Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Folha de S. Paulo

05/05/2009 na edição 536

GAY TALESE
Sylvia Colombo

‘Não é possível dar google em tudo’

‘Gay Talese está otimista. Apesar das ameaças ao jornalismo impresso, por conta da expansão do alcance da internet e da perspectiva dos efeitos da crise internacional, o veterano autor, 77, acha que periódicos e revistas têm sobrevivência garantida caso continuem apostando em boas histórias. ‘Sei que falo como um velho da profissão’, disse, em entrevista à Folha, por telefone, de Nova York, onde vive. ‘Mas o mundo está cheio de coisas interessantes. Basta ser criativo para encontrá-las e disseminá-las de modo original.’

Para Talese, porém, vive-se um momento de incerteza por conta da fragilidade de alguns veículos. E destaca o exemplo do ‘New York Times’, que se encontra em uma situação econômica alarmante. ‘Vários erros foram cometidos ali. O principal deles foi terem aberto seu conteúdo on-line.’

Em sua opinião, o equívoco estaria em tornar gratuito algo que custa caro, a informação. ‘Há mentiras em todos os lados, na política, no esporte, na cultura. Buscar a verdade é a essência do jornalismo. Só que essa busca custa caro. É preciso pagar o repórter, suas contas, suas viagens, seus telefonemas e até a imensa quantidade de tempo que se perde atrás de pistas faltas.’

Se isso não for feito, conclui, não haverá diferença entre uma informação obtida pelo ‘Guardian’ ou por um blog anônimo. ‘É preciso cobrar pelo que se publica. Porque se trata de uma tentativa de encontrar a verdade, uma verdade que é necessária para a sociedade e que tem um preço.’ E arremata: ‘Não é possível dar um google em tudo e achar que assim se está informado. A internet está cheia de lixo’.

Qual seria a saída, então, para evitar a queda da circulação de jornais e o desinteresse de anunciantes tanto nos meios impressos quanto nos eletrônicos? ‘Não sei’, admite. ‘A economia e os governos têm de dar conta disso. Não sou pessimista. Sei que é um momento trágico, mas o que fazemos é muito importante e não acredito que deixará de ser.’

No Brasil

Ao lado do cientista Richard Dawkins, Talese é um dos principais destaques da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece de 1º a 5 de julho. Desde os anos 50, está na ativa e é um dos expoentes do chamado ‘new journalism’ -não-ficção apresentada com vestimenta literária. É autor de clássicos do gênero, como ‘A Mulher do Próximo’ (2002), e ‘O Reino e o Poder’ (2000). Atuou no ‘New York Times’, na ‘Esquire’ e em outras publicações.

Agora, o jornalista tem ‘Vida de Escritor’, livro de 2006, lançado no Brasil. A obra traz histórias sobre como algumas de suas reportagens foram feitas, sua busca por inspiração e sugere elementos em comum a grande parte delas.

Conhecido por retratar famosos, como o cantor Frank Sinatra ou o jogador de beisebol Joe DiMaggio, outra obsessão do escritor surge nessa obra: o fracasso. É o caso da jogadora de futebol chinesa Liu Ying, que perdeu um pênalti na final da Copa do Mundo de 1999 e fez com que seu país fosse derrotado pelos Estados Unidos.

Ou de certo endereço em Manhattan onde várias tentativas de criar um restaurante foram feitas, mas nunca deram certo. ‘É uma espécie de capital do fracasso em Nova York’, define. ‘Não tenho fascínio pela derrota em si, mas pelas histórias de perseverança. Dos anti-heróis que não atingem a glória. Ou seja, a maioria das pessoas.’

Apesar de prolixo, o livro é uma boa introdução à obra de Talese. Mostra o rigor e o detalhismo na apuração de fatos e expõe dúvidas comuns a autores e jornalistas.

Obama

Talese vê com bons olhos o novo governo dos EUA. Entre as qualidades de Barack Obama que enumera, destaca a nova cara do país que está sendo oferecida ao mundo. ‘Bush falou à Venezuela, ao Irã, à Cuba, à Europa e ao Brasil coisas que nos embaraçavam. Não nos sentíamos representados por ele, e sim envergonhados’, afirmou.

Mas Talese também critica a atuação da mídia no período, por não ter duvidado da informação sobre a presença de armas de destruição em massa no Iraque. ‘A imprensa também é responsável por termos mandado à morte nossos soldados e por destruirmos aquele país, que definitivamente vivia melhor com Saddam Hussein.’

VIDA DE ESCRITOR

Autor: Gay Talese

Tradutor: Donaldson M. Garschagen

Lançamento: Companhia das Letras

Quanto: R$ 59 (509 págs.)’

 

PARA VENDER JORNAIS
Clóvis Rossi

Jack e a gripe suína

‘SÃO PAULO – Um estraga-prazeres chamado Andrew Cook, historiador britânico, está dinamitando a lenda de Jack, o Estripador. Diz que não passou de uma invenção para vender mais jornais. É o que relata o ‘Times’ de ontem, com base no livro ‘Jack, o Estripador: Caso Encerrado’. Nele, Cook afirma taxativamente que Jack é um personagem de ficção inventado pelos jornalistas e que os crimes no East End londrino, em 1888, foram obra de diferentes homens, sem nenhuma ligação entre eles.

O foco principal do livro é o jornal ‘The Star’, lançado pouco antes de os assassinatos começarem e que foi o primeiro a sugerir um ‘serial killer’. Coincidência ou não, o ‘Star’ viu sua circulação aumentar em 232 mil exemplares durante o período em que noticiou à exaustão os crimes atribuídos a Jack.

Sou obrigado a confessar que, ao ler a história do ‘Times’, não consegui deixar de pensar no mais recente ‘serial killer’ a frequentar a mídia, a tal de gripe suína, agora rebatizada para H1N1. Com uma ressalva essencial: jornais como esta Folha dependem quase nada de venda avulsa, ao contrário de tabloides. Mas um sucessor do ‘Star’, o tabloide ‘The Sun’, vazou ontem relatório (de setembro) do Departamento de Saúde britânico prevendo que, na eventualidade de uma pandemia, 750 mil pessoas morreriam (só no Reino Unido) e 1,2 milhão seria hospitalizado, levando ao colapso ‘total ou parcial’ da infraestrutura de saúde.

Quando se sabe que até ontem apenas dez pessoas haviam morrido -e no mundo todo-, é inevitável o paralelismo entre um ‘serial killer’ que não existia e um que parece estar sendo exagerado. Pergunta também inevitável: quantas pessoas morrem, no mundo, de gripe comum no mesmo período em que morreram as dez vítimas da H1N1?’

 

SÍMBOLO
Ruy Castro

Máscaras

‘RIO DE JANEIRO – As máscaras cirúrgicas, onipresentes nos jornais e na televisão durante a semana, já estão se tornando o símbolo da gripe suína. A todo instante, as imagens mostram pessoas desembarcando em aeroportos com o nariz e a boca cobertos, para não contaminar os nativos com os vírus ou bactérias possivelmente adquiridos em seus países de origem. É uma visão dramática, inclusive no sentido da teatralidade.

Agora que a OMS (Organização Mundial de Saúde) promoveu a gripe para a categoria 5 de pandemia (num máximo de 6), teme-se que a produção de máscaras em cada país não chegue para as necessidades e venha a faltar justo para os que mais precisarão delas: os profissionais da área da saúde.

Na verdade, já deveríamos ter adotado o uso dessas máscaras no Brasil muito antes de a gripe suína nos obrigar a isso. E começando pela Câmara dos Deputados, em Brasília, assim que estourou a farra das passagens aéreas para o exterior pagas pelo contribuinte. Diante do escândalo, que não livrou nem os poucos parlamentares que ainda pareciam imaculados por maracutaias, o ideal seria que os deputados só se apresentassem em público equipados com elas. Imagine o risco de um deles espirrar na frente de um cidadão comum e lhe repassar o vírus do cinismo e da cara-de-pau.

O Judiciário também poderia aderir às máscaras, nem que fosse para abafar os bate-bocas que alguns de seus ilustres representantes andaram protagonizando. Mas elas serviriam principalmente para impedir que as bactérias emanadas por certas sentenças contaminassem as pessoas que ainda continuam acreditando na Justiça.

Por fim, e já que os aloprados do poder continuarão à solta, o exemplo deveria vir de cima, e o primeiro a adotar o uso compulsório das máscaras seria o Executivo.’

 

TV JUSTIÇA
Carlos Velloso

A TV Justiça e o seu papel

‘FUI UM dos incentivadores da TV Justiça. É que entendia e entendo que a televisão pode prestar bons serviços ao tribunal, mostrando como a casa trabalha.

Não há, no universo das repartições públicas brasileiras, outra instituição pública em que se trabalhe tanto e com tanto espírito republicano. E é importante a divulgação dos grandes momentos da corte, que poderia e pode prestar, sob esse aspecto, bons serviços aos jurisdicionados, aos operadores e aos estudiosos do direito.

Instalada a televisão, embora não consultado, manifestei, informalmente, o meu inconformismo com a transmissão ao vivo dos julgamentos. Sustentava e sustento que a transmissão deve ser realizada depois de editado o programa e afastado o que não é interessante sob o ponto de vista jurídico. Os relatórios, por exemplo, costumam ser enfadonhos. Num programa editado, eles poderiam ser resumidos e conter o essencial à compreensão da matéria.

E os grandes momentos dos debates, é dizer, as discussões das questões jurídicas, das questões constitucionais, inclusive das sustentações orais do procurador-geral e dos advogados, poderiam ser selecionados.

Já naquela época dizia eu que o tribunal se compunha, como hoje se compõe, de juízes de personalidades fortes. São 11 vontades de homens e mulheres de notável saber jurídico. Mas são 11 vontades de seres humanos, e não de anjos. De quando em vez, as discussões podem tornar-se acaloradas.

Ora, não é bom para a corte, que deve ministrar lições de equilíbrio e concórdia para todo o Judiciário, mostrar ao vivo exaltações de algum ou alguns de seus membros.

O STF sempre foi cenário de discussões, por vezes ásperas, entre os ministros. Elas ficavam, no entanto, no âmbito da casa. Os advogados presentes à sessão delas tomavam conhecimento, mas compreendiam que não ocorriam por mal. E, terminado o julgamento, os juízes se cumprimentavam e as divergências acabavam ali.

Ultimamente, entretanto, com a transmissão ao vivo, acalorados debates têm sido postos aos olhos de quem não é do ramo e que, por isso mesmo, não os compreende, o que resulta em detrimento do prestígio do tribunal e do Poder Judiciário.

Não conheço outro país em que haja transmissão ao vivo de sessões de seus tribunais. Na Suprema Corte norte-americana, que os pais da República tomaram como padrão para o Supremo Tribunal Federal, as discussões ocorrem em sessões reservadas. E nos julgamentos públicos não se permitem nem fotografias.

De uma feita, visitando, com um grupo de juízes brasileiros, o Supremo Tribunal de Justiça espanhol, quando o presidente do tribunal nos falava sobre o seu funcionamento, esclarecendo que os debates se faziam, de regra, em sessão reservada, um dos nossos juízes pediu a palavra e informou que as sessões da corte suprema brasileira eram televisionadas. O presidente mostrou-se surpreso, indagando-me se confirmava o que fora declarado. Diante da resposta afirmativa, ele pareceu não compreender o inusitado, para ele, da informação.

É que os tribunais regem-se por normas graves, que vêm de longe, no tempo e no espaço, marcadas pela austeridade.

Expor debates da corte na TV Justiça é excelente, mas depois de editados, como acontece com os grandes programas de televisão. Ao vivo, não me parece bom.

A sociedade espera dos juízes comportamento moderado, equilibrado. Todavia, vale repetir, os juízes são seres humanos, não são anjos e estão sujeitos a exasperações nem sempre bem compreendidas pelo homem comum. Pessoas, muita vez movidas por posições ideológicas, tomam partido em favor de um ou de outro dos juízes, vulgarizando o debate judicial.

Levemos à sociedade as discussões jurídicas que ocorrem no Supremo Tribunal Federal e que consubstanciam lições notáveis. Elas são muitas. Vamos tratar melhor a corte suprema brasileira. Ela, cuja história se confunde com a história da República, bem que merece.

CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO, 73, professor emérito da UnB (Universidade de Brasília) e da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), foi presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). É autor do livro ‘Temas de Direito Público’.’

 

Gustavo Binenbojm

A Justiça na TV

‘A RECENTE troca de gentilezas entre dois ministros numa sessão pública do Supremo Tribunal Federal deflagrou um conjunto de críticas ao modelo brasileiro de televisionamento, ao vivo, dos julgamentos da corte.

Diz-se, por exemplo, que a TV expõe mazelas internas, estimula o exibicionismo e inibe que posicionamentos contrários à opinião pública majoritária sejam livremente expostos. Além disso, no mais puro exercício do ‘complexo de vira-lata’, afirma-se que a transmissão só existe assim no Brasil e que, portanto, não pode ser boa coisa.

As críticas são injustas com os membros do STF e improcedentes tanto do ponto de vista teórico quanto do ponto de vista prático. Não é fiel à realidade a crítica quanto a qualquer embotamento de consciência dos juízes provocado pela veiculação das sessões na mídia eletrônica, por pressão da opinião pública, ou a algum estímulo à vaidade fora dos padrões toleráveis.

Também não se justifica criticar o modelo pelos conflitos internos que expõe -alguns deles, reconheça-se, em tom realmente inadequado. Censurar a TV Justiça a tal pretexto equivaleria a pretender curar a febre pondo o termômetro na geladeira.

Em termos teóricos, há muito foi abandonada a concepção do Poder Judiciário como seita secreta, cujos sábios precisam de isolamento para ditar suas pretensas verdades.

Um tribunal -sobretudo um tribunal constitucional- deve discutir suas razões às claras, expondo à comunidade jurídica (e a toda a sociedade) o processo de construção das suas deliberações.

A defesa da Constituição é tarefa por demais importante para ficar aprisionada às quatro paredes do claustro judicial; se interpretar o sentido das normas constitucionais é algo decisivo para a definição dos direitos e deveres mais fundamentais dos cidadãos, todos os membros da coletividade devem ter o direito -na maior medida possível- de conhecer os porquês das decisões do Supremo Tribunal Federal.

Embora a palavra final caiba aos ministros da corte, todos os cidadãos devem ter a possibilidade de comungar, ao vivo e em cores, do banquete constitucional.

Ao ângulo prático, as transmissões dos julgamentos têm produzido resultados interessantes. Não é desprezível a visibilidade que grandes questões nacionais ganharam quando examinadas pelo Supremo. O julgamento do mensalão, a questão das pesquisas com células-tronco, o problema do antissemitismo como racismo e a garantia de terras às populações indígenas são casos eloquentes de mobilização da sociedade em torno de sérios problemas do país. Para dizer o mínimo, nossa suprema corte é hoje um fórum de discussão democrática mais relevante e respeitado do que o próprio Congresso Nacional.

Todo esse processo de construção institucional do Poder Judiciário foi potencializado pela TV Justiça e, em particular, pelo televisionamento das sessões do STF.

A repercussão dos julgamentos desperta a cidadania e estabelece um diálogo profícuo com as demais autoridades políticas. Os ganhos em termos de transparência e legitimação das decisões têm compensado, plenamente, eventuais desgastes. Ao fim e ao cabo, discussões destemperadas podem ser evitadas com o apelo ao velho bom senso.

Nem toda ideia original é boa, assim como nem toda boa ideia é original. Mas isso não impediu que o Brasil desse uma ideia boa e original ao mundo.

GUSTAVO BINENBOJM, 36, mestre pela Yale Law School e doutor em direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), é procurador do Estado do Rio de Janeiro, professor adjunto de direito administrativo da Uerj.’

 

LEI DE IMPRENSA
Felipe Seligman e Maria Clara Cabral

Congressistas divergem sobre nova lei para direito de resposta

‘Até e se o Congresso editar uma lei criando regras para o direito de resposta a quem se sentir prejudicado por reportagem jornalística, os juízes de todo o Brasil terão de observar alguns parâmetros presentes no voto do relator da ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que revogou a Lei de Imprensa, ministro Carlos Ayres Britto.

A corte revogou ontem a lei (nº 5.250/67), criada no regime militar (1964-1985), que previa atos como a censura, a apreensão de publicações e a ‘blindagem’ de autoridades contra o trabalho jornalístico.

O principal parâmetro estipulado por Ayres Britto é baseado na Constituição e diz que a resposta de quem se sentiu agredido pela imprensa tem que ser proporcional à reportagem publicada, assim como a indenização ao dano sofrido.

O relator também diz, em seu voto, que os valores da indenização não devem ser ‘exacerbados’ e, no caso de agentes públicos, têm que ser ‘módicos’.

‘A excessividade indenizatória já é, em si mesma, poderoso fator de inibição da liberdade de imprensa; segundo, esse carregar nas cores da indenização pode levar até mesmo ao fechamento de pequenos e médios órgãos de comunicação social, o que é de todo impensável num regime de plenitude da liberdade de informação jornalística’, disse Ayres Britto.

Congressistas estão divididos sobre a necessidade de uma nova lei que trate do direito de resposta. Um projeto neste sentido já tramita na Câmara desde 1992 e está pronto para ser votado no plenário desde 1997.

Para o presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), autor da ação julgada no Supremo, o caso está encerrado. ‘Não existe vácuo, porque o direito de resposta está assegurado na Constituição e o direito de requisitá-lo no Código Civil’, disse Miro.

A opinião é a mesma do líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP): ‘Quanto menos lei melhor’.

Já o líder do PT na Casa, Cândido Vaccarezza (SP), defende que seja feita uma lei de imprensa moderna, que trate não só do direito de resposta, mas de outros temas sobre imprensa.

O presidente Lula, por sua vez, disse ontem no Rio que não sabia da revogação da lei. ‘Eu não sabia, não. Acho que não existe vácuo, o que nós precisamos garantir é a manutenção da total liberdade de imprensa. A gente pode gostar, não gostar, mas a liberdade de imprensa é o que garante a consolidação do processo democrático.’’

 

FOTOJORNALISMO
Folha de S. Paulo

Fotos de Robert Capa são descobertas no México

‘Praticamente intocados por 70 anos, rolos de filmes com 4.300 negativos feitos por Robert Capa, Gerda Taro e David Seymour durante a Guerra Civil Espanhola foram encontrados na Cidade do México.

A história foi tema de reportagem do jornal ‘The New York Times’ nesta semana.

Os 126 rolos de filme estavam em três caixas gastas de papelão e foram levados para o Centro Internacional de Fotografia, no México, um ano atrás.

Os estudiosos encontraram várias imagens até agora desconhecidas feitas por Capa, um dos fundadores da agência fotográfica Magnum e pioneiro fotógrafo de guerra, e Taro, sua companheira e parceira profissional, que morreu em 1937 atingida por um tanque perto do front a oeste de Madri.

Mais surpreendente ainda foi a abundância de trabalhos novos de David Seymour, conhecido como Chim, que havia nas caixas. Outro dos fundadores da Magnum, ele não era conhecido por suas fotos do campo de batalha, mas por ter documentado de maneira penetrante a vida dos espanhóis à sombra da guerra.

‘Isto realmente dá forma pela primeira vez à imagem que temos de Chim na Espanha, e o trabalho é realmente uma grande realização’, disse Brian Wallis, curador chefe do centro, que planeja uma retrospectiva da carreira de Chim a ser inaugurada em 2010.

Mais ou menos um terço dos negativos encontrados nas caixas é obra de Chim (o apelido é uma abreviação de seu sobrenome real, Szymin), morto em 1956 quando cobria a crise do Suez. ‘Ficamos estarrecidos ao ver que parte tão grande do trabalho é dele’, disse Wallis.

Apesar das esperanças iniciais, os negativos não elucidaram uma dúvida que paira há anos sobre a carreira de Robert Capa: a possibilidade de ele ter encenado a foto que talvez seja sua mais famosa, e um dos retratos definitivos da guerra: ‘O Soldado Caindo’, que mostra um miliciano republicano espanhol caindo para trás no que parece ser o exato momento em que uma bala o mata, perto de Córdoba, em 1936.’

 

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