Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

DESENHOS FALADOS > FIM DE SEMANA, 18 E 19/4

Folha de S. Paulo

21/04/2009 na edição 534

JULGAMENTO
Folha de S. Paulo

Irã condena jornalista dos EUA acusada de ser espiã

‘Uma jornalista americana-iraniana foi condenada a oito anos de prisão no Irã, ontem, cinco dias depois do início do julgamento, acusada de ser uma espiã de Washington.

Roxana Saberi era freelancer e já tinha trabalhado para a BBC e para a Rádio Pública Nacional, dos EUA. Seu advogado vai recorrer da decisão.

O pai de Roxana disse que ela havia sido coagida a confessar e que depois ela retirou a declaração. ‘Ela foi enganada. Ela está muito deprimida e quer começar uma greve de fome’, disse Reza Saberi.

Roxana, 31, tem dupla cidadania -americana e iraniana- e foi criada em Dakota do Norte, nos EUA. Ela estudou jornalismo e relações internacionais, e trabalhava há seis anos no Irã.

Os relatos sobre sua prisão e processo são confusos. Presa em janeiro, ela foi inicialmente acusada de comprar uma garrafa de vinho, já que o consumo de álcool é proibido no país. Mais tarde, a Chancelaria iraniana afirmou que a jornalista trabalhava de forma ilegal no país, pois suas credenciais de imprensa teriam expirado.

Finalmente, já neste mês, pouco antes de se iniciar o julgamento -a portas fechadas-, a Justiça iraniana afirmou, sem dar maiores explicações, que Roxana trabalhava como ‘espiã’ para os Estados Unidos.

O governo do presidente Barack Obama, que tenta uma reaproximação diplomática com Teerã, se declarou ‘decepcionado’ com a decisão.

A organização Repórteres Sem Fronteiras, por sua vez, interpretou a condenação, pronunciada poucos meses antes das eleições presidenciais no país, como ‘uma advertência aos jornalistas estrangeiros que trabalham no Irã’.

Com agências internacionais’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

A escolhida

‘A loiríssima Fiorella Mattheis, 21, é a maior novidade na bancada do novo ‘Vídeo Show’, da Globo, agora com três apresentadores. Mas ela já tem um considerável currículo. Estreou na TV em 2006, no SporTV. No ano seguinte, virou protagonista de ‘Malhação’. Mais recentemente, seduziu Murilo Benício em ‘A Favorita’. Estudante de jornalismo, quer continuar apresentando e interpretando. No início deste ano, soube pela Folha que o ‘Vídeo Show’ faria testes para novos apresentadores. ‘Eu pensei em procurar alguém na Globo, mas antes disso recebi um convite para participar dos testes’, conta.

HBO reduz ‘janela’ e reestreia série ‘Em Terapia’ em junho

A HBO marcou para 1º de junho a estreia da segunda temporada da inovadora ‘Em Terapia’ (‘In Treatment’), menos de dois meses após o início da série nos EUA -lá, o programa voltou no último dia 5. A primeira temporada chegou ao Brasil três meses depois do lançamento nos Estados Unidos.

A HBO reduziu a ‘janela’ por causa da crescente prática de downloads de seriados na internet. Na última quinta, os sete primeiros episódios da segunda temporada já tinham legendas em português na web.

Baseada em um seriado israelense, ‘Em Terapia’ mostra os dramas dos pacientes de um psicoterapeuta, Paul Weston (Gabriel Byrne, vencedor do Globo de Ouro de 2008 pelo papel). A cada dia da semana, ele atende a um paciente diferente. Na sexta-feira, vira o paciente de Gina (Dianne Wiest). Então, o terapeuta centrado e calmo revela-se um homem frágil.

No Brasil, a HBO exibe um episódio por dia. Cada um dura 25 minutos. A série é inovadora também porque quase toda a ação ocorre dentro do consultório de Paul. Mas é tensa, tem suspense, prende o telespectador. É, acima de tudo, uma série de roteiro -de Rodrigo Garcia, filho do escritor Gabriel García Márquez- e de bons atores.

Na segunda temporada, Paul está divorciado e reconstruindo seu consultório no Brooklyn, em Nova York. Todos os pacientes são novos. Às segundas, atende Mia (Hope Davis), uma paciente antiga, hoje advogada que o culpa por não ter tido marido e filhos; às terças, Paul recebe April (Alison Pill), uma estudante de arquitetura com linfoma e que esconde a doença; às quartas, é a vez de um garoto de 12 anos e seus pais, em processo de divórcio; Walter (John Mahoney), um executivo arrogante em crise, fecha a agenda.

PEDÁGIO

Alinne Moraes está confirmada no elenco de ‘Viver a Vida’, próxima novela das oito da Globo, de Manoel Carlos. Ela interpretará Luciana, uma modelo, assim como a protagonista Helena (Taís Araújo). É filha de José Mayer e Lilia Cabral.

‘Ela tem ciúme do pai e não perdoa o casamento dele com Helena’, conta Manoel Carlos. Numa viagem a Petra (Jordânia), para desfilar, sofrerá um acidente. ‘Ainda não sei quais as consequências exatas desse acidente’, diz o autor. Antes da novela, Alinne gravará uma participação em ‘A Turma do Didi’.

PARTICIPAÇÃO Depois de gravar ‘Caminho das Índias’, como o personagem de Lima Duarte quando jovem, o ator Thiago Martins participará de ‘Força-Tarefa’, no papel do filho de Milton Gonçalves.

SEM FILIAL

O ‘Vídeo Show’ extinguiu o núcleo de produção em São Paulo, que tinha quatro profissionais. O programa agora é todo feito no Rio. Para gravações em SP, serão usadas produtoras independentes.

DIETA DO ÁLCOOL

Caberá à atriz Bárbara Paz, vencedora da memorável primeira edição de ‘Casa dos Artistas’ (SBT, 2001), o papel da mulher que sofrerá de ‘drunkorexia’ em ‘Viver a Vida’, próxima novela das oito. Será a estreia de Bárbara nas novelas da Globo. A ‘drunkorexia’ é uma anorexia alcoólica, em que mulheres deprimidas passam a beber muito, acreditando que o álcool substitui o alimento e que não engorda, o que é um equívoco. Sua personagem se chamará Renata.

COSTURA

A produção do ‘Programa do Ratinho’ negocia com o jogador Ronaldo, o Fenômeno, uma participação na edição de reestreia da atração, no próximo dia 4, no SBT. A ideia de Carlos Massa, o Ratinho, é que Ronaldo seja entrevistado pelo cantor Leonardo. ‘O Leonardo é muito engraçado e, com certeza, fará perguntas que eu não tenho coragem de fazer’, justifica Ratinho. O programa, predominantemente jornalístico, buscará todo dia ter um artista ou banda.’

 

Bia Abramo

Caras, bocas e falta de imaginação

‘TÁ BOM: existem a concorrência do outro canal, a disputa com internet, DVD e TV a cabo, a falta de tempo, o esgotamento da fórmula, mas há, também, uma falta de imaginação gigantesca nas telenovelas. Começa do nome: ‘Caras & Bocas’ lembra ‘Plumas & Paetês’ que lembra ‘Transas & Caretas’… Daí temos: moça rica tem um grande amor de juventude por moço pobre e talentoso, de quem fica grávida. Separados por intriga armada pelo avô milionário, ela, rica, torna-se uma profissional bem-sucedida e solteira convicta. Ele, pobre, não sabe da existência da filha.

Depois, temos São Paulo, dividida entre os Jardins chiquérrimos da moça rica e a Lapa simplória do moço pobre. As imagens clichês -engarrafamentos, avenida Paulista, prédios, o Masp- da cidade se sucedem, à guisa de confirmação.

Em seguida, os ‘temas’ sócio-antropológicos. Na categoria apresentação de grupos humanos não-convencionais, lá vem os judeus ortodoxos. Na categoria merchandising social, uma moça cega, em busca de inclusão no trabalho. Na infanto-juvenil, a proteção aos animais.

Ah, sim, e desta vez os nichos profissionais circulam em torno da ‘sofisticação’ paulistana: as artes plásticas e a gastronomia. A moça, rica, adora ‘arte’ e é dona de galeria; o moço, pobre, encerrou sua carreira de pintor para sustentar a família (mas quando a gente vê o último quadro que pintou, fica desconfiada de outros motivos…).

No núcleo cômico-sexy, um outro moço, pintor duro da praça da República, vai ascender no mundo da ‘arte pura’, no dizer de uma galerista ‘sofisticada’, vendendo quadros pintados por um chimpanzé.

Por nenhuma ponta dá para segurar o interesse. A história de amor, atravessada por equívocos, segredos e intrigas, parece estranhamente anacrônica diante dos relacionamentos reais contemporâneos: casais se fazem e se desfazem pelas neuroses, pelos desencontros de personalidade, não pela ação de vilões maquiavélicos. Se o esquema do folhetim já funcionou nas telenovelas nos idos da década de 70 e 80, foi porque os autores de então souberam tratá-lo de forma atualizada. Partia-se do folhetim para frente e não para trás, como parece ser a regra de uns tempos para cá.

Quanto aos ‘temas’, ora… Com tanta informação circulando pelo mundo, também parece deslocada essa missão didático-moral da qual se investem as novelas.

Ver novela é hábito, mas deixar de vê-la é sintoma: enquanto não se encontrarem novos caminhos narrativos para a telenovela, ela vai continuar definhando.’

 

OUVIDOR
Folha de S. Paulo

Ombudsman tem mandato renovado por mais um ano

‘O jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, 56, inicia nesta semana o segundo mandato como ombudsman da Folha. Entre suas metas está a busca de um aprimoramento ‘técnico e isento’ da função de defender os interesses dos leitores.

Lins da Silva assumiu o posto em abril do ano passado e acaba de ter o mandato renovado por mais um ano. Ele é o nono a ocupar o cargo criado em 1989 pela Folha, em iniciativa pioneira na imprensa do Brasil.

‘São os mesmos desafios de antes. A tentativa de fazer do meu trabalho uma crítica técnica do jornalismo, de tentar explicar para os leitores que a minha posição não me permite tomar partido em nenhuma polêmica. Minha opinião é absolutamente irrelevante. Eu não devo ser juiz, eu devo ser alguém que cobra tecnicamente o jornal’, diz Lins da Silva.

O ombudsman nasceu em Santos (SP) e iniciou sua carreira como repórter nos jornais ‘Diário da Noite’ e ‘Diário de S. Paulo’. Contratado pela Folha em 1984, foi repórter, redator, editor, secretário de Redação, diretor-adjunto de Redação e correspondente em Washington. Saiu para ajudar a fundar o jornal ‘Valor Econômico’. É mestre em comunicação pela Michigan State University (EUA) e doutor e livre-docente em comunicação pela USP (Universidade de São Paulo).

Crise e transformação

Transcorridos 12 meses de sua atuação como ombudsman, Lins da Silva diz que a Folha não conseguiu atingir o grau de aprofundamento que ele considera necessário para a sobrevivência do jornal impresso.

Mas destaca o projeto DNA Paulistano -série de cadernos vencedora do Prêmio Folha de Jornalismo de 2008 e que examinou criticamente os 96 distritos da capital paulista e traçou o perfil de seus moradores.

‘Em geral, eu acho que a cobertura da Folha continua repetitiva em relação ao que já se sabia na véspera por meio dos outros veículos [internet, rádio e TV].’ Sobre a atual crise financeira mundial, que ganhou mais intensidade no final do ano passado, ele avalia que ela não comprometeu os jornais brasileiros. ‘Eu acho que a crise ainda não chegou forte ao Brasil e, principalmente, ao que tudo indica, aos jornais.’

Apartidarismo

Se foi mal no que diz respeito ao aprofundamento de suas edições, a Folha foi ‘relativamente apartidária’ na disputa eleitoral do ano passado, conforme o ombudsman.

‘O jornal foi relativamente isento e relativamente apartidário. Não vi grandes problemas na cobertura’, afirma.

Na relação com os leitores, o ombudsman avalia que também sempre procurou se pautar pela isenção.

‘Consegui desenvolver até uma relação de amizade virtual com alguns leitores. Por outro lado, e eu acho natural que seja assim, muitos leitores se dirigem ao ombudsman com agenda política muito clara.. Esses não me parecem muito dispostos a dialogar. Querem mais marcar posição e fazer trabalho de proselitismo político’, disse.

Ele também destaca a importância da crítica interna que produz diariamente, restrita à Redação do jornal.

‘Meu trabalho mais importante talvez seja o da crítica diária. Eu estou tentando ajudar o jornal a melhorar. Na medida em que ele for melhor, ele estará beneficiando todos os leitores’, afirma.’

 

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