Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Folha de S. Paulo

08/09/2009 na edição 554

ELEIÇÕES
Editorial

Espaço aberto

‘IMPOSSÍVEL entender a sanha de alguns legisladores contra a internet.

Espaço absoluto da liberdade de opinião, e como tal consagrada num voto do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, a web continua a causar temores entre os políticos de plantão.

Avulta, entre todos, a figura do senador tucano Eduardo Azeredo, arvorado em especialista no assunto. Cogita, agora, um recuo. A internet não seria equiparável, ao contrário do que projetava o senador, às emissoras de TV.

Um preâmbulo, na lei eleitoral, relembraria o preceito constitucional da liberdade de expressão, aplicando à internet algo que sempre foi sua razão de vida.

Salvam-se o senador Azeredo e seus congêneres, que hesitavam em deixar vigente a liberdade que, de modo incontrolável, faz da internet um espaço público.

O raciocínio, no fundo, é dos mais claros. Emissoras de televisão são concessões de Estado. Nada identifica as emissoras de TV com os portais da internet. A própria lógica do meio impõe a liberdade de escolha ao cidadão e ao eleitor.

Pode este, num mero clique de computador, rejeitar o viés eleitoreiro de um site, ou contribuir para uma candidatura na qual confie. Esse espaço de livre movimentação e expressão, em suma, está acima das tentativas congressuais de regulá-lo.

Decerto essa característica também faz da internet um terreno livre, mais livre do que seria desejável, para as grosserias verbais, a calúnia, a injúria e a difamação. Reconhecer essa realidade, contudo, não significa admitir uma lei especial para ‘regular’ a internet.

Quanto à incivilidade e à grosseria, só se pode esperar que diminuam com o tempo. Quanto às ofensas mais graves, cabe a aplicação do Código Penal -nem mais, nem menos.

O que prevalece, na atitude de alguns parlamentares como o senador Eduardo Azeredo, é uma espécie de paixão pela tutela. Trata-se de um ultrainformado excesso de zelo.

Em torno das inovações da informática, parlamentares inventam regras a fim de preservar, na esfera pública, ordenamentos que os favoreçam, que possam diminuir o teor das críticas contra os políticos. Cidadãos comuns no exercício de seu direito à expressão -seja na rua, seja nos jornais, seja na internet- não podem ser censurados.

Que se tenha desistido disso é uma boa notícia para a democracia brasileira.

O exemplo recente da candidatura de Barack Obama, nos Estados Unidos, é animador. A internet agregou-se aos meios tradicionais de mobilização e ajudou a tirar o debate eleitoral americano do marasmo. A própria prática das doações financeiras a candidatos, sempre aberta a suspeitas várias, democratizou-se e dispersou-se em parte.

Não há dúvida: a internet, para fins de regulação em tempos de campanha eleitoral, deve alinhar-se não às redes de TV e de rádio (que são concessões), mas a jornais e revistas, como espaço aberto, caracterizado pela livre escolha e pela livre iniciativa e independente da tutela estatal.’

 

LETRAS
Rodrigo Vizeu e Matheus Pichonelli

Collor agora integra time dos ‘imortais’ que não se destacam por seus livros

‘Ao ser eleito para a Academia Alagoana de Letras na semana passada, o senador Fernando Collor (PTB-AL) passou a integrar o grupo de ‘imortais’ que se destacaram mais pela atuação política do que pelos dotes literários.

Autor de mais de 30 obras, o premiado escritor Ignácio de Loyola Brandão esperou 42 anos após lançar seu primeiro livro para se tornar acadêmico em São Paulo. Mas se para os escritores em geral o caminho para a imortalidade é longo, para Collor, que jamais escreveu um livro, o critério para integrar a casa que já abrigou Jorge de Lima e Aurélio Buarque de Holanda foi mais generoso: levou em conta artigos, planos de governo e até discursos.

É comum a presença de políticos nas academias, apesar do pouco entusiasmo dos leitores por suas obras. Na ABL (Academia Brasileira de Letras), três ex-presidentes já usaram o fardão que um dia vestiu Machado de Assis e Guimarães Rosa: Getúlio Vargas, Aurélio Lyra Tavares -que integrou a Junta Militar de 1969- e o ainda imortal José Sarney (PMDB-AP).

Autor de ‘Marimbondos de Fogo’ (1978) e ‘O Dono do Mar’ (1995), Sarney foi eleito em 1980 sucessor de José Américo de Almeida, um dos pais do regionalismo. Sarney é ‘imortal’ também na Academia Maranhense de Letras, onde tem a companhia de seus irmãos Ivan e Evandro.

Na ABL, Sarney é colega do senador Marco Maciel (DEM-PE). O pernambucano -imortal também na Academia Pernambucana- tem quase 30 obras, a maioria publicada por órgãos oficiais, mas seu nome não aparece nas principais lojas virtuais.

Outro duplo imortal é o ex-senador Jarbas Passarinho -autor de ‘Hamlet Revisitado’ (1995) e ‘O AI-5 é Transitório’ (1977). É acadêmico pelo Acre, onde nasceu, e pelo Pará, onde foi eleito senador. Na academia acriana, tem ainda como colega o senador Tião Viana (PT-AC).

No caso de Ronaldo Cunha Lima (PSDB), acadêmico da Paraíba acusado de tentar matar um adversário, a imortalidade veio com ‘150 Canções de Amor e Um Poema de Espera’ (2005). O time de ex-governadores conta ainda com Lúcio Alcântara (Ceará) e João Alves (Sergipe).

O primeiro escalão do governo Lula também está representado: o ministro Patrus Ananias é membro da Academia Mineira, que já abrigou Tancredo Neves.’

 

INTERNET
James Cimino

Grupo cria um tipo de ‘Orkut’ para católicos

‘A Igreja Católica está cada vez mais aderindo às novas tecnologias. Depois de o papa Bento 16 criar o site www.pope2you.net, como ferramenta para enviar preces aos enfermos, a Associação do Senhor Jesus (ASJ), uma instituição da região de Campinas que trabalha com a evangelização através dos meios de comunicação, contratou uma empresa de tecnologia para viabilizar um site de relacionamentos com conteúdo essencialmente católico, mas aberto a leigos que se interessem pela religião.

A página www.nacaocatolica.com.br já tem mais de 13 mil usuários e funciona como o Orkut: há perfis e comunidades, algumas para seguir padres popstars, como Marcelo Rossi, outras como a ‘Jovens Sarados’, que não fazem culto ao corpo, mas à alma.

Segundo Vinicius de Carvalho Godoy, que administra e faz a moderação do conteúdo do site, até o momento não houve postagens impróprias, como pornografia ou preconceito. ‘Um dia vai acontecer, mas então tiraremos do ar.’

O padre americano Edward Dougherty, fundador da ASJ, justifica o uso da tecnologia com objetivo evangelizador: ‘Se existem carro, avião e trem, e são bons para o homem, devem ser utilizados. Com a internet acontece a mesma coisa.’’

 

Ana Paula Boni

Febre mundial, Twitter vira bússola para noite paulistana

‘Quando a banda curitibana Los Diaños tomou o palco da casa noturna Astronete, no Baixo Augusta, em São Paulo, na plateia tinha início também um outro tipo de show.

O astro, no caso, era o publicitário Leandro Rossi, 25. Com seu iPhone na mão e conectado à internet, ele fazia a noite acontecer no Twitter, em tempo real. Da balada, o publicitário ia postando suas impressões em sua página no microblog que virou febre no mundo todo.

Os usuários perceberam que a ferramenta tinha muito mais potencial do que imaginavam’, diz José Calazans, analista de mídia do Ibope Nielsen Online.

O chamado ‘tweet’ -a mensagem escrita- na balada tem ao menos duas vantagens, explicam os ‘tuiteiros’: atingir o maior número possível de usuários e não incomodar ninguém com um telefonema ou um torpedo no meio da noite.

A ideia caiu tanto nas graças dos ‘tuiteiros’ que uma empresa abriu os olhos para o filão. A Matizar resolveu criar um site similar só para os frequentadores de baladas. A empresa já iniciou o processo de seleção de seus ‘repórteres da noite’.

Uma candidata ao posto seria a estudante de designer gráfico Svetlana Bianca, 20, que também fez da rede um importante elemento de sua vida social.

‘Normalmente às quartas vêm os ‘tweets’ de balada, porque eu vou para a FunHouse.’ Mas por que tanta sintonia entre o telefone móvel e a rede social? A explicação está na própria origem do site, lançado em 2006. O limite de 140 caracteres digitados a cada vez em um ‘tweet’ foi estabelecido tendo em mente o torpedo de celular.

Para Philip Klien, diretor de inovação da Predicta, consultoria especializada em marketing on-line, ‘o Twitter é a evolução do torpedo’.

Lei seca

Os tuiteiros de balada também se tornaram espécie de fiscais do trânsito… contra a lei seca. De bar em bar, eles tuitam do carro avisando onde está acontecendo alguma blitz.

Esses foram alguns dos muitos ‘avisos’ de Márcio Villar para seus 112 seguidores no Twitter. São mensagens tecladas o mais rápido possível, logo depois que passou pela blitz.

‘ É uma forma de as pessoas se prevenirem, mesmo não sendo positivo, por burlar a lei’, afirma Philip Klien, carioca que mora em São Paulo.

Um uso a mais do Twitter que, aliado ao celular com internet, cabe em qualquer bolso.’

 

Hermano Vianna

O mercado da desconfiança

‘Governos de vários países estão criando leis para que suas alfândegas possam apreender computadores com softwares, músicas e filmes ‘piratas’. Estou tranquilo: não há nada não autorizado em meus ‘hard disks’. Mesmo canções: escuto aquelas que seus autores disponibilizaram livremente na rede. Ou pago por imagens, sons, textos, códigos quando avalio que o preço é justo. Caso contrário, parto para outra: há uma abundância de material interessante para se baixar legalmente e de graça por aí.

O problema é que, cada vez mais, tenho me sentido punido -ou tratado como otário- justamente ao agir dentro da lei, e mesmo depois de pagar para ter acesso a determinados bens protegidos por leis que dizem defender criadores/autores/ artistas.

Para entender o patético do meu empenho na honestidade, vale a pena narrar um episódio recente, cheio de lições morais bem contemporâneas.

Indignação

Vladimir Jankélévitch foi filósofo e também pianista. Numa de suas melhores entrevistas, as respostas eram dadas tanto pela fala quanto por interpretações de obras de seus compositores favoritos: Debussy, Fauré, Ravel. Tenho uma transcrição de suas palavras, interrompidas por trechos de partituras, publicada em livro nos anos 80 [‘Vladimir Jankélévitch’, em francês, ed. La Manufacture, 1986].

Meu exemplar está com páginas soltas de tanto que foi relido. Volto sempre a momentos como aquele em que Jankélévitch declara que gosta mais da luminosidade de Tolstói do que dos subsolos de Dostoiévski: ‘Estar em plena luz, na evidência, na presença total, quando as coisas estão imóveis no ar do meio-dia, é lá que o mistério é mais perturbador’.

Ou a resposta sobre a nostalgia: ‘O tempo revela o charme das coisas sem charme. É por isso que o tempo é poeta. Só os poetas e pintores são capazes de conhecer de imediato o charme do presente. […] Utrillo [1883-1955] pintava um poste ou um muro num subúrbio sórdido… e isso fazia sonhar. O que os poetas e pintores sabem traduzir no presente, o tempo o traduz para nós que não somos nem pintores nem poetas. É o tempo que é poeta para nós’.

Queria comprar uma nova edição do livro. Procurei nas lojas da internet: acho que está esgotado. Lembrei que a entrevista tinha sido gravada originalmente para o rádio. Conseguir uma cópia do arquivo sonoro seria fenomenal. A conversa começa com Jankélévitch afirmando que seu meio de expressão é o oral (‘meu negócio não é a escritura’). O áudio apresentaria também seu piano. Fui então parar no site do Instituto do Audiovisual (INA) francês, que anda digitalizando e vendendo o acervo das TVs e rádios públicas como a France Culture. Só havia trechos da entrevista que procurava. Descobri que o que foi publicado no meu livro era um remix de várias entrevistas.

Como resultado da busca, encontrei o vídeo da edição de ‘Apostrophes’, com Jankélévitch (não) respondendo à pergunta ‘para que servem os filósofos?’. Resolvi baixar para ver o programa completo. Custava 5 (R$ 13). Caro para algo que, se não me engano, foi pago pelo dinheiro público francês há décadas. Mas sei que o trabalho de digitalização e disponibilização desse tipo de acervo não é barato, nem simples.

Resolvi colaborar. Fiz meu cadastro e a compra. Sempre receamos passar dados para novos sites, que não sabemos se são realmente seguros. É questão de confiança: esperamos que seus administradores vão ter cuidado com as informações. Mas mesmo tendo fornecido até o número do cartão de crédito, logo descobrimos que o INA não confia no comprador.

Não tinha sido informado (ok, não li com atenção os termos de uso) de que precisaria baixar outro programa para ver o vídeo já pago. Resultado: novo cadastro em outro site desconhecido e a obrigação de instalar um programa no qual também precisamos confiar (temos mesmo a certeza de que o programa não vai transmitir informações de nosso computador para sua empresa?). E, depois disso tudo, antes de ver o vídeo ainda somos obrigados a ultrapassar uma mensagem policial nos ameaçando com o aviso de que o arquivo contém uma marca d’água digital que nos identificaria caso seja utilizado ilegalmente. Somos tratados todos como potenciais bandidos, como piratas de vídeos filosóficos.

Negócio furado

Não vi a entrevista, indignado. A mesma indignação moral que me causou outra compra também motivada por Jankélévitch. Na entrevista-remix de meu livro despedaçado, ele conta que chora ouvindo música, e que as lágrimas sempre acompanham qualquer audição de ‘L’Enfant et les Sortilèges’ [A Criança e os Sortilégios], de Ravel.

Outro dia, numa das poucas lojas de discos que nos restam, deparei com uma nova gravação dessa obra, com a Filarmônica de Berlim conduzida por Simon Rattle. Comprei, apesar do preço extorsivo (três vezes mais do que no exterior). Estou virando quase uma central de filantropia para modelos de negócios artísticos decadentes.

Na capa, dizia ser um OpenDisc: ‘Insira este CD no seu computador para acessar o EMI Classics Club. Acesse material bônus, sessões de escuta exclusivas e mais’. Claro: o acesso não é imediato, apesar do preço que pago pelo CD físico. É preciso fazer o cadastro, é preciso concordar com a política de privacidade e termos de uso sinistros. O ‘disc’ não tem nada de ‘open’. Como ninguém lê esses contratos, vou transcrever aqui algumas passagens. Tudo começa aparentemente ‘do bem’: ‘O OpenDisc respeita sua privacidade. Para atendê-lo(a), precisamos coletar algumas informações pessoais. Nós nos preocupamos em proteger essas informações.

Veja abaixo nossos compromissos em seu favor’. Para ver os compromissos -’em nosso favor’-, precisamos clicar em vários links. Com que finalidade as informações são coletadas? ‘Essas informações são essenciais para nós, bem como para o artista e para a gravadora, para que forneçamos para você serviços com qualidade e que o conheçamos melhor.’ E ainda: ‘Ocasionalmente, usaremos suas informações pessoais para convidá-lo(a) a participar de pesquisas e concursos para medir a sua satisfação’.

Papo furado. Quem disse que eu quero ser conhecido melhor ou convidado para qualquer coisa? CEP e data de nascimento não são necessários para o serviço de ver vídeos e ouvir música. Eles me obrigam a me tornar conhecido, arquivando meus dados. É o preço que pago para ter acesso ao material que me foi propagandeado como ‘bônus’ ou ‘aberto’.

A política de privacidade, que na realidade impõe a abdicação da minha privacidade, diz também que minhas informações não serão fornecidas para terceiros, mas podem ser enviadas às subsidiárias da gravadora em todo o mundo. Eu tenho que confiar nessas subsidiárias todas, que nem sei quais são. E a recíproca não é exatamente verdadeira. Sou tratado com extrema desconfiança: tanto que não posso reproduzir, ‘em qualquer meio’, o conteúdo a que tiver acesso.

Desisti de ter acesso. Como desconfiam de mim, vou desconfiar também. Não sou ingrato. Pelo contrário: tenho enorme gratidão pelos momentos de intensa alegria e iluminação cultural que me foram proporcionados pelo trabalho das grandes gravadoras. Acho que as gravadoras também deveriam me agradecer: fui consumidor ideal, comprei milhares de discos (e comprei o mesmo disco várias vezes: em vinil, em CD…), ajudei a divulgar a carreira de muitos artistas etc. Mas tudo tem limite.

A falta e o vício

É pena ver uma história de criação tão rica terminando de modo tão mesquinho, com o público sendo tratado tão mal, até por políticas de privacidade tapeadoras. Quem paga é feito de bobo. Essas políticas parecem querer nos ensinar que a honestidade ‘não compensa’.

Será muito difícil perceber que tudo isso é suicídio comercial, é perda de credibilidade total? Volto à filosofia moral de Vladimir Jankélévitch. No seu livro ‘O Mal’, ele identifica uma gradação da malvadeza. A falta é um acidente, uma negligência: pode acontecer com todo mundo. Já o vício ‘é o movimento da falta, continuado e tornado crônico’ -o vício está para a falta assim como a paixão para a emoção momentânea. Mas ainda pode ter cura.

Já a ‘méchanceté’ (maldade, ruindade…) é o baixo absoluto, o zênite do mal, uma ‘qualificação do caráter’, algo que toma conta da totalidade da pessoa. Aí não tem mais jeito… Diante da cultura digital, muitas empresas já cometeram muitas faltas, se tornaram viciadas nessas faltas e por isso estão se transformando em marcas (‘brands’, encarnações etc.) da maldade, afastando mesmo quem se empenha em seguir todas as regras.

Ler Jankélévitch deveria ser obrigatório para seus diretores e advogados. Começando com os livros ‘A Má Consciência’ e ‘A Mentira’ até chegar, quem sabe, no ‘Tratado das Virtudes’, que está completando 60 anos de sua primeira publicação.

HERMANO VIANNA é antropólogo e pesquisador musical, autor de ‘O Mistério do Samba’ (ed. Jorge Zahar), entre outros livros.’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

Corrupção e justiça social serão temas de ‘Malhação’

‘Novela sobre o universo adolescente, ‘Malhação’ abordará em sua próxima temporada a justiça social e o desvio de verbas públicas. A temporada 2010 -que coincidirá com ano em que haverá eleições para deputados, senadores, governadores e presidente da República- estreia em 9 de novembro.

‘Vou trabalhar com realismo, com histórias do dia-a-dia dos adolescentes, mas sem ser chato’, diz o autor Ricardo Hofstetter, 49, que volta a ‘Malhação’, após quatro anos.

A trama central será sobre um rapaz rico, mas irresponsável, e uma moça pobre, politicamente correta e voluntária. ‘No início, eles vão bater de frente. Depois um faz o outro melhorar’, adianta Hofstetter.

Bernardo, o rapaz rico, será filho de um empreiteiro de muitos negócios com governos. ‘Ele acha que o pai é honesto. Um dia descobre que o pai rouba verba pública. Seu mundo cai, ele renega o dinheiro do pai e vai morar com Cristiana [a menina pobre]. E descobre a realidade’, diz o autor.

Hofstetter afirma que ainda não sabe até que ‘nível de discussão’ levará a corrupção. Sua intenção primeira é ‘mostrar o que significa para um adolescente ser filho de corrupto’, porém não nega o pano de fundo eleitoral. ‘Nosso objetivo não é ser educativo, mas, sempre que possível, ser informativo.’

A menina pobre se meterá em situações engraçadas. Em sua primeira história, ela se depara com um mendigo pedindo esmolas. Como é politicamente equivocado dar esmolas, Cristiana o leva para casa. ‘Ela quer ajudar, mas, às vezes, por ser tão certinha, faz besteira.’

Outra novidade de ‘Malhação’ será um adolescente que faz stand-up comedy em um elenco de muitos comediantes.

A FERA DA BELA

Revelada no filme ‘Lavoura Arcaica’, em 2001, Simone Spoladore, 30, logo foi contratada pela Globo. Fez ‘Os Maias’ e ‘Esperança’. Depois, só voltou à tela em 2005, em ‘América’. Subaproveitada na Globo, Simone foi descoberta neste ano pela Record. Na pele da vilã Verônica, tem sido o destaque no elenco de ‘Bela, a Feia’. ‘O cinema gosta mais de mim do que a televisão’, brinca a atriz, com 20 filmes (incluindo curtas e sete inéditos) no currículo. Ela viu alguns episódios de ‘Ugly Betty’, em que sua personagem equivale ao de Vanessa Williams. ‘A Verônica é muito diferente da Wilhelmina. Aquele tipo é muito americano. A Verônica é escrachada, tem uma maldade infantil’, compara.

SUPERTRIO

Nem acabou ‘Caminho das Índias’ e Rodrigo Lombardi, o Raj, já está escalado para uma próxima novela da Globo. Em ‘Passione’, de Silvio de Abreu, que em 2010 substituirá ‘Viver a Vida’, ele formará um triângulo amoroso com Débora Falabella, por quem será apaixonado, e Alessandra Negrini, que o amará loucamente.

GALERIA 1

A Globo vai reproduzir no Projac um pedaço da Galeria do Rock, centro comercial da rua 24 de Maio, em São Paulo, famoso por suas lojas de CDs para várias tribos, entre elas roqueiros e rappers.. A galeria da Globo se chamará Galeria dos Manos. Será cenário de sua próxima novela das sete, ainda sem nome, no ar em janeiro.

GALERIA 2

Na Galeria dos Manos trabalhará Ramón, papel de Leonardo Medeiros (o Elias de ‘A Favorita’). Também conhecido como Tiozinho do Rock, Ramón será um velho roqueiro, meio Ozzy Osbourne, pai de Jannis e Led. Ele irá lutar para que a galeria não seja destruída para dar lugar ao maior edifício da América Latina..

CANAL SECRETO

Por determinação recente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Sky voltou a distribuir o sinal da MTV, com quem trava batalha jurídica desde 2008. Mas a Sky está fornecendo o canal apenas a quem foi assinante da extinta DirecTV. Colocou a emissora no canal 143 e a identifica apenas como ‘variedades’.

MÚSICO E ATOR

Depois de vários filmes e uma novela (‘Bang Bang’), o músico Paulo Miklos volta a atuar em ‘Aline’, nova série da Globo. No terceiro episódio, o vocalista e saxofonista da banda Titãs aparecerá tocando seu próprio instrumento. Ele fará Jorge, pai de Pedro (Pedro Neschling), um dos protagonistas. Jorge é um pai ausente e andarilho, que vive de música. Encontrará o filho na praça das Bandeiras, centro de SP. Influenciado, Pedro irá pelo mesmo caminho, mas procurando emprego em banda e casa de show.’

 

Bia Abramo

Minisséries, teatro e televisão

‘É A SEGUNDA deste ano: uma minissérie de TV, dirigida por um cineasta, que tem uma montagem teatral como núcleo da história. Talvez seja mera coincidência, talvez não: tanto em ‘Som e Fúria’, de Fernando Meirelles, como em ‘Trago Comigo’, de Tata Amaral, o teatro aparece como uma maneira de contar história que carrega, digamos, uma verdade maior do que a dos meios audiovisuais.

Mostrando o processo de concepção e construção do espetáculo, é como se o autor fizesse o espectador se deter mais em como são feitas as histórias e não em seu ‘resultado’ final.

Seria, portanto, uma maneira de não entregar de bandeja o ouro ao bandido e sim fazê-lo construir, pouco a pouco, a história e seu sentido.

Param por aí, entretanto, as semelhanças entre ‘Som e Fúria’ e ‘Trago Comigo’, cujos quatro capítulos serão reexibidos semanalmente a partir de hoje pela TV Cultura (às 22h; classificação: 16 anos).

Na minissérie de Tata, esse recurso de contar uma história dentro de uma história serve também a um de seus temas centrais: a recuperação da memória da tortura.

A série trata de um diretor de teatro, Telmo, que começa a montar uma peça sobre sua experiência com as insistentes perguntas sobre Lia, companheira e amante do passado. No grupo de jovens atores que se reúne em torno de Telmo, está a atual namorada, que não compreende sua distância amorosa, nem sua relutância em falar de sua história.

A peça começa a ser montada a partir de suas reminiscências e de sua hesitação em olhar para o destino de Lia, envolta numa espessa sombra de culpa e segredo. Ok, até aqui estamos num roteiro quase convencional sobre esse período. Mas o olhar de Tata, como já havia mostrado em ‘Antônia’, sobretudo a versão para a série de TV, procura as tessituras afetivas. Para além de entender o que aconteceu ‘realmente’ com Lia, o que eventualmente acaba acontecendo, o diretor parte, na verdade, em direção à recuperação de sua afetividade, deixada em cacos em algum momento de 1968.

A intervenção dos depoimentos de pessoas que passaram pela prisão, tortura e exílio, entremeadas na ficção, reforça esse caráter terapêutico do processo de reconstrução da memória: a fala dos entrevistados, mais do que recontar os acontecimentos em si, pontua as dificuldades passadas, presentes e, eventualmente, também as futuras, de dar sentido àquela experiência..

E, na verdade, tinha outra coincidência: além do imbróglio entre cinema, teatro e TV, ‘Trago Comigo’ está entre as melhores realizações da teledramaturgia deste ano.’

 

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