Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/03

Folha de S. Paulo

27/03/2007 na edição 426

SEGUNDO MANDATO
Kennedy Alencar

Franklin critica cultivo de mídia simpática

‘O jornalista Franklin Martins, futuro ministro das áreas de imprensa e publicidade do governo Lula, diz que esses ‘guichês serão separados’.

Diz, porém, que a imprensa ‘será criticada sempre que avançar o sinal’. Para ele, isso ocorre quando a mídia tenta ‘puxar a sociedade pelo nariz para um lado e para o outro’.

Indagado se o governo incentivaria a criação de órgãos simpáticos, como prega o PT, diz: ‘Não cabe ao governo plantar, regar e colher veículos de comunicação simpáticos a ele’.

Ele defende a criação de uma rede pública de TV, dizendo que ela não deve funcionar com lógica comercial. Diz que o governo poderá indicar a diretoria, mas sem partidarismo. ‘Senti na conversa com o presidente que é TV pública e não estatal. Plural e não partidária.’

Franklin defende um encontro entre Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que se mantenha uma agenda comum nacional, que quase se perdeu na crise do mensalão devido à ‘luta política’ entre PT e PSDB. Diz ter ‘orgulho’ de ter combatido a ditadura militar de 1964. ‘Lutei do lado certo.’

Franklin, 58, acumulará a função de secretário de imprensa com a de ministro até indicar um substituto para o cargo hoje exercido pelo jornalista André Singer. Para porta-voz, nomeará alguém ‘de fala concisa’.

Folha – Por que o presidente o convidou?

Franklin Martins – A idéia do presidente é passar para a sociedade a idéia de que deseja ter uma relação de comunicação forte, mais intensa e mais profissional. Simbolicamente, ao chamar um profissional como eu, quis passar essa idéia. Comunicação é falar e ouvir. Não é só falar.

Folha – Lula é criticado por ter dado raras entrevistas coletivas no primeiro mandato.

Franklin – Isso correspondeu a um momento. O presidente tem dado entrevista quase todo dia, falando ao final dos eventos.

Folha – Mas foge ao formato de coletiva e às exclusivas em que pode haver o pingue-pongue entre entrevistado e entrevistador.

Franklin – Cabe o formato de coletiva, que não é para se fazer todo dia. O presidente fará uma coletiva em breve. E cabem essas entrevistas de saída de eventos em que dará a palavra do presidente sobre o assunto do dia, o que é fundamental para os jornalistas. E cabem os formatos de conversas com jornalistas e entrevistas para órgãos de imprensa. O presidente terá uma comunicação muito mais intensa e profissional.

Folha – E por que o sr. aceitou?

Franklin – Um pouco de vaidade com essa coisa de ser ministro. Gosto de desafios. Profissionalmente, estava no auge da minha carreira. Comentarista respeitado, prestigiado junto aos colegas e às fontes. Mas, no fundo, queria fazer coisas novas, diferentes. Tem a ver com as circunstâncias políticas do país. Passamos por uma crise política extremamente dura, selvagem em alguns momentos, e estamos saindo dela. Foram cometidos erros de lado, do governo e da imprensa. O povo brasileiro demonstrou maturidade. Quis a apuração dos fatos. Mas também olhou e disse: eu também quero que o país continue a melhorar, a enfrentar os seus problemas reais. Não vamos confundir disputa política com solução dos grandes problemas nacionais’.

Isso baixou a intoxicação do debate político. Na campanha, quando os candidatos subiram de tom, tiveram queda nas pesquisas. O recado era ‘menos, gente’.

Lula venceu com grande vantagem, demonstrando que a opção do eleitor não foi fortuita. Mas o eleitor disse: ‘Não quero perder os avanços que nós temos devido a luta política tumultuada’.

Folha – Não foi só luta política. Houve escândalos de corrupção sérios. Houve o dossiegate. O sr. acha que a imprensa exagerou?

Franklin – Falando ainda como jornalista, não como ministro, a imprensa cumpriu um papel importante no primeiro momento da crise, forçando a realização das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito). De certa forma, pautou os primeiros momentos. Trouxe à tona o caixa dois, os recebimentos de dinheiro por parlamentares. Entretanto, a partir de determinado momento, era preciso avançar e responder a uma questão crucial que eu repetia como um mantra nos comentários: ‘De onde veio o dinheiro do valerioduto?’ Por quê?

Essa resposta permitiria que a investigação desse os passos seguintes. Hoje, não contamos a história. Há a suspeita. Evidente que o dinheiro do valerioduto foi para maior número de parlamentares do que o apontado pela CPI. O dinheiro havia sido aplicado para financiar troca de partidos, uma hipótese bastante plausível. Por que a CPI não quebrou o sigilo desses parlamentares? Não houve da parte da CPI esse interesse. E a imprensa não fez uma investigação independente para saber de onde veio e para onde foi o dinheiro do valerioduto, o que permitiu que o processo ficasse apenas com aparência de discurso político.

A partir de um determinado momento, a imprensa parou de pautar a CPI e passou a ser pautada pela CPI. Prevaleceu não a investigação, mas o discurso. E a população percebeu isso e se afastou, o que é ruim, pois nos afastou de conhecer melhor e mais o que aconteceu.

Folha – Colocar numa mesma pasta a verba publicitária do governo e a relação com a imprensa não traz o risco de tentativa de manipulação política da mídia?

Franklin – Traz. Viver é muito perigoso, como dizia Guimarães Rosa. Risco sempre existe, mas não é um risco novo. Em todos os Estados da Federação, é assim. No governo federal, sempre foi assim. Já tivemos casos em que o porta-voz do presidente [diplomata Sérgio Amaral no governo FHC] era também quem controlava a verba de publicidade. E não houve nada demais.

Folha – No segundo mandato, FHC separou as funções. E Lula as deixou assim no primeiro mandato.

Franklin – O Sérgio Amaral controlou a verba de publicidade e isso não resultou em coisa escusa, malandragem. Não houve nada.

Folha – Separar publicidade e imprensa não é uma fórmula mais imparcial?

Franklin – A maioria esmagadora dos recursos de verba publicitária é das estatais. O governo não controla. As campanhas de publicidade do governo têm uma dimensão política e técnica. Vou indicar alguém da minha absoluta confiança, íntegro e com conhecimento do mercado de publicidade, com experiência de trabalho executivo, para cuidar da parte técnica. Serei responsável em última instância.

Na dimensão política, deve-se discutir qual o sentido da campanha que o governo realiza ou vai realizar. Se há dúvidas sobre um programa social do governo ou uma medida do governo, talvez caiba uma campanha para esclarecer melhor. O acompanhamento da mídia é fundamental para sentir, por exemplo, se há dúvidas sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Colhe-se isso também na relação com a imprensa, que expressa as mais variadas posições da sociedade. Uma eventual inflexão da propaganda poderá esclarecer tais dúvidas.

É um conceito de unificação da comunicação do governo, não é para misturar dois guichês. Os guichês serão absolutamente separados. As empresas de comunicação no Brasil, de modo geral e em sua maioria, são empresas sérias. Não aceitariam misturar os guichês. Eu sou uma pessoa séria e não aceito misturar os guichês. O governo é sério e não aceita misturar os guichês.

Folha – Concorda com as teses do PT de que é preciso democratizar os meios de comunicação? Acha que deve ser estimulada a criação de veículos de comunicação simpáticos ao governo, dando-lhes financiamento oficial direto ou indireto?

Franklin – Essa questão de democratização dos meios de comunicação é uma fórmula na qual cabe tudo. Sou a favor, óbvio. Quanto mais democrática e plural a circulação de idéias na sociedade, melhor. Mas não cabe ao governo plantar, regar e colher órgãos de comunicação simpáticos a ele. Quem cria órgãos de comunicação é a sociedade. O governo tem uma função na relação com a imprensa: garantir a liberdade de imprensa. Ponto. O resto é a sociedade quem faz.

Folha – A rede pública de TV não corre risco de virar uma nova Radiobrás ou TV Voz do Brasil? Ela é necessária?

Franklin – É necessária. A intensidade com que essa discussão surgiu mostra que o país estava precisando discutir isso. Em qualquer discussão que se inicia, as posições, às vezes, vêm truncadas. Esse processo ajuda a avançar. O governo não pretende criar uma TV do governo, estatal. Mas estimular, fazer crescer e dar forma a uma rede pública de TV.

Folha – Com qual formato em termos editoriais, de gestão e de financiamento?

Franklin – Não vai funcionar guiada pela questão comercial. Isso coloca limitações para uma série de TVs que necessitam adquirir uma determinada escala de audiência e respondem a estímulos comerciais porque são empresas que visam lucro. Essas TVs privadas não podem entrar em determinadas áreas, fazer determinadas programações, que são importantíssimas.

Folha – Mas não é importante ter audiência?

Franklin – É importante. Estou falando de escala de audiência. Não tem obrigação de concorrer para liderar o horário nobre. Na Inglaterra, na época em que fui correspondente, havia duas TVs públicas, BBC 1 e BBC 2, e dois canais privados, ITV e Channel Four. A BBC 1, com programação mais educativa, competia com o Channel Four. A BBC 2, com a outra, que tinha programação mais comercial. A BBC 1 tinha audiência de seis e sete pontos, o que é um índice bom. Essa situação ajudava a melhorar o padrão de produção de todas as TVs.

Os mecanismos de gestão e de financiamento devem ser discutidos e feitos com base na experiência exitosa de outros países e aqui, como a TV Cultura, por exemplo.

Folha – Quem vai escolher a diretoria?

Franklin – Evidentemente, a escolha inicial parte do governo. Mas o governo não precisa escolher os partidários do governo. Não existe ainda um formato definido. A discussão ainda não está madura. O que senti na conversa com o presidente é uma TV pública e não estatal. Plural e não partidária. Aberta para contribuição e presença das diferentes identidades regionais e não com uma programação de uma cara só. [Deve ter] programação variada, com jornalismo, com parte cultural voltada para cidadania.

Isso é diferente da Radiobrás, que tem um papel que deve continuar, funciona como uma agência noticiosa do governo. Nesse aspecto, a gestão do Eugênio Bucci foi importante, sem caráter de chapa branca. Tanto que convidei-o para permanecer na Radiobrás. E ele ficou de me dar a resposta.

Folha – O governo deverá colocar recursos vinculados, haverá possibilidade de corte no orçamento dessa rede pública?

Franklin – Honestamente, ainda não tenho idéia. O governo vai ter de botar verba. Há discussões se vale a pena trabalhar com patrocínio privado, como existe na TV Cultura. Não publicidade comercial. Os modelos de financiamento e de gestão devem ser discutidos. Será bom para o Brasil ter uma TV pública.

No Brasil, a gente se assusta com tudo que significa mudança, modernidade e novidade. Depois, descobre que é muito bom. Não sei por que o Brasil se assusta com a possibilidade de ter uma BBC.

Folha – As primeiras reações de parte dos veículos privados têm sido de reticência.

Franklin – Foram reações próprias de um debate inicial. Editoriais, como os da Folha, criticavam a TV do governo, mas, se for uma TV pública, a coisa muda de figura. Podemos discutir. Isso é parte do debate político. Estamos saindo de um momento muito tumultuado de disputa política. Passou a ser óbvio, de entrada, desqualificar a outra posição para não ter que entrar no mérito da discussão.

O que mais quero como ministro da comunicação social é ajudar a qualificar o debate político, o debate público. Liberdade de imprensa não é só informar, mas também qualificar o debate público. Fazer com que se exprimam as diferentes posições da sociedade, que se choquem, e a sociedade escolha a melhor.

Pode haver gente tão a favor da liberdade de imprensa quanto eu, mais a favor não tem. Meu pai foi jornalista e preso na ditadura Vargas por não aceitar o autoritarismo. Eu passei a minha juventude lutando contra a ditadura [militar de 1964].

A liberdade de imprensa é o nome que se dá ao direito de a sociedade ser informada.

Folha – Como diz o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, a Constituição deseja que a imprensa seja livre, não determina que seja justa.

Franklin – Isso. Quando a imprensa não é justa, ela paga um preço. Não é o Estado que paga. Paga pela crítica feita a ela pela sociedade. A imprensa também não está numa redoma. O presidente pode ser criticado, o ministro pode ser criticado, o papa pode ser criticado, a imprensa pode ser criticada e será criticada sempre que avançar o sinal. Quando ela avança o sinal? Quando vai além do trabalho de dar informação, de fazer circular a informação e de aumentar o debate público. Quando pretende puxar a sociedade pelo nariz para um lado e para o outro. Essa não é uma função da imprensa.

Folha – O sr. identifica veículos que avançam sinal hoje?

Franklin – A sociedade pode fazer essa crítica. Não sou eu quem devo fazer. Evidente, nesse período de crise, teve gente que se comportou de uma forma, teve gente que se comportou de outra. Dentro de nossas redações, há jornalistas que foram mais longe. Eu sempre disse que seríamos julgados pelo nosso comportamento, o que é positivo, não é ruim. A imprensa sairá melhor e já está saindo melhor dessa crise do que entrou. Como o governo está saindo melhor do que entrou. A crítica é o que faz pessoas crescerem desde que elas consigam perceber o que fizeram de errado. E quem critica a imprensa e muda a imprensa é a sociedade, não é o governo. Não é o leitor. O leitor de um jornal pode até estar gostando desse jornal. Mas o debate na sociedade pode levar aquele leitor a perceber que não era bem assim.

Folha – Como ministro, o sr. manterá o processo contra o jornalista Diogo Mainardi?

Franklin – Vou manter.

Folha – Por quê?

Franklin – Não estou fazendo nada contra a liberdade de imprensa. Manter o processo contra esse senhor não tem nada a ver sobre o que eu penso ou o que ele acha que eu penso. É um direito que ele tem. Isso não discuto. Entrei com processo contra ele porque ele me acusou de crimes. Me acusou de ter praticado tráfico de influência e de ter participado da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa.

Fez essas acusações sem nenhum elemento. Mais do que isso, ele e a revista dele [‘Veja’] se recusaram a publicar a minha resposta, a minha explicação. Que liberdade de imprensa é essa na qual um lado fala e sequer publica o outro lado. Fiz o que se faz em qualquer estado de direito. Quando acha que sua honra foi atingida, recorre à Justiça. Quem pode definir se essa honra foi atingida? Eu? O colunista da revista? Não, a Justiça. No processo, peço que seja publicada a minha resposta e peço reparação por danos morais.

Folha – Como ministro, não ganhará mais peso esse processo em seu favor?

Franklin – A Justiça não vai agir assim porque sou ministro. Pelo ritmo no Brasil, a Justiça só terá julgado esse processo depois que eu deixar de ser ministro. Ele terá toda a oportunidade de provar que todas as acusações de que cometi crimes são verdadeiras. E, se for isso, quem vai ficar mal sou eu.

Ele também pode, se quiser, dizer: ‘Eu errei. Volto atrás’. Mas hoje em dia pega mal para ele. Acho que dificilmente o fará. Não vou abrir mão de defender a minha honra da única forma num estado de direito, que é ir à Justiça.

Folha – Esse episódio foi determinante para o seu afastamento da função de comentarista do ‘Jornal Nacional’ e da saída da Rede Globo?

Franklin – Não. Eu já havia deixado de ser comentarista do ‘Jornal Nacional’. A direção da TV Globo chegou à conclusão de que deveria tirar toda e qualquer opinião do jornal porque ele era basicamente informativo.

Folha – E em relação à saída?

Franklin – Fiz essa pergunta à direção, e eles disseram que não. A alegação que me deram é que eu estava com imagem fraca como jornalista, muita gente não me conhecia. Eu disse a eles que achava que a explicação não me convencia. A pergunta tem de ser feita à TV Globo.

Folha – O sr. tem mágoa da Rede Globo e de sua cúpula atual?

Franklin – Não. Tive oportunidades profissionais fantásticas na TV Globo. Trabalhei lá durante oito anos e meio. Fui comentarista dos principais jornais. Participei do núcleo que coordenou a cobertura das eleições de 2002, que foi um marco na história da TV Globo. Fui diretor de jornalismo em Brasília, sempre com uma relação excepcional com a Central Globo de Jornalismo. Portanto, sou grato à TV Globo. Aconteceu uma coisa que não entendo.

Folha – Como o sr. pretende se relacionar com a Globo?

Franklin – Digo sempre que não vou olhar para trás. Quem olha para trás vira estátua de sal. Tenho muitos amigos na Globo. Deve haver pessoas que não gostam de mim. Será um relacionamento profissional.

Folha – Qual é a sua avaliação da cobertura da imprensa de modo geral a respeito do governo Lula?

Franklin – Vou falar como acho que deve ser daqui para frente. Profissional, séria, crítica, sem preconceito.

Folha – O sr. está proibido de entrar nos EUA por causa do sequestro de Charles Elbrick?

Franklin – É uma versão que corre, provavelmente verdadeira. Mas nunca pedi visto para o governo americano, até porque imagino que não me dariam. Outras pessoas que estiveram na mesma situação que a minha, de seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, receberam sinais de que não conseguiriam.

Folha – O sr. vai com Lula para Washington no final do mês?

Franklin – Não sei. É uma questão secundária. Tanto os Estados Unidos quanto eu sobreviveremos a esse detalhe.

Folha – O sr. participou da luta armada contra a ditadura militar de 1964. Como avalia hoje aquele período? Valeu a pena? Foi o melhor caminho? Arrepende-se de algo? Faria diferente?

Franklin – Faria muitas coisas diferentes com a visão que tenho hoje. Não me arrependo do que é central. Lutei do lado certo. Lutei do lado da democracia contra a ditadura.

Folha – O manifesto dos seqüestradores do embaixador falava em matar carrascos e torturadores do regime militar. O que acha disso hoje?

Franklin – Fica difícil discutir porque hoje não existe uma polícia como um instrumento de opressão política do Estado sobre as pessoas. Hoje, as pessoas fazem oposição livremente, falam livremente. Naquele época, quem fizesse oposição ao regime estava sob o risco de ser preso, torturado e morto. Eram outras circunstâncias, circunstâncias de guerra.

Com todas as suas diferentes nuances, o povo brasileiro superou a ditadura militar. Participei das manifestações estudantis de 1968 que praticamente inviabilizaram o modelo de ditadura que eles tinham. Então, partiram para o terrorismo de Estado aberto. Em 1974, a vitória do MDB, inviabilizou o terrorismo de Estado. As diretas, em 1984, inviabilizaram a distensão que pretendia manter uma ditadura sob controle. Estive do lado certo. Tenho o maior orgulho de ter lutado. Tenho um certo pudor de bater no peito e ficar proclamando, parece que estou contando vantagem.

Tenho o maior orgulho de ter lutado contra a ditadura. Posso contar tudo o que fiz, inclusive os meus erros, para os meus filhos, os meus netos, discutir abertamente na sociedade.

Os que estiveram do outro lado não podem. Vivi na clandestinidade cinco anos e meio. Vivi cinco anos e meio no exílio. No entanto, não vivo mais na clandestinidade. Muita gente que torturou e matou é clandestina até hoje, até para a sua família.

Folha – O sr. foi preso e torturado?

Franklin – Fui preso durante dois meses, mas não fui torturado. Saí um dia antes do AI-5 [ato institucional número 5, de 13 de dezembro de 1968, que suspendeu direitos políticos e tornou mais bruta a ditadura militar de 1964]. Se estou aqui até hoje, é porque sou um sujeito que teve muita sorte.

Folha – O sr. participou de alguma ação em que morreram pessoas? Matou alguém?

Franklin – Não, não.

Folha – Nas eleições, Lula chegou a dizer que desejava um acordo com a oposição, encontrar uma agenda comum. É possível haver algum entendimento entre PT e PSDB, duas forças com algumas características em comum, mas que se digladiam?

Franklin – No auge da crise, o Brasil correu o risco de perder uma coisa que ele construiu quase sem saber. E poderia ter perdido sem saber que construiu, que é uma agenda política comum nacional. Essa agenda tem cinco pontos. O primeiro é a democracia. Vamos resolver nossos problemas pela via democrática. Queremos eleições, queremos respeito aos direitos e garantias individuais. A oposição tem o direito de fiscalizar, mas não tem o direito de impedir o governo de governar. O governo tem o direito de governar, mas não tem o direito de impedir a opinião de se expressar. Se há uma direita no Brasil, o que se discute [risos], ela é mais democrática do que era antes. A esquerda é mais democrática do que era antes.

O segundo ponto é a moeda. Queremos estabilidade monetária. Houve uma época em achávamos que podíamos conviver com a inflação alegremente graças ao overnight, ao gatilho salarial, à escala móvel de salário. O preço estamos pagando até hoje.

Terceira questão: responsabilidade fiscal. Não basta o governante ir gastando e pendurar a conta no cabide ali em frente. Temos de ter seriedade com o dinheiro público. Quarta questão. Tudo isso é muito importante, mas é preciso crescer, gerar emprego, gerar oportunidades para a juventude. E a quinta é que não basta crescer. Temos de combater a exclusão social.

Essa agenda vem sendo construída ao longo do tempo. Parte dela foi construída durante a ditadura. Parte no governo Fernando Henrique Cardoso. Parte no primeiro governo Lula. Essa agenda corresponde a um pensamento de 70% a 80% das forças políticas do país. A vantagem disso é que a luta política pode se dar num terreno razoavelmente delimitado. Nessa crise, quase jogamos isso pela janela. Se a crise tivesse ido um pouquinho mais longe e se o povo brasileiro não tivesse dito ‘calma, pessoal, eu não quero perder essa coisa’.

Folha – O que seria ter ido mais longe? A oposição patrocinar o impeachment do Lula? O Lula tentar dar uma guinada autoritária?

Franklin – Sim. Por que não partiram para o impeachment? Por que o Lula não endureceu? Porque a sociedade disse: ‘Não quero’. Temos essa agenda comum. Grandes programas que começam a dar certo são apoiados por muito mais partidos do que os que estão no governo. O Bolsa Família era tido como uma ‘Bolsa Esmola’. Hoje, a maioria das forças políticas reconhece que é um vigoroso programa de transferência de renda que deve ser mantido e aprimorado. É uma conquista que não dá para abrir mão. O atual programa de melhoria da qualidade da educação incorpora coisas que vieram do governo FHC. Nos últimos 25 anos, construímos coisas em comum e quase jogamos fora na crise.

Folha – Lula se queixa de FHC ter sido muito duro com ele na crise. FHC se queixa de Lula não ter mantido a cordialidade a que ele deu início com a transição de governos. O sr. acha que eles deveriam se encontrar e conversar?

Franklin – Os dois precisam conversar. Seria muito bom para os dois e para o país, mantendo as opiniões e divergências. Esse negócio de agenda comum não é aderir ao governo. A oposição está na oposição por vontade do eleitor. O governo está no governo porque o eleitor mandou. Cada macaco no seu galho. E, do seu galho, cada um pode conversar com o outro.’

Fabiano Maisonnave

Declarações de Costa são insulto, diz Venezuela

‘DE CARACAS – No mais duro ataque de um representante de Hugo Chávez contra o governo Lula, o embaixador de Caracas em Brasília, general Julio García Montoya, classificou ontem de ‘insultantes e perigosas’ as declarações do ministro Hélio Costa (Comunicações), que na quarta-feira comparou a TV estatal venezuelana à da União Soviética e de Cuba.

‘O tom e o contexto onde o ministro localiza sua afirmação, contra todo o bom senso e respeito que demanda o exercício da boa diplomacia, e mais do que isso, [contra] o excelente nível de relações que existe entre o Brasil e a Venezuela (…), resultam insultantes, além de perigosos’, diz Montoya, em nota publicada na internet.

Para ele, as declarações de Costa criam a impressão de que os meios estatais na Venezuela são usados como ‘instrumento de marketing presidencial’.

‘O que nos alivia um tanto o mal-estar por este desatino político e diplomático do ministro Costa é sua óbvia ignorância sobre o que acontece na Venezuela em matéria de meios de comunicação’.

O embaixador conclui: ‘Queremos acreditar que o ministro Costa teve um deslize emocional (…) para não pensar que sua referência ofensiva ao nosso governo e ao nosso presidente tenha matizes maiores (…) O governo do Brasil terá de nos dar satisfação’.

Costa, ao defender a criação TV pública do governo federal, afirmou, na quarta, que ‘TV estatal é o que o Chávez faz’ e é o que se fazia em Cuba e URSS. A declaração foi reproduzida com destaque ontem na imprensa venezuelana.’



BOLÍVIA
Folha de S. Paulo

Jornalistas do ‘La Razón’ são atacados por camponeses

‘Jornalistas do diário ‘La Razón’ foram atacados por camponeses na Bolívia, que atiraram pedras, insultaram e ameaçaram o grupo, chamando-os de ‘mentirosos’. O ataque ocorreu na cidade de Patacamaya (a cerca de 100 quilômetros de La Paz) e foi protagonizado por homens e mulheres que gritavam que ‘o La Razón é mentiroso, como disse Evo’.

Em coletiva de imprensa no dia 14 de março, o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que o jornal mentia e desinformava o povo e ameaçou nacionalizá-lo, pois o jornal pertence a um grupo Espanhol.

O carro no qual estavam a jornalista, o fotógrafo e o motorista do jornal foi rodeado por cerca de 200 camponeses na quarta-feira à noite, que tentaram virá-lo com as três pessoas dentro e ameaçaram colocar fogo no veículo. A multidão gritava ‘a imprensa é mentirosa, é preciso chicoteá-los’. Os três funcionários do jornal ficaram ‘detidos’ pelo grupo até conseguirem escapar, na manhã de quinta-feira. Com agências internacionais’



POLÊMICA LITERÁRIA
Eduardo Simões e Sylvia Colombo

Bonde do barulho

‘O anúncio de um projeto literário milionário, envolvendo a Lei Rouanet e uma das mais prestigiosas editoras do Brasil, provocou na última semana intensa troca de acusações entre escritores e blogueiros do país.

Tudo começou no sábado passado, com a publicação, na Ilustrada, da reportagem ‘Bonde das Letras’, anunciando o Amores Expressos, empreendimento que prevê o financiamento de viagens para 16 autores com o objetivo de escreverem, na volta, histórias de amor. Estas seriam depois publicadas pela Companhia das Letras e, eventualmente, adaptadas para o cinema.

O projeto, idealizado pelo produtor Rodrigo Teixeira e pelo escritor João Paulo Cuenca, tem um custo total de R$ 1,2 milhão e pleiteia verba de renúncia fiscal. Por enquanto, o processo ainda está em tramitação no Ministério da Cultura. Se a grana de incentivo não rolar, Teixeira diz que pagará do próprio bolso as viagens dos autores. A Companhia das Letras arcará unicamente com os custos da edição dos livros.

As críticas que inundaram a internet se referem a três pontos: o fato de o projeto usar dinheiro público, envolver viagens com tudo pago e, supostamente, incluir apenas amigos dos organizadores, entre veteranos e novos autores.

Quanto ao primeiro aspecto, não há nada de irregular no modo como Teixeira encaminhou seu projeto. Porém, isso não evitou que chovessem ataques contra ele. Em carta enviada à seção ‘Painel do Leitor’, da Folha, o escritor Marcelo Mirisola disse que o projeto reunia amigos de farra, ‘um mês de vida boa’ financiado por verba de renúncia fiscal.

Blogs de literatura passaram, então, a veicular mensagens pró e contra o ‘bonde’. Um deles foi o do jornalista e escritor Sérgio Rodrigues (o ‘Todo Prosa’, do site Nominimo.com), que vê no qüiproquó seu lado positivo. ‘Rola ressentimento e ciúme, porque talvez os escritores sejam os bichos mais ciumentos do mundo. Mas rola também o embrião de um debate importante sobre o financiamento de produtos culturais ‘de mercado’ com dinheiro de renúncia fiscal’, diz Rodrigues.’

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Uso de incentivo fiscal no ‘bonde’ divide escritores

‘A Folha ouviu os principais personagens dessa polêmica.

Para o editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, Amores Expressos é um caso de ‘uso positivo’ da lei. ‘O que há de errado em usá-la para viabilizar a obra de novos autores, numa área em que os recursos são poucos?’

Sérgio Sant’Anna, um dos passageiros do ‘bonde’, acusou Mirisola de ‘mesquinharia e inveja’ e contou que o escritor pedira, há pouco, que ele escrevesse uma carta de recomendação para que o autor pleiteasse uma bolsa da Secretaria Municipal da Cultura.

Há quem diga que o projeto não beneficia em nada a literatura brasileira, somente os escritores que participam dele. É o caso do escritor Ademir Assunção. ‘O mercado deve viabilizar a si mesmo, não pode ser movimentado pelo dinheiro público. Se fosse para participar de feiras de livros ou de debates em universidades no exterior, ok.’ Há cerca de dois anos, Assunção entregou ao MinC o documento Literatura Urgente, cobrando fomento à produção literária. A proposta não rendeu frutos.

Já Antonio Prata, que vai para Xangai, acha que em vez de polemizar o ‘bonde’, as pessoas deveriam estar discutindo se o Estado deveria dar dinheiro para a cultura ou não. ‘Como avaliar escritores num concurso público? Quem apresentar metáforas por um preço mais baixo leva?’

Mochilão

O fato de o projeto prever viagens internacionais, num circuito tipo Elizabeth Arden, também irrita os críticos do Amores Expressos. Ao que parece, alguns considerariam o projeto aceitável se os viajantes fossem para lugares mais pobres e inóspitos, com escassas possibilidades de diversão. É o argumento do escritor Ricardo Lísias, que se alinha a Mirisola. ‘Por que ninguém vai para a África negra? Não há amor na Faixa de Gaza? Nem na favela de Cité Soleil, no Haiti?’

A escolha das cidades, explica Cuenca, levou em conta dois fatores: o aspecto mercadológico, ou seja, a curiosidade que uma cidade como Tóquio pode gerar nos leitores. E o aspecto de identificação da cidade com a obra do autor: ‘O Joca Reiners Terron tem uma relação com Cairo. O Sérgio Sant’Anna, com Praga. Existe uma escolha estética sutil aí também. Por achar que determinada cidade rende em termos de criação literária, seja pela afinidade que ela pode ter com o lugar ou pelo estranhamento que pode causar’, defende Cuenca.

É o amor

A temática do projeto -as histórias de amor- também foi alvo de ataques. ‘Como é que, em 2007, um escritor pode aceitar a proposta de escrever uma história de amor em Paris? Isso é dinheiro público financiando clichês’, solta Mirisola.

Para Sérgio Rodrigues, ‘essa coisa dos amores em cidades do exterior é um pouco jeca’. Mas nem por isso ele se coloca contra a idéia. ‘Vamos aguardar o resultado. Torço para que saiam bons livros daí’, conclui.

Também contra os clichês se posiciona Ana Paula Maia, jovem autora do Rio, que perdeu o ‘bonde’. ‘Se me jogassem em qualquer lugar do mundo, eu arrumaria umas brigas, me acidentaria, tomaria uns foras, levaria umas porradas e escreveria um ‘road movie’ violento’, brinca a escritora.

Cuenca defende-se dizendo que acha sedutora a idéia de histórias de amor que se passam em terras estrangeiras, que estas podem ser obscuras, vão variar de acordo com os diferentes estilos literários dos autores e que formarão um panorama das relações hoje em dia. Ele diz ainda que vê como desafio o que os outros vêem como lugar-comum:

‘A Adriana Lisboa vai ter que inventar uma história de amor que não seja clichê’, diz o escritor. ‘Nenhum deles vai escrever uma ‘love story’ açucarada. Você consegue ver o Mutarelli fazendo algo assim?’

Amigos de Cuenca

Resta o terceiro ponto da polêmica. Blogueiros e escritores que ficaram de fora do projeto reclamam em coro de que a seleção configura ‘formação de panelinhas’, ou seja, privilegia um grupinho de amigos.

‘Quer que eu diga qual é o critério?’, pergunta Mirisola. ‘Digo e repito. O critério é o compadrio, conseqüentemente, a gandaia.’

Há quem assuma o ciúme, como o escritor Santiago Nazarian, que conheceu Cuenca na primeira edição da Flip (Festa Internacional de Parati), em 2004, quando passaram uma temporada na cidade para escrever os contos do livro ‘Parati para Mim’, projeto que incluiu ainda Chico Mattoso, outro escritor convidado a viajar no ‘bonde’.

‘Assumo que fico com inveja, todo mundo que está de fora fica. Obviamente pode ter pessoas que eles [Teixeira e Cuenca] gostem ou admirem mais como escritores, mas é claro que preferem mandar os amigos. Ao mesmo tempo acredito que eles não iam mandar apenas amigos, que não fossem bons escritores, e que depois entregariam uma merda para a Companhia publicar.’

Teixeira se defende. ‘Ninguém questiona um diretor de cinema sobre quais artistas vai usar no seu filme. O projeto é meu, e eu tenho todo o direito de usar a lei, já que ela existe.’

Cuenca, que dividiu com Teixeira a escolha dos autores, justifica o seu time. ‘Quem dera eu fosse amigo pessoal de escritores como Sérgio Sant’Anna e Bernardo Carvalho, que admiro profundamente. O André de Leones eu nunca vi. Com o Ruffato eu devo ter me encontrado duas vezes. Também não chamaria inimigos. Ninguém quer trabalhar com inimigos.’

O jornalista e colunista da Folha Manuel da Costa Pinto aponta uma curiosidade no caso dos jovens autores selecionados. ‘A Companhia das Letras nunca foi uma editora reveladora de talentos, e agora ironicamente vai sair dessa história como tal.’

Sem relevância

Cuenca por fim afirma que ‘nenhuma voz relevante’ se levantou contra o projeto, apenas ‘meia dúzia de comentaristas de blog’. E dá um conselho aos que não entraram: ‘Que se articulem, formalizem um projeto e usem a Lei Rouanet’.’

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Polêmica pega fogo em blogs e mesas de bar

‘A maioria dos personagens dessa polêmica está a todo vapor na internet, em blogs como o todoprosa.nominimo.com.br e www.santiagonazarian.blogspot.com. Esses escritores também podem ser encontrados na tradicional Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, em São Paulo, e no bar Jobi, no Leblon, no Rio.’

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Lei provoca debates em outras áreas

‘O uso de recursos da Lei Rouanet tem sido objeto de discussão nas diversas áreas culturais. O uso da legislação disseminou-se. Montagens de exposições por institutos culturais ligados a bancos, livros sobre agricultura, festivais promovidos por empresas de telefonia, feiras, filmes que não entram em cartaz, revistas de cultura comerciais, tudo faz-se por meio da lei de incentivo -até mesmo uma turnê do multinacional Cirque du Soleil no Brasil.

A questão maior, que vem sendo discutida há anos, é se os recursos devem ser distribuídos ao sabor dos interesses dos produtores e empresas ou se seria necessário submetê-los a políticas públicas.

Segundo uma forte corrente de opinião, já que o poder público destina uma quantia importante à cultura por meio da renúncia fiscal, ele não pode abdicar da definição de prioridades.

No terreno das artes, por exemplo, aponta-se a precariedade dos museus e a inexistência de políticas de aquisição de acervos como carências graves -o que ficou mais uma vez em evidência no caso da venda da coleção de arte construtiva de Adolpho Leirner para um museu norte-americano na semana passada.

Mais desconfiados em relação a uma eventual presença do Estado na orientação do uso dos recursos, há os que se inclinam por uma linha mais ‘liberal’: reconhecem os equívocos e desvios, mas acreditam que eles serão superados ao longo de um processo de amadurecimento do mercado e dos agentes culturais envolvidos na produção e no financiamento.’



TELECOMUNICAÇÃO
Folha de S. Paulo

Associação pede que Cade barre união de Telefônica e TVA

‘A ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) entrou com medida cautelar no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que o órgão determine que Telefônica e TVA ‘cessem imediatamente as ações combinadas em curso’. Segundo nota da associação, o objetivo é restabelecer o ‘status concorrencial’ anterior à compra da TVA pela Telefônica.

Em outubro do ano passado, o grupo Abril, dono da TVA, e a Telefônica firmaram acordo para a venda da TV por assinatura. A transação ainda depende da aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Criada em 1991, a TVA tem cerca de 300 mil assinantes, 7% de participação no mercado de TV por assinatura.

Para contornar dificuldades legais, a Telefônica precisou dividir a operação em três partes. Uma empresa ficará com as operações de TV por assinatura por meio de MMDS (microondas), situadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). Não há impedimento para o controle da empresa de TV por assinatura por grupo estrangeiro com essa tecnologia (a Telefônica é multinacional de capital espanhol).

Outra empresa reunirá as operações de TV por assinatura a cabo da TVA fora do Estado de São Paulo: Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Foz do Iguaçu (PR). A Telefônica ficou com 100% das ações preferenciais e 49% das ações com direito a voto dessa firma, pois a lei obriga que o controle de TVs a cabo fique com brasileiros.

Na terceira, ficará a TV a cabo da TVA de São Paulo, que terá 20% de participação da Telefônica.

Em nota, a ABTA informa que as ações comerciais têm ‘efeitos gravíssimos para os consumidores brasileiros’ porque vão ‘eliminar a crescente concorrência da própria TVA e da Net no mercado de banda larga e de voz, onde a Telefônica é dominante’.

Ainda segundo avaliação da ABTA, o acordo ‘vai provocar uma concentração, em poder da Telefônica, dos meios para a oferta de serviços de voz, internet e televisão por assinatura (o chamado triple play)’.’



MERCADO EDITORIAL
Folha de S. Paulo

Ediouro fecha compra da Nova Fronteira

‘A Ediouro, um dos maiores grupos editoriais do país, fechou a negociação para a compra de 50% das ações da Nova Fronteira, de quem já detinha metade das ações. Luiz Fernando Pedroso, diretor-superintendente da Ediouro, assume como presidente da Nova Fronteira. E Mauro Palermo passa a ser o diretor-editorial, no lugar de Carlos Augusto Lacerda, neto de Carlos Lacerda, fundador da editora. Com a compra, a Nova Fronteira mantém seu corpo de editores e o grupo Ediouro passa a ter 5.000 títulos em catálogo.’



TELEVISÃO
Daniel Castro

Record negocia a contratação do ‘Pânico’

‘Maior audiência da Rede TV!, o humorístico ‘Pânico na TV’ pode migrar para a Record nos próximos meses, quando vence o vínculo do programa com sua atual emissora.

Diretor artístico da Record, Hélio Vargas já teve dois encontros com Emílio Surita, apresentador e líder da equipe do humorístico. Ontem, o executivo almoçou com Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, diretor da rádio Jovem Pan e ‘dono’ do ‘Pânico’.

A Record tem interesse no ‘Pânico na TV’ porque vê no programa a solução para uma das deficiências de sua grade, a falta de um humorístico moderno, papel que o ‘Casseta & Planeta’ desempenha na Globo. A emissora é desde fevereiro vice-líder no Ibope da Grande São Paulo e pretende, em até dez anos, disputar a liderança com a Globo, de quem copia boa parte da programação.

A Folha apurou que a Record e o ‘Pânico’ já discutem o que poderia mudar no programa, em que dia da semana deveria ir ao ar e formatos comerciais a serem explorados. Na próxima semana, já devem trocar minutas de contrato.

Há dois anos, o ‘Pânico’ sofreu forte assédio de Silvio Santos e quase foi para o SBT. Na época, a Record também entrou nas negociações. Chegou a oferecer R$ 1 milhão mensais para Tutinha e os humoristas, mais participação nos merchandisings, mas a atração acabou ficando na Rede TV!.

MERCOSUL 1 Depois do sucesso do argentino Pablo Espósito no ‘Big Brother Brasil 7’, a Telefe, rede da Argentina que exibe ‘Gran Hermano’, a versão local de ‘BBB’, voltou atrás e pediu à Globo para lhe enviar um participante do ‘reality show’.

MERCOSUL 2 A Telefe pediu uma mulher, mas a Globo mandará quem o público eleger. Hoje, os participantes de ‘BBB 7’ escolherão dois dos colegas já eliminados. E o público votará em qual deles quer que vá para o ‘Gran Hermano’ na segunda-feira.

TEMPESTADE O capítulo de anteontem de ‘Paraíso Tropical’ (em que carros apareceram sequinhos imediatamente após um temporal) registrou 41 pontos _a melhor audiência desde a estréia.

ESCALA Franklin Martins, que estava afastado do vídeo desde que foi convidado para ser ministro de Lula, se despediu ontem do ‘Jornal da Band’. Na quinta, o telejornal marcou seu recorde no Ibope: oito pontos. Depois que que perdeu o âncora Carlos Nascimento, a audiência do ‘Jornal da Band’ cresceu 33%.

TUDO A VER 1 O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, fez ontem uma visita de cortesia à Rede TV!, a emissora que mais sofre ações judiciais trabalhistas.

TUDO A VER 2 Levantamento da Justiça do Trabalho em junho de 2006 mostrava que a Rede TV! era alvo na época de 2.275 ações em primeira e segunda instâncias apenas no Estado de SP _quase 22 vezes mais que o SBT.’

Adriana Ferreira Silva

MTV cria seu ‘laboratório de fusões’

‘A partir deste domingo, a MTV põe no ar um programa mensal que pretende misturar as turmas, começando pela do rap e a da MPB. ‘MTV Especial: Estúdio Coca-Cola’, parceria entre a emissora e a gigante dos refrigerantes, estréia com um encontro entre o cantor Lenine e o rapper Marcelo D2.

Exibido sempre no último domingo do mês, a atração pretende ser ‘um laboratório de fusões’, em que os músicos irão se arriscar em estilos nunca experimentados. No primeiro, Lenine e Marcelo D2 mostram músicas próprias e uma canção de Chico Buarque.

Além do show, o programa acompanha os bastidores dos encontros, ensaios, realiza entrevistas etc. O conteúdo estará disponível no site www.cocacola.com.br/musica.

O ‘MTV Especial: Estúdio Coca-Cola’ do mês de abril já está pronto e terá as cantoras Pitty e Negra Li. Sobre a experiência, Negra Li disse que foi ‘melhor do que imaginava’: ‘Já era fã da Pitty e aprendi muitas coisas com ela, sobre como se comunicar com a banda.’

Em maio, ‘Estúdio’ promove o encontro entre os roqueiros da banda Cachorro Grande e o cantor Nando Reis. O programa fica no ar até setembro. A Coca-Cola não divulga o valor do investimento feito na parceria com o canal.

MTV ESPECIAL: ESTÚDIO COCA-COLA

Quando: amanhã, às 19h30

Onde: MTV’



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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

O Globo

Carta Capital

Fazendo Media

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