Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 6 E 7/05

Folha de S. Paulo

09/05/2006 na edição 380

CASO NOSSA CAIXA
Frederico Vasconcelos

Agência alertou Nossa Caixa sobre o fim de contrato publicitário

‘A Nossa Caixa foi alertada previamente em 2003 pela Full Jazz sobre o vencimento do contrato com aquela agência de publicidade. O banco confirmou o interesse na prorrogação, mas manteve os serviços, durante 22 meses, sem amparo legal: não renovou o contrato nem fez nova licitação.

‘Em nenhum momento a Full Jazz cometeu qualquer ato ilegal’, afirma Maria Christina de Carvalho Pinto, presidente da agência, em entrevista concedida à Folha.

Em junho de 2003, dois meses antes do vencimento do contrato, ela pediu que o banco confirmasse, ‘por escrito’, o interesse na continuidade do relacionamento na área de publicidade e marketing. Dez dias depois, o então gerente de marketing, Jaime de Castro Júnior, manifestou, em ofício, a ‘intenção na prorrogação’: ‘Essa agência será comunicada posteriormente sobre o valor do contrato, prazo de vigência da prorrogação e assinatura do referido contrato’, disse o gerente.

A promessa não foi cumprida. O contrato venceu em setembro de 2003. O banco seguiu encomendando serviços à Full Jazz até junho de 2005. E fez pagamentos até setembro do ano passado num total de R$ 27,2 milhões.

Christina entregou a carta ao então presidente Valdery Frota de Albuquerque, na presença de Waldin Rosa de Lima, chefe-de-gabinete da presidência sem qualquer vínculo formal com o banco. ‘A partir daí, cabia à agência aguardar. O sr. Jaime [de Castro Júnior] não gostava de ser pressionado sobre esse assunto’, diz.

Pelo contrato, os serviços eram prestados de acordo com ‘orientação, determinação, pedidos e controle’ do departamento de marketing’, seguindo as diretrizes do sistema de comunicação do governo do Estado. ‘Nada acontecia sem a autorização específica do sr. Jaime’, diz Christina.

As relações entre a Full Jazz e Castro Júnior, demitido em dezembro de 2005, eram no mínimo contraditórias, a julgar pelas opiniões do ex-gerente. Num catálogo do setor, Castro Júnior atestou, em 2004, sua surpresa com ‘o profissionalismo e a competência’ da agência. Um ano depois, reclamou à comissão de sindicância do ‘péssimo atendimento’ prestado pelas áreas de redação e criação da Full Jazz.

Avaliações divergentes

Christina discorda do julgamento da 1ª câmara do Tribunal de Contas do Estado, que considerou ‘irregularidade grave o pagamento por serviços prestados sem cobertura contratual’. Para o TCE, a Full Jazz e a Colucci -que também atendeu a Nossa Caixa no mesmo período- ‘tinham plena ciência da existência da irregularidade e continuaram prestando os serviços por dois anos, sem se preocupar em requerer a regularização da situação’.

‘Eu não era obrigada a mandar a carta’, diz Christina. Advogados consultados pela agência dizem que a Full Jazz ‘fez mais do que o contrato pedia’. Para ela, o TCE cometeu ‘um erro de leitura’, ao julgar que os honorários da agência ‘variaram em até 18,75%, enquanto o contrato especificou honorários na base de 10%’.

‘O tribunal considerou a remuneração da agência sobre o valor líquido pago aos veículos, quando, na verdade, toda a remuneração se faz sobre o valor bruto contratado’, explica a publicitária.

O contrato prevê que a remuneração da agência na veiculação é de 15% (é de 10% sobre serviços de produção). A Full Jazz acredita que o tribunal calculou a remuneração a partir de nota em que já havia sido calculado o desconto concedido pelos veículos às agências (de 20%, dos quais a Full Jazz repassava 5% ao banco).

‘A Full Jazz seguiu de maneira rigorosa o contrato e teve receita média em torno de 10%’, diz. A remuneração seria muito maior, segundo ela, se o banco não concentrasse grande volume nos serviços de terceiros, sobre os quais a agência recebia só 1% de honorários. ‘Não é praxe um volume tão gigantesco nessas atividades, com grande lucro para a Nossa Caixa e grande prejuízo para nós.’’



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Full Jazz diz que vantagem à base aliada era ‘mínima’

‘A presidente da Full Jazz diz que era ‘mínima’ a veiculação de anúncios da Nossa Caixa para atender a interesses políticos dos tucanos. Em 26 de março a Folha revelou que o governo Geraldo Alckmin direcionou recursos do banco para patrocínio de eventos e anúncios em veículos indicados ou mantidos por deputados aliados.

A reportagem mostrou exemplos desses pedidos -os chamados ‘lixões’, como eram tratadas essas veiculações autorizadas na troca de e-mails entre a agência Contexto, que atendia a Casa Civil, e a Nossa Caixa. O esquema era coordenado pelo assessor de comunicação de Alckmin, Roger Ferreira, exonerado, a pedido, um dia depois da publicação.

‘Se o cliente quer mexer no plano de mídia, a agência não tem poder para recusar. A Full Jazz jamais criou qualquer estratégia ou plano de mídia que não fosse exclusivamente técnico’, afirma a presidente da agência.

Em alguns casos, segundo ela, o plano de mídia já vinha pronto. Como exemplo, cita e-mail de sua gerente de mídia, Sylvia Edith, a Castro Júnior, questionando o plano revisado pela Contexto. Edith critica as ‘verbas altas’ e programações que ‘nada [tinham] a ver com o banco’ e não haviam sido propostas pela Full Jazz.

O único plano de mídia recomendado pela Full Jazz à Nossa Caixa foi para a revista ‘Primeira Leitura’. ‘Foi uma injustiça ela ter sido envolvida no ‘lixão’. A Nossa Caixa queria publicar anúncios em veículos formadores de opinião. E a Full Jazz considera que a revista é lida por formadores de opinião’, diz.

Christina diz que a contratação de Ferreira como assessor de imprensa da Nossa Caixa, por meio da Full Jazz, deveu-se a uma indicação do então presidente do banco Valdery Frota de Albuquerque. ‘Ele indicou porque tinha trabalhado com o jornalista, e disse que ele havia prestado ‘grande serviço à Caixa Econômica Federal’.

Ela minimiza o papel de Ferreira na assessoria do banco, contrariando afirmações de Castro Júnior. Em depoimento, ele disse que Ferreira pediu anúncios e patrocínios aprovados pela presidência do banco sem qualquer interferência da gerência de marketing.

A publicitária diz que a contratação foi feita para cumprir cláusula contratual, e que não houve irregularidade. O contrato com o banco foi firmado em março de 2002, e Ferreira só viria a ser contratado em abril de 2003. O assessor deixou o banco em novembro do mesmo ano, sendo substituído pela jornalista Shirley Emerick, que repetiu o mesmo esquema da Full Jazz.’



OMBUDSMAN REUNIDOS
Folha de S. Paulo

Conferência anual de ombudsmans começa hoje em SP

‘Será aberta hoje, em São Paulo, a 26ª Conferência Anual da ONO (Organização de Ombudsmans de Notícias, na sigla em inglês). O evento é organizado pela Folha e por seu ombudsman, Marcelo Beraba, e deverá contar com 42 participantes de 14 países, entre ombudsmans e palestrantes.

Trata-se da primeira vez que a ONO promove sua conferência anual fora de uma cidade européia ou norte-americana. O encontro se dará nas dependências da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), mas, a exemplo de encontros anteriores, será fechado ao público.

Nos dias 10 e 11, o jornal promove ainda o Fórum Folha de Jornalismo, também no auditório da sede da Fecomércio, aberto a interessados que tenham se inscrito previamente.

As últimas conferências da ONO, hoje presidida pelo britânico Ian Mayes, ombudsman do jornal ‘The Guardian’, foram realizadas em Londres, Saint Petesburg (cidade americana do Estado da Flórida), Istambul, Salt Lake City, Paris e Montreal.

Para o ombudsman da Folha, ‘o encontro anual é um momento de reflexão maior sobre a qualidade do trabalho jornalístico e para a troca de experiências’.

Na conferência, que começa hoje, às 19h, os ombudsmans farão um balanço sobre a imprensa na América Latina e discutirão questionamentos recentes à atuação da imprensa e ameaças à credibilidade dos jornais.

Origem

A Folha foi o primeiro jornal brasileiro a contratar um ombudsman, o que aconteceu em 1989. A palavra ombudsman é de origem sueca. No início do século 19, mais precisamente em 1807, passou a designar um funcionário nomeado para receber as queixas dos cidadãos contra o governo e os serviços públicos da Suécia.

O atual modelo de funcionamento do ombudsman na mídia surgiu em 1967, nos Estados Unidos, num jornal de Louisville, Estado de Kentucky. Por esse modelo, também adotado pela Folha, o ombudsman tem total independência para criticar o jornal, a emissora ou o site que o contratou. Ele não pode sofrer nenhum constrangimento da empresa para levar a bom termo sua tarefa.

Antes da experiência americana de 1967, no entanto, já se registravam outros mecanismos para a coleta de queixas de leitores que se sentiam atingidos por informações publicadas.

Foi o caso, por exemplo, do jornal japonês ‘Asahi Shimbun’, de Tóquio, que criou, em 1922, uma comissão para canalizar queixas de leitores, apurar se elas eram procedentes e corrigir notícias.

Alguns anos antes, na Suécia, começou a funcionar o Conselho Sueco de Imprensa. Isso aconteceu em 1916. A instituição contava com um ombudsman encarregado de receber protestos relativos a informações publicadas pela mídia impressa daquele país.’



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Mídia venezuelana tenta superar crise de credibilidade pós-Chávez

‘Os jornais venezuelanos se recuperam lentamente de uma séria crise de credibilidade. Em 1998, com a eleição de Hugo Chávez, a mídia se converteu em ator político, ocupando o vazio deixado pela desestruturação dos partidos.

O diagnóstico é de Boris Muñoz, ex-chefe de redação da revista ‘Nueva’, ex-correspondente em Nova York do ‘El Nacional’, de Caracas, e atualmente professor da Universidade Central da Venezuela. Muñoz fará uma palestra sobre a dificuldade de fazer jornalismo numa guerra midiática no Fórum Folha de Jornalismo, que acontece nos dias 10 e 11.

Os primeiros ataques verbais na guerra midiática partiram de Chávez, diz Muñoz. Ele quis atingir os grupos econômicos aos quais os grandes jornais estavam ligados. Estes, por sua vez, se partidarizaram ao extremo e passaram a atacar o governo como se fossem um simples apêndice da oposição. O confronto atingiu o clímax entre 2002, ano da frustrada tentativa de golpe contra Chávez, e o plebiscito de 2004, que o manteve no poder. Chávez não abandonou a forma agressiva pela qual se refere a alguns jornais e jornalistas. Seu estilo, que privilegia o confronto, é uma das fontes de sua elevada popularidade.

Os jornais sofreram prejuízos em sua imagem e na circulação, o que reflete uma crise de credibilidade, avalia Muñoz. Tentam agora atuar com um perfil mais profissional, menos engajado, mas nem sempre o conseguem.

‘El Nacional’ e ‘El Universal’ fizeram oposição ao presidente. Outro grande jornal venezuelano, o ‘Últimas Notícias’, manteve-se eqüidistante, mas em posição sutilmente favorável ao presidente.

Muñoz diz que ‘El Nacional’, lido basicamente pela classe média, perdeu muitos leitores, que migraram para o ‘Últimas Notícias’. ‘El Universal’, voltado para a classe média alta, também teve queda de circulação, mas menor. Para tentar superar a crise e recuperar seus leitores, ‘El Nacional’ optou pela despolitização e privilegia reportagens e textos de primeira página em que a política está bem pouco presente: ‘É um erro, porque uma coisa é se despartidarizar, e outra, se despolitizar’.

Num balanço provisório da guerra, Muñoz crê que os dois lados cometeram erros numerosos e graves. Os jornais, por terem abandonado seu papel de informar a sociedade; Chávez, por eleger a mídia como alvo de ataques.’



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Vagas para o Fórum Folha já estão esgotadas

‘O Fórum Folha de Jornalismo, evento com o qual o jornal lembra seus 85 anos de fundação, será aberto na próxima quarta-feira com lotação já esgotada. Cada um de seus quatro painéis estava aberto a 500 interessados, que se inscreveram gratuitamente. As últimas vagas foram reservadas na sexta-feira.

O encontro reunirá especialistas estrangeiros da mídia norte-americana, britânica, argentina e venezuelana, entre outros.

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, abre o Fórum. O primeiro painel, no dia 10, terá como tema ‘Transparência e Qualidade Jornalística’. O segundo, no mesmo dia, abordará ‘Poder e Jornalismo na América Latina’.

A terceira mesa, no dia 11, discutirá ‘Jornalismo e Democracia’. O quarto e último painel, também na quinta-feira, terá como tema ‘Os Limites da Reportagem’.

O Fórum estará reunido no auditório da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, região central de São Paulo.’



TELEVISÃO
Elvira Lobato e Daniel Castro

Governo libera concessão de TV negada a Gugu sob FHC

‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, assinou, na última quarta-feira, um contrato de concessão de canal de TV em Cuiabá para a empresa Pantanal Som e Imagem, que, oficialmente, pertenceu a Gugu Liberato até o dia 23 de março. Segundo advogados, o ato do ministro é irregular, porque a composição societária que consta do contrato de concessão é diferente daquela que foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Em outubro de 2002, uma semana antes do segundo turno da eleição presidencial, o então ministro das Comunicações, Juarez Quadros do Nascimento, havia cancelado a concessão para o mesmo canal de TV que foi outorgado a Liberato, que fazia propaganda partidária para o PSDB.

Para Juarez Quadros, o contrato agora assinado por Hélio Costa contém o mesmo vício que levou à anulação da concessão concedida a Gugu Liberato em 2002.

O ‘Diário Oficial da União’ de quinta-feira traz o extrato do contrato assinado por Hélio Costa e pela sócia representante da Pantanal, Vera Lúcia Fanaia Klauk. Segundo a Junta Comercial de Mato Grosso, Antonio Augusto Moraes Liberato e a irmã dele, Aparecida Liberato Caetano, venderam 98% das cotas da Pantanal para Vera Klauk e os 2% restantes para Mauro Uchaki, em 23 de março.

Advogados ouvidos pela Folha afirmam que Vera Klauk não poderia, legalmente, ter assumido o controle da Pantanal Som e Imagem. A empresa foi criada em 1997 em nome de Irinéia Moraes da Silva e de Mauro Uchaki, cada um com 50% das cotas.

‘A concessão de radiodifusão é ‘intuito personae’, ou seja, é dada em caráter personalíssimo. No caso, só poderia ser outorgada para as pessoas que foram habilitadas na licitação’, diz o advogado de radiodifusão Fernando Perazzo.

Sócios originais

A Pantanal venceu a licitação tendo sido habilitados os dois sócios originais, que, segundo a Folha apurou, eram empregados de Vera Klauk, na ocasião. Ela se propôs a pagar R$ 1 milhão ao governo federal pela concessão, valor que, atualizado, corresponde a cerca de R$ 2,5 milhões.

O processo de outorga para a Pantanal foi aprovado pelo Congresso Nacional (a Constituição determina que as outorgas de rádio e TV sejam aprovadas pela Câmara e pelo Senado) em nome dos sócios originais (Irinéia e Mauro Uchaki), segundo consta da edição de 21 de junho de 2002 do ‘Diário Oficial do Senado’.

Para o consultor jurídico da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), Alexandre Jobim, a concessão só poderia ter sido outorgada aos sócios aprovados pelo Legislativo. Depois de o contrato de concessão ser assinado, diz ele, é possível a venda de até 50% das cotas, mas a transferência total de controle só pode ocorrer decorridos pelo menos cinco anos de funcionamento da emissora.

Ocorre que a empresa mudou de mãos duas vezes após o início da licitação. Em agosto de 98, Vera Lúcia Klauk assumiu as ações que pertenciam a Irinéia Moraes da Silva, bem como a quase totalidade das que estavam em nome de Mauro Uchaki, que ficou com 2%. Aposentado, ele vive com a mãe em Sorocaba (São Paulo).

Em dezembro de 2001, Liberato e a irmã, Aparecida Liberato Caetano, compraram todas as cotas da empresa e registraram o negócio na Junta Comercial de Mato Grosso. Na ocasião, um funcionário da delegacia do Ministério das Comunicações forneceu um atestado a Gugu autorizando a transferência da empresa para seu nome, o que mais tarde se comprovou ilegal. Hoje, a assessoria jurídica de Hélio Costa diz que Liberato agiu de boa fé.

Liberato tentou reverter a anulação da concessão na Justiça. Perdeu a causa no STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas ainda tentava um recurso final no STF (Supremo Tribunal Federal).

Hélio Costa autorizou Gugu Liberato a cancelar a compra da Pantanal, que tinha sido registrada na Junta Comercial de Mato Grosso, em 2001. No dia 23 de março, um ofício assinado por Costa chegou às mãos dos advogados de Liberato, em São Paulo.

No ofício, ao qual a Folha teve acesso, ele prometeu que, se a empresa tomasse as providências que havia aprovado, poderia assinar um novo contrato de concessão. No mesmo dia em que o ministro assinou o ofício, Liberato registrou a venda das ações para a antiga sócia na Junta Comercial. No dia 28 de abril, a Pantanal entrou com pedido de desistência da ação iniciada por Gugu Liberato no STF.

Elvis Klauk, marido e procurador de Vera Klauk, afirmou à Folha que cogita alugar o prédio e os equipamentos da emissora que Gugu Liberato montou em Cuiabá. Questionado sobre se a mulher dele teria recursos para pagar o valor da concessão ao governo, disse que a família tem outros negócios e que buscará obter empréstimos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

De acordo com Klauk, Liberato ‘desanimou-se da TV’ e, por causa disso, vendeu a empresa.’

Daniel Castro

Ministério diz que não há ilegalidade em contrato

‘O Ministério das Comunicações nega haver ilegalidade no contrato, assinado na última quarta-feira, que tenta regularizar administrativamente a concessão de um canal de TV em Cuiabá, comprado em 2001 pelo apresentador Gugu Liberato antes mesmo de a emissora entrar no ar.

Para assinar o contrato, o ministro Hélio Costa se baseou em parecer de sua consultoria jurídica, datado de 22 de março. O parecer recomenda alteração no contrato social da empresa Pantanal Som e Imagem, vencedora da licitação pelo canal. Na alteração, efetivada um dia depois, Liberato deixou a sociedade, que voltou para os sócios anteriores à sua entrada Vera Lúcia Klauk e Mauro Uchaki. O parecer informa que essa solução foi sugestão da própria Pantanal.

Para a consultoria jurídica, a Pantanal ‘agiu de boa-fé’, porque a compra irregular da empresa por Liberato se deu por documento registrado em Junta Comercial, e não por ‘contratos de gaveta, com o intuito de burlar a legislação’. Além disso, a venda da empresa para Liberato foi informada ao Ministério das Comunicações, o que a consultoria vê como ato de transparência.

O parecer observa ainda que o ministério anulou em 2002 apenas o contrato de concessão de Gugu Liberato -’e não a concessão propriamente dita’.

Responsável pelo parecer e chefe da consultoria jurídica do ministério, Marcelo Bechara contesta a versão de especialistas em radiodifusão de que a transferência da Pantanal para Vera Lúcia é irregular, porque eles não são os donos originais da empresa e não constam do decreto legislativo que aprovou a concessão.

Bechara afirma que a legislação não impede a transferência de futuras empresas de TV antes da homologação da concorrência, que é o ato do ministério que declara o vencedor da disputa.

‘Essa alteração [entrada de Vera Lúcia Klauk no lugar de Irinéia Moraes, que, com Mauro Uchaki, era proprietária original] foi feita antes da homologação. Se a alteração foi feita em 1998 e o decreto legislativo só saiu em 2002, eles [Vera Lúcia e Uchaki) são sócios legítimos’, diz Bechara, que se ampara em um outro parecer jurídico, de 1999, que fundamenta essa possibilidade.

‘O que não pode é haver alteração societária depois da homologação e antes de cinco anos de operação, como foi o caso de Gugu Liberato’, completa.

Bechara também contesta o argumento de que contrato de concessão só deveria ser assinado por Irinéia Moraes e Mauro Uchaki, que constam como donos da Pantanal no decreto legislativo. ‘O decreto legislativo outorga a concessão para a empresa, não para os sócios’, afirma.

Liberato

Por força de uma decisão judicial, a Pantanal Som e Imagem está no ar há dois anos, transmitindo apenas uma barra de cores. Inicialmente, seu transmissor foi instalado em um contêiner no pátio da afiliada da Record em Mato Grosso. Enquanto isso, Gugu Liberato comprou um terreno, construiu uma torre e uma sede próprias. São dessas instalações que a Pantanal irradia seu sinal experimental atualmente.

Procurado pela Folha, por e-mail, Liberato se limitou a dizer que já havia sido informado de que o ministério ia ‘assinar com os vencedores da licitação’. ‘Não sei ainda como ficará minha situação’, disse.’



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Surita, do ‘Pânico’, vira parceiro da Record

‘Apresentador do ‘Pânico na TV’, um dos pilares da Rede TV!, Emílio Surita está se tornando parceiro da concorrente Record em Roraima, onde vive sua família _sua irmã, Tereza Jucá, mulher do senador Romero Jucá, é prefeita da capital, Boa Vista.

Surita negocia a compra definitiva da TV Imperial, afiliada da Record em Boa Vista. A emissora ainda está no nome do antigo dono, mas Surita já nomeou um advogado para administrá-la e levantar suas dívidas e patrimônio.

‘Meu advogado está cuidando do negócio, mas ainda não sei se vou investir. A TV tem muito rolo, deve até água’, diz Surita.

Nos bastidores políticos de Roraima, Surita já é visto como novo dono da TV Imperial. Adversários de Romero Jucá temem que a emissora passe a usar programação local para atacá-los.

A TV Imperial não é um canal de primeira categoria, uma geradora como a Rede TV! ou a Record em São Paulo. Trata-se de uma retransmissora. Mas como está localizada na região amazônica, tem status de geradora e pode exibir parcialmente programação e publicidade locais.

Surita ainda faz mistério sobre o retorno de Sabrina Sato _ela foi afastada do ‘Pânico’ porque seu quadro foi responsável pela reclassificação do programa para as 20h. ‘Estamos bolando um novo quadro para ela’, diz.

OUTRO CANAL

Cabo de guerra Respectivamente autor e diretor de ‘Cidadão Brasileiro’, Lauro César Muniz e Flávio Colatrello não estão se entendendo sobre como envelhecer os personagens da novela da Record, que se passa em 40 anos. Muniz defende o uso de maquiagem. Já Colatrello quer trocar atores jovens por mais velhos.

Priscila O seriado ‘Carga Pesada’ volta à programação da Globo no próximo dia 2 _e fica no ar até 11 de agosto. Em um dos 11 episódios, intitulado ‘Reencontro às Cegas’, Pedro (Antônio Fagundes) irá pegar carona em um ônibus lotado de ‘drag queens’ _entre elas estará a quase-celebridade Isabelita dos Patins.

Refrigerante A Pepsi também resolveu investir em ‘reality shows’ para se promover. A partir de amanhã, exibirá na Record, como quadro do ‘Debate Bola’, o ‘Desafio Mundial Pepsi’, uma competição entre 22 jovens jogadores de 11 países, incluindo o Brasil. Os prêmios vão de jantar com o craque Roberto Carlos a US$ 100 mil (para os vencedores finais) em dinheiro, passando por sessões de compras em lojas como a Dolce & Gabbana.

Cerveja Estréia amanhã na Band (dentro do ‘Apito Final’) o ‘Bier Papo’, série de quatro programetes sobre a Copa gravados em Berlim. No quadro, Luciano do Valle e Reali Jr. percorrem a cidade e falam de aspectos curiosos e históricos.’

Janaina Fidalgo

‘Não estou nem aí, me divirto com a câmera’

‘Tudo começou como uma viagem com data de retorno marcada para dali dois anos. Vinte e sete anos se passaram, e Claude Troisgros, 50, um dos chefs mais relevantes do Brasil, nem pensa em morar novamente na França.

De Roanne, onde nasceu, trouxe a tradição gastronômica familiar, hoje na quarta geração de chefs. Mas foi no Brasil que Claude, distante da sombra do pai, o premiado Pierre Troisgros, se estabeleceu. Além do restaurante Olympe, acaba de abrir o 66 Bistrô (ambos no Rio), está prestes a lançar uma linha de molhos e estréia amanhã série sobre Portugal dentro do seu bem-sucedido programa, o ‘Menu Confiança’, exibido pelo GNT (leia texto abaixo). Na viagem ao país europeu, tenta desvendar os segredos do pastel de Belém e de outras iguarias.

Uma das maiores audiências do canal, o programa tem entre seus trunfos a descontração com que Troisgros ensina o preparo dos pratos e dispara seu ainda carregado sotaque, simbolizado pelo bordão ‘Marrrravilha’.

Em entrevista à Folha, falou sobre sua trajetória no Brasil, o início na TV e de como os jovens chefs têm condicionado o êxito profissional à criação a qualquer custo. ‘Os chefs em começo de carreira estão muito aflitos com a criatividade’, afirma. ‘A primeira coisa que querem é ser um Ferran Adrià, um Alain Ducasse. O Adrià realmente criou novas técnicas, mas hoje está sendo tão copiado que corre o risco de se banalizar.’ No sentido contrário, defende a retomada de uma cozinha mais tradicional, em que ‘se sinta o que está comendo de verdade’.

Folha – Você pertence à terceira geração de uma família ligada à gastronomia. Daria para ter escolhido outra profissão?

Claude Troisgros – Queria ser jornalista gastronômico. [risos]. Nasci em 1956 e, nesta época, morávamos na casa de Roanne, onde ainda existe o restaurante, todos juntos: meu avô, minha avó, minha tia, meu pai, Pierre, meu tio Jean, as mulheres e os filhos dos dois e mais quatro cachorros.

Nós, crianças, brincávamos na cozinha o tempo inteiro, com os cozinheiros, as facas, as lebres, os produtos. Todos viraram cozinheiros ou algo ligado à profissão.

Folha – Que lembranças você traz deste universo gastronômico?

Troisgros – Víamos os produtos chegarem ao hotel. Há 40 anos, comprávamos [os ingredientes] direto do caçador, do pescador. O caçador chegava com a lebre e a deixava pendurada. Ficava meio apodrecendo por quase uma semana, aí tirava a barriga, era um fedor. Falo disso e sinto o cheiro, um cheiro forte. Para ter uma idéia do quão forte era a nossa situação gastronômica, eu assinei um contrato de brincadeira com o chef Paul Bocuse aos seis anos. E realmente foi o primeiro restaurante onde trabalhei.

Folha – Por pertencer a uma família de chefs e ser filho do Pierre Troisgros, você se sente cobrado?

Troisgros – É difícil fazer um caminho, criar seu próprio nome. Vi meu pai sofrer com isso também porque ele era o filho do Jean-Baptiste. Sofri com isso. De repente, pode ser uma das razões pelas quais eu vim parar no Brasil, para fugir desta responsabilidade, ou para criar meu caminho.

Folha – A história se repetiu e, como você, seu filho adotou a profissão do pai. Como lida com isso?

Troisgros – Tento ser bastante cool. Ele não tem que sentir a pressão do pai. O fato de ele estar no 66 Bistrô é muito bom porque ele primeiro vai se fortalecer numa coisa que é muito mais tradicional. Depois pode fazer uma cozinha mais evolutiva, ou fusion.

Folha – O que há com a fusion?

Troisgros – É o chef o problema. A fusion teve um momento muito bom, um chef de alta capacidade, como o Norman Van Aken. Tem uns outros que copiaram e começaram a achar que fusion era misturar qualquer coisa. E não é.

Folha – Quando veio para cá, imaginou que ficaria tanto tempo?

Troisgros – Vim para ficar dois anos. Me apaixonei não só pela minha mulher mas também pelo Rio. Eu e o Laurent Suaudeau começamos a criar, sem saber, uma culinária franco-brasileira, usando produtos da estação, frescos. Incorporamos esses produtos à técnica francesa meio sem saber o por quê. Fazíamos porque precisávamos de um produto fresco.

Folha – Quase 27 depois, como é sua visão da gastronomia do país?

Troisgros – Comparado a quando cheguei, a evolução é enorme. Não tinha produto nem mão-de-obra. O cliente tomava vinho da garrafa azul, o Liebfraumilch. Hoje temos escolas de gastronomia e produtos que estão entre os melhores do mundo: as ostras de Santa Catarina e um foie gras superior ao francês.

Folha – A valorização dos produtos brasileiros por parte dos chefs é recente. Ao que atribui isso?

Troisgros – Fui um dos primeiros a fazer isso. Hoje diria que esta é a minha marca, mas tive momentos difíceis. Fazia um pato com quiabo, e o cliente dizia: ‘Quero o pato; o quiabo, não’. Muitas vezes, incorporava esses produtos no ‘menu confiance’, e as pessoas comiam sem saber e adoravam. A culinária brasileira está começando a ser exportada.

Folha – Quando começou a apresentar o ‘Menu Confiança’, imaginava que faria tanto sucesso?

Troisgros – Não imaginava. [No começo] a preocupação era exatamente o meu sotaque. Me disseram que eu teria de fazer umas aulas de dicção, de português. Eu falei: ‘Olha, tenho 48 anos e essa não é a minha preocupação. Por que não botam uma bolha? Por que não me traduzem?’. Virou um casamento perfeito. Primeiro entre a comida e o vinho; segundo entre eu e o Renato [Machado]. Somos opostos. Ele é aquele cara sério, galã, que fala bem. Eu não estou nem aí, me divirto com a câmera e tudo que sai, sai.

Folha – O que mudou depois que começou a apresentar o programa? Como lida com o assédio?

Troisgros – As pessoas me param na rua, vêm ao restaurante tirar foto. Outro dia eu estava tomando uma cerveja no bar da esquina, e um homem da mesa ao lado me deu o celular e falou: ‘É a minha mulher, uma fã do senhor, é o aniversário dela. Eu falei: ‘Alô’. E a mulher do outro lado fez um escândalo. Depois, fui à churrascaria e um senhor não parava de me olhar. Quando fui embora, passei e disse boa tarde. Ele virou: ‘Você não é Cláude Tróisgrô?’ [risos]’

Nina Horta

Público é apresentado a papai Troisgros

‘Claude Troisgros vai a Portugal, animadíssimo, descobrir os queijos, o pastel de Belém, os vinhos.

E a câmera anda pelas ruelas estreitas, lambendo os clichês de Lisboa, e chega à Tasquinha da Adelaide. Adelaide vai cozinhar o bacalhau espirituoso -receita dela, é claro, porque o bacalhau espiritual é tradição portuguesa.

Nada de receitas em miligramas e cronometradas, Adelaide cozinha ‘au pif’, como dizem os franceses, pelo jeitão, pelo cheiro, e cada um que monte as suas como lhe aprouver.

A cozinha é pequena, mal cabe Adelaide; Troisgros quer ajudar e só estorva. Uma panela, bastante azeite que lhe cubra o fundo (e o azeite é da quinta da tia), refoga-se nele a cebola, o alho e a cenoura ralada. Junta-se o bacalhau cozido e desfiado e uma colher de mostarda, pois, pois, será esse o segredinho de Adelaide, pois, pois. Já na fôrma, cobre-se com pão dormido encharcado em leite ou água quente, um farto molho branco feito com cuidado e parmesão ralado. Ao forno, por um quarto d’hora. Gratinado, o bacalhau espirituoso vai ser servido… surpresa!!! Servido ao papai Troisgros. Ao famoso pai de Claude, aquele que jamais entendeu como o filho poderia largar a França e se tornar brrrasileirrro!!! E agora, ainda levemente intrigado, é apresentado na TV pelo filho pródigo. Ai, que dá voltas este mundo!

Renato Machado (o dos vinhos) está bem, natural, simples como o Alentejo, o seco Alentejo que surpreende com seus tintos rústicos, de uvas regionais que não se repetem nos outros países do mundo. Nomezitos simpáticos: trincadeira, tinta roriz, antão vaz, alfrocheiro, uvas que se beneficiam com muito sol e pouca chuva, ali, onde se vai chegando ao Mediterrâneo e já se sente o cheiro d’África. Segundo Troisgros, são vinhos que ‘entram de sola’ e combinam divinamente com as pessoas, com a comida. Vão bem com o bacalhau da Tasca… ‘apesar do alho, apesar do alho’, escutamos o mudo suspiro resignado do Renato…’

Marcelo Bartolomei

Barcellos testa formato no ‘Fantástico’

‘Como o olhar de cada repórter pode influenciar na maneira de contar uma história na TV? A partir de hoje, o jornalista Caco Barcellos tenta responder à pergunta com um novo quadro no ‘Fantástico’, o ‘Profissão Repórter’, que mostrará o comportamento de oito jovens recém-formados na profissão e suas diferentes visões diante de um mesmo fato durante a produção de uma reportagem para televisão.

Não é um ‘reality show’, mas uma nova forma de apresentar uma reportagem, diz Barcellos. ‘É uma idéia antiga. Serão mostradas pautas que permitam simultaneidade e olhares diferentes’, diz. ‘Mas a estrela é a reportagem, não o repórter.’

A fórmula para a experimentação ainda está em fase de testes. Na semana passada, foi exibido um especial sobre o trânsito caótico de São Paulo no ‘Globo Repórter’. Anteontem, uma semana depois, a equipe do programa -dirigido por Marcel Souto Maior- ainda estava na ilha de edição em busca de um melhor formato, em 15 minutos.

‘Esperamos que o público se identifique com eles e acompanhe a dinâmica do trabalho do repórter, pois passamos por desafios, dúvidas e conflitos éticos e pessoais. Normalmente, na TV, a gente esconde isso’, afirma o jornalista.

A idéia é mostrar que quem apresenta a notícia também está sujeito a ela, com uma carga de emoção e sua vivência social ou cultural.

Durante as gravações do quadro em São Paulo, por exemplo, aconteceu um imprevisto, que será mostrado em um dos programas. Durante uma reintegração de posse no Centro, uma repórter da equipe se desesperou ao saber que a polícia entraria no prédio mesmo com cerca de 15 crianças no local.

‘Não sei se posso ter a pretensão de dizer que é um novo caminho para o jornalismo, que não é essa coisa tão pura, pois não somos donos da verdade e o nosso olhar acaba influenciando a notícia que a gente conta.’

Os repórteres que estarão ao lado de Barcellos são Felipe Gutierrez, William Santos, Caio Cavechini, Nádia Bochi, Júlia Bandeira, Ana Paula Santos, Nathalia Fernandes e Juliana Maciel, todos com 25 anos de idade, em média, e experiência diante das câmeras.

Profissão Repórter

Quando: estréia hoje, durante o ‘Fantástico’ (20h30), na Globo’

Ricardo Bonalume Neto

Produção estréia hoje no canal Telecine Premium

‘Com estréia hoje no Brasil, ‘Sleeper Cell’ mostra mais uma vez como o cinema e a televisão dos EUA parecem estar adiante da realidade. A série trata de terrorismo; outra anterior, também no Telecine, ‘Over There’, mostrava soldados em ação no Iraque.

A história gira em torno de um ex-presidiário muçulmano (o ator Michael Ealy) que é agente duplo, infiltrado numa célula terrorista em Los Angeles. O nome da série -literalmente, ‘célula dormente’- costumava ser empregado no mundo da espionagem para designar um agente infiltrado no inimigo, mas quieto, sem operar -até o momento que deixa de ser dormente e se torna ativo, passando informações.

Um dos problemas da espionagem americana -pode-se dizer mesmo da espionagem ocidental, com a possível exceção de Israel-, é a falta de atenção à ‘humint’ e um excesso de interesse na ‘elint’. Traduzindo: ‘inteligência humana’, aquela coletada por espiões de carne e osso; e ‘inteligência eletrônica’, obtida por sensores, de escuta telefônica a satélites de reconhecimento.

Na atual guerra com o terrorismo, o Ocidente se vê às voltas com bom número de seguidores do profeta Maomé. Parte significativa deles mora em lugares como o Paquistão, o Sudão e o Afeganistão, onde um agente americano jamais vai querer morar.

Colocar uma ‘sleeper cell’ nesses lugares significaria condenar um sujeito a uma vida difícil. Mesmo um muçulmano-americano relutaria em ir morar numa vila afegã. O ‘célula’ da série tem sorte, pois terroristas também se aproveitam e parasitam comunidades islâmicas no Ocidente -um perigo potencial mais imediato. O primeiro episódio mostra um dos temas recorrentes dos filmes/livros de espionagem -quem é quem? quem está de fato do meu lado?

A série teve uma primeira temporada de dez episódios e conseguiu chegar a uma segunda, com mais oito. Já é um desempenho melhor do que o de ‘Over There’, que deve ter assustado demais os espectadores pelo realismo.

Sleeper Cell

Quando: hoje, às 13h, no Telecine Premium’



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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 6 E 7/05

Folha de S. Paulo

09/05/2006 na edição 380

CASO NOSSA CAIXA
Frederico Vasconcelos

Agência alertou Nossa Caixa sobre o fim de contrato publicitário

‘A Nossa Caixa foi alertada previamente em 2003 pela Full Jazz sobre o vencimento do contrato com aquela agência de publicidade. O banco confirmou o interesse na prorrogação, mas manteve os serviços, durante 22 meses, sem amparo legal: não renovou o contrato nem fez nova licitação.

‘Em nenhum momento a Full Jazz cometeu qualquer ato ilegal’, afirma Maria Christina de Carvalho Pinto, presidente da agência, em entrevista concedida à Folha.

Em junho de 2003, dois meses antes do vencimento do contrato, ela pediu que o banco confirmasse, ‘por escrito’, o interesse na continuidade do relacionamento na área de publicidade e marketing. Dez dias depois, o então gerente de marketing, Jaime de Castro Júnior, manifestou, em ofício, a ‘intenção na prorrogação’: ‘Essa agência será comunicada posteriormente sobre o valor do contrato, prazo de vigência da prorrogação e assinatura do referido contrato’, disse o gerente.

A promessa não foi cumprida. O contrato venceu em setembro de 2003. O banco seguiu encomendando serviços à Full Jazz até junho de 2005. E fez pagamentos até setembro do ano passado num total de R$ 27,2 milhões.

Christina entregou a carta ao então presidente Valdery Frota de Albuquerque, na presença de Waldin Rosa de Lima, chefe-de-gabinete da presidência sem qualquer vínculo formal com o banco. ‘A partir daí, cabia à agência aguardar. O sr. Jaime [de Castro Júnior] não gostava de ser pressionado sobre esse assunto’, diz.

Pelo contrato, os serviços eram prestados de acordo com ‘orientação, determinação, pedidos e controle’ do departamento de marketing’, seguindo as diretrizes do sistema de comunicação do governo do Estado. ‘Nada acontecia sem a autorização específica do sr. Jaime’, diz Christina.

As relações entre a Full Jazz e Castro Júnior, demitido em dezembro de 2005, eram no mínimo contraditórias, a julgar pelas opiniões do ex-gerente. Num catálogo do setor, Castro Júnior atestou, em 2004, sua surpresa com ‘o profissionalismo e a competência’ da agência. Um ano depois, reclamou à comissão de sindicância do ‘péssimo atendimento’ prestado pelas áreas de redação e criação da Full Jazz.

Avaliações divergentes

Christina discorda do julgamento da 1ª câmara do Tribunal de Contas do Estado, que considerou ‘irregularidade grave o pagamento por serviços prestados sem cobertura contratual’. Para o TCE, a Full Jazz e a Colucci -que também atendeu a Nossa Caixa no mesmo período- ‘tinham plena ciência da existência da irregularidade e continuaram prestando os serviços por dois anos, sem se preocupar em requerer a regularização da situação’.

‘Eu não era obrigada a mandar a carta’, diz Christina. Advogados consultados pela agência dizem que a Full Jazz ‘fez mais do que o contrato pedia’. Para ela, o TCE cometeu ‘um erro de leitura’, ao julgar que os honorários da agência ‘variaram em até 18,75%, enquanto o contrato especificou honorários na base de 10%’.

‘O tribunal considerou a remuneração da agência sobre o valor líquido pago aos veículos, quando, na verdade, toda a remuneração se faz sobre o valor bruto contratado’, explica a publicitária.

O contrato prevê que a remuneração da agência na veiculação é de 15% (é de 10% sobre serviços de produção). A Full Jazz acredita que o tribunal calculou a remuneração a partir de nota em que já havia sido calculado o desconto concedido pelos veículos às agências (de 20%, dos quais a Full Jazz repassava 5% ao banco).

‘A Full Jazz seguiu de maneira rigorosa o contrato e teve receita média em torno de 10%’, diz. A remuneração seria muito maior, segundo ela, se o banco não concentrasse grande volume nos serviços de terceiros, sobre os quais a agência recebia só 1% de honorários. ‘Não é praxe um volume tão gigantesco nessas atividades, com grande lucro para a Nossa Caixa e grande prejuízo para nós.’’



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Full Jazz diz que vantagem à base aliada era ‘mínima’

‘A presidente da Full Jazz diz que era ‘mínima’ a veiculação de anúncios da Nossa Caixa para atender a interesses políticos dos tucanos. Em 26 de março a Folha revelou que o governo Geraldo Alckmin direcionou recursos do banco para patrocínio de eventos e anúncios em veículos indicados ou mantidos por deputados aliados.

A reportagem mostrou exemplos desses pedidos -os chamados ‘lixões’, como eram tratadas essas veiculações autorizadas na troca de e-mails entre a agência Contexto, que atendia a Casa Civil, e a Nossa Caixa. O esquema era coordenado pelo assessor de comunicação de Alckmin, Roger Ferreira, exonerado, a pedido, um dia depois da publicação.

‘Se o cliente quer mexer no plano de mídia, a agência não tem poder para recusar. A Full Jazz jamais criou qualquer estratégia ou plano de mídia que não fosse exclusivamente técnico’, afirma a presidente da agência.

Em alguns casos, segundo ela, o plano de mídia já vinha pronto. Como exemplo, cita e-mail de sua gerente de mídia, Sylvia Edith, a Castro Júnior, questionando o plano revisado pela Contexto. Edith critica as ‘verbas altas’ e programações que ‘nada [tinham] a ver com o banco’ e não haviam sido propostas pela Full Jazz.

O único plano de mídia recomendado pela Full Jazz à Nossa Caixa foi para a revista ‘Primeira Leitura’. ‘Foi uma injustiça ela ter sido envolvida no ‘lixão’. A Nossa Caixa queria publicar anúncios em veículos formadores de opinião. E a Full Jazz considera que a revista é lida por formadores de opinião’, diz.

Christina diz que a contratação de Ferreira como assessor de imprensa da Nossa Caixa, por meio da Full Jazz, deveu-se a uma indicação do então presidente do banco Valdery Frota de Albuquerque. ‘Ele indicou porque tinha trabalhado com o jornalista, e disse que ele havia prestado ‘grande serviço à Caixa Econômica Federal’.

Ela minimiza o papel de Ferreira na assessoria do banco, contrariando afirmações de Castro Júnior. Em depoimento, ele disse que Ferreira pediu anúncios e patrocínios aprovados pela presidência do banco sem qualquer interferência da gerência de marketing.

A publicitária diz que a contratação foi feita para cumprir cláusula contratual, e que não houve irregularidade. O contrato com o banco foi firmado em março de 2002, e Ferreira só viria a ser contratado em abril de 2003. O assessor deixou o banco em novembro do mesmo ano, sendo substituído pela jornalista Shirley Emerick, que repetiu o mesmo esquema da Full Jazz.’



OMBUDSMAN REUNIDOS
Folha de S. Paulo

Conferência anual de ombudsmans começa hoje em SP

‘Será aberta hoje, em São Paulo, a 26ª Conferência Anual da ONO (Organização de Ombudsmans de Notícias, na sigla em inglês). O evento é organizado pela Folha e por seu ombudsman, Marcelo Beraba, e deverá contar com 42 participantes de 14 países, entre ombudsmans e palestrantes.

Trata-se da primeira vez que a ONO promove sua conferência anual fora de uma cidade européia ou norte-americana. O encontro se dará nas dependências da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), mas, a exemplo de encontros anteriores, será fechado ao público.

Nos dias 10 e 11, o jornal promove ainda o Fórum Folha de Jornalismo, também no auditório da sede da Fecomércio, aberto a interessados que tenham se inscrito previamente.

As últimas conferências da ONO, hoje presidida pelo britânico Ian Mayes, ombudsman do jornal ‘The Guardian’, foram realizadas em Londres, Saint Petesburg (cidade americana do Estado da Flórida), Istambul, Salt Lake City, Paris e Montreal.

Para o ombudsman da Folha, ‘o encontro anual é um momento de reflexão maior sobre a qualidade do trabalho jornalístico e para a troca de experiências’.

Na conferência, que começa hoje, às 19h, os ombudsmans farão um balanço sobre a imprensa na América Latina e discutirão questionamentos recentes à atuação da imprensa e ameaças à credibilidade dos jornais.

Origem

A Folha foi o primeiro jornal brasileiro a contratar um ombudsman, o que aconteceu em 1989. A palavra ombudsman é de origem sueca. No início do século 19, mais precisamente em 1807, passou a designar um funcionário nomeado para receber as queixas dos cidadãos contra o governo e os serviços públicos da Suécia.

O atual modelo de funcionamento do ombudsman na mídia surgiu em 1967, nos Estados Unidos, num jornal de Louisville, Estado de Kentucky. Por esse modelo, também adotado pela Folha, o ombudsman tem total independência para criticar o jornal, a emissora ou o site que o contratou. Ele não pode sofrer nenhum constrangimento da empresa para levar a bom termo sua tarefa.

Antes da experiência americana de 1967, no entanto, já se registravam outros mecanismos para a coleta de queixas de leitores que se sentiam atingidos por informações publicadas.

Foi o caso, por exemplo, do jornal japonês ‘Asahi Shimbun’, de Tóquio, que criou, em 1922, uma comissão para canalizar queixas de leitores, apurar se elas eram procedentes e corrigir notícias.

Alguns anos antes, na Suécia, começou a funcionar o Conselho Sueco de Imprensa. Isso aconteceu em 1916. A instituição contava com um ombudsman encarregado de receber protestos relativos a informações publicadas pela mídia impressa daquele país.’



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Mídia venezuelana tenta superar crise de credibilidade pós-Chávez

‘Os jornais venezuelanos se recuperam lentamente de uma séria crise de credibilidade. Em 1998, com a eleição de Hugo Chávez, a mídia se converteu em ator político, ocupando o vazio deixado pela desestruturação dos partidos.

O diagnóstico é de Boris Muñoz, ex-chefe de redação da revista ‘Nueva’, ex-correspondente em Nova York do ‘El Nacional’, de Caracas, e atualmente professor da Universidade Central da Venezuela. Muñoz fará uma palestra sobre a dificuldade de fazer jornalismo numa guerra midiática no Fórum Folha de Jornalismo, que acontece nos dias 10 e 11.

Os primeiros ataques verbais na guerra midiática partiram de Chávez, diz Muñoz. Ele quis atingir os grupos econômicos aos quais os grandes jornais estavam ligados. Estes, por sua vez, se partidarizaram ao extremo e passaram a atacar o governo como se fossem um simples apêndice da oposição. O confronto atingiu o clímax entre 2002, ano da frustrada tentativa de golpe contra Chávez, e o plebiscito de 2004, que o manteve no poder. Chávez não abandonou a forma agressiva pela qual se refere a alguns jornais e jornalistas. Seu estilo, que privilegia o confronto, é uma das fontes de sua elevada popularidade.

Os jornais sofreram prejuízos em sua imagem e na circulação, o que reflete uma crise de credibilidade, avalia Muñoz. Tentam agora atuar com um perfil mais profissional, menos engajado, mas nem sempre o conseguem.

‘El Nacional’ e ‘El Universal’ fizeram oposição ao presidente. Outro grande jornal venezuelano, o ‘Últimas Notícias’, manteve-se eqüidistante, mas em posição sutilmente favorável ao presidente.

Muñoz diz que ‘El Nacional’, lido basicamente pela classe média, perdeu muitos leitores, que migraram para o ‘Últimas Notícias’. ‘El Universal’, voltado para a classe média alta, também teve queda de circulação, mas menor. Para tentar superar a crise e recuperar seus leitores, ‘El Nacional’ optou pela despolitização e privilegia reportagens e textos de primeira página em que a política está bem pouco presente: ‘É um erro, porque uma coisa é se despartidarizar, e outra, se despolitizar’.

Num balanço provisório da guerra, Muñoz crê que os dois lados cometeram erros numerosos e graves. Os jornais, por terem abandonado seu papel de informar a sociedade; Chávez, por eleger a mídia como alvo de ataques.’



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Vagas para o Fórum Folha já estão esgotadas

‘O Fórum Folha de Jornalismo, evento com o qual o jornal lembra seus 85 anos de fundação, será aberto na próxima quarta-feira com lotação já esgotada. Cada um de seus quatro painéis estava aberto a 500 interessados, que se inscreveram gratuitamente. As últimas vagas foram reservadas na sexta-feira.

O encontro reunirá especialistas estrangeiros da mídia norte-americana, britânica, argentina e venezuelana, entre outros.

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, abre o Fórum. O primeiro painel, no dia 10, terá como tema ‘Transparência e Qualidade Jornalística’. O segundo, no mesmo dia, abordará ‘Poder e Jornalismo na América Latina’.

A terceira mesa, no dia 11, discutirá ‘Jornalismo e Democracia’. O quarto e último painel, também na quinta-feira, terá como tema ‘Os Limites da Reportagem’.

O Fórum estará reunido no auditório da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, região central de São Paulo.’



TELEVISÃO
Elvira Lobato e Daniel Castro

Governo libera concessão de TV negada a Gugu sob FHC

‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, assinou, na última quarta-feira, um contrato de concessão de canal de TV em Cuiabá para a empresa Pantanal Som e Imagem, que, oficialmente, pertenceu a Gugu Liberato até o dia 23 de março. Segundo advogados, o ato do ministro é irregular, porque a composição societária que consta do contrato de concessão é diferente daquela que foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Em outubro de 2002, uma semana antes do segundo turno da eleição presidencial, o então ministro das Comunicações, Juarez Quadros do Nascimento, havia cancelado a concessão para o mesmo canal de TV que foi outorgado a Liberato, que fazia propaganda partidária para o PSDB.

Para Juarez Quadros, o contrato agora assinado por Hélio Costa contém o mesmo vício que levou à anulação da concessão concedida a Gugu Liberato em 2002.

O ‘Diário Oficial da União’ de quinta-feira traz o extrato do contrato assinado por Hélio Costa e pela sócia representante da Pantanal, Vera Lúcia Fanaia Klauk. Segundo a Junta Comercial de Mato Grosso, Antonio Augusto Moraes Liberato e a irmã dele, Aparecida Liberato Caetano, venderam 98% das cotas da Pantanal para Vera Klauk e os 2% restantes para Mauro Uchaki, em 23 de março.

Advogados ouvidos pela Folha afirmam que Vera Klauk não poderia, legalmente, ter assumido o controle da Pantanal Som e Imagem. A empresa foi criada em 1997 em nome de Irinéia Moraes da Silva e de Mauro Uchaki, cada um com 50% das cotas.

‘A concessão de radiodifusão é ‘intuito personae’, ou seja, é dada em caráter personalíssimo. No caso, só poderia ser outorgada para as pessoas que foram habilitadas na licitação’, diz o advogado de radiodifusão Fernando Perazzo.

Sócios originais

A Pantanal venceu a licitação tendo sido habilitados os dois sócios originais, que, segundo a Folha apurou, eram empregados de Vera Klauk, na ocasião. Ela se propôs a pagar R$ 1 milhão ao governo federal pela concessão, valor que, atualizado, corresponde a cerca de R$ 2,5 milhões.

O processo de outorga para a Pantanal foi aprovado pelo Congresso Nacional (a Constituição determina que as outorgas de rádio e TV sejam aprovadas pela Câmara e pelo Senado) em nome dos sócios originais (Irinéia e Mauro Uchaki), segundo consta da edição de 21 de junho de 2002 do ‘Diário Oficial do Senado’.

Para o consultor jurídico da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), Alexandre Jobim, a concessão só poderia ter sido outorgada aos sócios aprovados pelo Legislativo. Depois de o contrato de concessão ser assinado, diz ele, é possível a venda de até 50% das cotas, mas a transferência total de controle só pode ocorrer decorridos pelo menos cinco anos de funcionamento da emissora.

Ocorre que a empresa mudou de mãos duas vezes após o início da licitação. Em agosto de 98, Vera Lúcia Klauk assumiu as ações que pertenciam a Irinéia Moraes da Silva, bem como a quase totalidade das que estavam em nome de Mauro Uchaki, que ficou com 2%. Aposentado, ele vive com a mãe em Sorocaba (São Paulo).

Em dezembro de 2001, Liberato e a irmã, Aparecida Liberato Caetano, compraram todas as cotas da empresa e registraram o negócio na Junta Comercial de Mato Grosso. Na ocasião, um funcionário da delegacia do Ministério das Comunicações forneceu um atestado a Gugu autorizando a transferência da empresa para seu nome, o que mais tarde se comprovou ilegal. Hoje, a assessoria jurídica de Hélio Costa diz que Liberato agiu de boa fé.

Liberato tentou reverter a anulação da concessão na Justiça. Perdeu a causa no STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas ainda tentava um recurso final no STF (Supremo Tribunal Federal).

Hélio Costa autorizou Gugu Liberato a cancelar a compra da Pantanal, que tinha sido registrada na Junta Comercial de Mato Grosso, em 2001. No dia 23 de março, um ofício assinado por Costa chegou às mãos dos advogados de Liberato, em São Paulo.

No ofício, ao qual a Folha teve acesso, ele prometeu que, se a empresa tomasse as providências que havia aprovado, poderia assinar um novo contrato de concessão. No mesmo dia em que o ministro assinou o ofício, Liberato registrou a venda das ações para a antiga sócia na Junta Comercial. No dia 28 de abril, a Pantanal entrou com pedido de desistência da ação iniciada por Gugu Liberato no STF.

Elvis Klauk, marido e procurador de Vera Klauk, afirmou à Folha que cogita alugar o prédio e os equipamentos da emissora que Gugu Liberato montou em Cuiabá. Questionado sobre se a mulher dele teria recursos para pagar o valor da concessão ao governo, disse que a família tem outros negócios e que buscará obter empréstimos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

De acordo com Klauk, Liberato ‘desanimou-se da TV’ e, por causa disso, vendeu a empresa.’

Daniel Castro

Ministério diz que não há ilegalidade em contrato

‘O Ministério das Comunicações nega haver ilegalidade no contrato, assinado na última quarta-feira, que tenta regularizar administrativamente a concessão de um canal de TV em Cuiabá, comprado em 2001 pelo apresentador Gugu Liberato antes mesmo de a emissora entrar no ar.

Para assinar o contrato, o ministro Hélio Costa se baseou em parecer de sua consultoria jurídica, datado de 22 de março. O parecer recomenda alteração no contrato social da empresa Pantanal Som e Imagem, vencedora da licitação pelo canal. Na alteração, efetivada um dia depois, Liberato deixou a sociedade, que voltou para os sócios anteriores à sua entrada Vera Lúcia Klauk e Mauro Uchaki. O parecer informa que essa solução foi sugestão da própria Pantanal.

Para a consultoria jurídica, a Pantanal ‘agiu de boa-fé’, porque a compra irregular da empresa por Liberato se deu por documento registrado em Junta Comercial, e não por ‘contratos de gaveta, com o intuito de burlar a legislação’. Além disso, a venda da empresa para Liberato foi informada ao Ministério das Comunicações, o que a consultoria vê como ato de transparência.

O parecer observa ainda que o ministério anulou em 2002 apenas o contrato de concessão de Gugu Liberato -’e não a concessão propriamente dita’.

Responsável pelo parecer e chefe da consultoria jurídica do ministério, Marcelo Bechara contesta a versão de especialistas em radiodifusão de que a transferência da Pantanal para Vera Lúcia é irregular, porque eles não são os donos originais da empresa e não constam do decreto legislativo que aprovou a concessão.

Bechara afirma que a legislação não impede a transferência de futuras empresas de TV antes da homologação da concorrência, que é o ato do ministério que declara o vencedor da disputa.

‘Essa alteração [entrada de Vera Lúcia Klauk no lugar de Irinéia Moraes, que, com Mauro Uchaki, era proprietária original] foi feita antes da homologação. Se a alteração foi feita em 1998 e o decreto legislativo só saiu em 2002, eles [Vera Lúcia e Uchaki) são sócios legítimos’, diz Bechara, que se ampara em um outro parecer jurídico, de 1999, que fundamenta essa possibilidade.

‘O que não pode é haver alteração societária depois da homologação e antes de cinco anos de operação, como foi o caso de Gugu Liberato’, completa.

Bechara também contesta o argumento de que contrato de concessão só deveria ser assinado por Irinéia Moraes e Mauro Uchaki, que constam como donos da Pantanal no decreto legislativo. ‘O decreto legislativo outorga a concessão para a empresa, não para os sócios’, afirma.

Liberato

Por força de uma decisão judicial, a Pantanal Som e Imagem está no ar há dois anos, transmitindo apenas uma barra de cores. Inicialmente, seu transmissor foi instalado em um contêiner no pátio da afiliada da Record em Mato Grosso. Enquanto isso, Gugu Liberato comprou um terreno, construiu uma torre e uma sede próprias. São dessas instalações que a Pantanal irradia seu sinal experimental atualmente.

Procurado pela Folha, por e-mail, Liberato se limitou a dizer que já havia sido informado de que o ministério ia ‘assinar com os vencedores da licitação’. ‘Não sei ainda como ficará minha situação’, disse.’



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Surita, do ‘Pânico’, vira parceiro da Record

‘Apresentador do ‘Pânico na TV’, um dos pilares da Rede TV!, Emílio Surita está se tornando parceiro da concorrente Record em Roraima, onde vive sua família _sua irmã, Tereza Jucá, mulher do senador Romero Jucá, é prefeita da capital, Boa Vista.

Surita negocia a compra definitiva da TV Imperial, afiliada da Record em Boa Vista. A emissora ainda está no nome do antigo dono, mas Surita já nomeou um advogado para administrá-la e levantar suas dívidas e patrimônio.

‘Meu advogado está cuidando do negócio, mas ainda não sei se vou investir. A TV tem muito rolo, deve até água’, diz Surita.

Nos bastidores políticos de Roraima, Surita já é visto como novo dono da TV Imperial. Adversários de Romero Jucá temem que a emissora passe a usar programação local para atacá-los.

A TV Imperial não é um canal de primeira categoria, uma geradora como a Rede TV! ou a Record em São Paulo. Trata-se de uma retransmissora. Mas como está localizada na região amazônica, tem status de geradora e pode exibir parcialmente programação e publicidade locais.

Surita ainda faz mistério sobre o retorno de Sabrina Sato _ela foi afastada do ‘Pânico’ porque seu quadro foi responsável pela reclassificação do programa para as 20h. ‘Estamos bolando um novo quadro para ela’, diz.

OUTRO CANAL

Cabo de guerra Respectivamente autor e diretor de ‘Cidadão Brasileiro’, Lauro César Muniz e Flávio Colatrello não estão se entendendo sobre como envelhecer os personagens da novela da Record, que se passa em 40 anos. Muniz defende o uso de maquiagem. Já Colatrello quer trocar atores jovens por mais velhos.

Priscila O seriado ‘Carga Pesada’ volta à programação da Globo no próximo dia 2 _e fica no ar até 11 de agosto. Em um dos 11 episódios, intitulado ‘Reencontro às Cegas’, Pedro (Antônio Fagundes) irá pegar carona em um ônibus lotado de ‘drag queens’ _entre elas estará a quase-celebridade Isabelita dos Patins.

Refrigerante A Pepsi também resolveu investir em ‘reality shows’ para se promover. A partir de amanhã, exibirá na Record, como quadro do ‘Debate Bola’, o ‘Desafio Mundial Pepsi’, uma competição entre 22 jovens jogadores de 11 países, incluindo o Brasil. Os prêmios vão de jantar com o craque Roberto Carlos a US$ 100 mil (para os vencedores finais) em dinheiro, passando por sessões de compras em lojas como a Dolce & Gabbana.

Cerveja Estréia amanhã na Band (dentro do ‘Apito Final’) o ‘Bier Papo’, série de quatro programetes sobre a Copa gravados em Berlim. No quadro, Luciano do Valle e Reali Jr. percorrem a cidade e falam de aspectos curiosos e históricos.’

Janaina Fidalgo

‘Não estou nem aí, me divirto com a câmera’

‘Tudo começou como uma viagem com data de retorno marcada para dali dois anos. Vinte e sete anos se passaram, e Claude Troisgros, 50, um dos chefs mais relevantes do Brasil, nem pensa em morar novamente na França.

De Roanne, onde nasceu, trouxe a tradição gastronômica familiar, hoje na quarta geração de chefs. Mas foi no Brasil que Claude, distante da sombra do pai, o premiado Pierre Troisgros, se estabeleceu. Além do restaurante Olympe, acaba de abrir o 66 Bistrô (ambos no Rio), está prestes a lançar uma linha de molhos e estréia amanhã série sobre Portugal dentro do seu bem-sucedido programa, o ‘Menu Confiança’, exibido pelo GNT (leia texto abaixo). Na viagem ao país europeu, tenta desvendar os segredos do pastel de Belém e de outras iguarias.

Uma das maiores audiências do canal, o programa tem entre seus trunfos a descontração com que Troisgros ensina o preparo dos pratos e dispara seu ainda carregado sotaque, simbolizado pelo bordão ‘Marrrravilha’.

Em entrevista à Folha, falou sobre sua trajetória no Brasil, o início na TV e de como os jovens chefs têm condicionado o êxito profissional à criação a qualquer custo. ‘Os chefs em começo de carreira estão muito aflitos com a criatividade’, afirma. ‘A primeira coisa que querem é ser um Ferran Adrià, um Alain Ducasse. O Adrià realmente criou novas técnicas, mas hoje está sendo tão copiado que corre o risco de se banalizar.’ No sentido contrário, defende a retomada de uma cozinha mais tradicional, em que ‘se sinta o que está comendo de verdade’.

Folha – Você pertence à terceira geração de uma família ligada à gastronomia. Daria para ter escolhido outra profissão?

Claude Troisgros – Queria ser jornalista gastronômico. [risos]. Nasci em 1956 e, nesta época, morávamos na casa de Roanne, onde ainda existe o restaurante, todos juntos: meu avô, minha avó, minha tia, meu pai, Pierre, meu tio Jean, as mulheres e os filhos dos dois e mais quatro cachorros.

Nós, crianças, brincávamos na cozinha o tempo inteiro, com os cozinheiros, as facas, as lebres, os produtos. Todos viraram cozinheiros ou algo ligado à profissão.

Folha – Que lembranças você traz deste universo gastronômico?

Troisgros – Víamos os produtos chegarem ao hotel. Há 40 anos, comprávamos [os ingredientes] direto do caçador, do pescador. O caçador chegava com a lebre e a deixava pendurada. Ficava meio apodrecendo por quase uma semana, aí tirava a barriga, era um fedor. Falo disso e sinto o cheiro, um cheiro forte. Para ter uma idéia do quão forte era a nossa situação gastronômica, eu assinei um contrato de brincadeira com o chef Paul Bocuse aos seis anos. E realmente foi o primeiro restaurante onde trabalhei.

Folha – Por pertencer a uma família de chefs e ser filho do Pierre Troisgros, você se sente cobrado?

Troisgros – É difícil fazer um caminho, criar seu próprio nome. Vi meu pai sofrer com isso também porque ele era o filho do Jean-Baptiste. Sofri com isso. De repente, pode ser uma das razões pelas quais eu vim parar no Brasil, para fugir desta responsabilidade, ou para criar meu caminho.

Folha – A história se repetiu e, como você, seu filho adotou a profissão do pai. Como lida com isso?

Troisgros – Tento ser bastante cool. Ele não tem que sentir a pressão do pai. O fato de ele estar no 66 Bistrô é muito bom porque ele primeiro vai se fortalecer numa coisa que é muito mais tradicional. Depois pode fazer uma cozinha mais evolutiva, ou fusion.

Folha – O que há com a fusion?

Troisgros – É o chef o problema. A fusion teve um momento muito bom, um chef de alta capacidade, como o Norman Van Aken. Tem uns outros que copiaram e começaram a achar que fusion era misturar qualquer coisa. E não é.

Folha – Quando veio para cá, imaginou que ficaria tanto tempo?

Troisgros – Vim para ficar dois anos. Me apaixonei não só pela minha mulher mas também pelo Rio. Eu e o Laurent Suaudeau começamos a criar, sem saber, uma culinária franco-brasileira, usando produtos da estação, frescos. Incorporamos esses produtos à técnica francesa meio sem saber o por quê. Fazíamos porque precisávamos de um produto fresco.

Folha – Quase 27 depois, como é sua visão da gastronomia do país?

Troisgros – Comparado a quando cheguei, a evolução é enorme. Não tinha produto nem mão-de-obra. O cliente tomava vinho da garrafa azul, o Liebfraumilch. Hoje temos escolas de gastronomia e produtos que estão entre os melhores do mundo: as ostras de Santa Catarina e um foie gras superior ao francês.

Folha – A valorização dos produtos brasileiros por parte dos chefs é recente. Ao que atribui isso?

Troisgros – Fui um dos primeiros a fazer isso. Hoje diria que esta é a minha marca, mas tive momentos difíceis. Fazia um pato com quiabo, e o cliente dizia: ‘Quero o pato; o quiabo, não’. Muitas vezes, incorporava esses produtos no ‘menu confiance’, e as pessoas comiam sem saber e adoravam. A culinária brasileira está começando a ser exportada.

Folha – Quando começou a apresentar o ‘Menu Confiança’, imaginava que faria tanto sucesso?

Troisgros – Não imaginava. [No começo] a preocupação era exatamente o meu sotaque. Me disseram que eu teria de fazer umas aulas de dicção, de português. Eu falei: ‘Olha, tenho 48 anos e essa não é a minha preocupação. Por que não botam uma bolha? Por que não me traduzem?’. Virou um casamento perfeito. Primeiro entre a comida e o vinho; segundo entre eu e o Renato [Machado]. Somos opostos. Ele é aquele cara sério, galã, que fala bem. Eu não estou nem aí, me divirto com a câmera e tudo que sai, sai.

Folha – O que mudou depois que começou a apresentar o programa? Como lida com o assédio?

Troisgros – As pessoas me param na rua, vêm ao restaurante tirar foto. Outro dia eu estava tomando uma cerveja no bar da esquina, e um homem da mesa ao lado me deu o celular e falou: ‘É a minha mulher, uma fã do senhor, é o aniversário dela. Eu falei: ‘Alô’. E a mulher do outro lado fez um escândalo. Depois, fui à churrascaria e um senhor não parava de me olhar. Quando fui embora, passei e disse boa tarde. Ele virou: ‘Você não é Cláude Tróisgrô?’ [risos]’

Nina Horta

Público é apresentado a papai Troisgros

‘Claude Troisgros vai a Portugal, animadíssimo, descobrir os queijos, o pastel de Belém, os vinhos.

E a câmera anda pelas ruelas estreitas, lambendo os clichês de Lisboa, e chega à Tasquinha da Adelaide. Adelaide vai cozinhar o bacalhau espirituoso -receita dela, é claro, porque o bacalhau espiritual é tradição portuguesa.

Nada de receitas em miligramas e cronometradas, Adelaide cozinha ‘au pif’, como dizem os franceses, pelo jeitão, pelo cheiro, e cada um que monte as suas como lhe aprouver.

A cozinha é pequena, mal cabe Adelaide; Troisgros quer ajudar e só estorva. Uma panela, bastante azeite que lhe cubra o fundo (e o azeite é da quinta da tia), refoga-se nele a cebola, o alho e a cenoura ralada. Junta-se o bacalhau cozido e desfiado e uma colher de mostarda, pois, pois, será esse o segredinho de Adelaide, pois, pois. Já na fôrma, cobre-se com pão dormido encharcado em leite ou água quente, um farto molho branco feito com cuidado e parmesão ralado. Ao forno, por um quarto d’hora. Gratinado, o bacalhau espirituoso vai ser servido… surpresa!!! Servido ao papai Troisgros. Ao famoso pai de Claude, aquele que jamais entendeu como o filho poderia largar a França e se tornar brrrasileirrro!!! E agora, ainda levemente intrigado, é apresentado na TV pelo filho pródigo. Ai, que dá voltas este mundo!

Renato Machado (o dos vinhos) está bem, natural, simples como o Alentejo, o seco Alentejo que surpreende com seus tintos rústicos, de uvas regionais que não se repetem nos outros países do mundo. Nomezitos simpáticos: trincadeira, tinta roriz, antão vaz, alfrocheiro, uvas que se beneficiam com muito sol e pouca chuva, ali, onde se vai chegando ao Mediterrâneo e já se sente o cheiro d’África. Segundo Troisgros, são vinhos que ‘entram de sola’ e combinam divinamente com as pessoas, com a comida. Vão bem com o bacalhau da Tasca… ‘apesar do alho, apesar do alho’, escutamos o mudo suspiro resignado do Renato…’

Marcelo Bartolomei

Barcellos testa formato no ‘Fantástico’

‘Como o olhar de cada repórter pode influenciar na maneira de contar uma história na TV? A partir de hoje, o jornalista Caco Barcellos tenta responder à pergunta com um novo quadro no ‘Fantástico’, o ‘Profissão Repórter’, que mostrará o comportamento de oito jovens recém-formados na profissão e suas diferentes visões diante de um mesmo fato durante a produção de uma reportagem para televisão.

Não é um ‘reality show’, mas uma nova forma de apresentar uma reportagem, diz Barcellos. ‘É uma idéia antiga. Serão mostradas pautas que permitam simultaneidade e olhares diferentes’, diz. ‘Mas a estrela é a reportagem, não o repórter.’

A fórmula para a experimentação ainda está em fase de testes. Na semana passada, foi exibido um especial sobre o trânsito caótico de São Paulo no ‘Globo Repórter’. Anteontem, uma semana depois, a equipe do programa -dirigido por Marcel Souto Maior- ainda estava na ilha de edição em busca de um melhor formato, em 15 minutos.

‘Esperamos que o público se identifique com eles e acompanhe a dinâmica do trabalho do repórter, pois passamos por desafios, dúvidas e conflitos éticos e pessoais. Normalmente, na TV, a gente esconde isso’, afirma o jornalista.

A idéia é mostrar que quem apresenta a notícia também está sujeito a ela, com uma carga de emoção e sua vivência social ou cultural.

Durante as gravações do quadro em São Paulo, por exemplo, aconteceu um imprevisto, que será mostrado em um dos programas. Durante uma reintegração de posse no Centro, uma repórter da equipe se desesperou ao saber que a polícia entraria no prédio mesmo com cerca de 15 crianças no local.

‘Não sei se posso ter a pretensão de dizer que é um novo caminho para o jornalismo, que não é essa coisa tão pura, pois não somos donos da verdade e o nosso olhar acaba influenciando a notícia que a gente conta.’

Os repórteres que estarão ao lado de Barcellos são Felipe Gutierrez, William Santos, Caio Cavechini, Nádia Bochi, Júlia Bandeira, Ana Paula Santos, Nathalia Fernandes e Juliana Maciel, todos com 25 anos de idade, em média, e experiência diante das câmeras.

Profissão Repórter

Quando: estréia hoje, durante o ‘Fantástico’ (20h30), na Globo’

Ricardo Bonalume Neto

Produção estréia hoje no canal Telecine Premium

‘Com estréia hoje no Brasil, ‘Sleeper Cell’ mostra mais uma vez como o cinema e a televisão dos EUA parecem estar adiante da realidade. A série trata de terrorismo; outra anterior, também no Telecine, ‘Over There’, mostrava soldados em ação no Iraque.

A história gira em torno de um ex-presidiário muçulmano (o ator Michael Ealy) que é agente duplo, infiltrado numa célula terrorista em Los Angeles. O nome da série -literalmente, ‘célula dormente’- costumava ser empregado no mundo da espionagem para designar um agente infiltrado no inimigo, mas quieto, sem operar -até o momento que deixa de ser dormente e se torna ativo, passando informações.

Um dos problemas da espionagem americana -pode-se dizer mesmo da espionagem ocidental, com a possível exceção de Israel-, é a falta de atenção à ‘humint’ e um excesso de interesse na ‘elint’. Traduzindo: ‘inteligência humana’, aquela coletada por espiões de carne e osso; e ‘inteligência eletrônica’, obtida por sensores, de escuta telefônica a satélites de reconhecimento.

Na atual guerra com o terrorismo, o Ocidente se vê às voltas com bom número de seguidores do profeta Maomé. Parte significativa deles mora em lugares como o Paquistão, o Sudão e o Afeganistão, onde um agente americano jamais vai querer morar.

Colocar uma ‘sleeper cell’ nesses lugares significaria condenar um sujeito a uma vida difícil. Mesmo um muçulmano-americano relutaria em ir morar numa vila afegã. O ‘célula’ da série tem sorte, pois terroristas também se aproveitam e parasitam comunidades islâmicas no Ocidente -um perigo potencial mais imediato. O primeiro episódio mostra um dos temas recorrentes dos filmes/livros de espionagem -quem é quem? quem está de fato do meu lado?

A série teve uma primeira temporada de dez episódios e conseguiu chegar a uma segunda, com mais oito. Já é um desempenho melhor do que o de ‘Over There’, que deve ter assustado demais os espectadores pelo realismo.

Sleeper Cell

Quando: hoje, às 13h, no Telecine Premium’



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