Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Folha de S. Paulo

16/07/2005 na edição 337


‘O ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, fará uma palestra às 9h da próxima segunda-feira na Faculdade de Comunicação da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Ele participará do seminário ‘A Cobertura do Espetáculo Político’, que enfoca o acompanhamento do noticiário sobre a crise atual. O evento foi organizado pelos alunos da disciplina Comunicação e Política, ministrada pelo professor e jornalista Fernando Conceição, e seu objetivo inicial é discutir ‘O papel da mídia no discurso político’. O seminário prosseguirá no dia 19 com a discussão do tema ‘A construção da imagem na política’. Nesse dia está prevista a palestra de Fernando Barros, presidente da agência Propeg. No seminário serão exibidos trechos de entrevistas de políticos e videoclipes de campanhas eleitorais. Todos os debates serão mediados por Fernando Conceição.’


 


CASO VALERIE PLAME


David Johnston e Richard W. Stevenson


‘Colunista identificou agente para Rove’, copyright O Estado de S. Paulo, 16/7/05


‘Karl Rove, o principal assessor político do presidente George W. Bush, conversou com o colunista Robert Novak quando este preparava, em julho de 2003, o artigo que identificou uma agente secreta da CIA. A afirmação foi feita anteontem por uma fonte que recebeu um informe oficial sobre o assunto.


Rove disse a investigadores que soube pelo colunista a identidade da agente, mencionada com o nome de solteira, Valerie Plame, e as circunstâncias em que seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, viajou para a África a fim de investigar possíveis vendas de urânio ao Iraque, afirmou a fonte.


Depois de escutar o relato de Novak, Rove disse a ele: ‘Também ouvi isso.’ A conversa telefônica previamente não revelada, que aconteceu em 8 de julho de 2003, foi iniciada por Novak, afirmou a fonte. Seis dias depois, Novak noticiou em sua coluna que dois funcionários de alto escalão lhe haviam dito que ‘a mulher (de Wilson) havia sugerido enviá-lo’ para a África. No artigo, Plame foi identificada publicamente como agente da CIA pela primeira vez. A revelação provocou indignação e pedidos de uma investigação sobre quem revelara o nome da agente a Novak.


O Departamento de Justiça nomeou Patrick Fitzgerald, promotor federal de Chicago, para chefiar o inquérito. Rove disse numa entrevista em 2004 que não sabia o nome da agente da CIA e não o ‘vazou’.


A pessoa que revelou as informações sobre a conversa de Rove com Novak não quis ser identificada, citando pedidos de Fitzgerald de que ninguém discuta o caso. A fonte acredita que Rove disse a verdade ao negar ter revelado a identidade de Valerie Plame.


Em 1.º de outubro de 2003, Novak afirmou em outra coluna que telefonara para dois funcionários do governo. Ele escreveu que o primeiro, desconhecido, não era nenhum ‘atirador partidário’ e forneceu os contornos da história. O outro, que Novak disse ter contatado para confirmar a história, respondeu, segundo o colunista: ‘Ah, você sabe sobre isso.’ Esta segunda fonte era Rove, contou a fonte.


Indagado pelos investigadores sobre como sabia o suficiente para deixar Novak com a impressão de que sua informação era correta, Rove afirmou ter ouvido pedaços da história de outros jornalistas, mas sem que fosse mencionado o nome de Plame. O advogado de Rove, Robert Luskin, afirmou anteontem: ‘Toda informação pertinente foi passada ao promotor.’ Segundo Luskin havia dito antes, promotores avisaram Rove que ele não é um alvo no caso, o que significa que o conselheiro provavelmente não será acusado de nenhum crime. Numa breve conversa na quinta-feira, Novak não quis discutir o assunto.’


 


HASTA LA VISTA, BABY


O Estado de S. Paulo


‘Pressionado, Schwarzenegger sai de revistas’, copyright O Estado de S. Paulo, 16/7/05


‘O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, disse ontem que encerrará seu trabalho como consultor de revistas de fisicultura e boa forma, abrindo mão de US$ 8,5 milhões. Schwarzenegger era acusado de conflito de interesses. Ele vetou em 2004 um projeto para limitar o uso de suplementos vitamínicos, e as duas revistas para as quais trabalhava dependem amplamente de anúncios desses produtos.’


 


HISTÓRIA EM GUERRA


Luiz Fernando Vianna


‘Revista sobre história provoca pendenga’, copyright Folha de S. Paulo, 16/7/05


‘Quem olha nas bancas pode se confundir: a ‘Revista de História’, lançada nesta semana, é extremamente parecida com a ‘Nossa História’, que está no 21º número. A semelhança é o novo capítulo de uma trama complexa e com aspectos judiciais.


Em novembro de 2003, foi lançada a ‘Nossa História’, de propriedade da editora Vera Cruz, mas que trazia na capa a frase ‘Uma publicação editada pela Biblioteca Nacional’. Sucesso notável, vendendo hoje 80 mil exemplares, sempre foi uma das realizações mais exaltadas pela atual gestão da Biblioteca.


Segundo a instituição federal, um Conselho de Pesquisa não-remunerado e formado por historiadores como Evaldo Cabral de Mello e José Murilo de Carvalho foi o responsável pelo projeto gráfico (assinado pelo artista Victor Burton) e editorial da revista.


‘Na ‘Nossa História’, tudo o que o dinheiro podia pagar era da editora Vera Cruz e tudo o que o dinheiro não compra era da Biblioteca Nacional’, afirmou, por e-mail, a assessoria da Biblioteca.


Em junho de 2004, o Ministério Público Federal requisitou o contrato entre a instituição e a Vera Cruz. Em julho, o presidente da Biblioteca Nacional, Pedro Corrêa do Lago, respondeu que não havia contrato e que a relação era entre duas ‘pessoas jurídicas de direito privado’: a Vera Cruz e a Fundação Miguel de Cervantes de Apoio à Pesquisa e à Leitura da Biblioteca Nacional -entidade privada e sem fins lucrativos que contrata funcionários terceirizados e capta recursos.


Dizendo ter ficado insatisfeito com os esclarecimentos dados e acreditando que a falta de um contrato e uma licitação feriam a lei, o procurador entrou em 13 de maio deste ano com uma ação de improbidade administrativa contra Corrêa do Lago, pedindo seu afastamento e o pagamento de multa. Também são rés a Vera Cruz e a Miguel de Cervantes.


‘[Os réus] confiam que a ação será julgada favoravelmente e que os fatos alegados serão devidamente esclarecidos, porque inverídicos’, disse a Biblioteca.


Segundo a ação, a Vera Cruz teria sido favorecida no acesso ao acervo da Biblioteca e lucrado com a venda de revistas.


‘Caso fique provado que tivemos acesso diferenciado ao acervo, estamos dispostos a arcar com o valor que seja estabelecido como restituição’, afirmou o diretor-responsável da ‘Nossa História’, Adalmir Sampaio Gomes.


A Vera Cruz foi criada em 2003 especialmente para publicar a revista. Na edição de fevereiro deste ano, a capa trazia a inscrição ‘Editada com o Conselho de Pesquisa da Biblioteca Nacional’. A Biblioteca deixou de constar em maio.


Também em maio, após a ação do Ministério Público, Corrêa do Lago anunciou que faria a ‘Revista de História’. Segundo sua assessoria, o rompimento se deu porque o conselho de historiadores não teve acesso ao conteúdo da revista por três meses e discordou do aumento de preço e da saída do editor Luciano Figueiredo.


Ao constatar que o projeto gráfico da nova revista era muito semelhante ao da ‘Nossa História’ e assinado pelo mesmo artista, a Vera Cruz decidiu notificar Corrêa do Lago, Burton e Figueiredo -agora editor da ‘Revista de História’-, pedindo a mudança do projeto e o recolhimento de exemplares. ‘Para nós, é um plágio. Se nada for feito, entraremos com uma ação na Justiça’, diz Adalmir Gomes.


‘É a revista ‘Nossa História’ que se assemelha à ‘Revista de História’, uma vez que o projeto original pertence à Biblioteca. Em função disso, a Vera Cruz deverá modificar o projeto da ‘Nossa História’, tendo em vista que o atual não lhe pertence, ou acertar com a Biblioteca seu uso eventual’, afirma a assessoria da Biblioteca.’


 


GARCIA MARQUEZ CENSURADO


Mônica Bergamo


‘O ‘p’ da discórdia’, copyright Folha de S. Paulo, 16/7/05


‘Pelo menos quatro livrarias brasileiras e uma grande rede de supermercados já vetaram em suas prateleiras o livro ‘Memórias de Minhas Putas Tristes’, de Gabriel Garcia Marquez. Outras dez lojas censuraram material de divulgação do livro, que não é pornográfico.’


 

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