Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 6 E 7/2

Folha de S. Paulo

09/02/2010 na edição 576


POLÍTICA
Fabiano Maisonnave


Publicitário do PT é favorecido em El Salvador


‘Meses após coordenar, por indicação do presidente Lula, a campanha eleitoral vitoriosa do líder esquerdista Mauricio Funes em El Salvador, o marqueteiro João Santana obteve do governo centro-americano a reserva de praticamente todos os contratos publicitários estatais, sem passar por licitação. As agências de publicidade locais acusaram a decisão de ilegal, desleal e anticompetitiva.


A decisão de Funes foi revelada pelo jornal digital salvadorenho ‘El Faro’ em janeiro.


A publicação obteve uma resolução de Funes, editada em 19 de novembro. Ali, ele determina que a Presidência e os principais ministérios e autarquias, como as pastas de Educação e Saúde, só podem contratar serviços publicitários da empresa Polistepeque, fundada por Santana e a mulher, Monica Moura, em 9 de julho passado, 38 dias depois da posse de Funes, à qual Lula compareceu.


A resolução justifica a preferência pela Polistepeque afirmando que, após ‘uma exaustiva pesquisa de mercado’, a empresa de origem brasileira é a única em El Salvador em condições de atender o governo.


A resolução obriga ministérios e a Presidência a contratar a Polistepeque, mas, segundo o governo Funes, os únicos trabalhos feitos até agora são o logotipo e spots televisivos.


A suposta falta de opções consta da resolução para justificar a contratação direta sem licitação, prevista nos artigos 71 e 72 da Lei de Aquisições e Contratação da Administração Pública ‘quando houver apenas uma fonte’ de um serviço.


O argumento foi duramente questionado pela Asap (Associação Salvadorenha de Agências de Publicidade), que, em nota, colocou em dúvida a existência da investigação ao afirmar que nenhuma de suas sócias ‘foi objeto de um estudo formal e transparente de serviços e capacidades por uma empresa de investigação’.


A Asap diz que El Salvador tem empresas capacitadas para atender o governo e que a resolução de Funes ‘dá a essa empresa uma força de pressão e controle sem precedentes em nosso país e monopoliza a forma de expressão pública do Estado’. Durante recente reunião com a Asap, Funes se negou a mostrar o suposto estudo, mas prometeu abrir licitações para outras áreas do governo.


O governo salvadorenho é responsável por 20% a 30% do mercado publicitário do país, que movimenta cerca de US$ 400 milhões ao ano. Segundo uma alta fonte do mercado publicitário, os números são pouco exatos devido à falta de transparência tanto dos governos anteriores quanto do atual em relação a gastos no setor.


Grande parte da influência de Santana no governo é atribuída em El Salvador à presença do argentino Luis Verdi na Casa Presidencial, onde ele figura como um dos principais colaboradores de Funes.


Verdi e Santana se conheceram em 1999, na Argentina, na derrotada campanha presidencial de Eduardo Duhalde. Em El Salvador, os dois voltaram a atuar juntos para eleger Funes. No governo, Verdi é assessor de comunicação, com acesso direto ao presidente. À Folha, Verdi negou envolvimento com a Polistepeque, mas defendeu a contratação.


‘O governo começou a contratação de uma compra coletiva de algumas instituições do Executivo com a Polistepeque. Isso é um sistema de compra coletiva que o governo tem não só com a publicidade, está fazendo com outras áreas, para baixar custos. Mas obviamente é um tema que tem a ver com a confiança com a Polistepeque, porque são as pessoas que fizeram a campanha’, afirmou.


Verdi disse que o contrato da Polistepeque não foi contestado legalmente e que dois terços dos órgão governamentais farão licitações para contratar agências: ‘Se há alguma dúvida ou suspeita a respeito, é absolutamente subjetiva’.’


 


EQUADOR


Correa fustiga a Justiça depois de decisão pró-emissora crítica


‘O presidente do Equador, Rafael Correa, disse ontem que uma decisão judicial favorável à TV Teleamazonas proferida na quarta-feira ‘é uma outra amostra do grau de decomposição’ da Justiça do país e do ‘poder imenso’ que seu governo enfrenta.


Na decisão, o juizado provincial a que a emissora recorrera considera que a sanção do governo do Equador que a tirou do ar por três dias no fim do ano passado ‘violou o devido processo legal’.


A desavença entre Quito e a Teleamazonas, crítica ao presidente, remete a 2008, quando a nova Constituição patrocinada pelo governo foi aprovada, vetando a participação do setor financeiro em meios de comunicação, o que obriga a TV a trocar de dono.


Só em 2009, quatro processos administrativos foram abertos contra a emissora do banqueiro Fidel Elgas.


O presidente expressou ainda apoio à estatal Supertel (Superintendência de Telecomunicações) para recorra da decisão do juizado provincial. ‘Não recuaremos. Todo o nosso apoio’, disse.


A própria Supertel havia imposto a sanção que tirou do ar a Teleamazonas em dezembro por ‘veiculação de informações incorretas’.


Após o episódio, a TV recorreu à Justiça alegando violação constitucional. Com o recurso negado por tribunal de Quito, apelou ao juizado provincial, que, além de decidir a favor da emissora, ordenou o pagamento de indenização pela Supertel.


Para Correa, seu governo ‘está enfrentando o maior poder no Equador e na América Latina: a imprensa’.’


 


TELEVISÃO
Samia Mazzucco


‘Força-Tarefa 2’ terá gravidez e ‘mais porrada’


‘Uma gravidez na trama, mais ação nas cenas e cinco minutos extras por episódio para finais elaborados. Essas são as principais promessas para a segunda temporada de ‘Força-Tarefa’, seriado da Globo que conta histórias de policiais militares da Corregedoria do Rio, responsáveis por investigar crimes cometidos por colegas. ‘Vai ter mais porrada’, resume o diretor-geral, José Alvarenga Jr.


A grávida será Jaqueline (Fabíula Nascimento), namorada do incorruptível tenente Wilson (Murilo Benício). ‘Ele continua com os mesmos princípios, mas [com o filho] terá reflexões mais profundas do que recusar uma propina. Sabe a preocupação do dinheiro não dar?’, diz Benício, em entrevista à Folha, no intervalo das filmagens em um mercado público em Benfica, subúrbio do Rio.


As gravações começaram em janeiro, três meses antes da estreia. Os autores Marçal Aquino e Fernando Bonassi escreveram 13 episódios, mas três foram cortados.


Segundo o diretor, o motivo é evitar conflito de imagem de Benício, que está escalado para interpretar o costureiro Víctor Valentim na novela ‘Ti-Ti-Ti’, trama de 1985 que será regravada pela Globo e ainda não tem data de estreia.


Na série, uma das razões para priorizar a ação foi uma pesquisa feita com o público após o término da primeira temporada, que apontou a preferência. ‘A primeira leva foi um treinamento, agora temos uma identidade’, afirma o diretor.


Outra explicação para investir na ‘porrada’ e nos conflitos pessoais é a falta de narrativa investigativa, base dos seriados americanos. Para o diretor, ‘Força-Tarefa’ é fruto da polícia de confronto do país.


Com ibope considerado bom para as 23h, média de 21 pontos, a meta é se manter entre 20 e 24. ‘Se chegar a 25, é festa’, diz, rindo, Alvarenga.


Sob uma temperatura que chegou a quase 36 C no dia em que a reportagem acompanhou as gravações externas, Milton Gonçalves, vestido de coronel Caetano, seca o suor que pinga pelo queixo. Com o colarinho molhado, se levanta do caixote em que estava sentado e segue para gravar uma cena.


‘É um programa que tem suor, não tem aquela maquiagem limpa. Esse tipo de sujeira mantém a personalidade [do policial]’, diz Alvarenga.


Em outra cena, em que Benício, vestindo uma roupa de rapper, foge por ser suspeito pela morte de dois policiais, o diretor de fotografia Tuca Moraes paralisa a gravação após o primeiro ensaio. ‘Vamos lapidar [a cena] porque está um diamante bruto.’ São cinco repetições até ajeitar o cenário e o movimento da câmera.


Com quatro dos seis dias de gravação semanais feitos externamente, o custo é alto. O diretor se limita a dizer que é o mesmo da primeira temporada. ‘Mas, como antecipamos as gravações, foi possível planejar mais e diminuir os gastos.’’


 


Matthew Broderick testa nova comédia


‘O ator Matthew Broderick (‘Curtindo a Vida Adoidado’), 47, estrela o piloto (episódio-teste) de ‘Beach Lane’, nova comédia da NBC americana.


Ele vive um escritor famoso, que é contratado por um milionário para gerenciar um jornal cheio de dívidas no balneário de luxo dos Hamptons.


A série acaba parodiando a vida real, já que o astro tem casa no local, assim como outras celebridades como Paris Hilton e Tiger Woods.’


 


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