Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Folha de S. Paulo

12/10/2009 na edição 559

AMAZONAS
Kátia Brasil

Ex-deputado suspeito de matar para exibir na TV se entrega

‘O ex-deputado estadual Wallace Souza (sem partido), suspeito de ordenar mortes de rivais para mostrá-las em seu programa na TV em Manaus, se entregou ontem após ficar cinco dias foragido.

A prisão aconteceu após negociação entre a Secretaria da Justiça do Amazonas e o irmão do suspeito, o vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza (PP), que exigiu garantia de segurança na cadeia.

O apresentador de TV permaneceu ontem isolado em uma unidade prisional de Manaus. Doze agentes da PM vigiavam a cela. Ainda ontem, foi transferido para uma unidade da Polícia Militar da cidade.

A família teme que ele seja morto na cadeia, já que, na TV, pregava a violência policial contra criminosos.

O ex-deputado é suspeito de liderar uma organização criminosa e encomendar mortes de rivais para aumentar a audiência de seu programa, chamado ‘Canal Livre’. Ao menos 17 mortes são atribuídas ao grupo. Souza também é suspeito de tráfico de drogas. Ele nega todas as acusações.

Na semana passada, teve o mandato de deputado cassado pela Assembleia do Amazonas por quebra de decoro parlamentar. Também foi expulso de seu partido, o PP.

Ao se entregar, na manhã de ontem, Souza estava acompanhado da família e de um psiquiatra. A prisão do ex-deputado estadual mobilizou ao menos 60 homens das polícias Civil e Militar do Amazonas. Um comboio com mais de dez carros da polícia foi destacado para acompanhar Souza, levado sem algemas até o IML (Instituto Médico Legal).

‘Não foi uma entrega espontânea. Ele sabia que era uma questão de tempo para ser preso’, afirmou o secretário da Inteligência do Amazonas, Thomaz Vasconcelos.’

 

MINAS GERAIS
Folha de S. Paulo

Jornalistas dizem ter sido agredidos em Assembleia

‘Uma equipe de jornalistas do jornal ‘O Tempo’, de Belo Horizonte, diz ter sido agredida, anteontem, por um grupo de agentes de segurança da Assembleia Legislativa de Minas.

Um repórter e um fotógrafo do jornal estavam apurando denúncia de que dezenas de móveis da Assembleia estavam amontoados havia dias em área ao ar livre anexa ao prédio da Assembleia, sendo danificados pelos temporais que atingiram Belo Horizonte na terça e na quarta.

O fotógrafo Charles Silva Duarte e o repórter Ezequiel Fagundes dizem que, após confirmarem a veracidade da denúncia, foram abordados por um grupo de seis agentes da Polícia Legislativa.

Os seguranças questionaram o que eles estavam fazendo no local e, segundo os jornalistas, torceram o braço do fotógrafo, exigindo que ele entregasse o cartão de memória de sua câmera. Enquanto isso, o repórter, agarrado pelo braço, foi revistado.

Os agentes de segurança não encontraram o cartão, que estava com o repórter.

Sempre segundo a versão do jornal, parte dos agentes levou Charles Duarte para uma sala no prédio da Assembleia. Ele teve que entregar sua câmera e ficou detido por cerca de 20 minutos.

A direção da Assembleia disse lamentar o episódio e informou que vai abrir investigação interna para apurar a conduta dos agentes. Os agentes podem ser objeto de processo administrativo.’

 

ITÁLIA
Folha de S. Paulo

Para Berlusconi, fim de imunidade não mina aptidão para governar

‘O premiê italiano, Silvio Berlusconi, disse ontem que a potencial reabertura de processos contra ele na Justiça não prejudicará sua capacidade de governar e se considerou a pessoa ‘mais processada da história’.

Ele é acusado de ter pago 580 mil ao advogado britânico David Mills, em 1997, para que este prestasse falso depoimento de forma a proteger os negócios do premiê -que nega.

Mills fora condenado em fevereiro a quatro anos e meio de prisão por corrupção, e o julgamento de sua apelação começou ontem. A defesa de Mills pediu à corte que autorizasse o testemunho de Berlusconi. Niccolo Ghedini, advogado do premiê, afirmou que Berlusconi deporia se essa fosse a ordem da Justiça.

O processo, no que tange às acusações ao premiê, estava trancado por uma lei de imunidade que o beneficiava. Mas a norma foi derrubada na quarta-feira pelo Tribunal Constitucional, no pior revés do atual mandato de Berlusconi.

‘Melhor para a Itália’

O premiê descartou ontem a possibilidade de renunciar e se considerou ‘o melhor primeiro-ministro’ para a Itália -no momento em que alguns jornais italianos de oposição e estrangeiros pedem sua cabeça e que comentaristas dizem que a tensão política pode desencadear problemas econômicos. A Itália, terceira maior economia da zona do euro, luta para se recuperar da mais forte recessão desde a Segunda Guerra.

O premiê conservador é alvo de quatro processos -além do caso de corrupção, é acusado de suborno a um juiz em uma disputa judicial envolvendo a Fininvest (empresa controlada por ele); de ter oferecido propina a senadores para montar uma coalizão, em 2007; e de fraude contábil em seu conglomerado midiático, o Mediaset.

Berlusconi, que também tem seu nome envolvido em um escândalo sexual, rejeita todas as acusações, mas o fim de sua imunidade pode levar à reabertura desses casos.

O premiê disse que a ‘perseguição’ por parte de magistrados ‘alinhados à esquerda’ o obrigou a gastar ‘ 200 milhões em assessoria e em juízes’, lapso que foi imediatamente corrigido após o alerta de um ministro: ‘assessoria e advogados’.’

 

REVISTA
Ivan Finotti

Coisa de Playboy

‘Em 27 de maio de 1949, Norma Jeane Baker, uma atriz de segunda com cabelos pintados de amarelo, posou nua para um calendário do fotógrafo Tom Kelley. Ela exigiu que a esposa de Kelley estivesse presente.

Três anos depois, Marilyn Monroe estampava a capa da ‘Time’ como a nova sensação de Hollywood e, após um escândalo nacional, admitia que, sim, era ela nas paredes das borracharias da nação.

No ano seguinte, o editor Hugh Hefner republicou as fotos e começou a ficar rico. Uma dessas fotos foi o pôster central da primeira ‘Playboy’ e Hefner é tão grato que comprou a sepultura vizinha à dela num cemitério de Los Angeles. Aos 83, pai de quatro filhos -dois do primeiro casamento (1949-1959) e dois do segundo (1989-1998)-, o criador da ‘Playboy’ lança hoje pela editora Taschen (www.taschen.com) a história ilustrada da revista que ajudou a mudar o mundo. Curiosamente, ele nunca conheceu Marilyn (1926-1962) pessoalmente, conforme contou à Folha por telefone.

FOLHA – No Brasil, usamos a palavra ‘playboy’ para nos referirmos a alguém bem nascido, com dinheiro e boa vida. Exatamente como a imagem que o senhor construiu para si. Também é assim nos EUA?

HUGH HEFNER – Quando comecei a revista, a palavra ‘playboy’ estava um pouco fora de moda, evocava algo dos anos 20. E também implicava um tipo de cara que se divertia muito mas não trabalhava. Tentamos redefinir a palavra como alguém que celebra a vida e acho que tivemos sucesso nisso.

FOLHA – Inicialmente estava ligada a algo como ‘The Great Gatsby’?

HEFNER – Sim, o livro de Scott Fitzgerald teve um enorme impacto em mim.

FOLHA – Outra coisa que teve grande impacto no senhor foi a infidelidade de sua primeira mulher.

HEFNER – A descoberta, logo antes do meu casamento, de que ela tinha um caso e fazia sexo, foi a experiência mais devastadora de minha vida.

FOLHA – E por culpa disso tivemos a ‘Playboy’?

HEFNER – Estranho como as coisas acontecem. Difícil imaginar como a vida seria se isso não tivesse acontecido, um casamento feliz por todos esses anos. Mas, do meu ponto de vista, o que aconteceu acabou sendo melhor para mim.

FOLHA – Uma lenda diz que a primeira edição, de 1953, foi lançada com um investimento inicial de US$ 600 dólares.

HEFNER – Esses US$ 600 vieram na forma de um empréstimo, em que penhorei os móveis de casa como garantia. Além disso, meus parentes e amigos me ajudaram com o que podiam. O investimento total do primeiro número foi de US$ 8.000.

FOLHA – E quanto às fotos de Marilyn Monroe, não eram caras?

HEFNER – Em 1953, fui conversar com meu pai para ver se ele me emprestaria algo, mas ele, além de conservador, era contador e recusou-se. Minha mãe me chamou de lado e disse que tinha um dinheiro dela. Ela fez um cheque de US$ 1.000.

FOLHA – Que compreensiva!

HEFNER – Sim. E foi com esse dinheiro que comprei os direitos da foto do pôster de Marilyn Monroe. Essa foto custou-me US$ 500. Foi um grande dia.

FOLHA – É verdade que comprou uma sepultura ao lado da dela?

HEFNER – Sim, comprei há uns dez ou 12 anos. É num cemitério próximo à mansão Playboy, em Los Angeles. Muitos amigos queridos estão enterrados lá.

FOLHA – E o senhor a namorou?

HEFNER – Na verdade, não. Nunca a conheci pessoalmente. A ‘Playboy’ começou em Chicago e, quando me mudei para Los Angeles, ela tinha morrido.

FOLHA – O senhor diria que a ‘Playboy’ exerceu que papel na revolução sexual dos anos 60?

HEFNER – Acho que desempenhou um papel de enorme importância na mudança de alguns valores da sociedade americana. A revista começou em 1953 e essa foi uma década muito conservadora nos Estados Unidos, social, sexual e politicamente falando. ‘Playboy’ caminhava em outro ritmo e se destacou porque trazia apelo aos mais jovens.

FOLHA – Em 1974, o senhor mudou de Chicago para Los Angeles. Isso afetou a revista?

HEFNER – Nos anos 50 e 60 eu era ‘workaholic’. Em 1966, fui para Londres para a abertura do cassino Playboy. A minissaia tinha acabado de chegar e eu vi o futuro. Voei de volta para Chicago, parei de trabalhar tanto e passei a viver a vida.

FOLHA – Culpa da minissaia?

HEFNER – Sim, passei a me cuidar melhor, renovei meu armário e comprei o Coelhão, o DC-9 [avião de US$ 9 milhões com o logotipo da revista].

FOLHA – A caixa de livros vai de 1953 a 1979, os primeiros 26 anos da revista. Devemos entender que são os melhores anos da ‘Playboy’?

HEFNER – Certamente são os anos em que teve mais impacto. E também os anos de maior sucesso em termos financeiros. Depois houve um retrocesso… A segunda metade dos anos 60 foi quando a revolução sexual realmente aconteceu. Os 70 foram anos de celebração e excesso. Depois houve um movimento conservador, começando nos anos 80, que teve impacto em, toda a sociedade e, significativamente, na ‘Playboy’.

FOLHA – Houve a Aids.

HEFNER – Sim. E Ronald Reagan foi eleito presidente. Ele estabeleceu no departamento de Justiça uma comissão que atacou revistas com nudez ou conteúdo sexual. Em decorrência disso, perdemos nossas licenças de cassino na Inglaterra e em Atlantic City, que eram uma enorme fonte de rendimento.

FOLHA – Tendo algumas das mulheres mais bonitas do mundo à sua disposição, o sexo fica chato em algum momento?

HEFNER – Não, não mesmo.

FOLHA – E o senhor já fez sexo com uma mulher feia?

HEFNER – Acho que sim…

FOLHA – E foi bom?

HEFNER – Eu não me lembro (risos). No último meio século, todas elas eram lindas.’

 

PROPAGANDA
Mônica Bergamo

De fininho

‘A Vale engavetou, até segunda ordem, os anúncios que levaria ao ar nos próximos dias com José Mayer. O ator, contratado por R$ 800 mil, até já gravou os comerciais. Mas a mineradora cancelou tudo depois que setores do governo Lula e fundos de pensão, sócios da empresa, detonaram a campanha publicitária que já está no ar -e que seria reforçada pelo galã.

TEMPO DE CALAR

Nos quatro anúncios que gravou, Mayer explicava didaticamente os investimentos que a empresa faz para agregar valor ao minério de ferro. A mensagem era uma resposta às críticas que Lula vem fazendo à mineradora, comandada por Roger Agnelli, por não construir siderúrgicas e apenas exportar matéria-prima. ‘A Vale vai entrar numa fase mineira’, diz um executivo ligado à empresa.

ESQUECE ISSO, CHEFE!

Um outro executivo avalia que Agnelli errou ao fazer a campanha publicitária. ‘Quando o teu chefe briga com você, o melhor a fazer é pedir desculpas e mudar de assunto. Ele fez o contrário: ficou insistindo na mesma tecla, desmentindo o chefe.’ No caso, o governo Lula, que exerce influência na empresa por meio dos fundos de pensão (Previ, do Banco do Brasil, Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa). A crise se intensificou a ponto de os fundos exigirem, nesta semana, a demissão de diretores da Vale ligados ao PSDB.’

 

Flávia Mantovani

Anvisa autua laboratórios por publicidade em sites

‘A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou ontem, no ‘Diário Oficial da União’, uma resolução que determina a suspensão de trechos de sites de sete empresas farmacêuticas. O argumento é que elas estavam divulgando na internet publicidade sobre remédios que exigem prescrição médica, o que é proibido por lei.

A medida foi tomada após uma denúncia do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que fez um levantamento com os 15 maiores laboratórios atuantes no Brasil. Deles, 11 mantinham site informativo sobre doenças para as quais fabricavam remédios.

Foram avaliados quesitos como menção ao medicamento -sete dos laboratórios entraram nessa categoria-, menção indireta -caso de quatro deles- e estímulo para que o consumidor procurasse conhecer o produto oferecido -só um não foi enquadrado nesse quesito. Em sete casos, a identidade visual do site (cores etc.) se assemelhava à do produto.

Um dos sites trazia propaganda de um medicamento de tarja preta e outro sugeria o uso off-label (para indicações não aprovadas no país).

Segundo Daniela Trettel, assessora de representação do Idec, o cuidado com esse tipo de publicidade ocorre porque os medicamentos podem causar mal se forem administrados de forma errada, podendo gerar intoxicação ou mascarar uma doença, por exemplo.

‘Remédios não podem ser promovidos como se fossem um produto qualquer. Aqueles vendidos sob prescrição são os mais perigosos e a lei proíbe sua propaganda, mas as empresas a mascaram, fazem isso de forma indireta, para burlar a lei.’

Após a publicação da pesquisa do Idec, várias empresas tiraram os sites do ar.

Legislação

A lei número 6.360, de 1976, proíbe a propaganda de remédios sob prescrição para o público leigo. Segundo o texto, nesses casos a propaganda ‘ficará restrita a publicações que se destinem exclusivamente à distribuição a médicos, cirurgiões-dentistas e farmacêuticos’. Uma resolução da Anvisa de 1998 reforça essa medida.

Nem todos os laboratórios denunciados pelo Idec foram autuados. Segundo a Anvisa, trata-se da primeira leva de ações baseadas na denúncia. ‘Esses sites são os que trazem, na nossa avaliação, o maior risco. Os demais trazem infrações menores, mas também serão avaliados’, diz Maria José Delgado Fagundes, gerente-geral de monitoramento e fiscalização de propaganda da Anvisa.

Segundo ela, não há nenhum problema quando um laboratório divulga informações sobre uma doença, com dicas de como conviver com ela, por exemplo. ‘Mas essa informação não pode estar atrelada a um medicamento. Da forma como os dados apareciam, configuravam publicidade, e não informação’, afirma.

Um recurso que alguns sites usam para que os dados não cheguem ao leigo é proteger a página por uma senha, que só pode ser acessada quando um médico se cadastra. Segundo a Anvisa, as páginas identificadas não tinham essa senha.

A resolução obriga que os laboratórios reorganizem imediatamente as páginas citadas de modo a retirar o que foi considerado ilegal. A Anvisa informou que, na próxima terça-feira, vai verificar se algum deles descumpriu a ordem.

Além dessa medida ‘de cautela’, pode haver outras penas para as empresas, incluindo multas, que podem variar de R$ 5.000 a R$ 100 mil.

Mesmo que os laboratórios tenham tirado do ar as páginas, poderão ser punidos, informa a Anvisa. A agência baixou os sites na época em que recebeu a denúncia do Idec e vai usá-los como provas. ‘É muito complexo o monitoramento de propaganda na internet. As páginas mudam todos os dias. Mas espero que, com uma ação fiscal dessa magnitude, as empresas não incorram no mesmo erro novamente’, diz Fagundes.’

 

Anna Carolina Cardoso

Empresas dizem que vão adequar páginas

‘As empresas Aché Laboratórios Farmacêuticos e Biosintética Farmacêutica Ltda, que fazem parte do mesmo grupo, confirmaram ter recebido a notificação e disseram que cumpririam as providências requeridas pela resolução da Anvisa.

A EMS afirmou ter tomado conhecimento da publicação da resolução e feito as alterações no site, de acordo com a orientação da agência.

A empresa ressaltou que cumpre integralmente a legislação vigente e, em nota, afirmou que já havia realizado adequações em seu site.

A EMS avalia, ainda, que ‘o conteúdo disponível era informativo e institucional, sem intenção de propaganda’.

A Merck Sharp & Dohme (MSD) afirmou que seu site não faz nenhuma referência a produtos. A empresa disse seguir rigorosamente a legislação da Anvisa quanto à publicidade de medicamentos e completou que apenas profissionais de saúde cadastrados podem ter acesso a informações sobre seus produtos.

‘A área reservada ao público leigo se restringe a informá-lo sobre doenças e cuidados com a saúde, sem menção a produtos ou publicidade de qualquer medicamento da MSD’, informou a empresa em nota.

A Astra Zeneca informou que não foi notificada, mas que seu site já está passando por uma reformulação de acordo com as regras da Anvisa.

Já a assessoria de imprensa da GlaxoSmithKline informou que o laboratório não havia sido notificado e que só se manifestaria a respeito do assunto depois que isso acontecesse.

A Folha entrou em contato com a Abbott Laboratórios do Brasil Ltda, mas até o fechamento desta edição não recebeu uma resposta da empresa sobre o assunto.’

 

TELEVISÃO
Clarice Cardoso

Novo ‘Melrose Place’ ressuscita personagens

‘Mesmo quem acompanhou apenas vagamente a ‘Melrose Place’ original sabe que a série nunca gostou de soluções óbvias para suas tramas macarrônicas. Na nova versão, que estreia em 10/11 no Brasil, o programa mais uma vez recorre a um desdobramento absurdo para amarrar a chegada de novos moradores ao famoso condomínio de West Hollywood.

Para atrair os fãs antigos para o novo programa, a produção traz de volta a personagem Sydney Andrews, mais uma vez interpretada por Laura Leighton. A questão é que ela está morta desde a primeira versão, quando sofreu um acidente de carro. Tudo se explica por uma lógica tipicamente ‘melrosiana’: a farsa é fruto de mais um plano maligno, dessa vez, feito com a ajuda do ex-cunhado e ex-amante dr. Michael Mancini (vivido pelo mesmo ator, Thomas Calabro).

A sobrevida, porém, dura pouco: já nos primeiros minutos, seu corpo é encontrado boiando na piscina sangrenta. Morta pela segunda vez (pelo menos por enquanto), ela continua exercendo seu estilo manipulador e chantagista aparecendo em memórias dos outros personagens -com quem mantém casos amorosos e chantageia, como de costume.

A investigação policial dará o tom misterioso, que não chega a suplantar o ciclo de traições, maldadezinhas e ciúmes que emana daquele endereço. Bastante semelhantes aos antigos moradores, os recém-chegados vivem suas histórias cafoninhas e se esforçam para fazer jus à fama de seus antecessores: uma estudante se prostitui para pagar a faculdade, um alcoólatra esconde provas de um crime, um playboy que vive de festas sai à noite para fazer roubos e um casalzinho discute a relação.

Quase banal perto do histórico nunca rotineiro do lugar. Caso os novatos e o mistério sobre quem matou Sydney não deem conta de manter a audiência interessada, a produção escalou outros nomes das antigas para aguardadas participações: Heather Locklear, Josie Bisset e Daphne Zuniga.

Barrados no baile

Do mesmo Darren Star, ‘90210’ é outra versão de uma série de sucesso que também apostou na fórmula de colocar as caras conhecidas dos antigos personagens para atrair a atenção para os dramas adolescentes dos novos protagonistas. No episódio de estreia da segunda temporada, a certinha Annie Wilson (Shenae Grimes) é atormentada pela culpa de ter atropelado um homem e fugido quando dirigia bêbada, enquanto a garota popular Naomi Clark (AnnaLynne McCord), começa a namorar um homem mais velho e casado.

Desnecessário dizer que, como por hábito, as duas começam o ano em guerra declarada por causa de uma disputa por um namorado. Nada que não poderia ter acontecido na versão original ou em tantas outras tramas adolescentes atualmente no ar.

MELROSE PLACE e 90210

Quando: estreiam no dia 10/11, às 21h (‘90210’) e às 22h (‘Melrose’)

Onde: no canal pago Sony

Classificação: não informada’

 

Folha de S. Paulo

Courteney Cox terá temporada completa na TV

‘A atriz Courteney Cox, mais conhecida por sua participação como Monica na série ‘Friends’, emplacou seu programa ‘Cougar Town’ na grade da TV americana ABC. Após três episódios com bons índices de audiência, a emissora já confirmou uma temporada completa para a atração.

A ABC está satisfeita com as suas novas séries de comédia depois de alguns anos de fracas produções: ‘Modern Family’ -que deve vir ao Brasil pela Fox-, também recebeu autorização para uma temporada inteira.

A série foi apontada pelos críticos como uma das melhores novas produções e foi vista por 12,6 milhões de pessoas na estreia -quase a mesma audiência do Emmy deste ano.’

 

TÍTULOS E MAIS TÍTULOS
Ruy Castro

Mais títulos

‘RIO DE JANEIRO – Na coluna de quarta última, ao falar da incurável mania dos jornalistas de usar títulos de filmes para intitular matérias, temo ter sido meio rigoroso. Na verdade, não importava que o título saísse de um filme. Só tinha de ser bom. E alguns eram magníficos.

Na ‘Manchete’ dos anos 80, Celso Arnaldo Araújo fez uma reportagem sobre uma novidade, o videocassete, que ameaçava prender as pessoas em casa e afastá-las dos cinemas. Ao terminar o texto, inverteu o título de um filme nacional e sapecou: ‘Videocassete – Matou o cinema e foi à família’. Outro muito bom, tirado do filme ‘Pequeno Grande Homem’ e atribuído a Raul Giudicelli, tratava de um paranormal gaúcho, por acaso anão: ‘Pequeno grande médium’.

Nos que independiam do cinema, ‘Manchete’ era também quase imbatível. Um clássico foi o de Carlos Heitor Cony para uma matéria sobre um falsário preso em São Paulo. Como o homem se negasse a recebê-lo, Cony inventou a entrevista e intitulou-a: ‘Entrevista de mentira com um falsário de verdade’.

‘Fatos & Fotos’, irmã caçula da ‘Manchete’, também admitia brilharecos. Em 1967, o ditador chinês Mao Tsé-tung andou sumido e suspeitou-se de que estivesse morto. Até que reapareceu e, para mostrar que vendia saúde, mergulhou no rio Yang-tsé. Título maravilhosamente dúbio: ‘Nada bem o velho Mao’.

Mas, para mim, os dois melhores daquele tempo saíram em ‘O Globo’. Em 1982, dom Ivo Lorscheiter estava num avião e, temendo por sua fé, recusou-se a ir à janela ver uma estranha luz que os passageiros juravam ser um disco voador. O saudoso Chico Nelson decretou: ‘Ivo não viu o Ovni’. E o outro, de Guilherme Cunha, em 1976, quando o mesmo Mao, enfim morto, foi sucedido pelo nº 2 na hierarquia, Lin Piao: ‘China vai de Mao a Piao’.’

 

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