Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 10 E 11/02

Folha de S. Paulo

13/02/2007 na edição 420

SEGUNDO MANDATO
Folha de S. Paulo

Política Cultural: Gil lança programa de fomento em recife

‘Gilberto Gil deu início ao seu novo mandato no Ministério da Cultura na última quarta-feira, em Recife, com o lançamento do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec).

Em pronunciamento na abertura da Feira Música Brasil, Gil afirmou que o Prodec terá um orçamento de cerca de R$ 13 milhões neste ano e seu objetivo será ‘apoiar a dimensão produtiva das atividades culturais’.’



TELECOMUNICAÇÕES
Janaína Leite

Provera não ordenou espionagem da Telecom Italia, diz ‘araponga’

‘O acionista majoritário da Telecom Italia, Marco Tronchetti Provera, nunca deu ordem para que sua equipe usasse a estrutura da operadora para espionagem ilegal. A afirmação é do ex-chefe mundial de Segurança da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli, e foi reproduzida ontem pelo jornal ‘Corriere della Sera’.

Tavaroli está preso desde setembro em Milão. É acusado pelo Ministério Público italiano de ter encabeçado um gigantesco esquema de arapongagem. Mais de 2.000 pessoas, afirmam os procuradores, tiveram violados computadores e dados telefônicos, bancários, fiscais -dentre elas, jornalistas do ‘Corriere’, um dos mais importantes diários italianos.

‘Tronchetti e [Carlo] Buora [vice-presidente da Telecom Italia] sempre me pediram para operar na legalidade’, disse Tavaroli, para depois admitir que seu time de segurança pode ter extrapolado os limites de sua competência. ‘A partir de 2001, talvez tenhamos nos deixado levar [pelo entusiasmo]’, disse ele, que avalia ‘nunca ter feito mal a ninguém’.

Outra testemunha, o ex-detetive Marco Bernardini, havia dito à imprensa italiana que a invasão dos computadores do ‘Corriere della Sera’ interessavam diretamente a Tronchetti Provera.

A Folha conversou com Bernardini por meio de seu advogado, Vincenzo Carosi, que também atua no Brasil. ‘Muitas pessoas foram espionadas no seu país’, disse.

Ele revelou ainda que, em seu depoimento à Procuradoria de Milão, o técnico tido como principal ‘hacker’ da Telecom Italia, Fabio Ghioni, afirmou que as invasões partiam do Brasil porque aqui ‘não existe uma lei específica contra ações de ‘hackeragem’.’



RÁDIO
Folha de S. Paulo

Falta de luz no centro tira a rádio CBN do ar

‘Um apagão em quatro ruas do centro de São Paulo, iniciado ontem por volta das 20h, deixou fora do ar por cerca de 20 minutos a rádio CBN, uma das principais do país.

O problema estava localizado na rede subterrânea da esquina da al. Nothmann com a rua das Palmeiras. A Eletropaulo ainda apura as causas da falta de luz. Por volta das 21h30, a rádio voltou a sair do ar e usou gerador para retomar as operações.

Às 22h30 a luz voltou, segundo a assessoria de imprensa da Eletropaulo.’



TELEVISÃO
Daniel Castro

ONG acusa Globo de mostrar sexo no ‘BBB’

‘Uma ONG que se dedica a ‘investigar’ mensagens subliminares em programas de TV está acusando a Globo de mostrar imagens de sexo no cenário do confessionário da sétima edição de ‘Big Brother Brasil’.

A ONG, que se chama Mensagem Subliminar, diz que desenhos de esboços de corpos humanos que aparecem no cenário retratam ‘uma mulher se masturbando e outras tantas figuras masculinas e femininas nuas praticando sexo oral’.

A ONG enviou uma carta à Globo, acusando a emissora também de ‘incitar o uso’ de tabaco e álcool, substâncias bastante consumidas pelos participantes do ‘BBB’. O que mais chama a atenção é que o porta-voz da Globo, Luís Erlanger, respondeu ironicamente, dizendo que ‘entre os milhões de telespectadores do programa, esse é o único caso de visão erótica que recebemos’.

Anteontem, a ONG deu o troco. Denunciou a Globo ao Ministério Público por ‘apologia ao consumo de cigarros e bebidas alcóolicas’ no ‘BBB 7’.

A Globo reafirma que só a ONG ‘viu sexo no cenário’ e informa que a intenção dos cenógrafos foi retratar ‘almas penadas’. Sobre o consumo de cigarro e álcool, diz que não tem como ‘intervir’ no comportamento dos participantes.

Em 2002, uma denúncia da mesma ONG tirou do ar uma vinheta da MTV que continha imagens ocultas de mulher praticando sadomasoquismo.

BOLA DENTRO 1 Sem parceria com a Globo, a Record comprou os direitos de transmissão dos campeonatos da Bahia e de Santa Catarina, que vem exibindo apenas nesses Estados. Se deu bem.

BOLA DENTRO 2 Na Bahia, a Record vem batendo a Globo nas noites de quarta, mesmo iniciando as transmissões às 20h30 e enfrentando a novela das oito. Na última quarta, o segundo tempo de Ipitanga x Vitória rendeu 24 pontos à Record em Salvador, contra 13 da Globo.

BOLA FORA A Band vai tirar ‘Paixões Proibidas’ das 22h. Nesta semana, já começou a exibir a novela também às 17h30. Não está dando certo. No final da tarde, a trama só dá 1,5 ponto, meio ponto a menos do que à noite.

SUSPENSE Márcia Goldschmidt, que agora mora em Miami, esteve anteontem na Band. Na rede, já se especula que Márcia voltará ao ar em breve, num programa vespertino. A emissora nega. Diz que não há nem sequer projetos para a apresentadora.

EM REDE O SBT, que perdeu sua afiliada em Alagoas para a Record, volta na semana que vem a contar com uma geradora no Estado. A rede de Silvio Santos tomou a afiliada local da Band.

COMUNIDADE O Multishow volta em 14 de março a mostrar novas edições do ‘Lugar (In)Comum’, programa de Didi Wagner gravado em Nova York, que foi responsável pelo crescimento de 34% de audiência do canal em seu horário de exibição em 2006.’



BAR DOCE LAR
Adriano Schwartz

Jornalista cria fábula autobiográfica

‘O título em inglês, ‘The Tender Bar’, é horrível, e em português não ficou muito melhor, ‘Bar Doce Lar’.

A desconfiança, contudo, desaparece quando começam a ser lidas estas memórias precoces do jornalista norte-americano J.R. Moehringer, nascido no ano de 1964.

Correspondente do ‘Los Angeles Times’ e ganhador de um Prêmio Pulitzer, o autor entrelaça aqui acontecimentos de sua vida e do Dickens, um bar em Manhasset, Long Island (Nova York), e seus principais freqüentadores desde 1972.

Ainda que o nome do livro e seu prefácio coloquem o bar em posição central, trata-se, na verdade, da clássica fábula do herói que, contra tudo e todos (um pai que o abandonou, uma família desajustada, bebida em doses cavalares, falta de dinheiro), consegue dar a volta por cima e vencer na vida, como nos informa rapidamente o último capítulo do livro.

Mas isso não importa muito, porque Moehringer sabe contar muito bem a sua história (um dos assuntos que permeia o livro, aliás, é a busca de um modo eficaz de narrar os casos do Dickens, rebatizado posteriormente com o nome de Publicans).

Diálogos recriados

Assim como não importa, como um crítico mencionou, que ele reproduza com precisão diálogos que aconteceram com todos os seus participantes absolutamente bêbados.

Faz parte do jogo autobiográfico sempre uma boa dose de imaginação (e, quem lembra, afinal de contas, de todos os detalhes de conversas ocorridas às vezes décadas antes?).

Além de construir o retrato tocante e por vezes muito divertido de dezenas de personagens, que, com três exceções, têm seus nomes verdadeiros citados no livro, merece destaque a longa passagem em que o escritor reconstrói a sua infância atribulada pelas idas e vindas com a mãe para a casa do avô ruim e, para quem se interessa por jornalismo, todo o trecho em que se transforma em estagiário do ‘New York Times’, com a missão de buscar comida para os editores.

Sabendo-se que, hoje em dia, Moehringer se tornou um importante jornalista -atualmente no ‘Los Angeles Times’-, a impressão que fica das estratégias trabalhistas do principal periódico do mundo não é das melhores.

Como uma parte considerável da produção norte-americana dos últimos anos, ‘Bar Doce Lar’ procura lidar com o 11 de Setembro, ponto escolhido pelo jornalista para encerrar sua história.

Moehringer conta o seu retorno para a região em que crescera para missas e funerais de amigos mortos na tragédia e faz um balanço dos 11 anos anteriores (a narrativa se interrompera em 1990): ‘Éramos todos mestres em idealizar lugares, e depois de 11 de Setembro só sobrara um lugar para ser idealizado, um lugar que nunca poderia nos desiludir. O passado’.

ADRIANO SCHWARTZ é professor de literatura da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP

BAR DOCE LAR – AS MEMÓRIAS DE UM MENINO ADOTADO PELO BAR DA ESQUINA

Autor: J.R. Moehringer

Tradução: Mauro Pinheiro

Editora: Nova Fronteira

Quanto: R$ 44,90 (432 págs.)’

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

O Globo

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