Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 4/10

Folha investe em cobertura ao vivo das eleições

05/10/2010 na edição 610


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 4 de outubro de 2010


 


ELEIÇÕES


Cobertura ao vivo da Folha bate recorde com 11 mi de páginas vistas


A cobertura da Folha no primeiro turno das eleições teve como novidade uma inédita programação ao vivo, gerada a partir de um estúdio montado na Redação.


A programação especial complementou a extensiva cobertura realizada pela Folha.com e que registrou ao menos 11 milhões de páginas vistas, recorde histórico do site. No pico, os acessos atingiram 1 milhão por hora.


Profissionais em 26 Estados e no Distrito Federal, além de correspondentes no exterior, participaram da cobertura, comandada pelo jornalista Fernando Rodrigues.


Entradas ao vivo de repórteres em Brasília, Porto Alegre e São Paulo começaram a partir das 7h, pouco antes do início da votação no país.


Por meio de links ao vivo, a reportagem acompanhou o voto dos presidenciáveis e deu as últimas informações direto do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília.


No estúdio, Rodrigues recebeu colunistas e repórteres da Folha para comentar as pesquisas de boca de urna e, depois, avaliar o cenário político com o segundo turno na eleição presidencial entre Dilma Rousseff e José Serra.


Passaram pelo estúdio Clóvis Rossi, Fernando de Barros e Silva e Monica Bergamo, além de convidados como Cândido Vacarezza, líder do governo na Câmara, Sérgio Fausto e Celso Roma. De Brasília, participaram em entradas ao vivo a colunista Eliane Cantanhêde e o repórter especial Valdo Cruz.


Abastecidas em tempo real por dados direto do TSE, as páginas de apuração da Folha.com figuraram entre as mais acessadas durante toda a noite.


O jornal usou as redes sociais para distribuir informação de última hora e, depois, material que já estava consolidado no site.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


A marcha da apuração


Às 20h37, Folha.com e UOL postaram manchete anunciando que o ‘Datafolha diz que haverá segundo turno entre Dilma e Serra’, com uma projeção das apurações. Antes, o ‘Fantástico’ havia entrado no ar sem arriscar, mas com Alexandre Garcia dizendo que a apuração ‘está empurrando para o segundo turno’. Antes ainda, o G1 chegou a dar que ‘haverá segundo turno’, segundo a revista ‘Época’. E a Reuters Brasil, antes de todos, pouco depois das 19h, havia arriscado a manchete ‘Campanha de Dilma já reconhece que haverá segundo turno’.


O ‘Fantástico’ só foi noticiar que ‘está definido que haverá segundo turno’ às 21h10, ‘segundo números oficiais’. Garcia disse que a campanha agora ‘começa do zero’ e ironizou o ‘oba-oba’ de Lula.


Onda verde


Ricardo Noblat postou que Serra terá novo vice -do PV de Marina. Porém ela quer do partido ‘uma discussão nas suas instâncias’, deu o Globo Online. E Kennedy Alencar postou que a ‘votação que foi dada a Marina é dela’, e só ela ‘vai decidir o plebiscito’. Mundo afora A excitação que se seguiu ao fim da votação levou o Brasil a ocupar seis dos dez ‘trending topics’ do Twitter no mundo, com ‘Urnas apuradas’ em primeiro lugar, mas também Marina 43, Weslian Roriz, Tarso Genro, Aloysio Nunes, ‘Tiririca eleito’ etc.


‘LITERALMENTE’


A relutância em proclamar resultados começou no fim da tarde na Globo, ao divulgar a pesquisa de boca de urna, primeiro para governador. Mais de uma hora depois, já com cerca de 40% das urnas presidenciais apuradas, William Bonner entrou afinal com os números, mas ressaltando que era ‘literalmente’ um quadro de ‘indefinição’. A pesquisa do Ibope dava Dilma com 51%. Naquele momento os portais, agências e blogs já priorizavam apuração, não a pesquisa.


O MERCADO ASSISTE


O site do ‘Wall Street Journal’, até o meio da tarde, deu manchete para a eleição brasileira, com foto de Dilma e destaque para a ‘ampla expectativa’ de vitória do ‘esquerdista Partido dos Trabalhadores’. Às 23h, sem manchete ou imagem, registrou que ela liderava, ‘mas não está claro se obteve o bastante’.


O site do ‘Financial Times’ também abriu o domingo esperando vitória -e fechou com ‘caminha para segundo turno’. Antes, o jornal reportou que, para os gerentes de fundos com aplicação no Brasil, ‘o resultado da eleição presidencial do final de semana não trará nada que ameace o mercado de ações’.


Antes na Espanha


O site do ‘El País’ foi provavelmente o primeiro a apostar, no mundo, que ‘A herdeira de Lula vence, mas não consegue evitar segundo turno’, em submanchete às 19h. Entre outros na América do Sul, o argentino ‘Clarín’ dedicou manchete o dia todo.


Segundo turno


Com foto no alto da home, de santinhos espalhados, o ‘New York Times’ destacava às 23h que ‘Segundo turno vai decidir a Presidência no Brasil’. No texto, ‘analistas expressaram poucas dúvidas de que Ms. Rousseff venceria num segundo turno’.


ANTES


Até a edição de ontem, o ‘NYT’ apostava que a ‘Protegida de líder brasileiro deve prevalecer’


OUTRA ELEIÇÃO


Prosseguia no fim de semana o adeus ao presidente brasileiro pelo mundo, com o ‘El País’ publicando o editorial ‘Lula se despede’. Destacando que ele ‘deixa um país confiante e em busca de uma nova posição no mundo’, anotou que, ‘no caso de Lula, as pessoas podem ser decisivas’.


E jornais como ‘WSJ’ e ‘FT’ já tratam do Nobel da Paz, que será anunciado na sexta. O primeiro deu editorial em favor de um dissidente chinês. No segundo, ‘os brasileiros veem Lula como merecedor do prêmio, mas a internet poderá ter ampla aceitação junto ao comitê do Nobel’.


COPA


Na ‘Veja’, sob o enunciado ‘Te cuida, Globo’, Honorilton Gonçalves, da Record’, informou à CBF que ‘apresenta no fim do ano, à Fifa, proposta arrasadora para a compra dos direitos das Copas de 2014 e 2018’


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos


Globo faz cinco programas com ‘Woodstock’ de Itu


A Globo exibirá cinco programas com shows do SWU, megafestival que vai acontecer entre os dias 9 e 11, em Itu (interior de São Paulo). Com direção de Luiz Gleiser, do ‘Som Brasil’, serão apresentados por Danielle Suzuki.


Os shows vão ao ar após os filmes no sábado e no domingo e depois do ‘Programa do Jô’ na segunda.


Gleiser conta ter selecionado atrações dos dois palcos principais (chamados de Água e Ar), o que deixou de fora, por exemplo, a banda Cansei de Ser Sexy e a cantora Mallu Magalhães.


No sábado, serão exibidas partes das apresentações de Los Hermanos, The Mars Volta e Rage Against the Machine. No domingo, Jota Quest, Capital Inicial, Regina Spektor, Sublime e Joss Stone.


Na segunda, Dave Matthews Band e Kings of Leon. Por fim, na terça -quando o festival já terá acabado-, Queens of the Stone Age, Pixies e Linkin Park.


No próximo domingo, vai ao ar um compacto com o que o diretor considerar os melhores momentos.


Gleiser é também responsável pela direção da transmissão no Multishow, que colocará algumas das principais atrações ao vivo.


No festival de Itu (cidade onde é feita ‘A Fazenda’, da Record), o SBT terá um estande feito de forma sustentável, que é o tema do evento.


Tessália J. B. de Oliveira, o Boninho, anunciou em seu Twitter, na última sexta-feira, que, a partir desta semana, a produção do ‘Big Brother 11’ começará a entrevistar, pelo Skype, alguns inscritos. No site, as inscrições vão até dia 31.


Latifúndio Está dando certo a tática da Record para aumentar o acesso ao seu portal de internet com ‘A Fazenda’. Para ver o programa 24 horas ao vivo, pela internet, é preciso criar um e-mail do R7. Desde a estreia do reality show, na semana passada, estão sendo abertos, em média, 6.000 e-mails por hora, e o acesso ao portal dobrou.


Reforma agrária Além de ganhar da Globo em São Paulo, a estreia de ‘A Fazenda’ empatou com a emissora na audiência nacional, com 17 pontos de média no Ibope.


15 segundos de fama Quem entregou o prêmio para Gerson (Marcello Antony) no capítulo de quinta-feira, de ‘Passione’, foi Rui Nogueira, diretor de marketing da Goodyear, que patrocina o personagem da novela, um corredor de Stock Car. Mas ele apareceu só de relance e de costas.


15 minutos de fama Marcelo Adnet cantará no primeiro CD de Chico Adnet. O pai do humorista cria jingles, o que influenciou o filho. Marcelo, apresentador do ‘15 Minutos’ (MTV), é bom em improvisar músicas. Ele e a irmã, Luiza, gravarão com o pai o samba ‘De Qualquer Maneira’.


Teen A Band exibirá a novela ‘Isa TK+’, popular entre adolescente, às 20h10 a partir de novembro. Também no próximo mês entrará no ar a série norte-americana ‘NCIS’.


 


 


Clarice Cardoso


‘Grey’s Anatomy’ vive estresse pós-traumático em sétimo ano


Dá para entender que muita coisa muda depois que um homem promove uma chacina e quase mata dois protagonistas de uma série como ‘Grey’s Anatomy’.


Mas algo não se encaixa na volta do sétimo ano, que estreou há duas semanas nos EUA -foi visto por mais de 17 milhões- e chega ao Sony.


(Se não quiser saber antecipadamente, pare de ler.)


Um terapeuta é convocado para analisar como os médicos estão superando o trauma -Lexie (Chyler Leigh) foi parar na ala psiquiátrica.


Cada um, é claro, lida com o ocorrido a seu modo. Dereck (Patrick Dempsey), bem no seu estilo, pede demissão do cargo de chefe e aceita um caso inoperável. Mas que passe a correr de carro e vá preso por isso soa esquisito.


A mulher dele, Meredith (Ellen Pompeo), esconde o aborto que sofreu, enquanto Alex (Justin Chambers) anda com a bala ainda no peito como se nada se passasse.


Mas, de todas as mudanças, nenhuma é mais radical que a de Cristina (Sandra Oh): a médica, toda racional, competitiva e que até hoje só se ferrou no campo amoroso, resolve (acredite) se casar. E deixa no ar a sensação de que, por trás de toda a calmaria aparente, hão de vir muitas tempestades.


NA TV


Grey’s Anatomy


Estreia da sétima temporada


QUANDO hoje, às 21h, no Sony


CLASSIFICAÇÃO 14 anos


 


 


Tom Hanks cria websérie sobre o futuro


Na última sexta-feira, o ator Tom Hanks e o produtor Gary Goetzman apresentaram o projeto da série ‘Electric City’, sobre uma cidade no futuro e com o uso de marionetes. A experiência deverá envolver várias plataformas digitais e será exibido na internet, no ano que vem, em 20 episódios.


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 4 de outubro de 2010


 


MÍDIA E POLÍTICA


Carlos Alberto di Franco


Horizonte autoritário


Escrevo este artigo antes da abertura das urnas. Mas o quadro nacional, independentemente do resultado das eleições, desperta graves preocupações. O presidente Lula começa a descer a rampa do poder. Em janeiro, agasalhado por uma popularidade sem precedentes, cravará seu nome na História. A caneta, no entanto, mudará de dono.


O Brasil de hoje, independentemente dos problemas que assombram a economia mundial, é um emergente respeitável. Os tucanos, com razão, atribuem nossa boa performance às sementes plantadas no governo FHC. Já os petistas, colados nos notáveis índices de aprovação presidencial, jogam todas as fichas na conta do presidente da República. Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, com seus erros e acertos, contribuíram positivamente para que chegássemos ao atual patamar. Fernando Henrique modernizou o Estado. Lula iniciou o resgate da fatura social.


O Brasil melhorou. É indiscutível. Mudamos de patamar. Tal desempenho, apropriado sem pudores pelo governo petista, decorreu de um cenário internacional muito favorável ao País. Mas internamente é, em parte, uma consequência das políticas sociais adotadas pelo governo.


O Bolsa-Família foi um instrumento de promoção social. Mas é preciso que essa ferramenta de inclusão seja a porta de entrada da cidadania. E isso não aconteceu. Os programas sociais, cuja validade não contesto, renderam milhões de votos, mas não fizeram cidadãos. Só a educação é capaz de transformar eleitores de cabresto em pessoas livres e conscientes. A última fase do governo Lula, marcada por constantes episódios de corrupção, cumplicidade com oligarquias nefastas e manifestações de desprezo pelas liberdades públicas, vai ganhando contornos de um indesejável populismo autoritário. O lulismo que se avizinha lembra muito o peronismo que empurrou a Argentina para o lusco-fusco do desenvolvimento.


Lula manifesta irritação com o trabalho da imprensa independente. Seus sucessivos e reiterados ataques à imprensa, balanceados com declarações formais de adesão à democracia, não conseguem mais esconder a verdadeira face dos que, mesmo legitimados pela força dos currais eleitorais, querem tudo, menos democracia. Para o presidente da República, um político que deve muito à liberdade de imprensa e de expressão, imprensa boa é a que fala bem. Jornalismo que apura e opina com isenção incomoda e deve ser extirpado.


O presidente da República, travestido em chefe de facção, deveria olhar para os desmandos que transformaram a Casa Civil num autêntico balcão de negócios. Mas não é o que o presidente faz. Ao contrário. Num exercício incrível de leniência, o presidente da República abraça os corruptos e ataca os que denunciam a corrupção.


Recente manifesto de juristas, intelectuais e artistas, divulgado em São Paulo, no Largo de São Francisco, acendeu a luz amarela no cenário da nossa democracia. ‘O País vive um caudilhismo que se impõe assustadoramente’, declarou José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça de Lula. ‘Na certeza da impunidade (Lula), já não se preocupa mais nem mesmo em valorizar a honestidade’, disse Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT. É o grito de lideranças insuspeitas. Gente que lutou contra a ditadura denuncia o presidente da República como demolidor das instituições. É muito sério.


Na verdade, cabe à imprensa um papel fundamental na salvaguarda da democracia. O presidente da República, seu partido e sua candidata, independentemente das declarações de ocasião em favor da liberdade de imprensa, resistem ao contraditório e manifestam desagrado com o exercício normal das liberdades públicas. Não tenhamos receio das renovadas tentativas de atribuir à imprensa falsos propósitos golpistas. Trata-se de síndrome persecutória, uma patologia política bem conhecida.


A biografia do presidente Lula foi construída graças aos seus méritos pessoais e aos amplos espaços que a democracia oferece a todos os cidadãos. Mas o poder fascina e confunde. E os bajuladores, de ontem, de hoje e de sempre, são o veneno da democracia. Preocupa, e muito, o entusiasmo do presidente da República, de sua candidata e de seu partido com modelos políticos capitaneados por caudilhos.


Não é de hoje a fina sintonia do petismo com governos autoritários. O Foro de São Paulo, entidade fundada por Lula e Fidel Castro, entre outros, e cujas atas podem ser acessadas na internet, mostra que não há acasos. Assiste-se, de fato, a um processo articulado de socialização do continente de matriz autoritária. E o presidente da República é um dos líderes, talvez o mais expressivo, dessa progressiva estratégia de estrangulamento das liberdades públicas. A fórmula ‘Lulinha paz e amor’ acabou. Agora, com o Estado aparelhado, o Congresso dominado (a aliança governista terá ampla maioria no Legislativo) e a imprensa fustigada, o lulismo mostra sua verdadeira cara: o rosto do caudilhismo.


Cabe à imprensa, num momento grave da história da democracia, denunciar a tirania que vem por aí, mesmo quando camuflada pela legitimidade das urnas. Respeitamos, por óbvio, o processo eleitoral. Mas denunciamos as estratégias gramscianas de tomada do poder. O papel da imprensa não é estar do lado do poder, muito menos aplaudir unanimidades momentâneas. Nossa função é mostrar o que é verdadeiro e relevante.


Tentativas de controle dos meios de comunicação, flagrantemente inconstitucionais, serão repudiadas pela imprensa séria e ética, pelos formadores de opinião (que não vendem sua consciência em balcões de negócios) e pela sociedade. Os brasileiros apreciam a democracia. Assim como condenaram os regimes de exceção, não aceitam projetos autoritários que, sob o manto da justiça social, anulam um dos maiores bens da vida: a liberdade.


DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO


 


 


ELEIÇÕES


Carlos Alberto Sardenberg


Ninguém pergunta, ninguém responde


Era de esperar que alguém perguntasse a Dilma Rousseff, no debate da Globo: em qual afirmação sua a gente deve acreditar, quando dizia que era a favor da legalização do aborto ou quando diz que é a favor da vida?


E para José Serra: sua proposta de elevar o salário mínimo para R$ 600 e reajustar as demais aposentadorias em 10% simplesmente dobra o déficit da Previdência. Trata-se, pois, de uma proposta no mínimo estranha de quem defende rigor nas contas públicas. Como se vai financiar isso, cortando outros gastos (e quais?) ou aumentando impostos?


Para Marina Silva: a exploração do petróleo do pré-sal impõe enormes riscos ambientais, ao mesmo tempo que pode trazer enormes lucros para o Brasil. A senhora segue em frente com a exploração?


Para todos: é a favor ou contra a fixação de idade mínima para aposentadoria? Ou ainda: está claro que o grande problema da economia brasileira está na dobradinha juros altos/dólar barato. Seu governo vai fazer o que para derrubar os juros? E mais: desvalorizar o dólar reduz o poder de compra das pessoas e dificulta as viagens internacionais. Vai fazer isso?


Valeria para Dilma Rousseff também. Em quase todas as suas músicas de campanha aparece algum brasileiro dizendo ‘agora eu posso viajar’. Quer dizer que, para ela, está tudo bem com o dólar baratinho?


Nada disso foi debatido. Não por culpa do William Bonner, mas por causa das regras dos debates, impostas pelos candidatos. Francamente, o modelo brasileiro não está funcionando, especialmente na TV e no rádio. Para participar, os candidatos – sobretudo aqueles com reais chances de vencer – exigem regras que simplesmente engessam a discussão e permitem evitar as questões polêmicas. Fica um acordo tácito entre os candidatos mais competitivos.


Serra, que precisava tirar pontos de Dilma, não fez uma pergunta sequer a ela. Por que não perguntou sobre a polêmica da legalização do aborto? Simples: porque ele, Serra, também não queria se meter nessa confusão.


Por que Dilma não cobrou Serra sobre o aumento de gastos com a Previdência? Porque a questão a obrigaria a também se definir sobre os reajustes das pensões.


Pior do que isso: no ambiente eleitoral essas questões entraram não pela sua natureza, mas pelo que podiam incomodar este ou aquele candidato.


Legalização do aborto ficou embaraçosa para Dilma. Mas, reparem: é uma questão essencial, em debate civilizado no mundo todo. É um problema social, de saúde e econômico. E, sobretudo, envolve direitos e liberdade da mulher, definições sobre a origem e o momento da vida.


Não se chegou nem perto disso. Ficou no ganha-perde votos.


No dia mesmo do debate da Globo, o fato econômico dominante foi o dólar, que caíra abaixo do R$ 1,70. Também acabara de ser publicado o Relatório Trimestral de Inflação, em que o Banco Central (BC) sugere que a taxa real de juros de equilíbrio no Brasil seria hoje de 5% ao ano. Taxa de equilíbrio, ou neutra, é aquela que mantém a inflação na meta e, digamos assim, não esquenta a economia exageradamente nem impede o crescimento. Ou seja, garante o máximo de crescimento e emprego, com inflação na meta.


Não é apenas uma questão técnica. Está na vida das pessoas. O mesmo relatório do BC inclui um estudo que mostra o seguinte: as famílias gastam 13% do seu orçamento com o pagamento de juros e 10% com a amortização do principal da dívida. Mais ou menos o seguinte: você compra uma televisão a prazo; na prestação, você paga mais pelos juros do que pela TV.


Juros menores beneficiariam as pessoas, as empresas e o governo, que paga juros elevados na rolagem de sua dívida. É certo, por outro lado, que juros altos estão entre as causas da valorização do real, pois atraem dólares. Finalmente, a elevada dívida pública e os altíssimos gastos governamentais são causas dos juros altos.


E o que vimos no debate? Promessas variadas de aumento do gasto público. Serra ainda falou em alguns momentos da dobradinha dólar/juros, mas não adiantou qualquer indicação razoavelmente precisa de como desataria esse nó.


Dilma falou da manutenção da política econômica de Lula, mas essa política está mudando.


Marina, ao longo da campanha, foi quem apresentou as melhores e mais desenvolvidas ideias sobre essa questão. Propôs um programa que leva à redução do gasto público como proporção do Produto Interno Bruto. Isso seria um grande avanço, mas o tema não mereceu mais debate e mais elaboração.


A revista The Economist da semana passada, em reportagem sobre as eleições brasileiras, lembrou que em 2006 Lula havia dito à publicação que seu segundo mandato seria dedicado às reformas tributária, política, trabalhista e previdenciária.


Não avançou uma sequer. Lula diz que a culpa é do Congresso. Não é bem assim. Na verdade, na medida em que cresceu a onda econômica, Lula simplesmente desistiu das reformas – que só apareceram vagamente nessas eleições.


Tudo considerado, temos um processo eleitoral de má qualidade. O eleitor não tem condições de fazer boas escolhas. Os eleitos não têm compromissos para valer. Quando pensam na reeleição e na continuidade, tratam de fazer um governo de bondades, sem complicações.


E assim vai o Brasil. Só faz as reformas, as mudanças estruturais, quando está atolado na crise. Por exemplo: em todos os países sérios há idade mínima para aposentadoria. Está na cara que será preciso introduzir a regra por aqui – mas isso será tentado no pior momento, em crise.


Quanto aos debates na TV e no rádio, só tem uma saída: jornalistas perguntando sem restrições, podendo replicar, treplicar, insistir com o candidato. Quem se julga em condições de ser presidente ou governador não pode ter medo disso.


 


 


TELEVISÃO


Cristina Padiglione


Globo leva a Cannes Louco Amor mexicano


A novela Entre el Amor y el Deseo, vista no México desde a semana passada, é o grande cartão de visitas da Globo para a Mipcom que começa hoje, em Cannes. É a primeira coprodução da rede brasileira com a TV Azteca. Versão hispânica da novela Louco Amor, de Gilberto Braga, exibida no Brasil há 27 anos, o folhetim merecerá campanha especial para ser oferecido a outros países na maior feira mundial de TV. Isso justifica a agenda de hoje, com coletiva de imprensa sobre a produção no Palais des Festival, e festa, à noite, na sedutora La Croissette. Como é praxe, a Globo leva ainda seu catálogo de títulos com atuais e antigas produções, entre séries, novelas e documentários.


As francesas não engordam


Em tour pela Europa, sempre com aquele olhar de Alternativa Saúde, Cynthia Howlett investiga, na França, por que as mulheres ali comem tão bem e não engordam. A série gravada lá estreia dia 19, no canal GNT.


0,8 ponto foi a audiência do último Roda Viva, que teve Wagner Moura em foco. Reforma no programa da TV Cultura ainda não teve efeito no Ibope


‘O amor não te faz ver tudo colorido, o nome disso é Restart!!!’ Wellington Muniz, o Ceará, retuitando comentário de @Andersinhow, em uma série sobre o amor


O primeiro eliminado de A Fazenda 3, na Record, foi o cigarro. Não que os três participantes fumantes não possam tragar nas dependências do reality show, mas o vício agora é praticado em local sem câmeras e sem companhia. Assim, evitam-se conchavos sem testemunho.


Como o fumódromo é sempre área de convívio, incentivando extensas baforadas, as novas regras valem como freio ao vício.


Chico Anysio terá direito a especial de fim de ano na Globo mais uma vez. Em dezembro, o humorista ganhou eco com uma edição que unia boa parte de seus personagens.


O pacote de especiais de fim de ano definido semana passada pela Globo também endossou o projeto de uma produção baseada no repertório de Chico Buarque.


Junto e Misturado, humorístico que estreou sexta-feira na Globo, não foi lá muito bem no Ibope: marcou 16 pontos, segundo medição prévia. No horário, a Globo teve a Record nos calcanhares: A Fazenda marcou 15 pontos.


Ainda na seara do humor, SOS Emergência volta à grade da Globo dia 24.


Na temporada 2011 do Altas Horas, da Globo, Serginho Groisman promete relembrar os tempos de Programa Livre e, além da já tradicional plateia de jovens, vai convocar auditórios temáticos.


O primeiro teste será neste sábado, quando, por causa do Dia da Criança, o programa vai receber plateia só de crianças. Entre os convidados já confirmados estão Adriana Partimpim e Lázaro Ramos.


Gossip Girl pode ser resgatada por outro canal no Brasil, segundo a diretora de Programação do Warner Channel, Wilma Maciel. A Warner desistiu pela baixa audiência.


 


 


 


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