Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > TV CULTURA

Fernando Lauterjung

28/04/2005 na edição 326


‘Em meio a uma crise financeira e administrativa que derrubou seu volume de produção, a TV Cultura trocou de direção em junho de 2004. A nova direção da mantenedora da emissora educativa, a Fundação Padre Anchieta, prometeu no momento da posse equacionar a crise, voltar a produzir e apresentar uma nova grade até março de 2005, quando foram de fato apresentados programas musicais e um novo de debates, apresentado por Silvia Poppovic.


O presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça, conta como pretende retomar a produção na TV Cultura, promete abrir espaço para a produção independente e privilegiar programas infantis e telefilmes. Além disso, anuncia investimentos na digitalização do seu acervo e para reverter o sucateamento do parque técnico da emissora. Conta também como pretende conseguir verbas para sustentar as mudanças na emissora educativa de São Paulo.


Tela Viva – Como está a previsão de recursos para a TV Cultura para os próximos anos através de publicidade e de investimentos do Governo do Estado de São Paulo?


Marcos Mendonça – Hoje os recursos provenientes de serviços e de publicidade totalizam quase 50% do valor que o Estado nos dá, que é em torno de R$ 80 milhões. A nossa meta é que, em um prazo de aproximadamente quatro anos, a TV Cultura tenha a parcela de recursos de serviços e de anúncios equivalente à parcela que ela recebe do poder público. Nós negociamos com o Governo do Estado para que esse valor seja mantido. Se puder ser aumentado, melhor ainda.


Esse valor vai ser cumprido em 2005, já foi aprovado o orçamento. Nosso objetivo é manter essa participação do Estado, mas também perseguir os recursos privados, que nos favoreçam, nos possibilite aumentar nossa produção.


A entrada da TV Cultura na TV por assinatura, através da TV Rá Tim Bum, deve representar uma receita importante?


Pode significar uma receita importante. Mas essa receita tem uma destinação específica. Os custos da TV Rá Tim Bum são bancados pela TV Cultura, mas as receitas são destinadas, única e exclusivamente, para a produção de programas infantis. Então, tudo o que for originado da receita da TV Rá Tim Bum será aplicado em programação. E é claro que a TV Cultura será beneficiada por isso, porque esses programas também serão exibidos nela.


Então podemos esperar programação inédita?


Hoje não tem nenhum programa infantil sendo produzido no Brasil, o único é o ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. Já estamos produzindo 52 capítulos do ‘Cocoricó’ e em breve a gente estará com outras produções infantis.


Existem planos de expansão da TV Rá Tim Bum?


No mercado interno queremos expandir a TV Rá Tim Bum, na busca de novos operadores de cabo. Hoje nós temos um acordo com a Neo TV e estamos negociando com a Net. Nós temos 580 mil assinantes e queremos expandir isso para os 3,5 milhões.


Em relação ao mercado internacional, são caminhos que não são fáceis de trilhar, mas vamos buscar alternativas.


Através da venda do canal ou da programação?


Através de programas isolados.


Está previsto investimento em novos canais de TV por assinatura, baseados no acervo da TV Cultura?


Nós estamos investindo para recuperar, digitalizar esse acervo, sob pena de perda desse material. Nós temos fitas de 30 anos de idade e que muitas vezes não foram conservadas em locais adequados.


Hoje nosso maior investimento é em relação à digitalização desse acervo. Na medida em que tenhamos condições, nós podemos pensar em outros projetos de TV por assinatura. Mas nesse instante nosso objetivo fundamental é trabalhar a TV Rá Tim Bum e digitalizar o acervo.


A TV Cultura pretende trabalhar com a produção independente?


Nosso objetivo é esse. A TV Cultura vai perseguir algumas linhas novas. Por exemplo, a questão do desenho animado, que é um produto do qual o Brasil tem uma produção muito pequena, variável e sem escala. Mas nós entendemos que temos talentos, temos capacidade de produzir numa escala boa, de maneira a abastecer o mercado interno e externo. Hoje, tanto na televisão aberta como na fechada do País, 95% ou mais da produção de desenhos é feita no exterior. O Brasil gasta muito dinheiro com recursos para pagar essas importações, por um lado. Por outro lado, o Brasil não tem nenhuma receita nessa área, não exporta nenhum produto porque não tem produção em escala. Portanto, em animação, queremos trabalhar com produtores independentes. Não é a TV Cultura que produzirá isso. O papel que a TV Cultura vai exercer é o de articulador desse mercado, fazer com que ele tenha pontes de contato e possa desenvolver uma ação.


Em relação à nossa programação normal, nós também queremos trabalhar com produtores independentes. Nosso objetivo é que a TV Cultura produza em uma escala grande, mas que a produção que ela exibe possa vir de produtores independentes. Evidentemente que nós vamos impor um padrão de qualidade, encomendar produtos especificando a forma que queremos. Vamos deixar nossa produção interna mais voltada para programas da linha editorial.


E nós queremos co-produzir telefilmes, sendo que alavancaríamos recursos e equipamentos, de tal maneira que possamos estimular o mercado a trabalhar nessa direção. Já tivemos uma parceria no passado muito bem-sucedida, quando eu era secretário de Cultura e fiz uma parceria com a TV Cultura para desenvolver o’Pic TV’. Foram feitos aqui cerca de 50 filmes em que a TV Cultura tinha esse papel de co-produtor. Ela entrava com alguns recursos, com estrutura e com a mídia no lançamento. O resultado foi extremamente proveitoso.


Deve surgir uma ‘TV Cultura Filmes’, nos moldes do que vem sendo feito nas TVs comerciais?


Na realidade o modelo que a Globo usou (na Globo Filmes) nada mais foi que cópia do que havíamos feito aqui na TV Cultura, de 1996 até o ano 2000, com mais de 50 filmes. Eu fico até muito feliz porque serviu como parâmetro para estimular a produção de filmes brasileiros. Infelizmente a Cultura não desenvolveu mais esse projeto, mas agora queremos retomar, mas não em longas-metragens para cinema. Até poderemos, mas estamos buscando os telefilmes.


Existe uma maneira de a TV Cultura alavancar ou fortalecer a produção independente no mercado internacional?


Sem dúvidas. A TV Cultura tem uma marca, é uma TV premiada e reconhecida no mundo pelo seu padrão de qualidade, especialmente no que tange à programação infantil. O ‘Castelo Rá Tim Bum’, por exemplo, foi premiadíssimo no mundo todo.


Queremos abrir espaço para co-produções internacionais. Estaremos presentes nos eventos internacionais com a marca da TV Cultura e apoiados em vários produtores independentes que vão estar associados a nós.


A TV Cultura já anunciou um investimento em equipamentos. Em que situação se encontra o parque técnico da emissora e quanto deve ser investido em equipamentos e voltados a quais áreas?


Nós estamos com equipamentos absolutamente defasados. Temos equipamentos de 30 anos, obsoletos. Vamos ter que dar um salto tecnológico. Num primeiro momento nós estamos comprando equipamentos de digitalização, câmeras digitais, uma unidade móvel digital e todo o suporte tecnológico para produzir digitalmente. Todo esse equipamento exige um investimento grande, de aproximadamente US$ 5 milhões.


Além disso, tem os equipamentos para a digitalização do nosso acervo. Esses equipamentos já foram comprados e tomaram um investimento de cerca de R$ 4 milhões. Também tem a modernização dos equipamentos de transmissão das rádios, de maneira que permita que ela tenha um alcance maior, especialmente na rádio AM, mas na FM também.


O investimento na digitalização do acervo pode trazer um retorno, com o lançamento de novos produtos ou serviços baseados nesse conteúdo?


Nós lançamos uma unidade chamada Cultura Marcas, que trabalhou primeiramente na regularização de todos os direitos.


Já foi tudo regularizado e hoje começamos a lançar produtos baseados em nosso acervo. Temos acordo com duas gravadoras, a Trama e a Atração, que estão trabalhando com produtos nossos e vão se incumbir da distribuição, numa parceria com a TV Cultura. Lançamos no ano passado o melhor DVD do ano (na área musical), que foi o da Elis Regina (baseado no programa ‘Acervo’). Esse ano nós já lançamos um CD em comemoração aos 25 anos (do programa) da Inezita Barroso.


Temos ainda uma série de produtos vinculados aos programas da TV Cultura, ‘Cocoricó’, por exemplo, tem uma linha de produtos licenciados. Os outros programas infantis que lançaremos também vão estar vinculados a produtos licenciados.


Também há uma série de programas que têm uma procura enorme, como o ‘Universidade da Madrugada’. Esse material está sendo editado, prensado e será colocado em circulação. Teremos mais de 200 títulos à disposição do mercado, com um lançamento muito em breve.


Outra linha que teremos é na Internet. Abriremos um portal na Internet. Para isso estamos equipando a estrutura da televisão, ainda negociando com fornecedores a compra de armazenadores de dados. Mas muito em breve teremos um portal na Internet.


Esse portal será para trazer a interatividade à programação ou para disponibilizar o acervo?


Para mostrar o acervo e uma série de programas que têm conteúdo único e de altíssima qualidade. São programas que, muitas vezes, vão ao ar de madrugada, mas algumas pessoas preferem ver esses programas num horário mais adequado. A idéia é que isso esteja disponibilizado na Internet em qualquer horário, assim as pessoas terão a chance de fazer um streaming pela Internet de palestras e debates.


Há muito tempo que se debate a TV digital, mas mantendo-se na área tecnológica, deixando o modelo de negócios de lado. O senhor acredita que a TV educativa deveria ser umaárea de testes para um novo modelo e novos aplicativos?


Nós já nos oferecemos para ser a emissora de testes. O Ministério das Comunicações até agora não deu resposta sobre isso. Como somos (a TV Cultura) uma emissora sem fins lucrativos, aberta e em São Paulo, seria o lugar ideal para o governo poder testar os vários modelos.


E os investimentos em tecnologia já levam em consideração a migração para a TV digital no futuro?


Como ainda não sabemos qual é o padrão a ser implantado, a transmissão é ainda uma grande incógnita, um dos grandes problemas das redes de televisão. Mas os equipamentos que estamos comprando, qualquer que seja a tecnologia de transmissão, são adequados.


Há uma maneira de fortalecer a TV pública através de um modelo regulatório específico?


Eu vejo a TV pública como uma alternativa que o governo tem para oferecer acesso a produtos de qualidade de graça para a população, já que a rede pública existe no País todo e tem alcance como o de uma rede comercial. Quando vemos que uma criança fica quase cinco horas em frente à televisão, vemos que a TV pode ser um grande instrumento de ajuda na formação, de apoio à área educacional, na colocação de valores positivos.


Eu levei ao governo federal uma proposta para que nos ajudasse a financiar a produção da TV Rá Tim Bum, que seria levada ao ar também na TV aberta, com a proposta de que eu emitiria esses sinais absolutamente de graça para o Brasil inteiro. Os sinais seriam fornecidos para qualquer emissora que o governo federal elencasse, para que elas transmitissem isso para o Brasil todo. Essa proposta já está há algum tempo no governo federal, mas não recebi nenhum sinal deles. Eu vejo como um caminho positivo o governo federal abraçar essa tese.


Por outro lado, nós estamos fazendo junto ao Ministério da Cultura um serviço de divulgação e revelação de novos talentos através do Doc TV. Somos os operadores desse processo para o Ministério da Cultura. Fazemos oficinas no Brasil inteiro para elevar a qualidade das produções regionais. Acredito que, com isso, nós estamos propiciando o fortalecimento da produção regional no País, o surgimento de novos talentos e a possibilidade de dar uma programação de um bom nível para todo o Brasil.


Como concorrer pela audiência?


Eu vejo que hoje precisamos apoiar a produção de bons programas. A TV educativa luta com algumas dificuldades. Ela não apela ao sensacionalismo, à violência, à sensualidade. Ela trabalha com valores que dificultam chamar a atenção. Para que esses produtos chamem a atenção, eles precisam ser revestidos de uma altíssima qualidade. O que nós temos que tentar atingir? Qualidade para o público exigente de hoje, que tem padrão de qualidade e de referência nas emissoras comerciais. Elas podem apresentar programas de baixo nível, mas também de alto nível.


Hipoteticamente, se formos fazer um desenho animado, precisamos fazer um desenho que possa competir com os que são feitos lá fora, porque, senão, não teremos audiência. E aí você embute nesse projeto valores positivos, de cidadania, da brasilidade, trilha sonora brasileira, ensinamentos positivos. Através do entretenimento e da diversão, você vai educando os jovens.


O que vejo é que o governo federal deveria investir recursos nessa direção. É aí que eu sinto falta de uma política clara do governo federal.


Até este momento não tivemos nenhum apoio em relação a isso (financiamento da produção).


O Decreto 5.396, de 21 de março de 2005, autoriza as emissoras educativas, constituídas como organizações sociais, a receber recursos e veicular publicidade. É legal a comercialização de cotas de patrocínio que vem sendo realizada há anos pelas TVs educativas?


Existe uma grande confusão na questão da legislação, porque há um emaranhado jurídico. Se, de um lado, há muitos anos atrás existia uma lei que vedava a possibilidade das emissoras educativas buscarem recursos na iniciativa privada, por outro lado, a própria Lei Rouanet, ao estabelecer a possibilidade de buscar recursos através de mecanismos de incentivo, abre a possibilidade de ingresso de recursos de anunciantes. Há uma grande discussão sobre essa questão, já que uma lei revoga a outra. Então a TV Cultura, desde 1990, passou a veicular anúncios e patrocínios. Hoje a orientação jurídica que a TV Cultura vem adotando é a de que ela tem a possibilidade de captar recursos da iniciativa privada, desde 1994.


A Fundação Padre Anchieta deve se tornar uma organização social?


Não.


Como o mercado reagiu às mudanças na programação da TV Cultura?


Nós temos uma receptividade extremamente positiva. Quando nós assumimos, a televisão (TV Cultura) vivia uma crise muito grande, com uma situação financeira e administrativa muito delicada. Nós conseguimos colocar a casa em ordem. Hoje a TV Cultura não tem dívidas, ela está numa situação financeira equilibrada e tem um plano de investimentos. Enfim, hoje essa situação está equacionada. A partir daí, começamos a buscar caminhos para produzir. Voltamos a produzir em algumas áreas, com perspectivas de ter vários programas no ar em breve. Teremos nos próximos dias o programa ‘Silvia Poppovic’ (que estreou no dia 31 de março), vamos ter uma linha de concertos de música erudita, uma linha de teledramaturgia, uma linha de esportes, de música popular, com um festival de música popular brasileira. Enfim, a TV Cultura se abre para uma programação das mais variadas. Ela vai buscar a produção de desenhos animados e telefilmes. Ela está se colocando no mercado com uma programação absolutamente variada, do mais alto nível e da melhor qualidade. Eu acredito que vamos ter o retorno da audiência.


Um passo gigantesco foi dado recentemente. Foi um esforço que desenvolvemos, que foi fazer a TV Cultura voltar às antenas parabólicas.


Segundo alguns especialistas, nós temos 17 milhões de antenas parabólicas espalhadas pelo Brasil, e a TV Cultura estava fora desses pontos. Desde o dia 14 de março entramos nas antenas parabólicas.


Acredito que teremos uma receptividade muito boa em função da nova programação que vai estar no ar.’



Keila Jimenez


‘Emissora analisa atrações e luta para manter telespectador por mais tempo ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 28/04/05


‘Pesquisas, pesquisas e mais pesquisas. É assim que a TV Cultura pretende guiar boa parte dos novos passos na sua programação a partir deste ano. A rede pública acaba de criar um departamento de pesquisas que vai analisar as principais atrações da casa e os lançamentos.


‘Nossa idéia é acompanhar regularmente programas-chave do canal, como nossos noticiários, o Metrópolis e os teleteatros que vamos lançar’, fala a diretora desse novo departamento, Fátima Jordão, especialista no assunto. ‘Testaremos também a possibilidade de novos programas, como estamos testando agora modelos de atrações futuras para o público jovem. Fizemos isso na criação do programa de Silvia Poppovic.’


Foi justamente esse estudo, realizado em dezembro, uma das primeiras missões do Departamento de Pesquisa da Cultura. O resultado, que foi decisivo na contratação de Poppovic pela emissora, mostrou dados curiosos que estão ajudando a Cultura a nortear suas decisões. A emissora realizou quatro grupos de discussões que debateram sobre a programação do canal: duas equipes de mulheres e duas de homens, com idades entre 35 e 45 anos. O resultado desses debates mostra que, apesar de considerarem a Cultura uma emissora ética, confiável e inteligente, o público permanece pouco tempo preso à sua programação, seus programas não são vistos em família e, na opinião dos entrevistados, a grade do canal é muito segmentada, não tem continuidade.


O ritmo lento das atrações e o fato de os apresentadores serem desconhecidos do grande público também foram apontados como fatores fragilizadores do canal. Resumindo: a emissora é bem conceituada, mas essa admiração não se traduz em audiência.


‘É claro que não vamos deixar nossos princípios éticos e de qualidade por causa das pesquisas, mas elas ajudarão nossas equipes de marketing e da programação a encontrar o melhor caminho’, explica Fátima. ‘O importante é olhar para os dados é ver que, no fim de um dia, 32% dos domicílios com TV em São Paulo passaram pelo Cultura; no de um mês, esse número pula para 72% das casas. É um dado importante e é nele que temos de nos concentrar.’’

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PRIMEIRAS EDIçõES > TV PAGA

Fernando Lauterjung

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

REDE TV!

“Programação virtual”, copyright Revista Tela Viva, 31/11/03

“A RedeTV! lançou no final de outubro um novo sistema de programação de publicidade na rede, o Easy Media. Trata-se de um sistema que permite que o departamento de mídia das agências de publicidade programem a inserção de seus comerciais em tempo real através da Internet. Assim, o profissional pode escolher a praça de veiculação, o programa e o break comercial apenas cinco minutos antes da exibição do anúncio.

O software está em desenvolvimento há dois anos pela Tecnet, empresa de telecomunicações ligada à emissora. Trabalhando em conjunto com o Play News, o exibidor usado na rede e também desenvolvido pela Tecnet, o Easy Media praticamente passa às agências o controle da programação publicitária. Sempre que alguma agência procura espaço em algum programa, o próprio sistema analisa a disponibilidade no horário e, caso necessário, substitui os calhaus (comerciais usados nas redes para cobrir buracos na programação comercial) pelo filme da agência. Para o presidente da RedeTV!, Amílcare Dallevo, a nova solução, que permite uma ?programação instantânea?, deve atrair, principalmente, o anunciante de varejo.

O Easy Media permite ainda enviar o planejamento de mídia dos comerciais, trabalhando integrado aos softwares de automação usado nas agências.

É claro que para ter essa velocidade na programação do comercial, o filme já deve estar na emissora. Mas, ?para agilizar também o processo de entrega de material, a RedeTV! deve instalar, gradualmente, uma rede nas agências para envio de material on-line?, conta Dallevo. A agência receberá ainda um software para fazer o envio eletrônico dos comerciais. A banda usada nas redes ainda estava indefinida até o fechamento desta matéria. A princípio, a TV queria instalar uma rede de 2 Mbps, mas, como os comerciais geralmente são curtos, com 30 segundos de duração, estudava-se ainda o uso de redes de 1 Mbps.

O Easy Media permite ainda consultar as tabelas comerciais da rede, o atlas de cobertura e a programação; imprimir comprovantes de exibição do comercial; e visualizar o comercial pela web.

O sistema entrou em funcionamento no dia 1? de novembro para programação de comerciais em toda a rede ou nas cinco praças onde a RedeTV! mantém emissoras próprias: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza. O sistema está previsto para funcionar também nas afiliadas a partir do início de dezembro.

O Easy Media foi mostrado pela primeira vez em um evento que reuniu o mercado publicitário no Hotel Unique, em São Paulo. No evento, Amílcare Dallevo fez uma demonstração em que programou um comercial para exibição nacional no programa ?Superpop? apenas alguns minutos antes de sua veiculação. A programação da rede foi projetada, ao vivo, em telões para que os publicitários pudessem atestar a funcionalidade do novo sistema.

Para usá-lo, a agência deve se cadastrar e assinar um contrato com o canal. A divulgação é feita pelos próprios contatos comerciais da RedeTV!. Para atrair o uso por parte das agências, a emissora irá premiar mensalmente funcionários do departamento de mídia das três agências que mais usarem o novo sistema.”


TV PAGA

“TV paga abre 2004 com novidades”, copyright O Estado de S. Paulo, 25/12/03

“Fim de ano e os canais pagos começam a divulgar os programas inéditos e séries que chegam para ficar em 2004. Entre os destaques, o National Geographic mostra os bastidores do laboratório da Nasa, responsável pela missão a Marte. O especial Marte: Morto ou Vivo, que estréia domingo, 18 de janeiro, às 22 horas, apresenta imagens inéditas da equipe do Mars Exploration Rover (MER).

O canal USA traz entre as suas novidades a série Peacemakers, com Tom Berenger. O ator, que também é um produtor da série, protagoniza o xerife Jared Stone, que vive no Velho Oeste americano. Para ajudar na resolução de crimes, o xerife e sua equipe utilizam inusitados métodos de investigação para o ano de 1880. A série estréia dia 29 de dezembro, com dez episódios, sempre às 23 horas.

No canal Hallmark, três minisséries novas vão ao ar às segundas e terças, às 22 horas. As Bruxas de Salem conta a história da comunidade de Salem que se agita com as acusações de possessão entre seus devotos. No elenco estão Kirstie Alley e Shirley MacLaine. As outras estréias são Sete Mulheres, com Oprah Winfrey, e A Mosqueteira, com Gerard Depardieu.

O desenho Os Rugrats Crescidos é a estréia do Nickelodeon. Os anjinhos cresceram e agora vivem os desafios da fase pré-adolescente. A estréia é dia 5 de janeiro, às 17 horas. O desenho será exibido também às quartas, quintas e sextas, no mesmo horário.

Mais quatro séries são o reforço do canal A&E Mundo para 2004, que estréiam nas primeiras semanas de janeiro. Duas delas prometem deixar o telespectador com água na boca. O Viajante Sedento e O Viajante de Bom Gosto trazem o melhor da gastronomia mundial. O primeiro visita a origem dos melhores vinhos, licores e vodcas. A estréia é dia 2, às 20 horas, com um programa sobre a França e o champanhe. Depois, a atração mostra o Estado de Kentucky, nos Estados Unidos, berço do bourbon.

Já O Viajante de Bom Gosto explica como nasceram os mais variados pratos. No dia 2, às 20h30, conheça, diretamente a França, o verdadeiro sabor das trufas negras e o festival de vinhos de Avignon. Da França para New Orleans.

Dia 9 é a vez do Bayou, da tradicional gastronomia de Nova Orleans, mescla da cozinha francesa com ingredientes do interior do sul dos Estados Unidos.

Documentários – As outras novidades do A&E Mundo são A História de …, que traça no primeiro episódio uma biografia da cantora Janet Jackson, irmã mais nova de Michael Jackson. Estréia dia 4, às 21 horas. E Justiça Final, dia 5 às 22 horas, uma série apresentada por Erin Brockovich, famosa pelo filme que leva seu nome e ajudou Julia Roberts a levar para casa um Oscar de Melhor Atriz. O programa conta a histórias de mulheres que lutam pelo que acreditam, enfrentam todos e buscam a Justiça.

Em 2004 o The History Channel estréia 10 séries, exibidas em horário nobre, a partir do dia 1? de janeiro. Há desde documentários que abordam guerras, armas e arte militar, até os maisvariados programas sobre carros, aviões, tecnologia, investigações submarinas, entre outros. Correio Militar, que estréia dia 1? de janeiro, às 22 horas, é um programa interativo, com perguntas e respostas temáticas militares, apresentado por Lee Ermey, do filme Nascido para Matar.

Ainda sobre guerra, o programa Conquista, que vai ao ar dia 1?, às 22h30, conta como a mente humana criou as mais incríveis e destrutivas técnicas de combate.

Outros destaques do canal no dia 2 são Voando no Tempo, às 22 horas, O Mundo dos Carros, às 22h30, e Correndo no Tempo, às 23 horas. Dia 3 estréiam:

Tecnologia e Desafio, às 22h30 e Da Tática À Prática, às 23 horas. No domingo, dia 4, vai ao ar Detetives das Profundezas, às 23 horas. Dia 5, Assassinatos Famosos, às 20h30, e Passagens Secretas, às 21 horas.”

“Canais universitários: o pequeno grande segmento”, copyright Pay-TV, 31/11/03

“Deixando de lado os canais legislativos – que vêm se destacando como um caso de sucesso no setor de televisão por assinatura e que já mostraram todo o seu potencial de ?janelas para a cidadania?, na feliz expressão de Daniel Herz, então coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, durante o processo de discussão da Lei do Cabo -, a outra experiência muito positiva dos canais de acesso público incluídos como de veiculação obrigatória na referida lei é a dos canais universitários. No começo de outubro, a ABTU, associação que reúne o segmento que produz este tipo de televisão (e não apenas quem veicula em TV a cabo), realizou em Florianópolis o VII Fórum de Televisão Universitária. O encontro encerrou-se com a redação da carta de Florianópolis, que merece alguns comentários.

A carta

Em sua ?carta?, as TVs universitárias começam lembrando a relevância destas instituições a partir da função e do papel social ?que cabe às instituições de ensino superior (IES) no país, no que se refere à produção e disseminação do conhecimento, da cultura e do desenvolvimento, atuando como importante meio de inclusão social?. Realmente, a experiência das TVs universitárias, que recebeu forte impulso a partir da possibilidade de veiculação nas operadoras de TV a cabo, merece todo estímulo e apoio para cumprir sua missão num país pobre e carente de meios pedagógicos, cujo povo ?adora ver televisão? mais do que qualquer outro povo em todo o mundo.

Considerações

Listamos algumas considerações. No Brasil cerca de 70% da produção de conhecimento – pesquisa e desenvolvimento – provêm das IES, o que é um bem público com potencial de transformação social; a televisão aberta gratuita atinge 90% dos lares brasileiros, sendo a principal fonte de informação da população e, portanto, é socialmente inclusiva; o País discute a adoção da transmissão digital de televisão, o que exigirá a revisão do sistema de distribuição de canais; e que neste processo o atual Executivo federal mostrou-se comprometido em promover a inclusão digital, priorizando a interatividade. ?As TVs universitárias enfatizam sua vocação e missão para a integração da pesquisa, ensino e extensão?, e se apresentam, portanto, ?como um ambiente privilegiado para a reflexão crítica aliada à produção de conteúdo inovador e experimental nesse novo cenário, com todas as suas implicações?.

Compromisso

Por esta razão, as TVs universitárias reafirmam seu ?compromisso com a produção de conteúdo voltado para a educação, a promoção da cultura e do desenvolvimento regional, constituindo-se também num espaço para a pesquisa e experimentação de novas linguagens, formatos e narrativas, além de contribuir criticamente para a formação de um novo profissional de comunicação?, e fazem duas reivindicações, a nosso ver, mais do que justas: participar diretamente dos debates, da pesquisa e do desenvolvimento do modelo brasileiro de TV digital em todos os seus aspectos, e a necessidade de contemplar o segmento ?tevês universitárias? na política de outorga de canais no espectro destinado à TV digital. Com a palavra o Ministério das Comunicações!

Rede nacional universitária

Uma das boas iniciativas da Associação foi a criação da RITU – Rede de Intercâmbio de Televisão Universitária, uma central de recepção, copiagem e distribuição de programas de televisão, destinada à difusão dos programas produzidos pelas associadas entre qualquer uma das emissoras educativas brasileiras, independentemente de filiação à ABTU. O Fórum de Florianópolis decidiu transformar a RITU numa rede nacional a ser operada via satélite. Iniciativa das mais importantes

que merece todo apoio, inclusive financeiro, não apenas dos governos em todos os níveis, especialmente do Ministério da Educação e sua Secretaria de Educação à Distância, mas também da iniciativa privada. Por exemplo: assim como as operadoras de DTH, mesmo sem obrigatoriedade

legal, se dispuseram a transmitir os canais do Senado, Câmara e Justiça por sua importância para a democracia, seria igualmente importante que considerassem a possibilidade de veicular o canal universitário nacional a ser produzido pela RITU. Não seria uma contribuição irrelevante para a

sociedade brasileira, especificamente para os mais de um milhão de assinantes do DTH.”

“Estudo da Anatel aponta insatisfação com TV paga”, copyright TelecomWeb, 22/12/03

“Um pesquisa realizada pela Anatel junto aos clientes do serviço de TV por assinatura detectou que há um nível considerável de insatisfação dos usuários. Os resultados mostram que o Índice Médio de Satisfação (IMS) ficou em 72% para o Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanal (MMDS), 71,6% para o Serviço de Distribuição de Sinais de Televisão e de Áudio por assinatura via satélite (DTH) e 68,2% para o Serviço de TV a cabo. O índice considerado, internacionalmente, como excelente pela prestação desses serviço é 85%.

Entre os fatores que mais causam insatisfação do usuário, destacaram-se a questão do preço (com índices de avaliação de 49,6% no Cabo, 54,7% no DTH e 58,1% no MMDS), as características do serviço (70,4% no Cabo, 72,5% no DTH e 72,7% no MMDS) e as características da programação (66,8% no Cabo, 70,3% no DTH e 75% no MMDS).

Para Ara Apkar Minassian, superintendente de serviços de comunicação de massa da Anatel, a avaliação negativa do preço do serviço mostra que a oferta de pacotes mais baratos poderia impulsionar o aumento da base de usuários.

Na opinião de Minassian, um preço final médio de R$ 45,00 a R$ 50,00 alavancaria os serviços de TV a cabo e de MMDS. O superintendente ainda lembrou que há três anos o mercado está estabilizado com, aproximadamente, 3 milhões de assinantes em todo país.

Em contrapartida, índices como assistência técnica (79% no cabo e 80,2% no DTH) e cobrança (79,7% no MMDS) foram os que tiveram a melhor avaliação.

A pesquisa da Anatel, a qual detectou crescimento de 1,3% na base de assinantes em novembro deste ano em relação ao mesmo período de 2002, demonstra, segundo Minassian, que o setor de TV por assinatura ainda precisa evoluir.”

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