Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Folha de S. Paulo

15/06/2010 na edição 594

COPA DO MUNDO
Fabio Victor

Copa em alta definição não elimina Galvão

‘Um mexicano e um sul- -africano sobem para disputar uma bola de cabeça, um lance corriqueiro do jogo de abertura. No replay, com a imagem incrivelmente límpida e aproximada, vemos a careca do sul-africano vibrar ao impacto da lépida Jabulani.

É como se os documentaristas de vida selvagem da BBC de repente deixassem as estepes africanas para gravar no Soccer City.

É a prometida ‘Copa HD’, da alta definição televisiva.

Geradas pela Fifa, as imagens são captadas por 33 câmeras, uma delas aérea (num helicóptero), oferecendo um balé estonteante para qualquer tarado por transmissões esportivas ao vivo.

Mas, então, impõe-se a questãozinha crucial: imagem é tudo? Ou ainda: tecnologia não é só isso mesmo?

Aí lembramos de Galvão, que não muda. Ontem torceu como um louco para o time da casa, cujo povo, disse, ‘andava de cabeça baixa e hoje olha para o céu’.

Quem comprou sua HDTV tem, pelo menos, uma opção do tempo do ronca: baixar o volume da nave espacial e aumentar o do rádio.’

 

CHÁVEZ
Venezuela ordena prisão de dono de TV

‘A Justiça da Venezuela ordenou ontem a prisão de Guillermo Zuloaga, presidente do canal de TV Globovisión, crítico do governo Hugo Chávez, e do filho do empresário, Guillermo Zuloaga Siso, ambos acusados de ‘usura genérica’ e ‘formação de quadrilha’ por suposta ocultação de veículos para promover especulação de preços.

Nenhum dos dois havia sido preso até o fechamento desta edição, informou na TV estatal a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega.

Ontem à noite, agentes dos Sebin (Serviços Bolivarianos de Inteligência) foram até a casa do empresário, em Caracas, com as ordens de prisão em mãos. Nem o empresário nem o filho estavam na residência.

Em 26 de março, Zuloaga foi detido por cerca de oito horas acusado de ‘vilipendiar’ o presidente Hugo Chávez em declarações feitas em um evento da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), em Aruba.

Ele foi impedido de deixar o país, mas responde a esse processo em liberdade.

A ordem de detenção contra o empresário vinculada à ação sobre ocultação de veículos, aberta em maio de 2009, ocorre dias após o presidente venezuelano ter mencionado publicamente os processos contra Zuloaga.

Em cadeia obrigatória de rádio e TV, no dia 3, Chávez afirmou que apenas na Venezuela um empresário poderia acusar um presidente de ordenar assassinatos sem que nada lhe acontecesse.

O mandatário venezuelano referia-se às declarações de Zuloaga no evento da SIP, quando supostamente atribuiu a Chávez a culpa pela violência e mortes ocorridas durante a tentativa de golpe fracassada contra o presidente, em 2002. A Globovisión e outros canais privados de TV apoiaram o golpe.

Ontem à noite, a SIP condenou a ordem de prisão contra o presidente da TV.

À Folha a advogada Rocío San Miguel, diretora da ONG venezuelana Controle Cidadão, afirmou que a ação seguia ‘um padrão intimidatório’. ‘O governo busca enviar uma mensagem a seus críticos às vésperas de um processo eleitoral’, disse, em referência às eleições legislativas de setembro.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA (Organização dos Estados Americanos), já apontou, em diferentes relatórios, preocupação pela suposta falta de independência do Judiciário na Venezuela.

O ex-candidato a presidente Oswaldo Alvarez Paz passou várias semanas na prisão após acusar Chávez de ter ligações com a guerrilha colombiana. A ONU também critica a prisão, desde dezembro, da juíza Maria Lourdes Afiuni, acusada de corrupção por soltar um banqueiro acusado de fraude.’

 

PRIVACIDADE
Lei antidivulgação de grampos cria polêmica na Itália

‘Grandes jornais italianos estamparam ontem protestos contra um projeto de lei do governo Silvio Berlusconi que restringe o uso de grampos telefônicos em investigações e pune organizações de mídia e jornalistas que publicarem suas transcrições.

O mais radical foi ‘La Repubblica’, esquerdista, que trouxe a primeira página em branco, exceto por um bilhete que afirma: ‘a lei da mordaça nega aos cidadãos o direito à informação’. Em seu site, o jornal exibe fotos dos leitores usando mordaças.

‘É, na verdade, uma lei contra a liberdade de buscar provas de crimes sob princípios comuns aos países civilizados -o dever do Estado de garantir a legalidade e a justiça- e a liberdade dos cidadãos de acessar informações necessárias para compreender e conhecer e, portanto, para julgar’, sustenta o diário, em editorial.

O ‘L’Unità’, ligado à oposição, estampou a manchete sobre fundo preto, a exemplo do que fazia na época do ditador Benito Mussolini.

Os protestos também chegaram à TV. O canal SkyTg24 manteve, em um dos cantos de sua tela, uma bandeira negra com os dizeres: ‘contra a lei da mordaça de grampos’.

Polêmico, o projeto da chamada ‘lei da mordaça’ foi aprovado anteontem no Senado italiano em uma sessão agitada, sem debates sobre emendas ou em plenário, devido ao regime de tramitação imposto pelo governo.

O texto, agora, irá para a Câmara dos Deputados, onde deverá ser aprovado, já que o governista Povo da Liberdade conta com maioria.

Ontem, porém, Enrico Letta, do opositor Partido Democrata, prometeu fazer ‘de tudo’ para evitar a aprovação do texto e previu que a maioria governista irá enfrentar ‘um Vietnã’ para fazê-lo.

Já o líder da sigla do premiê no Senado disse esperar a aprovação sem surpresas.

PRIORIDADE

Proposto há meses, o projeto ganhou prioridade após jornais publicarem grampos que levantaram dúvidas sobre irregularidades em contratos públicos. O caso fez o ministro da Indústria, Claudio Scajola, renunciar.

O projeto impõe barreiras a pedidos de grampos por juízes, como a necessidade de que existam ‘provas consistentes’ e a submissão da decisão a um painel de três magistrados.

Mesmo após aprovados, os grampos poderão durar no máximo 75 dias, prorrogáveis somente de 3 em 3.

Em relação à mídia, será proibido reproduzir transcrições ou mesmo citar o seu conteúdo, inclusive após os documentos e gravações já terem sido descartados.

O sigilo permanecerá até o julgamento do caso -o que, na Itália, pode demorar anos.

Para os jornalistas, as penas previstas em caso de violação chegam a três anos de prisão. As empresas, podem ser multadas em até 450 mil (mais de R$ 980 mil).

Em reação, o sindicato dos jornalistas convocou uma greve para o próximo dia 9 de julho. Os magistrados, que deverão também realizar greve, dizem que muitas detenções, como de fugitivos mafiosos, só foram possíveis graças a interceptações telefônicas.

O premiê Berlusconi é dono de um conglomerado de mídia, o Mediaset, que controla vários meios de comunicação italianos, e responde a processo na Justiça por suposta fraude fiscal.

Ele ainda responde a processo no qual é acusado de pagar US$ 600 mil para que um advogado depusesse em seu favor, nos anos 90.’

 

GOLFO

New York Times

BP limita acesso de mídia a derramamento

‘O acesso de jornalistas a áreas atingidas pelo vazamento de petróleo da BP tem sido negado na Louisiana. Repórteres que tentam sobrevoar a mancha de óleo ou acessar praias remotas têm enfrentado barreiras em diversos pontos da costa.

Congressistas americanos reclamam que não podem entrar nesses locais se estiverem acompanhados da imprensa e dizem que a Guarda Costeira acaba ajudando a petroleira a encobrir as imagens e informações mais graves sobre o incidente.

‘Essa é uma empresa que não está acostumada com a transparência’, afirmou o deputado democrata Edward Markey, um dos políticos que ajudou a fazer pressão para que a empresa liberasse as imagens de vídeo submarinas do vazamento.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, acusou a BP de ‘falta de integridade’ e sugeriu que o pagamento de dividendos da empresa a seus acionistas seja suspenso até que todas as vítimas tenham sido indenizadas.

A BP comprou nesta semana um espaço de links pagos em sites de busca como o Google e o Yahoo. Com esse tipo de publicidade, a companhia buscou veicular seu próprio site sobre o vazamento. O link aparecia cada vez que o internauta fazia uma busca por expressões como ‘oil spill’ (derrame de óleo).

FLUXO DOBRADO

Pesquisadores que estudam o fluxo de óleo vazando do poço da BP no golfo do México afirmam que a escala do acidente pode ser o dobro daquela estimada até agora.

Pela nova projeção, o montante total de petróleo liberado no mar pode ser de 160 milhões a 380 milhões de litros. Foi a terceira vez que cientistas do governo ajustaram suas estimativas.

Como a margem de erro dos dados é grande, o painel do Congresso dos EUA que investiga o vazamento pediu à BP que forneça mais dados a cientistas independentes para que uma nova medição de fluxo seja realizada.

Esse trabalho teria de ser feito logo, antes de a petroleira tentar aprimorar o sifão que captura parte do vazamento agora. Se a tentativa de estancar a saída do poço der certo, não será possível medir o fluxo anterior para estimar o vazamento total.’

 

LIVRO
Marco Rodrigo Almeida

Cony lança memória com ‘5% de invenção’

‘Carlos Heitor Cony nunca quis escrever uma autobiografia convencional, dessas que dizem ‘nasci na rua tal, em tal cidade, no ano tal’. Ao rigor cronológico do gênero autobiográfico, o escritor e colunista da Folha de 84 anos prefere a liberdade associada à palavra memória, mais ‘parcial e seletiva’.

Não é de estranhar, então, que o autor se refira a ‘Eu, aos Pedaços’, livro que lança agora, como o mais perto que já chegou de ‘cometer uma biografia de si mesmo’.

Os pedaços em questão são crônicas publicadas na imprensa desde 1958, agrupadas por temas como infância, jornalismo e política. Em conjunto, as crônicas formam não um retrato definitivo, mas um esboço de um homem entre meados do século 20 e início do 21.

‘Se fosse fazer uma autobiografia verdadeira, teria que escrever todos os detalhes, pesquisar sobre minha família. Ao passo que nas crônicas não. Se surge uma dúvida, eu apelo logo para a ficção e resolvo tudo’, diz.

O autor garante, contudo, que não abusou do recurso enquanto escrevia os textos do livro.

Ao contrário de ‘Quase Memória’ (1995), em que Cony revisitava seu passado via ficção, ‘Eu, aos Pedaços’ tem, segundo ele, uns ‘5% de invenção’, no máximo. Difícil é saber identificá-los. Nas páginas do livro, momentos corriqueiros ganham dimensão graças ao estilo lapidar do autor e, muitas vezes, mais parecem fantasia do que realidade.

Numa das crônicas, por exemplo, Cony conta como o pai dele gastou um dia inteiro preparando o batizado de uma bruxinha de pano, tudo para alegrar uma menina que acabara de ficar órfã. ‘Isso realmente aconteceu’, confirma ele.

DITADURA

Talvez por modéstia, os ‘pedaços’ de Cony não reservam espaço para os livros que escreveu ou para sua formação intelectual. Já alguns fatos são explorados com maior riqueza. O início no jornalismo na década de 1940, escrevendo um soneto contra Carlos Lacerda para o jornal ‘Gazeta de Notícias’, é um deles.

Outro momento narra como Cony, que até então não demonstrava interesse por política, se viu envolvido no olho do furacão após o golpe militar de 1964, do qual foi um dos primeiros e mais contundentes críticos.

Ao longo dos anos seguintes, Cony seria preso seis vezes pelos militares. ‘Não era a política que estava em jogo, mas a dignidade da nação, do sentimento democrático. Nunca fui de esquerda ou direita. Na verdade, me considero um anarquista inofensivo’, conta. Lembrar de tantos fatos não foi problema para Cony, que ainda preserva excelente memória.

‘Recordar é fundamental. Você pode criar algo totalmente inédito e original, mas não consegue abdicar totalmente da memória.’

EU, AOS PEDAÇOS

AUTOR

Carlos Heitor Cony

EDITORA Leya

QUANTO R$ 39,90 (256 págs.)’

 

Marcelo Leite

Viagem de Callado ao Xingu origina relato sensacional

‘É preciso ser de ferro, ou de direita (mesmo na paradoxal versão comunista, como a do deputado federal Aldo Rebelo, do PC do B de SP), para não se solidarizar com os índios brasileiros.

Esta reportagem sensacional -no mais sóbrio sentido da palavra- de Antonio Callado abriu espaço para tal generosidade no jornalismo contemporâneo nacional.

E também na literatura, ao preparar o caminho para outro clássico do autor, o romance ‘Quarup’. Só isso já seria razão de sobra para ler ‘O Esqueleto da Lagoa Verde’, 57 anos depois de publicado, nesta reedição encorpada com posfácios de Davi Arrigucci Jr. e Mauricio Stycer. Há mais, porém.

O jornalista multimídia de hoje encontrará no volumezinho uma amostra de quanto se pode realizar com três esferográficas e um caderno espiral de 46 páginas. Além, decerto, de olhos abertos, muita pesquisa -erudição mesmo, no caso de Callado-, alguma sorte e uma boa história.

Em 1952, Callado viajou ao rio Culuene, nas cabeceiras do Xingu, para visitar o suposto local de assassinato do legendário explorador britânico Percy Fawcett. Foi acompanhado de Orlando Villas Boas e Brian Fawcett (filho do coronel), a convite de Assis Chateaubriand, empresário de comunicação concorrente do jornal para o qual Callado trabalhava (‘Correio da Manhã’). Callado soube aproveitar a chance paradoxal.

HOMICÍDIO ERRADO

Das mãos do escritor saltou a reportagem nada convencional. Reticente e lacônica, por vezes. Labiríntica, com assinalam Arrigucci e Stycer, nas voltas que dá em torno de Fawcett e dos ossos que não eram seus, dos índios calapalos que confessam o homicídio errado, do sertanista sentimental e do herdeiro fleumático que se fixam em teses duvidosas.

O repórter questiona a todos e se questiona, inquieto com o emaranhado de improbabilidades, pistas falsas e clichês aventureiros. A reportagem centrada no misterioso Fawcett se descobre então como manifesto indigenista. Mais, como libelo pela criação do parque nacional sonhado por Villas Boas, que se materializaria uma década depois.

Ainda hoje está aí o Parque Indígena do Xingu, um monumento multiculturalista que marcou o imaginário nacional nos anos 1960. Para Callado, os britânicos haviam erguido um império sobre o alicerce da própria superioridade encenada diante dos povos de cor.

O ‘fardo do homem branco’ de que falava o famigerado poema de Rudyard Kipling incluía exibir-se como civilizado para dar exemplo aos povos taciturnos, ‘meio-demônios e meio-crianças’. O Brasil mestiço tem a oportunidade e a obrigação de desviar-se para uma versão melhor de civilização: ‘Não se faz uma nação envergando um dinner-jacket todas as noites e mantendo os nativos em estado de humildade’.

Callado embrenhou-se em Mato Grosso, desencontrou-se de Fawcett e deu com a ‘África interior’. Gostou dos homens e da paisagem. Um mundo escuro que o jornal e a literatura do presente relutam em visitar, abrindo um flanco do tamanho de metade do país para a destruição do que temos de melhor.

ESQUELETO NA LAGOA VERDE

AUTOR

Antonio Callado

EDITORA Companhia das Letras

QUANTO R$ 36 (160 págs.)

AVALIAÇÃO ótimo’

 

TELEVISÃO
Laura Mattos

Silvio de Abreu quer criar jogo on-line de ‘Passione’

‘Fernanda Montenegro desabafa para a câmera: ‘Não sabia que a grande alegria de saber meu filho vivo iria se transformar em processos, tribunais. Isso acaba comigo. Tenho esperança de harmonizar tudo com o sentimento. Será que vou conseguir?’.

Ela encarna Bete Gouveia, a heroína de ‘Passione’, novela das oito da Globo. Seu confidente não é o telespectador, mas o internauta.

A trama de Silvio de Abreu, 67, é a primeira a desenvolver conteúdo exclusivo para o site, antes restrito a reproduzir os capítulos veiculados pela televisão.

O investimento na internet é considerado imprescindível pela Globo, especialmente diante da queda de audiência do horário nobre.

‘Passione’, avaliada pela casa como uma trama bem construída, com boa repercussão, tem em sua melhor média 35 pontos (Ibope da Grande SP, onde cada ponto equivale a 60 mil domicílios).

É muito pouco diante de ‘Senhora do Destino’ (2004/05), que registra o melhor desempenho desta década, com média de 50,4.

Já na internet, o desempenho de ‘Passione’ é visto como satisfatório pela Globo.

De acordo com a emissora, o site recebe uma média de 465 mil visitas diariamente. A fim de alavancar esse número, agora os atores gravam textos exclusivamente redigidos para a internet, olhando para a câmera.

É uma forma de ‘tornar mais íntima a relação do personagem com o público do site’, diz Luiz Henrique Rios, diretor-geral de ‘Passione’.

PSICOLOGIA

Abreu participa da elaboração desses textos. ‘Estou gostando muito dessa nova experiência. Falar dos personagens em outro contexto, expondo melhor a sua psicologia, é muito bom para que o público os conheça melhor e eu me aprofunde neles’, afirmou o autor à Folha.

O novelista contou estar estudando a criação de um jogo da novela para os internautas. Ele também não descarta utilizar as ferramentas do site na trama televisiva.

‘Nós estamos avaliando a viabilidade disso’, falou.

Sobre a possibilidade de fazer websódios (episódios curtos para a internet), o diretor-geral da novela fez mistério: ‘Estamos na primeira parte de um projeto que durará quase um ano. Muitas coisas novas acontecerão’.

Por enquanto, são produzidos, segundo ele, 12 vídeos exclusivos por semana e um trailer por dia, com cenas do próximo capítulo.

Aos domingos, o site traz um resumo da semana.

TENTATIVAS

A Globo vem incentivando que seu profissionais busquem formas de conexão entre as mídias. ‘Viver a Vida’, anterior à ‘Passione’, relacionou a história exibida na televisão com a internet ao criou um blog para Luciana, a tetraplégica interpretada por Alinne Moraes.

Os internautas se comunicavam com a personagem como se ela fosse real, lhe dando conselhos e desejando boa sorte.’

 

AGÊNCIA
Giuliana Vallone

Bloomberg lança serviço de notícias em português

‘A agência de notícias Bloomberg lançou ontem um serviço de notícias em língua portuguesa, que vai oferecer notícias financeiras locais em tempo real ao mercado.

‘Estamos reconhecendo, com esse novo serviço, como o Brasil é importante para o mundo’, afirmou à Folha o editor-chefe e fundador da companhia, Matt Winkler.

‘Em todos os centros financeiros, você não pode discutir a economia global sem incluir o Brasil. Isso é uma grande mudança em relação a 15 anos atrás’, disse.

A ferramenta faz parte da estratégia da companhia para ampliar sua presença nos emergentes. ‘Nós nos comprometemos especialmente com o grupo de países chamados de Brics [Brasil, Rússia, Índia e China’, afirmou.

Segundo Winkler, esses países têm a seu favor a forte dinâmica de seus mercados internos e o interesse dos investidores internacionais. ‘Nossos clientes estão ávidos para receber mais e melhores informações sobre os Brics.’

A Bloomberg está desenvolvendo um serviço de notícias em mandarim. Além disso, criou um sistema em russo e está expandindo o volume de reportagens oferecidas em espanhol.’

 

PUBLICIDADE
Cristina Fibe

Marketing de empresas mira blogueiras-mães nos EUA

‘Lugar para conversas ‘autênticas’, a blogosfera permite que internautas com interesses convergentes troquem experiências e dicas.

Mas, às vezes, os relatos não são tão sinceros -são resultado de campanhas de marketing.

Nos EUA, os publicitários já perceberam um dos nichos mais valiosos para dar credibilidade a seus produtos: os blogs escritos por mães.

Enquanto relatam os percalços da gravidez e da criação dos filhos, elas testam produtos, escrevem críticas de livros e dão conselhos sobre a melhor papinha ou cadeirinha para o bebê.

De acordo com a eMarketer, empresa de análise de mídia digital, mais de 34 milhões de mães usam a internet nos EUA. Estima-se que elas controlem cerca de 80% dos gastos da família.

Ainda segundo a eMarketer, os investimentos em anúncios na blogosfera chegarão a US$ 746 milhões em dois anos, o dobro do que representavam em 2007.

Nos ‘mommy blogs’, como são chamados nos EUA, as ações publicitárias vão de banners a patrocinar festas inteiras de crianças, para que a mãe comente cada etapa.

Mas o mais comum é o post pago: com ou sem avisar, a autora rasga elogios ao produto ‘recém-descoberto’, cujo lançamento ela recebeu antes, de graça.

Para alguns, porém, o negócio significa o fim da credibilidade da escritora. Jana Llewellyn, do anattitude adjustment.com, evita anúncios em seu blog.

‘Acho que as mães são, em geral, aquelas que pensam no que comprar para a família, então faz sentido que as empresas as mirem. Mas eu não leio blogs com anúncios nem gosto da ideia de colocá-los no meu’, disse Jana.

‘Para mim, isso é muito parecido com companhias que contratam pessoas para falar de seus produtos em um nível mais pessoal. Mas fazer isso por meio de blogs deve ser mais eficiente.’’

 

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