Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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Folha de S. Paulo

14/07/2009 na edição 546

PUBLICIDADE
Editorial

Professor-propaganda

‘GRANDES grupos educacionais, caso das redes COC e Dom Bosco, ampliam ações de marketing e utilizam professores como garotos-propaganda de produtos destinados a jovens e crianças. Como mostrou reportagem desta Folha, já houve iniciativas como a distribuição de chocolates, biscoitos e outras guloseimas por docentes em ações cuja marca do patrocinador é associada à da escola.

Embora a publicidade faça parte do mundo da criança e do jovem, há nessas iniciativas um lamentável exagero. Preocupa, ademais, que a distribuição de produtos de alto teor calórico seja feita por aqueles a quem caberia alertar sobre o risco para a saúde do consumo excessivo desses alimentos.

A principal arma contra os exageros na ofensiva publicitária, nesses casos, devem ser o diálogo e a informação. É preciso rejeitar o modismo de que leis draconianas seriam indicadas para resolver esse gênero de problema, pela proibição, pura e simples, da propaganda voltada ao público juvenil ou da venda de certos alimentos a crianças.

Estão em jogo, afinal, dois valores pedagógicos. É necessário, sem dúvida, informar objetivamente crianças e adolescentes sobre os parâmetros de uma alimentação saudável -e formar professores conscientes de que nem toda propaganda é compatível com sua missão de ensinar.

Mas a formação de um indivíduo pressupõe, também, o reconhecimento, pela sociedade, de uma esfera de liberdade de escolha que se amplia conforme a pessoa se distancia da infância. A interdição que se justifica para crianças de sete anos pode ser excessiva no caso de uma outra, três anos mais velha.

A letra fria da lei não contempla todas as nuanças, que variam de indivíduo para indivíduo. Lidar com o assunto é uma tarefa intransferível de pais, professores e diretores. Precisam estar atentos aos exageros na propaganda e na oferta de alimentos em ambiente escolar e estabelecer, eles próprios, os limites que julgarem adequados a cada caso.’

 

MICHAEL JACKSON
Ruy Castro

Andando na Lua

‘RIO DE JANEIRO – Enquanto não decidem se, um dia, Michael Jackson será enterrado, cremado, embalsamado ou posto em órbita, o luto continua. Para algumas correntes filosóficas, oriundas da escola de pensamento do Hippopotamus nos anos 80, ele ficará como um dos maiores dançarinos da história. Mas já surgem reflexões mais sóbrias sobre seu talento.

Não há mistério. Michael foi um legítimo continuador da dança jazzística americana, que, a partir do pioneiro Willie Covan (1897-1989), teve, entre centenas de criadores, Bill ‘Bojangles’ Robinson, os Berry Brothers, os Nicholas Brothers, Cab Calloway, a dupla Buck e Bubbles e Sammy Davis Jr., todos negros. E brancos como Fred Astaire, Eleanor Powell, Hermes Pan, os irmãos Fred e Gene Kelly, Ann Miller e Gene Nelson, apenas entre os famosos.

De 1910 a 1960, esses homens e mulheres inventaram a gramática completa do sapateado, inclusive o ‘backsliding’, em que o dançarino parece andar para a frente quando, de fato, está deslizando para trás. Um de seus primeiros praticantes foi Cab Calloway, por volta de 1932, e seu principal aperfeiçoador, pode crer, foi o mímico francês Marcel Marceau, nos anos 40.

Em 1982, o jovem Michael viu um dançarino negro, Jeffrey Daniel, apresentar o ‘backsliding’ na Disneylândia e contratou-o como professor. Foi Daniel quem coreografou o primeiro show de Michael fazendo ‘backsliding’, no ano seguinte, e também o vídeo ‘Bad’, em 1987. Michael chamou o passo de ‘moonwalking’ e, quem não o conhecia, achou que ele o inventara.

Na verdade, Michael nunca se disse inventor do ‘moonwalking’. E nem poderia, com a quantidade de imagens no Google mostrando quase todos os citados acima, negros e brancos, executando-o. É só escrever, por exemplo, ‘Cab Calloway’ e ‘moonwalking’ e clicar.’

 

ELEIÇÕES
Folha de S. Paulo

Reforma eleitoral limita liberdade de expressão, diz ANJ

‘O projeto da nova lei eleitoral, aprovado na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, foi criticado ontem pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), por conta da criação de amarras para cobertura de eleições por portais, sites e blogs.

Mesmo não sendo concessão pública, a internet poderá ter as mesmas regras de rádios e TVs. Nos debates, será necessário que dois terços dos candidatos de partidos com representação na Câmara sejam convidados -mesmo os ‘nanicos’.

‘Nem bem comemoramos a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], de abril de 2009, derrubando a antiga Lei de Imprensa do regime militar, e já surgem novas tentativas de limitar, numa penada, a liberdade de expressão dos jornais, por meio de um projeto sobre o qual não houve qualquer discussão pela sociedade’, declarou a entidade, em nota.

‘Jornais -impressos ou em meio on-line- não são concessões públicas, e não podem ser equiparados a rádio e TV. A ANJ estará atenta para contestar arbitrariedades que afetem a liberdade de expressão.’

Críticas

Outros pontos do projeto foram criticados por advogados especialistas na área. Pelas regras propostas, acaba a inelegibilidade para candidatos que deixarem dívidas de campanha.

Para Torquato Jardim, ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ‘direito eleitoral é o único ramo do direito no qual o destinatário da norma de conduta redige a própria norma’. ‘O Congresso é uma assembleia de vencedores. E esses vencedores não vão mudar a regra do jogo para perder o jogo, para não serem reeleitos’, diz.

Segundo ele, toda vez que a Justiça Eleitoral avança e restringe a ação política, o Congresso muda a lei.

Ele cita como exemplo a decisão segundo a qual bastará para disputar a eleição o candidato ter apresentado as contas eleitorais de campanhas passadas, sem a necessidade de sua aprovação.

‘Agora, ter ou não ter contas de campanha aprovadas não impede a certidão de quitação de obrigações eleitorais [documento necessário para se candidatar em eleição posterior]. Isso vai contra a jurisprudência’, diz o advogado.

Apesar de críticas, o ex-ministro do TSE diz que a regulamentação para campanha eleitoral na internet é positiva. O advogado Eduardo Nobre, especialista em legislação eleitoral, concorda com ele.

Nobre também vê como positiva a possibilidade de equacionar punições que têm como consequência a suspensão do fundo partidário. ‘A reforma abre possibilidade para sanção intermediária entre não punir nada ou punir 100%, com relação ao repasse ao fundo partidário’, declara.’

 

TELEVISÃO
Leticia de Castro

Série dos vampiros volta mais sedenta por sangue

‘Nem todo o sangue derramado na primeira temporada de ‘True Blood’ foi suficiente para saciar o apetite por violência na pequena Bon Temps, Louisiana. A segunda fase da série, que estreia na HBO no dia 19, às 22h, tem ainda mais mortes, sexo e, é claro, bastante sangue. Já no primeiro episódio, há uma nova onda de crimes, com mais um assassinato brutal e humanos sendo sequestrados e torturados por vampiros.

Criado por Alan Ball a partir dos livros de Charlaine Harris, o programa mostra vampiros ‘saindo do caixão’ e tentando se integrar à sociedade após a descoberta de sangue sintético.

A convivência turbulenta entre humanos e mortos-vivos é sintetizada no romance entre a protagonista Sookie Stackhouse (Anna Paquin), uma garçonete com poderes telepáticos, e o vampiro galã Bill Compton (Stephen Moyer). Agora, o casal terá de lidar com a chegada de uma nova vampira, a adolescente Jessica Hamby, que fica sob a responsabilidade de Bill.

Com forte apelo sexual, enredo de mistérios e um discreto subtexto político, é um dos sucessos da TV americana. Segundo o ‘New York Times’, a estreia da segunda temporada teve 3,4 milhões de espectadores e foi o programa mais visto na HBO desde o final de ‘Família Soprano’.

Nesta segunda temporada, os conflitos entre vampiros e humanos estão mais acirrados. A discussão sobre os direitos civis dos mortos-vivos -uma metáfora sobre a delicada questão da tolerância na sociedade americana- ganha destaque. Jason Stackhouse (Ryan Kwanten), o irmão inconsequente de Sookie, entra para uma seita antivampiros que tem como objetivo impedir as criaturas de conquistar os mesmos direitos dos cidadãos comuns.

A galeria de seres e acontecimentos sobrenaturais também ganha novos personagens. Como se não bastassem os vampiros, os transmorfos e os exorcismos vistos na primeira fase -que sai agora em DVD-, uma nova personagem ganha espaço: a misteriosa Maryann Forrester (Michele Forbes), espécie de bruxa que chega bancando a boa samaritana. Ao lado de filmes como o blockbuster adolescente ‘Crepúsculo’ e, mais recentemente, o sueco ‘Let the Right One In’, ‘True Blood’ é responsável por colocar os vampiros, personagens centenários da cultura pop, na moda mais uma vez.

Gélidos, perigosos e sexies, eles ainda renderão muitos frutos para Hollywood.

TRUE BLOOD – 1ª TEMPORADA

Distribuidora: Warner; R$ 120

Classificação: 18 anos’

 

Folha de S. Paulo

HBO vai fazer série baseada em ‘Middlesex’

‘A HBO desenvolve o roteiro para uma série baseada no romance ‘Middlesex’, de Jeffrey Eugenides, o mesmo autor de ‘As Virgens Suicidas’.

O livro, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2003 e finalista do National Book Award, trata de um hermafrodita que foi criado como menina. Aos 40 anos, ele rememora os relacionamentos de três gerações da família para entender sua sexualidade.

Na TV, o projeto está sendo escrito por Donald Margulies, que ganhou um Pulitzer em 2000 pela peça ‘Jantar entre Amigos’.

Se a série seguir a ambientação da obra, se passaria em Detroit, onde o protagonista é criado. ‘Hung’, recém-estreada na emissora, também é rodada nessa região.’

 

***

Sarah Jessica Parker já tem novo programa

‘A atriz Sarah Jessica Parker, famosa por interpretar a jornalista Carrie Bradshaw de ‘Sex and the City’, comprou os direitos do livro ‘Prospect Park West’ para retomar a carreira na televisão.

O romance, no entanto, ainda não ficou pronto. Ele está sendo escrito por Amy Sohn, colunista de fofocas da revista ‘New York’, e tem como ponto central quatro mulheres que vivem no Brooklyn, em Nova York. Todas elas são mães e estão insatisfeitas com sua vida conjugal ou social.

Em seu blog (www.amysohn.com), Sohn diz que o livro sai em 1º de setembro nos EUA e já tem sequência confirmada. Ela mesma foi contratada para escrever o primeiro episódio do futuro seriado.’

 

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