Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Folha de São Paulo

15/07/2005 na edição 337

‘Por determinação judicial, o SBT não exibiu anteontem o ‘reality show’ ‘O Grande Perdedor’, competição entre obesos que tentam emagrecer. A emissora é acusada de plagiar do ator José Braz de Lima o projeto Spa Brasil.


Um notificação da Justiça foi recebida na quarta-feira à tarde na sede do SBT. Se o canal não suspendesse o programa, teria de pagar multa diária de R$ 500 mil.


Ontem, a assessoria de imprensa da rede afirmou que o departamento jurídico já estava tentando reverter a situação a fim de retomar a veiculação do ‘reality’.


Segundo a assessoria, ‘O Grande Perdedor’ é produzido a partir de um formato comprado por Silvio Santos de uma produtora norte-americana, a Reveille LLC.


Problema antigo


O SBT também enfrentou processo de plágio quando estreou ‘Casa dos Artistas’. Em 2001, a Endemol Globo acusou o programa de copiar ‘Big Brother Brasil’, do qual detém os direitos de transmissão no país. À época, a Justiça negou pedido de suspensão do ‘reality show’ do SBT.


Nova edição de ‘Casa’, no entanto, foi obrigada a sair do ar em 7 de outubro de 2004. Em ação civil pública, o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, de Guarulhos, afirmou que telespectadores reclamaram de ‘jogo’ veiculado no programa, no qual participantes simularam posições sexuais. As TVs classificaram a decisão como censura.’


 


FAMÍLIA TRAPO


Keila Jimenez


‘Record ressuscita ‘Família Trapo’’, copyright O Estado de S. Paulo, 15/7/05


‘A Família Trapo, clássico do fim dos anos 60 na TV, pode ganhar uma nova edição. Tom Cavalcante, que batalha por um programa semanal – no lugar de seu diário -, recebeu a proposta para ressuscitar a sitcom.


O programa, que tinha o formato parecido com o do Sai de Baixo – gravado em teatro e com platéia – teve praticamente todas as suas edições destruídas, algumas por incêndio, outras por reaproveitamento de fitas na emissora. Mas o formato ainda é de propriedade da Record.


Tom, que está em Las Vegas assistindo a shows para trazer idéias para o seu programa, ainda não decidiu se aceitará a difícil missão.


A Família Trapo, sugestão do diretor Nilton Travesso, baseada numa série americana (Trappy Family), reuniu em seu elenco estrelas de primeira grandeza do humor, responsáveis por boa parte do sucesso do seriado. Ronald Golias fazia Carlos Bronco, o pai da família, Jô Soares, o mordomo, e o Otelo Zeloni, o cunhado maleta. Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares eram os roteiristas da atração, que recebia convidados ilustres todas as semanas.


Diz a lenda que de cinco anos de seriado sobraram apenas dois episódios nos arquivos da Record. Um dos ‘sobreviventes’ tem a participação de Pelé.


Uma idéias da Record é que Tom Cavalcante tenha dois programas semanais no lugar do diário. Um teria formato similar ao já do Show do Tom, já no ar, e o outro seria o da linha Família Trapo. A rede chega a cogitar de colocar o seriado aos domingos, no fim de noite, como a Globo fazia com o Sai de Baixo.’


 


HITCHCOCK NA TELINHA


Paulo Santos Lima


‘Programa faz análise fast-food de Hitchcock’, copyright Folha de S. Paulo, 15/7/05


‘A lógica aplicada a Deus, que proíbe dizer seu nome em vão, deveria também ser aplicada a nomes como o de Alfred Hitchcock. Apreciado por críticos do quilate de um François Truffaut (nos tempos da Cahiers du Cinéma) e Ismail Xavier, que, aliás, tem seu ótimo curso sobre o cineasta volta e meia exibido na TV Cultura, ele também cai na admiração dos depreciadores do cinema clássico.


Daí que o programa ‘Sala de Cinema’ deveria fugir do lugar-comum para falar sobre o famoso ‘mestre do suspense’. Hitchcock foi dos mais ecléticos diretores da história. Sua assinatura ficou mais saliente quando se mudou da Inglaterra para os EUA, onde trabalharia a partir de 1940 sob o regime de estúdios de Hollywood. Mesmo lá, curvando-se volta e meia para alguma exigência de produtor, conseguiu manter sua autoria, da mise-en-scène e dos enquadramentos inusitados aos temas, violentos e eróticos. Isso está reunido, dentre tantos filmes, em ‘Janela Indiscreta’, ‘Vertigo’, ‘Psicose’ e ‘Os Pássaros’. O sentimento de culpa, outra questão veiculada em sua obra, está nesses e, sobretudo, no esplêndido ‘O Homem Errado’ (1955).


Todos esses filmes não serão tratados pelo programa, que nesta primeira parte da revisão da obra do artista trata apenas e num único bloco, em análise factual e superficial, de ‘Rebecca’ e ‘Correspondente Estrangeiro’, ambos de 1940. O comentarista José Tavares de Barros ficará atido à fase americana entre 1940 e 1947. E a fase inglesa, sem a qual Selznick jamais teria convidado Hitch a se mudar para a América? E seus filmes posteriores?


A tentativa da ‘Sala de Cinema’ acaba servindo para darmos conta de que analisar de fato uma obra como a de Hitchcock não é tarefa simples, e requer, no mínimo, algumas tantas visitas a seus filmes, teorias e universidade.


Sala de Cinema – Alfred Hitchcock


Quando: hoje, às 23h30, na Rede SescSenac’


 


REAL MADRID


Antero Greco


‘Imagem é tudo’, copyright O Estado de S. Paulo, 15/7/05


‘Encerro hoje estada de cinco calorentos e ensolarados dias em Madri. Vim para cá, depois de coberturas na Alemanha e na Itália, para uma espécie de vigília, à espera do desembarque de Robinho. A transferência era dada como certa, e os dirigentes do Real Madrid previam a chegada do craque no meio desta semana. As negociações com o Santos emperraram e houve frustração dos espanhóis por não contarem com seu mais novo galáctico.


Não me tira o sono saber se Robinho vai juntar-se a Zidane, Beckham, Ronaldo – ou se continua na Vila Belmiro. Já escrevi aqui que, como qualquer pessoa que curta futebol, me divirto ao vê-lo em campo e gostaria que jamais saísse do Brasil. Só não tenho direito de interferir em sua vida. Nem me disponho a fazer campanha a favor de sua permanência; muito menos contra. A carreira é dele – e que dê sempre passos (e passes) certos, não se iluda com o canto da sereia nem perca o trem da história.


Mas não era do Robinho que eu queria falar, no momento em que fecho as malas para voltar para casa, depois de 36 dias de andanças por uma Europa quente, bonita e proibitivamente cara. O que me chamou a atenção, nesta curta passagem pela Espanha, é o marketing do Real Madrid. Não tem acontecido nada de importante no clube mais badalado do mundo, desde que terminaram as férias, uma semana atrás. No entanto, ele não saiu das manchetes dos principais jornais esportivos nem perdeu espaço na televisão, seja a estatal sejam as particulares.


Na sexta-feira, holofotes centrados no retorno do elenco milionário.


E dá-lhe imprensa nacional e internacional para registrar. No domingo à noite, as estrelas foram ao Santiago Bernabéu para a inauguração do ‘Real Café’, o bar temático do clube. Na segunda-feira, repórteres, fotógrafos, câmeras a postos no estádio para a apresentação de Pablo Garcia e Carlos Diogo, reforços uruguaios. Na terça, muita gente… no Bernabéu… para o lançamento do longa-metragem Real, o filme.


Acabou? Nada disso. No dia seguinte, Beckham, Raúl e Zidane voltam ao estádio para desfilar com a linha 2005-06 do uniforme do Real Madrid. Que já vende como água mineral, a 70 euros a camisa.


Tem mais, tem mais. Ao meio-dia de ontem, jogadores, dirigentes e comissão técnica se reúnem onde? Claro, no Bernabéu. E para quê? Para a despedida, antes do embarque para giro que começa nos Estados Unidos e termina na Ásia. Por cinco partidas, a estimativa é de que o time receba 15 milhões de euros.


O Real cria uma série de factóides e com isso atrai a atenção da mídia e provoca expectativa de consumo nos torcedores. O bar temático, com vista para o gramado, virou ponto de encontro. Vive cheio de gente – e como fumam estes espanhóis! A lojinha do estádio já tem a roupa nova, com grande procura, os revendedores espalhados pelo país liqüidam o estoque antigo (por 28 euros a camisa sem nome ou número) e já esfregam as mãos pelos pedidos de quem pretende estar em dia com a moda do clube. Muitos cinemas aguardam filas, a partir de 25 de agosto, de pessoas que verão Real, o filme.


E assim o dinheiro entra, para alegria e alívio de Florentino Perez e seu staff. Além disso, o mito Real Madrid se renova dia a dia e leva seu presidente a falar, sem nenhum constrangimento, que tem orgulho de dirigir o clube ‘mais importante do mundo’. Dá para contestar, se a todo momento surgem demonstrações de habilidade comercial?


Na longa conversa que tive com Vanderlei Luxemburgo na terça-feira – e reproduzida neste caderno na quarta -, abordei o tema ‘imagem é tudo’. Ele concordou comigo, mas lembrou que é difícil os times brasileiros seguirem caminho semelhante por conta da enorme diferença econômica que separa os dois países. A observação faz sentido. Mas, por que será que, além de fazerem pouco pelos seus fãs, nossos clubes também os maltratam? Ou não são revoltantes as cenas de pessoas se espremendo e apanhando em dias que antecedem jogos importantes porque querem ver seus ídolos em ação? Isso não acontece no Real Madrid. Isso não é questão de dinheiro, mas de (falta de) respeito.’


 


SCHWARZENEGGER


O Estado de S. Paulo


‘Schwarzenegger: emprego em revistas causa polêmica’, copyright O Estado de S. Paulo, 15/7/05


‘O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, está recebendo mais de US$ 1 milhão por ano para atuar como consultor de uma empresa que publica revistas sobre fisicultura e boa forma, o que os críticos dizem ser um grave conflito de interesses.


A American Media Operations, que publica as revistas Muscle & Fitness e Flex, informou quarta-feira que estava pagando para o ex-Mister Universo US$ 8,5 milhões em cinco anos para atuar como editor-executivo dessas revistas. Schwarzenegger anunciou sua ligação com a revista no ano passado, mas evitou revelar o valor do contrato.


Os críticos dizem que o contrato representa um conflito de interesses, pois os pagamentos provêm da renda dos anúncios e as revistas geralmente publicam anúncios sobre suplementos vitamínicos. No ano passado, o governador vetou uma lei que imporia regulamentações do governo sobre a indústria de suplementos vitamínicos.


O autor da lei, o senador democrata Jackie Speier, pediu a Schwarzenegger que corte as ligações com a editora. A legislação do Estado da Califórnia permite que funcionários eleitos mantenham outros empregos.’


 

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