP’, ‘New York Times’ e ‘Financial Times’ trazem reportagens seguidas sobre o gasto crescente da Venezuela com armas e ajuda a países como a Bolívia e a Argentina.


‘SATISFECHO’


Já o brasileiro foi manchete no uruguaio ‘El País’, ontem, ‘Lula: Uruguay debe estar satisfecho’. Em entrevista, sugeriu apoio aos parceiros menores do Mercosul, caso do Uruguai, hostilizado pela Argentina.


KEN CAIPIRINHA


Ainda na entrevista, Lula negou a concorrência com Chávez na América Latina.


Mas o ‘Guardian’ noticiou no sábado que o prefeito de Londres, Ken Livingstone, depois de receber petróleo subsidiado de Chávez, em acordo dias atrás, ‘estuda cooperação’ com Lula. Um dos alvos do interesse seria, é claro, etanol, além de carros e aço. No título dado pelo site do jornal, ‘Caipirinha Ken’.


OLHAR ESTRANGEIRO


Steve Kingstone, correspondente das BBCs, em crônica para o serviço mundial de rádio e para o site, questionou a reação dos brasileiros ao filme B americano ‘Turistas’, comentou o filme nacional ‘Olhar Estrangeiro’, sobre a visão que se faz do país no exterior, e fechou com ironia:


– Da próxima vez em que perguntarem ‘você gosta do Brasil?’, vou dizer ‘sim, é um grande país, mas você não devia precisar de mim ou outro estrangeiro para dizê-lo’.


Em tempo, para quem precisa da visão externa, o blog Blue Bus anunciou que será aberto em poucos dias, no Rio de Janeiro e na internet, uma exposição com fotografias tiradas por 12 jornalistas estrangeiros radicados no Brasil.


OUTROS BLOGS


A blogosfera ‘indie’ celebra há dias a estréia do Interney Blogs , terceiro portal de blogs do país -depois do Gardenal, das Garotas Que Dizem Ni, e do Insanus, de A Nova Corja.


Uma de suas estrelas é o Pensar Enlouquece, Pense Nisso, de Alexandre Inagaki.


‘PROBLOGGER’


Como nota o Chá Quente, a ‘diferença fundamental’ do Interney Blogs é que, ‘pelo pioneirismo de Edney Souza, o primeiro problogger do país, o portal já nasce com modelo comercial para os 21 diários’.


Quer dizer, é profissional. Visa, também, dar dinheiro.’


TELECOMUNICAÇÕES
Janaína Leite


Teles e TVs lançam nova onda de serviços


‘A disputa pelo mercado brasileiro de telecomunicações, tido como um dos mais promissores do mundo, criou uma nova onda de serviços. Consumidores vêm sendo bombardeados com as chamadas ‘ofertas múltiplas’ – pacotes que juntam telefonia fixa, móvel, internet banda larga e TV a cabo.


Complicando o quadro está a legislação obsoleta e confusa do Brasil para a área. Para cada um dos setores, que agora se fundem, há uma legislação específica que muita vezes se choca com as demais.


‘O ‘Lego’ está aí. O assinante monta como achar mais conveniente’, resumiu o presidente da Sky, Luiz Eduardo Batista, ao anunciar novos canais para os assinantes da marca.


Em 2006, o setor de telecomunicações e tecnologia movimentou US$ 3,13 trilhões, segundo a União Internacional de Telecomunicações (ITU), o braço da ONU para o setor.


No Brasil, as operadoras de serviços de telefonia fixa, celular e de TV por assinatura investiram R$ 18 bilhões no ano passado, visando as novas tecnologias. Ao casar serviços de transmissão de voz, dados e vídeo, as empresas têm dois objetivos. O primeiro é fazer a compensação financeira entre operações menos e mais rentáveis.


Por exemplo: com o uso cada vez mais difundido de e-mails, comunicadores instantâneos (como o MSN) e de SMS (mensagens de texto via celular), as pessoas têm diminuído as ligações telefônicas.


Antes disso, os celulares já tinham abocanhado uma fatia considerável da telefonia, o que achatou a receita obtida com a rede fixa. Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), em janeiro o Brasil tinha 100,7 milhões de usuários de celular.


Outra meta das teles é acabar com o fantasma da troca de operadora (‘churn’), tornando o consumidor cativo. O mesmo acontece entre as operadoras de TV a cabo, cuja base de clientes aumentou 11% em 2006.


A Net, parceria da Globopar e da mexicana Telmex, liderou esse incremento com seu pacote de cabo, telefone e acesso a internet.


Na disputa pelo mercado dos serviços múltiplos, os ‘triple players’ e ‘quadriplayers’, só há espaço para gigantes. Teles, TVs a cabo, TVs abertas, radiodifusoras – todas se engalfinham em busca de clientes. Vale tudo, inclusive parcerias estratégicas com operadoras e empresas de comunicação.


Mas qual é o motivo de tamanho interesse? ‘Pode ser resumido em uma única palavra: convergência’, explicou o sócio-diretor para Telecomunicações da Accenture, Petronio Nogueira. ‘É como um tsunami. Antes de a onda se tornar visível, é possível senti-la.’


Para Nogueira, o cliente sai beneficiado com os pacotes, por conta do aumento da competitividade entre os fornecedores. Basta ficar atento as implicações legais e a seus direitos como consumidor. ‘É uma salada em que o molho é a tecnologia, que avança mais rápido que os reguladores’, comparou.


Política


O assunto, delicado, opõe teles e radiodifusoras. As primeiras não têm restrição de capital estrangeiro, dependem apenas do consumidor e fazem constantes aperfeiçoamentos tecnológicos para atender – e criar – demandas.


As radiodifusoras (TVs abertas e rádios), por sua vez, só podem ter 30% de seu capital na mão de sócios internacionais. Sua receita vem de anunciantes, em boa parte do governo ou empresas a ele ligadas.


Para piorar ainda mais o quadro, a queda-de-braço chega ao cenário político. Nas teles há capital de fundos de pensão ligados a estatais, instituições tradicionalmente comandadas por aliados políticos do Executivo, além do próprio Banco do Brasil e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


Políticos de vários partidos, por sua vez, garantem a manutenção da influência sobre o eleitorado tornando-se donos de estações de rádio e televisão.


A prática é ilegal, mas bastante comum no país. Levantamento feito pelo professor Venício Lima, da Universidade de Brasília, mostra que pelo menos um em cada dez deputados possui radiodifusores. Levando-se em conta o uso de ‘laranjas’, acredita o professor, o número engorda de maneira considerável.


‘Vivemos um redesenho do modelo difícil de entender, mas os grandes grupos de rádio e TV vencem a batalha até agora’, disse Lima. Para ele, a exemplo do que ocorreu na era FHC, as concessões são usadas pelo governo como moeda de troca.’


***


Empresas fazem parcerias para convergência


‘De olho na convergência das mídias, as grandes empresas de telecomunicação já fecham parcerias estratégicas.


A Telefônica, espanhola que domina a telefonia fixa em São Paulo, fechou acordo com o grupo Abril na TVA (cabo). Os espanhóis também são donos do portal Terra (produção de conteúdo), de 50% da Vivo (telefonia móvel), do Speedy (banda larga) e de operações via satélite. Telefônica e TVA deverão retransmitir, também, programação da Rede Record.


Os mexicanos estão representados pelo empresário Carlos Slim. Ele é dono da Embratel (telefonia fixa), da Claro (telefonia móvel) e de parte da Net (TV a cabo), onde é parceiro da Globo. Também oferece o Vírtua (internet).


A Telemar, maior tele brasileira, que reúne fundos de pensão e investidores locais, é proprietária da Oi (telefonia móvel), da Way TV, da rádio Oi FM e da Velox (internet). Na área de TV por assinatura, fechou acordo com a internacional Sky.


O acordo Sky-Telemar foi assinado em parceria com a Brasil Telecom -telefonia fixa das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul e móvel por meio da BrT GSM. É dona do IG, portal de internet, e do Br Turbo (banda larga).’


***


Teles querem mudar normas; TV quer manter exclusividade


‘Mesmo com o empuxo dos avanços tecnológicos, para garantir que sairão do papel os serviços convergentes precisam vencer uma série de obstáculos que dependem da atuação governamental.


O primeiro é o emaranhado de leis e normas existente no país. Hoje há conflito nas que estão em vigor: Lei Geral de Telecomunicações (LGT, aplicada às teles), Lei de Radiodifusão e Direitos Autorais (TVs abertas e rádios), Lei do Cabo (TVs fechadas) etc.


‘É preciso constituir uma regulamentação transparente e previsível para garantir o investimento’, disse o superintendente-executivo da Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações), Cesar Rômulo Silveira Neto.


Para isso, Casa Civil e Ministério das Comunicações estudam alternativas para simplificar o modelo regulatório.


No bojo das mudanças, que terão de passar pelo crivo da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), demandas antigas poderão ser resolvidas- no caso das teles, a impossibilidade de o mesmo controlador participar de duas operadoras em regiões diferentes; no das radiodifusoras, elevar participação do capital externo.


Outra equação complicada é a tentativa das radiodifusoras de manter a exclusividade na produção de conteúdo, bem como a reserva do mercado nacional para seus produtos.


A seu favor, além da força política, elas têm a capacidade de transmissão de dados das TVs a cabo, muito superior à das teles: em média, o tráfego atinge 20 megabites por segundo, contra 4 megabites registrados em igual período de tempo pelas operadoras de telefonia.


Isso significa que as teles serão obrigadas a fazer investimentos vultosos para incrementar sua tecnologia, que só compensariam em áreas de alta renda, o que confronta a idéia de popularização do serviço.


A saída é o financiamento. Entre 2007 e 2010, as teles investirão R$ 58 bilhões no país, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Em 2006, o desembolso do banco no setor chegou a R$ 2,1 bilhões.


A produção de conteúdo gera dúvidas também sobre pirataria e controle de conteúdo, devido ao incremento da produção dos próprios usuários.’


Pedro Soares


Nova tecnologia de TV e internet já gera choque entre teles e TV a cabo


‘Já aportou no país uma tecnologia com potencial de ser uma alavanca de inclusão digital e um forte instrumento para as telefônicas concorrerem com as TVs a cabo.


É a IPTV, ferramenta pela qual o usuário poderá assistir TV, acessar internet e fazer chamadas telefônicas por meio do aparelho de televisão. Ou seja, permitirá a convergência digital.


A nova tecnologia, porém, já coloca em lados opostos operadoras de telefonia fixa, maiores interessadas na regulamentação desse serviço, e empresas de TV a cabo, que temem perder mercado e sofrer a concorrência predatória das gigantes telefônicas.


Presente em 92% dos lares do país, a TV ganhará todas essas funções graças a um adaptador, similar aos que são usados pelas TVs a cabo.


As teles não revelam ainda o custo do serviço e do adaptador. Dizem só que será competitivo com os pacotes das TVs a cabo que incluem o serviço de banda larga.


Para a gerente de novos negócios do grupo Telemar, Ana Paula Maciel, o IPTV irá expandir o acesso à TV por assinatura no país e facilitará também o incremento da internet em banda larga. A empresa espera lançá-lo comercialmente neste semestre.


Sérgio Sevileanu, consultor da Siemens, diz que do ponto de vista tecnológico o Brasil já está pronto para receber o novo serviço. A pendência, diz, está na questão regulatória, pois as operadoras precisam de autorização da Anatel para oferecer serviços de TV.


Já o diretor-executivo da ABTA (Associação Brasileira de TV por assinatura), Alexandre Annenberg, diz que as teles não estão interessadas em oferecer serviços de vídeo, mas ‘sufocar’ as operadoras de TV por assinatura. É, segundo ele, uma reação a entrada das empresas de TV a cabo no mercado de telefonia.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Governo promete cumprir lei do bloqueador de TV


‘Promulgada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em 27 de dezembro de 2001, a lei 10.359, que torna obrigatório em todos os televisores fabricados no Brasil um dispositivo que bloqueie programas de TV com sexo e violência, finalmente deverá ser regulamentada, promete o Ministério das Comunicações.


O bloqueador, que nos EUA e Canadá tem o nome comercial de V-Chip, é a melhor solução para os pais controlarem o que seus filhos vêem na televisão. Com ele, bastaria o pai programar sua TV para bloquear programas impróprios, por exemplo, para menores de 12 anos. Ao transmitir o programa, a emissora irradiaria um sinal com essa informação (de que ele é impróprio para menores de 12 anos). Ao receber o sinal, o televisor cancelaria a recepção da emissora.


Originalmente, o bloqueador deveria ser obrigatório no país desde 27 de junho de 2002. Mas pressões dos fabricantes de televisores adiaram sucessivamente a entrada em vigor da lei 10.359. Hoje, no entanto, a lei está em vigor, porém não é cumprida. Falta o governo regulamentá-la.


O Ministério das Comunicações diz que não a regulamentou antes por causa dos adiamentos da vigência da lei e porque dependia de o Ministério da Justiça editar novas regras de classificação indicativa, o que ocorreu há duas semanas.A classificação indicativa trata dos programas de TV conforme seu conteúdo de sexo e violência. Os programas podem ser livres ou impróprios para menores de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos. Com o uso do bloqueador, não fará mais sentido obrigar as TVs a vincular a faixa etária a horários de exibição (hoje, por exemplo, programas impróprios para menores de 12 não podem ir ao ar antes das 20h).


Os fabricantes argumentam que uso do bloqueador encarece os televisores. Eles defendem a aprovação de uma nova lei que torna o bloqueador facultativo e a adoção do dispositivo com a TV digital.


Na TV paga, já existe bloqueador. Boa parte das operadoras brasileiras já oferece esse tipo de serviço.


RECORDE 1


O Multishow bateu o recorde de audiência da TV paga no dia 11 com ‘BBB 7’. O canal exibe o ‘reality show’ ao vivo imediatamente após o final do programa na Globo. Nesse dia, Diego indicou Felipe ao ‘paredão’.


RECORDE 2


O ‘BBB’ do dia 11 teve média de audiência no Multishow de 1.143.561 telespectadores. Outros programas, inclusive ‘BBB’, já tiveram alcance (número de telespectadores sintonizados por pelo menos um minuto) maior, mas é a primeira vez que essa média (do começo ao fim) é registrada.


TIRO CEGO


Devem ir ao ar hoje, em ‘Páginas da Vida’, as cenas em que Carmem (Natália do Valle) atira em Sandra (Danielle Winits), mas acerta Greg (José Mayer).’


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