Terça-feira, 20 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Folha de S. Paulo

17/10/2006 na edição 403

MEMÓRIA / FERNANDO GASPARIAN
José Serra

Paixão, generosidade e coragem

‘SÁBADO DE madrugada, em São Paulo, caminhava com amigos queridos até o monumento a Franco Montoro, ao lado da Assembléia Legislativa, para espairecer. Dentro dela, no hall silencioso, a despedida de alguém ilustre da política e da história da mídia no Brasil: Fernando Gasparian.

Rodava em minha mente uma espécie de ‘clipping’ do passado, com lances e mais lances compartilhados; entre eles, o momento em que o conheci, em 1962. Eu tinha 20 anos e acabava de ser eleito presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Gasparian, importante empresário têxtil, tinha sido presidente da UEE uns dez anos antes, e o procurei para pedir socorro: íamos ser despejados da sede. Ele aceitou pagar o aluguel da casa. Rubens Paiva, empresário da construção civil, depois deputado, em seguida cassado e, mais adiante, assassinado nos porões da ditadura, topou pagar as contas de telefone, por sugestão do Fernando.

Com isso, pudemos seguir na atividade febril de organização e agitação entre estudantes. Eram tempos agitados: ecos radicalizantes da Revolução Cubana, muro de Berlim, Guerra Fria, inflação alta e economia em desaceleração, reforma agrária na pauta e movimento sindical ativo, comandado por janguistas e pelo Partidão.

Gasparian era, para todos os efeitos, a encarnação viva daquela entidade tão valorizada pela esquerda ortodoxa: a burguesia nacional. Era nacionalista e combativo, vivia defendendo teses sobre a economia e promovendo articulações com entidades de classe empresariais. Mas era minoria, bem minoria, entre os empresários.

Depois do golpe de 1964, esteve à frente dos ataques à política econômica do governo Castello Branco, ajudando a criar o clima que abriu caminho para a guinada algo heterodoxa do novo ministro da Fazenda, Delfim Netto, já no governo Costa e Silva.

Eu morava no Chile, no início dos anos 70, quando o reencontrei, já transformado em editor, fundador do semanário ‘Opinião’, que virou o principal porta-voz do pensamento crítico em relação ao regime militar.

Anos depois, nos EUA, convidou-me para editar um livro sobre a América Latina para a Paz e Terra. Perto de voltar ao Brasil, no final da década, publiquei artigos numa revista editada por ele e dirigida pelo Janio de Freitas: os ‘Cadernos de Opinião’.

O ‘Opinião’, a editora, a ‘Revista Argumento’ e os ‘Cadernos’, frutos de sua apaixonada obstinação pela democracia e o desenvolvimento nacional, ajudaram a abrir frestas nos muros do regime autoritário.

Nos tempos do PMDB, Gasparian, membro da Executiva Estadual do partido, teve um desgosto: convidado por Montoro para presidir a Eletropaulo, seu nome foi vetado pelo governo Figueiredo, que ameaçou com retaliações contra as companhias elétricas paulistas. Assim, não participou do governo, mas se elegeu deputado federal Constituinte, em 1986.

Duas circunstâncias nos distanciaram nessa época, a primeira por culpa exclusivamente minha. Numa noite, no final de 1983, jantando com ele em Ibiúna, na casa do Fernando Henrique e da Ruth Cardoso, discutíamos os rumos do governo Montoro. Eu era secretário do Planejamento, estava tenso diante das dificuldades financeiras do Estado em meio a uma crise econômica que combinava superinflação com estagnação e desemprego e defendia o aumento de um ponto percentual do então ICM como forma de atenuar o sufoco fiscal do governo.

Gasparian argumentou contra, defendendo uma redução, e não o aumento do imposto. Reagi de forma arrogante, e o mal-estar criado, infelizmente, veio a revelar-se duradouro. Depois, na Constituinte, tivemos divergências e embates sobre o sistema financeiro, sobretudo quanto à fixação constitucional do teto de 12% para os juros, a que me opus com veemência. No plenário, encaminhei contra, mas ele venceu, e o dispositivo sobre os juros foi incluído na Constituição. Mais de dez anos depois, como senador, fiz uma emenda, aprovada, para suprimir esse dispositivo.

Enfim, criou-se um contencioso por causa de diferentes e apaixonadas visões sobre a economia que infelicitou de vez a antiga amizade, apesar de meus esforços em contrário nos anos seguintes. Por que esses esforços?

Pelo carinho da relação antiga e porque sempre o respeitei e admirei, na generosidade e na coragem de defender posições usualmente contra a corrente, no patriotismo, na valorização da economia da produção e do emprego, hoje, aliás, tão vilipendiados pelo pensamento e pela prática dominantes em nosso país.

Nos últimos tempos, tudo foi ficando mais ameno -ele, inclusive, aprovou a decisão de sua filha, a diplomata Helena Gasparian, de aceitar meu convite para ser secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo. Pude, assim, desfrutar da incrível delicadeza da Helena, de seu talento profissional e de seu gosto pela vida pública, bem como da aproximação indireta com o pai, que dela tanto se orgulhava.

JOSÉ SERRA , 64, economista, é o governador eleito do Estado de São Paulo. Foi senador pelo PSDB-SP (1995-2002), ministro do Planejamento e da Saúde (governo FHC) e prefeito da cidade de São Paulo (2005-2006).’



ARGENTINA
Bruno Lima

Documentário argentino mostra lado ‘ridículo’ de presidentes

‘Uma mosca rodeia o rosto do vaidoso ex-presidente argentino Carlos Menem, 76. Por fim, pousa sobre seu nariz. Alguém logo entrega ao político um spray de Raid para que ele tente acabar com o inseto. O resultado é um homem que comandou a Argentina por quase dez anos (1989-99) -e que acaba de se lançar outra vez candidato- em uma situação absolutamente ridícula. ‘Se ponho mais, mato a mim mesmo’, diz Menem.

Um a um, respeitando a ordem histórica, os oitos presidentes que governaram a Argentina desde a redemocratização, de Raúl Alfonsín a Néstor Kirchner (quase todos desafetos uns dos outros), são ‘vítimas’ do mesmo tipo de ironia.

Os responsáveis são os diretores e produtores do documentário ‘Yo Presidente’ (‘Eu Presidente’), que chega aos cinemas argentinos nesta quinta-feira. ‘Olá, pessoal, este velho bigodudo é o presidente Raúl Alfonsín’, afirma o próprio Alfonsín (1983-1989), 79, em close de câmera, apresentando-se à posteridade a pedido da equipe do filme. De repente, seu celular toca, e o espectador percebe que ele não sabe usar o aparelho.

‘São esses os presidentes que pudemos conseguir? São esses os que merecemos? Eles têm as características que mostram o pior do povo argentino. São um Frankenstein do que nós somos’, diz Luis Majul, jornalista e produtor do filme.

Ele conta que Kirchner, 56, ao ser convidado, respondeu: ‘Não sou ator’. O atual presidente, que nunca dá entrevistas, aparece na Casa Rosada e, quando vai discursar, o filme acaba, mantendo o silêncio.

Diretores e produtores argumentam que não usaram câmeras ocultas. É evidente, porém, que os ex-presidentes não tinham idéia de que vários momentos estariam na versão final. Para o cineasta Mariano Cohn, que dirigiu ao lado de Gastón Duprat, o filme ‘falta um pouco com o respeito ao gênero documental, pois parece uma comédia, mas é um documentário’.

Imagens de momentos da história argentina são mescladas com entrevistas exclusivas editadas de forma a privilegiar detalhes da vida privada em detrimento das posições políticas.

Assim, surge o peronista Eduardo Duhalde (2002-2003), 65, descrevendo seu hobby de caçar tubarões e o controvertido radical Fernando De la Rúa (1999-2001), 69, elogiando o Viagra, mas negando usá-lo -ainda no governo, uma embalagem do remédio foi ‘descoberta’ no gabinete em uma de suas fotos oficiais.

Também estão dois dos presidentes-relâmpago, que assumiram na crise de 2001, após a renúncia de De la Rúa: Ramón Puerta (três dias) e Eduardo Camaño (um dia). Adolfo Rodríguez Saá, que governou por nove dias, segundo o filme, impôs como condição um contrato que lhe daria indenização de US$ 1 milhão se não gostasse do resultado. O tempo que caberia a ele foi dedicado a uma lhama.

‘São esses os presidentes que pudemos conseguir? Eles têm as características que mostram o pior do povo argentino. São um Frankenstein do que nós somos’

LUIS MAJUL

jornalista e produtor do filme

‘Parece uma comédia, mas é um documentário’

MARIANO COHN

cineasta argentino’



INTERNET
Joshua Chaffin

Videoclipes ganham força com internet

‘DO ‘FINANCIAL TIMES’ – Há cinco anos, o videoclipe parecia ser uma forma de arte agonizante. A MTV, seu principal veículo, havia recuado, mudando sua programação para dramas baseados na realidade.

Ao mesmo tempo, as gravadoras de discos não queriam mais pagar a conta de produções cada vez mais extravagantes em uma época em que a pirataria corroía as vendas.

Mas na era da internet os clipes voltaram. Foram um dos ingredientes principais por trás do sucesso do YouTube, o site de vídeos adquirido pelo Google por US$ 1,65 bilhão. Na semana retrasada, os clipes musicais representaram 32% dos vídeos mais procurados no site.

Eles também estão fornecendo uma nova fonte de receita para as grandes gravadoras. Somente nas últimas duas semanas, Warner Music, Universal e Sony BMG assinaram contratos com o YouTube para fornecer clipes de seus artistas em troca de uma pequena taxa e uma parte das vendas ligadas à publicidade.

‘Eles são centrais’, disse Josh Bernoff, analista da Forrester Research, sobre a importância dos videoclipes para a internet. ‘Eles têm duas características maravilhosas: atraem os jovens e são curtos.’

Os videoclipes existem sob formas variadas há décadas.

Mas a forma artística só decolou com o início da MTV, em 1981, que os transformou numa parte central da cultura jovem e uma maneira indispensável para as gravadoras promoverem artistas como Madonna e Britney Spears.

Na época, as gravadoras concordaram em licenciar seus clipes de graça para a MTV, tratando-os meramente como despesas promocionais. Mas com o crescimento da internet elas corrigiram o erro.

A Universal Music, a maior companhia fonográfica, mostrou o caminho, obrigando Yahoo, Google e outras a pagar uma fração de centavo por cada clipe, assim como uma parcela de sua publicidade.

Esses acordos poderão gerar mais de US$ 15 milhões neste ano, segundo pessoas ligadas ao setor, e mais no futuro com o esperado crescimento da publicidade em vídeo na internet.

Rob Campanell, co-fundador da Blastro Networks, que opera dois sites orientados para jovens, afirma que a internet é o destino natural dos videoclipes. ‘Um canal a cabo popular tem uma ‘playlist’ de dez canções ou mais a qualquer momento’, disse Campanell.

‘Na internet há 10 mil disponíveis quando você quiser.’

A Blastro foi fundada em 2000 sob a premissa de que podia exibir videoclipes de selos independentes interessados em chamar atenção para suas bandas.

No mês passado, a Blastro exibiu 6 milhões de clipes patrocinados por publicidade de empresas como Pfizer, HBO, Yahoo e a Marinha dos EUA.

Tradução de LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES’



TELEVISÃO
Público perdoa a vilã de ‘Páginas da Vida’

Daniel Castro

‘Pesquisa feita na semana passada em São Paulo para avaliar ‘Páginas da Vida’ mostra que a grande vilã da trama até agora, Marta, interpretada por Lília Cabral, é bem aceita pelas telespectadoras da novela.

O público mais fiel da atração, segundo a TV Globo, perdoa as vilanices de Marta, que rejeitou a filha grávida de gêmeos, não demonstrou grande sofrimento por sua morte trágica e trata com desprezo o neto órfão.

Para as telespectadoras, que falaram em grupos de discussão, Marta ‘não é tão ruim assim’, porque é uma personagem natural, sofrida, que batalha para ganhar seu dinheiro e é casada com ‘um marido que é um banana [Alex/Marcos Caruso]’. Assim, Marta não é uma vilã clássica de novela, como a Bia Falcão de ‘Belíssima’.

Marta e a novela de Manoel Carlos como um todo são verossímeis, conclui o levantamento. Esse tipo de pesquisa é feita pela Globo para avaliar a aceitação do público de personagens e tramas. Dependendo dos resultados (e da audiência), podem ocorrer ajustes profundos nas novelas pesquisadas.

No caso de ‘Páginas da Vida’, a pesquisa não terá a mínima influência, até porque Manoel Carlos a ignorou. Nenhum personagem foi massacrado pelo público. Por outro lado, também não houve elogios eufóricos. Para a Globo, isso demonstra total identificação do telespectador com a história.

ÍDOLOS 1Dudu Pelizzari, o Fred de ‘Malhação’, e Carmo Dalla Vecchia, o Luciano de ‘Cobras e Lagartos’, são as novidades no ranking dos atores da Globo que mais receberam cartas de fãs em setembro. Pelizzari aparece em segundo lugar e Dalla Vecchia, em quarto.

ÍDOLOS 2O líder do ranking, desde julho, é o garoto Rafael Ciani, o Geléia de ‘Cobras’. Kayky Britto, seu irmão fictício na novela, é o terceiro da lista.

REVISÃOA Globo vai produzir novas edições do ‘Dicionário da TV Globo’, lançado em 2003, cuja última novela catalogada foi ‘O Clone’. A idéia agora é lançar dois ou três livros atualizados, separando novelas de outros produtos teledramatúrgicos.

FIM DO MUNDO 1A principal cidade cenográfica da próxima novela das sete, ‘Pé na Jaca’, terá o singelo nome de Deus-Me-Livre. ‘É uma cidade satélite de Piracicaba. E é claro que forças políticas tentarão mudar seu nome’, brinca o autor Carlos Lombardi.

FIM DO MUNDO 2Será em Deus-Me-Livre que surgirá a noviça interpretada por Deborah Secco. Lá também viverá a personagem de Juliana Paes, uma mulher que faz salgadinhos e até se veste de sereia para sustentar o marido inútil.

SEM RATINHOA Globo negociou, mas desistiu de comprar os direitos do personagem Topo Gigio para o Brasil. A idéia inicial era produzir um quadro, para o ‘TV Xuxa’ em 2007, no qual Xuxa contracenaria com o boneco.’

Laura Mattos

Mamãe, eu quero

‘A era das loiras agoniza na TV, programas educativos fazem sucesso. Agora, pais, psicólogos, Congresso, governo e Ministério Público têm uma preocupação além do conteúdo da programação infantil: os comerciais dirigidos a crianças.

Estão na mira principalmente as propagandas consideradas abusivas, por exemplo, as que dizem ‘Peça para a sua mãe comprar isso’ ou aquelas que passam a idéia de que a criança que adquire o produto anunciado será melhor (mais forte, mais inteligente, mais ‘legal’, mais feliz) do que as outras.

Há no país atualmente ao menos três correntes envolvidas nesse debate. A mais radical defende a proibição de qualquer propaganda infantil. Outra apóia uma legislação que determine regras para evitar abusos. Por fim, há o grupo formado pelas principais TVs, anunciantes e agências de publicidade, contrário a uma imposição por lei e a favor da auto-regulamentação. Não caberia ao governo, mas sim ao Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), ligado aos publicitários, decidir que propaganda é inadequada.

Há pouco mais de um mês, o órgão divulgou uma lista com novas normas para a publicidade infantil, que já estão em vigor. Dentre elas, são proibidas propagandas que dizem ‘Peça para sua mãe comprar’ ou que utilize crianças para falar ‘Faça como eu, use…’ (os chamados ‘testemunhais’). Um dos objetivos dessa iniciativa do Conar foi justamente tentar impedir a aprovação de projeto de lei com regras semelhantes em discussão no Congresso Nacional.

Mas há diferenças cruciais entre as normas lançadas pelos publicitários (defendidas por TVs e anunciantes) e a proposta parlamentar: o projeto de lei veta comerciais dirigidos a crianças das 7h às 21h e proíbe o uso de apresentadores e personagens infantis nas propagandas. São pontos que contrariam interesses do mercado.

Exemplo sueco

O texto, de autoria da deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), já abranda sugestão anterior, do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PN), de total proibição, como acontece na Suécia. A deputada (reeleita, assim como o colega) baseia-se na pesquisa elaborada para a criação da lei sueca, que considera que só aos dez anos todas as crianças são capazes de distinguir uma propaganda de um programa na televisão. Essa diferenciação seria importante para ajudá-las a filtrar o apelo publicitário.

A parlamentar foi subsidiada por um estudo a respeito da regulamentação em diversos países. O levantamento, realizado por Edgar Rebouças (professor de ética em rádio, TV e publicidade da UFPE) mostra que, além da Suécia, há restrições na Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda, Itália, Noruega, Inglaterra, Austrália, Canadá e EUA.

‘A publicidade ocupa cerca de 25% do conteúdo da TV. Não há como não se preocupar com isso’, defende Rebouças, que coordena o núcleo de pesquisa em políticas e estratégias de comunicações da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação.’



***

TVs infantis dizem vetar abuso

‘Entre um programa educativo e outro, o Discovery Kids, cujo público alvo são as crianças em idade pré-escolar, exibe comerciais de fast food e até de livro para lidar com problemas da adolescência, como uso de drogas e tendência ao suicídio.

Na TV Rá Tim Bum, elogiados programas como ‘Castelo Rá-Tim-Bum’ e ‘Cocoricó’, são cortados por propaganda de bonecos da novela trash mexicana ‘Rebelde’, do SBT.

Apesar dos exemplos, Discovery Kids, TV Rá Tim Bum e outros canais infantis dizem fazer triagem dos comerciais. São contrários a uma lei que regulamente a propaganda e apóiam a auto-regulamentação.

O Discovery Kids afirmou seguir as restrições de cada país. Em e-mail da assessoria de imprensa, disse que procura passar ‘mensagens positivas’ e que é um dos canais infantis com menor porcentagem de anúncios para crianças.

O diretor de marketing da TV Cultura e da Rá Tim Bum, Cícero Feltrin, falou que há um controle dos comerciais. A respeito do exemplo citado, perguntou: ‘Quem são ‘Rebeldes’?’. Após ser informado, respondeu que provavelmente a análise não levou em conta o conteúdo da novela, mas que analisará o caso. A Folha apurou que há na Fundação Padre Anchieta um grupo que quer o fim da publicidade para crianças na TV Rá Tim Bum e nas oito horas de programação infantil na Cultura.

Esse é o caso da TVE do Rio, que não veicula anúncios de produtos. ‘Se uma TV pública quer exibir propaganda, que pelos menos a programação infantil seja preservada. Do ponto de vista de nossa missão, exibir comercial infantil é gritante’, afirma Beth Carmona, presidente da TVE e diretora da TV Cultura nos anos 90.

A Globo (‘Sítio’ e ‘Xuxa’) enviou um parágrafo para responder a cinco questões da Folha. ‘A Globo considera que o Brasil é um dos países mais avançados na área de ética na publicidade, que consegue conciliar responsabilidade com liberdade de expressão, graças ao sistema de auto-regulamentação. A Globo confia no posicionamento do Conar [Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária].’

Gilberto Leifert, presidente do Conar, diz que a entidade defende a ‘liberdade de expressão comercial’ e que anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação têm capacidade de conciliar ‘liberdade com responsabilidade’.

Segundo ele, o Conar está monitorando os meios de comunicação e recebe reclamações pelo www.conar.org.br. ‘Nossa avaliação do primeiro mês de vigência das novas normas de publicidade infantil é positiva, mas sabemos que aqui e ali haverá desvios que vão exigir a intervenção do Conar.’

Rafael Davini, vice-presidente de marketing da Turner do Brasil (inclui Cartoon e Boomerang) disse já ter recusado um comercial desde que as normas do Conar estão em vigor. ‘Mostrava uma menina virando princesa ao vestir a roupa do anúncio. Avaliamos que passava falsa promessa.’

Vetos também já ocorreram no Nickelodeon, segundo Fátima Zagara, diretora sênior de vendas publicitárias. ‘Se percebemos que o comercial não tem como foco nosso público-alvo, se é ofensivo, enganoso e abusivo, não entra no canal.’

A ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) também endossa o Conar. ‘Há vários projetos de lei para a publicidade. Quando deixamos quem não tem expertise tratar do assunto, sai coisa que não é boa nem para o público. Não é função do governo regulamentar tudo na vida do cidadão’, diz Ricardo Bastos, presidente da ABA e vice da Johnson & Johnson.’



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‘Restrição não pode afetar programação’

‘A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) defende a proibição da publicidade para criança. ‘A lógica é aumentar o poder de escolha das famílias. A criança não é forçada pelo ‘Peça para seu pai comprar isso’. Os pais decidem se devem comprar um brinquedo. Isso é importante numa sociedade desigual’, diz o cientista político Guilherme Canela, coordenador de relações acadêmicas da Andi.

Mas ressalta: ‘Se houver proibição ou mesmo restrição é preciso discutir também mecanismos de financiamento para a programação infantil, que não pode sofrer prejuízo.’

Os canais entrevistados pela Folha afirmam que a proibição ameaçaria o conteúdo para crianças. No Cartoon, a publicidade corresponde a 30% do faturamento, contra 70% das assinaturas. No caso do Nickelodeon, 40%.

Para o psicólogo Ricardo Moretzsohn, a publicidade pode vender produtos infantis, mas deve dirigir os anúncios aos pais. ‘A criança não tem discernimento. Se para adultos é difícil resistir ao apelo publicitário, imagine para crianças. Alguns comerciais vendem a idéia de felicidade. Se tem a sandália é feliz, se não tem, não é. Isso violenta nossas crianças’, diz Moretzsohn, representante do Conselho Federal de Psicologia na campanha antibaixaria na TV da Câmara.’



***

Ministério Público avalia excessos

‘Um garoto intima o pai: ‘Ou você assina essa operadora de TV ou escolhe outra família para ser pai’. O comercial foi denunciado ao Criança & Consumo, projeto que recebe reclamações pelo www.criancaeconsumo.org.br. As denúncias são avaliadas e podem ser encaminhadas ao Ministério Público. No último dia 25, foi denunciado ao MP comercial de um chocolate na qual um menino, só para ganhar o doce, diz falsamente: ‘Sabia que você é o melhor avô do mundo?’.

Telespectadores também criticaram propaganda que traz uma criança que, ao consumir um achocolatado, realiza manobras surpreendentes com a bola. O Ministério Público Federal irá se reunir com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor e de Classificação Indicativa, do Ministério da Justiça, para definir um plano de fiscalização contra comerciais abusivos.’

Bruno Segadilha

Nova novela das seis da Globo será outro remake

‘‘Se você pudesse prever os fatos, suas escolhas seriam mais fáceis?’. Partindo dessa premissa, a novela ‘O Profeta’, que estréia amanhã, às 18h, na Globo, pretende contar a história de Marcos (Thiago Fragoso), um jovem paranormal que desenvolve o dom da premonição e tem de aprender a lidar com as dores e benefícios que a condição lhe traz.

A novela tem como base o sucesso homônimo de Ivani Ribeiro (1922-1995), escrito nos anos 70 para a TV Tupi, e segue a onda dos remakes da emissora que, nos últimos dois anos, produziu duas obras do tipo: ‘Cabocla’, novela de Benedito Ruy Barbosa reeditada em 2004, e ‘Sinhá Moça’, outro título de Barbosa, cujo último capítulo foi ao ar anteontem.

‘Acho importante revisitar clássicos, e a TV brasileira tem história suficiente para isso. É um prazer enorme trabalhar na obra da Ivani Ribeiro. Acho essa busca pelo novo uma obsessão boba. Há obras supernovas que não são criativas’, afirma a autora Thelma Guedes, que assina a adaptação da trama ao lado de Duca Rachid.

Rachid acredita que o fato de reescrever uma história já bem-sucedida dá mais segurança para os autores. Na sua opinião, Ivani Ribeiro criou, junto com Janete Clair, o modelo adotado nas novelas atuais. ‘Elas inventaram a novela moderna, que desenvolve um tema por capítulo’, diz.

Da versão original, as autoras procuraram manter a espinha dorsal da história, mas com alterações significativas. A principal delas é a época de ambientação: a história escrita para a Tupi se passava na década de 70, mas agora as autoras investiram nos anos 50. ‘É uma época efervescente no Brasil, isso nos dá bastante assunto para explorar’, afirma Rachid.

Paranormalidade

Além de se valer de um texto popularmente consagrado, ‘O Profeta’ ainda aposta na paranormalidade para conquistar o público. O tema costuma alavancar a audiência das novelas que desenvolvem o assunto.

Com a espiritualista ‘Alma Gêmea’, exibida no ano passado, Walcyr Carrasco, que assina a supervisão de texto da novela, conseguiu atingir média geral de 39 pontos de audiência, índice considerado alto para o horário das seis da tarde.

Para Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP, a temática tem um grande apelo popular por ser um assunto ‘confortante’ e trazer um ‘alívio para o ser humano’. ‘As histórias que se desenvolvem em torno desse tema normalmente são bem sucedidas. As pessoas querem saber que podem reencontrar um ente querido depois da morte. Foi assim em ‘A Viagem’, outra novela de Ivani, que mostrava o reencontro com pessoas falecidas.’’



***

Record estréia atração voltada a público jovem

‘Dando continuidade ao seu projeto de teledramaturgia, a Record estréia, na terça-feira, seu horário das seis para novelas.

‘Alta Estação’, escrita por Margareth Boury, inaugura a faixa da emissora com a intenção de atrair o público jovem. A trama acompanha o cotidiano e os conflitos de seis amigos que estão entrando na faculdade e tem idades entre 18 e 24 anos.

‘Não será bem uma novela. Será um seriado. Por isso não há uma história definida até o final. Vamos escrevendo’, diz a autora.

Boury, que vem de um experiência de 24 anos como colaboradora na Globo, afirma que o programa não tem a intenção de ser a ‘Malhação’ da Record e conta que não quer competir com antigos colegas da casa.

‘Só quando as pessoas virem, vão entender que não tem a ver com ‘Malhação’. Não penso em competir com a Globo, saí feliz de lá. Acho que são públicos diferentes’, diz.

Para Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record, a novela também será uma oficina para jovens atores. ‘A idéia é preparar novos profissionais para as próximas atrações da casa’.’

Bia Abramo

Celebridades banalizam a intimidade

‘DANIELA CICARELLI , por fim, saiu por cima da carne-seca. Vai ganhar um programa jovem na Record, depois de pagar mico no ‘Beija Sapo’, da MTV. Se deu bem, ao fim e ao cabo, depois de ser achincalhada até por Bruna Surfistinha só porque transou com o namorado na praia.

É um mundo curioso e cruel, esse da megaexposição da mídia. A moça é uma linda, pernuda, bocuda e olhuda. E é exatamente isso que ela tem a vender no mercado das celebridades, sua mais-valia estética e sexual.

Por que também é justamente isso que os consumidores vorazes da fama alheia querem dela. E ela, o que faz? Sai vendendo, por aí, é claro. Fotografa para revistas, protagoniza comerciais, torna-se apresentadora de programas jovens em que aparece linda, pernuda, bocuda, olhuda e de pouca roupa.

No melhor formato ‘minha vida é uma revista ‘Caras’ aberta’, inventa o casamento do ‘século’. O rei do futebol e a princesa das passarelas casam-se e descasam-se com pompa, circunstância e barulheira em um tempo recorde.

Some e volta, ‘low profile’, em um programinha para adolescentes se beijarem em público patrocinados por uma marca de refrigerantes. A voz rouca, a malícia sestrosa de mulher bonita no meio dos recém pós-púberes soa como uma estridência sexual inatingível, tanto para os meninos desejantes como para as meninas invejantes.

Depois, isso que todo mundo sabe: foi filmada com o namorado, o vídeo correu o mundo pelo YouTube, etc.

E, diante da intimidade revelada, a surpresa: mas essa mulher, que fantasiamos como uma deusa do sexo, fez sexo mesmo?

A intimidade, vista de perto, é sempre ao mesmo tempo mais banal e mais assustadora do que parece. Esses personagens colocam no mercado uma sugestão de que sua vida entre quatro paredes é tão glamurosa que é quase extra-humana, de uma textura publicitária, mas quando se apresenta, de fato, alguma nesga da intimidade real, há choque e decepção.

Com a mesma intensidade, desejamos o prazer de espiar uma vida que se apresenta como menos ordinária e repelimos as manifestações de humanidade de quem se emoldura para a mídia.

A crise, entretanto, é passageira. Na mesma medida que vem, vai. E, no fim, tudo ‘dá certo’, assina-se um novo contrato e a paz volta a reinar no mundo das imagens.’



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MEMÓRIA / FERNANDO GASPARIAN
José Serra

Paixão, generosidade e coragem

‘SÁBADO DE madrugada, em São Paulo, caminhava com amigos queridos até o monumento a Franco Montoro, ao lado da Assembléia Legislativa, para espairecer. Dentro dela, no hall silencioso, a despedida de alguém ilustre da política e da história da mídia no Brasil: Fernando Gasparian.

Rodava em minha mente uma espécie de ‘clipping’ do passado, com lances e mais lances compartilhados; entre eles, o momento em que o conheci, em 1962. Eu tinha 20 anos e acabava de ser eleito presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Gasparian, importante empresário têxtil, tinha sido presidente da UEE uns dez anos antes, e o procurei para pedir socorro: íamos ser despejados da sede. Ele aceitou pagar o aluguel da casa. Rubens Paiva, empresário da construção civil, depois deputado, em seguida cassado e, mais adiante, assassinado nos porões da ditadura, topou pagar as contas de telefone, por sugestão do Fernando.

Com isso, pudemos seguir na atividade febril de organização e agitação entre estudantes. Eram tempos agitados: ecos radicalizantes da Revolução Cubana, muro de Berlim, Guerra Fria, inflação alta e economia em desaceleração, reforma agrária na pauta e movimento sindical ativo, comandado por janguistas e pelo Partidão.

Gasparian era, para todos os efeitos, a encarnação viva daquela entidade tão valorizada pela esquerda ortodoxa: a burguesia nacional. Era nacionalista e combativo, vivia defendendo teses sobre a economia e promovendo articulações com entidades de classe empresariais. Mas era minoria, bem minoria, entre os empresários.

Depois do golpe de 1964, esteve à frente dos ataques à política econômica do governo Castello Branco, ajudando a criar o clima que abriu caminho para a guinada algo heterodoxa do novo ministro da Fazenda, Delfim Netto, já no governo Costa e Silva.

Eu morava no Chile, no início dos anos 70, quando o reencontrei, já transformado em editor, fundador do semanário ‘Opinião’, que virou o principal porta-voz do pensamento crítico em relação ao regime militar.

Anos depois, nos EUA, convidou-me para editar um livro sobre a América Latina para a Paz e Terra. Perto de voltar ao Brasil, no final da década, publiquei artigos numa revista editada por ele e dirigida pelo Janio de Freitas: os ‘Cadernos de Opinião’.

O ‘Opinião’, a editora, a ‘Revista Argumento’ e os ‘Cadernos’, frutos de sua apaixonada obstinação pela democracia e o desenvolvimento nacional, ajudaram a abrir frestas nos muros do regime autoritário.

Nos tempos do PMDB, Gasparian, membro da Executiva Estadual do partido, teve um desgosto: convidado por Montoro para presidir a Eletropaulo, seu nome foi vetado pelo governo Figueiredo, que ameaçou com retaliações contra as companhias elétricas paulistas. Assim, não participou do governo, mas se elegeu deputado federal Constituinte, em 1986.

Duas circunstâncias nos distanciaram nessa época, a primeira por culpa exclusivamente minha. Numa noite, no final de 1983, jantando com ele em Ibiúna, na casa do Fernando Henrique e da Ruth Cardoso, discutíamos os rumos do governo Montoro. Eu era secretário do Planejamento, estava tenso diante das dificuldades financeiras do Estado em meio a uma crise econômica que combinava superinflação com estagnação e desemprego e defendia o aumento de um ponto percentual do então ICM como forma de atenuar o sufoco fiscal do governo.

Gasparian argumentou contra, defendendo uma redução, e não o aumento do imposto. Reagi de forma arrogante, e o mal-estar criado, infelizmente, veio a revelar-se duradouro. Depois, na Constituinte, tivemos divergências e embates sobre o sistema financeiro, sobretudo quanto à fixação constitucional do teto de 12% para os juros, a que me opus com veemência. No plenário, encaminhei contra, mas ele venceu, e o dispositivo sobre os juros foi incluído na Constituição. Mais de dez anos depois, como senador, fiz uma emenda, aprovada, para suprimir esse dispositivo.

Enfim, criou-se um contencioso por causa de diferentes e apaixonadas visões sobre a economia que infelicitou de vez a antiga amizade, apesar de meus esforços em contrário nos anos seguintes. Por que esses esforços?

Pelo carinho da relação antiga e porque sempre o respeitei e admirei, na generosidade e na coragem de defender posições usualmente contra a corrente, no patriotismo, na valorização da economia da produção e do emprego, hoje, aliás, tão vilipendiados pelo pensamento e pela prática dominantes em nosso país.

Nos últimos tempos, tudo foi ficando mais ameno -ele, inclusive, aprovou a decisão de sua filha, a diplomata Helena Gasparian, de aceitar meu convite para ser secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo. Pude, assim, desfrutar da incrível delicadeza da Helena, de seu talento profissional e de seu gosto pela vida pública, bem como da aproximação indireta com o pai, que dela tanto se orgulhava.

JOSÉ SERRA , 64, economista, é o governador eleito do Estado de São Paulo. Foi senador pelo PSDB-SP (1995-2002), ministro do Planejamento e da Saúde (governo FHC) e prefeito da cidade de São Paulo (2005-2006).’



ARGENTINA
Bruno Lima

Documentário argentino mostra lado ‘ridículo’ de presidentes

‘Uma mosca rodeia o rosto do vaidoso ex-presidente argentino Carlos Menem, 76. Por fim, pousa sobre seu nariz. Alguém logo entrega ao político um spray de Raid para que ele tente acabar com o inseto. O resultado é um homem que comandou a Argentina por quase dez anos (1989-99) -e que acaba de se lançar outra vez candidato- em uma situação absolutamente ridícula. ‘Se ponho mais, mato a mim mesmo’, diz Menem.

Um a um, respeitando a ordem histórica, os oitos presidentes que governaram a Argentina desde a redemocratização, de Raúl Alfonsín a Néstor Kirchner (quase todos desafetos uns dos outros), são ‘vítimas’ do mesmo tipo de ironia.

Os responsáveis são os diretores e produtores do documentário ‘Yo Presidente’ (‘Eu Presidente’), que chega aos cinemas argentinos nesta quinta-feira. ‘Olá, pessoal, este velho bigodudo é o presidente Raúl Alfonsín’, afirma o próprio Alfonsín (1983-1989), 79, em close de câmera, apresentando-se à posteridade a pedido da equipe do filme. De repente, seu celular toca, e o espectador percebe que ele não sabe usar o aparelho.

‘São esses os presidentes que pudemos conseguir? São esses os que merecemos? Eles têm as características que mostram o pior do povo argentino. São um Frankenstein do que nós somos’, diz Luis Majul, jornalista e produtor do filme.

Ele conta que Kirchner, 56, ao ser convidado, respondeu: ‘Não sou ator’. O atual presidente, que nunca dá entrevistas, aparece na Casa Rosada e, quando vai discursar, o filme acaba, mantendo o silêncio.

Diretores e produtores argumentam que não usaram câmeras ocultas. É evidente, porém, que os ex-presidentes não tinham idéia de que vários momentos estariam na versão final. Para o cineasta Mariano Cohn, que dirigiu ao lado de Gastón Duprat, o filme ‘falta um pouco com o respeito ao gênero documental, pois parece uma comédia, mas é um documentário’.

Imagens de momentos da história argentina são mescladas com entrevistas exclusivas editadas de forma a privilegiar detalhes da vida privada em detrimento das posições políticas.

Assim, surge o peronista Eduardo Duhalde (2002-2003), 65, descrevendo seu hobby de caçar tubarões e o controvertido radical Fernando De la Rúa (1999-2001), 69, elogiando o Viagra, mas negando usá-lo -ainda no governo, uma embalagem do remédio foi ‘descoberta’ no gabinete em uma de suas fotos oficiais.

Também estão dois dos presidentes-relâmpago, que assumiram na crise de 2001, após a renúncia de De la Rúa: Ramón Puerta (três dias) e Eduardo Camaño (um dia). Adolfo Rodríguez Saá, que governou por nove dias, segundo o filme, impôs como condição um contrato que lhe daria indenização de US$ 1 milhão se não gostasse do resultado. O tempo que caberia a ele foi dedicado a uma lhama.

‘São esses os presidentes que pudemos conseguir? Eles têm as características que mostram o pior do povo argentino. São um Frankenstein do que nós somos’

LUIS MAJUL

jornalista e produtor do filme

‘Parece uma comédia, mas é um documentário’

MARIANO COHN

cineasta argentino’



INTERNET
Joshua Chaffin

Videoclipes ganham força com internet

‘DO ‘FINANCIAL TIMES’ – Há cinco anos, o videoclipe parecia ser uma forma de arte agonizante. A MTV, seu principal veículo, havia recuado, mudando sua programação para dramas baseados na realidade.

Ao mesmo tempo, as gravadoras de discos não queriam mais pagar a conta de produções cada vez mais extravagantes em uma época em que a pirataria corroía as vendas.

Mas na era da internet os clipes voltaram. Foram um dos ingredientes principais por trás do sucesso do YouTube, o site de vídeos adquirido pelo Google por US$ 1,65 bilhão. Na semana retrasada, os clipes musicais representaram 32% dos vídeos mais procurados no site.

Eles também estão fornecendo uma nova fonte de receita para as grandes gravadoras. Somente nas últimas duas semanas, Warner Music, Universal e Sony BMG assinaram contratos com o YouTube para fornecer clipes de seus artistas em troca de uma pequena taxa e uma parte das vendas ligadas à publicidade.

‘Eles são centrais’, disse Josh Bernoff, analista da Forrester Research, sobre a importância dos videoclipes para a internet. ‘Eles têm duas características maravilhosas: atraem os jovens e são curtos.’

Os videoclipes existem sob formas variadas há décadas.

Mas a forma artística só decolou com o início da MTV, em 1981, que os transformou numa parte central da cultura jovem e uma maneira indispensável para as gravadoras promoverem artistas como Madonna e Britney Spears.

Na época, as gravadoras concordaram em licenciar seus clipes de graça para a MTV, tratando-os meramente como despesas promocionais. Mas com o crescimento da internet elas corrigiram o erro.

A Universal Music, a maior companhia fonográfica, mostrou o caminho, obrigando Yahoo, Google e outras a pagar uma fração de centavo por cada clipe, assim como uma parcela de sua publicidade.

Esses acordos poderão gerar mais de US$ 15 milhões neste ano, segundo pessoas ligadas ao setor, e mais no futuro com o esperado crescimento da publicidade em vídeo na internet.

Rob Campanell, co-fundador da Blastro Networks, que opera dois sites orientados para jovens, afirma que a internet é o destino natural dos videoclipes. ‘Um canal a cabo popular tem uma ‘playlist’ de dez canções ou mais a qualquer momento’, disse Campanell.

‘Na internet há 10 mil disponíveis quando você quiser.’

A Blastro foi fundada em 2000 sob a premissa de que podia exibir videoclipes de selos independentes interessados em chamar atenção para suas bandas.

No mês passado, a Blastro exibiu 6 milhões de clipes patrocinados por publicidade de empresas como Pfizer, HBO, Yahoo e a Marinha dos EUA.

Tradução de LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES’



TELEVISÃO
Público perdoa a vilã de ‘Páginas da Vida’

Daniel Castro

‘Pesquisa feita na semana passada em São Paulo para avaliar ‘Páginas da Vida’ mostra que a grande vilã da trama até agora, Marta, interpretada por Lília Cabral, é bem aceita pelas telespectadoras da novela.

O público mais fiel da atração, segundo a TV Globo, perdoa as vilanices de Marta, que rejeitou a filha grávida de gêmeos, não demonstrou grande sofrimento por sua morte trágica e trata com desprezo o neto órfão.

Para as telespectadoras, que falaram em grupos de discussão, Marta ‘não é tão ruim assim’, porque é uma personagem natural, sofrida, que batalha para ganhar seu dinheiro e é casada com ‘um marido que é um banana [Alex/Marcos Caruso]’. Assim, Marta não é uma vilã clássica de novela, como a Bia Falcão de ‘Belíssima’.

Marta e a novela de Manoel Carlos como um todo são verossímeis, conclui o levantamento. Esse tipo de pesquisa é feita pela Globo para avaliar a aceitação do público de personagens e tramas. Dependendo dos resultados (e da audiência), podem ocorrer ajustes profundos nas novelas pesquisadas.

No caso de ‘Páginas da Vida’, a pesquisa não terá a mínima influência, até porque Manoel Carlos a ignorou. Nenhum personagem foi massacrado pelo público. Por outro lado, também não houve elogios eufóricos. Para a Globo, isso demonstra total identificação do telespectador com a história.

ÍDOLOS 1Dudu Pelizzari, o Fred de ‘Malhação’, e Carmo Dalla Vecchia, o Luciano de ‘Cobras e Lagartos’, são as novidades no ranking dos atores da Globo que mais receberam cartas de fãs em setembro. Pelizzari aparece em segundo lugar e Dalla Vecchia, em quarto.

ÍDOLOS 2O líder do ranking, desde julho, é o garoto Rafael Ciani, o Geléia de ‘Cobras’. Kayky Britto, seu irmão fictício na novela, é o terceiro da lista.

REVISÃOA Globo vai produzir novas edições do ‘Dicionário da TV Globo’, lançado em 2003, cuja última novela catalogada foi ‘O Clone’. A idéia agora é lançar dois ou três livros atualizados, separando novelas de outros produtos teledramatúrgicos.

FIM DO MUNDO 1A principal cidade cenográfica da próxima novela das sete, ‘Pé na Jaca’, terá o singelo nome de Deus-Me-Livre. ‘É uma cidade satélite de Piracicaba. E é claro que forças políticas tentarão mudar seu nome’, brinca o autor Carlos Lombardi.

FIM DO MUNDO 2Será em Deus-Me-Livre que surgirá a noviça interpretada por Deborah Secco. Lá também viverá a personagem de Juliana Paes, uma mulher que faz salgadinhos e até se veste de sereia para sustentar o marido inútil.

SEM RATINHOA Globo negociou, mas desistiu de comprar os direitos do personagem Topo Gigio para o Brasil. A idéia inicial era produzir um quadro, para o ‘TV Xuxa’ em 2007, no qual Xuxa contracenaria com o boneco.’

Laura Mattos

Mamãe, eu quero

‘A era das loiras agoniza na TV, programas educativos fazem sucesso. Agora, pais, psicólogos, Congresso, governo e Ministério Público têm uma preocupação além do conteúdo da programação infantil: os comerciais dirigidos a crianças.

Estão na mira principalmente as propagandas consideradas abusivas, por exemplo, as que dizem ‘Peça para a sua mãe comprar isso’ ou aquelas que passam a idéia de que a criança que adquire o produto anunciado será melhor (mais forte, mais inteligente, mais ‘legal’, mais feliz) do que as outras.

Há no país atualmente ao menos três correntes envolvidas nesse debate. A mais radical defende a proibição de qualquer propaganda infantil. Outra apóia uma legislação que determine regras para evitar abusos. Por fim, há o grupo formado pelas principais TVs, anunciantes e agências de publicidade, contrário a uma imposição por lei e a favor da auto-regulamentação. Não caberia ao governo, mas sim ao Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), ligado aos publicitários, decidir que propaganda é inadequada.

Há pouco mais de um mês, o órgão divulgou uma lista com novas normas para a publicidade infantil, que já estão em vigor. Dentre elas, são proibidas propagandas que dizem ‘Peça para sua mãe comprar’ ou que utilize crianças para falar ‘Faça como eu, use…’ (os chamados ‘testemunhais’). Um dos objetivos dessa iniciativa do Conar foi justamente tentar impedir a aprovação de projeto de lei com regras semelhantes em discussão no Congresso Nacional.

Mas há diferenças cruciais entre as normas lançadas pelos publicitários (defendidas por TVs e anunciantes) e a proposta parlamentar: o projeto de lei veta comerciais dirigidos a crianças das 7h às 21h e proíbe o uso de apresentadores e personagens infantis nas propagandas. São pontos que contrariam interesses do mercado.

Exemplo sueco

O texto, de autoria da deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), já abranda sugestão anterior, do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PN), de total proibição, como acontece na Suécia. A deputada (reeleita, assim como o colega) baseia-se na pesquisa elaborada para a criação da lei sueca, que considera que só aos dez anos todas as crianças são capazes de distinguir uma propaganda de um programa na televisão. Essa diferenciação seria importante para ajudá-las a filtrar o apelo publicitário.

A parlamentar foi subsidiada por um estudo a respeito da regulamentação em diversos países. O levantamento, realizado por Edgar Rebouças (professor de ética em rádio, TV e publicidade da UFPE) mostra que, além da Suécia, há restrições na Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda, Itália, Noruega, Inglaterra, Austrália, Canadá e EUA.

‘A publicidade ocupa cerca de 25% do conteúdo da TV. Não há como não se preocupar com isso’, defende Rebouças, que coordena o núcleo de pesquisa em políticas e estratégias de comunicações da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação.’



***

TVs infantis dizem vetar abuso

‘Entre um programa educativo e outro, o Discovery Kids, cujo público alvo são as crianças em idade pré-escolar, exibe comerciais de fast food e até de livro para lidar com problemas da adolescência, como uso de drogas e tendência ao suicídio.

Na TV Rá Tim Bum, elogiados programas como ‘Castelo Rá-Tim-Bum’ e ‘Cocoricó’, são cortados por propaganda de bonecos da novela trash mexicana ‘Rebelde’, do SBT.

Apesar dos exemplos, Discovery Kids, TV Rá Tim Bum e outros canais infantis dizem fazer triagem dos comerciais. São contrários a uma lei que regulamente a propaganda e apóiam a auto-regulamentação.

O Discovery Kids afirmou seguir as restrições de cada país. Em e-mail da assessoria de imprensa, disse que procura passar ‘mensagens positivas’ e que é um dos canais infantis com menor porcentagem de anúncios para crianças.

O diretor de marketing da TV Cultura e da Rá Tim Bum, Cícero Feltrin, falou que há um controle dos comerciais. A respeito do exemplo citado, perguntou: ‘Quem são ‘Rebeldes’?’. Após ser informado, respondeu que provavelmente a análise não levou em conta o conteúdo da novela, mas que analisará o caso. A Folha apurou que há na Fundação Padre Anchieta um grupo que quer o fim da publicidade para crianças na TV Rá Tim Bum e nas oito horas de programação infantil na Cultura.

Esse é o caso da TVE do Rio, que não veicula anúncios de produtos. ‘Se uma TV pública quer exibir propaganda, que pelos menos a programação infantil seja preservada. Do ponto de vista de nossa missão, exibir comercial infantil é gritante’, afirma Beth Carmona, presidente da TVE e diretora da TV Cultura nos anos 90.

A Globo (‘Sítio’ e ‘Xuxa’) enviou um parágrafo para responder a cinco questões da Folha. ‘A Globo considera que o Brasil é um dos países mais avançados na área de ética na publicidade, que consegue conciliar responsabilidade com liberdade de expressão, graças ao sistema de auto-regulamentação. A Globo confia no posicionamento do Conar [Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária].’

Gilberto Leifert, presidente do Conar, diz que a entidade defende a ‘liberdade de expressão comercial’ e que anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação têm capacidade de conciliar ‘liberdade com responsabilidade’.

Segundo ele, o Conar está monitorando os meios de comunicação e recebe reclamações pelo www.conar.org.br. ‘Nossa avaliação do primeiro mês de vigência das novas normas de publicidade infantil é positiva, mas sabemos que aqui e ali haverá desvios que vão exigir a intervenção do Conar.’

Rafael Davini, vice-presidente de marketing da Turner do Brasil (inclui Cartoon e Boomerang) disse já ter recusado um comercial desde que as normas do Conar estão em vigor. ‘Mostrava uma menina virando princesa ao vestir a roupa do anúncio. Avaliamos que passava falsa promessa.’

Vetos também já ocorreram no Nickelodeon, segundo Fátima Zagara, diretora sênior de vendas publicitárias. ‘Se percebemos que o comercial não tem como foco nosso público-alvo, se é ofensivo, enganoso e abusivo, não entra no canal.’

A ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) também endossa o Conar. ‘Há vários projetos de lei para a publicidade. Quando deixamos quem não tem expertise tratar do assunto, sai coisa que não é boa nem para o público. Não é função do governo regulamentar tudo na vida do cidadão’, diz Ricardo Bastos, presidente da ABA e vice da Johnson & Johnson.’



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‘Restrição não pode afetar programação’

‘A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) defende a proibição da publicidade para criança. ‘A lógica é aumentar o poder de escolha das famílias. A criança não é forçada pelo ‘Peça para seu pai comprar isso’. Os pais decidem se devem comprar um brinquedo. Isso é importante numa sociedade desigual’, diz o cientista político Guilherme Canela, coordenador de relações acadêmicas da Andi.

Mas ressalta: ‘Se houver proibição ou mesmo restrição é preciso discutir também mecanismos de financiamento para a programação infantil, que não pode sofrer prejuízo.’

Os canais entrevistados pela Folha afirmam que a proibição ameaçaria o conteúdo para crianças. No Cartoon, a publicidade corresponde a 30% do faturamento, contra 70% das assinaturas. No caso do Nickelodeon, 40%.

Para o psicólogo Ricardo Moretzsohn, a publicidade pode vender produtos infantis, mas deve dirigir os anúncios aos pais. ‘A criança não tem discernimento. Se para adultos é difícil resistir ao apelo publicitário, imagine para crianças. Alguns comerciais vendem a idéia de felicidade. Se tem a sandália é feliz, se não tem, não é. Isso violenta nossas crianças’, diz Moretzsohn, representante do Conselho Federal de Psicologia na campanha antibaixaria na TV da Câmara.’



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Ministério Público avalia excessos

‘Um garoto intima o pai: ‘Ou você assina essa operadora de TV ou escolhe outra família para ser pai’. O comercial foi denunciado ao Criança & Consumo, projeto que recebe reclamações pelo www.criancaeconsumo.org.br. As denúncias são avaliadas e podem ser encaminhadas ao Ministério Público. No último dia 25, foi denunciado ao MP comercial de um chocolate na qual um menino, só para ganhar o doce, diz falsamente: ‘Sabia que você é o melhor avô do mundo?’.

Telespectadores também criticaram propaganda que traz uma criança que, ao consumir um achocolatado, realiza manobras surpreendentes com a bola. O Ministério Público Federal irá se reunir com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor e de Classificação Indicativa, do Ministério da Justiça, para definir um plano de fiscalização contra comerciais abusivos.’

Bruno Segadilha

Nova novela das seis da Globo será outro remake

‘‘Se você pudesse prever os fatos, suas escolhas seriam mais fáceis?’. Partindo dessa premissa, a novela ‘O Profeta’, que estréia amanhã, às 18h, na Globo, pretende contar a história de Marcos (Thiago Fragoso), um jovem paranormal que desenvolve o dom da premonição e tem de aprender a lidar com as dores e benefícios que a condição lhe traz.

A novela tem como base o sucesso homônimo de Ivani Ribeiro (1922-1995), escrito nos anos 70 para a TV Tupi, e segue a onda dos remakes da emissora que, nos últimos dois anos, produziu duas obras do tipo: ‘Cabocla’, novela de Benedito Ruy Barbosa reeditada em 2004, e ‘Sinhá Moça’, outro título de Barbosa, cujo último capítulo foi ao ar anteontem.

‘Acho importante revisitar clássicos, e a TV brasileira tem história suficiente para isso. É um prazer enorme trabalhar na obra da Ivani Ribeiro. Acho essa busca pelo novo uma obsessão boba. Há obras supernovas que não são criativas’, afirma a autora Thelma Guedes, que assina a adaptação da trama ao lado de Duca Rachid.

Rachid acredita que o fato de reescrever uma história já bem-sucedida dá mais segurança para os autores. Na sua opinião, Ivani Ribeiro criou, junto com Janete Clair, o modelo adotado nas novelas atuais. ‘Elas inventaram a novela moderna, que desenvolve um tema por capítulo’, diz.

Da versão original, as autoras procuraram manter a espinha dorsal da história, mas com alterações significativas. A principal delas é a época de ambientação: a história escrita para a Tupi se passava na década de 70, mas agora as autoras investiram nos anos 50. ‘É uma época efervescente no Brasil, isso nos dá bastante assunto para explorar’, afirma Rachid.

Paranormalidade

Além de se valer de um texto popularmente consagrado, ‘O Profeta’ ainda aposta na paranormalidade para conquistar o público. O tema costuma alavancar a audiência das novelas que desenvolvem o assunto.

Com a espiritualista ‘Alma Gêmea’, exibida no ano passado, Walcyr Carrasco, que assina a supervisão de texto da novela, conseguiu atingir média geral de 39 pontos de audiência, índice considerado alto para o horário das seis da tarde.

Para Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP, a temática tem um grande apelo popular por ser um assunto ‘confortante’ e trazer um ‘alívio para o ser humano’. ‘As histórias que se desenvolvem em torno desse tema normalmente são bem sucedidas. As pessoas querem saber que podem reencontrar um ente querido depois da morte. Foi assim em ‘A Viagem’, outra novela de Ivani, que mostrava o reencontro com pessoas falecidas.’’



***

Record estréia atração voltada a público jovem

‘Dando continuidade ao seu projeto de teledramaturgia, a Record estréia, na terça-feira, seu horário das seis para novelas.

‘Alta Estação’, escrita por Margareth Boury, inaugura a faixa da emissora com a intenção de atrair o público jovem. A trama acompanha o cotidiano e os conflitos de seis amigos que estão entrando na faculdade e tem idades entre 18 e 24 anos.

‘Não será bem uma novela. Será um seriado. Por isso não há uma história definida até o final. Vamos escrevendo’, diz a autora.

Boury, que vem de um experiência de 24 anos como colaboradora na Globo, afirma que o programa não tem a intenção de ser a ‘Malhação’ da Record e conta que não quer competir com antigos colegas da casa.

‘Só quando as pessoas virem, vão entender que não tem a ver com ‘Malhação’. Não penso em competir com a Globo, saí feliz de lá. Acho que são públicos diferentes’, diz.

Para Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record, a novela também será uma oficina para jovens atores. ‘A idéia é preparar novos profissionais para as próximas atrações da casa’.’

Bia Abramo

Celebridades banalizam a intimidade

‘DANIELA CICARELLI , por fim, saiu por cima da carne-seca. Vai ganhar um programa jovem na Record, depois de pagar mico no ‘Beija Sapo’, da MTV. Se deu bem, ao fim e ao cabo, depois de ser achincalhada até por Bruna Surfistinha só porque transou com o namorado na praia.

É um mundo curioso e cruel, esse da megaexposição da mídia. A moça é uma linda, pernuda, bocuda e olhuda. E é exatamente isso que ela tem a vender no mercado das celebridades, sua mais-valia estética e sexual.

Por que também é justamente isso que os consumidores vorazes da fama alheia querem dela. E ela, o que faz? Sai vendendo, por aí, é claro. Fotografa para revistas, protagoniza comerciais, torna-se apresentadora de programas jovens em que aparece linda, pernuda, bocuda, olhuda e de pouca roupa.

No melhor formato ‘minha vida é uma revista ‘Caras’ aberta’, inventa o casamento do ‘século’. O rei do futebol e a princesa das passarelas casam-se e descasam-se com pompa, circunstância e barulheira em um tempo recorde.

Some e volta, ‘low profile’, em um programinha para adolescentes se beijarem em público patrocinados por uma marca de refrigerantes. A voz rouca, a malícia sestrosa de mulher bonita no meio dos recém pós-púberes soa como uma estridência sexual inatingível, tanto para os meninos desejantes como para as meninas invejantes.

Depois, isso que todo mundo sabe: foi filmada com o namorado, o vídeo correu o mundo pelo YouTube, etc.

E, diante da intimidade revelada, a surpresa: mas essa mulher, que fantasiamos como uma deusa do sexo, fez sexo mesmo?

A intimidade, vista de perto, é sempre ao mesmo tempo mais banal e mais assustadora do que parece. Esses personagens colocam no mercado uma sugestão de que sua vida entre quatro paredes é tão glamurosa que é quase extra-humana, de uma textura publicitária, mas quando se apresenta, de fato, alguma nesga da intimidade real, há choque e decepção.

Com a mesma intensidade, desejamos o prazer de espiar uma vida que se apresenta como menos ordinária e repelimos as manifestações de humanidade de quem se emoldura para a mídia.

A crise, entretanto, é passageira. Na mesma medida que vem, vai. E, no fim, tudo ‘dá certo’, assina-se um novo contrato e a paz volta a reinar no mundo das imagens.’



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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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