Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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ENTRE ASPAS > O GRANDE PERDEDOR

Folha de S. Paulo

16/07/2005 na edição 337


‘O SBT conseguiu na tarde de ontem autorização da Justiça para voltar a exibir o ‘reality show’ ‘O Grande Perdedor’, competição entre obesos para ver quem emagrece mais.


Acusada de plagiar um projeto de um ator, a emissora foi obrigada pela 6ª Vara Cível de Osasco a tirar o programa do ar. Se não acatasse a ordem, teria de pagar uma multa diária de R$ 500 mil. Os episódios de quarta e quinta-feira não foram ao ar. Ontem, o programa voltaria a ser veiculado.


A liminar foi obtida no Tribunal de Justiça de São Paulo, por decisão do desembargador Boris Kaufmann, da 2ª Câmara de Direito Privado.


O SBT afirma que comprou o formato do ‘reality’ de uma produtora norte-americana.’


 


SIN CITY


Jaime Biaggio


‘Sombras do vício e da maldade’, copyright O Globo, 16/7/05


‘No último Festival de Cannes, ‘Sin City — A cidade do pecado’, transposição para o cinema do universo da série homônima de livros ilustrados em quadrinhos de Frank Miller, assinada por Robert Rodriguez em parceria com o próprio Miller, levou um prêmio técnico especial pelo seu tratamento visual. Faz sentido. Nunca se viu antes um filme como esse que se verá hoje, em pré-estréias nos cinemas Odeon BR, Leblon 1, UCI 12, Cinemark Botafogo 5 e Cinemark Downtown 3, e a partir do dia 29 em circuito normal.


— Eu não queria fazer um filme a partir de ‘Sin City’. Queria fazer do filme uma graphic novel — dizia Robert Rodriguez em maio em Cannes, com Frank Miller sentado ao seu lado dando seu aval.


Fez. Rodado com câmeras digitais de alta definição (e, em Cannes, projetado digitalmente, com resultado verdadeiramente impressionante), com o elenco atuando em frente a telas verdes e os cenários adicionados na pós-produção, à la segunda trilogia ‘Star wars’, o filme é a mais exata transposição para a tela do ritmo e da plasticidade dos quadrinhos adultos que o cinema já mostrou. Pode até ser um pouco frio e ocasionalmente impenetrável. Mas de forma alguma passa em branco.


— Os quadrinhos de ‘Sin City’ são assim — diz Rodriguez. — É por isso que estão aí há tantos anos (o primeiro capítulo da primeira história foi publicado na revista ‘Dark Horse presents’ em abril de 1991, mesmo ano em que Rodriguez fazia sua estréia como cineasta, com o curta-metragem ‘Bedhead’) . Você compra e, quando vai olhar em casa, vê que já tinha três cópias. Eles se destacam tanto na loja que você acaba comprando de novo.


Catorze anos depois, as histórias já passam de dez. Três delas compõem este primeiro filme (é, primeiro; ‘Sin City 2’ já entrou em pré-produção). Tema daquela primeira história de 1991/92, Marv, o marginal ultraviolento que deseja se vingar do assassino de Goldie, a mulher que representou a única nesga de luz em sua vida, é o protagonista do primeiro terço do filme. Marv é Mickey Rourke, e nas palavras de Frank Miller, é como Boris Karloff fazendo a Criatura de Frankenstein: melhor que isso não fica. Não que ele pense assim desde sempre.


— Eu cheguei para ele e disse ‘Tenho uma ótima idéia para Marv, mas você não vai acreditar: Mickey Rourke!’ — disse Rodriguez em Cannes. — Ele se vira e fala ‘Aquele cara de ‘9 1/2 semanas de amor’?! Mas ele é tão magrinho!’.


Jessica Alba, o anjo que fez Frank Miller chorar


Não é mais. E a cara destroçada pela vida de Mickey Rourke (‘Marv é o velho Mickey!’, resumiu ele em Cannes) tornou-se um símbolo perfeito do universo de Sin City, a série e a cidade, uma projeção do lado mais deprimente e barra-pesada de todas as metrópoles do mundo, na qual os raros pontos de fuga ganham uma aura quase sobre-humana. Em especial quando são humanos.


— Quando chamamos Jessica Alba e explicamos o papel, ela achou que ‘ah, O.K., é uma stripper ‘ e saiu para fazer pesquisa em strip-clubs — conta Frank Miller. — Eu cheguei para ela e disse que não era bem isso. A idéia é que você entra naquele clube barra-pesada e espera ver uma vagabunda rebolando, e em vez disso aparece aquele anjo.


O anjo com o corpo que o diabo gosta é a protagonista feminina da terceira história — que dá seqüência ao rápido prólogo pré-Marv — cuja figura central é o policial Hartigan (Bruce Willis). A personagem, cujo nome é melhor não revelar, é a única que parece conseguir manter, senão o corpo, ao menos a mente intocada pela podridão ao redor.


— Ela tinha que ser muito forte e muito fraca ao mesmo tempo — descreve a atriz, que, a julgar pelas palavras de Miller, pegou exatamente o espírito da coisa.


— Quando nós filmamos, eu vi aquilo e chorei. Era meu sonho virando realidade — diz o autor, que deverá co-dirigir o segundo filme com Rodriguez e, ao que tudo indica, pegar a direção sozinho no terceiro.


O universo opressor que o filme revela é cria dele, de todo modo. O dedo de Rodriguez se sente mais nas pitadas de humor. A sordidez é de Miller; a picardia, de Rodriguez.


— Eu tenho uma visão trágica da natureza humana — diz Miller. — Não creio em utopias. Não acho que as criaturas tenham mudado tanto assim em dois mil anos. Acho que vivemos períodos breves de paz e voltamos a viver períodos de violência.


Não que se trate de um deprimido recluso. Miller foi visto em Cannes enchendo a cara ao som de funk carioca na festa do filme brasileiro ‘Cidade Baixa’. É só um cético. Não admira que sua referência principal de film noir — o estilo cinematográfico que todos associam instantaneamente às suas graphic novels — seja Samuel Fuller, artífice de um cinema curto e grosso.


— É isso. ‘O beijo amargo’, ‘Shock corridor’, ‘O anjo do mal’. Meus favoritos são os de Sam Fuller. São mais cruéis. O noir , às vezes, pode ficar muito polido.


O polimento, em ‘Sin City’, veio da parte de Rodriguez, inegavelmente o grande responsável pela concepção visual do filme (tanto que o prêmio em Cannes ele ganhou sozinho). Mas — e, nesse ponto, ao contrário da trilogia ‘Star wars’ — o processo não se traduziu em detalhismo estéril. Pelo contrário. Do ponto de vista do dia-a-dia da produção, só agilizou.


— Esse filme custou US$ 38 milhões — diz Benicio del Toro. — Tivesse sido feito em regime de estúdio, teria custado US$ 150 milhões, e ainda estaria sendo montado a essa altura.


— O dia de trabalho com Robert é longo, mas isso com os filhos dele correndo para lá e para cá pelo estúdio o dia todo — descreve Clive Owen (ele e del Toro são os protagonistas da parte do meio de ‘Sin City’). — É trabalho duro, mas com uma atmosfera tão positiva!


Rodriguez trabalha de forma verdadeiramente independente, em sua casa-estúdio em Austin, Texas. É lá que ele faz a pré e a pós-produção de todos os seus filmes (incluídas a montagem, sempre por conta dele, e a aplicação da música, que não raro também é). E, num caso como o de ‘Sin City’, já que os cenários só entrariam depois, o que o impediria de filmar lá também?


— Esse sistema de tela verde só dá certo se o diretor estiver muito preparado. Senão vira um caos — diz Benicio del Toro.


No caso de ‘Sin City’, a prova de que deu certo é a certeza de que se abriu uma franquia. E, ao que tudo indica, ela será conduzida ao estilo de Frank Miller, sem pegar leve na violência.


— Esse conceito de violência é muito amplo — diz Frank Miller. — É que nem sexo. Sexo pode ser Rita Hayworth e ‘Garganta profunda’. A mesma coisa com violência. ‘Taxi driver’ é violento, Kurosawa é violento… ‘Sin City’ é um filme tão abstrato, estilizado, com jeito de arte conceitual, que ninguém nos pediu para cortar nada. É Monty Python. É Tom & Jerry.


Amigos desde os tempos dos homens de preto


Se é Tom & Jerry, fica por conta dele, mas é Tarantino, para citar uma referência que pode ser fácil, óbvia, mas é exata. Porque, no miolo do filme, ali pelo território de Clive Owen e Benicio del Toro, há uma cena dirigida pelo próprio. O esdrúxulo crédito ‘Diretor convidado: Quentin Tarantino’, que surge na tela no início, se refere a isso.


— Quentin estava sempre por lá — entrega Brittany Murphy, outra das estrelas do miolo (e o elenco tem ainda Rosario Dawson, Josh Hartnett, Rutger Hauer, Elijah Wood, Michael Madsen, Carla Guggino…). — E era um barato ver a fascinação, a pureza quase infantil que aqueles três têm pelo cinema.


— Nós somos o mesmo cara. Estamos na mesma freqüência de onda — diz Rodriguez. — Tanto que os dois começamos com filmes sobre homens de preto (‘Cães de aluguel’, de Tarantino, e ‘El mariachi’, de Rodriguez, ambos de 1992).’


 


TRUMAN CAPOTE


David Carr


‘A história de Truman Capote chega às telas, duas vezes’, copyright O Globo, 16/7/05


‘New York Times. Se estivesse vivo, o jornalista e escritor Truman Capote ficaria feliz de saber que haverá não apenas um, mas dois filmes celebrando sua vida neste ano e no próximo. Focados em seu tema favorito — o próprio umbigo — ‘Capote’ e ‘Have you heard?’ baseiam seus roteiros no livro ‘A sangue-frio’, em que o jornalista narra o assassinato de quatro membros de uma família numa cidadezinha do Kansas e a condenação da dupla de criminosos.


Nos cinco anos que passou trabalhando no livro, Capote criou um vínculo afetivo com os assassinos, especialmente com Perry Smith, com quem tinha em comum a ânsia por fama e reconhecimento. Esse relacionamento, contudo, não o impediu de alimentar um interesse ainda maior na morte deles, sem a qual não haveria um desfecho para a sua mais importante obra literária.


Capote se valeu de algumas mentiras para contar uma verdade em ‘A sangue-frio’, publicado em 1965. Desse modo, ele se tornou objeto de estudo sobre como os jornalistas devem agir para conseguir uma história. Ele ganhou a confiança dos matadores para convencê-los a contar o que haviam feito e depois a traiu.


Em ‘Capote’, o comportamento impiedoso do jornalista é retratado pelo ator Philip Seymour Hoffman (que contracenou com Tom Cruise em ‘Magnólia’). O diretor do filme, Bennett Miller, defende a importância do personagem:


— Capote é uma dessas pessoas que representam algo maior que si próprias. A sua ambição, o seu sucesso e a derrocada que se seguiu são extremamente atuais.


Aparentemente, são atuais o bastante para atrair o interesse concomitante de dois cineastas. Ao passo que ‘Capote’, a ser lançado pela Sony Pictures Classics, fundamenta-se na biografia homônima de Gerald Clarke, ‘Have you heard?’, da Warner Independent Pictures, utiliza entrevistas feitas pelo escritor George Plimpton. As diferenças, entretanto, terminam aí. Ambos os filmes exploram a motivação e os métodos de trabalho de Capote durante a confecção de ‘A sangue-frio’.


Sandra Bullock e Gwyneth Paltrow encabeçam elenco


Embora ainda não concluído, ‘Capote’ tem lançamento marcado para o dia 30 de setembro (data do aniversário de Truman Capote). Já ‘Have you heard?’, cujo elenco é encabeçado por Sandra Bullock, Gwyneth Paltrow, Sigourney Weaver e Toby Jones, como Capote, só deverá chegar às telas no segundo semestre de 2006. Resta saber se haverá público para dois filmes que tratam do mesmo assunto.


Ambos começam com Capote, um romancista gay, chegando a uma cidade rural do Kansas para apurar a história de um crime e prosseguem mostrando como ele seduz os responsáveis pelo ato, extraindo assim os seus relatos.


Por ser um romancista interessado em fatos reais, ele transformou o material jornalístico em algo mais literário e substancial. Com seu estilo, criou um novo gênero, o ‘jornalismo literário’, ancorado na intimidade. Nele, o autor e seus leitores descobrem o que o personagem pensa, sente e teme. Mas a intimidade freqüentemente requer uma forma específica de ludíbrio: o jornalista senta-se atenciosamente diante do personagem, mostrando-se complacente, determinado a ajudá-lo a contar sua história. Mas nunca é sua história que acaba sendo contada, e sim aquela que o escritor deseja contar.


No filme ‘Capote’, Perry Smith ouve dizer que Capote anunciara em Nova York o lançamento de um livro intitulado ‘A sangue-frio’. O autor lhe diz que se trata de um equívoco e que jamais daria tal nome ao seu livro.


— Para conseguir contar uma história como essa, é preciso astúcia, raciocínio rápido e a capacidade de manipular os desejos e os sonhos de outras pessoas. Foi isso o que fez Capote e que o tornou tão interessante quanto seu livro — diz o diretor de ‘Have you heard?’, Douglas McGrath, que já trabalhou com Gwyneth Paltrow em ‘Emma’.’


 


KARL MARX


Folha de S. Paulo


‘BBC elege Marx mais importante pensador’, copyright Folha de S. Paulo, 16/7/05


‘Karl Marx [1818-1883] foi eleito pelos ouvintes da Rádio 4, da emissora britânica BBC, ‘o filósofo mais importante da história’. O autor de ‘O Capital’ recebeu 28% dos 30 mil votos, ficando muito à frente do segundo lugar, o escocês David Hume, representante do empirismo. A feminista americana Camille Paglia se queixou de que na lista da BBC aparecem só filósofos homens e propõe uma formada só por pensadoras, que inclui Simone de Beauvoir e Hannah Arendt.’


 


SILVIO BERLUSCONI


Folha de S. Paulo


‘Livro reúne insultos a Berlusconi’, copyright Folha de S. Paulo, 16/7/05


‘‘Falem mal, mas falem de mim.’ A estratégia parece ter sido adotada na política italiana. Lançado no dia 12, o livro ‘Berlusconi, Odeio Você’ dedica 304 páginas às críticas e aos insultos recebidos pelo premiê italiano, Silvio Berlusconi, desde que ele assumiu o poder, em maio de 2001. Curiosamente, a coletânea é editada pela Mondadori -editora de sua família.


Segundo reportagem do jornal francês ‘Le Monde’ sobre o livro, alguns dos apelidos dados ao premiê são: ‘charlatão’, ‘vendedor de bugiganga’, ‘analfabeto da democracia’, ‘Rambo da periferia’, além de insultos menos originais como ‘irresponsável’, ‘palhaço’, ‘incapaz’ e ‘louco’. A coletânea dá início à campanha para as eleições legislativas de 2006.


Feito a pedido do próprio Berlusconi, o livro apresenta ‘as ofensas da esquerda ao premiê publicadas pela agência Ansa’. O prefácio, escrito pelo jornalista e senador do partido do governo, Força Itália, Paolo Guzzanti, critica a ‘cultura de ódio’ que domina a esquerda.


Entre os autores das críticas aparecem nomes como o do escritor Umberto Eco, o do Prêmio Nobel de Literatura de 1997, Dario Fo, e o do diretor de cinema e ator Nanni Moretti.


Os adjetivos usados com mais freqüência para designar o chefe de governo são: ‘vulgar’, ‘grosseiro’ e ‘ditatorial’.


As citações também são curiosas: ‘Berlusconi já está cozido, não falta nada além das batatas’, disse o líder da oposição de centro-esquerda, Francesco Rutelli, em março de 2005. ‘Berlusconi é um desastre e ponto final’, concluiu Massimo D’Alema, ex-premiê italiano, em julho de 2004.


Os insultos são organizados pelo nome do ‘insultador’, em ordem alfabética. O livro foi criticado por não citar o contexto de cada ofensa e por não incluir as feitas em rádio e TV, que costumam ser mais escandalosas. Outra reclamação feita pela imprensa é que os insultos proferidos por Berlusconi contra seus inimigos não foram citados.’


 

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