Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Folha de S. Paulo

04/01/2005 na edição 310

‘A Folha e o UOL (Universo Online) passaram a integrar uma mesma companhia, a ‘holding’ Folha-UOL S.A. Com a fusão das duas empresas, o grupo se torna na prática o segundo conglomerado de mídia do Brasil, com faturamento estimado em R$ 1,3 bilhão.

Controladora tanto do UOL como da Empresa Folha da Manhã, que publica a Folha, a família Frias manterá o controle da Folha-UOL. Sua participação no capital da nova empresa é de 79%. Os restantes 21% são detidos pela Portugal Telecom, empresa portuguesa que atua na exploração de telefonia celular no Brasil -em associação com a Telefónica da Espanha controla a Vivo.

A Portugal Telecom se torna, assim, a primeira companhia estrangeira a ter presença acionária em um grande jornal brasileiro, desde que a Constituição foi alterada, em 2002, para permitir que capitais estrangeiros pudessem ingressar, até o limite máximo de 30%, em empresas nacionais de comunicação. Antes da fusão, a empresa portuguesa já era sócia minoritária do UOL.

Com a consolidação agora realizada, a Folha-UOL continuará a compartilhar o controle do jornal ‘Valor Econômico’ com as Organizações Globo. Manterá o controle da Gráfica Plural, a maior empresa de impressão off-set do país, em sociedade com a norte-americana Quad Graphics.

O presidente da Folha-UOL, Luís Frias, afirmou que a consolidação visa à abertura de capital em futuro próximo. ‘Estamos trabalhando para apresentar a melhor oportunidade para o mercado: segunda empresa do setor em tamanho, líder no que faz, dívida zerada até o final de 2005 e companhia profissionalizada.’

Fundada em 1921, a Folha é o jornal de maior circulação no Brasil e um dos periódicos mais influentes do país.

Além do jornal ‘Agora São Paulo’, a empresa que publica a Folha mantém, entre outros ativos, o Folha Online (segundo noticiário mais visitado na internet brasileira), o instituto de pesquisas Datafolha, a Agência Folha e o Publifolha (editora de livros e vídeos).

Com mais de 1,3 milhão de assinantes e 7 milhões de visitantes únicos por mês, o UOL, criado em 1996, é o maior portal de internet da América Latina.’



TODA MÍDIA
Nelson de Sá

‘‘Twister’’, copyright Folha de S. Paulo, 4/01/05

‘No fim da tarde, um internauta de nome Rogério postou uma mensagem no blog de Ricardo Noblat:

– Passou um TORNADO aqui em Criciúma. Isso mesmo, um TORNADO. Igual ao do filme ‘Twister’.

Em seguida, comentou:

– O Catarina passou aqui e arrasou a cidade, o time do Criciúma caiu para a segundona, o prefeito foi cassado e agora um tornado. Alguém lá em cima não gosta da gente.

Uma hora depois, a Globo News entrou com as primeiras notícias e imagens, de ‘cinegrafistas amadores’. O tom da locução foi, curiosamente, ainda mais bombástico:

– Moradores de Criciúma viveram momentos de pânico… Momentos de terror. A passagem dos tornados destruiu casas. A força do vento derrubou árvores e postes. Foram registradas rajadas de até 100 quilômetros por hora.

Mais tarde, o Jornal Nacional tratou de acalmar a cobertura, num fraseado técnico:

– O fenômeno ocorre em áreas de instabilidade atmosférica, onde há muita umidade e calor. O vento que sopra em várias direções forma um cone, que desce das nuvens. O centro de meteorologia de Santa Catarina acredita que o tornado de Criciúma seja de força um, o menos destrutivo.

E um especialista:

– Os tornados não são tão raros como as pessoas pensam. Não temos é uma temporada de tornados, como acontece nos Estados Unidos, onde eles chegam a mil por ano.

De volta, portanto, ao Brasil abençoado ‘lá em cima’, sem tornado nem tsunami -como o Fantástico, no dia anterior, se esforçou em comprovar.

Furlan aposta

O ministro Luiz Furlan surgiu sorridente nos telejornais, ecoando da Bloomberg à Dow Jones, para anunciar a ‘surpresa’ do superávit ‘histórico’ -que deixou para trás as projeções do Banco Central.

O mesmo Furlan tratou de sublinhar que a desvalorização do dólar e a queda nos preços das commodities devem levar à desaceleração nas exportações. Ainda assim, apostou alto, de novo, e fez a previsão de US$ 108 bilhões para 2005.

Rousseff arrisca

Já a ministra Dilma Rousseff surgiu nos mesmos telejornais em tom exasperado, garantindo que ‘não há risco’ de novo blecaute, como no Rio.

Diferenças

O ministro Antônio Palocci abriu o ano com entrevista ao ‘Valor’, apoiando independência do Banco Central, privatizações -e, de novo, sublinhando diferenças com FHC.

Coisas como ‘câmbio fixo, que foi usado pelo governo anterior’ e recusado por Lula, e o ajuste maior. Ah, e ‘a atenção da política econômica aos mais pobres é bastante diferente’.

Em resposta

Frei Betto, no site Adital, respondeu aos que criticam o Fome Zero com base na pesquisa do IBGE sobre obesidade. ‘Os dados excluem as crianças e os jovens’ e não ‘significam que gordura é sinônimo de barriga cheia, pelo contrário’.

MAIS QUE PAULISTA

O governador Geraldo Alckmin foi ao estádio, o Santos foi campeão brasileiro -e a Globo destacou o tucano presidenciável, tratado com simpatia por Galvão Bueno. (Foi dias depois de Robinho pagar o resgate e conseguir que os seqüestradores libertassem sua mãe.)

Era só o começo, para Alckmin. Ontem, no dia em que o Datafolha apontou queda na avaliação de seu governo, o tucano surgiu num novo comercial do PSDB para anunciar que governar São Paulo é se preparar para o Brasil. Ou melhor, no slogan lido pelo próprio:

– Trabalhando por São Paulo. Ajudando o Brasil.

E ainda faltam dois longos anos para a eleição.’



FSP CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Cartas de leitores’, copyright Folha de S. Paulo,

’30/12/04

Anúncio

‘Gostaria de deixar registrado o meu repúdio à publicação do anúncio da CVC que mostra jovens sorridentes, divertindo-se em uma praia e comemorando a chegada de 2005 -uma coincidência de mau gosto (Mundo, págs. A8 e A9, 29/12). O anúncio é até condizente com a chegada do Ano Novo. O meu espanto advém do fato de ele ter sido publicado nas páginas que relatam a tragédia ocorrida na Ásia, ao lado de foto que mostra dezenas de corpos de tailandeses espalhados no chão. Sou leitora e admiradora da Folha há anos, mas tratar a tragédia de forma tão efêmera foi falta de sensibilidade e de bom senso do jornal.’ Claudia Pugliesi, jornalista (São Paulo, SP)

Nota da Redação – A publicação do anúncio nas páginas que tratavam do maremoto na Ásia foi um infeliz acaso. A área editorial e a comercial do jornal são totalmente independentes’

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