Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > FIM DE SEMANA, 5 E 6/12

Folha de S. Paulo

08/12/2009 na edição 567

INTERNET
Folha de S. Paulo

Banda larga

‘DEPOIS DE dois meses de discussões entre representantes da Casa Civil e dos ministérios das Comunicações e do Planejamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no final de novembro, uma série de propostas relativas ao Plano Nacional de Banda Larga -conjunto de ações com vistas a ampliar o acesso da população brasileira a conexões rápidas de internet.

O tema é relevante. A internet tornou-se uma ferramenta de primeira necessidade no mundo contemporâneo. É um bem, como a água, a educação e o transporte, que precisa chegar aos cidadãos em condições minimamente compatíveis com os avanços tecnológicos.

O panorama do setor, no Brasil, é de pouca concorrência e forte concentração nas regiões Sul e Sudeste, que contam com 80% dos acessos mais velozes. Apenas o Estado de São Paulo, com 20% da população, responde por 40% das conexões desse gênero existentes no país.

O quadro reflete desigualdades regionais e a lógica concentradora do mercado. É o caso em que o poder público deve agir. Foi o que tentou fazer na privatização da telefonia, quando impôs às empresas metas de atendimento às áreas que corriam o risco de ficar desassistidas.

Há, no entanto, muitas maneiras de o governo atuar para corrigir desequilíbrios. A menos recomendável delas é a intervenção direta, por meio da estatização pura e simples. Essa, lamentavelmente, é uma das opções que se apresentam no caso da banda larga. Uma ala ligada ao Planalto defende que o processo de universalização das conexões mais velozes seja conduzido por uma nova empresa do Estado, administrada pela Telebrás.

Ainda que algum grau de presença governamental possa se revelar necessário, o melhor caminho vai em sentido contrário. Num mercado concentrado, controlado por poucos ‘players’, o ideal é que o plano seja um instrumento para aumentar a competitividade do setor.

Regulamentação e políticas fiscais inteligentes deveriam ser utilizadas para atrair novas operadoras -o que aumentaria a competição e tornaria o sistema mais eficiente, em benefício do consumidor.

A concentração é, sem dúvida, um dos motivos que explicam o fato de as empresas oferecerem serviços de baixa qualidade. O que se considera banda larga no Brasil é uma conexão ainda muito aquém das que são oferecidas em outros países. Além disso, muitas vezes as teles não entregam aos consumidores a velocidade contratada.

Um caso grave é o da internet móvel, a banda larga em 3G (terceira geração), que cresce de modo acelerado no país. Apenas recentemente a Anatel começou a tomar medidas para enquadrar as empresas que produzem publicidade atraente e oferecem serviços de baixa qualidade.

Caberá ao presidente Lula escolher entre o retrocesso estatizante e medidas capazes de propiciar ao país um projeto moderno e eficaz para tornar a banda larga acessível a todos.’

 

POLÍTICA
Cesar Maia

Novo príncipe

‘‘EL NUEVO Príncipe’ (editora El Ateneo), de Dick Morris (coordenador de Clinton em 2006), é leitura básica para entender a complexidade da comunicação política dos governos, muito maior que a do marketing eleitoral, pois ocorre dia a dia. E se insere num universo diversificado, de imprensa, comunicação direta, boatos, opinião pública segmentada, contracomunicação da oposição e dos insatisfeitos e da internet.

Morris fala disso em ‘Governar’, na parte 2 de seu livro. Nele, trata de temas como popularidade cotidiana, exercício da liderança, agressividade ou conciliação, inércia burocrática, cuidar das costas (controlar seu partido), cortejar a oposição, grupos de pressão, buscar recursos e continuar sendo virtuoso, o mito da manipulação da mídia e como sobreviver a um escândalo.

A este último ponto Morris dedica atenção. ‘Não há como ganhar na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é falar a verdade, aguentar o tranco e avançar’. Com vasta experiência junto à imprensa dos EUA, lembra que, quando ela abre um escândalo, tem munição guardada para os próximos dias. Os editores fatiam a matéria, pedaço a pedaço, para a cada dia ter uma nova revelação.

De nada adianta querer suturar o escândalo com uma negação reativa, pois virão outras logo depois, desmoralizando a defesa. E outros veículos entram com fatos novos, para desmentir. Para Morris, a chave é não mentir. O dano de mentir é mortal. ‘Uma mentira leva a outra, e o que era uma incomodidade passa a ser obstrução criminal à Justiça’.

A força de um escândalo é a sua importância política. As pessoas perdoam muito mais aqueles fatos sem relação com o ato de governar.

E ir acompanhando a reação do público. ‘Se os eleitores se mostram verdadeiramente escandalizados com o que se diz que ele fez, é melhor que não tenha feito. Roubar dinheiro quase sempre não se perdoa’.

Em outros tipos de escândalo, como os de comportamento, os eleitores se mostram mais suaves e compreensíveis. Os mais velhos são sempre menos tolerantes. Os de idade intermediária tendem a ser mais flexíveis, especialmente com escândalos de comportamento. Os eleitores jovens se fixam mais no caráter do governante. Assim, além da complexidade de enfrentar um escândalo, a comunicação de governo deve ser, pelo menos, etariamente segmentada.

Na medida em que o governante nada tenha a ver diretamente com o fato, que os responsáveis sejam de fato afastados por traição de confiança. Caso contrário, o próprio governo será contaminado e terá perdido precocemente a batalha de opinião pública e, assim, a batalha política.’

 

Márcio Pinho

Após chuva, Kassab aumenta publicidade

‘Um dia após as chuvas paralisarem São Paulo, a gestão Gilberto Kassab (DEM) remanejou R$ 10 milhões para investimentos em publicidade. De acordo com a prefeitura, o montante será utilizado em ações de conscientização na campanha contra a dengue.

Com isso, a gestão deverá gastar com publicidade neste ano a quantia recorde de R$ 90 milhões. O total é aproximadamente 265% superior à verba prevista no Orçamento no início deste ano -R$ 33,7 milhões. Supera também com vantagem os R$ 39,7 milhões gastos por Kassab em 2008.

A verba para publicidade em 2009 representa metade do que a Secretaria de Infraestrutura Urbana gastou em obras de prevenção de enchentes neste ano: R$ 180 milhões. O total de gastos na área, incluindo trabalhos de conservação -como limpeza de córregos-, foi de R$ 309 milhões.

A publicidade, porém, superou o gasto de diversas ações antienchente. Em obras de drenagem, por exemplo, foram investidos R$ 59 milhões. Já a construção de reservatórios e piscinões recebeu R$ 1,4 milhão -somente 8% do que estava previsto no início do ano.

Kassab congelou o Orçamento de 2009, pois viu que arrecadaria menos do que o previsto. Ele culpa a crise financeira. O congelamento não atingiu, no entanto, a propaganda. O setor herdou R$ 10 milhões que deveriam ser direcionados principalmente à constituição de capital de empresas.

Segundo comunicado divulgado pela assessoria de imprensa da prefeitura, os R$ 10 milhões serão destinados agora para a campanha de orientação e conscientização na prevenção contra a dengue.

O comunicado diz que ‘pequenos cuidados’ podem evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que é mais intensa em períodos de chuvas.

A assessoria de imprensa do gabinete do prefeito afirmou que a verba para publicidade é usada na divulgação de diferentes programas e campanhas de interesse da população.

Recorde futuro

Para o próximo ano, já está programado um novo recorde de gastos com propaganda oficial. A verba para publicidade prevista é de R$ 105 milhões.

O valor supera, por exemplo, a verba reservada para construção, ampliação e reformas de CEUs e escolas de ensino fundamental na rede municipal.’

 

BOLÍVIA
Na reta final, filho de presidente é foco de polêmica com TV

‘O presidente da Bolívia anunciou nesta semana, por meio de seu porta-voz, que levará à Justiça a emissora de TV Uno por transmitir uma entrevista do filho de Evo Morales, Álvaro, 15, na qual ele chora pela pobreza em que vive com a sua mãe. No depoimento, segundo o jornal ‘La Prensa’, Álvaro diz que tinha esperança de melhorar de vida quando seu pai chegou à Presidência. O governo alega violação de intimidade de Álvaro e de leis da criança e do adolescente no país.’

 

TELEVISÃO
Mônica Bergamo

Outra freguesia

‘A TV Globo bateu o martelo: não vai comprar a adaptação, para minissérie, do filme ‘Lula, o Filho do Brasil’. E incluirá o longa de Fábio Barreto, sobre a vida do presidente, em sua programação apenas em 2011 -depois das eleições do próximo ano.

OUTRA FREGUESIA 2

‘Se o Barretão [Luiz Carlos Barreto, produtor do longa] quiser mostrar sua minissérie, terá que ser em outra TV já que isso nunca esteve em nossos planos’, diz uma pessoa da cúpula da emissora. Barreto imagina que a minissérie poderá ter até 26 capítulos, de ‘tão rica’ que é a vida de Lula.’

 

Lúcia Valentim Rodrigues

Seriado naval é líder do horário nobre nos EUA

‘Enquanto as emissoras norte-americanas seguem em busca do ‘novo ‘Lost’, a CBS enfrenta os tufões de audiência com uma veterana. ‘NCIS’, que investiga crimes ligados à Marinha americana, segue líder no horário nobre, batendo inclusive a ficção científica ‘V’, que foi bem na estreia, mas depois caiu vertiginosamente.

‘NCIS’ não raro supera os 20 milhões de espectadores, índice muito maior do que seu início, com 11 milhões. Agora em intervalo de férias nos EUA, a sétima temporada estreia no Brasil em março, no canal AXN.

O protagonista Mark Harmon, que interpreta o líder Jethro Gibbs, diz que é ‘raro’ uma audiência subir tanto quando já há tantos episódios no ar. ‘E continuamos a crescer. Olhando de fora, pode parecer estranho, mas sempre achamos que ia dar certo. Nem sempre foi um lugar confortável para estar. Houve mudanças para adequar o programa.

Como a audiência comprova, elas foram positivas’, afirma em entrevista em Los Angeles.

Os atores creem que o acréscimo de público também tenha a ver com os jovens, que descobriram o programa nas reprises da TV a cabo e agora seguem os episódios inéditos. Mas Harmon é cético: ‘Só há um lugar para onde você pode ir depois de atingir o topo… Nosso trabalho é fazer isso demorar’.

Com relação à trama, os produtores não perdem de vista os fãs iniciantes. Por isso a nova temporada começa com uma longa apresentação de cada um dos personagens da equipe por Tony DiNozzo (Michael Weatherly), um dos agentes que é capturado no norte da África após ir atrás de Ziva (Côte de Pablo), que se divide entre o Mossad israelense e a agência de inteligência americana.

‘Nesta fase vamos resolver a confusão em que ela se meteu ao ser pega por mercenários.

Ela vai ter de recuperar a confiança do chefe e descobrir com quem pode contar’, explica Côte, que é o centro dos quatro primeiros episódios. Harmon diz que Ziva ‘vai estar ali de corpo, mas não de alma’. ‘Ela vai questionar família e lealdade. Isso vai mudar a relação dela com todo mundo da equipe.’

Para quem já acompanha a série, outros chamarizes vão atrair a audiência. O pai de Tony vai aparecer. ‘Vendo Tony, já dá para imaginar como esse cara é estragado’, explica Weatherly. Outra novidade vai ser na casa de Gibbs. ‘Ele tem mais do que aquele porão onde constrói o barco’, conta Harmon. ‘E faz muito tempo que uma mulher não passa ali.’

A repórter LÚCIA VALENTIM RODRIGUES viajou a convite da Sony’

 

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