Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Folha de S. Paulo

23/05/2006 na edição 382

ELEIÇÕES 2006
Nelson de Sá

Publicitários ainda ignoram o impacto eleitoral da internet

‘Em uma coisa o publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha de Lula, e o jornalista Luiz Gonzalez, que pode fazer a de Geraldo Alckmin, concordam: a internet ainda é para poucos no Brasil, para causar maior impacto neste ano eleitoral. ‘O povão não tem acesso a computador’, diz o primeiro.

O publicitário Fernando Barros, presidente da agência baiana Propeg e que fez campanhas para FHC, José Agripino Maia e outros, até concorda com a premissa, mas avisa: ‘Os marqueteiros não caíram na real ainda. A internet vai ser fundamental. Eu estou assustado com a importância do veículo’.

Ricardo Berzoini, presidente do PT e futuro coordenador da campanha de Lula, entrega logo que o que mais assusta no novo veículo: ‘Seria importante que a Justiça Eleitoral estabelecesse limites para o marketing viral. A preocupação nem é só eleitoral. O anonimato na internet é preocupante para a sociedade como um todo’.

O publicitário Sergio Amado, presidente do grupo Ogilvy no Brasil, conhece bem a ferramenta e se alarma: ‘É cruel, cruel. É de uma violência e uma velocidade incontroláveis. Uma informação passada através de marketing viral contamina toda a rede em um dia. Nós fazemos várias ações virais para produtos aqui e sabemos qual é o resultado, do ponto de vista de imagem de marca’.

O marketing viral é uma ‘ação específica’ que, em política, trabalha quase sempre informação negativa com ‘características de propaganda, mas sem cara de propaganda’.

Dois exemplos são os vídeos em que Lula faz piada grosseira com Pelotas e José Serra diz que não vai deixar a Prefeitura de São Paulo, disseminados a partir de spams de e-mail, comunidades no Orkut, blogs e agora sites como You Tube.

Barros, da Propeg, comenta: ‘A internet pode ser letal para quem não souber responder aos ataques. Talvez a diferença de muitas vitórias e derrotas se dê aí. É terreno onde não há legislação. Um canhão na mão de um menino. Já está acontecendo incidentalmente’.

Bélgica

O sociólogo Antônio Lavareda, também cotado para a campanha de Alckmin, vai na mesma linha e é o mais empolgado com o novo meio: ‘A internet alcança uma Bélgica que constitui o motor de disseminação de opiniões na sociedade brasileira -e que se dá através da capacidade desse segmento de influenciar a agenda e os enfoques que a grande mídia, sobretudo a TV, imprimem na base. A batalha da Bélgica na internet vai definir a eleição deste ano’.

Para Lavareda, que critica ‘o farisaísmo ou a ignorância’ dos marqueteiros que espalham preceitos como quem-ataca-perde, ‘o negativo também é importante para a democracia, e a internet tem um papel especialíssimo nisso’.

Sergio Amado, que se dedica à propaganda comercial, concorda quanto ao impacto no jornalismo e avisa que ‘a internet já chegou’. Para este ano, sem horário gratuito e sem regulamentação, o efeito maior sobre a campanha vai se dar no âmbito da ‘informação instantânea’, cabendo ‘à inteligência do marketing gerar notícias’.

Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, afirma que a repercussão on-line pode realmente ser a novidade com potencial para afetar a campanha deste ano. Mas sempre ‘junto a um público restrito’, cuja capacidade de influência está em xeque: ‘O formador de opinião tem tido uma influência cada vez menor junto aos demais segmentos. A própria intenção de voto em Lula, hoje, é prova disso. Lula tem esse percentual que não tem variado muito e é baseado principalmente no segmento com nível de escolaridade e nível de renda mais baixos. Mesmo esse tem definido o seu voto baseado mais nas próprias convicções’.

Mídia segmentada

Para Márcia Cavallari, diretora-executiva do Ibope, a internet deve ser trabalhada ‘como mídia segmentada’: ‘Quer dizer, é um canal válido, mas para uma parcela ainda pequena da população. É um canal específico para atingir determinado público com mais eficiência’. E ela avisa que, ao contrário da TV, a internet ‘precisa da predisposição do cidadão de entrar em determinados sites, para ter acesso às mensagens’.

Carlos Bottesi, professor de Comunicação Virtual e Novos Espaços Políticos da ECA-USP, diz que nesse fragmentado ambiente on-line ‘o marketing é de relacionamento’, ou seja: ‘Quanto mais de pessoa para pessoa, melhor. As conexões são feitas de ponto para ponto, por identidade, por confiança. Se você confia em determinada fonte, forma a conexão -e aquilo começa a crescer em uma rede bastante horizontalizada. Os atores políticos ainda não perceberam que o grande impacto da internet é potencializar a ação em rede’.’



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Rede eleva a arrecadação de recursos

‘Em rede, tanto quanto o voto, é possível influenciar exponencialmente o bolso. Antônio Lavareda relatou uma campanha que acompanhou nos EUA, três meses atrás, de um candidato a senador estadual: ‘Através da internet, ele conseguiu uma fábula para a eleição local: US$ 500 mil, de 12 mil eleitores distribuídos por 50 Estados americanos’. O problema é que no Brasil ‘a legislação é omissa’.

Com ou sem regulamentação, as várias agências já formam suas comissões para estudar as ferramentas do meio, a começar da arrecadação. E até se fazem os primeiros testes técnicos, caso do PT de Ricado Berzoini, que teria realizado ‘uma experiência bem-sucedida, com link direto’. O universo de corações, mentes e contas bancárias que se quer atingir está em 32,1 milhões de brasileiros -segundo a estimativa apresentada há seis meses pelo Comitê Gestor da Internet e Ibope. O universo do eleitorado, segundo o TSE, é de 123,7 milhões de eleitores.’



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Duda acha que TV e rádio vão definir eleição

‘Pelo telefone, Duda Mendonça estabeleceu desde logo: ‘Vamos falar exclusivamente disso, tá bom?’. Reafirmou que não vai fazer campanha ‘nem neste ano nem no próximo e nem sei se vou fazer mais’. Sobre internet, ele avalia que 2006 ainda não é o ano em que ela vai fazer a diferença.

FOLHA – Nos EUA, fala-se que a internet pode ser uma nova televisão, para o marketing político-eleitoral. Qual é a sua opinião?

DUDA MENDONÇA – A influência da internet na comunicação de maneira geral será cada vez maior. Os blogs já estão aí, mostrando a sua força. Agora, isso vai se sentir com o passar dos anos. Como o uso do computador no Brasil ainda não chegou de forma significativa à população de baixa renda, e é ela quem decide eleição, acho que ainda nesta campanha a grande importância será da TV e do rádio. Já se fará sentir a influência da internet na camada jovem e, sobretudo, nas classes média-alta e alta, que é quem está usando. Mas ainda não será desta vez, apesar de não se poder dispensar sua importância.

FOLHA – Você crê que o impacto pode vir a ser semelhante ao da TV, como disse nos EUA o presidente do Partido Republicano?

MENDONÇA – À medida que se popularize, sim, porque ela tem som, tem imagem. De certa forma, a internet é quase uma televisão, com vantagens, virtudes. Tem uma interatividade maior, as pessoas conversam, têm resposta, podem bater papo com o candidato. E sobretudo o cara pode acessar a hora que quiser. A televisão escraviza, você tem que ficar ali, não fazendo nada e assistindo. Internet, não: tem mais maleabilidade. Com o passar do tempo, a tendência é crescer.

FOLHA – O publicitário Fernando Barros comentou que seu maior temor é quanto ao marketing viral. Você vê assim também?

MENDONÇA – É difícil fazer futurologia. Acho que a internet vai crescer para o bem e para o mal. De início como novidade, com impacto maior. Depois se sedimenta e passa a ter influência relativa. O povo está cada vez menos influenciável por mensagens de propaganda. Elas têm que ser cada vez mais verdadeiras, consistentes. Ele não aceita truque mais.

FOLHA – Mauro Paulino, do Datafolha, avalia que o efeito da internet neste ano deve ser pequeno porque está em xeque aquela imagem dos formadores de opinião. O que você acha?

MENDONÇA – Eu nunca acreditei nisso. Com o passar do tempo, o que vem se demonstrando, e quem assiste a grupos de discussão vê isso, é que a maior influência é de um colega de trabalho, um amigo. Não é de nenhuma camada mais esclarecida.’



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Campanha suja é típica da rede, diz Gonzalez

‘Luiz Gonzalez, sócio da agência de propaganda Lua Branca, avisa que ‘ainda’ não está contratado para nenhuma campanha e que Geraldo Alckmin vai escolher ‘só depois da convenção’. Mas é ele o mais cotado. Até pela extensão de suas respostas, por e-mail, está muito atento à internet.

FOLHA – Você acredita que a internet terá um impacto sobre o marketing político-eleitoral semelhante ao da televisão?

LUIZ GONZALEZ – Não. Primeiro, pelo alcance do meio. Digamos que seja 15% do eleitorado. Nos EUA, a proporção é inversa. Outra questão é a do perfil do internauta: trata-se de eleitor menos sujeito à influência das campanhas, com posição e opinião formadas. Para a campanha positiva, de construção de apoios a teses e candidatos, a internet no Brasil tem poder limitado. Essa minha constatação não quer dizer que as campanhas devem descurar da internet. Acho que se deve usar todos os meios legais. Mas não tem como comparar o poder da internet com o da TV. A maioria dos brasileiros se informa por TV, não por internet. Os meios também são diferentes. A TV traz emoção, imagem, som -é um meio quente. A internet é um meio mais frio.

FOLHA – No Brasil, é o caso de esperar efeito já em 2006?

GONZALEZ – A internet tem sido usada com mais efetividade na propaganda negativa. Seja pelas ‘correntes’ de e-mail, seja pelos sites que têm conteúdo que contraria as regras eleitorais, mas se coloca a salvo por estar em provedores fora do país. No mundo inteiro a internet tem sido usada para atacar adversários, veicular calúnias, espalhar boatos. No Brasil, para a lei, a internet se assemelha à TV, está sujeita às mesmas restrições. No entanto, se um site hospedado fora do Brasil descumprir a lei, a punição é muito mais difícil. Quem gosta de fazer campanha suja tem na internet uma ferramenta. Eu, pessoalmente, sou contra.

FOLHA – E os blogs?

GONZALEZ – Esses sim são uma novidade em 2006, esse jornalismo instantâneo. Alguém posta uma notícia, em seguida vêm os comentários, outros blogs e sites, algumas rádios seguem a fila. Em poucas horas uma não-notícia vira um fato e produz determinado resultado. Quando a coisa não se confirma, os blogs publicam nova versão e começa tudo de novo. Não sei qual vai ser o impacto dos blogs nesta eleição. Acho que afeta e mobiliza mais partidários que o eleitorado. Mas não desprezo o efeito-cascata de uma notícia postada. Eles podem ser ferramentas de luta política como foram os panfletos, as pichações.’



ALCKMIN SOB SUSPEITA
Frederico Vasconcelos

Sabesp pagou R$ 1 mi a editora de tucano

‘Nos dois últimos anos do governo Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano à Presidência, a Sabesp abasteceu com R$ 1 milhão de sua verba publicitária a editora e o programa de TV do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB).

Dos R$ 522 mil que a Sabesp destinou à mídia ‘revistas’ em 2004, nada menos que 46,5% jorraram para a revista ‘DeFato’, produzida pela W.A.S. Editora Gráfica e Comunicação Ltda. A Sabesp pagou à empresa de Salustiano valores mais elevados do que os despendidos com peças semelhantes veiculadas nas revistas ‘Exame-SP’, ‘Isto É Dinheiro’, ‘Trip’ e ‘Municípios’.

A preferência pela revista de Salustiano reforça a suspeita de que parlamentares da base aliada do governo tucano foram beneficiados com o direcionamento do dinheiro de estatais, como a Folha revelou em 26 de março. O objetivo seria garantir a votação de projetos de interesse do governo.

Em 2004 e 2005, a Nossa Caixa gastou R$ 313 mil em anúncios na revista ‘DeFato’ e em inserções no ‘Entrevista DeFato’, programa que o parlamentar tucano apresentava na TV Mulher. Entre abril de 2004 e agosto de 2005, a Sabesp destinou R$ 404,7 mil à revista e R$ 665,3 mil ao programa de TV. A estatal diz que suas verbas de comunicação e propaganda chegam a R$ 25 milhões por ano. Ela operava com a agência Giovanni, FCB.

Promotoria

O Ministério Público Estadual incluiu a Sabesp nas investigações instauradas em dezembro para apurar irregularidades nos contratos de publicidade de estatais no governo Alckmin. Uma sindicância na Nossa Caixa trouxe à tona a troca de e-mails nos quais a assessoria de Comunicação do governo Alckmin e a agência Contexto, que atendia à Casa Civil, orientavam as áreas de propaganda e marketing do banco. A revelação motivou a exoneração, a pedido, do assessor de Comunicação, Roger Ferreira, que coordenava a estratégia de comunicação das estatais.

Denúncia enviada ao Ministério Público apontou como supostos beneficiários, além de Salustiano, os deputados estaduais Afanasio Jazadji (PFL), Edson Ferrarini (PTB) e Geraldo ‘Bispo Gê’ Tenuta (PTB).

Segundo a denúncia, ‘estima-se que o deputado [Salustiano] retire cerca de R$ 1 milhão por ano do banco [Nossa Caixa] e outro tanto da Sabesp’. Ferrarini e Jazadji informaram ao MP que a Nossa Caixa fez veiculações, respectivamente, de R$ 60 mil e R$ 8 mil em seus programas. Tenuta, por sua vez, sustentou que nunca recebeu ‘nenhum valor’.

Jazadji confirmou que houve ‘várias promessas de verbas publicitárias para seus programas de rádio e de TV, desde que deixasse de criticar os secretários de Segurança Pública, da Administração Penitenciária e da Educação’ do governo Alckmin. ‘Jamais vou me curvar à chantagem política’, disse.

Ferrarini disse que a gerência comercial de seu programa foi procurada pela agência que atendia a Nossa Caixa, ‘contratou as inserções e pagou pelo trabalho’. ‘Em nenhum momento deixou transparecer qualquer irregularidade’, afirmou o deputado.

A Folha consultou, em março, as estatais Sabesp, Dersa, CDHU, Prodesp e Metrô sobre eventuais despesas de publicidade com parlamentares. Só obteve resposta do Metrô, que informou não ter feito nenhuma veiculação.

A Sabesp só agilizou o envio de informações ao Ministério Público, ao qual solicitara prorrogação, ao ser informada que a empresa poderia vir a ser alvo de procedimento por crime de desobediência se não fornecesse em 24 horas os dados requisitados.

Questionada pela Folha sobre anúncios para o ‘Bispo Gê’, a Sabesp informou que fez veiculação ‘na programação rotativa da Rede Gospel de Televisão’, sem especificar os valores. Alegou ‘confidencialidade’, por envolver ‘relações comerciais com terceiros’.

Não foi decretado sigilo nas investigações.

O promotor de Justiça Sérgio Turra Sobrane indeferiu pedido de sigilo feito pelo ex-gerente de marketing da Nossa Caixa, Jaime de Castro Júnior, por entender que ‘os fatos estão relacionados com emprego possivelmente irregular de dinheiro público e não atingem a intimidade daqueles que participaram, de forma direta ou indireta, do comprometimento dos recursos’.’



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Estatal diz que utiliza critérios técnicos

‘A Sabesp e a Editora W.A.S., responsável pela ‘Revista DeFato’ e pelo programa de televisão ‘Entrevista DeFato’, do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB-SP), negam ter havido direcionamento político na publicidade da estatal.

‘Jamais a Editora W.A.S. foi beneficiada por qualquer orientação política’, afirma o advogado André Boiani e Azevedo, representante da empresa. Segundo ele, Salustiano ‘jamais exerceu qualquer influência para beneficiar a revista ou o programa, que possuem anunciantes por critérios absolutamente técnicos’.

A Sabesp também sustenta que o critério adotado para a escolha dos veículos é ‘100% técnico’: ‘Não é porque uma revista é ou não de um parlamentar, seja de qual legenda for, seja de qual instância for, que ela estará ou deixará de estar no plano de veiculação da Sabesp’, informa a estatal.

‘Não pagamos mais caro por anúncios em revistas de parlamentares, mas em anúncios de revistas que levem a mensagem da Sabesp aos públicos que interessa à empresa atingir’, afirma o superintendente de Comunicação, Luiz Aversa.

A empresa diz: ‘Além de anunciar na mídia de massa (jornais de grande circulação e emissoras de TV e de rádio), é fundamental que também sejam incluídos nos planos de mídia as revistas dirigidas, jornais de bairro e similares’.

‘Pela maior credibilidade e pela garantia de leitura/penetração, o espaço publicitário nessas mídias é mais caro do que na grande imprensa, proporcionalmente falando’, diz.

A W.A.S. não comenta os valores nem a quantidade de anúncios, ‘tendo em vista o caráter privado de tais informações, assegurando que houve regular emissão de notas fiscais de todos eles’.

A editora argumenta que ‘outras publicações, embora de grande circulação, muitas vezes podem não atingir o público alvo do anunciante’: ‘A Sabesp pagou pelos anúncios valores similares -muitas vezes inferiores- aos que outras empresas privadas pagaram por anúncios veiculados na Revista DeFato ou no programa Entrevista DeFato.’

Certificado

O advogado diz que a ‘Revista DeFato’, com tiragem média de 30 mil exemplares, é distribuída há sete anos em residências, condomínios, indústrias, comércio, bancas e assinantes.

‘A revista passou por diversas modificações, deixando de ser dirigida a apenas um bairro de São Paulo’, diz Azevedo.

Ele cita o certificado ‘Top of Mind Brazil de Consagração Pública Brasileira’, concedido à publicação pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião Pública. ‘É um produto diferenciado.’ Ele diz ainda que ‘em breve estará demonstrado que nada de irregular há relacionado à revista, ao programa de televisão ou ao deputado’.

A assessoria de imprensa do ex-governador Geraldo Alckmin informou que ‘as estatais têm autonomia e independência sobre as suas campanhas publicitárias’.

O deputado Geraldo ‘Bispo Gê’ Tenuta e a agência Giovanni FCB não se manifestaram.’



REFORMA DA FOLHA
Janio de Freitas

Explicar é preciso

‘Uma das três características fixadas, entre o jornal e o autor, quando em 1983 criou-se esta coluna, foi a de que sua dimensão não seria fixa. Vem de longe minha convicção de que notícias e artigos jornalísticos não devem ter tamanho predeterminado. Por conceituação ética: ou informações e fundamentações são cortadas, negando a função jornalística e sonegando elementos devidos ao conhecimento e opinião do leitor; ou, para espichar o texto ao tamanho pré-ditado, o recurso é cozinhar o leitor com embromação. Os tamanhos variáveis não trazem inconvenientes de edição porque os meios técnicos de preveni-los são fáceis, numerosos e, a experiência o demonstra, mais eficientes para produção editorial ágil e mais atualizante.

A nova fisionomia da Folha impõe dimensão fixa também ao texto nesta coluna, com uma hipótese maior, outra menor. Se o parágrafo anterior não é desprovido de senso, a forma vem ganhar domínio sobre o conteúdo, que é a própria razão de ser deste e dos demais jornais respeitáveis. É uma tendência atual em grande parte da imprensa: a prioridade ao grafismo publicitário. Bom tema para debate, sobre suas origens e conseqüências, se há tanto tempo o jornalismo, em geral, não estivesse desinteressado de se discutir.

Tudo isso é para dizer que esta coluna está sujeita a reconsiderações de sentido ainda impreciso, prevista a dificuldade de preservar seu modo de ser, quem sabe já caduco mesmo. Mas aí está uma nova Folha, convicta de que para melhor. Bom destino, são os votos.’

Folha de S. Paulo

Folha fica mais fácil de ler com reforma

‘Com o projeto visual que estréia hoje, ficou ainda mais fácil ler a Folha. As páginas estão mais organizadas e utilizam recursos gráficos que ajudam a encontrar rapidamente as principais notícias e os artigos complementares que aprofundam e contextualizam os fatos.

Além do título e do subtítulo, as reportagens principais passam a ter também uma nova entrada de leitura, a ‘lupa’, que destaca antes do início do texto mais um de seus elementos importantes.

Com o novo projeto, a Folha ganha também em legibilidade.

A começar do logotipo da ‘Primeira Página’, todos os elementos gráficos do jornal cresceram, por meio do aumento do corpo e/ou da substituição por letras mais robustas. Isso não implicou, porém, corte de informação. Pelo contrário, em alguns casos houve ganho de espaço nos textos.

Os textos têm uma nova fonte, a Chronicle, mais moderna e apropriada para a leitura do que a anterior (Minion). A letra usada nos títulos, a FolhaSerif -desenhada especialmente para o jornal em 1996-, passou por pequenas correções e foi levemente condensada. Com isso, os títulos também ganharam em espaço.

O novo projeto confere mais personalidade aos cadernos do jornal e aos suplementos. Uma nova paleta de cores foi criada para distinguir os cadernos, que agora têm ‘navegadores’ nas capas para ajudar o leitor a identificar as principais notícias. ‘Empregos’ e ‘Negócios’, com novas seções, continuam sendo editados num só caderno, ao contrário do que foi anunciado anteriormente.

As novidades, além de facilitar a leitura, aperfeiçoam o conteúdo informativo da Folha, que passa a contar com mais complementos aos artigos -como análises, entrevistas e boxes didáticos.

As mudanças também aprofundam, nos 85 anos da Folha, os fundamentos editoriais do jornal, baseados na independência, no apartidarismo, no espírito crítico e no pluralismo de opinião.

O novo projeto visual foi elaborado por uma equipe de artistas gráficos do próprio jornal, coordenada pelos editores Massimo Gentile e Melchiades Filho. A consultoria do projeto foi feita pelo designer americano de origem cubana Mario García, que redesenhou os jornais ‘The Wall Strett Journal’ (norte-americano) e ‘Libération’ (francês), entre outros.

A Folha Online também ganhou um novo projeto visual, que estreou ontem.

O jornal eletrônico da Folha tem agora novas seções, mais notícias e telas mais largas. Também passa a publicar cartas enviadas ao jornal, criando uma extensão ao ‘Painel do Leitor’, editado na Folha.

A ferramenta de busca do site ficou mais visível e foi aperfeiçoada, deixando mais organizada a procura pelas reportagens. O jornal eletrônico também inaugurou espaços fixos para reportagens regionais, com notícias dos principais estados brasileiros.’



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Sudoku e sua versão com letras, Godoku, estréiam na Ilustrada

‘Com o lançamento do novo projeto gráfico da Folha, a Ilustrada estréia dois jogos em sua seção de passatempos: o Sudoku, que migra para a Ilustrada vindo do caderno Equilíbrio; e sua variante com letras, o Godoku, que será publicado sempre às quintas-feiras.

Responsável pela publicação dos jogos na Folha, Paulo Durante, um dos diretores da revista ‘Recreativa’, conta que o Sudoku foi criado nos anos 70, nos Estados Unidos, onde tinha o nome ‘Number Place’. Na década seguinte, os japoneses importaram o jogo, nomeando-o ‘Sudoku’, abreviação de uma frase que significa ‘número único ou solteiro’.

Segundo Durante, o Sudoku começou a se tornar popular no Brasil no começo de 2005 e hoje já existem várias publicações dedicadas ao passatempo.

Regras

O objetivo do Sudoku é completar grupos de nove quadrados preenchendo os espaços com os números de 1 a 9, de modo que eles não se repitam em nenhuma fileira vertical nem horizontal, nem no próprio quadrado. O jogo não exige cálculos matemáticos, mas raciocínio lógico.

‘É muito difícil, mas é puro passatempo, porque não exige pesquisa, e o trabalho é compensado pelo prazer de achar a solução’, diz Durante.

Na Ilustrada, o jogo terá três níveis de dificuldade: fácil (às segundas e sextas), médio (terças e sábados) e difícil (quartas e domingos).

Godoku

Às quintas-feiras, o caderno publicará o Godoku, variação do jogo original com letras no lugar de números, com regras semelhantes para sua solução e a possibilidade de criar uma grade maior do que no Sudoku. Quando toda a grade estiver completa, uma palavra deve ser revelada. ‘Vamos começar com um nível mais fácil, porque, com letras, o jogo se complica um pouco. Não vale a pena travar tanto a mente do leitor já no início’, afirma Durante.’



PUBLICIDADE
Folha de S. Paulo

Copa injeta R$ 1,2 bi em propaganda e cotas de patrocínio

‘A Copa do Mundo movimenta R$ 1,2 bilhão em publicidade no país, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap). O valor inclui compra de cotas de patrocínio e campanhas específicas.

Segundo Luiz Lara, presidente do capítulo São Paulo da Abap, a Copa funciona como uma alavanca de vendas e desde março tem movimentado jornais, internet, televisão e rádio. ‘Todas as agências estão aproveitando esse momento porque o esporte no Brasil tem um lado cultural ao qual as marcas querem se associar.’

Estudo da consultoria Zenith Optimedia mostra que a expectativa de crescimento do mercado publicitário para a América Latina em 2006 é de 9,6%. Com a influência da Copa, o mercado mundial de publicidade deve crescer 6% neste ano.

Segundo Daniel Barbará, diretor comercial da DPZ, que tem como clientes o Itaú e a Vivo, houve aumento do número de campanhas promocionais nesta Copa. Segundo ele, para o mercado publicitário a Copa acaba antes do início da primeira partida. ‘Esta Copa tem 70 campanhas promocionais, um recorde. Normalmente, as promoções estão ligadas ao período em que o Brasil se classifica para a Copa. Como desta vez a seleção se classificou muito antes, apareceram mais promoções neste campeonato.’ O Brasil se classificou em setembro após um jogo com o Chile.

Na disputa para atrair a atenção do consumidor, vale qualquer recurso: mudança de cor e de formato de embalagem ou introdução de ingredientes. O McDonald’s, patrocinador da Copa, lança hoje a campanha ‘Copa dos Sabores’, com sanduíches que remetem à culinária dos países que já conquistaram a Copa: Alemanha, Argentina, Brasil, França, Inglaterra, Itália e Uruguai. Até sorvete terá cobertura verde e amarela.

A AmBev, patrocinadora da seleção, venderá, até o fim de julho, versão do guaraná Antarctica com frutas (morango, kiwi e abacaxi) em edição limitada em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

Segundo Barbará, há abuso na tentativa de associar qualquer produto ao futebol. ‘Já tem até cola verde e amarela.’ Há campanhas de carros e até chuveiros relacionadas à Copa.

Segundo Lara, o excesso de campanhas pode ter um efeito negativo. ‘Os recursos precisam ser bem usados, caso contrário o produto corre o risco de sumir na paisagem e o investimento não resultar em ganho de margem ou de vendas.’’



INTERNET
Paul Taylor

Microsoft e MTV lançam serviço de download

‘DO ‘FINANCIAL TIMES’ – A MTV, o canal norte-americano de TV a cabo controlado pela Viacom, lançou um serviço de download digital de música na última quarta-feira, com o objetivo de concorrer contra a popular loja de música online iTunes, da Apple.

O serviço, chamado ‘Urge’, usará a mais recente tecnologia MediaPlayer, da Microsoft, e pode representar o mais sério desafio ao domínio da Apple sobre o mercado de downloads legais de música, até o momento.

Executivos da Microsoft e da MTV afirmaram que o novo serviço tem por público-alvo o crescente mercado de proprietários de outros music players que não o iPod.

Embora outros serviços de download de música digital tenham obtido sucesso limitado, nenhum deles contava com a força de marketing da MTV como base de apoio, ou oferecia integração tão estreita com a tecnologia da Microsoft a versão mais recente do software Windows Media Player lançada em companhia do ‘Urge’.

Mesmo preço

Os usuários podem baixar faixas de música individuais ao preço de US$ 0,99, o mesmo preço da iTunes, ou assinar um serviço de acesso ilimitado que custará US$ 9,95 ao mês, ou US$ 14,95 caso os usuários desejem carregar as faixas em um aparelho portátil. A iTunes não oferece serviço de assinatura.

No lançamento, o ‘Urge’ dispunha de mais de dois milhões de faixas, de 110 mil artistas, 500 ‘playlists’ pré-definidas, 130 estações on-line de rádio e mais de 20 blogs com comentários de especialistas em música.

Van Toffler, presidente da MTV Networks, disse que a empresa estava há meses trabalhando no novo serviço, em colaboração com a Microsoft, e ressaltou que os downloads digitais continuam a representar apenas uma pequena fração das vendas gerais de música. ‘Apenas 5% da música que chega aos consumidores é vendida digitalmente. Estamos apenas começando’.

Sem iPod

‘Nós nos concentramos nas pessoas que não têm iPods’, disse Toffler. A MTV está oferecendo o serviço à sua audiência jovem e o concebeu para fornecer o que Toffler descreve como ‘um ecossistema musical completo’.

Ainda assim, a MTV e a Microsoft enfrentam um formidável desafio. A iTunes, com catálogo de três milhões de faixas, vendeu mais de um bilhão de canções desde seu lançamento, três anos atrás, e mais de 50 milhões de iPods foram comprados de 2001 até agora.

Excluindo os serviços ilegais de troca de arquivos, a Apple vem conseguindo dominar o mercado de música digital em parte devido ao sucesso do iPod, que se tornou um ícone. Segundo o grupo de pesquisa de mercado NPD, a iTunes respondeu por 68% da música baixada legalmente entre novembro e janeiro. O Napster, o segundo em download legal, com mais de 500 mil assinantes, respondeu por apenas 4,4%.’



FOTOGRAFIA
Mario Gioia

Transgressor e clássico

‘Antes transgressor, agora clássico. O discreto Thomaz Farkas, 81, é foco de duas homenagens em livro que chegam às lojas já no final do mês. Nas duas publicações -a maior é uma caprichada edição da Cosacnaify que reúne imagens coloridas feitas nas regiões Norte e Nordeste, de 1964 a 1975-, transparece a importância de Farkas para a fotografia e o cinema nacionais. Na fotografia, nos anos 40, ele subverteu o academicismo reinante, junto de seus colegas do Foto Cine Clube Bandeirante, como Geraldo de Barros e German Lorca, exibindo imagens que exploram as formas e a geometria. Nos anos 60, produzindo os documentários da que ficaria célebre com o nome de Caravana Farkas, revelou imagens de um Brasil pouco visto nos grandes centros. No comando da rede de lojas Fotoptica, sua gestão foi marcada pelo profissionalismo e por inovações, como a publicação de revistas e a criação de uma galeria. Na entrevista a seguir, Farkas fala sobre seu importante papel nessas duas áreas, se lembra de uma cidade de São Paulo mais gentil e revela preocupações com a preservação de seu precioso acervo.

FOLHA – O que você lembra da Hungria? THOMAZ FARKAS – Saí de lá muito pequeno, com cinco anos, mas voltei para lá várias vezes. Voltei antes da Cortina de Ferro. Eu gosto muito da Hungria, é um país interessante. Gosto de lá por causa do cheiro da comida, que eu, às vezes, faço em casa. Tem um sabor especial. Mas faço só no inverno.

FOLHA – Você começou a fotografar a partir de cenas domésticas, na infância?

FARKAS – Eu era muito moço. Morávamos no Pacaembu. Eu ainda freqüentava muito Campos do Jordão, eu tenho muitas paisagens de lá. São paisagens clássicas. Tirei foto de um gatinho, que tinha um bigode pequenininho. Colocamos o nome dele de Hitler. Era o gato Hitler. Também fotografei um zepelim. O Pacaembu era só lama, não era asfaltado. Nós tínhamos uma turma de bicicleta, chamada Esquadrilha Invencível. A gente brigava de espada e aquelas bobagens de garoto de dez, 15 anos. A gente ia até a biquinha, onde é a piscina hoje. Eu assisti à construção do estádio. Não tinha guindaste, não tinha trator, era tudo carroça de burro.

FOLHA – Como começou o seu envolvimento com o Foto Cine Clube Bandeirante?

FARKAS – Comecei a freqüentar ainda menino. Era o mais moço de todos. Eu me dei muito bem com o grupo que havia lá durante anos. Mas, depois, fui para outro caminho com outros colegas, como o Geraldo de Barros, porque o Foto Clube era uma coisa bem restrita do ponto de vista artístico, era uma coisa que não inovou muito. Em 1940, o que havia de fotografia nova? Aqui não tinha muita coisa revolucionária. O pessoal do Foto Clube sentava e julgava, mensalmente, trabalhos apresentados. Havia excursões mensais, a gente voltava, mostrava as fotografias que havíamos feito e tinha um concurso. Eram julgadas composição, iluminação, tema, e dava-se nota. Quem tinha nota máxima ganhava aquele prêmio do mês. Eu achei que aquilo não era muito 100%… Com o tempo, fui aperfeiçoando a minha visão, tinha muito contato com revistas e livros estrangeiros na Fotoptica. Mas eu nunca fui profissional nem amador, eu acho que sou uma espécie de fotógrafo marginal.

FOLHA – Quais fotógrafos você admirava nessas revistas?

FARKAS – Ah, tinha um americano chamado Weston [Edward, 1886-1958, considerado um dos mestres modernos], que era um cara fantástico, Ansel Adams [1902-1984, famoso por suas paisagens] e outros nomes muito bons, mas eu não fazia nada igual àquilo que eles faziam. Trocava correspondência com o Weston. Ele gostava muito das fotos, e isso me animava.

FOLHA – Você projetou um filme do Ivens no seu apartamento e aí acabou sendo preso.

FARKAS – É, teve uma pessoa que disse: ‘Não, isso é coisa de comunista’. Acusaram-me de ser da União Cultural Brasil-Cuba, e eu não era. Fiquei detido uma semana no Dops [Departamento Estadual de Ordem Política e Social, órgão de repressão do regime militar]. Vi coisas muito chatas, mas não me aconteceu nada. Meu filho também ficou meses preso, minha filha ficou uma semana, mas, no fim, graças a Deus, nós escapamos.

FOLHA – Como começou seu interesse por cinema? E como se deu a Caravana Farkas?

FARKAS – Era o tempo da Segunda Guerra, e eu sempre quis estudar cinema. Mas eu era húngaro, era considerado do Eixo. Comecei a mexer em cinema na Politécnica. Tinha um grande professor de arquitetura, o Vilanova Artigas [1915-1985, mestre da arquitetura brutalista], que me apresentou um grupo maravilhoso, o Vladimir Herzog, o Maurice Capovilla, o Sérgio Muniz. Em 1964, queríamos fazer uma revolução nos filmes. O Brasil é um lugar imenso, mas o que nos une? A língua. E a revolução era mostrar o Brasil para os brasileiros. Naquele tempo, só se pensava que o pessoal do Norte vivia no atraso, ao mesmo tempo se pensava que o Sudeste era uma maravilha… mas não queríamos fazer uma revolução armada. Foi uma maravilha quando veio ‘Viramundo’, do Geraldo Sarno, e outros filmes, que tiveram grande reconhecimento.

FOLHA – E o que você acha dessa revolução digital na fotografia?

FARKAS – Isso é novidade. Ainda não mexo com digital porque tenho muito a fazer com a ‘antiga’. O digital é como a fotografia instantânea, que se abriu para o grande público. Antes, você tinha de regular foco, tempo, tinha de ser um iniciado. Agora, vem um aumento de fotógrafos. Mas ainda não sei o que vai dar.

FOLHA – Com toda essa longa trajetória, como está a preservação do seu acervo?

FARKAS – O meu arquivo de fotografias está prejudicado. Preciso restaurar negativos, está complicado. Essa é minha urgência, a memória está aí. Não sei quantos negativos tenho. Tudo está documentado, mas nem tudo resistiu. Metade está enturvado. E quem é que vai me patrocinar? Nunca soube fazer isso.

NA INTERNET – Leia entrevista na íntegra www.folha.com.br/061192′

Eder Chiodetto

Fotógrafo continua um ‘amador’

‘‘Um amador. Nunca deixei de ser um amador na fotografia’, já disse mais de uma vez Thomaz Farkas, ao lembrar que nunca trabalhou profissionalmente com fotografia, mas também para sublinhar a relação de eterno namoro com a linguagem. Amador, afinal, é o que ama descompromissadamente.

Não ter transformado sua fotografia em mercadoria foi, de fato, algo que permitiu a Farkas uma liberdade de ação que abriu seus olhos e sua mente para a experimentação, no final dos anos 40 e ao longo dos 50, quando se juntou aos fotógrafos Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore e José Oiticica Filho, entre outros, no Foto Cine Clube Bandeirante, em São Paulo.

Barros, recém-chegado da Europa, onde o convívio com surrealistas e concretistas marcaria definitivamente sua vida e obra, impulsionou no grupo as primeiras experimentações com a fotografia.

Os salões fotográficos que ocorriam com freqüência aqui no Brasil ainda se pautavam por critérios acadêmicos e julgavam as fotografias com os mesmos quesitos da pintura, o que levava a uma padronização da forma e do conteúdo. A fotografia brasileira, que já havia perdido o bonde da Semana de 22, seguia estagnada.

Somente com a chegada de fotógrafos europeus em razão da Segunda Guerra Mundial é que esse panorama começou a se alterar na fotografia documental. Mas se deveu ao grupo dos ‘bandeirantes’ romper de forma incisiva com o academicismo dos salões, propondo uma estética que buscava uma especificidade da linguagem fotográfica em contraponto ao que era feito até então.

Em 1947, Farkas fotografou algumas telhas amontoadas no chão. O efeito proporcionado pela luz e pelo enquadramento criou uma quase abstração, assemelhando-se a uma série de riscos em forma de semicírculos.

Enviada para um salão competitivo, a fotografia foi devolvida a Farkas com uma carta do júri em tom de indignação, dizendo que aquilo não se tratava de uma fotografia, era mera provocação, uma aberração de mau gosto. Guardadas as devidas proporções, o fato lembra a reação irada de Monteiro Lobato diante da exposição da modernista Anita Malfatti.

Embora esse núcleo dentro do Bandeirante tenha sido fundamental para essa mudança de eixo de uma fotografia que permanecia parada no tempo para uma linguagem moderna que modificaria profundamente o pensamento da fotografia no Brasil, Farkas faz questão de afirmar que tudo foi feito sem uma noção muito clara de que eles estavam de fato criando um fato histórico. ‘Nós nos reuníamos para conversar e, num dado momento, resolvíamos fotografar brincando de surrealismo e concretismo’, disse em entrevista à Folha há dois anos.

E foi nesse tom de brincadeira que Farkas constituiu um dos acervos mais belos e originais da iconografia sobre a cidade de São Paulo, ao fotografar os jogos de futebol no Pacaembu, os espigões que começavam a querer alcançar o céu e os bondes, sempre com um olhar muito peculiar e sem perder o faro histórico de imagens como as da comemoração do final da Segunda Guerra no centro de São Paulo.

Ao que parece, só os amadores, na verdadeira acepção da palavra, conseguem mover a roda da história. Vale, então, a máxima de Paulo Leminski: ‘Distraídos venceremos’.’



TELEVISÃO
Stuart Elliott e Julie Bosman

TVs dos EUA dão ainda mais ênfase ao merchandising

‘DO ‘NEW YORK TIMES’ – Por décadas, as redes de televisão aberta convidaram os anunciantes a comprar tempo nos intervalos comerciais de seus dramas, comédias e outros espetáculos. Na semana passada, enquanto apresentavam as grades de programação de seus horários nobres para a temporada 2006/7, elas trabalhavam com igual afinco para promover oportunidades publicitárias dentro de seus programas.

Essas oportunidades surgem em forma daquilo que se tornou conhecido nos EUA como ‘branded entertainment’ [entretenimento de marca] ou ‘merchandising’ no Brasil. Elas incluem menções a marcas em diálogos, colocação de produtos em cenas de maneiras que os tornem visíveis aos telespectadores e oferta de participações para os anunciantes na trama dos programas, seja por meio de uma dona de casa desesperada exibindo as virtudes de um Buick em um shopping ou de um concorrente do programa ‘O Aprendiz’ tentando vender um novo sabor da pasta de dentes Crest.

O objetivo da integração de produtos é expor a publicidade aos telespectadores de maneiras que sejam mais difíceis de ignorar ou eliminar do que os comerciais tradicionais. Aparelhos como os gravadores digitais de vídeo, que eliminam os comerciais da programação da TV, e iPods tornam mais fácil do que nunca evitar ou ignorar as ofertas comerciais em formato convencional.

Ainda que a integração de produtos esteja disponível há anos, ela teve papel mais importante nas apresentações das redes de TV aos potenciais anunciantes durante a semana passada, de pré-lançamento de seus novos programas. O nome deriva do fato de que as redes de televisão estão promovendo a programação que lançarão no início da nova temporada, em setembro, e esperam fechar acordos publicitários com patrocinadores e anunciantes.

As redes que até agora dedicaram parcela substancial de suas apresentações à integração de produtos são a My Network TV, um novo empreendimento da News Corp., e as redes da Univision Communication, dirigidas aos telespectadores hispânicos.

Ruídos

‘Com os comerciais perdidos em meio ao ruído, e os telespectadores cada vez mais dispostos a mudar de canal, essa é mais uma maneira de expor os seus produtos’, disse Shari Anne Brill, vice-presidente e diretora de programação da Carat USA, em Nova York, parte da agência de mídia Carat, controlada pelo Aegis Group.

‘Para as redes, a prática representa uma oportunidade de criar fonte adicional de receita’, disse Brill. Isso é particularmente importante para as redes abertas, que ao contrário do setor de TV a cabo, não obtêm receita com assinatura.

O debate quanto às considerações éticas envolvidas na integração de produtos começou praticamente no mesmo momento em que a prática foi adotada. Os críticos consideram que a técnica seja invasiva e se preocupam com a possibilidade de que os patrocinadores venham a influenciar o conteúdo dos programas nos quais seus produtos aparecem.

Os anunciantes e as agências de mídia e publicidade, de sua parte, dizem que tentam respeitar a sensibilidade dos telespectadores. Se um anunciante exagera, ‘para o consumidor isso pode parecer uma agressão, um ataque’, disse Brill, acrescentando que o objetivo é evitar ao máximo ‘pegar pesado’.

Os roteiristas que escrevem episódios das séries e o sindicato que os representa vêm expressando forte oposição à integração de produtos. Reforçaram sua oposição pública à prática em uma entrevista coletiva, na quarta-feira.

Sete roteiristas e produtores participaram de uma entrevista coletiva no hotel Le Parker Meridien, em Manhattan, patrocinada pelo sindicato Writers Guild of America. A intenção era notificar anunciantes e executivos sobre uma tendência que descreveram como intrusiva e inimiga da criatividade. Para reforçar seus argumentos, exibiram trechos dos exemplos que consideram mais ostensivos, em ‘reality shows’ como ‘Extreme Makeover Home Edition’ e séries dramáticas como ‘7th Heaven’.

Anel no biscoito

Em um dos trechos exibidos, um ator esconde o anel com que pretende pedir a namorada em casamento no recheio cremoso de um biscoito Oreo.

‘Se eu fosse o criador dessas séries, sentiria necessidade de um banho depois de assistir a cenas como essas’, afirmou Marc Cherry, que concebeu ‘Desperate Housewives’ para a rede de TV ABC.

Os roteiristas não apresentaram exigências específicas, mas disseram desejar maior envolvimento no processo decisório quanto à integração de produtos em seus programas.

O dinheiro também é um fator importante. Ainda que o presidente da unidade regional do sindicato, Patric M. Verrone, tenha dito que ‘não se trata apenas de remuneração’, muitos roteiristas querem uma parcela da receita gerada para as redes pela integração de produtos.

E essa receita só tenderá a subir, se os anunciantes decidirem aproveitar todas as oportunidades que lhe foram oferecidas durante a semana de pré-lançamento.’

Bia Abramo

Pânico e sensacionalismo na TV

‘Eles queriam televisão colorida para assistir aos jogos da Copa, a televisão os quis de todas as maneiras como personagens. A TV esteve no centro dos acontecimentos que tumultuaram São Paulo no fim de semana passado, ora como testemunha jornalística, ora como núcleo de irradiação do pânico que silenciou a cidade na segunda, ora como motivo (ou pretexto?) para a demonstração de força do crime organizado.

O jornalismo televisivo se portou, como quase sempre nessas grandes coberturas, entre o desorientado e o excessivo. Na noite de segunda, as emissoras como Globo, Record e Cultura dedicaram boa parte, quando não todo, o noticiário ao clima de medo que se seguiu aos ataques. Cada uma, à sua maneira, tentava contar o incontável. As vozes se multiplicavam, as interpretações se sucediam, as imagens se pretendiam eloqüentes, mas nada explicava o que, de fato, ocorria. Apesar de algumas imagens já terem se tornado emblemáticas pela repetição, foi um episódio de poucos flagrantes e de uma maldade sem rosto: não há como ‘ver’ o que aconteceu, a não ser pelas conseqüências – o banco do carro sujo de sangue, o quepe dilacerado por um tiro, os presos amotinados no telhado da penitenciária.

Se não havia muito o que ver, havia o que ouvir: autoridades dos mais diversos escalões se enfileiraram diante das câmeras para explicar o inexplicável. Pela via do jornalismo ou da exploração pura e simples, até a noitede terça-feira a guerra urbana nãosaiu daTV. O ‘TV Fama’ pegou ‘carona’ no noticiário, entremeando as fofocas de uma premiação do mundo televisivo com a ‘opinião’ das celebridades sobre os acontecimentos. O evangélico ‘Saindo do Vermelho’ aproveitou o ‘caos’ para afirmar a lógica divina e divulgar um encontro com 318 (!) bispos. Pior: houve desinformação deliberada. Um ônibus em chamas, por exemplo, foi exibido como se o incêndio acontecesse naquele momento, o que não era verdade. E jornalistas enveredaram pela fantasia e pela manipulação barata do medo, ajudando a alimentar o pânico. A importância da televisão em acontecimentos dessa magnitude é conhecida. Ela é fundamental para orientar os cidadãos e formar os significados coletivos desses momentos. Quanto a isso, houve lances lamentáveis nas redes abertas.’

Daniel Castro

Bia se une a Júlia e Vitória contra André

‘O autor de ‘Belíssima’, Silvio de Abreu, diz que está se divertindo com a reação do telespectador à dubiedade de boa parte dos personagens de sua novela. E vai alimentar isso nos próximos capítulos com uma aliança até pouco tempo improvável.

Entre 29 de maio e 3 de junho, a carrasca Bia Falcão (Fernanda Montenegro) irá se unir às suas ex-vítimas (e aparentemente boazinhas) Vitória (Cláudia Abreu) e Júlia (Glória Pires). Graças a Bia, Vitória se livrará das ameaças contra sua família feitas por André (Marcello Antony). E Júlia reconquistará a presidência da Belíssima, roubada por André.

Para tanto, Bia irá chantagear André, ameaçando enviar para a Receita Federal todo o movimento de caixa dois que ele fez durante sua estadia na presidência da Belíssima. Livre das ameaças do vilão, que no início da novela parecia ser mocinho, Vitória tomará do controle de André as ações da Belíssima que possui e as entregará a Júlia, que assim representará 51% da empresa.

Segundo Abreu, pesquisas mostram que o telespectador médio compreendeu a dubiedade de personagens e acompanha atentamente a sofisticada (para novelas) trama policial.

‘O que mais me dá prazer nessa novela é que consegui fazer personagens muito dúbios, e o público aceitou, o que derruba aquela tese absurda de que o maniqueísmo tem sempre que prevalecer porque o telespectador não consegue raciocinar’, festeja Abreu.

OUTRO CANAL

Ressurreição

Apesar de ter feito uma ponta no último capítulo da finada ‘Bang Bang’ e de já estar trabalhando para a TV Cultura, a atriz Leona Cavalli volta a gravar ‘Belíssima’ no final do mês, em cenas de flashback de sua Valdete, assassinada no início da novela das oito da Globo.

Rumo ao hexa

A Globo confirmou na última quinta o comentarista Walter Casagrande no time de profissionais que enviará à Alemanha. Casagrande, que se afastou da emissora para tratar de uma crise de depressão, já tirou as medidas de seu uniforme.

Bandeira

Na Copa do Mundo, os repórteres da Globo vestirão camisas verdes. Apresentadores, narradores e comentaristas usarão peças azuis, com gravata.

Flash

Lembra da Manoela, a loira que fez papel de namorada de Thirso em um remoto ‘Big Brother Brasil’? Pois é, alguém na Globo ainda se recorda dela e a convidou para uma participação no último episódio de ‘Minha Nada Mole Vida’, no ar na próxima sexta-feira.

Celebridade

Manoela (sem Thirso) fará o papel dela mesma. Será uma ex-’big brother’ que o colunista social eletrônico Jorge Horácio (Luiz Fernando Guimarães) tenta convencer a ir a um camarote que está cobrindo.

Patrimônio

A Globo pediu o registro da marca ‘Jorge Horácio By Night’, nome do fictício programa do personagem de Luiz Fernando Guimarães em ‘Minha Nada Mole Vida’.’

Laura Mattos e Daniel Bergamasco

Internet reúne vídeos hilários e históricos

‘Clique. Bêbada, Heleninha Roitman leva tapas de Odete Roitman. Clique. Silvio Santos escorrega e cai de terno e microfone numa caixa cheia d’água. Clique. Bispo da Igreja Universal chuta imagem de Nossa Senhora Aparecida. Clique. Os Paralamas do Sucesso cantam música do primeiro disco no programa do Bozo. Clique. Garrincha marca um golaço na Copa de 1962.

Troque já o controle remoto da TV pelo mouse do computador. Registros históricos da televisão brasileira, que antes estavam guardados em prateleiras de telespectadores ou circulavam de forma desorganizada por sites, e-mails e blogs, estão agora reunidos no YouTube (www.youtube.com), a nova mania da internet, com 12,5 milhões de usuários (o maior crescimento no último semestre), e em seu concorrente, o Google Video (www.video.google.com), com 7,3 milhões.

Os sites, originalmente criados para abrigar vídeos pessoais, viraram febre com registros trash, de bailes de debutantes a clipes de bandas de garagem. Mas a porta foi aberta também a cenas lendárias _ou apenas deliciosamente engraçadas_ da TV do mundo todo, que podem ser assistidas de graça em vídeos postados pelos próprios internautas.

No Brasil, a nova ferramenta é valiosa, já que o acesso ao arquivo da TV não é simples, principalmente pela internet. Por enquanto, só a Globo tem programas antigos disponíveis na rede, mas o acesso é restrito a assinantes do Globo.com.

Lei antiga

A onda do YouTube tem um porém: a postagem de alguns vídeos pode ser considerada crime, segundo o advogado Marcos Bitelli, especialista em direito autoral. ‘O conteúdo da TV e do cinema é protegido pelo direito de autor. A postagem pode caracterizar crime, com pena de três meses a quatro anos de detenção e multa.’

Tanto o internauta quanto o site podem ser responsabilizados. Por essa razão, o YouTube e o Google Video alertam os usuários sobre direitos autorais, mas não controlam a postagem. ‘A legislação brasileira é anterior à digitalização e à internet e deveria ser revisada, como já aconteceu em outros países’, afirma Bitelli.

Inocentes pecadores’

É claro que a maioria dos internautas não tem idéia muito clara de que possa estar cometendo um crime. A Folha entrevistou responsáveis pela postagem de vídeos de TV, que, animados, contaram como abriram para milhões de pessoas o que antes ficava na prateleira de casa. O advogado Bernardo (nome fictício), 48, de Ponta Grossa (PR), se diz um ‘viciado’. ‘Chego do trabalho e vou para o YouTube. É como se eu tivesse uma retransmissora de TV’, afirma.

Das 200 fitas VHS de sua coleção, já ganharam a rede cenas do ‘Viva o Gordo’, da primeira abertura de ‘Malhação’ e da entrada dos jurados do ‘Show de Calouros’ com o Silvio Santos gurizão, gurizão’. ‘Desde que tive meu primeiro videocassete, no começo da década de 80, nunca gravei um programa em cima do outro. Sempre tive a intuição de que um dia as fitas seriam úteis.’

Adepto do YouTube, o editor de audiovisual Juliano, 26, que está morando em Londres, é filiado à comunidade Anti-Vídeo-Show, do Orkut, que reúne dicas de vídeos raros. No YouTube, faz sucesso uma cena postada por ele, também do ‘Show de Calouros’ dos anos 80, em que uma caloura de shortinho estampado desafina na música ‘Festa do Amor’, do grupo infantil Trem da Alegria.

‘Eu produzo uns vídeos também. Outro dia, passou um bêbado perto de casa, filmei com o celular e coloquei no site.’

O universitário Fernando, 19, de Vitória (ES), tinha três anos quando Silvio Santos foi candidato a presidente da República, em 1989. Ele recebeu de um amigo o vídeo da propaganda política do apresentador e postou no YouTube. ‘É legal porque acabou virando uma rede de informação e pesquisa com um material que antes era restrito à casa das pessoas.’

Segundo o especialista consultado pela Folha, assistir aos vídeos e indicá-los não é crime. Portanto, não perca as dicas do quadro acima e divirta-se.

VÍDEOS NA INTERNET: O QUE PODE E O QUE NÃO PODE

1. É permitido por lei postar vídeos em sites como YouTube?

Respostas de Marcos Bitelli, especialista em direitos autorais: ‘A disponibilização de vídeos não se configurará em violação a direitos se quem ofertar o conteúdo for a pessoa retratada na imagem, se a música eventualmente sincronizada com a imagem for de autoria do próprio internauta e se o que for dito no áudio não for um texto protegido por direito autoral. Caso contrário, pode-se ter violação a direitos de imagem, de privacidade, de intimidade e de autor’.

2. Postar um vídeo de TV ou cinema é considerado um crime?

‘O artigo 184 do Código Penal diz que é crime violar o direito de autor, definindo uma pena de detenção de três meses a um ano e multa, se não houver intuito de lucro. Havendo interesse comercial, muda para dois a quatro anos de reclusão. Como o conteúdo da TV e do cinema, o que inclui DVD, é protegido pelo direito de autor, capturar e postar tais conteúdos na internet para distribuição ao público pode caracterizar crime tanto para o internauta como para o portal.’

3. Mandar vídeos de TV ou link do YouTube por e-mail é ilegal?

‘A distribuição de conteúdo audiovisual como arquivo anexado pode caracterizar infração a direitos, do mesmo modo que a colocação num blog ou num portal de vídeo. A conclusão de quais direitos foram violados depende da análise do conteúdo. Já enviar e-mail mencionando endereço na internet dificilmente pode ser considerado ilegal porque o conteúdo não é distribuído pelo remetente, que só dá a informação. Mal comparando, é como contar onde se vende drogas.’

4. Assistir a um vídeo de TV ou cinema na net é legal?

‘Essa questão é das mais difíceis, porque quem assiste não tem intuito de lucro e ao mesmo tempo não reproduz nada. A princípio não seria ilícito. Mas, se o internauta assistir, obtiver a cópia e distribuir, pode estar se arriscando. Já os sites certamente seriam responsabilizados em eventuais processos, com o agravante de que muitos têm fins comerciais. É questão de tempo e de surgir alguém que se sinta prejudicado e resolva tentar coibir a prática.’’

Leila Suwwan

Museu cataloga memória visual dos americanos

‘Entusiasta da disseminação de clipes de TV pela internet, como no YouTube, o curador do Museu de Televisão e Rádio dos EUA, Ron Simon, avalia que o fenômeno aumenta o interesse pela história formal do veículo e propulsiona o trabalho do museu, que reúne precioso acervo de som e imagens.

O braço do museu em Nova York é um arquivo de TV no centro de Manhattan. Com mais de 140 mil programas catalogados e armazenados, a instituição oferece uma busca rápida, que permite localizar desde o primeiro episódio da novela ‘Roque Santeiro’ até uma conversa de rádio de 1940 entre o escritor inglês H.G. Wells e o cineasta Orson Welles.

‘Nossa meta é colecionar e preservar programas que fizeram uma diferença em todas as categorias da TV e rádio. Colecionamos programas que tiveram aclamação crítica e também que tiveram alta popularidade’, explicou Simon à Folha.

Além de acesso à pesquisa na base de dados, o ingresso dá direito a ver quatro programas. A maior parte do conteúdo é americana _mas há 36 atrações brasileiras. A visita física é a única forma de pesquisar o acervo, que ainda está em digitalização e, por ora, não será colocado na web.’

Marcelo Bartolomei

Filosofia volta à cena na Globo para discutir caos penitenciário

‘A série ‘Ser ou Não Ser?’, o momento filosófico do ‘Fantástico’, reestréia hoje com questionamentos sobre o sistema penitenciário brasileiro. ‘Foi uma feliz coincidência, porque talvez possamos contribuir nessa discussão’, diz Viviane Mosé, psicóloga, psicanalista, filósofa e apresentadora. O primeiro episódio faz uma busca histórica da exclusão, sob os conceitos de Foucault. ‘Todos somos excluídos em algum momento. Falaremos desse hábito.’ A partir disso, o roteiro aborda a internação, que leva ao conceito das prisões. Enquanto explodem imagens das rebeliões, o sistema é colocado em xeque. ‘Não vamos dizer para não internar ou soltar os presos, mas é preciso saber que esse mecanismo faliu. Em geral, a gente discute o problema denunciando, mas, sob essa abordagem, vira uma questão filosófica.’ Os dois primeiros episódios mostrarão também sistemas como um leprosário paulista e um hospital psiquiátrico do Rio. ‘Ambos foram construídos para corrigir, curar e readaptar, mas, obviamente, aconteceu o mesmo que na penitenciária, que inchou, superlotou e se tornou um lugar de morte e sofrimento.’ ‘Ser ou Não Ser?’ estreou na Globo em 2005, com 16 episódios. Ganhou quatro capítulos no final do ano e volta agora com outros quatro. Apesar das críticas sobre a impossibilidade de filosofar na TV, o projeto não recuou. ‘Me arrisco a dizer que, cada vez mais, estamos caminhando para um pensamento, menos para uma filosofia. O programa evoluiu.’ Serão discutidas exclusão, razão, loucura e paixão, exemplo que ficará latente na Copa do Mundo, e apresentados fatos históricos, correntes de pensamentos e filósofos como Nietzsche (o preferido de Mosé), Aristóteles e Platão.

SER OU NÃO SER

Quando: hoje, às 20h30

Onde: Durante o ‘Fantástico’, da TV Globo’



COPA 2006
Paulo Cobos

Internet vai furar cerco aos hotéis da seleção

‘A internet promete devassar o ‘bunker’ da seleção brasileira na sua concentração na Suíça para o Mundial da Alemanha. Blogs, fotoblogs, sites dos jogadores e um forte investimento cibernético da própria Confederação Brasileira de Futebol vão mostrar o que câmeras de emissoras de TV e olhos de jornalistas e torcedores não vão ver por causa da decisão de fechar as portas do hotel. Na Copa de 2002, eram abertas. Todos os jogadores vão ficar em quartos individuais com acesso de banda larga à rede. De lá, usarão seus laptops para municiar seus sites oficiais -quase todos têm páginas. O site de Roberto Carlos vai ter uma equipe própria para produzir material durante a Copa. ‘Teremos fotos, e o site vai ter a cara da Copa’, diz Diego Kotscho, seu assessor. A equipe de Ronaldinho, chefiada pelo seu irmão Assis, negocia um fotógrafo exclusivo para clicar o melhor do mundo e pôr imagens no seu site. Em mais um de seus polpudos contratos, o meia-atacante assinou há pouco tempo contrato com a Microsoft para escrever um blog com suas impressões no futebol também durante a Copa. Até jogadores de menos fama têm uma janela com os torcedores por meio da internet. O site do zagueiro Lúcio é um dos mais completos -tem até vídeos dos seus gols. Alguns aproveitam a rede para faturar. O site do goleiro Rogério já teve uma seção para vender camisas e oferece o download de imagens suas. Além de dar notícias internas, os jogadores poderão participar de bate-papos pela rede. Mas, segundo a CBF, haverá restrições de horário. A própria confederação vai mostrar o que acontece dentro da concentração. Em seu site, diz que mostrará notícias de bastidores, a que ‘a imprensa não terá acesso’. Para isso, aumentou o investimento em equipe com cinegrafista, fotógrafo e redatores para sua produção. De amanhã, quando chega à Suíça, até o final da primeira fase da Copa-06, o Brasil só vai ficar em hotéis exclusivos. O técnico Carlos Alberto Parreira não gosta do esquema de portas abertas de Luiz Felipe Scolari do último Mundial. Parreira exaltou o sexo na Copa, mas diz que não gosta da de parentes que atrapalham por perto. Ou seja, parece preferir os atletas isolados, mas na frente do computador.

Colaborou RICARDO PERRONE , do Painel FC’



EVENTO FOLHA
Folha de S. Paulo

Folha e Cebrap promovem um ciclo de debates sobre a pobreza

‘A Folha, o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e o Institute of Development Studies, da Universidade de Sussex, na Inglaterra, promovem nos dias 25 e 26 de maio o seminário ‘Pobreza, desigualdade e desenvolvimento: desafios para as políticas e a pesquisa’. O evento contará com quatro mesas de debate.

A primeira, ‘Pobreza no Brasil: o que fazer?’, será no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, São Paulo), às 20h do dia 25. Reunirá Marcelo Neri (FGV-RJ), Ricardo Paes de Barros (Ipea), Sonia Rocha (Iets) e o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). O mediador será Gilberto Dimenstein, colunista da Folha.

‘Brasil: uma agenda de pesquisas sobre o desenvolvimento’ reunirá Carlos Brito Cruz (Unicamp), Glauco Arbix (USP) e Vera Schattan Coelho (Cebrap). Mediada por Vinicius Mota, editor de Opinião da Folha, será realizada no Cebrap (r. Morgado de Mateus, 615, São Paulo) às 10h15 do dia 26. A mesa ‘A desigualdade social no Brasil’, no mesmo local, às 14h, contará com Zander Navarro (UFRGS), Marcus Melo (UFPE) e Eduardo Marques (USP), e será mediada por Vinicius Torres Freire, secretário de Redação da Folha.

‘Brasil: desafios para os próximos 15 anos’ será no Cebrap às 16h. Reunirá o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e Luiz Carlos Bresser Pereira (FGV-SP). A mediação será de Vinicius Mota. Inscrições para o evento, que é gratuito, devem ser feitas pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br ou pelo telefone 0/xx/11/3224-3698 a partir de segunda-feira.’



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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

O Globo – 1

O Globo – 2

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