Terça-feira, 23 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Folha de S. Paulo

05/10/2004 na edição 297

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto por meio do qual cria o Comitê Gestor para formular a instalação da TV Pública Internacional do Brasil.

O comitê será o responsável pela definição da grade de programação e será formado por integrantes da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, do Ministério das Relações Exteriores e da Radiobrás.

A televisão internacional tem um orçamento de cerca de R$ 10 milhões. Além de financiada pela Radiobrás, tem recursos do Senado, da Câmara dos Deputados e do STF (Supremo Tribunal Federal). O decreto diz apenas que representantes desses órgãos podem compor o Comitê Gestor.

O conteúdo da TV a ser definido pelo comitê será composto por programação dos canais de televisão do três Poderes.

‘Os representantes serão indicados pelos titulares dos órgãos e entidade representados e designados pelo presidente da República’, diz o decreto. A criação do canal tem sido criticada por representantes das emissoras de TV, que avaliam não ser prioridade do governo gastar mais dinheiro com a criação de outro canal.’



PELO TELEFONE
Istoé Dinheiro

‘TV pelo telefone’, copyright Istoé Dinheiro, 06/10/04

‘As empresas de telecomunicações preparam uma nova utilidade para as linhas telefônicas: a TV por protocolo de Internet (TVIP). Com ela, o usuário poderá personalizar programas e canais de vídeos musicais. A iniciativa, que começa a fazer sucesso nos EUA e na Europa, deverá alcançar 15 milhões de usuários até o fim de 2007.’



NOVA MINISSÉRIE
Daniel Castro

‘SBT produz minissérie nacional’, copyright Folha de S. Paulo, 30/9/04

Já está em pré– produção no SBT uma minissérie brasileira que a emissora deve exibir no primeiro trimestre de 2005. A produção será de época e terá de 26 a 30 capítulos, com cerca de 50 atores.

A sinopse, já aprovada por Silvio Santos, é de Doc Comparato. Consagrado roteirista, Comparato é autor de minisséries da Globo, como ‘Lampião e Maria Bonita’ (1982, com Aguinaldo Silva) e ‘O Tempo e o Vento’ (1985).

Em junho, quando foi contratado pelo SBT, Comparato escondeu que foi a promessa de uma minissérie que o seduziu. Disse que iria fazer estudo sobre o acervo de textos e dar cursos, formando novos autores para o SBT.

Ontem, equipes de arte da emissora viajaram para escolher locações para a minissérie _cujo texto e enredo ainda são mantidos em segredo. A produção já tem orçamento aprovado, alguns atores em negociação e dois estúdios reservados. Os cenários já estão em início de construção.

A minissérie será apresentada ao mercado publicitário no final de outubro, quando devem ser exibidas algumas cenas.

Será a primeira minissérie do SBT e a primeira fora da Globo, gravada em São Paulo. ‘Acho que [a minissérie] vai abrir um novo caminho para a dramaturgia no Brasil’, aposta Comparato.

A produção marcará o fim da reestruturação da emissora, que reduziu o número de funcionários à metade em quatro anos.’



REESTRUTURAÇÃO NO SBT
Daniel Castro

‘SBT demite mais cem em reestruturação’, copyright Folha de S. Paulo, 29/9/04

‘O SBT demitirá nos próximos dias cerca de cem profissionais, reduzindo sua folha a pouco mais de 1.300 funcionários _a metade do que tinha em 2000.

Segundo um alto executivo, o corte será a última turbulência do processo de reestruturação pelo qual passa a emissora. Em nome da reestruturação, o SBT extinguiu na semana passada o cargo de superintendente comercial e enxugou a estrutura do departamento. No primeiro semestre, foram demitidos antigos colaboradores de Silvio Santos que ganhavam salários considerados altos.

Comandada pelo mexicano Eugenio Lopes, a reestruturação irá durar mais 90 dias. Será marcada pelo fim da parceria com a Disney, por filmes e minisséries. O contrato do SBT com a Disney duraria mais dois anos, mas acabará em dezembro. O SBT optou por manter parcerias só com a Warner e Televisa, mais rentáveis.

O corte da semana que vem atingirá todas as áreas, inclusive produções, e consolidará o processo de transferência de atividades administrativas para outra empresa do Grupo Silvio Santos.

A reestruturação, diz o SBT, tem o objetivo de adequar a emissora ao seu real tamanho, torná– la lucrativa e valorizá– la no mercado. A rede teve prejuízo de R$ 33,6 milhões em 2003 e só nos últimos meses passou a registrar lucro operacional. Em contrapartida, promete voltar a investir em novas produções em 2005.’



FORA DO TOM
Esther Hamburguer

‘Tom Cavalcante estréia brega e sem graça’, copyright Folha de S. Paulo, 29/9/04

‘A estréia , anteontem, da nova atração da Record, ‘Show do Tom’ [Cavalcante], foi constrangedora.

O comediante, egresso da rede Globo, recebido em sua ‘nova casa’ com honras da maior grandeza, representa o que ele mesmo define como um ‘Jeca Star’.

É sintomático que o helicóptero que serve ao jornalismo local da emissora tenha ganhado ares de espaçonave encantada, cuja função é trazer o apresentador dos céus aos estúdios da emissora na capital paulistana.

A viagem é intercalada com imagens de astros de Hollywood pretensamente abençoando o compadre brasileiro. A rainha da TV, Hebe Camargo, estrela da emissora concorrente, uma das três mulheres mais antigas da TV mundial, nossa versão tupiniquim de Lucy, não podia faltar.

O programa é assumidamente brega, de propósito. Joga no que há de mais antigo e medíocre na TV: a celebração de uma auto– indulgência, o vestir a carapuça dos estigmas mais convencionais.

A ofensiva da Record é bem– vinda. A emissora, hoje sob o controle da Igreja Universal, se orgulha de seus 51 anos de história. Entre as imagens de arquivo que rechearam o programa de Tom, pudemos apreciar, mais uma vez, o hoje Ministro da Cultura, Gilberto Gil, cantando ‘Domingo no Parque’, no que talvez tenha sido o marco maior da programação da emissora.

Convém notar que os festivais da Record representaram, na época, o oposto do conformismo. A iniciativa dos anos 60 ofereceu um espaço genuíno de encontro com o público no auditório. Os festivais divulgaram músicos e repertórios de ponta. Nada mais distante do tom azulado, sem graça, frio e engessado de Tom Cavalcante e sua ajudante em trajes de gala.

A emissora – e o público– ganharia mais se, na sua salutar ofensiva por melhor posição, investisse em formatos e conteúdos que ousassem ser diferentes.

Esther Hamburger é antropóloga e professora da ECA– USP’

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