Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > SBT

Esther Hamburguer

20/07/2005 na edição 338


‘Além de sonegar e corromper, ‘Os Ricos Também Choram’. A nova novela, que o SBT estreou na última segunda-feira, reúne a experiência de Henrique Martins, dos tempos do ‘Sheik de Agadir’, com a animação de um elenco competente, para bater na mesma tecla que a concorrência.


Cumprindo o contrato bizarro de adaptar textos mexicanos, o SBT admite alguma impertinência, oportuna. A heroína Mariana (Thaís Fersoza, ex-’Malhação’) enfrenta o coronel, um ‘velhote tagarela’.


Marcos Lazarini levou o original da cubana Inés Rodena para o passado. A inversão é curiosa, afinal foram os folhetins eletrônicos brasileiros que puxaram as tramas mexicanas para tempos contemporâneos. Ao realizar o movimento inverso -o drama acontece em uma cidadezinha fictícia nos anos 30-, o autor encontra terreno fértil para ampliar o escopo de sua história, adicionando elementos típicos daqui.


O romance cinderelesco é a base para digressões sobre a conjuntura política que opunha constitucionalistas a getulistas em um panorama de crise da agricultura cafeeira paulista.


A fórmula é conhecida. O pano de fundo procura tornar alguns lances de melodrama mirabolante verossímeis. Chega a ser hilária a seqüência em que Evaristo (Flávio Galvão) reconhece a marca de nascença no braço de Mariana. Três pontinhos dispostos como vértices de um triângulo revelam a identidade da filha. Ele a faz herdeira pouco antes de se atirar em um precipício.


A heroína justa terá que enfrentar a resistência da fútil viúva interpretada por Mika Lins -muito bem no papel de vilã- e de sua filha Sofia, vivida por Ludmila Dayer, que vem de uma boa atuação em ‘Senhora do Destino’.


Apesar de Silvio Santos, o SBT vem tentando apurar a qualidade de produção. Resta saber por quanto tempo e com que grau de inovação.’


 


Taíssa Stivanin


‘SBT cria banco de elenco fixo’, copyright O Estado de S. Paulo, 19/7/05


‘O SBT vai criar um banco de elenco fixo, com contrato de exclusividade, para as novas produções do núcleo de teledramaturgia. Os atores já estão sendo selecionados e devem ficar à disposição da casa por tempo indeterminado. Atualmente, os artistas recebem por participação em obra fechada, como o elenco de Os Ricos também Choram, com gravações previstas até dezembro.


A idéia é renovar o contrato de alguns deles já no novo esquema, como no caso da atriz Taís Fersoza, que protagoniza a trama. O banco de elenco já será utilizado para a novela, ainda não definida, que substituirá Os Ricos, no início de 2006.


Os bons índices de Esmeralda, que termina amanhã, motivaram Silvio Santos a investir mais na teledramaturgia. A novela alcançou picos de 17 pontos às 20h30, competindo com Jornal Nacional e América. O bom ibope atraiu anunciantes. Por conta disso, Os Ricos também Choram terá espaço para merchandising, com a inserção comercial no roteiro, estratégia inédita nas novelas da emissora.


A idéia de investir em um banco de elenco também estaria associada à abertura de um segundo horário de novelas. Mas esta é uma especulação antiga, que nunca saiu do papel, ainda mais com a estréia do telejornal apresentado por Ana Paula Padrão.


DONA BEIJA


Dona Beija, novela exibida na extinta TV Manchete, é a nova aposta da emissora. O SBT adquiriu o roteiro da trama, mas Silvio Santos estaria em dúvida sobre produzi-la novamente ou tentar adquirir as fitas originais, que pertencem à massa falida da Manchete.’


 


O APRENDIZ


Monica Bergamo


‘Éramos oito’, copyright Folha de S. Paulo, 20/7/05


‘As mulheres estão em baixa no reality show ‘O Aprendiz’, da Record. Das oito que começaram no jogo, seis já foram ‘demitidas’ nas gravações, que estão na metade. Entre os oito homens, apenas dois deixaram o jogo.’


 


OPRAH BRASILEIRA


Laura Mattos


‘À la Márcia, Eliana será clone de Oprah’, copyright Folha de S. Paulo, 19/7/05


‘A apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, celebridade mais poderosa do mundo segundo a revista ‘Forbes’, ganhará mais um ‘clone’ na TV brasileira. Sucesso nos EUA, ela estreou no Brasil em fevereiro e alavancou a audiência do canal pago GNT.


A exemplo da ‘ex-barraqueira’ Márcia Goldschmidt, que se prepara para ser a Oprah da Bandeirantes em um programa diário, a loirinha Eliana deixa seu lado Xuxa para tentar uma versão da mediadora de teledebates dos EUA.


O programa de Eliana, ‘Tudo É Possível’, estréia no dia 7/8 na Record e concorrerá por 15 minutos com o dominical ‘Jogo da Vida’, de Márcia. No fim de semana, a Record exibiu Eliana com a chamada: ‘O namorado de sua filha está a fim de você. E agora?’


Apesar do texto, a Record diz que o quadro será ‘Saindo com a Sogra’ e afirma ser baseado no ‘Date My Mom’ (‘Namore Minha Mãe’), da MTV dos EUA, do qual comprou os direitos. Mas, na verdade, no programa da MTV os participantes tentam obter informações sobre o pretendente com a mãe dele para decidir se engatam ou não o namoro. Nada a ver com a situação proposta pela chamada da atração de Eliana.


No GNT, Oprah ia ao ar de segunda a sexta, às 17h. Após atingir segundo lugar no Ibope na estréia e ampliar em 188% sua audiência no horário, o programa mudou para as 20h. As TVs brasileiras querem copiar Oprah pelo fato de ela unir popularidade e prestígio, o ‘paraíso’ para anunciantes.’


 


NET


Cristina Padiglione


‘Cultura sugere mais ‘patriotismo’ à Net’, copyright O Estado de S. Paulo, 20/7/05


‘Alvo de queixas da MTV e da Bandeirantes, a Net entrou também na mira de lamúrias da Fundação Padre Anchieta. A reivindicação de Marcos Mendonça, presidente da entidade – mantenedora da TV Cultura e do canal pago TV Rá-Tim-Bum – é a mesma da Band: prioridade aos canais nacionais no espaço disponível no line-up (grupo de emissoras) da operadora.


O caso da MTV também esbarra na requisição de mais um canal, e embora a emissora seja braço de um grupo americano, seu conteúdo é mais nacional do que a maioria das emissoras pagas abrigadas pela Net.


‘É uma questão de patriotismo, de brasilidade. A maior operadora de TV paga do País tem cinco canais infantis estrangeiros (Cartoon, Jetix, Discovery Kids, Nickelodeon e Boomerang) e não abre espaço para o único infantil nacional?’, questiona Mendonça. Já abraçada por pacotes da NeoTV, incluindo a TVA, a TV Rá-Tim-Bum alcança hoje 600 mil assinantes.


NOVAS PRODUÇÕES


Desde que foi lançada, no fim do ano passado, a TV Rá-Tim-Bum passou a ser uma espécie de avant-première da TV Cultura para as produções bancadas pela emissora. Assim, os 52 episódios da nova safra do Cocoricó – programa que se contentava com reprises havia dois anos – estrearam há alguns meses na TV Rá-Tim-Bum e desembarcam na TV Cultura na segunda-feira, com seis novos infantis.


A nova linha de títulos, no ar às 10 e às 14 horas, inclui: Qual É o Bicho?, em parceria com o Zoológico de São Paulo; o Zum, Zum, Zum, com curtas-metragens de animações brasileiras; o Agendinha, com o ótimo João Paulo Bienemann dando dicas culturais para a galera de até 12 anos; o Baú de Histórias, que traz clássicos infantis por meio de dois contadores de história (os atores Sérgio Serrano e Cristiane Nogueira); o Mostre Sua Língua, em que o professor Pasquale contracena com o amigo-boneco Coisinho para esclarecer dúvidas de português; e o Tá na Hora com DJ Cão, espaço para videoclipes infantis.’


 

Todos os comentários

PRIMEIRAS EDIçõES > audiência

Esther Hamburguer

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

QUALIDADE NA TV


criança

"Pílulas de curiosidades", copyright Folha de S. Paulo, 11/02/01

"Os canais infantis da TV paga oferecem uma verdadeira viagem ao universo new age. A programação e as vinhetas exibidas nos intervalos comerciais combinam efeitos especiais, fenômenos sobrenaturais, aventura, vinhetas informativas, carregadas de conteúdos curiosos, e vinhetas, quase que de serviço, destinadas a promover a ordem e a higiene no lar, ou ainda a prevenção de acidentes.

Gêneros tradicionais como reportagem, comercial, documentário e ficção se fundem. O conhecimento enciclopédico é valorizado. A programação carrega elementos de um novo paradigma de conhecimento, convivência e educação, que valoriza o aprendizado, estimula a imaginação, que desloca distâncias no tempo e no espaço. Mas as pílulas de informação, distribuídas em doses homeopáticas e sem ordem muito definida, acabam por difundir pensamentos fragmentados, sem método, ordenamento, hierarquia, mas que não deixam de estimular o consumo.

A programação, praticamente toda importada e dublada, é muito mais interessante e diversificada que a programação infantil dos canais abertos, que insistem em fórmulas pobres de conteúdo e ultrapassadas. Alguns hits infantis, como ‘Pokémon’ ou ‘Caminhando com os Dinossauros’, são transmitidos por canais abertos comerciais, além de rechearem a programação da TV paga. Crianças com acesso à TV paga muitas vezes nem passam pelos canais abertos. O menu dos canais infantis e, no máximo, dos esportivos, lhes basta.

Nos canais por assinatura não há apelação à sexualidade e a violência fica encapsulada nas animações japonesas. E o consumo pode correr solto nos inúmeros artigos que acompanham os heróis do desenho. O videogame, os ‘cards’ e os diversos produtos de marca dispensam anúncios comerciais. Aqui o programa é, em si mesmo, a propaganda.

Canais como Fox Kids, Discovery Kids e Nickelodeon, talvez em um esforço por conquistar o apoio dos pais -que com o v-chip retomam algum controle sobre o que seus filhos assistem-, promovem curiosidades. O Discovery, por exemplo, exibe vinhetas sobre os equipamentos necessários a determinados esportes. Imagens de alpinistas, nadadores e ciclistas são exibidas em um quadro, enquanto os elementos da indumentária do esportista são listados. O Fox Kids assume a voz da mãe e, entre um segmento e outro dos muitos desenhos animados, recomenda banho, sabão, lição de casa e rotinas que tais.

Programas como ‘Resgate, Mecânica Popular’ apresentam crianças participando de atividades de bombeiros. As cenas de ação em que os repórteres-mirins contracenam com os profissionais de operações de salvamento são narradas pelos menores. Outro misto de reportagem e ficção é o ‘Cyberkids’, programa produzido para a América Latina e dublado para o português, em que os apresentadores adolescentes mostram novidades tecnológicas, revelam os bastidores da indústria de tecnologia, explicam como funcionam videogames, entrevistam profissionais especializados, que apresentam e divulgam seus produtos.

Raros exemplos de programetas gravados no Brasil, a Fox Kids exibe reportagens sobre esportes e aventuras. Um pouco da história do raft é contado enquanto testemunhamos uma equipe que demonstra as principais noções necessárias à manutenção do equilíbrio na água. Também apresentados por adolescentes, essas pequenas reportagens difundem pedaços de conhecimento classificatório. Assim podemos aprender a reconhecer, por exemplo, um peixe-espada.

Exemplo radical de uma gramática que redefine as convenções de representação da ficção e da realidade é o conhecido ‘Caminhando com os Dinossauros’, que narra a convivência desses seres pré-históricos seguindo as regras do documentário clássico, tipo BBC. Só que os dinossauros, como não poderia deixar de ser, são criaturas virtuais, recriadas pela imaginação contemporânea, com base na narrativa arqueológica e nos recursos audiovisuais da imagem digital.

O sucesso dos canais por assinatura destinados às crianças sugere que o público infantil demonstra interesse em aprender. Detalhes sobre a vida das formigas, a geografia do planeta, a vida pré-histórica e o movimento das galáxias despertam a atenção infantil. Em tempos em que a educação é concebida como desenvolvimento pessoal, interessante e prazeroso, é bom que existam alternativas à programação convencional dos canais abertos comerciais. O processo de criação do herói animado, a possibilidade de escrever um roteiro a ser gravado, interessam. Mas as crianças merecem muito mais do que pílulas de curiosidades, revestidas de discurso científico, ou dramas ingênuos e moralistas."

 

audiência

"Novelas levantam ibope da TV Globo em janeiro", copyright O Estado de S. Paulo, 8/02/01

"Janeiro foi um mês ruim para quase todas as emissoras de TV -menos para a Globo e o SBT. O índice de televisores ligados na Grande São Paulo, no horário noturno (das 18h à 0h), caiu de 65% em janeiro de 2000 para 60% no mesmo mês de 2001, uma fuga de 400 mil telespectadores.

Mas a audiência da Globo na faixa de horário cresceu 6,3%, de 32 pontos em janeiro de 2000 para 34 em 2001. O motivo foram os bons ibopes das novelas ‘Uga Uga’ e ‘Laços de Família’, que, em seus capítulos finais, registraram as melhores audiências, desde 96, nos horários em que foram exibidas. A performance das novelas anulou a baixa audiência da minissérie ‘Os Maias’, rejeitada pelas classes C, D e E.

Com o feito, a Globo aumentou sua participação na audiência total de 49% em janeiro de 2000 para 57% em 2001.

A audiência do SBT no horário noturno cresceu de 11 pontos em janeiro de 2000 para 12 pontos no mesmo mês de 2001 -um aumento de 9%- graças ao ‘Show do Milhão’. Já o ibope noturno da Record caiu de 7 para 6 pontos.

Na média das 7h à 0h, SBT e Record ficaram estáveis (9 e 5 pontos, respectivamente). A Globo cresceu de 20 para 21 pontos.

Vazamento

Marlene Mattos se reuniu anteontem, em São Paulo, com Ana Maria Braga e equipe do ‘Mais Você’. O encontro foi em um estúdio, que estava com o circuito interno de áudio ligado, e muita gente ouviu a conversa.

Madrugada

Na reunião, Marlene Mattos disse que a Globo ofereceu o horário das 8h às 9h30 para o ‘Mais Você’ -o que reduziria ainda mais a audiência do programa. Mas a diretora prometeu lutar para emplacar o ‘Mais Você’ das 10h às 11h45.

Bolsa

No SBT, já tem gente apostando que Silvio Santos irá, sim, desfilar na Tradição, do Rio, que o homenageia. O suspense deverá durar até a hora do desfile, que será exibido pela Globo. Silvia Abravanel, filha do empresário e responsável pela ala dos ‘amigos’ do apresentador, despista: ‘Silvio Santos é imprevisível’, diz.

Divórcio

Namorado de Adriane Galisteu, Rogério Gallo já está dando trabalho à apresentadora do ‘É Show’, da Record. Anteontem, o ‘Superpositivo’, supervisionado por Gallo na Bandeirantes, atingiu pela primeira vez os 10 pontos de pico. E, com muitas popozudas, superou Galisteu por 7 a 3, entre 21h30 e 22h."

Volta
ao índice

Qualidade na TV – próximo
texto

Qualidade na TV – texto
anterior

Mande-nos seu comentário

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem