Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 13 E 14/05

Folha de S. Paulo

16/05/2006 na edição 381

ELEIÇÕES 2006
Pedro Dias Leite

Nova lei eleitoral não deve valer em 2006

‘O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio de Mello, sinalizou ontem que as mudanças na lei eleitoral sancionadas nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverão valer neste ano.

O texto, aprovado pelo Congresso no final de abril, proíbe a realização de showmícios, a distribuição de camisetas e brindes e a divulgação de pesquisas nos 15 dias que antecedem a eleição. Também vedava o uso de cenas externas na propaganda na TV, mas o artigo foi vetado por Lula.

A Constituição estabelece que mudanças na legislação só podem ser feitas pelo menos um ano antes das eleições, para evitar casuísmos. Os sete juízes do TSE vão decidir, na semana que vem, se as alterações interferem na disputa.

‘O Tribunal Superior Eleitoral, na próxima semana, estará se pronunciando quanto a preceitos da nova lei aplicáveis ou não às eleições de 2006 e terá como base maior a lei fundamental, que precisa ser um pouco mais amada’, disse Marco Aurélio. ‘Está na Constituição, em bom vernáculo, que qualquer modificação normativa do processo eleitoral deve se fazer com antecedência mínima de um ano’, completou.

Sobre o fato de as medidas terem sido votadas e aprovadas neste ano pelo Congresso, ele disse: ‘Por que o Congresso não atuou com a antecedência necessária? É muito fácil jogar nas costas do TSE’.

Se valer a interpretação do presidente do TSE no julgamento do tribunal, quase nada da nova legislação vai vigorar nas eleições. Até medidas positivas, como a prestação de contas na internet, não serão obrigatórias.

‘O tribunal vai pinçar o que realmente pode ser aplicado a essas eleições’, afirmou Marco Aurélio. ‘Os elementos repercutem no processo eleitoral? Se a resposta for positiva, não teremos a observância dessas regras em 2006.’

O presidente do TSE, que já fizera duras críticas aos políticos em seu discurso de posse, defendeu que os eleitores busquem ‘novos rumos, bem escolhendo os seus representantes’.

‘Às vezes o eleitor tem a visão míope de que o voto não repercute, de não é fundamental. É fundamental o voto conscientizado quanto à boa escolha daqueles que deverão representá-lo’, disse.

Marco Aurélio, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal, disse vai buscar combater o abuso econômico e também a ‘propaganda enganosa’. ‘Como seria bom se pudéssemos aplicar às eleições o Código do Consumidor’, afirmou ontem.’



IGREJA vs. IMPRENSA
Maurício Simionato

Mídia se alinha a conservadores, critica CNBB

‘Um estudo elaborado por padres e religiosos assessores da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgado ontem durante encontro em Indaiatuba (SP) diz que a ‘grande mídia está alinhada com os setores conservadores’ e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ‘incapaz de enfrentar politicamente as antigas oligarquias’.

O texto -’Análise de Conjuntura’- tem dez páginas e foi lido na manhã de ontem no plenário da Assembléia, no qual estavam presentes cerca de 300 bispos. O documento foi elaborado a pedido da presidência da CNBB e servirá de base para que os bispos elaborem o documento final, a ser apresentado no encerramento da assembléia, na quarta-feira.

O segundo tópico aborda ‘O projeto de desenvolvimento nacional e seus oponentes’. A análise afirma que ‘o projeto ainda vigente no Brasil é herdeiro do antigo projeto colonial’.

No capítulo reservado à América Latina, os assessores dos bispos enxergam que o panorama opõe dois grupos: um que defende a ‘auto-sustentabilidade econômica da América Latina’ e, o outro, que se alinha ‘com países ricos do capitalismo, como os EUA’. Segundo a análise, a ‘grande mídia tem atacado’ as iniciativas de integração econômica e cultural latino-americana ‘insistindo que elas são inviáveis e que fortalecem lideranças populistas’.’



TELEVISÃO
Sérgio Salvia Coelho

Um Nelson Rodrigues para as massas

‘Reciclando clichês com desenvoltura modernista, Nelson Rodrigues sempre soube tirar partido de sua ambigüidade de ‘anjo pornográfico’. Aspirava ao escândalo com uma volúpia de anjo exterminador, ao reformar o teatro brasileiro com a cumplicidade de Ziembinski. Mas, ao mesmo tempo, não tinha pudor de sobreviver com os velhos truques do folhetim. De qualquer forma, seduzia o público, instigando os limites de seu conservadorismo.

Assim, em 1959, quando brigava por sua peça ‘Boca de Ouro’, era celebrado mesmo pelo folhetim ‘Asfalto Selvagem’, no qual a perversa polimorfa Engraçadinha galvanizava o Rio com incestos, estupros e mutilações. Nada que se aproximasse de Sade, a não ser pela ironia, mas essa água com açúcar levemente apimentada arcou com a fama de ser a verdadeira face obscura da alma brasileira.

A pecha de pornógrafo ofuscou sua obra de dois modos contraditórios. Primeiro, o desagradável dos temas deu pretexto à censura das peças até a década de 1960, e o pudor de palavrões inexistentes acanhou a defesa pelos intelectuais. Depois, a contracultura o celebrou pelo que tinha de mais superficial, e Engraçadinha voltou ao culto das massas pelas lentes de J.B. Tanko, em 1964 e 1966.

Com o faro de jornalista para o que vende bem, Nelson Rodrigues tem ibope garantido na Globo, herdeira dos folhetins. Não espanta que a minissérie ‘Engraçadinha’, agora relançada em DVD, ter merecido um elenco all-star, incluindo, entre outros, Cláudia Raia (em seu primeiro papel ‘dramático’) e Alessandra Negrini, revelada em teste disputado.

Como avaliar a atuação de Negrini? É espontânea, despudorada dentro dos limites seguros da Globo, mas parece arcar com uma função social da libido pública, uma Miss Brasil ao revés. Teve que carregar a marca pelo resto da carreira, enquanto que, no teatro, o anjo rodriguiano era aprofundado por Antunes Filho, Eduardo Tolentino, do Grupo Tapa, e Paulo Morais, da Cia Armazém.

Imagino que, em algum lugar do Brasil, uma atriz que não tenha passado no teste para Engraçadinha sobreviva hoje de um teatro com menos visibilidade, mas que tenta fazer sentido além do vendável. Por outro lado, acredito que muitos tenham tido contato com o nome de Nelson Rodrigues pela TV, naquilo que ele tem de menos inovador, graças à eficiência comprovada da Globo. Não importa: cada um com seu mercado. O Anjo reformador dos palcos vai muito bem, obrigado. Mas é pena que não encontre o mesmo respaldo na mídia que o pornógrafo cult das telas.

DVD ‘Engraçadinha’

Direção: Denise Saraceni

Com: Cláudia Raia, Alessandra Negrini e outros’



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