Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 5 E 6/4

Folha de S. Paulo

08/04/2008 na edição 480

RADIOBRÁS
Carlos Eduardo Lins e Silva

Bucci narra conflitos na Radiobrás

‘Eugênio Bucci classifica-se como ‘um liberal convicto’. Em alguns setores do Partido dos Trabalhadores, esse adjetivo chega a ser grave acusação política. É natural que ele tenha enfrentado problemas ao participar de um governo liderado pelo PT por quatro anos.

O relato de sua experiência como presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007 está no livro ‘Em Brasília, 19 Horas’. O autor acha que tinha o dever desse relato porque se trata de uma história pública, transcorrida em repartições públicas e que, portanto, pertence ao público.

Ele escreve na primeira pessoa do singular tanto gramatical quanto emocionalmente. ‘Usar o ‘nós’ para encobrir o ‘eu’ seria apenas um protocolo demagógico e desinformativo, mais que majestático.’

Anuncia na apresentação que não vai falar bem de si mesmo. De fato, chega até a falar mal de si mesmo. Por exemplo, quando admite ter enveredado ‘voluntariamente pela ambigüidade’ quando assumiu -sem precisar- a responsabilidade de fazer o ‘Café com o Presidente’.

A Radiobrás estar à frente desse programa ia contra um dos princípios básicos que Bucci tentou implantar na empresa: o de que à estatal cabia a tarefa apenas de divulgar informações; relações públicas (porta-voz, assessoria de imprensa, propaganda) era função de órgãos do governo, como a Secom.

Por mais que tenha tentado fazer do ‘Café com o Presidente’ uma emissão de radiojornalismo, Bucci não consegue deixar de admitir mesmo relutantemente que, no fundo, ainda que não ‘rigorosamente’, é publicidade.

Dilemas morais

Essa honestidade intelectual é uma das maiores qualidades de ‘Em Brasília, 19 Horas’.

Bucci expõe sem muitas reservas as contradições e dilemas políticos, éticos, morais que viveu nesses quatro anos. Ele e sua equipe conseguiram muito e receberam o reconhecimento da opinião pública pelo o que fizeram. Bucci tinha consciência de que iria tentar ‘o impossível: dar a uma empresa pública de comunicação uma direção apartidária, impessoal, para servir à sociedade, atendendo o direito à informação’. Não alcançou o impossível; mas mostra ter feito o possível.

Lutou contra a mentalidade de que as emissoras estatais devem ser instrumento do governo e, por isso, ocultar notícias que não lhe interessem ou deturpar os fatos à sua conveniência.

Aos que o acusavam de veicular más notícias (greve da Polícia Federal, aumento do preço de gasolina) e ao mesmo tempo argumentavam que a ‘Voz do Brasil’ precisava se manter obrigatória porque era a única maneira de os habitantes do extremo do país saberem do que ocorria, respondia: como sonegar ao barqueiro da Amazônia a informação de que iria pagar mais pela gasolina e ao munícipe da cidade de fronteira que a PF não iria trabalhar?

Adversários poderosos

Bucci enfrentou adversários poderosos e os nomeia: José Dirceu, Bernardo Kucinski, Ricardo Berzoini. O fato de ter sobrevivido até o fim do mandato pode ser explicado por várias razões: da sua própria habilidade política (da qual a decisão de fazer o ‘Café com o Presidente’ faz parte) ao apoio que teve da sociedade.

Em quatro anos, não inchou os quadros do funcionalismo público nem o orçamento da sua empresa; aumentou a produtividade e deu aos produtos da Radiobrás mais credibilidade jornalística do que ela provavelmente jamais havia desfrutado antes; manteve -e talvez até tenha ampliado- o respeito que gozava entre os seus colegas de profissão.

Não é pouco. Mas -como é fácil constatar- não é o impossível.

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA é livre-docente e doutor em comunicação pela Universidade de São Paulo e apresentador do programa ‘Roda Vida’ (TV Cultura).

EM BRASÍLIA, 19 HORAS

Autor: Eugênio Bucci

Editora: Record

Quanto: R$ 40 (294 págs.)

Avaliação: bom

Lançamento: o autor lança o livro na quinta (10/4), a partir das 19h30, no Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141, tel. 0/xx/11/ 5080-3000)’

 

DOSSIÊ
Folha de S. Paulo

Dilma fala

‘DEPOIS DE UMA SEMANA de desencontros e desgastes, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, veio a público para apresentar pessoalmente sua visão a respeito do emaranhado caso do dossiê contendo dados sobre despesas do governo FHC.

A necessidade de um pronunciamento oficial sobre o tema fazia-se sentir com especial urgência depois de esta Folha ter publicado, em fac-símile, um trecho das planilhas do dossiê.

Na entrevista, Dilma Rousseff afirmou que o trecho reproduzido pela Folha era diferente daquele entregue pelo jornal à sua assessoria, na véspera da publicação da reportagem. Com isso, deixava implícita uma suspeita de manipulação nas informações apresentadas pela Folha.

Os documentos, entretanto, são idênticos. A única alteração realizada foi rasurar os dados do arquivo que permitissem identificação da fonte da informação. O que mais uma vez se verifica, nessa insinuação, é a incapacidade do atual governo de lidar com seus desacertos -e sua propensão a ver na imprensa não um fundamento da democracia, mas uma fonte de perturbação a ser intimidada e combatida.

Apesar do seu tom rebarbativo e peremptório, as declarações da ministra na verdade revelavam, ao mesmo tempo, uma considerável inflexão de rumos, face à argumentação que o governo vinha adotando até então.

Não mais se insiste, por exemplo, na tese de que a Casa Civil atendia a um pedido do Tribunal de Contas da União quando levantou os dados sobre os gastos do governo anterior. O próprio termo ‘dossiê’, antes rejeitado, viu sua utilização tornar-se ‘uma questão de conceito’ para a ministra, repetindo nesse ponto as elaborações teóricas de seu colega da Justiça, Tarso Genro.

Por fim, Dilma Rousseff declara não ‘rejeitar nenhuma hipótese’ a respeito do vazamento de dados. Nem mesmo a de que a iniciativa tenha partido de algum funcionário da Casa Civil. Trata-se, afinal, de investigar, e, se há suspeita de crime, é o caso de convocar a Polícia Federal, como qualquer pessoa sensata teria feito desde o primeiro momento em que o caso veio à tona.

Ocorre que a atitude automática do petismo é considerar ato de conspiração e lesa-pátria qualquer notícia que o prejudique. A ministra declarou-se estarrecida com o noticiário sobre o caso. Repetiu, ainda uma vez, que está em curso um processo de ‘escandalização do nada’. Ao mesmo tempo, qualifica como ‘crime’ o vazamento do dossiê.

O assunto, de fato, é tão intrincado que permite uma e outra qualificação. A ministra afirma, com razão, que não há escândalo no fato de as compras para a despensa do Alvorada refletirem padrões exigentes de consumo.

Que determinadas compras possam servir para exploração política, não é entretanto segredo para ninguém. Que o governo tivesse interesse em municiar-se contra iniciativas desse gênero, na CPI dos cartões, tampouco é algo que fuja aos procedimentos do jogo político real. Na elaboração e no vazamento desse dossiê é que residem os enigmas e escândalos possíveis.

É isso o que cumpre apurar, sem preconcepções e partidarismos de qualquer espécie. No que depende desta Folha, tal requisito compõe fundamento e razão de sua existência. Não é certo que se possa dizer o mesmo da ministra Dilma Rousseff.’

 

Melchiades Filho

Muitas interrogações

‘BRASÍLIA – Por que a Casa Civil só foi remexer no arquivo morto dos gastos secretos de FHC em fevereiro, quando o Congresso discutia a instalação de uma CPI para apurar despesas da Presidência de Lula?

Qual foi o objetivo das reuniões entre arquivistas e assessores de Dilma Rousseff entre 8 e 18 de fevereiro? A que levantamento a ministra da Casa Civil se referia quando contou a empresários, no dia 20 do mesmo mês, que já tinha munição para que o governo ‘não apanhasse sozinho’? Por que sua secretária-executiva, Erenice Guerra, não vem a público e nega que tenha ordenado a encomenda do dossiê?

Por que o Planalto não protestou quando detalhes do conteúdo do dossiê foram noticiados, em conta-gotas, nos dias anteriores à criação da CPI, quando interessava ao governo intimidar a oposição? Por que agiu apenas após a revelação de que a Casa Civil formatou esse arquivo exclusivo sobre os tucanos?

Que funcionários têm acesso a ele?

Já que a divulgação de gastos sigilosos é crime, por que a Polícia Federal ainda não entrou no caso? Por que ela não poderia investigar a confecção do dossiê também?

São perguntas simples. As respostas poderiam ajudar a Casa Civil a se defender. O governo, porém, nega-se diariamente a fornecê-las.

Empenhado em poupar a ‘mãe do PAC’, o Planalto até ontem usou intermediários para lançar versões que variam em tudo, menos na inconsistência. A entrada em cena da própria Dilma, que poderia marcar uma inflexão, não fez diferença. A ministra conseguiu a façanha de negar tudo e não descartar nada.

De novidade, tornou oficial a caça de araque ao ‘espião’ ou ‘invasor’ que, ao vazar trechos do dossiê, tornou pública a trincheira de contra-informação montada no palácio. A estratégia de comunicação de Lula atolou-se de vez no jogo político. Abandonou o ‘ele não sabia’ e agora oscila entre tergiversações e o ‘nada a declarar’ da ditadura.’

 

Material da Folha é igual ao visto por Dilma

‘Durante a entrevista que concedeu sobre o dossiê da Casa Civil, a ministra Dilma Rousseff afirmou que o fac-símile publicado pela Folha ontem e a cópia entregue à assessoria do Planalto na quinta-feira eram diferentes. O documento é exatamente o mesmo.

‘Eu acho que hoje, com a publicação desse material na Folha, rui por terra a versão de que a Casa Civil fez um dossiê para chantagear ou para incriminar. Primeiro, porque ao expor a folha de rosto de um computador da Casa Civil, foi entregue para nós, ontem à noite, este fac-símile. Como vocês podem ver, esse fac-símile tem a parte relativa ao horário rasurado. O interessante é que esse mesmo fac-símile, ao ser publicado, não estava rasurado. A parte relativa ao horário estava apagada, deletada’, disse ela.

Na quinta-feira, véspera da publicação da reportagem sobre como o dossiê foi gerado nos computadores do Palácio do Planalto, a Folha entregou à assessoria da Casa Civil fac-símiles da tela principal do arquivo em Excel, da tela de propriedades do arquivo e uma cópia das planilhas com gastos do governo passado em 2000.

Eram exatamente os três documentos que o jornal publicaria no dia seguinte.

Rasura

Da tela com as propriedades do arquivo constam dados como ‘autor’ (PR, de Presidência da República), ‘salvo por’ (Casa Civil), dias e horários em que o documento foi criado, salvo e impresso pela última vez. Para não revelar informações que levassem à identificação da fonte, a Folha rasurou os horários em que o arquivo foi salvo e impresso pela última vez.

A cópia com a rasura, feita à tinta, foi entregue à assessoria da Casa Civil. O mesmo documento foi publicado pela Folha no dia seguinte, mas a rasura foi substituída pela eliminação digital dos horários. Ao final da entrevista, Dilma disse que ‘ficamos muito intrigados pelo fato de ter essas duas versões, essa que nos foi entregue e essa que está no jornal’. Não há nenhuma diferença entre o documento entregue à Casa Civil e o que foi publicado: em ambos o horário foi omitido.

Dilma disse também que o jornal mudou a planilha de gastos que publicou para ilustrar a reportagem. Na foto, porém, está reproduzida fielmente a imagem da tela extraída de computador da Casa Civil.’

 

Sérgio Torres

‘Dossiê é conceito, não fato determinado’, afirma Tarso

‘O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que, caso haja pedido formal de alguma autoridade, determinará à PF (Polícia Federal) que investigue a responsabilidade pelo vazamento do dossiê com informações sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, Ruth, a partir de 1998.

Em visita à ABI (Associação Brasileira de Imprensa), no Rio, Genro falou que o pedido poderá partir da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem chamou de ‘investigante’, do Ministério Público Federal ou da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura os gastos de autoridades do governo Luiz Inácio Lula da Silva com cartões corporativos.

‘Se alguma autoridade, em algum momento, pedir para investigar e fundamentar esse pedido, obviamente a Polícia Federal vai investigar, seja a pedido do procurador, da ministra, que está fazendo a investigação, seja a pedido da própria CPI’, disse Tarso, após participar do lançamento da Caravana da Anistia, iniciativa para agilizar a análise dos pedidos de anistia formulados nos últimos anos ao governo federal.

Para o ministro, ainda não está determinada a real existência de um dossiê. ‘O que está sendo investigado na Casa Civil é vazamento de documento, que traduz informações que, segundo circulou, são reservadas a respeito de outras administrações. Isso é um fato determinado. Dossiê não é fato determinado. Dossiê é conceito. E a Polícia Federal e a sindicância não investigam conceito. Se é dossiê ou não, é um juízo político, o Ministério da Justiça não emite opinião’.

De acordo com Tarso, o único fato até agora existente é ‘um vazamento ilegal de documentos’, investigado pela Casa Civil, origem do dossiê. ‘A ministra é investigante. Para prestar qualquer informação [à CPI], ela tem que terminar a investigação. Ela está fazendo a investigação de um documento que vazou de seu ministério. Então, é necessário que se termine essa investigação para que se veja até a necessidade de alguém dar um depoimento’.

O ministro negou que tenha feito juízo político sobre o comportamento do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que admitiu ter sabido do dossiê antes de sua divulgação pela imprensa. Ele voltou a defender que Dias diga o que sabe sobre o dossiê.

‘Quando mencionei que seria importante que ele dissesse de onde é que vem, não quero dizer que ele tem obrigação de dizer. Ele é parlamentar, ele diz se quiser. Agora, se quisermos colaborar com a cadeia de transmissão do documento para chegar na fonte, seria uma contribuição para a CPI e para o Estado brasileiro se o senador dissesse de onde é que veio. Ele não está obrigado a dizer. Ele está abrigado, inclusive, no seu mandato’.’

 

Clovis Rossi

Tudo sempre igual

‘ROMA – Ah, meu caro José Simão, o Brasil não é apenas o país da piada pronta. É também o país da coluna pronta. O que há mais para dizer depois do belo trabalho dos jornalistas Marta Salomon e Leonardo Souza? É auto-explicativo.

Mostra mais um grupo de homens-bomba instalados no coração do lulo-petismo preparando o que parece ser uma grande especialidade da casa, os dossiês. Não adianta vir agora com a história de que o vazamento foi obra de um ‘clandestino’, um suposto (ou real) tucano escondido no Palácio. O PT usou uma penca desse tipo de gente para obter dossiês quando estava na oposição. Não tinha, pois, o direito de ignorar.

Tinha, isto sim, a obrigação de saber que o jogo do poder ‘é cruel’, como me escreveu certa vez Ciro Gomes, então ministro da Integração Regional, a propósito do escândalo do mensalão. O texto dos dois bravos repórteres pega tanto o presidente da República como a sua principal ministra, Dilma Rousseff, no contrapé.

Ou mentiram sobre o ‘banco de dados’, que, na verdade, é dossiê (aliás, era arquievidente), ou não têm, nem um nem a outra, a menor idéia do que se passa nas salas ao lado das suas (ou acima ou abaixo, sabe-se lá).

Caem no ridículo também outros membros do governo que cobraram a revelação das fontes. Fingem ignorar que preservar a fonte é um direito dos jornalistas, como todo mundo sabe. E é também má-fé, porque trata de pôr no mesmo pé quem preparou a mensagem (um ‘crime’, no dizer de nota oficial da própria Casa Civil) e o mensageiro (quem a divulgou).

Enfim, não há, de fato, nenhuma novidade em mais essa história sórdida. Repito o que escrevi no dia 29: Lula acaricia sempre ‘mensaleiros’, ‘aloprados’ e até Severino Cavalcanti. É óbvio que, no Palácio, todos se sentem estimulados a novos ‘crimes’.’

 

FRASE POLÊMICA
Ruy Castro

Viúvos de Glauber

‘RIO DE JANEIRO – São Paulo, com mais a fazer, não tomou conhecimento de uma discussão que sacudiu setores do Rio na semana passada -talvez umas 18 pessoas- e que, em outros tempos, teria provocado um sismo no pensamento nacional: a declaração do humorista do ‘Casseta’ Marcelo Madureira de que Glauber Rocha era ‘uma merda’.

Estivéssemos em 1978, não 2008, e pode-se imaginar o arranca-rabo que essa frase teria provocado. Artistas começariam a se estapear pelos jornais; a USP promoveria um ciclo de debates; os ‘Cadernos do Cebrap’ tirariam edições extras; a CNBB seria chamada a arbitrar; haveria uma noite de vigília no Teatro Oficina; e o assunto logo renderia teses de doutorado na Unicamp.

E com razão. O que estaria em pauta não seria o conteúdo da afirmação, se Glauber seria ou não ‘uma merda’, mas o direito de Marcelo proferi-la. Afinal, pouco antes naquela época, o cineasta Cacá Diegues tinha detonado as patrulhas ideológicas, garantindo-nos o direito de pensar a contrapelo do ‘politicamente correto’.

Trinta anos depois, esse direito acaba de ser contestado. Ao ouvir a imprecação de Madureira, os viúvos de Glauber estrilaram. Levou-se ‘Deus e o Diabo’ à ABI em desagravo, a família do baiano ameaçou processar e, como argumento fatal, alguém sentenciou: ‘As pessoas não podem sair falando qualquer coisa. Daqui a pouco vão dizer que Niemeyer é uma merda’.

Ué, também não pode? Acontece que Glauber estava vivo em 1978, e muitos dos que hoje o defendem tinham acabado de romper com ele por sua surpreendente opinião de que o general Golbery, guru da ditadura, era um ‘gênio da raça’. Golbery não fazia jus à tão alto conceito, mas ninguém podia impedir o incorretíssimo Glauber de jogar frases como aquela no ventilador.’

 

DITADURA
Folha de S. Paulo

União indeniza jornalistas do ‘Pasquim’ em R$ 1 mi cada

‘A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou o pagamento de R$ 11,7 milhões em indenizações a 20 jornalistas que sofreram perseguições políticas durante o regime militar (1964-1985). Fundadores do semanário ‘O Pasquim’, em 1969, Ziraldo e Jaguar (Sérgio Jaguaribe) receberão os maiores valores. Jaguar receberá R$ 1.027.383,29 e Ziraldo, R$ 1.000.253,24. Terão direito ainda a vencimentos mensais até a morte de R$ 4.375,88.

Ziraldo, que estava na sessão, disse que não aceita críticas por ter buscado reparação pelas perseguições que sofreu dos governos militares, como três prisões, demissões e fechamentos de jornais e revistas que fundou ou em que trabalhou. Segundo ele, quem contesta seu direito à anistia e à indenização é ‘cagão’ e nunca ‘botou na seringa’. ‘Minha aposentadoria é de R$ 1.200. Essa indenização será a minha aposentadoria. Fiquei emocionadíssimo. O Brasil me deve essa indenização.’

Para receber a quantia, Ziraldo e os demais terão de responder à comissão, por escrito, se concordam com a indenização ou se devem recorrer do valor. Se concordarem, o pagamento será feito neste semestre.

Jaguar não esteve na sessão. Seu advogado lembrou que o cliente foi preso e demitido do jornal ‘Última Hora’, onde trabalhava, e que, quando dirigia ‘O Pasquim’, a sede da publicação sofreu atentados praticados pela extrema-direita a serviço de militares. Entre os jornalistas indenizados está Ricardo Moraes, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, hoje assessor do ministro da Fazenda, Guido Mantega.’

 

CENTENÁRIO
Marcelo Beraba

ABI chega aos 100 anos com dívida e busca revitalização

‘A Associação Brasileira de Imprensa, que na próxima segunda-feira completa cem anos de atividades, ainda não se recuperou totalmente do sufoco que vem passando desde os anos 90 com o excesso de dívidas e a falta de recursos, mas voltou a ter voz ativa nas discussões nacionais sobre liberdade de imprensa, como ocorreu recentemente durante os protestos contra uma série de ações movidas por fiéis da Igreja Universal contra três jornais e quatro jornalistas.

Segundo seu presidente, Maurício Azedo, responsável, desde 2003, pelo processo de revitalização da entidade, a defesa do direito à informação é a prioridade da instituição.

‘Apesar de nos encontrarmos sob o império de uma Constituição democrática, a liberdade de informação e opinião está submetida a um cerco como demonstram iniciativas com a da Igreja Universal contra a Folha, Elvira Lobato, o ‘Extra’ e ‘A Tarde’. Há também o cerco resultante de dois aspectos do Poder Judiciário. Primeiro, a acolhida que dá àquilo que tem sido chamado de indústria do dano moral. E também o hábito de juízes determinarem a instituição de censura prévia que a Constituição veda’, disse Azedo.

Dívidas

Internamente, o grande desafio é de gestão. A associação recorre na Justiça de uma dívida de R$ 3,2 milhões gerada com a perda do registro de entidade beneficente de assistência social e o descumprimento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária patronal. Em busca de uma solução para o problema, a ABI recorreu até ao presidente Lula.

A Associação de Imprensa, assim foi o seu primeiro nome, foi criada em 1908 por um grupo de jornalistas liderados pelo catarinense Gustavo de Lacerda (1854-1909) com o objetivo de ser uma entidade assistencialista. Sua história, porém, acabou marcada pelas intervenções cívicas que empreendeu em defesa da liberdade de imprensa e na proteção a jornais e jornalistas perseguidos por governos autoritários.

Três presidentes se destacaram na luta contra a censura, o empastelamento de jornais e as prisões de jornalistas: Herbert Moses (1884-1972) -durante o governo Vargas- e Prudente de Moraes, neto (1904-1977) e Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) -ao longo da ditadura militar (1964-1985) e da transição para a democracia.

Prudente de Moraes, neto abriu a ABI para o ato multirreligioso em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto em 25 de outubro de 1975 no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.

Quase um ano depois, um atentado terrorista explodiu uma bomba no sétimo andar da sede da associação, no centro do Rio. Outra bomba foi encontrada e desarmada no prédio, em 27 de agosto de 1980, no mesmo dia em que explodiram dois artefatos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e na Câmara Municipal do Rio.

Lutas externas

Barbosa Lima Sobrinho comprometeu a ABI com as lutas contra a Lei de Segurança Nacional, a favor de uma assembléia nacional constituinte, a favor da anistia ampla, geral e irrestrita (1979), na campanha das Diretas-Já (1983) pelo retorno de eleições diretas para presidente da República e, em 1992, liderou o processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.

A gestão de Barbosa Lima Sobrinho foi marcada por essa forte presença externa da ABI e por uma gestão administrativa cheia de problemas que levaram a entidade, nos anos seguintes, a praticamente só ter condições de cuidar das dívidas que acumulou, descuidando da administração e da relação com os associados. A ABI tem hoje um fichário desatualizado de 8.000 sócios, mas apenas pouco mais de mil estão em dia.

As comemorações do centenário começaram no dia 1º com um concerto com obras de Heitor Villa-Lobos no Palácio Itamaraty, no Rio (veja outras homenagens no quadro ao lado).’

 

***

‘Avançamos muito’, avalia presidente

‘Maurício Azedo tem 73 anos, 50 de jornalismo e está no segundo mandato de presidente da ABI. Ele chama a atenção para os riscos que a volta da censura prévia representa para as liberdades de informação e opinião.

FOLHA – Como avalia a evolução do jornalismo brasileiro ao longo desses cem anos?

MAURÍCIO AZEDO – A imprensa brasileira atingiu um nível muito importante porque suas técnicas de redação, reportagem e apresentação do noticiário estão sempre se modernizando. Tem havido progressos extraordinários na apresentação visual e gráfica das publicações. Paralelamente, também houve uma melhoria profunda no que concerne ao comportamento ético dos veículos e dos jornalistas em geral. A idéia antiga de picaretas e de publicações fazendo marreta desapareceu, embora ainda possam existir manifestações residuais. Houve também uma melhoria da visão que os meios de comunicação têm em relação à diversidade social e à pluralidade de opiniões vigentes na sociedade. Há isenção, imparcialidade e sobretudo respeito a essa pluralidade. Avançamos muito.

FOLHA – Qual o problema atual do jornalismo?

AZEDO – Um problema fundamental dos meios impressos é a pobreza do povo brasileiro. No Japão, há 463 leitores em cada grupo de mil pessoas adultas, enquanto no Brasil esse nível corresponderá no máximo a 15% do registrado no Japão, o que resulta da pobreza do povo brasileiro, que não tem dinheiro para comprar jornal.

FOLHA – Qual a prioridade da ABI neste momento?

AZEDO – A grande campanha que a gente tem de desenvolver e sustentar é a liberdade do direito à informação. O projeto da ABI neste início de século é travar uma batalha para que a liberdade de informação não enfrente os riscos e as restrições a que está submetida hoje em dia.

FOLHA – A ABI tem posição sobre a necessidade ou não de uma nova Lei de Imprensa?

AZEDO – Não temos uma opinião definida e acho difícil chegar a uma posição de certa ortodoxia porque a existência ou não de uma lei de imprensa divide jornalistas, empresários da comunicação e setores formadores de opinião. Mas nós consideramos que temos necessidade de definir uma lei de defesa da liberdade de informação que garanta aos meios e, através deles, ao conjunto da sociedade, a possibilidade de circulação de idéias sem restrições.’

 

IMPRENSA NA JUSTIÇA
Folha de S. Paulo

Processos de fiéis contra ‘O Globo’ repetem forma usada contra Folha

‘Quatro fiéis da Igreja Universal entraram com ações na Justiça, por danos morais, contra o jornal ‘O Globo’. Alegam se sentir ofendidos pela reportagem ‘Igreja Universal tenta intimidar jornalistas’, publicada em 14 de fevereiro, que relatava o caminho jurídico adotado pela Iurd contra a Folha e o jornal ‘Extra’, do Rio.

O texto informava que dezenas de fiéis e pastores da igreja entraram na Justiça contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato, autora da reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, publicada em 15 de dezembro de 2007, sobre o patrimônio da Iurd. Os pedidos de indenização, com muitos parágrafos idênticos, são apresentados em juizados especiais em vários Estados, dificultando a defesa.

Nas ações movidas contra o ‘O Globo’, distribuídas nos dias 3, 7 e 12 de março, os fiéis são representados pelo mesmo escritório de advocacia. Eles reivindicam indenização porque a reportagem teria ‘denegrido a imagem e a honra, discriminando a Igreja Universal’.

O diretor de Redação de ‘O Globo’, Rodolfo Fernandes, disse que ‘os processos contra o jornal seguem a mesma lógica dos que a Igreja Universal move contra a Folha e o ‘Extra’. ‘Não se dão ao trabalho nem de mudar os textos’, afirmou.

Procurado pela Folha, o advogado Ricardo Coutinho Guedes, que representa os quatro autores, não foi localizado.’

 

Juíza no Ceará extingue ação contra Folha

‘‘Como a Igreja Universal não tem legitimidade para propor ações nos Juizados Especiais, ela recrutou reclamantes (pessoas físicas) em todo o Brasil para se utilizarem dos benefícios da Lei 9099/95 [que criou os Juizados Especiais] e tentar colocar o Poder Judiciário a serviço da repressão à liberdade de escrever ou falar’.

Esse é o entendimento da juíza Helga Medved, do Juizado Especial Cível e Criminal da comarca de Iguatu, no Ceará, ao extinguir ação de indenização ajuizada por Francisco de Paula Sampaio Neto contra a Folha e a repórter Elvira Lobato.

Na introdução da sentença, a juíza cita Karl Marx. Segundo ela, ‘as várias ações propostas em todo o Brasil contra os réus demonstram uma tentativa de oprimir a liberdade de imprensa’.

Já foram ajuizadas 83 ações e julgadas 25, com decisões favoráveis ao jornal.

Em Recife (PE), o servente Ivanildo Julião da Silva pediu indenização à Folha e à Rede Globo de Televisão, sob a alegação de que sua religião foi chamada de seita. Segundo o pedido, ‘associá-la à palavra seita é uma forma de tentar marginalizá-la’.’

 

CÉLULAS-TRONCO
Silvana de Freitas

Julgamento de ação contra pesquisa pode ficar para maio

‘Um mês depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) iniciar o julgamento da ação contra as pesquisas com células-tronco de embriões humanos, mas interrompê-lo, a data da sua retomada permanece incerta. A expectativa é que só ocorra em maio.

Defensores do uso dos embriões nas pesquisas recomeçam hoje o seu lobby, com uma manifestação em volta do prédio do plenário do STF. Também estão previstas caminhada em São Paulo e distribuição de panfletos no Rio de Janeiro.

Até ontem, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, autor do pedido de vista que suspendeu o julgamento, não havia concluído o seu voto. Funcionários do gabinete dele disseram que ele não informaria quando isso ocorrerá. Formalmente o ministro teria de liberar o processo até segunda-feira, quando termina o prazo de 30 dias, previsto no regimento interno do STF, desde a chegada dos autos a seu gabinete.

Esse prazo nem sempre é seguido rigorosamente. Os ministros costumam dizer que o grande volume de trabalho muitas vezes impede o seu cumprimento.’

 

INTERNET
Folha de S. Paulo

Gates diz que espera lançar novo Windows em 2009

‘O co-fundador da Microsoft, Bill Gates, disse esperar lançar a nova versão do sistema operacional Windows -que está sendo desenvolvido com o nome Windows 7- ‘em algum momento do ano que vem’.

Inicialmente, a Microsoft planejava realizar o lançamento apenas três anos depois da introdução do Windows Vista, em janeiro de 2007. Mal recebido no mercado, porém, o Vista deverá ter um sucessor antes do previsto.

A Microsoft planeja também atualizar com mais regularidade o software de sistema, presente na maioria dos computadores pessoais do mundo.

De acordo com uma porta-voz da empresa citada pela Reuters, Gates pretende seguir a tendência de lançar uma versão dos softwares para teste antes de oficializar o lançamento para todo o mercado.

‘Estou muito animado com tudo o que o programa fará, de muitas maneiras’, disse Gates em um seminário sobre filantropia empresarial realizado durante a reunião do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em Miami.

‘Isso acontecerá em algum momento do ano que vem, teremos uma nova versão’, afirmou Gates.

Gates, que deixará suas funções cotidianas na Microsoft e passará a se dedicar aos esforços filantrópicos da Gates Foundation em junho, disse que a empresa planejava, por meio de seu orçamento de pesquisa e desenvolvimento de US$ 6 bilhões ao ano, levar os produtos operados por seu software ‘a outro patamar’.

Ele disse que novas versões do Windows ajudariam a revolucionar os celulares e as futuras mesas de trabalho, equipadas com uma superfície de toque e tela que permitiriam aos usuários maior praticidade para utilizar o sistema.

Filantropia

Gates participou ontem da assembléia anual do BID, que tem como questão central as turbulências nos mercados financeiros internacionais. Na abertura, porém, o tema filantropia acabou roubando a cena.

Na lista de celebridades que participaram da inauguração da assembléia, estavam nomes como Shakira e Ricky Martin.

Em sua fala, Gates ressaltou que o mundo empresarial tem papel importante na redução da pobreza. ‘As corporações devem trabalhar com grandes instituições para ajudar aos mais pobres’, disse.

Com a Reuters’

 

COMEMORAÇÃO
Folha de S. Paulo

Gráficas celebram vendas e bicentenário

‘Entre as muitas novidades trazidas pela família real portuguesa ao Brasil, em 1808, algumas das mais relevantes foram dois prelos e oito caixas de tipos. Não pelas máquinas em si, vindas de Lisboa na bagagem da corte, mas pelo que representavam. Até então, qualquer forma de divulgação de informações impressas era proibida no país.

A comemoração do bicentenário da comunicação impressa no Brasil, no entanto, vai além da mera efeméride. O ano de 2007 foi o melhor da história do setor. As empresas movimentaram R$ 17 bilhões, valor 4,5% superior ao faturamento de 2006.

O ano também foi de recorde de investimentos, com total de US$ 1,43 bilhão aplicado. O valor é 341% superior aos US$ 419 milhões investidos em 2006. Na última década, as 19,5 mil empresas que trabalham com impressão no país investiram, em média, US$ 700 milhões ao ano. Só no ano passado foram criadas quase 20 mil novas vagas. No total, o setor emprega 197 mil trabalhadores.

‘Faz 200 anos que ajudamos o Brasil a ser mais democrático’, afirma Mário César de Martins Camargo, presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica). ‘Qualquer produto impresso, desde a menor das embalagens até um clássico da literatura, reduz a ignorância do leitor.’

IDH

Segundo ele, o salto dos últimos anos aconteceu em função do aumento da renda e do emprego, da maior escolarização, do ingresso de mais pessoas na economia e da sofisticação dos produtos.

‘O setor anda a reboque do desenvolvimento da sociedade’, diz. ‘Quanto maior o consumo per capita de papel de um país, maior seu IDH [Índice de Desenvolvimento Humano].’

O consumo de papel por habitante no Brasil passou de 30 quilos por ano, em 1995, para 40 quilos, no ano passado. Apesar do salto, o número ainda é pequeno. Os Estados Unidos consumem 300 quilos por habitante por ano, enquanto a líder Finlândia beira os 340 quilos. Na América Latina, cada argentino consome 44 quilos ao ano e os chilenos, 64.

‘Ninguém compra livro antes do arroz e do feijão’, afirma Camargo. ‘À medida que aumenta o poder aquisitivo da população, o consumo de produtos impressos vai junto.’

Exatamente por isso, as perspectivas são de crescimento. ‘Com exceção da nota fiscal, que está em processo de decadência e deverá ser extinta num futuro não muito distante, as outras áreas estão todas em expansão’, diz Camargo. ‘Seja em rótulos, embalagens ou no segmento editorial, as vendas aumentaram em todas as áreas.’

Os investimentos em modernização do parque gráfico, feitos na última década, tiveram efeito agora, com o aumento da competitividade da indústria nacional. Se no fim dos anos 1990 os brasileiros importavam impressos do Chile e da Colômbia, agora o país exporta cadernos para os Estados Unidos e livros e embalagens para a América Latina.

A balança comercial do setor no ano passado, no entanto, foi deficitária em US$ 40 milhões, com variação negativa de 162% sobre 2006. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o país importou US$ 319 milhões em produtos impressos e exportou US$ 230 milhões.

O quadro tende a se agravar: só no primeiro bimestre de 2008, o déficit já soma US$ 20 milhões, o equivalente à metade do déficit de todo o ano passado. O aumento no volume importado em janeiro e fevereiro foi de 40% em relação ao mesmo período de 2007.

Entre 2004 e 2006 o cenário era inverso, com a balança do setor superavitária. Por volta de 2% da receita do setor vinha das exportações.

‘A inversão aconteceu por conta da valorização do real’, diz Camargo. ‘Quando começamos a intensificar as exportações, numa parceria com a Apex [Agência Brasileira de Promoção a Exportação], o dólar estava cotado a R$ 2,40. A R$ 1,70 é muito difícil competir no exterior.’

Bitributação

Outra dificuldade do setor diz respeito a impostos. Por ter características industriais, mas funcionar como prestadora de serviços, a indústria gráfica é alvo, na tributação, de disputa entre Estados, que querem cobrar ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e municípios, que buscam sua fatia por meio do ISS (Imposto sobre Serviços).

Constantemente bitributadas, as empresas conseguiram, em 2001, que um projeto de lei definindo a carga do setor fosse aprovado na Câmara dos Deputados. Porém, depois de algumas mudanças do Senado, o projeto voltou à Câmara e está parado.

‘Não queremos redução de carga’, afirma Camargo. ‘Mas, sim, definição tributária.’

Mesmo sem a aprovação do projeto, o setor trabalha com perspectivas de crescimento entre 4% e 5,5% para 2008. ‘A economia continua em expansão, bem como o aumento do emprego e da renda’, diz Camargo. ‘Será outro ano bom.’’

 

Futuro da área terá livros, propaganda e embalagem personalizados para leitor

‘Livros, contas, propaganda, embalagens personalizadas. É esse o futuro que o setor de impressões gráficas começa a vislumbrar, com o avanço cada vez maior da tecnologia digital.

‘A tendência é individualizar e tratar cada consumidor de forma diferente do outro’, diz Mário César de Martins Camargo, da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica). ‘Seja numa mala direta, seja num livro que está esgotado e que poderá chegar às mãos do cliente em 48 horas, como faz hoje [o site] Amazon.’

As transformações tecnológicas estão entre os principais motivos que levaram o setor a investir, em média, US$ 700 milhões ao ano no Brasil, ao longo dos últimos dez anos.

Um impulso e tanto, se for considerado que, durante quase 500 anos, a indústria gráfica teve praticamente uma única tecnologia: a tipografia. Desde que Johannes Gutemberg inventou os tipos móveis, em 1440, até a década de 1920, a técnica usada para imprimir sempre envolveu fôrmas em relevo.

De lá para cá as indústrias gráficas adotaram o offset -no qual as informações são transportadas para chapas e impressas por meio de cilindros de borracha- e viram seus negócios encolherem sensivelmente no início da década, em função das novas tecnologias.

Com a retomada dos negócios e a customização da impressão, o cenário futuro começa a se delimitar com um pouco mais de clareza. ‘Alguns produtos, como notas fiscais e guias de ruas, estão condenados’, diz Camargo. ‘São as informações que o consumidor procura e encontra eletronicamente.’

Porém há outro tipo de informação, a que é produzida para enriquecer e aprofundar o conhecimento do leitor, que tende a continuar sendo impressa.’

 

Comemorações acontecerão durante o ano

‘Foi como parte da celebração do primeiro aniversário de dom João 6º no Brasil, em 13 de maio de 1808, que se criou a Impressão Régia, a primeira oficina gráfica do país.

O primeiro impresso saído dos prelos foi um livreto de 27 páginas que falava da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Na mesma oficina também seria publicada posteriormente a primeira edição da ‘Gazeta do Rio de Janeiro’, bem como o ato que elevava o Brasil à categoria de reino, a proclamação da Independência e a abolição da escravatura, entre 1.154 documentos.

Esses e outros impressos relevantes dos 200 anos da impressão no país devem ser mostrados em exposições, livros e uma série de celebrações pelo país durante todo o ano.

‘Vamos incentivar promoções que valorizem a mídia impressa, a impressão de embalagens e publicitária’, afirma Mário César Martins de Camargo, presidente da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica).

Um dos eventos mais importantes será a exposição itinerante dos principais impressos brasileiros, com previsão de abertura para 13 de maio. Também serão promovidos um concurso de redação entre estudantes dos ensinos médio e fundamental, oficinas e uma copa de futebol entre os trabalhadores da indústria.

As empresas do setor pretendem ainda ter presença expressiva em eventos como a Bienal do Livro, a feira Escolar 2008, a feira alemã Drupa e o Congraf (Congresso Brasileiro de Indústria Gráfica).

Para encerrar as comemorações, será lançado um selo em homenagem ao bicentenário e, como não poderia deixar de ser, no dia 17 de outubro, um livro com a história da indústria gráfica brasileira. Mais informações em www.200anos.com.br.’

 

GOLPE
Folha de S. Paulo

Perfil no Orkut usa caso de Isabella para espalhar praga na web

‘Usuários do Orkut estão utilizando o caso de Isabella Nardoni, 5, que morreu no último sábado, para distribuir uma praga na internet. Um perfil falso da mãe da menina, Ana Carolina Cunha de Oliveira, tem um link para um site com aplicativo invasor. Em e-mails, um usuário pede que os internautas adicionem um perfil de Ana Carolina à sua lista de amigos. No ‘profile’, cheio de erros de digitação, o usuário é convidado a ver uma reconstituição do ‘incidente’. Quando o link é aberto, é feito o download de um arquivo de um programa espião que monitora senhas e dados do internauta.’

 

CONFRONTO
Matheus Pichonelli

Filme sobre maconha acaba em confronto

‘A exibição de um filme sobre o uso da maconha deu início a um conflito entre universitários, professores e policiais anteontem na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Vários estudantes ficaram feridos e duas alunas, com escoriações no corpo, tiveram de ser levadas a um pronto-socorro.

Segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes), a confusão teve início por volta das 18h30, quando um grupo com cerca de 70 alunos do Instituto de Geociências exibia o documentário ‘Maconha Grass’, do diretor canadense Ron Mann, em uma arena da unidade no campus Pampulha.

O filme aborda questões polêmicas sobre uso da droga e argumenta, entre outros pontos, que a proibição da maconha ocorre em razão de interesses políticos e econômicos.

Segundo a PM, foram espalhados cartazes pela faculdade que faziam apologia das drogas e não havia autorização da direção do instituto para promover o evento. Diante da insistência dos alunos na exibição, a direção da unidade solicitou reforço da segurança.

Cristina Augustin, diretora do instituto, disse que a autorização não foi dada porque os organizadores não se apresentaram e não informaram horário e responsáveis pelo evento.

‘Não fomos oficialmente avisados. Por isso achamos por bem proibir. Não foi porque o vídeo era sobre drogas’, disse.

Na UFMG, a segurança é feita por vigilantes terceirizados, que não podem usar armas. Mas um convênio entre a universidade e a PM permite que soldados trabalhem nas áreas comuns, desde que a reitoria autorize. A reitoria nega ter autorizado a entrada dos policiais.

Segundo a PM, vigilantes que foram até o instituto para interromper a exibição foram ameaçados e pediram ajuda à polícia, que já estava no campus.

Quando os militares chegaram, houve tumulto com os estudantes. Um aluno chegou a ser detido por suposto desacato à autoridade.

A prisão gerou revolta nos universitários. A PM pediu reforço. Segundo Glória Trogo, coordenadora do DCE, os PM chamados começaram a agredir os participantes. Já segundo a PM, a confusão foi iniciada porque militares foram recepcionados com pedradas.

Em razão do conflito, alguns alunos se negaram a assistir aulas no Instituto de Geociências. Em assembléia na noite de ontem, eles optaram pela greve.

Eles exigem que a reitoria encerre o convênio com a PM e requerem retratação pública.’

 

CRIMES ONLINE
Johann Nublat e Simone Iglesias

PF quer acesso a dado de suspeito de pedofilia em provedor

‘A Polícia Federal quer tornar obrigatório que os provedores liberem os dados cadastrais de usuários da internet investigados por pedofilia sem a necessidade de autorização judicial. Pretende ainda ampliar de 30 dias para três anos o prazo de preservação, pelas empresas, do conteúdo dos sites que contenham material pedófilo.

Essas e outras sugestões serão entregues na terça aos integrantes da CPI da Pedofilia. Eles pediram à Polícia Federal que fizesse uma proposta de projeto de lei para ser discutido na comissão.

O chefe da divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, delegado Felipe Tavares Seixas, afirmou que as mudanças servirão para acabar com a auto-regulamentação das empresas, que atualmente decidem sobre quais dados e informações podem ou não ser acessados para fins investigativos.

De janeiro a março de 2007, foram denunciadas à ONG SaferNet Brasil, que monitora e denuncia crimes na internet, 6.686 páginas diferentes, nacionais e internacionais, com suposto conteúdo pedófilo. No mesmo período deste ano, foram denunciadas 13.375 páginas diferentes com possível conteúdo pedófilo.

O texto da PF também torna crime fazer download e armazenar fotos e vídeos de conteúdo sexual envolvendo crianças -hoje só é crime a transmissão desse material.

A divulgação de desenhos animados com temas pedófilos e de fotos ou vídeos em que jovens, mesmo maiores de 18 anos, aparecem nus ou em cenas de sexo -e em que haja dificuldade de identificar a faixa etária- também poderão se tornar crimes.

O procurador do Ministério Público Federal de São Paulo Sérgio Suiama disse concordar com as sugestões que serão encaminhadas à CPI pela Polícia Federal. De acordo com ele, a preservação do conteúdo de sites pelos provedores -mesmo que os sites sejam retirados do ar por conter material pedófilo- é fundamental para as investigações.

Google

A CPI da Pedofilia aprovou anteontem requerimento de convocação do diretor-presidente da empresa Google do Brasil, Alexandre Hohagen, e do diretor de comunicação, Felix Ximenes, para que deponham na próxima quarta-feira. A CPI já havia convidado representantes da empresa, mas ninguém compareceu.

Cobrada sistematicamente pela Justiça, pela Polícia Federal e, agora, pelos senadores por não colaborar com as investigações sobre a pedofilia virtual -ao não divulgar o nome dos usuários que mantêm sites com conteúdo pornográfico-, a empresa contratou uma equipe de advogados, entre eles o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), para defendê-la.

Na noite de quarta-feira, o ex-ministro entrou em ação ao telefonar para o presidente da comissão, senador Magno Malta (PR-ES) dizendo ter sido contratado pela Google e pedindo prazo para que os executivos comparecessem à CPI.

Orkut

A comissão quer ouvir a empresa sobre estimativa feita pela SaferNet de que o site de relacionamentos Orkut, que pertence à Google, abrigaria no total 3.361 páginas bloqueadas por sistema de segurança, que só podem ser vistas por pessoas autorizadas por seus donos, com material de pedofilia.

Ximenes disse não ter sido notificado ainda pela CPI de sua convocação e a de Alexandre Hohagen, mas que os dois comparecerão na data marcada para prestar esclarecimentos.’

 

PROPAGANDA
Adriana Chaves

União pede suspensão de anúncios de todos os analgésicos no país

‘O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) solicitou a suspensão da publicidade de todos os analgésicos. Há suspeitas de que vítimas de dengue tenham apresentado problemas hepáticos devido ao uso excessivo de substâncias como o paracetamol, presente nesse medicamento, além de mascarar os sintomas da doença.

Segundo Temporão, a Secretaria da Saúde do Rio investiga inclusive se algumas mortes no Estado podem estar relacionadas a superdosagens de paracetamol, embora ainda não haja ‘nenhuma evidência prática’. ‘A secretaria determinou a investigação de óbito por óbito.’

O ministro ressaltou que existem analgésicos e antitérmicos totalmente contra-indicados no caso de suspeita de dengue, como os medicamentos à base de ácido acetilsalicílico, que interferem na corrente sangüínea e podem favorecer hemorragias.

‘Existem outros medicamentos, como paracetamol, indicados em casos de dengue. Entretanto, esse medicamento usado de modo inadequado, em doses excessivas em adultos e em crianças, pode levar a graves danos hepáticos, inclusive a hepatite medicamentosa.’

Com a suspensão das propagandas, o ministro quer desestimular a automedicação e as chances de superdosagem.

Por lei, o ministério não pode proibir a veiculação de comerciais de laboratórios. Ele disse ter solicitado ao presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Melo, que entrasse em contato com os laboratórios produtores para que parassem ‘voluntariamente’ de veicular ‘esse tipo de publicidade, que induz ao autoconsumo’.

Temporão espera que os laboratórios utilizem esse espaço na TV e no rádio para veicular mensagens de prevenção e alerta sobre a doença.

Em nota, a Anvisa diz que ‘solicitou formalmente à Abimip (Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição) que oriente os fabricantes de analgésicos para a necessidade de suspensão temporária da propaganda desses medicamentos’. ‘Essa medida tem a intenção de impedir que a população faça uso abusivo das substâncias analgésicas.’

Dengue

Na segunda-feira, serão enviados 32 médicos pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para o Rio. Os profissionais são ligados ao Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. Os médicos devem ficar no Rio pelo menos até domingo.

Além dos profissionais, a secretaria ofereceu ao município do Rio mil exames de sorologia para confirmação de dengue e cerca de 200 leitos de internação em hospitais estaduais na capital paulista.

O governo do Ceará confirmou ontem a segunda morte por dengue hemorrágica no Estado este ano, a primeira a acontecer na capital, Fortaleza.

A vítima foi uma mulher de 24 anos, grávida, que estava internada em um hospital da cidade.

Os números da dengue no Ceará este ano já superam os do mesmo período de três anos anteriores. Segundo boletim epidemiológico divulgado ontem, foram confirmados até agora 5.852 casos da doença em todo o Estado. De janeiro a março do ano passado, foram confirmados 4.187.

Além das duas mortes por dengue hemorrágica confirmadas, há outras 11 sob investigação. Desde o começo do ano, foram confirmados 81 casos de dengue hemorrágica no Ceará e outros 121 estão sob análise para possível confirmação.

Colaborou KAMILA FERNANDES, da Agência Folha, em Fortaleza’

 

AILTON PIMENTEL
Willian Vieira

O texto mordaz no jornalismo de moda

‘Entre Milão, Nova York e Paris, Ailton Pimentel fez o nome que estremecia os bastidores da moda paulistana. ‘Amigo e desafeto de nove entre dez celebridades’, alfinetou, com sua prosa elegante, ‘de uma malícia econômica’, o lado de dentro e de fora de manequins e passarelas.

Nascido em Salvador, era ‘menino muito sabido’, diz a mãe, que estranhava sua paixão por desenhar retratos e vestidos. Ele dizia que queria ser jornalista. ‘E eu dizia: ‘Sonha, vai sonhando’. Achava que não dava pra coisa.’

Tanto dava que fez faculdade de comunicação e escreveu sobre moda no ‘Correio da Bahia’, até mudar para São Paulo. Para desgosto da mãe e sorte de estilistas paulistanos. ‘Sempre foi um tipo de conselheiro.’ Foi um dos fundadores do portal Glamurama, de Joyce Pascowitch, e trabalhou para as revistas ‘Vogue’, ‘Quem’ e ‘mag!’, além de editar o portal da São Paulo Fashion Week e colaborar com o UOL.

‘Mas não era vítima da moda’, diz um colega. ‘Usava, claro, um Prada, uma bolsa da Louis Vuitton, mas só coisas boas.’ Era como Anna Wintour, editora da ‘Vogue’ americana, brincavam os amigos. Tinha poucas e boas peças no guarda-roupa.

Um dos raros negros a circular nos bastidores dos desfiles, coordenou o livro ‘Cartas a um Jovem Estilista’, com Alexandre Herchcovitch. ‘Seu sonho era ser curador de moda’, dava aulas e palestras sobre o tema. Parecia a caminho.

Morreu na terça, de edema pulmonar, aos 37 anos. No velório, os mais íntimos levaram uma faixa, que dizia: ‘Se Joga, Bi’. Bi era o apelido mordaz nas rodas da moda.’

 

TELEVISÃO
Mônica bergamo

Ao ponto

‘A TV Cultura fechou negócio com o Canal Futura, da TV Globo. Vão assinar co-produções e fazer intercâmbio de programação. O primeiro programa em dupla será ‘Ao Ponto’, voltado para adolescentes. As emissoras também vão a Cannes para visitar a Mip TV, feira de negócios da televisão.’

 

Marco Aurélio Canônico

‘Pushing Daisies’ marca nova era dos estúdios

‘Antes mesmo de estrear, a série ‘Pushing Daisies’, que chega ao Brasil via Warner Channel na próxima quinta, já tinha atrativos suficientes para garantir atenção: um diretor famoso (Barry Sonnenfeld, de ‘Homens de Preto’), um produtor idem (Bryan Fuller, de ‘Heroes’) e um bom mote (o protagonista tem o poder de ressuscitar mortos e o usa para investigar assassinatos).

Ela acabou ganhando fama, no entanto, como ponta-de-lança de um novo movimento, ao vazar para a internet dois meses antes de estrear na TV (dos EUA; quase nove meses antes do Brasil, portanto).

Além da precocidade, o vazamento chamou a atenção porque foi, aparentemente, feito de propósito, por um executivo da Warner, segundo noticiaram sites e jornais na ocasião.

O estúdio não assumiu abertamente o vazamento -a indústria se declara contra o download em sites de trocas de arquivos do tipo ‘peer-to-peer’, de usuário para usuário-, mas o marco de uma nova tática de divulgação ficou evidente, pois diversas séries inéditas de outros estúdios também apareceram on-line, como ‘A Mulher Biônica’ e ‘The Sarah Connor Chronicles’.

‘Não sei se vazaram de propósito, porque eles têm uma obrigação com os anunciantes que compram espaço na TV, mas sei que funcionou, porque criou bastante expectativa em torno da estréia da série’, disse à Folha o ator Lee Pace, que faz o protagonista Ned e veio a São Paulo para divulgar o seriado.

‘Acho que é uma ótima idéia, é um marketing agressivo. Muito do conteúdo televisivo já está ficando disponível on-line, a idéia de que você tem que esperar uma semana e sentar em frente à TV às 20h está saindo de moda. Quanto mais maneiras as pessoas tiverem de assistir ao que gostam, melhor’, diz Pace, que, afinado com as preocupações da indústria, acrescenta rapidamente um ‘desde que todos possamos continuar no negócio’.

PUSHING DAISIES

Quando: estréia na próxima quinta, às 21h

Onde: na Warner’

 

Cristina Fibe

Fenômeno teen chega à TV aberta

‘O mais estranho sobre o fenômeno pop adolescente que se chama Hannah Montana é que atriz e personagem se confundem na vida real e na ficção.

Há dois anos, aos 13, Miley Ray Cyrus estreou nos EUA a série que, filhote de ‘High School Musical’, de dois meses antes, fez explodir sua fama.

No programa, ela vive a menina ‘comum’ Miley, que, quando veste uma desproporcional peruca loira, vira a cantora Hannah, sucesso entre seus colegas de escola. Miley, cabelos castanhos, finge de nada saber para que ‘os amigos não a tratem diferente’.

Só que Miley fez da série a própria vida -canta para platéias lotadas, vendendo o show como sendo de Hannah Montana, e já gravou três CDs sob o pseudônimo. Quando tira a peruca loira, volta a ser Miley.

Hoje com 15 anos e prometendo um futuro desajustado como o de Britney Spears ou o das gêmeas Ashley e Mary-Kate Olsen, Hannah, quer dizer, Miley ainda desfruta de seu auge. Enquanto não chega o novo filme da personagem, a ser lançado em 2009, é exibido nos EUA e no Brasil o segundo ano da série. Para quem quiser tentar entender o fenômeno do começo, a primeira temporada estréia hoje na Globo, às 11h30.

HANNAH MONTANA – 1ª TEMP.

Quando: estréia hoje, às 11h30

Onde: na TV Globo

HANNAH MONTANA – 2ª TEMP.

Quando: de seg. a sex., às 17h30

Onde: no Disney Channel’

 

MANUEL BANDEIRA
Matinas Suzuki Jr.

Bandeira inédito

‘O poeta Manuel Bandeira (1886-1968) vivia de prosa. Faltavam editores, tiragens e, às vezes, até papel para os seus livros de poesia.

No texto que inaugura a caprichada coletânea de suas 113 crônicas, despertas pela Cosac Naify de um sono octogenário, ele conta que o economista e poeta Castro Meneses pagou o papel do seu segundo livro de poemas, ‘Carnaval’, de 1919.

Alguns anos depois, em 1923, aguardando a resposta de Monteiro Lobato para uma eventual edição de ‘Poesias’, ele confessa em carta a Mário de Andrade:

‘Se o Lobato desistir de editar-me, não aparecerei mais a público senão em revistas: não tenho dinheiro nem paciência nem gosto para me editar a mim próprio’.

‘Quem chega de Paris, espera-se que venha cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou de lá cheio de Villa-Lobos.’

(crônica de 1924)

O poeta e tradutor Julio Castañon Guimarães é um perseguidor de Manuel Bandeira por folhas de jornais esfarelando, páginas rasgadas de revistas e microfilmes de leitura desconfortável. Até um pouco mais do que isso: ele passa dias tentando recompor quais foram as palavras do publicista uruguaio J.L. que uma dobra quase centenária no papel apagou, ou se o ‘epidêmico’ que se lê na página de ‘A Província’, na verdade, não se trataria de um erro de composição, pois no original deveria estar ‘epidérmico’.

Pesquisador na área de filologia da Fundação Casa de Rui Barbosa, Castañon devolve ao mundo, com a reunião destes inéditos, uma visão mais integral do Bandeira entre os 34 e 45 anos, período em que morou na Rua do Curvelo, no alto de Santa Teresa, ‘a dez minutos do centro’ do Rio. Nesta época, no dizer do vizinho (e também poeta) Ribeiro Couto, ‘vi-o sair da sua casca de enfermo céptico e ressabiado para o rumor da rua, a agitação cá de fora’.

‘A imagem do Bandeira ligado aos sambistas, por causa da crônica sobre o enterro do Sinhô, e próximo da boemia carioca, não é propriamente exata’, diz Castañon, que pesquisa ‘alternadamente’ o poeta desde 1986. ‘Ele era um cara bem preparado para lidar com tudo, era muito culto, tinha uma visão abrangente. Seu grande interlocutor era o Mário de Andrade (o personagem mais citado nestas crônicas)’.

‘Fui todo o caminho pensando que Machado de Assis havia de formular a respeito do ato de meu pai uma filosofiazinha desagradável. Eu só de imaginar nisso, tinha vontade de bater em Machado de Assis.’

(crônica de 1930)

As 37 fotos e fac-símiles que ilustram ‘Crônicas Inéditas I (1920-1931)’, além de pegar a imaginação do leitor pelas mãos e levá-la a um passeio pelos anos 20, dão também uma quentura, uma espécie de resgate da sensação de se ler a crônica no jornal, o que torna o livro mais acolhedor.

‘Para garantir a qualidade das imagens, nós contratamos até um ótimo fotógrafo, o Vicente de Melo, só para fazer as reproduções’, diz Paulo Werneck, que coordena a edição dos livros de Bandeira ao lado do presidente da Cosac Naify, Augusto Massi.

O volume traz, nos créditos, o nome de 14 pessoas envolvidas diretamente em sua produção.

‘Levamos um ano e meio trabalhando nesta edição’, diz Werneck, um dos destaques da nova geração de editores no país. A Cosac está transferindo sua expertise em fazer livros de arte para os livros de literatura.

‘Passa um lindo rapaz que a assistência aclama de miss Brasil.’

(crônica de 1929)

‘O arco de interesses do Bandeira é o dos leitores da Cosac.

Com isso, nós estamos ampliando o seu público’, diz Massi. A venda de 4.500 cópias do outro livro de textos do poeta, ‘Crônicas da Província do Brasil’, lançado em 2006, dá segurança para imprimir 7.000 exemplares destes inéditos.

‘Nossos livros com capa dura, inovação gráfica, pesquisa de fotos etc., mas, sobretudo, com muito cuidado editorial, criaram um ‘público Cosac’.

Além dos leitores regulares de literatura e do Bandeira, dos estudantes e professores, nós acrescentamos arquitetos, designers, fotógrafos, jovens e pessoas que gostam de dar um presente marcante’, explica.

A editora vai lançar toda a prosa do poeta -e já fez dois volumes de sua poesia: ‘Nós chegamos atrasados aos grandes escritores brasileiros e o Bandeira era a uma chance que não poderíamos perder’.

‘Nascer com vocação de pintor em Pajeú de Flores deve ser um tormento tão duro quanto viver desempregado em Niterói e apaixonar-se por Greta Garbo.’

(crônica de 1928)

MATINAS SUZUKI JR. é jornalista’

 

MÚSICA
Folha de S. Paulo

Revista pede desculpas ao cantor Morrissey

‘O ex-vocalista dos Smiths recebeu anteontem um pedido público de desculpas, ordenado pela Corte Suprema de Londres, da revista musical britânica ‘The Word’, que o havia tachado de ‘racista’ e ‘hipócrita’ em uma crítica, segundo informou o jornal ‘The Guardian’.

Recentemente, Morrissey também processou a revista musical ‘NME’ por ter publicado uma reportagem em que são citadas declarações racistas suas contra os imigrantes.’

 

Dias diz ter feito brincadeira com Zélia Duncan

‘Um dia depois de dizer que a cantora Zélia Duncan era uma ‘Transformer’, e não uma ‘Mutante’, Sérgio Dias voltou a se pronunciar na última quinta-feira, em e-mail enviado à imprensa. Afirmou que Zélia é sua amiga, que só tem ‘gratas lembranças’ dela e que a chamou de ‘Transformer’ porque ela se ‘transforma em outras’. ‘Não entendam com olhos de ‘águias’ o meu pronunciamento, Zélia se transforma em outras, daí a brincadeira…’’

 

CINEMA
Cássio Starling Carlos

Festival destaca Bergman e Antonioni

‘Dois filmes curtos e um média-metragem, programados em conjunto numa sessão hoje, às 15h, no Cinesesc no festival É Tudo Verdade, dão a medida do assombro do cinema quando a câmera cai nas mãos de artistas.

Os curtas são trabalhos tardios de Ingmar Bergman e de Michelangelo Antonioni, ambos desaparecidos num intervalo de algumas horas em julho do ano passado.

Feito em 1986 por Bergman, ‘O Rosto de Karin’ é um exercício de folhear as imagens de um álbum de retratos e reconstituir imaginariamente as histórias mudas que eles guardam. Karin é a mãe do diretor, que neste trabalho faz suceder os rostos dela e de familiares com um recurso simples de edição.

Nesse trajeto, emana um ‘quem’, portador de uma história e transmissor de muitas histórias. Elas reiteram o mistério que cada pessoa, em seu passado, concentra.

Não há exposição de segredos nem devassa de memórias.

O que subsiste em suas imagens é um movimento que guarda um mesmo tanto de desvelamentos e de ocultações.

Em seu penúltimo trabalho, feito em 2004, Antonioni confronta dois artistas que carregam um mesmo nome. ‘O Olhar de Michelangelo’ põe em cena (Michelangelo) Antonioni diante das esculturas feitas por (Michelangelo) Buonarrotti para o túmulo do papa Júlio 2º.

O olhar do cineasta se detém nos olhos de ‘Moisés’, figura central do conjunto esculpido em mármore. Suas mãos percorrem o corpo da estátua, um movimento que nenhum visitante tem o direito de executar nos consagrados museus.

É esta ação tátil que Antonioni traduz sob a forma de olhares. Suas mãos fazem em cena o que equivale ao que nossos olhos fazem nas imagens de cinema: percorrer, apalpar, acariciar como forma de experimentar e compreender.

A experiência do programa se encerra genialmente com ‘Ingmar Bergman; Intermezzo’. O trabalho, assinado por Gunnar Bergdahl, registra uma conversa de 40 minutos, ocorrida em 2001, entre o documentarista e Bergman, que inverte a lógica da entrevista e começa a fazer perguntas a seu interlocutor. Descreve memórias, sentimentos, fala sobre filmes alheios e sobre Strindberg.

A meio caminho, o nome de Antonioni aparece: ‘Antonioni disse uma coisa muito exata -que o cinema é um meio estranho, no sentido que, se você tem algo a dizer, pode fazê-lo num filme. Mas vejo que os novos diretores que aparecem hoje dominam a técnica com perfeição, conhecem seu trabalho, mas poucos têm o que dizer’.

Premiação

A cerimônia de premiação do festival começa hoje, às 20h30, no Cinesesc.

BERGMAN/ANTONIONI

Quando: hoje, às 15h

Onde: Cinesesc (r. Augusta, 2.075, tel. 0/xx/11/3087-0500)

Quanto: entrada franca

Avaliação: ótimo’

 

OKINAWA
Folha de S. Paulo

Prêmio Nobel japonês vence processo

‘O Prêmio Nobel de Literatura Kenzaburo Oe, 73, venceu uma ação judicial motivada pelo seu livro ‘Okinawa Notes’ (notas de Okinawa), no qual descreveu como o Exército japonês induziu a população civil ao suicídio na ilha japonesa de Okinawa, durante a Segunda Guerra. O livro foi escrito em 1970 e é inédito no Brasil.

Um ex-oficial do Exército e a família de um soldado vinham processando o escritor desde 2005, alegando difamação. Pediam uma indenização e o recolhimento do livro.

A decisão de um tribunal japonês, proferida recentemente, absolveu o autor ao reconhecer que o Exército imperial teve responsabilidade nos suicídios coletivos após o desembarque americano na ilha meridional, uma das batalhas mais sangrentas da guerra e que acelerou a derrota japonesa.

O assunto é tema de debates acalorados no país. Oe, autor de ‘Uma Questão Pessoal’ e ‘Jovens de um Novo Tempo (ambos lançados no Brasil pela Companhia das Letras), é conhecido pelas posições pacifistas, e o reconhecimento de crimes de guerra é contestado por movimentos conservadores no país.

Com agências internacionais’

 

 

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