Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 8 E 9/04

Folha de S. Paulo

11/04/2006 na edição 376


BERABA RECONDUZIDO
Folha de S. Paulo


Ombudsman da Folha tem mandato renovado até 2007


‘O jornalista Marcelo Beraba, 54, ombudsman da Folha desde 5 de abril de 2004, teve seu mandato renovado por mais um ano. Para Beraba, o desafio do jornal em 2006 será conjugar o noticiário quente, crítico e investigativo, com textos mais densos e reflexivos sobre os problemas do país.


Jornalista há 35 anos, Beraba é o sétimo profissional a ocupar o cargo de ombudsman, criado em 1989. Entre os dias 7 e 10 de maio, ele participará da conferência anual da ONO (Organização dos Ombudsmans de Notícias) em São Paulo, que terá apoio da Folha. É a primeira vez que o evento será realizado fora do eixo Europa-América do Norte desde que a ONO foi criada, em 1980.


Beraba avalia que a principal marca de seu segundo ano de gestão foi o acompanhamento da crise política sob os pontos de vista da qualidade -’de que forma o jornal estava investindo nos casos, estava tendo informações próprias’- e do equilíbrio -’de que maneira o jornal estaria dando bem as acusações, mas ao mesmo tempo garantindo espaço para as explicações, o outro lado’.


A quantidade de leitores que procuraram o ombudsman aumentou muito: foram 10.688 mensagens em 2005, contra 5.881 no ano anterior. Esse crescimento se deveu à crise política, pois ‘havia uma insatisfação em relação ao posicionamento do jornal’, considerado ‘mais crítico em relação ao governo do que em relação à oposição’ -o que reflete a polarização política em São Paulo, base dos principais líderes do PT e do PSDB. Além disso, a expansão da internet, que hoje responde por 95% das mensagens ao ombudsman, também contribuiu para o aumento das reclamações.


Os principais problemas apontados pelos leitores são a parcialidade e a falta de qualidade -erro ou omissão de informação e cobertura incompleta da notícia. Segundo Beraba, são insatisfações comuns aos consumidores de todos os veículos de comunicação, mas que encontram expressão na Folha em razão da existência do ‘canal do ombudsman’, além do ‘Painel do Leitor’, espaço que, segundo ele, muitos leitores gostariam de ver ampliado.


Marcelo Beraba é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1971 tornou-se repórter do jornal ‘O Globo’. De 1984 a 1988, foi repórter, chefe de reportagem e diretor da Sucursal da Folha no Rio. Em São Paulo, foi editor de cidades e de política. Entre 1991 e 1996, foi secretário de Redação da Folha.


Transferiu-se para o Rio em 1996 como editor-executivo do ‘Jornal do Brasil’, onde ficou até 1998, quando retornou a São Paulo como editor-executivo do ‘Jornal da Globo’, da TV Globo. Em 1999, de volta à Folha, reassumiu a direção da Sucursal do Rio. Recebeu no ano passado, em Washington, o Prêmio de Excelência em Jornalismo do International Center For Journalists (ICFJ).’




CÁTEDRA OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA
Folha de S. Paulo


Recomeçam na terça palestras sobre jornalismo


‘Começa na terça-feira o quinto ciclo de palestras da Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira, criada em 2002 pelo Centro Universitário Alcântara Machado (UniFiam-Faam) em homenagem ao publisher da Folha.


O programa abordará a cobertura de dois dos principais eventos noticiosos do ano: a Copa do Mundo, no primeiro semestre, e as eleições, no segundo semestre. Abertas ao público, as palestras serão mensais no campus Morumbi da UniFiam-Faam e semestrais no campus da Liberdade, ambos em São Paulo.


A primeira aula, sobre jornalismo esportivo, será dada na próxima terça-feira às 19h30, no Morumbi, pelo ex-editor de Esporte da Folha Melchiades Filho. No dia 19, às 9h30, o colunista Juca Kfouri falará sobre opinião no jornalismo esportivo. Os interessados nas palestras devem enviar um e-mail para jornalismo@fiamfaam.br, com nome, telefone e nome da faculdade, empresa ou instituição a que pertencem ou ligar para o telefone 0/ xx/11/ 3814-0544. (DA REDAÇÃO)’




INTERNET
Paula Leite


Banda larga está em 66% das casas ‘on-line’


‘O uso residencial da conexão de banda larga à internet explodiu no começo de 2006 e no ano passado. Dos 13,25 milhões de pessoas que acessaram a internet em casa em fevereiro, 8,72 milhões usaram a banda larga, quase o dobro das que usaram uma conexão discada -4,53 milhões.


Isso significa que 65,8% dos internautas tinham banda larga instalada em suas residências em fevereiro, contra 34,2% que usavam a conexão discada. Os dados são de pesquisa mensal do Ibope/ NetRatings.


Em dezembro de 2004, a situação era bem diferente: 5,54 milhões de pessoas (51,1% do total) acessavam a web com a linha discada, mais que os 5,31 milhões (48,9%) que tinham banda larga em casa.


Analistas e empresas do setor atribuem esse crescimento da internet rápida a vários fatores, como a oferta crescente de conteúdos como vídeos, músicas, games e downloads na internet, difíceis de serem acessados com conexão discada, pela lentidão.


Por outro lado, o aumento do total de usuários residenciais que dispõem de conexão rápida faz com que portais de conteúdo passem a oferecer mais seções voltadas a esse público.


Entre as novidades, estão o vídeo ‘on demand’ (o usuário escolhe o que quer ver) e a telefonia VoIP (voz sobre protocolo de internet, que permite fazer ligações gratuitas ou mais baratas usando o computador).


Mais tempo


Quem tem banda larga em casa também passa mais tempo navegando, de acordo com os dados do Ibope/NetRatings.


Os internautas com acesso rápido à internet passaram em média 21 horas e 20 minutos conectados em fevereiro, um aumento de 25,3% com relação ao tempo gasto em fevereiro de 2005.


Já os usuários com linha discada ficaram menos da metade do tempo -só nove horas e 41 minutos, alta de 9,4% ante o dado do mesmo mês do ano passado.


A média de tempo on-line de todos os internautas foi de 17 horas e 33 minutos. Tanto a média geral quanto a dos internautas com banda larga e linha discada são recordes entre todos os países pesquisados pela NetRatings.


‘O cliente que procura a banda larga tem de 25 a 35 anos e quer acessar os conteúdos ‘on demand’, estar conectado a comunidades e ao entretenimento on-line’, diz Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da NET, provedora de banda larga e TV por assinatura.


‘A banda larga é o produto da moda, com a televisão de plasma. O aumento da procura por esse tipo de conexão tem a ver com o próprio aumento do número de computadores nas residências’, diz Vito Chiarella Neto, diretor comercial da TVA.


Concorrência


Outro fator que ajudou na expansão da banda larga foi o aumento da concorrência das empresas que oferecem o serviço e o barateamento dos planos.


‘As empresas estão investindo em marketing para mostrar ao cliente as facilidades e os preços dos planos de banda larga e também criaram planos mais interessantes’, diz José Calazans, do Ibope/NetRatings.


‘A disputa de preços entre as provedoras de banda larga contribuiu para a expansão. Vamos ver um salto em 2006 e em 2007 no uso da tecnologia’, diz Cid Torquato, executivo da Camara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico).


Torquato diz que a facilidade de uso da conexão de banda larga e o fato de os usuários ficarem mais tempo navegando têm conseqüências importantes para os negócios on-line. ‘Cerca de 80% dos que compram na web têm banda larga, e quem tem a conexão compra quatro vezes mais do que os que não têm.’’




***


Empresas tentam atrair cliente com ‘triple play’


‘O crescimento do total de casas com banda larga também leva as empresas do setor a se movimentar para oferecerem ao cliente a chamada convergência: serviços de dados (internet), voz (telefonia) e imagem (TV ou vídeo).


As estratégias são diferentes. As empresas de TV por assinatura, que já oferecem os três serviços -a TVA tem o TVA Voz, e a Net acaba de lançar o Net Fone-, reforçam nas ofertas as vantagens de ter o pacote completo.


‘Hoje, a procura por banda larga está ajudando a trazer clientes para a TV, que estava estagnada’, diz Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net.


Já a Telefônica lançou na capital paulista um pacote que inclui a banda larga Speedy, um pacote de minutos para ligações locais, descontos em ligações de longa distância e para celular e descontos na TV por assinatura Sky.


‘Fizemos isso porque notamos que quem tem banda larga consome mais ligações para celular e DDD’, diz Odmar Almeida Filho, vice-presidente do segmento residenciais da empresa.


Já os portais de internet têm canais de vídeo ‘on demand’ e serviços de VoIP, geralmente pré-pagos. O Terra tem o Terra VoIP. O UOL, o UOL Fone, por exemplo.


Riza Soares, do Terra, diz que por enquanto o portal só tem vídeos ‘on demand’ e ao vivo, mas que no futuro pode entrar no mercado de IPTV (televisão transmitida via internet), algo que não existe no Brasil.’




***


Conexão rápida muda hábitos de navegação


‘O internauta que instala a banda larga em casa acaba mudando também seus hábitos de navegação. ‘Quem tem banda larga geralmente tem fotolog e acessa conteúdos multimídia, como vídeos e TV. O fotolog, por exemplo, é algo difícil de ter com uma conexão discada’, diz José Calazans, do Ibope/NetRatings.


Gil Torquato, diretor de relações institucionais e telecomunicações do UOL, afirma que a TV UOL é a área que os assinantes de banda larga mais buscam no portal. ‘Há uma tendência forte de utilização de multimídia.’ O portal também vai lançar uma loja de música on-line, que, segundo ele, terá o maior acervo da internet.


O Terra fez mudanças no portal para atender o usuário de banda larga, entre elas o relançamento da TV Terra, diz Riza Soares, diretora de planejamento e novos negócios do Terra.


Calazans diz também que a pesquisa da empresa mostra que os usuários de banda larga diversificam seu uso da internet. ‘O internauta passa a acessar sites de viagens, estilo de vida, decoração, animais, de acordo seus interesses’, diz ele.’




PUBLICIDADE
Bruno Segadilha


Merchandising na TV é aposta de emissoras


‘Durante o programa, a apresentadora pára e começa a falar das vantagens de determinado creme facial. Na novela das oito, uma rica empresária exalta as qualidades de uma marca de lingerie. Em poucos minutos, apresentadores, autores, atores e emissoras aumentam seus lucros com dois tipos de inserção em alta no mercado publicitário nacional: o merchandising e a propaganda testemunhal.


Segundo emissoras e publicitários ouvidos, essas ações representam uma tendência na televisão mundial que é seguida pela televisão brasileira, uma vez que o telespectador tende a ficar menos na frente da TV durante os intervalos comerciais diante da crescente disputa entre emissoras e a grande oferta de canais.


Diferentes das propagandas entre cada bloco de programa, essas duas inserções são caracterizadas pela maior absorção e interatividade com o público, segundo emissoras e publicitários ouvidos.


No merchandising, o produto é anunciado dentro da obra de ficção, que pode ser um capítulo de novela, e se insere na proposta dramática do programa: os personagens, dentro da história, usam os produtos e falam das qualidades dele.


A produção envolve roteiristas, atores e diretores, que ganham porcentagens sobre o custo da ação. No testemunhal, o apresentador fala do produto dentro do programa, usando seu prestígio.


Marcus Vinicius Chisco, diretor nacional de merchandising da Record, acredita que essa tendência mundial faz com que o anunciante procure por exclusividade e por uma adequação entre a marca e o conteúdo da programação.


‘Empresas gigantes como Procter & Gamble procuram migrar verbas que antes eram da produção de comerciais para o relacionamento em ponto-de-venda e comprando espaços exclusivos.’


Chisco afirma que, além de atender à crescente demanda dos clientes por esse tipo de ação, a Record quer mudar sua imagem no mercado publicitário.


‘As pesquisas mostraram que o público não aceitava bem aquelas propagandas de ‘call center’. Agora, buscamos uma nova identidade, queremos nos adequar ao que os grandes anunciantes querem.’


De acordo com dados divulgados pela Bandeirantes e Record, essas ações representam, em média, 16% do faturamento comercial total das emissoras e a previsão para este ano é de crescimento. Segundo a Record, no último ano, esse tipo de publicidade cresceu 60%. SBT e Globo não divulgam números.


Custos maiores


Segundo tabela divulgada pela agência de publicidade Africa, uma ação testemunhal pode representar custo até 284% maior do que uma propaganda no intervalo comercial normal e o cachê do apresentador pode chegar a 20% do valor total da ação.


Esse é o caso do programa ‘Domingão do Faustão’, que cobra R$ 360,74 mil por um testemunhal de 30 segundos e R$ 126,97 mil por um comercial com a mesma duração. A tabela prevê que a ação seja ao vivo, na linguagem do apresentador e respeite o limite de 80 palavras.


O merchandising pode ter custo até 149% maior do que o do comercial tradicional. Uma inserção na novela ‘Cidadão Brasileiro’ (Record), por exemplo, com duração variável, sai por R$ 300 mil, enquanto um comercial de 30 segundos custa R$ 200,9 mil.


O valor é o equivalente ao gasto com cada capítulo da novela, que, segundo a emissora, consome entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. A tabela da Africa não menciona os valores nas novelas da Globo.


Luiz Fernando Vieira, sócio-diretor de mídia da Africa, afirma que a procura por esse tipo de propaganda não leva em consideração apenas critérios econômicos, mas principalmente aspectos ideológicos. Vieira diz que a principal preocupação é o valor que se quer atribuir ao produto.


‘É importante saber o que você quer para o produto. Se é inseri-lo no cotidiano do telespectador ou se somente apresentá-lo.’


Aprovação do artista


De acordo com Marcelo Mainardi, diretor-executivo comercial da Bandeirantes, todas as ações, sejam de merchandising ou testemunhais, precisam passar pelo crivo do artista, que tem autonomia para negar a participação em determinada campanha.


‘Eles têm total liberdade para recusar uma proposta, como já aconteceu com o Gilberto Barros, que não gosta de falar de bebida alcoólica ou assuntos relacionados a jogos, por exemplo. Se o artista não se sentir bem, ou não acreditar no produto, não faz.’’




TELEVISÃO
Daniel Castro


Renata Sorrah troca tesoura por pistola


‘Depois da tesoura da vilã Nazaré Tedesco, de ‘Senhora do Destino’, Renata Sorrah aparecerá em ‘Páginas da Vida’, próxima novela das oito da Globo, com armas sofisticadas: pistolas automáticas.


Renata começou na semana passada a ter aulas de tiro. Está aprendendo a manusear armas e a atirar para matar. É que na trama de Manoel Carlos, que estréia em julho, ela será uma juíza, Thereza Junqueira de Figueiredo, que, ameaçada, anda armada.


‘Ela será extremamente dura e honesta, incorruptível e implacável. Além de serem muitas e estarem na moda, as juízas são consideradas mais severas do que os homens’, conta Manoel Carlos.


‘Como muitas estão fazendo agora na vida real, a juíza Thereza vai aprender a atirar e andar armada. Thereza tem um filho de 15 anos, pianista clássico, que sofrerá um seqüestro para que ela seja obrigada a absolver um bandido. Thereza vive ainda um drama conjugal que atinge sua profissão, já que é casada com um trambiqueiro’, revela o autor da novela.


Nestor, o marido de Thereza, será interpretado por Zecarlos Machado (que em ‘Senhora do Destino’ fez o gaúcho que hospedou Nazaré em um hotel de Porto Alegre). Seu filho, Luciano, será vivido por Rafael Almeida, 15.


Renata está entusiasmada: ‘É uma personagem atual, fala de corrupção. Quero fazer uma interpretação bem natural, como se não houvesse câmera’.


OUTRO CANAL


Longa vida Não é só Galvão Bueno que está ‘garantido’ até a Copa de 2014, como prevê seu mais novo contrato com a Globo. O comentarista de arbitragem Arnaldo César Coelho, 63, também vai longe. Acaba de assinar contrato com a emissora com vigência até 2012, renovável automaticamente por mais dois anos.


Vem aí 1 Série que se propõe a contar a ‘verdadeira história’ do Pentágono, a fortaleza militar norte-americana, ‘E-Ring’ estréia em julho no Warner Channel _canal que está comemorando crescimento de 51% em sua audiência no horário nobre em fevereiro, em relação ao mesmo mês de 2005.


Vem aí 2 Com Dennis Hopper (‘Sem Destino’, ‘Veludo Azul’) e Benjamin Bratt (‘Lei e Ordem’, ‘Traffic’) no elenco, ‘E-Ring’ traz heróis civis e militares lutando pela ‘sobrevivência’ dos EUA e do mundo. É produzida pela Jerry Bruckheimer Television, produtora dos sucessos ‘CSI’, ‘Cold Case’ e ‘Without a Trace’. Segundo o canal, o seriado foi inspirado em experiências de um analista de inteligência militar do canal de notícias CNN.


Target A participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no ‘Manhattan Connection’, no último dia 26, levou o canal pago GNT a liderar a audiência na TV paga entre mulheres com mais de 25 anos.’


Rafael Cariello e Laura Mattos


TV árabe lança rede em inglês e vende ao Brasil


‘A rede de TV Al Jazira, conhecida mundialmente desde a Guerra do Afeganistão e apelidada de CNN árabe, programou para o mês de junho o lançamento de seu canal de notícias em inglês.


No Brasil, representantes da Al Jazira Internacional tiveram reuniões há duas semanas com as principais operadoras de TV paga e iniciaram negociações para incluir a emissora nos pacotes dos assinantes. Procuraram também a Globo a fim de discutir o fornecimento de conteúdo. Farão o mesmo com outras redes abertas.


A empresa Multipole, sediada em São Paulo, foi contratada para prestar consultoria à Al Jazira Internacional na América Latina, onde já conta com 3.000 assinantes para o canal em árabe. Nos encontros com as TVs pagas e com a Globo, foi apresentado um DVD de oito minutos ao qual a Folha teve acesso. O vídeo deixa claro que a Al Jazira não quer vender a imagem de TV do Oriente Médio, mas de porta-voz da ‘periferia’ mundial. Um norte-americano afirma que ‘gostaria de conhecer o outro lado da história’. Em tomadas da África, um narrador fala em ‘vozes raramente ouvidas’.


David Frost, premiado jornalista inglês e estrela do novo canal, diz que a Al Jazira será distinta das redes ‘tradicionalmente centradas no Ocidente’. O DVD apresenta o aparato tecnológico da estação e informa que a maior parte das imagens será em alta definição, com qualidade próxima à de cinema. Há ainda declarações de âncoras e diretores contratados, grande parte egressa da norte-americana CNN e da inglesa BBC, principais concorrentes da Al Jazira Internacional.


Fato ‘inédito’


Para o professor de mídia e comunicação da London School of Economics Roger Silverstone, o lançamento de um canal de notícias em inglês produzido a partir de um país não-ocidental é um fato ‘absolutamente inédito’ e pode vir a provocar mudanças na mídia dos países ‘centrais’. ‘Os canais atuais terão de registrar o que a Al Jazira disser e levar em conta a existência de perspectivas diferentes, não só sobre o mundo árabe, mas sobre nós mesmos.’


Opinião semelhante tem Frost, único jornalista no mundo a ter entrevistado os últimos sete presidentes dos EUA e os últimos seis primeiros-ministros da Inglaterra. ‘Nós, no Ocidente, temos transmitido nossas opiniões e visões para o restante do mundo por muitos anos. É no mínimo justo que essas áreas não-ocidentais tenham agora a chance de retribuir o favor’, disse, não sem alguma ironia, em entrevista ao ‘New York Times’, em fevereiro.


Lucia Newman, chefe do escritório da CNN em Havana até ser contratada pelos árabes para atuar em Buenos Aires (leia ao lado), disse que a idéia da rede é aumentar a presença da América Latina na cobertura jornalística.


No Brasil, o lançamento é visto com simpatia por TVs. ‘O diretor da Al Jazira para as Américas esteve com [Carlos Henrique] Schroder [diretor da Central Globo de Jornalismo], mostrou o projeto e iniciou conversações para tenhamos uma parceria. Seria nos moldes das que mantemos com agências internacionais, para usar o material deles. Para nós, será muito interessante, temos todo o interesse de fechar um contrato’, afirmou Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Globo.


Segundo ele, a Al Jazira colaborará com a ‘pluralidade’ do jornalismo da Globo. ‘Fora o fato de ser bem mais presente no mundo árabe do que as TV ocidentais.’


A Record também espera fechar acordo. ‘O lançamento é uma boa notícia, principalmente neste momento em que o mundo assiste à concentração dos meios de comunicação em poucas corporações’, afirmou Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record.


Em busca de um bilhão


Fundada em 96 por um xeque do Qatar que destitui o pai do poder e institui a liberdade de imprensa, a Al Jazira se tornou uma das principais fontes de informação sobre conflitos no Oriente Médio. É conhecida por veicular mensagens de Osama bin Laden. Essas e outras imagens são reproduzidas por TVs no mundo todo, inclusive pelas poderosas CNN e BBC. Foi da rede britânica, aliás, que vieram os primeiros profissionais para a formação da rede.


A diferença entre a Al Jazira árabe e a internacional não será só a língua, mas a programação. Para o canal em inglês, que busca audiência potencial de um bilhão de telespectadores no mundo todo, promete uma cobertura mais ampla. Haverá cerca de 40 sucursais em vários países. Só em Washington, trabalham perto de cem profissionais. Na América Latina, além de Newman, o canal contará com correspondente em Caracas e tem planos futuros de escritório brasileiro.


O sinal será irradiado de quatro diferentes locais, alternadamente, ao longo das 24 horas de programação: Doha (Qatar), Kuala Kumpur (Malásia), Londres (Inglaterra) e Washington (EUA), de onde virá o conteúdo produzido no continente americano.


As cifras não são reveladas, mas o número de profissionais -e especialmente de ‘grifes’- já contratados impressionam.


Além de Frost e Newman, diversos expoentes dos jornalismos americano e inglês passaram a integrar a rede: Veronica Pedrosa, uma das principais apresentadoras da CNN; Stephen Cole, âncora da BBC; Riz Khan, que participou do lançamento do canal internacional de notícias da BBC, transmitindo o primeiro programa quando o canal foi ao ar, em 1991.


Silverstone, da London School of Economics, avalia as razões para recorrerem a nomes tão conhecidos: ‘Eles precisam da experiência e do estilo de discurso que esses profissionais serão capazes de prover. Além disso, a Al Jazira tem de parecer e soar como um canal ocidental para ser assistida e levada a sério, mesmo que sua visão de mundo seja distinta’.




***


‘Estou aprendendo o português’, diz repórter


‘‘O Brasil será tremendamente importante na nossa cobertura. Pretendo viajar ao país pelo menos duas vezes por mês. Estou me esforçando para aperfeiçoar o ‘portuñol’, enquanto faço aulas de português.’


Quem afirma é Lucia Newman, que será a principal correspondente da Al Jazira Internacional para a América Latina. A chilena, que estudou na Austrália e era contratada da CNN para a região desde 1987, chefiou o escritório da rede americana em Cuba nos últimos dez anos.


Newman toma o plano geral da emissora árabe -de cobrir com mais ênfase os continentes periféricos- e transpõe a lógica para o Cone Sul. Diz que a região foi sempre mal coberta pelos meios de comunicação -situação que teria se agravado recentemente.


‘Desde o 11 de Setembro que a América Latina perdeu proeminência na mídia devido à enorme quantidade de recursos destinados à cobertura do Oriente Médio. É paradoxal, portanto, que uma organização de mídia daquela região venha querer modificar isso, realizando uma cobertura bem mais abrangente da região.’


Newman diz crer que o público que fala inglês ‘não conhece ou não entende a América Latina muito bem’. ‘Essa nova rede de TV pode ajudar a corrigir isso.’


Questionada se o canal não pode ser visto por muitos como associado a radicais islâmicos -já que tradicionalmente tem acesso a vídeos declaratórios dos líderes da Al Qaeda-, Newman descarta a possibilidade.


‘Claro que algumas pessoas, por uma questão de ignorância, poderão confundir os nomes, mas tenho certeza de que, quando passarem a ver as transmissões da rede, mudarão de idéia.’’


Lúcio Ribeiro


Estréia hoje no Brasil seriado cômico que faz sucesso nos EUA


‘Um drama de consciência deu no mais engraçado e bem-sucedido novo seriado cômico da TV americana. Estréia hoje no Brasil, nos canais Fox e FX, às 21h, a sitcom ‘My Name Is Earl’, estrelado pelo excêntrico ator ‘não-ator’ Jason Lee, que sempre quis tudo na vida, menos fazer seriado e, principalmente, TV.


‘Earl’ é a história de um escroque jeca dos rincões americanos que se julga um cara abandonado pela sorte, até que ganha uma bolada na loteria. No segundo depois de conferir o bilhete e se ver rico de uma hora para outra, sai correndo para comemorar e é atropelado. O bilhete premiado voa de suas mãos, e ele vai parar, estropiado, num hospital.


De volta ao normal, resta a Earl, ex-endinheirado por um minuto, ver televisão. Até que, ao assistir a uma discussão sobre carma num programa desses de entrevistas, percebe que todo o seu azar é ‘recompensa’ por tudo de ruim que ele aprontou para os outros.


‘O roteiro ficou na mesa da minha casa por vários dias e eu pensando: ‘Seriado? Televisão? Não é isso que eu quero para mim, mesmo com um dinheiro que eu nunca tinha visto sendo oferecido. Tenho um certo preconceito com TV. Nunca dou risada em coisas tidas como ‘comédia’. Acho até um negócio meio débil. Mas quando resolvi ler a história, falei: ‘Estou nessa’, disse o ator Jason Lee em entrevista a um grupo de jornalistas numa mesa da qual a Folha participou.


Lee, 35, é ex-skatista profissional que caiu do skate direto no cinema independente, cooptado pelos heróis indies Kevin Smith (diretor de ‘Dogma’) e Spike Jonze, que o dirigiu em clipe da banda Sonic Youth. Em ‘Quase Famosos’, de Cameron Crowe, Lee fez o líder do grupo-problema Stillwater, a banda-guia do filme.


Mesmo depois com um papel aqui, outro ali em blockbusters, a carreira cinematográfica de Jason Lee não exatamente decolou. Mas isso não o preocupava. ‘Encontrava minha alegria no skate.’


Aí veio ‘My Name Is Earl’ e a estréia, nos EUA, em setembro do ano passado. O primeiro episódio, de cara, foi assistido por 15,2 milhões de pessoas. No terceiro, virou o programa mais visto das estréias do canal NBC na temporada, o que garantiu mais 22 episódios pagos. No fim do primeiro mês, virou a sitcom mais assistida da TV americana. A segunda temporada está garantida.


Lista de pecados


A sacada do seriado está na eterna cara de ‘mané-redneck-malandrão’ de Lee. Depois que seu personagem sai do hospital, crente que tudo de ruim que acontece a ele é por causa de seu longo currículo de malfeitorias, ele escreve num papel uma lista de coisas erradas que fez a seu pai, na escola, com as namoradas, com os amigos. E parte para confessá-las e corrigi-las.


Tipo dizer para o vizinho fortão e algo desequilibrado que os anos que passou na cadeia foram por causa de um crime que ele, Earl, havia cometido. E tentar ajudar o sujeito de alguma forma. ‘Não tenho uma lista pessoal de pecados’, disse Jason Lee. ‘Mas mentalmente tenho uma lista de coisas que ele precisa fazer por seu filho de 2 anos. O que eu preciso fazer por ele e o que quero mostrar ao menino’, afirmou. Voltando à aversão a trabalhar na TV, Lee fala: ‘Sempre achei, e agora vejo que é verdade, que em televisão se trabalha muito. Fora que ficar fazendo o mesmo papel durante muito tempo não me atrai. Para aliviar a rotina, estou desenvolvendo e dirigindo um curta’.


‘My Name Is Earl’ tem hoje exibição simultânea nos canais Fox e FX. A partir do segundo episódio, será mostrado apenas no FX, o canal masculino da Fox.


O jornalista Lúcio Ribeiro viajou a convite da Fox’


Bia Abramo


‘Ídolos’ recombina música e TV


‘Estreou bem ‘Ídolos’, a versão brasileira do SBT de programa inglês. Produção cuidada, fidelidade ao formato e senso de oportunidade -nada disso combina muito com a emissora de Silvio Santos, portanto, não se sabe até quando vai durar, mas por ora é preciso dar um crédito.


Combinação de ‘reality show’ e programa de calouros, o programa faz um sucesso gigantesco nos Estados Unidos na versão ‘American Idol’, exibida aqui pelo canal por assinatura Sony.


O mecanismo é simples: candidatos a se tornarem ídolos da música apresentam-se diante de um júri e, a partir de um determinado número de concorrentes, o público passa a votar.


Música popular e televisão têm uma longa história juntas, inclusive aqui no Brasil. Basta lembrar que a geração de músicos que está no poder, literal e metaforicamente, surgiu em festivais promovidos pela Record.


A MPB, presença ainda hegemônica e parâmetro inamovível do ‘bom gosto’ em termos musicais no Brasil, foi a música brasileira que conseguiu aparecer bem na televisão 40 anos atrás.


Mas agora, 2006, a história se moveu em direções inesperadas. A música que está na TV é a outra, mais brasileira e popular do que a MPB, mas que não pode aspirar a nenhum desses adjetivos.


E também não é exatamente pop, no sentido fixado no eixo Inglaterra-Estados Unidos, e que supõe, entre outras coisas, um ajuste complicadíssimo entre o gosto médio (se é que tem isso numa sociedade tão partida quanto a brasileira) e as tendências mais de ponta. Isso torna a tarefa do corpo de jurados bastante difícil, mas a escolha parece acertada, combinando produtores de origens bem heterogêneas.


Não deve ter sido por isso exatamente, mas o programa de estréia dedicou boa parte do tempo a tentar definir o que é um ídolo pop (e, vejam bem, não popular).


Como ídolos brasileiros invocados como exemplo, apareceram Ivete Sangalo, Wando e Zezé di Camargo -sobre os quais não se pode dizer que não sejam populares, mas será que são pop, no mesmo sentido que Madonna e Eminem? A população, no Brasil, é pop?


Um outro problema curioso que a adaptação do formato apresenta é a dureza da competição. Boa parte, inclusive da graça, do programa consiste em mostrar os excluídos -os candidatos totalmente desavisados, os péssimos cantores, os que se acham bons e são vetados pelos jurados.


Lá, nos EUA, a franqueza no julgamento é a regra e, embora não seja tomada com leveza em todos os casos, há uma cultura que admite as negativas e recusas como parte do jogo. Não à toa, uma das atrações é a crueldade com que o jurado Simon Cowell sentencia sobre a sorte (ou azar) dos candidatos. Aqui, tudo é pessoal -o que faz prever toques bem melodramáticos nos próximos episódios.’




******************


Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.


Folha de S. Paulo – 1


Folha de S. Paulo – 2


O Estado de S. Paulo – 1


O Estado de S. Paulo – 2


Último Segundo


Primeira Leitura


Comunique-se


Direto da Redação

Todos os comentários

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 8 E 9/04

Folha de S. Paulo

11/04/2006 na edição 376


BERABA RECONDUZIDO
Folha de S. Paulo


Ombudsman da Folha tem mandato renovado até 2007


‘O jornalista Marcelo Beraba, 54, ombudsman da Folha desde 5 de abril de 2004, teve seu mandato renovado por mais um ano. Para Beraba, o desafio do jornal em 2006 será conjugar o noticiário quente, crítico e investigativo, com textos mais densos e reflexivos sobre os problemas do país.


Jornalista há 35 anos, Beraba é o sétimo profissional a ocupar o cargo de ombudsman, criado em 1989. Entre os dias 7 e 10 de maio, ele participará da conferência anual da ONO (Organização dos Ombudsmans de Notícias) em São Paulo, que terá apoio da Folha. É a primeira vez que o evento será realizado fora do eixo Europa-América do Norte desde que a ONO foi criada, em 1980.


Beraba avalia que a principal marca de seu segundo ano de gestão foi o acompanhamento da crise política sob os pontos de vista da qualidade -’de que forma o jornal estava investindo nos casos, estava tendo informações próprias’- e do equilíbrio -’de que maneira o jornal estaria dando bem as acusações, mas ao mesmo tempo garantindo espaço para as explicações, o outro lado’.


A quantidade de leitores que procuraram o ombudsman aumentou muito: foram 10.688 mensagens em 2005, contra 5.881 no ano anterior. Esse crescimento se deveu à crise política, pois ‘havia uma insatisfação em relação ao posicionamento do jornal’, considerado ‘mais crítico em relação ao governo do que em relação à oposição’ -o que reflete a polarização política em São Paulo, base dos principais líderes do PT e do PSDB. Além disso, a expansão da internet, que hoje responde por 95% das mensagens ao ombudsman, também contribuiu para o aumento das reclamações.


Os principais problemas apontados pelos leitores são a parcialidade e a falta de qualidade -erro ou omissão de informação e cobertura incompleta da notícia. Segundo Beraba, são insatisfações comuns aos consumidores de todos os veículos de comunicação, mas que encontram expressão na Folha em razão da existência do ‘canal do ombudsman’, além do ‘Painel do Leitor’, espaço que, segundo ele, muitos leitores gostariam de ver ampliado.


Marcelo Beraba é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1971 tornou-se repórter do jornal ‘O Globo’. De 1984 a 1988, foi repórter, chefe de reportagem e diretor da Sucursal da Folha no Rio. Em São Paulo, foi editor de cidades e de política. Entre 1991 e 1996, foi secretário de Redação da Folha.


Transferiu-se para o Rio em 1996 como editor-executivo do ‘Jornal do Brasil’, onde ficou até 1998, quando retornou a São Paulo como editor-executivo do ‘Jornal da Globo’, da TV Globo. Em 1999, de volta à Folha, reassumiu a direção da Sucursal do Rio. Recebeu no ano passado, em Washington, o Prêmio de Excelência em Jornalismo do International Center For Journalists (ICFJ).’




CÁTEDRA OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA
Folha de S. Paulo


Recomeçam na terça palestras sobre jornalismo


‘Começa na terça-feira o quinto ciclo de palestras da Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira, criada em 2002 pelo Centro Universitário Alcântara Machado (UniFiam-Faam) em homenagem ao publisher da Folha.


O programa abordará a cobertura de dois dos principais eventos noticiosos do ano: a Copa do Mundo, no primeiro semestre, e as eleições, no segundo semestre. Abertas ao público, as palestras serão mensais no campus Morumbi da UniFiam-Faam e semestrais no campus da Liberdade, ambos em São Paulo.


A primeira aula, sobre jornalismo esportivo, será dada na próxima terça-feira às 19h30, no Morumbi, pelo ex-editor de Esporte da Folha Melchiades Filho. No dia 19, às 9h30, o colunista Juca Kfouri falará sobre opinião no jornalismo esportivo. Os interessados nas palestras devem enviar um e-mail para jornalismo@fiamfaam.br, com nome, telefone e nome da faculdade, empresa ou instituição a que pertencem ou ligar para o telefone 0/ xx/11/ 3814-0544. (DA REDAÇÃO)’




INTERNET
Paula Leite


Banda larga está em 66% das casas ‘on-line’


‘O uso residencial da conexão de banda larga à internet explodiu no começo de 2006 e no ano passado. Dos 13,25 milhões de pessoas que acessaram a internet em casa em fevereiro, 8,72 milhões usaram a banda larga, quase o dobro das que usaram uma conexão discada -4,53 milhões.


Isso significa que 65,8% dos internautas tinham banda larga instalada em suas residências em fevereiro, contra 34,2% que usavam a conexão discada. Os dados são de pesquisa mensal do Ibope/ NetRatings.


Em dezembro de 2004, a situação era bem diferente: 5,54 milhões de pessoas (51,1% do total) acessavam a web com a linha discada, mais que os 5,31 milhões (48,9%) que tinham banda larga em casa.


Analistas e empresas do setor atribuem esse crescimento da internet rápida a vários fatores, como a oferta crescente de conteúdos como vídeos, músicas, games e downloads na internet, difíceis de serem acessados com conexão discada, pela lentidão.


Por outro lado, o aumento do total de usuários residenciais que dispõem de conexão rápida faz com que portais de conteúdo passem a oferecer mais seções voltadas a esse público.


Entre as novidades, estão o vídeo ‘on demand’ (o usuário escolhe o que quer ver) e a telefonia VoIP (voz sobre protocolo de internet, que permite fazer ligações gratuitas ou mais baratas usando o computador).


Mais tempo


Quem tem banda larga em casa também passa mais tempo navegando, de acordo com os dados do Ibope/NetRatings.


Os internautas com acesso rápido à internet passaram em média 21 horas e 20 minutos conectados em fevereiro, um aumento de 25,3% com relação ao tempo gasto em fevereiro de 2005.


Já os usuários com linha discada ficaram menos da metade do tempo -só nove horas e 41 minutos, alta de 9,4% ante o dado do mesmo mês do ano passado.


A média de tempo on-line de todos os internautas foi de 17 horas e 33 minutos. Tanto a média geral quanto a dos internautas com banda larga e linha discada são recordes entre todos os países pesquisados pela NetRatings.


‘O cliente que procura a banda larga tem de 25 a 35 anos e quer acessar os conteúdos ‘on demand’, estar conectado a comunidades e ao entretenimento on-line’, diz Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da NET, provedora de banda larga e TV por assinatura.


‘A banda larga é o produto da moda, com a televisão de plasma. O aumento da procura por esse tipo de conexão tem a ver com o próprio aumento do número de computadores nas residências’, diz Vito Chiarella Neto, diretor comercial da TVA.


Concorrência


Outro fator que ajudou na expansão da banda larga foi o aumento da concorrência das empresas que oferecem o serviço e o barateamento dos planos.


‘As empresas estão investindo em marketing para mostrar ao cliente as facilidades e os preços dos planos de banda larga e também criaram planos mais interessantes’, diz José Calazans, do Ibope/NetRatings.


‘A disputa de preços entre as provedoras de banda larga contribuiu para a expansão. Vamos ver um salto em 2006 e em 2007 no uso da tecnologia’, diz Cid Torquato, executivo da Camara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico).


Torquato diz que a facilidade de uso da conexão de banda larga e o fato de os usuários ficarem mais tempo navegando têm conseqüências importantes para os negócios on-line. ‘Cerca de 80% dos que compram na web têm banda larga, e quem tem a conexão compra quatro vezes mais do que os que não têm.’’




***


Empresas tentam atrair cliente com ‘triple play’


‘O crescimento do total de casas com banda larga também leva as empresas do setor a se movimentar para oferecerem ao cliente a chamada convergência: serviços de dados (internet), voz (telefonia) e imagem (TV ou vídeo).


As estratégias são diferentes. As empresas de TV por assinatura, que já oferecem os três serviços -a TVA tem o TVA Voz, e a Net acaba de lançar o Net Fone-, reforçam nas ofertas as vantagens de ter o pacote completo.


‘Hoje, a procura por banda larga está ajudando a trazer clientes para a TV, que estava estagnada’, diz Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net.


Já a Telefônica lançou na capital paulista um pacote que inclui a banda larga Speedy, um pacote de minutos para ligações locais, descontos em ligações de longa distância e para celular e descontos na TV por assinatura Sky.


‘Fizemos isso porque notamos que quem tem banda larga consome mais ligações para celular e DDD’, diz Odmar Almeida Filho, vice-presidente do segmento residenciais da empresa.


Já os portais de internet têm canais de vídeo ‘on demand’ e serviços de VoIP, geralmente pré-pagos. O Terra tem o Terra VoIP. O UOL, o UOL Fone, por exemplo.


Riza Soares, do Terra, diz que por enquanto o portal só tem vídeos ‘on demand’ e ao vivo, mas que no futuro pode entrar no mercado de IPTV (televisão transmitida via internet), algo que não existe no Brasil.’




***


Conexão rápida muda hábitos de navegação


‘O internauta que instala a banda larga em casa acaba mudando também seus hábitos de navegação. ‘Quem tem banda larga geralmente tem fotolog e acessa conteúdos multimídia, como vídeos e TV. O fotolog, por exemplo, é algo difícil de ter com uma conexão discada’, diz José Calazans, do Ibope/NetRatings.


Gil Torquato, diretor de relações institucionais e telecomunicações do UOL, afirma que a TV UOL é a área que os assinantes de banda larga mais buscam no portal. ‘Há uma tendência forte de utilização de multimídia.’ O portal também vai lançar uma loja de música on-line, que, segundo ele, terá o maior acervo da internet.


O Terra fez mudanças no portal para atender o usuário de banda larga, entre elas o relançamento da TV Terra, diz Riza Soares, diretora de planejamento e novos negócios do Terra.


Calazans diz também que a pesquisa da empresa mostra que os usuários de banda larga diversificam seu uso da internet. ‘O internauta passa a acessar sites de viagens, estilo de vida, decoração, animais, de acordo seus interesses’, diz ele.’




PUBLICIDADE
Bruno Segadilha


Merchandising na TV é aposta de emissoras


‘Durante o programa, a apresentadora pára e começa a falar das vantagens de determinado creme facial. Na novela das oito, uma rica empresária exalta as qualidades de uma marca de lingerie. Em poucos minutos, apresentadores, autores, atores e emissoras aumentam seus lucros com dois tipos de inserção em alta no mercado publicitário nacional: o merchandising e a propaganda testemunhal.


Segundo emissoras e publicitários ouvidos, essas ações representam uma tendência na televisão mundial que é seguida pela televisão brasileira, uma vez que o telespectador tende a ficar menos na frente da TV durante os intervalos comerciais diante da crescente disputa entre emissoras e a grande oferta de canais.


Diferentes das propagandas entre cada bloco de programa, essas duas inserções são caracterizadas pela maior absorção e interatividade com o público, segundo emissoras e publicitários ouvidos.


No merchandising, o produto é anunciado dentro da obra de ficção, que pode ser um capítulo de novela, e se insere na proposta dramática do programa: os personagens, dentro da história, usam os produtos e falam das qualidades dele.


A produção envolve roteiristas, atores e diretores, que ganham porcentagens sobre o custo da ação. No testemunhal, o apresentador fala do produto dentro do programa, usando seu prestígio.


Marcus Vinicius Chisco, diretor nacional de merchandising da Record, acredita que essa tendência mundial faz com que o anunciante procure por exclusividade e por uma adequação entre a marca e o conteúdo da programação.


‘Empresas gigantes como Procter & Gamble procuram migrar verbas que antes eram da produção de comerciais para o relacionamento em ponto-de-venda e comprando espaços exclusivos.’


Chisco afirma que, além de atender à crescente demanda dos clientes por esse tipo de ação, a Record quer mudar sua imagem no mercado publicitário.


‘As pesquisas mostraram que o público não aceitava bem aquelas propagandas de ‘call center’. Agora, buscamos uma nova identidade, queremos nos adequar ao que os grandes anunciantes querem.’


De acordo com dados divulgados pela Bandeirantes e Record, essas ações representam, em média, 16% do faturamento comercial total das emissoras e a previsão para este ano é de crescimento. Segundo a Record, no último ano, esse tipo de publicidade cresceu 60%. SBT e Globo não divulgam números.


Custos maiores


Segundo tabela divulgada pela agência de publicidade Africa, uma ação testemunhal pode representar custo até 284% maior do que uma propaganda no intervalo comercial normal e o cachê do apresentador pode chegar a 20% do valor total da ação.


Esse é o caso do programa ‘Domingão do Faustão’, que cobra R$ 360,74 mil por um testemunhal de 30 segundos e R$ 126,97 mil por um comercial com a mesma duração. A tabela prevê que a ação seja ao vivo, na linguagem do apresentador e respeite o limite de 80 palavras.


O merchandising pode ter custo até 149% maior do que o do comercial tradicional. Uma inserção na novela ‘Cidadão Brasileiro’ (Record), por exemplo, com duração variável, sai por R$ 300 mil, enquanto um comercial de 30 segundos custa R$ 200,9 mil.


O valor é o equivalente ao gasto com cada capítulo da novela, que, segundo a emissora, consome entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. A tabela da Africa não menciona os valores nas novelas da Globo.


Luiz Fernando Vieira, sócio-diretor de mídia da Africa, afirma que a procura por esse tipo de propaganda não leva em consideração apenas critérios econômicos, mas principalmente aspectos ideológicos. Vieira diz que a principal preocupação é o valor que se quer atribuir ao produto.


‘É importante saber o que você quer para o produto. Se é inseri-lo no cotidiano do telespectador ou se somente apresentá-lo.’


Aprovação do artista


De acordo com Marcelo Mainardi, diretor-executivo comercial da Bandeirantes, todas as ações, sejam de merchandising ou testemunhais, precisam passar pelo crivo do artista, que tem autonomia para negar a participação em determinada campanha.


‘Eles têm total liberdade para recusar uma proposta, como já aconteceu com o Gilberto Barros, que não gosta de falar de bebida alcoólica ou assuntos relacionados a jogos, por exemplo. Se o artista não se sentir bem, ou não acreditar no produto, não faz.’’




TELEVISÃO
Daniel Castro


Renata Sorrah troca tesoura por pistola


‘Depois da tesoura da vilã Nazaré Tedesco, de ‘Senhora do Destino’, Renata Sorrah aparecerá em ‘Páginas da Vida’, próxima novela das oito da Globo, com armas sofisticadas: pistolas automáticas.


Renata começou na semana passada a ter aulas de tiro. Está aprendendo a manusear armas e a atirar para matar. É que na trama de Manoel Carlos, que estréia em julho, ela será uma juíza, Thereza Junqueira de Figueiredo, que, ameaçada, anda armada.


‘Ela será extremamente dura e honesta, incorruptível e implacável. Além de serem muitas e estarem na moda, as juízas são consideradas mais severas do que os homens’, conta Manoel Carlos.


‘Como muitas estão fazendo agora na vida real, a juíza Thereza vai aprender a atirar e andar armada. Thereza tem um filho de 15 anos, pianista clássico, que sofrerá um seqüestro para que ela seja obrigada a absolver um bandido. Thereza vive ainda um drama conjugal que atinge sua profissão, já que é casada com um trambiqueiro’, revela o autor da novela.


Nestor, o marido de Thereza, será interpretado por Zecarlos Machado (que em ‘Senhora do Destino’ fez o gaúcho que hospedou Nazaré em um hotel de Porto Alegre). Seu filho, Luciano, será vivido por Rafael Almeida, 15.


Renata está entusiasmada: ‘É uma personagem atual, fala de corrupção. Quero fazer uma interpretação bem natural, como se não houvesse câmera’.


OUTRO CANAL


Longa vida Não é só Galvão Bueno que está ‘garantido’ até a Copa de 2014, como prevê seu mais novo contrato com a Globo. O comentarista de arbitragem Arnaldo César Coelho, 63, também vai longe. Acaba de assinar contrato com a emissora com vigência até 2012, renovável automaticamente por mais dois anos.


Vem aí 1 Série que se propõe a contar a ‘verdadeira história’ do Pentágono, a fortaleza militar norte-americana, ‘E-Ring’ estréia em julho no Warner Channel _canal que está comemorando crescimento de 51% em sua audiência no horário nobre em fevereiro, em relação ao mesmo mês de 2005.


Vem aí 2 Com Dennis Hopper (‘Sem Destino’, ‘Veludo Azul’) e Benjamin Bratt (‘Lei e Ordem’, ‘Traffic’) no elenco, ‘E-Ring’ traz heróis civis e militares lutando pela ‘sobrevivência’ dos EUA e do mundo. É produzida pela Jerry Bruckheimer Television, produtora dos sucessos ‘CSI’, ‘Cold Case’ e ‘Without a Trace’. Segundo o canal, o seriado foi inspirado em experiências de um analista de inteligência militar do canal de notícias CNN.


Target A participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no ‘Manhattan Connection’, no último dia 26, levou o canal pago GNT a liderar a audiência na TV paga entre mulheres com mais de 25 anos.’


Rafael Cariello e Laura Mattos


TV árabe lança rede em inglês e vende ao Brasil


‘A rede de TV Al Jazira, conhecida mundialmente desde a Guerra do Afeganistão e apelidada de CNN árabe, programou para o mês de junho o lançamento de seu canal de notícias em inglês.


No Brasil, representantes da Al Jazira Internacional tiveram reuniões há duas semanas com as principais operadoras de TV paga e iniciaram negociações para incluir a emissora nos pacotes dos assinantes. Procuraram também a Globo a fim de discutir o fornecimento de conteúdo. Farão o mesmo com outras redes abertas.


A empresa Multipole, sediada em São Paulo, foi contratada para prestar consultoria à Al Jazira Internacional na América Latina, onde já conta com 3.000 assinantes para o canal em árabe. Nos encontros com as TVs pagas e com a Globo, foi apresentado um DVD de oito minutos ao qual a Folha teve acesso. O vídeo deixa claro que a Al Jazira não quer vender a imagem de TV do Oriente Médio, mas de porta-voz da ‘periferia’ mundial. Um norte-americano afirma que ‘gostaria de conhecer o outro lado da história’. Em tomadas da África, um narrador fala em ‘vozes raramente ouvidas’.


David Frost, premiado jornalista inglês e estrela do novo canal, diz que a Al Jazira será distinta das redes ‘tradicionalmente centradas no Ocidente’. O DVD apresenta o aparato tecnológico da estação e informa que a maior parte das imagens será em alta definição, com qualidade próxima à de cinema. Há ainda declarações de âncoras e diretores contratados, grande parte egressa da norte-americana CNN e da inglesa BBC, principais concorrentes da Al Jazira Internacional.


Fato ‘inédito’


Para o professor de mídia e comunicação da London School of Economics Roger Silverstone, o lançamento de um canal de notícias em inglês produzido a partir de um país não-ocidental é um fato ‘absolutamente inédito’ e pode vir a provocar mudanças na mídia dos países ‘centrais’. ‘Os canais atuais terão de registrar o que a Al Jazira disser e levar em conta a existência de perspectivas diferentes, não só sobre o mundo árabe, mas sobre nós mesmos.’


Opinião semelhante tem Frost, único jornalista no mundo a ter entrevistado os últimos sete presidentes dos EUA e os últimos seis primeiros-ministros da Inglaterra. ‘Nós, no Ocidente, temos transmitido nossas opiniões e visões para o restante do mundo por muitos anos. É no mínimo justo que essas áreas não-ocidentais tenham agora a chance de retribuir o favor’, disse, não sem alguma ironia, em entrevista ao ‘New York Times’, em fevereiro.


Lucia Newman, chefe do escritório da CNN em Havana até ser contratada pelos árabes para atuar em Buenos Aires (leia ao lado), disse que a idéia da rede é aumentar a presença da América Latina na cobertura jornalística.


No Brasil, o lançamento é visto com simpatia por TVs. ‘O diretor da Al Jazira para as Américas esteve com [Carlos Henrique] Schroder [diretor da Central Globo de Jornalismo], mostrou o projeto e iniciou conversações para tenhamos uma parceria. Seria nos moldes das que mantemos com agências internacionais, para usar o material deles. Para nós, será muito interessante, temos todo o interesse de fechar um contrato’, afirmou Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Globo.


Segundo ele, a Al Jazira colaborará com a ‘pluralidade’ do jornalismo da Globo. ‘Fora o fato de ser bem mais presente no mundo árabe do que as TV ocidentais.’


A Record também espera fechar acordo. ‘O lançamento é uma boa notícia, principalmente neste momento em que o mundo assiste à concentração dos meios de comunicação em poucas corporações’, afirmou Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record.


Em busca de um bilhão


Fundada em 96 por um xeque do Qatar que destitui o pai do poder e institui a liberdade de imprensa, a Al Jazira se tornou uma das principais fontes de informação sobre conflitos no Oriente Médio. É conhecida por veicular mensagens de Osama bin Laden. Essas e outras imagens são reproduzidas por TVs no mundo todo, inclusive pelas poderosas CNN e BBC. Foi da rede britânica, aliás, que vieram os primeiros profissionais para a formação da rede.


A diferença entre a Al Jazira árabe e a internacional não será só a língua, mas a programação. Para o canal em inglês, que busca audiência potencial de um bilhão de telespectadores no mundo todo, promete uma cobertura mais ampla. Haverá cerca de 40 sucursais em vários países. Só em Washington, trabalham perto de cem profissionais. Na América Latina, além de Newman, o canal contará com correspondente em Caracas e tem planos futuros de escritório brasileiro.


O sinal será irradiado de quatro diferentes locais, alternadamente, ao longo das 24 horas de programação: Doha (Qatar), Kuala Kumpur (Malásia), Londres (Inglaterra) e Washington (EUA), de onde virá o conteúdo produzido no continente americano.


As cifras não são reveladas, mas o número de profissionais -e especialmente de ‘grifes’- já contratados impressionam.


Além de Frost e Newman, diversos expoentes dos jornalismos americano e inglês passaram a integrar a rede: Veronica Pedrosa, uma das principais apresentadoras da CNN; Stephen Cole, âncora da BBC; Riz Khan, que participou do lançamento do canal internacional de notícias da BBC, transmitindo o primeiro programa quando o canal foi ao ar, em 1991.


Silverstone, da London School of Economics, avalia as razões para recorrerem a nomes tão conhecidos: ‘Eles precisam da experiência e do estilo de discurso que esses profissionais serão capazes de prover. Além disso, a Al Jazira tem de parecer e soar como um canal ocidental para ser assistida e levada a sério, mesmo que sua visão de mundo seja distinta’.




***


‘Estou aprendendo o português’, diz repórter


‘‘O Brasil será tremendamente importante na nossa cobertura. Pretendo viajar ao país pelo menos duas vezes por mês. Estou me esforçando para aperfeiçoar o ‘portuñol’, enquanto faço aulas de português.’


Quem afirma é Lucia Newman, que será a principal correspondente da Al Jazira Internacional para a América Latina. A chilena, que estudou na Austrália e era contratada da CNN para a região desde 1987, chefiou o escritório da rede americana em Cuba nos últimos dez anos.


Newman toma o plano geral da emissora árabe -de cobrir com mais ênfase os continentes periféricos- e transpõe a lógica para o Cone Sul. Diz que a região foi sempre mal coberta pelos meios de comunicação -situação que teria se agravado recentemente.


‘Desde o 11 de Setembro que a América Latina perdeu proeminência na mídia devido à enorme quantidade de recursos destinados à cobertura do Oriente Médio. É paradoxal, portanto, que uma organização de mídia daquela região venha querer modificar isso, realizando uma cobertura bem mais abrangente da região.’


Newman diz crer que o público que fala inglês ‘não conhece ou não entende a América Latina muito bem’. ‘Essa nova rede de TV pode ajudar a corrigir isso.’


Questionada se o canal não pode ser visto por muitos como associado a radicais islâmicos -já que tradicionalmente tem acesso a vídeos declaratórios dos líderes da Al Qaeda-, Newman descarta a possibilidade.


‘Claro que algumas pessoas, por uma questão de ignorância, poderão confundir os nomes, mas tenho certeza de que, quando passarem a ver as transmissões da rede, mudarão de idéia.’’


Lúcio Ribeiro


Estréia hoje no Brasil seriado cômico que faz sucesso nos EUA


‘Um drama de consciência deu no mais engraçado e bem-sucedido novo seriado cômico da TV americana. Estréia hoje no Brasil, nos canais Fox e FX, às 21h, a sitcom ‘My Name Is Earl’, estrelado pelo excêntrico ator ‘não-ator’ Jason Lee, que sempre quis tudo na vida, menos fazer seriado e, principalmente, TV.


‘Earl’ é a história de um escroque jeca dos rincões americanos que se julga um cara abandonado pela sorte, até que ganha uma bolada na loteria. No segundo depois de conferir o bilhete e se ver rico de uma hora para outra, sai correndo para comemorar e é atropelado. O bilhete premiado voa de suas mãos, e ele vai parar, estropiado, num hospital.


De volta ao normal, resta a Earl, ex-endinheirado por um minuto, ver televisão. Até que, ao assistir a uma discussão sobre carma num programa desses de entrevistas, percebe que todo o seu azar é ‘recompensa’ por tudo de ruim que ele aprontou para os outros.


‘O roteiro ficou na mesa da minha casa por vários dias e eu pensando: ‘Seriado? Televisão? Não é isso que eu quero para mim, mesmo com um dinheiro que eu nunca tinha visto sendo oferecido. Tenho um certo preconceito com TV. Nunca dou risada em coisas tidas como ‘comédia’. Acho até um negócio meio débil. Mas quando resolvi ler a história, falei: ‘Estou nessa’, disse o ator Jason Lee em entrevista a um grupo de jornalistas numa mesa da qual a Folha participou.


Lee, 35, é ex-skatista profissional que caiu do skate direto no cinema independente, cooptado pelos heróis indies Kevin Smith (diretor de ‘Dogma’) e Spike Jonze, que o dirigiu em clipe da banda Sonic Youth. Em ‘Quase Famosos’, de Cameron Crowe, Lee fez o líder do grupo-problema Stillwater, a banda-guia do filme.


Mesmo depois com um papel aqui, outro ali em blockbusters, a carreira cinematográfica de Jason Lee não exatamente decolou. Mas isso não o preocupava. ‘Encontrava minha alegria no skate.’


Aí veio ‘My Name Is Earl’ e a estréia, nos EUA, em setembro do ano passado. O primeiro episódio, de cara, foi assistido por 15,2 milhões de pessoas. No terceiro, virou o programa mais visto das estréias do canal NBC na temporada, o que garantiu mais 22 episódios pagos. No fim do primeiro mês, virou a sitcom mais assistida da TV americana. A segunda temporada está garantida.


Lista de pecados


A sacada do seriado está na eterna cara de ‘mané-redneck-malandrão’ de Lee. Depois que seu personagem sai do hospital, crente que tudo de ruim que acontece a ele é por causa de seu longo currículo de malfeitorias, ele escreve num papel uma lista de coisas erradas que fez a seu pai, na escola, com as namoradas, com os amigos. E parte para confessá-las e corrigi-las.


Tipo dizer para o vizinho fortão e algo desequilibrado que os anos que passou na cadeia foram por causa de um crime que ele, Earl, havia cometido. E tentar ajudar o sujeito de alguma forma. ‘Não tenho uma lista pessoal de pecados’, disse Jason Lee. ‘Mas mentalmente tenho uma lista de coisas que ele precisa fazer por seu filho de 2 anos. O que eu preciso fazer por ele e o que quero mostrar ao menino’, afirmou. Voltando à aversão a trabalhar na TV, Lee fala: ‘Sempre achei, e agora vejo que é verdade, que em televisão se trabalha muito. Fora que ficar fazendo o mesmo papel durante muito tempo não me atrai. Para aliviar a rotina, estou desenvolvendo e dirigindo um curta’.


‘My Name Is Earl’ tem hoje exibição simultânea nos canais Fox e FX. A partir do segundo episódio, será mostrado apenas no FX, o canal masculino da Fox.


O jornalista Lúcio Ribeiro viajou a convite da Fox’


Bia Abramo


‘Ídolos’ recombina música e TV


‘Estreou bem ‘Ídolos’, a versão brasileira do SBT de programa inglês. Produção cuidada, fidelidade ao formato e senso de oportunidade -nada disso combina muito com a emissora de Silvio Santos, portanto, não se sabe até quando vai durar, mas por ora é preciso dar um crédito.


Combinação de ‘reality show’ e programa de calouros, o programa faz um sucesso gigantesco nos Estados Unidos na versão ‘American Idol’, exibida aqui pelo canal por assinatura Sony.


O mecanismo é simples: candidatos a se tornarem ídolos da música apresentam-se diante de um júri e, a partir de um determinado número de concorrentes, o público passa a votar.


Música popular e televisão têm uma longa história juntas, inclusive aqui no Brasil. Basta lembrar que a geração de músicos que está no poder, literal e metaforicamente, surgiu em festivais promovidos pela Record.


A MPB, presença ainda hegemônica e parâmetro inamovível do ‘bom gosto’ em termos musicais no Brasil, foi a música brasileira que conseguiu aparecer bem na televisão 40 anos atrás.


Mas agora, 2006, a história se moveu em direções inesperadas. A música que está na TV é a outra, mais brasileira e popular do que a MPB, mas que não pode aspirar a nenhum desses adjetivos.


E também não é exatamente pop, no sentido fixado no eixo Inglaterra-Estados Unidos, e que supõe, entre outras coisas, um ajuste complicadíssimo entre o gosto médio (se é que tem isso numa sociedade tão partida quanto a brasileira) e as tendências mais de ponta. Isso torna a tarefa do corpo de jurados bastante difícil, mas a escolha parece acertada, combinando produtores de origens bem heterogêneas.


Não deve ter sido por isso exatamente, mas o programa de estréia dedicou boa parte do tempo a tentar definir o que é um ídolo pop (e, vejam bem, não popular).


Como ídolos brasileiros invocados como exemplo, apareceram Ivete Sangalo, Wando e Zezé di Camargo -sobre os quais não se pode dizer que não sejam populares, mas será que são pop, no mesmo sentido que Madonna e Eminem? A população, no Brasil, é pop?


Um outro problema curioso que a adaptação do formato apresenta é a dureza da competição. Boa parte, inclusive da graça, do programa consiste em mostrar os excluídos -os candidatos totalmente desavisados, os péssimos cantores, os que se acham bons e são vetados pelos jurados.


Lá, nos EUA, a franqueza no julgamento é a regra e, embora não seja tomada com leveza em todos os casos, há uma cultura que admite as negativas e recusas como parte do jogo. Não à toa, uma das atrações é a crueldade com que o jurado Simon Cowell sentencia sobre a sorte (ou azar) dos candidatos. Aqui, tudo é pessoal -o que faz prever toques bem melodramáticos nos próximos episódios.’




******************


Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.


Folha de S. Paulo – 1


Folha de S. Paulo – 2


O Estado de S. Paulo – 1


O Estado de S. Paulo – 2


Último Segundo


Primeira Leitura


Comunique-se


Direto da Redação

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem